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domingo, fevereiro 03, 2013

A Ideologia Salazarista Cada Vez Mais Presente Entre Nós


Sei que muitas pessoas nunca deixaram de pensar que eram "arianas", alimentando sempre que lhes era possível a "aura" que as tornava diferentes dos outros, a que sempre gostaram de chamar "povo". Só o não diziam em público porque o espírito do  malfadado 25 de Abril ainda estava bem presente nas ruas...

A reboque de uma crise sem igual conseguiram chegar ao poder, disfarçados de "salvadores da pátria", preparados para tudo, até para inverterem o ciclo da própria história.

Os resultados estão hoje bem à vista, pois todos os dias nos roubam direitos e somam deveres, transformando o país num lugar miserável, quase sem lugar para novos e para velhos.

A lição está de tal forma estudada que a ideologia dominante salta da própria sociedade, desde a senhora do Banco Alimentar que resolve vir dar lições de como devemos lavar os dentes ou quantas vezes podemos comer bifes por semana, ao Cardeal Patriarca que quase que apela para não nos manifestarmos, para aceitarmos este "calvário", como se fossemos uns Cristos (coisa que ele não é, nem quer ser, pois não prescinde das suas mordomias...). Só faltavam as palavras do banqueiro multimilionário que sabe-se lá porquê, tem uma predilecção especial pela palavra "aguenta",  para dizer essa coisa inteligente sobre a crise, de que aguentamos, porque os sem abrigo também aguentam...

Infelizmente os sem abrigo já estão praticamente riscados da sociedade, só são preocupação para alguns voluntários que andam pelas ruas a distribuir-lhes roupas, medicamentos e alimentos.

O banqueiro fascista conseguiu ir ainda mais longe que os seus dois comparsas.

O mais grave é que ele tem razão, aguentamos mesmo tudo. Caso contrário, ele já teria engolido as suas próprias palavras...

A fotografia é de Robert Doisneau.

sábado, março 03, 2012

As Políticas Miseráveis Matam



Tenho muito poucas dúvidas de que o número excessivo de mortes, neste inicio de ano, está ligado às políticas miseráveis deste governo.


O frio excessivo fez aumentar um pouco por todo o lado as gripes e constipações, às quais os corpos mais debilitados não conseguiram resistir. Haverá várias explicações para o facto. Adianto duas: a incapacidade financeira de muitas pessoas para garantirem uma alimentação suficiente, para comprarem os medicamentos necessários e até para pagarem o aquecimento das suas casas. E ainda outra que está a ser silenciada, a ausência de condições de assistência médica a uma boa parte das pessoas, principalmente as que vivem em meios pequenos, cada vez mais entregues à sua sorte, devido ao fecho de dezenas de centros de saúde.


Para quem ainda tivesse dúvidas, ficou provado que a política de centralidade deste governo mata.


Pior que a insensibilidade gritante destes ministros, que preferem fechar um centro de saúde a acabar com as suas benesses, desde os cartões de crédito, aos transportes, passando pelas despesas da representação, é o silêncio de Paulo Portas e dos seus "comparsas", que na oposição fingiam ser os grandes defensores dos "pobrezinhos" e "velhinhos".


O óleo é de Luís Selem.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Ricos e Pobres


No Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, gostaria de falar em algo que está a caminho da banalização e do esquecimento, as pessoas que deixam de ter tecto e passam a viver na rua.


Já se deve ter perdido a conta ao número, por isso é que ninguém fala no assunto.

Este cão não aparece por aqui, na fotografia, por acaso, também eles são cada vez mais abandonados por ai.

Pelo menos as "almas" caridosas que no Natal dão abrigo por uma noite a estas pessoas, empurradas para a rua, têm mais "pobrezinhos" para escolher na noite da consoada...

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A Solidariedade e a Solidariedadezinha

Estes tempos de crise são bons para os "recém-convertidos" à solidariedadezinha (especialmente se houver por ali um câmara de televisão à espreita...).

Falo de todos aqueles que precisam de publicidade para os seus negócios ou para o seu ego e tornam públicas as suas "dádivas". Os restaurantes (claro que há excepções...) foram os primeiros a colocarem-se em bicos de pés para ajudar os pobres com as "sobras" das refeições, mas depois de terem feito as contas, afinal parece que sobra pouca comida...

Poderia continuar a dar exemplos, mas para quê?

A boa prática da solidariedade, mesmo em instituições históricas (como a Cruz Vermelha e Cáritas, por exemplo), suplanta todas as "aventuras" promocionais que nos lembram que ainda há quem acredite que com um bom cheque se pode "comprar" o céu, como na Idade Média.

As coisas quando se fazem com o coração, fazem-se anonimamente, sem se estar à espera de obter qualquer dividendo.

domingo, dezembro 21, 2008

«Sabes Porque Existe o Natal?»

«Sabes porque existe o Natal?»

Foi isto que ele disse, sem me dar hipótese de dar qualquer resposta. Ripostou de imediato:
«Porque nós existimos, os pobres e desgraçadinhos, para uma vez por ano, os ricos lembrarem-se que existimos e fingirem que são boas pessoas e que têm muita pena de nós.»
Antes que eu abrisse a boca, concluiu:
«São tão "bonzinhos" que até nos levam para os seus lares, oferecem-nos banho, roupa lavada e a consoada. E em alguns casos até caminha. Os ricos pensam mesmo que são uns gajos porreiros, então no Natal são porreirissimos!»
E virou-me as costas...

A foto é de Eduardo Gageiro. As palavras são minhas e não passam de pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade, é apenas coincidência...

quarta-feira, maio 07, 2008

Reciclagem de Comida...

A primeira vez que ouvi falar em reciclagem de comida, foi numa reportagem televisiva emitida na última semana.
A história diz-nos que é sempre possível descer mais um degrau, naquilo que chamamos dignidade humana.
E não é apenas um episódio da Ásia, América Latina ou África.
Nós por cá também temos muitos "centros de reciclagem" de comida, nos contentores próximos de restaurantes, lojas e supermercados. Assim que a noite cai, é vê-los à espera dos caixotes imundos. Até regateiam e empurram, por um bocado de comida, que já esteve no prato de alguém...
O pior é que os frequentadores dos restaurantes comem quase tudo e deixam quase nada, para esta gente da rua, cada vez com menos eiras e beiras...
Só não sabia é que os restos também eram um negócio, que já se vendia comida reciclada...

A fotografia é de Robert Doisneau, datada de 1967, onde se podem ser três mulheres a apanharam os restos do Mercado de Halles...