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sábado, dezembro 01, 2018

Memórias das Ruas Lisboetas...


O Primeiro de Dezembro além de comemorar a nossa Restauração de 1640, depois de 60 anos de domínio espanhol, também é o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

Esta doença hoje "já não é uma sentença de morte", como nos diz a publicidade que foi capa do "Público" de hoje (e provavelmente de mais jornais, mas só comprei este e nem olhei as outras capas...), graças aos avanços da medicina.

O mais curioso é que ontem tinha escrito umas palavras sobre  algumas conversas com amigos antigos de Almada, que ainda se recordam dos "números de polícia" e das ruas (Ferragial, Rosa, Diário de Notícias, Gáveas, Norte, São Paulo, etc) dos bordéis que frequentaram no começo da idade adulta.

No começo da minha idade adulta existiam sobretudo "bordéis de rua", em praticamente toda a Avenida da Liberdade e também no Largo de São Pedro de Alcântara, Enquanto descia a Avenida em direcção ao Cais do Sodré, para apanhar a barca que me levava para a outra margem, recebia convites femininos de todo o género, desde o simples "vamos querido?" até ao quase cristão, "faço-te o homem mais feliz do mundo".

O curioso é que a partir da Praça dos Restauradores a "fauna" mudava, eram as "bichas" que me faziam uma perseguição quase impiedosa, normalmente sem palavras, apenas com olhares viciosos. Era uma espécie de jogo de escondidas e também de estafeta ("elas" revezavam-se de esquina a esquina, cheguei a ser perseguido por mais de uma dezena de "bichas"). 

Recordo que quando vinha acompanhado, brincávamos com o assunto e "elas" não se aproximavam muito. Agora quando vinha sozinho, o "assédio" era bem mais descarado...

O aparecimento da Sida nesses primeiros anos da década de oitenta do século passado afastou toda esta gente das ruas. Se os homossexuais ainda devem andar por ai, com mais discrição, as prostitutas não voltaram à Avenida...

(Fotografia de Luís Eme - os laços vermelhos que são colocados neste dia, em volta das árvores num dos jardins de Almada...)

terça-feira, janeiro 09, 2018

A Importância Social das Telenovelas

Há vários anos que as telenovelas brasileiras transportam para a televisão - e para a discussão pública - alguns temas "tabu" da sociedade. Foram eles que mostraram os primeiros casais homossexuais às claras nas suas "tramas", no início de uma forma tímida, que hoje são aceites com normalidade nos seus guiões. E é esse valioso contributo que dão para a sua discussão, e até aceitação entre as pessoas de todos os estratos sociais, mesmo que nem sempre se pense com seriedade no assunto, que me interessa trazer para aqui.

A telenovela brasileira  que a SIC transmite à noite (só não sei o título porque sempre fui péssimo em decorar nomes de livros, filmes, peças...), é mais um bom exemplo da utilização positiva de um tema cada vez mais pertinente, que é abordado de uma forma muito feliz: o drama dos transexuais (a sua aceitação - ou não - pela própria família e todo o transtorno emocional que provoca) com a qualidade reconhecida dos actores brasileiros...

E fico muito feliz por uma telenovela ter uma importância superior a mil crónicas doentias de gente do calibre do arquitecto Saraiva, que provavelmente ainda pensam que a homossexualidade é uma doença, curável (nem que seja com tratamentos à base dos choques eléctricos...).

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)

quinta-feira, agosto 03, 2017

Futebol: um Mundo Cada Vez Mais à Parte...


O futebol é um mundo cada vez mais à parte. Foi desporto durante pouco tempo, rapidamente passou a espectáculo, para depois se tornar num dos negócios que movimenta mais dinheiro em praticamente todos os continentes, quase sempre de uma forma pouco transparente.

