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terça-feira, maio 07, 2019

Este Tempo dos "Campos Inclinados"...


Já o disse aqui, mais que uma vez, que uma das razões que me leva a evitar falar de futebol, é conhecer o seu lado menor, por já ter feito jornalismo desportivo. Sei bem demais que o chamado "desporto-rei", além de ser muito mal frequentado, é de tal forma apaixonante, que retira a lucidez a muito boa gente quando fala dos clubes que gostam.

Mas não posso, de maneira alguma, deixar de registar o que se passou ontem no Estádio do Bonfim, durante o jogo entre o Vitória de Setúbal e o Boavista. É muito triste vermos um árbitro a querer ser a "figura do jogo", pelos piores motivos. Tentou "inclinar" o relvado, utilizando uma dualidade de critérios tal, que mexeu com as emoções dos jogadores da casa, ao ponto de a equipa do Vitória ter acabado o jogo com apenas oito jogadores em campo... 

No final de campeonato olha-se sempre para cima, discutem-se os jogos do Benfica, do Porto e do Sporting e esquece-se o que se passa cá por baixo, em que há sempre uma ou outra equipa, que começa a ser "empurrada" para a Segunda Liga. Felizmente há muitas que conseguem resistir e ser mais fortes que as "decisões mentirosas dos árbitros". Espero que seja esse o caso do Vitória de Setúbal, no final da época.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 02, 2019

Conversas, Queixas e Coisas Loucas...


Nos últimos tempos ouço muitas queixas sobre os outros, essa imensidão de gente.

Reparo que fico mais vezes calado, também com pouca vontade de ouvir. Sei que me falta aprender a levantar das cadeiras ou bancos, atrás de qualquer coisa imaginária, deixando os outros de boca ou de olhos abertos à espantalho...

Falando mais a sério, acho que não mudámos assim tanto. O que mudou foi o "mundo à nossa volta".

Sim, faz-me confusão escutar algumas pessoas que têm o facebook, a dizerem mal desta rede social. É quase como as pessoas que gostam tanto de espreitar pelo buraco da fechadura, como de criticar o que vêem...

Sabia que podia ser possível chamar "puta" a uma mulher dentro de oitenta comentários, utilizando oitenta palavras diferentes. Mas não acreditei. A imaginação é outra coisa... Mais parecida com querer ter asas e voar.

Mas não deixa de ser triste, que a cobardia comece a ser mais celebrada que a coragem, da mesma forma que a mentira tente deixar de ter pernas curtas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, março 28, 2019

O Testemunho de um Homem do Teatro...


Ontem festejou-se o Teatro, mas o que me ficou deste dia foi a entrevista que Jorge Silva Melo deu ao "DN". Provavelmente, por ele ter tido a coragem de colocar o dedo "numa das feridas"...

«O Estado permite que haja teatro em condições cada vez mais fechadas para os espectadores, com espectáculos que fazem três/ quatro récitas. É uma coisa inadmissível, porque é o mesmo que dizer "não venham cá", levar os empresários teatrais institucionais a não acreditarem nos espectáculos que só têm dois/ três dias porque têm a certeza que os primos, os namorados e os irmãos irão ver mas não acreditam na capacidade de se tornarem acontecimentos. São pequenas festas entre amigos e é isso que tem acontecido lamentavelmente. Nos últimos cinco anos o teatro é insultuoso para os espectadores, pois estão a dizer 'vocês não são da profissão e nós só estamos a trabalhar para os profissionais da profissão'. A maior parte dos teatros institucionais têm o seu público entre aspirantes a pessoas que fazem teatro e reformados de pessoas que fazem teatro, portanto são festas de primos em vez de abrangerem a sociedade. O teatro que eu pensei ser possível também em Portugal seria o teatro cívico, ou seja, para a sociedade numa cidade grande como foi Lisboa antes de ficar esvaziada. Qual é o lugar do teatro?»

É uma boa pergunta... Este não será, com toda a certeza.

É raro vermos alguém "do meio" a fazer um retrato tão lúcido de uma Arte (e infelizmente não é a única...), que se está a deixar  levar "pela onda", para não perder os subsídios atribuídos...

Mas é uma pena que a gente do teatro puxe cada vez menos  pela imaginação, aceitando as "regras do jogo", institucionais, sem perceber que aos poucos e poucos, vai perdendo  a independência e a liberdade, elementos-chave para que este espectáculo seja único...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, março 07, 2019

Tentar Fugir do Óbvio...


