segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Obrigado a Ser Outro

Existem cada vez mais profissões que nos fazem mal, que nos forçam a ser actores da "novela" em que se tornou esta sociedade. É como se nos transformassem numa caricatura de nós próprios, sem pedirem autorização.

Noutros tempos até era capaz de duvidar que as pessoas que nos telefonavam para casa, a vender qualquer "latita de banha da cobra", se sentissem felizes. Hoje não. Já nem olho para o Alípio como um "cromo", por no fim de cada telefonema publicitar à plateia: «já enganei mais um artolas.»

Já vivi dias melhores, como quase todos nós, neste país eternamente adiado, mas pelo menos ainda não fui obrigado a ser uma coisa diferente daquilo que sou.
O óleo é de Aldo Balding.

29 comentários:

  1. A vida dá muitas voltas, como se costuma dizer, mas também espero nunca ser obrigada a ser aquilo que não sou.

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  2. Tenho pena dos que o têm de ser - por inabilidade, alguns, por má sorte, outros.

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  3. Li um comentário seu no blog de Maria, e com um clique estava aqui. Gostei da sua forma de escrever, é boa de se ler, não é cansativa, e nos traz memórias, lembranças, um olhar para vida, da vida que você ver e sente.

    Ao sair da cama para colocar as ideias no papel, qualquer papel, ao observar no metro, ao lembrar a forma que o pai se vestia...o leitor vai entrando nas histórias.

    Quanto as profissões que causam mal, são muitas, e adoecem mental e fisicamente.

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  4. Há quem ceda à deturpação da sua essência por cansaço, outros por necessidade, alguns não têm mesmo alternativa...
    mas acredito que também há os que cedem em nome de objectivos de vida nada dignos...
    ou porque simplemente se demitem da sua função de serem cidadãos responsáveis e intervenientes.
    O mundo de hoje é aquilo que nós fizémos dele... é triste, mas é verdade... e apesar de também, felizmente, não viver na pele esta "deturpação" sinto alguma vergonha por aquilo em que os Homens se tornaram... :(
    Mas... sou optimista. continuo a acreditar que a transparência de alguns salvará o mundo da opacidade total...
    Um abraço (grato pelas palavras no meu lugar)

    [e peço desculpa pelo dimensão do comentário... entusiamei-me... :)]

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  5. Neste país eternamente adiado, dizes bem. O que há mais são pessoas a fazerem o que não gostam e a serem marionetas da vida...
    Um beijo, Luís.

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  6. "Este país adiado" - e o que fazemos nõs para o "desadiar"?... Mas eu que toda a vida trabalhei no que gosto e gostei e gostarei, lamento por aqueles que têm de fazer telefonemas parvos e chatos e tentar "enganar mais um".

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  7. Um País eternamente adiado, dizes bem, só que não te vejo aqui, nem em qualquer outro lugar a levantares a voz!... Isso de falinhas mansas para ser agradável a uma conquista barata, é treta mole... como a banha da cobra!... Ou estás à espera que se revele o mais forte para poderes escolher o lado que convÉm?... Se dizes que não deixaste de ser o que eras, é porque a "pimenta" ainda não te chegou ao nariz, caso contrário o teu grito seria outro!... Agora, sei lá se ainda não foste obrigado a ser uma "coisa" diferente!... Alguém sabe o que eras, o que és ou o que virás a ser?... Devias era pensar naqueles desgraçados que foram obrigados a sofrer mudanças de comportamento devido aos meliantes que têm governado este País de carneiros!... Ou há por aí um medo encolhido a um canto à espera que os outros façam a "revolução", e aparecer depois transformada em coragem?...
    Caro L'Eme, acho que deves pensar seriamente em abrir essas goelas, vibrar esses cordéis vocais e deixares-te de trets políticamente correctas!.. Isso é banha da cobra a derreter no calor da conveniência e faísca da hipocrisia!... Se eu estiver enganado, agradeço que me corrijas!
    Pessoas assim... são grandes!... Artistas!




    Abraço

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  8. sim, a vida é um circulo em volta, Catarina.

    e o amanhã é sempre um talvez.

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  9. cada vez mais tem de se ser, Helena, a lata taxa de desemprego torna tudo ainda mais desigual.

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  10. olá, Paula.

    o "largo" agradece a visita e a simpatia.

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  11. há um pouco de tudo, mas os tempos de crise revelam-se sempre oportunidades de ouro para quem não têm escrupulos, Virginia.

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  12. sim, marionetas da vida, Graça.

    somos todos um pouco disso, uns mais que outros, como convém.

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  13. não sei o que queres, Alma, mas também não me interessa saber.

    mas aproveito para te informar que os meus blogues não são "destiladores" de fel.

    posso acrescentar que sou um resistente, resisto sempre à tentação de fazer juizos de valor sobre quem não conheço.

    e escrevo o que me apetece, não o que te apetece.

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  14. eu também lamento, Carol.

    mas a vida não lamenta...