Mas nem é sobre isso que quero falar, dos mais de duzentos milhões da transferência de Neymar. É de quase tudo ser permitido às grandes vedetas, como é o caso de Cristiano Ronaldo. Poderia falar das acusações de fuga ao fisco, mas penso que o jogador português é suficientemente esperto para não se colocar a "jeito", num país que sempre olhou para os portugueses de uma forma muito especial. Não é por acaso que se diz que de Espanha não nos chega nem bom vento nem bom casamento...

Quero falar sim do seu comportamento como pai e "chefe de família". Porque ainda hoje me espanta que as palavras do dr. Gentil Martins, na entrevista publicada na "E" (revista do Expresso), a 15 de Julho, não tenham sido sequer discutidas - sei que estive de férias, mas não senti que fossem sequer tema de conversa, nem mesmo nas revistas de "mexericos"...

O dr. Gentil Martins comentou desta forma o facto de ele ter recorrido já por duas vezes a uma barriga de aluguer: 
«Considero um crime grave. É degradante, uma tristeza. O Ronaldo é um excelente atleta, tem imenso mérito, mas é um estupor moral. Não pode ser exemplo para ninguém. Toda a criança tem direito a ter mãe.»

Eu antes da entrevista, já achava estranho que este facto não fosse questionado. que ninguém procurasse saber o que levava um atleta, aparentemente saudável e normal, a recorrer a algo que é utilizado para casos extremos, de quem por razões de saúde não pode fazer a gestação normal de nove meses como mãe. Não vou tão longe como o dr. Gentil Martins, mas também penso que toda a criança tem direito a ter um pai e uma mãe.

Se calhar uma boa parte das pessoas é capaz de dizer que o médico é "maluquinho", e que o futebolista da Madeira pode fazer o que quiser da sua vida, entre outras coisas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, junho 05, 2017

Setenta e Nove...

Porque é que alguém começa a fumar aos setenta e nove anos?

Por uma razão demasiado óbvia: acredita na publicidade impressa nos maços.

Todos eles dizem que os cigarros matam. E é normal que alguma gente com uma idade já quase avançada,  um pouco farta de viver, faça também um manguito à vida quase saudável. 

Quando se está farto de andar para trás e para a frente e não se tem coragem de acabar tudo em segundos, com um tiro na carola ou com a suspensão do corpo, preso pelo pescoço a uma corda, fumar pode ser uma boa alternativa...

E com um pouco de sorte aprende-se a gostar de fabricar nuvens de fumo e a ter um hálito apropriado para quem já não faz linguados... 

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 25, 2017

Uns Dias de Secura e Outros de Grandes Bebedeiras...

Hoje faço como alguns jornais, coloco um título que pode ser tudo, mesmo que depois de espremido, seja quase nada.

Estes meus dias de secura ( e de grandes bebedeiras...), não têm nada a ver com bebidas, com mais ou menos álcool. É apenas mais uma metáfora da vidinha...

Falo sim desta "doença" que é o escrever. Nos últimos tempos tenho escrito pouco.  Claro que não estou a falar da quase ligeireza diaristica com que vou escrevendo na blogosfera. Falo sim das ideias mirabolantes que surgem do nada e que são capazes de encher uma folha A4 em menos de cinco minutos, como me aconteceu hoje, ainda antes das oito da manhã. Muito por culpa das personagens, que devem entrar pela janela, que já estava ligeiramente aberta, para que o Verão não ficasse apenas pela rua...

Depois de tudo o que escrevi logo no começo do dia, fiquei a pensar que o  normal era não me apetecer escrever. Ainda por cima as minhas palavras estavam cheio de moralismos... 

Talvez fosse boa ideia deixar de "beber", mas há coisas que não controlamos mesmo.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, maio 06, 2017

O Prazer da Transgressão...

A Rita tem razão, falar ao telefone tem um sabor muito diferente de falar ao vivo, podemos adivinhar sorrisos, caretas, e até um outro esbracejar... mas nunca conseguimos entrar dentro dos olhos de quem está do outro lado...

Foi por isso que lhe prometi que para a semana vou a Lisboa (mesmo sem a joaninha que avoa avoa...).