Nos meus blogues tento fugir do óbvio, escrever sobre o que quase toda a a gente escreve.

Isso explica que não tenha dedicado uma linha ao juiz mais famoso de Portugal; que não faça muita publicidade aos políticos e banqueiros corruptos que são capazes de dizer com o ar mais sério do mundo, que nunca cometeram qualquer crime... E não faça "posts" a imitarem telenovelas, que infelizmente passou a ser a prática de quase todo o jornalismo português.

É por isso que em relação ao dia de hoje, não há muito a dizer. Claro que é um dia que deve envergonhar todos os homens, mesmo que não tenham qualquer responsabilidade na existência de tantos cobardes, de Norte a Sul. E não falo apenas dos que matam mulheres, falo também dos que agridem crianças e que assaltam velhinhas.

O que me incomoda mesmo, é perceber que as coisas não mudam apenas por lhes dedicarmos dias, ou até mudarmos leis.

Mas o que me faz mais confusão, é que pessoas habituadas a ligar diariamente com bandidos, sejam tão benevolentes com gente que tem muito pouco de gente.

É também por isso que acredito que esta mudança de paradigma, depende fundamentalmente da prática dos juízes, dos advogados e dos agentes da autoridade. 

Quantas mortes não se teriam evitado nos últimos anos, se estes cumprissem a lei e agissem como pessoas responsáveis, em vez de escreverem coisas incompreensíveis, ou de  assobiar para o lado, colocar as mãos nos bolsos e virar costas...

(Fotografia de Luís Eme - Charneca de Caparica)

terça-feira, fevereiro 12, 2019

O Rio e a Ausência de Palavras...


Gosto dos dias em que as palavras andam à solta pelas ruas, e se forem muitas, daquelas capazes de se agarrarem a nós, quase como lapas, ainda melhor.

Talvez isso aconteça por sentir que estes dias começam a rarear...

O vulgar dos dias são os silêncios cúmplices, dos múltiplos olhares que se deixam prender pelos ecrãs quase minúsculos, que prometem oferecer-nos o mundo inteiro, com apenas meia dúzia de toques...

Ficar mais fechado entre quatro paredes (a pesquisa tem destas coisas), faz com que aprecie, ainda mais, os passeios à beira-rio, mesmo que sejam dados ao fim do dia...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

terça-feira, fevereiro 05, 2019

Sentimento de Impunidade ao Rubro


Não tenho qualquer dúvida, de que a forma como a justiça funciona no nosso país, é a principal responsável pelo sentimento de impunidade que alastra, de Norte a Sul.

Sentimento esse que faz com os mesmos crimes se repitam, de uma forma cada vez mais assustadora, por gente que não podia, nem devia, estar em liberdade.

No topo destes crimes surgem a violência doméstica e as "burlas" no sector bancário, que causam cada vez mais indignação, por todos percebermos que não são levadas a sério, por quem de direito.

Desde 2004 foram mortas 512 mulheres. Quantas destas mortes não se poderiam ter evitado, se a lei fosse cumprida e respeitada, na maioria dos casos de violência doméstica, pelos tribunais, pelo ministério público e pelas forças de segurança?

Em relação aos casos de "burlas" da banca (BPN, BPP, BANIF, BES, Montepio, CGD, etc), ainda está por fazer a conta dos muitos milhões que "desapareceram", a maior parte deles de forma criminosa. Mais grave, é termos conhecimento dos nomes da maior parte destes "vigaristas de colarinho branco" e sabermos que continuam em liberdade, e a viver melhor que a maior parte dos portugueses, sem que os seus bens sejam arrestados pelo Estado...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, janeiro 12, 2019

Os Óculos Escuros são Óptimos para Dizer Bom Dia ao Sol...


De certeza que já falei disso por aqui (quando fico sentado alguns minutos no banco de madeira do "Largo", falo mais do que a conta...). Sempre fui ligeiramente distraído, com o bom e o mau da coisa. 

Além desta característica, tenho também uma grande capacidade de abstracção, o que faz que me digam muitas vezes, que não "vivo cá".

E na verdade eu prefiro mesmo não "viver lá". É por isso que às vezes fujo das ruas onde há demasiadas pessoas a andarem, para baixo e para cima. E até sou capaz de acelerar o passo, se sentir um cheiro a fritos, quase exóticos.