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  15. Sem dúvida, Luís... tempos como estes inflamam as injustiças...

    Um abraço

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  16. Luís, ainda há muita miudagem que faz das tripas coração para aceitar certos empregos. Infelizmente, a consciência da falta de alternativas obriga a que dobrem esse bocadinho a coluna vertebral. E o hábito, depois, encarrega-se de os anestesiar.

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  17. por vezes tem que ser, por razoes de sobrevivencia e, a vida por vezes prega cada partida...

    gostei do texto.

    beij

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  18. as crises são como as guerras, Virginia.

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  19. sim, Luisa, principalmente hoje, em que a maior parte dos desempregados são jovens, muitos deles quase com trinta anos, ainda à procura do primeiro emprego, a sério.

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  20. se prega, Piedade.

    e muitas vezes obriga-nos a fazer sacrificios por aqueles que dependem de nós...

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  21. Meu caro Luis Eme, acredite que por estes lados não há fel de qualquer espécie e a bílis é, por enquanto, o resultado de bons fígados; a digestão também continua normal e, por isso, o fel sai por onde deve sair, misturado com o que deve ser misturado!... Nunca sob a forma de verborreia, vómito ressabiado ou simples dejecção de palavras sem sentido!... Tudo tem um sentido em minhas apreciações e, espreguiçando-me pela blogosfera, já há uns anos, reparo que há um certo tipo de “gente”, sempre disposta a fugir para o lado dos mais fortes, como se procurassem a salvação, no entanto, isso só acontece quando esse lado mais forte se torna visível!... Como em tudo na vida, onde a política e o eleitor é um flagrante caso, há “engraxadores” em cada esquina; talvez fruto de outros tempos, nos tempos que correm, como se o desespero se revelasse, o que parece ser, cada vez mais, o caso!...
    Então acha que, aqui o rapaz, tem algo contra o Luis Eme?!!!!!!!!!... Você, se eu o conhecesse ao ponto de ter a confiança, que não tenho, consigo, diria que é mais “parvo”, do que possa ser!... Completamente errado; há espaços onde são permitidas as opiniões, sendo o seu, um deles!... De igual modo, reparo que Luis Eme, anda por aí desfazendo-se em comentários, como uma infinidade de blogueiros sem causa, resumindo-se esses comentários a pouco mais de nada, visando apenas o “convite” à visita em seu blogue!... É uma prática normal!... Assim como a consideração miserabilista que caracteriza a blogosfera e seus/suas administradoras!... Então, porque raio, não posso eu interagir com essa treta toda, se não há restrições ao acesso?... Ou também é daqueles a achar que nestas tretas de redes sociais, a hipocrisia tem de ser rainha, onde a regra é dizer apenas bem quando se pensa o contrário?... Como diz o outro, caiu na rede, é peixe!... Paciência!...
    Mas, meu caro Eme, se achar que sou mal educado, grosseiro, sempre pode apagar meus comentários!... reconheço que sou inconveniente para algumas Almas que andam por aí a arrastar-se e pintarem-se das cores mais douradas, onde os céu azul dos olhos sobressai, todavia, EU, que até caminho com os pés no chão, devidamente calçados com *geox ou *timberland” , por uma questão de conforto; como tal, embora rasgue muitos céus em altos voos, d’Alma é, apenas, o que é e pouco mais!
    Para aliviar o caro Eme, informo-o que, quando apagar um comentário d’Alma, não mais voltarei a comentar em seu espaço; entenderei a mensagem e retirar-me-ei, sem qualquer azedume!... Simples, caro Eme!...

    Só não caia na tentação da “bajulice”!



    Abraço

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  22. debaixo de um pseudónimo, todas as pessoas têm muita coragem, especialmente para dizerem o que não conseguem dizer cara a cara, Alma (danada pelos vistos).

    nem sequer o classifico. as palavras que usou são suas.

    apenas digo mais uma vez que escrevo o que me apetece, sem capa ou máscara, mas parece que anda muito atento ao que eu faço, aos blogues que frequento e aos comentários que faço.

    se não tem coisas bem mais interessantes para fazer, muito mal deve andar essa vidinha.

    não lhe apaguei o comentário, mas informo-o que não faz falta nenhuma ao "largo".

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  24. Sorte a tua, Luis. Eu, continuo a puxar pelas ideias, e pelas acções, a ver se cosnigo fazer aquilo que sou...

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  25. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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  26. eu nem acrescento mais nada.
    a não ser que a tua voz poderia ser a minha :)

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  27. Ainda esta semana disse, quem me dera ser a Dª Ana que trabalha na retrosaria e que vende botões e fecho éclairs,linhas e agulhas, etc.Que me dera ter uma vida simples!Mas por enquanto vou desempenhando o meu papel,que até fui eu que escolhi,mas que tem sido tão alterado.

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  28. mas ela também não é feliz, de certeza, Anita...

    sempre fomos bons a complicar o simples.

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