Entre outras coisas, confessámos um ao outro, as vezes que nos apetece fumar um cigarro, só para fazer nuvens de fumo em atmosferas demasiadas amareladas, povoadas de gente que finge que deixou de ter prazer em transgredir. 

Só espero que não seja o espírito do Salazar a cirandar por aí, de mão dada com o Cerejeira, novamente apostados em levar a gente do nosso país para os "bons caminhos" dos vícios privados e das virtudes públicas. 

Quem diria, que neste tempo, o fado ainda consegue ser a coisinha mais sensata e democrática, pelo menos quando comparado com as doidices de fátima e do futebol...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 10, 2017

A Banalização das Coisas (importantes e também das outras)...


Acho que todos funcionamos assim, uns mais outros menos. Temos tendência para banalizar as coisas, mesmo as sérias, à medida que o tempo vai passando.

A sociedade de hoje, de "informação instantânea" (curta, grossa e tóxica) também é propícia a que isso aconteça. Cada vez conheço mais gente que deixou de ver as notícias televisivas e de comprar jornais.

Mas escolhi mesmo um exemplo para focar esta nossa maneira de ser e estar. 

Muitos anos e muitas mortes depois, os governos criaram leis que "obrigaram" a sociedade a interiorizar que o tabaco era mesmo um malefício para a saúde de todos. Uma das medidas foi decorar os maços de cigarros com slogans mortíferos, com tanto de assustador como de irritante. Isto foi óptimo para os vendedores de cigarrilhas, porque ninguém queria andar com a "morte" nos dedos, sempre que fumasse um cigarro...

Como costuma acontecer nestas coisas, vários anos depois já ninguém liga muito ao assunto e as caixas, ora discretas ora douradas, para guardar cigarros, deixaram de ser moda. Nos nossos dias alguns miúdos principiantes na arte do fumo até gozam com as fotografias.

Um dos meus poucos amigos fumadores, quando lhe falei do assunto, disse que está tão habituado às palavras e às imagens dos maços, que já não surtem qualquer efeito visual ou de outro género para ele. Rematando com um daqueles lemas com que nos defendemos tantas vezes sobre a sua opção de ainda fumar: «todos temos de morrer um dia, ninguém fica cá para semente...»

(Ilustração japonesa de autor desconhecido) 

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Um Exercício Diário de Sanidade...


Há muito mais gente a falar sozinha do que parece. E não estou a falar dos "maluquinhos" das ruas e dos transportes públicos, que discursam para toda a gente e para ninguém, naquilo que começa por ser um número e depois vai-se tornando definitivo. Muitos menos dos criadores que gostam de falar com a sombra (eu sou um deles...) e até são capazes de dizer bom dia às calçadas da rua...

Falo das pessoas que vivem sozinhas. Sem um periquito, um gato ou um cão, para mandarem aquela, e também à outra parte. Habituam-se a falar com as fotografias, com os pratos, com os talheres e até com as roupas que guardam no roupeiro. Ou seja, falam com tudo o que lhes cheira a gente...

Nestes casos penso que falar com estes objectos é um exercício diário de sanidade...

(Fotografia de Gérard Castello Lopes)

quarta-feira, janeiro 06, 2016

A Senhora que Queria Mais que uma Caixa de Comprimidos da Farmácia...






Uma senhora de idade falava, falava, sem vontade nenhuma de abandonar o balcão da farmácia. Em vez de me incomodar olhei com a cumplicidade possível a farmacêutica, por perceber que a cultura do mundo dos medicamentos era insuficiente para o bom exercício daquela profissão. Exigia-se cada vez mais uma grande capacidade de dialogo, para que os clientes nunca sentissem que estavam a ser empurrados pela porta fora. 