Às vezes penso que duas ou três pessoas têm inveja de não conseguirem aproveitar as oportunidades, mesmo pequenas, de esvaziar os bolsos de problemas, algo que também sempre fiz, sem grande dificuldade. Digo isso porque este meu "positivismo natural", acaba por irritar algumas gentes, especialmente as que vivem abraçadas à "desgraça" e tentam transformar a vida em algo parecido com um "álbum duplo de fado escuro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, novembro 10, 2018

Um Hábito cada Vez mais Normal...


Esta mania dos políticos nos quererem passar "atestados de estupidez",  fiados na sua "chica-espertice", começa a ultrapassar todos os limites.

Já todos tínhamos percebido que uma boa parte deles gosta de "dourar" os currículos com cursos que nunca frequentaram, e cargos que nunca ocuparam, 

Depois há as dezenas de histórias com dinheiros de casas, viagens e fatiotas, do domínio da ficção... mas aceites, porque "os políticos têm ordenados baixos" (pobres coitados, devem receber pouco mais que o ordenado mínimo, tal como a maioria dos portugueses...). 

Só faltava mesmo a "denúncia" (feita pelos seus próprios pares...), de um registo duplo indevido na "folha de presenças" (algo que deve ser mais comum do que parece)...

Como se começou a falar de investigações, com a polícia judiciária e o ministério público ao "barulho", a senhora deputada que registou a presença do senhor Silvano, resolveu "dar a cara" e falar da "normalidade" da partilha de "senhas" dos computadores pessoais do grupo parlamentar... e pior ainda, de distracção. Sim, registou o nome do colega de bancada, sem perceber que o estava a fazer, e logo por duas vezes...

Não menos grave é o presidente do seu partido, achar que tudo isto não passam de "fair-divers"... Pelo menos o líder parlamentar teve a decência de dizer que nunca partilhou a sua "senha" com ninguém...

Tenho de acabar este texto com uma pergunta óbvia: como é que "gente deste calibre" chegou ao parlamento, onde nos está a representar?

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, novembro 04, 2018

Navegar é Preciso...


Quem gosta de navegar, só não sai para o mar se estiver mesmo um dia de temporal.

Tal como os surfistas, os velejadores também não prescindem do contacto com o rio e o mar, de Janeiro a Dezembro... 

Há mesmo quem prefira dias com mau tempo no canal. Sem vento e frio, não há aventura nem acção digna de um verdadeiro marinheiro.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 15, 2018

Depois Sorrimos, sem Palavras...


Conversa acalorada, com os cinismos, as hipocrisias, e os egoísmos  a saltaram para a mesa, com a ligeireza de heróis da Olímpia. 

Durante cinco minutos ninguém se entendeu. Foi o bom tempo dos atropelos, de falarmos todos quase ao mesmo tempo.

Em todos os grupos há sempre alguém que fala pouco e que quando abre a boca diz quase sempre coisas "filosóficas". O Arenga é um bocado assim.

Quando disse: «É normal que os interesse particulares se sobreponham aos colectivos. Somos mais ilhas que continentes...»

Ficámos calados a olhar uns para os outros, quase com uma fita métrica, a medir o alcance da frase do nosso "escutador-mor". 

Depois sorrimos, sem palavras.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 24, 2018

A (não) Leitura de Jornais...


Não sei se existe alguma fórmula certa, muito menos se há "salvação", para o jornalismo, pelo menos no sentido clássico em que o conhecemos, com a notícia a ser mais importante que o sujeito...

Há quem compre e leia jornais, quase por teimosia e vício (pertenço ao grupo...). Mesmo que saiba que já não o consegue ler da primeira à última página, ou da última para a primeira.

Não sei se culpe a "internet", o "jornalismo", ou os "tempos de hoje", sei apenas que estamos a perder concentração, paciência e interesse pelo que acontece por cá e no mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 12, 2018

«Não me digam que estavam à espera que as coisas mudassem por cá, no nosso cantinho!»


Mesmo que não seja hábito dizermos que andamos a "virar frangos" há muito tempo, ou utilizar outro lugar comum ainda menos eloquente, «desta gente espera-se tudo», é notório que começamos a ser cada vez menos crédulos. Parece-me que o único que escapa da nossa mesa é o Manel, o mesmo bom rapaz de sempre.

Ou seja, não conseguimos passar ao lado das últimas notícias sobre os "chico-espertos" de Pedrogão Grande, que se aproveitaram da existência das habituais "vírgulas", que existem nos contratos, com a cumplicidade de alguém  ligado à autarquia, para conseguirem uma casinha nova, nas suas segundas e terceiras habitações, à conta de donativos, que só foram possíveis graças à boa vontade de milhares de portugueses.