Sei que eles (mais elas...) não se contentam com os comprimidos para a tensão ou a pomada para o reumático, querem um tempo para contar pedaços das suas vidas, partilhar dores, e se possível, receber ainda um parecer clínico. Porque nas visitas aos hospitais e centros de saúde, com as mudanças operadas nos últimos anos, não são tão bem tratados como na farmácia, que é quase a mercearia do bairro...

Ela sorriu com os olhos cansados, como se me quisesse dizer que não podia "despachar" a senhora, que precisava tanto de trocar umas ideias sobre as suas doenças. 

Embora tivesse a senha seguinte, fiz de conta que tinha todo o tempo do mundo.

E pensei: maldita solidão... Eu sei que falar com as paredes é muito diferente de conversar com pessoas...

(Óleo de Irena Jovic)

sexta-feira, dezembro 11, 2015

A Sala de Espera do Hospital


Podia ser uma cena surrealista. Poder podia, mas é a realidade que temos...

Eu escutava-o e pensava no martírio que é não ser muito saudável no nosso país.

Chegou as 13.30 e a sala de espera para as consultas estava com uma dúzia de pessoas, que foram sendo chamadas e daí a vinte minutos, era o único doente à espera. Depois foram chegando mais doentes, que eram chamados, enquanto ele continuava à espera, agarrado a um livro, que não lhe desviava a atenção para aquele quadro que o rodeava. 

Quando a sala se voltou a esvaziar e só se encontrava lá ele e um velhinho acabado de chegar, levantou-se e perguntou à funcionária, se ele estava ali apenas para a sala não ficar completamente vazia. A senhora não percebeu o alcance da pergunta e ele então contou o "calvário" que já durava mais de uma hora, de se limitar a ver as pessoas a serem chamadas e a desaparecer, como se fosse eternamente o último de qualquer lista.

A senhora foi ver o se passava e daí a cinco minutos chamaram-no. Mas enganaram-se no nome. Ele sorriu para a funcionária e disse. «Fernando é o meu primo, mas vou aproveitar a vez dele, já estou farto de esperar.»

Claro que era mesmo a vez dele, mas trocaram-lhe o nome, nada que o preocupasse. O que queria era ver o hospital pelas costas. E tudo por causa de uma simples consulta de dermatologia...

O óleo é de Vieira da Silva.

terça-feira, janeiro 27, 2015

Voltou a Morrer-se em Casa, quase Pacificamente, por esse Interior Fora...


O jornalismo mudou muito e para pior, Não se anda à procura de notícias, espera-se que as notícias batam à porta. E quando batem é um corropio, com reportagens para quase todos os gostos.

É por isso que os jornais e as televisões montam piquetes nas urgências dos hospitais, à espera de mais mortes enquanto se espera a vez. E por razões que a razão desconhece, continuam atentos a quem passa pelo estabelecimento prisional de Évora...

Num outro país, longe dos hospitais e onde os centros de saúde fecharam, muitos avós, perdidos nas aldeias do interior, morrem calmamente, sem que tenham de viajar para o "purgatório" que conhecem da televisão, onde tanto se morre da cura como do mal, pelo menos é o que pensam.

Se não há dinheiro para todos os medicamentos, menos haverá para pagar um táxi até à cidade mais próxima, quase sempre a trinta, quarenta quilómetros...

Os governantes e os jornalistas estão longe deste país. As terras longínquas dão poucos votos e ainda menos notícias.

Nada que incomode muito os velhos destas terras votadas ao abandono. Se lhes perguntarem se querem ir para o hospital, não abrem a boca mas abanam a cabeça, e dão uma resposta negativa. Se puderem escolher, morrem em casa, preferencialmente durante o sono, mesmo que seja breve... 

O óleo é de Célia Reisman.

domingo, outubro 27, 2013

Pouco Mais Resta que o Amor


As grandes vitimas deste tempo miserável são as pessoas de idade.

Não são apenas os cortes injustos nas reformas. É também o aumento de rendas, da luz, da água, do gáz. A dificuldade em conseguirem uma consulta médica no centro de saúde onde estão inscritos.

Talvez tenham razão. Talvez estes governantes os querem matar de "tortura", com a passagem dos dias cada vez mais difícil de suportar.

Sabem que pouco mais lhes resta, para além do amor das suas companheiras ou dos seus filhos... 

É por isso que nem querem pensar na vida de todos aqueles que ainda tem de suportar a solidão, cada vez mais amarga e dorida, à medida que os anos passam... 

(se usasse música no "Largo" podia muito bem colocar por aqui uma das várias canções de Lou Reed, cantadas quase como um grito de revolta, perante esta sociedade que deixa cada vez mais a desejar, em sua homenagem...)

sábado, março 03, 2012

As Políticas Miseráveis Matam



Tenho muito poucas dúvidas de que o número excessivo de mortes, neste inicio de ano, está ligado às políticas miseráveis deste governo.


O frio excessivo fez aumentar um pouco por todo o lado as gripes e constipações, às quais os corpos mais debilitados não conseguiram resistir. Haverá várias explicações para o facto. Adianto duas: a incapacidade financeira de muitas pessoas para garantirem uma alimentação suficiente, para comprarem os medicamentos necessários e até para pagarem o aquecimento das suas casas. E ainda outra que está a ser silenciada, a ausência de condições de assistência médica a uma boa parte das pessoas, principalmente as que vivem em meios pequenos, cada vez mais entregues à sua sorte, devido ao fecho de dezenas de centros de saúde.


Para quem ainda tivesse dúvidas, ficou provado que a política de centralidade deste governo mata.


Pior que a insensibilidade gritante destes ministros, que preferem fechar um centro de saúde a acabar com as suas benesses, desde os cartões de crédito, aos transportes, passando pelas despesas da representação, é o silêncio de Paulo Portas e dos seus "comparsas", que na oposição fingiam ser os grandes defensores dos "pobrezinhos" e "velhinhos".


O óleo é de Luís Selem.

terça-feira, janeiro 10, 2012

A Visita ao Hospital


Não sei o que foi que ela viu naquele lugar estranho, onde a avó, mesmo sorridente, andava de um lado para o outro com uma espécie de cabide metálico de pé alto,  atrás, ligada por pequenos tubos a um saco com um liquido transparente.

Sei apenas que foi uma coisa diferente da que eu vi.

Desde a minha infância que sei que os hospitais e os cemitérios não são lugares para crianças, não sei se pela minha mãe ter trabalhado num hospital se por outra coisa qualquer.

Elas não precisam de conhecer o fim no princípio...

O óleo é de Carl Vilhelm Holsoe.

sábado, setembro 24, 2011

O Retrocesso Civilizacional, Cada Vez mais Visível


Estamos a perder tudo.


No campo de trabalho está tudo em mudança, segundo li ontem no jornal, até o direito ao descanso semanal nos querem retirar num futuro próximo.

Se continuarmos todos com esta "mansidão", não duvido que o desemprego será o nosso dia a dia, tal como foi no principio do século XX. Voltaremos às filas, onde seremos escolhidos aleatoriamente para trabalhar à jorna, para desespero dos dependentes do nosso salário.

Não menos alarmante é o que estão a querer fazer ao chamado "estado social". Com as alterações que pretendem introduzir na saúde e educação, daqui a dez anos irá aumentar de uma forma alarmante o analfabetismo, o número de jovens que não cumprem a escolaridade obrigatória, tal como a taxa de mortalidade infantil, o número de pessoas idosas a morrerem sozinhas em casa, sem qualquer tipo de assistência e apoio, etc.

Todo este retrocesso civilizacional em nome de quê e de quem?

Eu respondo, em nome de todos aqueles falsos liberais que sempre se sentiram mais confortáveis com um mundo à parte para eles, com cidades cheias de ilhas, onde podem usufruir do que melhor que existe no planeta, que sempre sonharam com o regresso a um mundo sem democracia e sem direitos humanos, com cidadãos de primeira, segunda, terceira e até de quarta.