Houve quem falasse como se este acontecimento fosse uma coisa "anormal"  no nosso país. Foi preciso a Rita colocar ordem na mesa e dizer: «Não me digam que estavam à espera que as coisas mudassem por cá, no nosso cantinho!»

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 28, 2018

Este Mundo dos "Vencedores"...


Todos sabemos, por experiência própria, que esta coisa de viver, tem muito que se lhe diga...

Uma das coisas que mais me incomoda é este mundo ser cada vez mais dos "vencedores". Quase toda a gente está com o olhar preso às "passadeiras vermelhas", esquecidos das "ruas detrás" e dos "bancos de jardim", transformados em "quartos de hotel" por esse mundo fora...

Há demasiados exemplos de vidas que nos fazem pensar duas vezes, especialmente quando caminhamos de derrota em derrota, sem percebermos muito bem o que se está a passar à nossa volta.

Normalmente os pesadelos começam com o desemprego... se não o conseguirmos "fintar" logo no início, podemos perder coisas, que não nos passam pela cabeça.

O Rui em apenas um ano, perdeu o emprego, teve de vender a casa, o carro... E nem a família escapou, pois a mulher quis o divórcio e foi viver para a casa dos sogros com os filhos.

Os únicos que não lhe voltaram as costas foram os pais, que não só mantinham o seu quarto praticamente igual ao dos seus tempos de solteiro, como lhe deram toda a força, para começar de novo, uma outra vida...

De repente viu praticamente todos os amigos a desaparecerem. Os que pensava que o poderiam ajudar deixaram de lhe atender o telemóvel. Sentiu na pele que a realidade de um desempregado, sempre era o tal "filme de terror", capaz de destruir tantas vidas, que ouvia falar por aí...

A partir de certa altura, o que ele queria era trabalhar. Foi por isso que aceitou um emprego mal pago, onde não eram necessárias grandes qualificações. Felizmente para ele, houve um problema a nível informático na oficina e alguém disse que ele percebia daquilo e podia ajudar. Não só ajudou como resolveu o problema.

E foi assim que "saiu do inferno"... conseguindo um trabalho compatível com os seus conhecimentos e mais bem pago.

Lembrei-me dele, porque uma das palavras que menos gosta de ouvir é: "solidariedade".  E continua a não compreender que raio de sociedade é esta, onde vivemos, que quando mais precisamos de ajuda, é quando mais nos fecham a "porta na cara"...

(Fotografia de Luís Eme)


terça-feira, junho 05, 2018

A Meritocracia é uma "Treta"


Há muito boa gente que gosta de falar da meritocracia, como se esta fosse uma realidade do nosso país. Mas todos sabemos que nem precisamos de fazer muitas contas de cabeça, para recordarmos exemplos de que não passa de uma "treta", ou de um "tapa-olhos", para quem anda distraído.

Tanto no sector público como no sector privado da nossa sociedade, não faltam exemplos de gente que ascende a altos cargos, sem terem a qualidade que lhes deveria ser exigida. E muitas vezes utilizando os outros como "tranpolim"...

Claro que não estou a falar dos gestores, peritos em destruir empresas públicas, até porque podem ter sido escolhidos exactamente para esse fim...

Não deixa de ser curioso que o futebol (dá para tudo...)  também funcione como uma boa metáfora da "meritocracia". Digo isto porque uma das coisas mais curiosas que verifiquei neste defeso, foi o facto dos dois técnicos que desceram de divisão (Ivo Vieira no Estoril e João Henriques no Paços de Ferreira) já terem sido contratados por duas equipas da Primeira Liga (Moreirense e Santa Clara)...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 04, 2018

O "Esquecimento" da Notícia e os Argumentos do Realizador...


Quando venho de um período de férias, ainda que curto, não me apetece começar logo a escrever sobre assunto demasiado sérios.

Foi por isso que ainda não disse uma única palavra sobre a apropriação das palavras da escritora Deana Barroqueiro, por parte do realizador João Botelho, no argumento de "A Peregrinação", o último filme que realizou.

Mas esta apropriação nem é o mais grave grave de todo este caso. O seu pedido de desculpas, "esfarrapado", na qual ele diz que não conseguiu contactar a editora e a escritora, é uma coisa sem pés nem cabeça. Se pensarmos que estamos a falar de uma das duas principais editoras do nosso pais... não vale a pena acrescentar mais nenhuma palavra.