O óleo é de Volker Stelzmann.

segunda-feira, março 07, 2011

As Mentiras Socráticas na Saúde

Há algum tempo que não conversava com o Carlos, temos andado desencontrados na pausa para o café.

Não o encontrei bem. Aliás, n
unca o tinha visto tão irritado com as "patifarias" praticadas pelo nosso primeiro-ministro e companhia, especialmente com o que essa gente continua a fazer ao Serviço Nacional de Saúde.

E nem falou das medidas economicistas praticadas de Norte a Sul, com o fecho de centenas de centros de saúde, que têm provocado ondas de indignação e protestos de populações inteiras.

Contou-me que ficou sem médico de família (tal como milhões de portugueses, eu incluído...) e que do centro de saúde aconselharam-no a dirigir-se ao hospital. No hospital, além de ter perdido quatro horas e gasto dinheiro desnecessariamente, disseram-lhe que o problema que tinha não era urgente e tinha que se dirigir ao centro de saúde. Informou-os do que lhe disseram no centro de saúde, mas quem o atendeu fez orelhas moucas e até foi mal educado. Pediu o livro de reclamações e deu mostras da sua indignação, como todos nós devíamos fazer em situações similares.

Talvez um dia alguém faça um estudo sobre as vidas que se perderam (e se continuarão perder, especialmente no interior...), com todas estas medidas avulsas praticadas no sector da saúde, sem atacar os problemas verdadeiramente escandalosos (as horas extraordinárias de médicos e enfermeiros, assim como os gastos abusivos de medicamentos nas unidades hospitalares).
A continuidade socrática só se compreende porque a maior parte dos portugueses sentem que com a entrada em cena do PSD, as coisas só tenderão a piorar, não fosse Passos Coelho, o homem que queria (se calhar ainda quer...) privatizar a CGD, a TAP e acabar com os passes sociais.
O mais curioso, é que nunca o ouvi falar em privatizar a CP, o Metro ou a Carris...
O óleo é de Brad Holland.

sexta-feira, agosto 20, 2010

O Ensino e a Saúde no Nosso País

As medidas governamentais do fecho de 701 escolas básicas, só tem uma explicação: redução nas despesas do Estado. Não vale a pena a ministra vir com a "música de serrote socretina", com os argumentos gastos de que o que se pretende é melhorar a qualidade ou o rigor do ensino.

Foi mais ou menos assim que o Estado "decretou" o encerramento de muitos Centros de Saúde, de Norte a Sul, com prejuízos evidentes para as populações. A ministra também veio argumentar que o que se pretendia era melhorar a qualidade dos serviços de saúde no país e a oferta.

Infelizmente estes argumentos não passam de mentiras encapotadas, seguindo a "pauta" do "chefe da banda".

Não tenho dúvidas que a única coisa que o Estado quer é reduzir as despesas, tanto na saúde como na educação, abrindo ao mesmo tempo as portas às clínicas privadas e aos estabelecimentos de ensino particular.

Ou seja, a tendência deste PS, é seguir o caminho proposto pelo PSD, liberalizando direitos constitucionais que eram de todos. O caminho traçado é privar a curto e médio prazo os mais necessitados de bens essenciais, como são a Educação e a Saúde.

Talvez no futuro próximo até seja inventada uma coisa parecida com as "novas oportunidades" para as crianças do interior, possibilitando-lhe a realização do ensino básico em apenas um ano...
Desta forma será mais fácil guardarem o gado e os rebanhos da família, como acontecia há cinquenta e sessenta anos, sem a "chatice" da escola a imcomodar, como sugere este óleo de Robert Duncan.

quarta-feira, março 31, 2010

O Preconceito na Caixa do Supermercado

Não pude deixar de reparar nas compras da senhora que estava à minha frente, na caixa do super mercado, com mais de cem quilos de envergadura, eram pizzas, salsichas, hamburguers, ovos, batatas fritas, bolachas, colas, etc.