Outro aspecto não menos importante é a quase ausência de notícias ou críticas negativas sobre este acontecimento. O que é bastante revelador da nossa "vida cultural", cheia de capelinhas, onde se junta a gente "bem" da cultura e do jornalismo, para beber copos e desdenhar dos nossos "tonis carreiras" ou "diogos piçarras", que até podem ter menos talento que eles, mas não lhes ficam a dever nada em dignidade.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, março 20, 2018

Quase no Final da Calçada da Pedreira...


Hoje ao passar por uma rua quase esquecida, povoada de casas abandonadas com um ar desolador. Sim, se falassem de certeza que desabafavam e falavam da sua pouca grande vontade em continuar a fingir alguma imponência.

Perguntava para ninguém, «quem serão os donos destas casas?», que já há muito que deveriam ter colocado umas placas de "vende-se".

Ninguém respondeu. E a única coisa que sei, é que agora já não possuem qualquer atractivo que possa chamar a atenção dos distraídos...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, fevereiro 03, 2018

"Piquete de Limpeza"...

Muitas vezes tiramos fotografias, apenas porque sim.

Esse é um dos atractivos e "facilitismos" do digital, podemos tirar retratos à dúzia, para depois escolher um ou dois.

Hoje ao ver esta fotografia, entre o curioso e o insólito, tirada há quase um ano, numa praça lisboeta, pensei que "Piquete de Limpeza" seria um bom título, apesar de tudo o que se diz dos pombos aí pelo mundo...

Claro que não devem ter limpado grande coisa no colchão, mas até parece que sim, pela forma como se movimentam de um lado para o outro.

A fotografia também tem o poder ilusório, de nos fazer ver coisas que "não existem"...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, janeiro 06, 2018

Vidas que Dão Filmes, Filmes que Dão Vidas...


Sim, é verdade (provavelmente estou a repetir-me...), o cinema possui todas as nuances para funcionar como o espelho das nossas vidas. Tem a vantagem de não estar circunscrito a um palco, como sucede no teatro, ou apenas à imaginação do escritor, como acontece com os livros.

Pode utilizar o espaço e tempo de uma forma quase infinita, com guiões e personagens que se confundem com as do mundo que nos rodeia, ao ponto de ficarmos confusos e não sabermos muito bem (tal como na vida...), onde acaba a ficção e começa a realidade.

O mais curioso é sentir, à medida que o tempo passa, que esta fronteira é cada vez mais ténue.

Se por um lado sinto que há personagens da vida real que se inspiram nos filmes, para quase tudo, desde coisas simples como a forma como se vestem, como circulam nas ruas ou dialogam com os outros, a coisas mais complicadas, como ser "capa de jornal" pelos piores motivos. Por outro lado descubro na tela gente que podia muito bem saltar da fita para as ruas, pois são mesmo gente como nós...

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Os "Espertos" Deste Mundo...


Embora eu continue a duvidar que o mundo seja dos "espertos", eles pensam mesmo que o mundo lhes pertence...

Hoje tive pelo menos dois exemplos. Um aconteceu na estrada, numa longa fila, em que o condutor de um dos carros parados foi incapaz de dar a passagem a outro, que queria seguir na direcção contrária. Felizmente o segundo homem não tinha pressa nem estava interessado em reagir à "provocação" do espertalhaço...

O segundo exemplo foi de alguém que tinha sido informada e aconselhada a fazer a coisa certa, sobre uma questão de justiça e de bom funcionamento das coisas... Sem se manifestar e dando uma de "chefe", preferiu continuar a navegar no erro (provavelmente a fiar-se que ninguém se iria manifestar...), acabando por ouvir o que não queria, de alguém que não gostava de passar por parvo, ficando mal na "fotografia".

Mas ela sabia como é que as pessoas reagiam normalmente. Conhecia a sua passividade...

Acho que o problema maior dos portugueses é mesmo esse. Preferem passar por parvos a "comprar" uma discussão ou uma briga. Ou seja, ficam demasiadas vezes no seu cantinho e são pouco solidários (ao contrário do que se diz por aí, fiados nas estatísticas das "campanhas telefónicas"). No campo profissional, preferem assobiar para o ar ou fingir que não vêm o que se passa mesmo à sua frente... 

E a principal consequência  desta "cegueira" voluntária, é os "espertos" acharem-se, cada vez mais, "donos do mundo" (e nem falo do sujeito que se acha mesmo  "dono" da América e do Mundo)...

(Fotografia de Luís Eme)