Em contraponto com a lentidão de movimentos da senhora, fui invadido pela ligeireza dos pensamentos preconceituosos, que povoaram de imediato a minha cabeça.
Para os derrotar, uma parte de mim, começou a defendê-la. «Provavelmente aquela comida é para os filhos...» Mas o preconceito racional continuava activo: «o que não deixava de estar errado, até porque a sua filha já lhe seguia as pisadas.»
Tive de ser ainda mais forte para os silenciar, lembrar-lhes que aquela comida, que para muitos é de "plástico" era a mais económica e mais rápida de se fazer em casa, das muitas que se vendem por aí. «Estamos a voltar ao tempo em que as visitas ao talho e à peixaria começam a ser um "luxo", que não está acessível a toda a gente...»
E quem disse que o senhor "preconceito" me largava?
«Claro que se pode fazer uma comida mais barata e mais saudável, tendo como base as saladas e as sopas de legumes, mas muitas pessoas têm a mania que detestam sopa (a começar nos nossos filhos...)», exclamou ele no alto da sua sapiência...
Escolhi este óleo de Botero, porque a gordura, pelo menos na arte, continua uma formosura, apesar dos preconceitos da sociedade.

terça-feira, julho 14, 2009

Folhear o Tempo

Estava a folhear um álbum sobre os 150 anos do "Diário de Notícias" quando descobri esta fotografia.

Ao ver esta senhora de cabelo branco na manifestação, lembrei-me de uma conversa que surgiu no domingo passado, graças à diferença de idades, de vinte anos entre duas irmãs, com a mãe. Como a senhora ainda está com óptimo aspecto e a filha mais nova se aproxima dos quarenta, tentei fazer contas e pensei que a senhora deveria ter sido mãe pela primeira vez bastante jovem, como era comum, nesses tempos...
Mas não, contou-me que foi mãe já com dezoito anos. Enquanto falávamos na diferença de idades das filhas ela desabafou, «fora os que ficaram pelo caminho», sem esconder alguma mágoa, acrescentando, «mas naquele tempo era assim». E era mesmo...
Estou a falar de uma senhora com aproximadamente oitenta anos.
Há muitas mulheres da sua geração e anteriores que fizeram mais de uma dezena de abortos, num tempo em que não existia a pilula nem outros contraceptivos, como existem nos nossos dias. E os homens, claro, sempre foram renitentes no uso do preservativo, pelo menos os das gerações mais maduras...
E pensar que se demorou tanto tempo a aprovar uma lei que protegesse mais a mulher, pelo menos dos "vãos de escada" clandestinos, que além de serem uma autêntica exploração monetária, funcionavam quase sempre em condições que deixavam muito a desejar...

terça-feira, agosto 05, 2008

O Sol de Pequim

O Sol em Pequim é qualquer coisa de deprimente, quer aparecer mas todo aquele amontoado de gases que fazem desta cidade a mais poluída do mundo (segundo a Organização Mundial de Saúde), não deixa, funcionam como uma cortina...

Claro que não se fazem milagres num mês. E é tão hipócrita o fecho de centenas de fábricas e a proibição da circulação de viaturas automóveis nas ruas da Capital Chinesa, desde 1 de Julho...
Um jornalista da SIC disse que respirar aquele ar diariamente era a mesma coisa que fumar setenta cigarros. Provavelmente é um exagero, mas dá que pensar...
É perfeitamente compreensível que Sérgio Paulinho, ciclista medalhado nas últimas Olímpiadas de Atenas, tenha recusado participar na maior festa desportiva do mundo, por razões de saúde.
Só espero que toda aquela humidade e aquele clima "amarelo", bem à medida dos chineses, que se sente mais nas competições longas (ciclismo, maratona, triatlo, marcha, etc) não provoque muitas desistências e desilusões nos sonhos Olímpicos de tantos atletas...
A pintura é de Helena Justino.