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sexta-feira, agosto 23, 2019

«A vida dos certinhos não interessa a ninguém»


Realmente, não lembrava a ninguém andar neste quase fim de Agosto quente, tão composto, com gravata e casaco, pelas ruas.

Menos me passava pela cabeça que um quase "hippie" soltasse esta frase, com desprezo: «A vida dos certinhos não interessa a ninguém.»

Pois é, o mundo do trabalho, distante da "vagabundagem", tem destas coisas...

A coisa boa da quase provocação, foi ter obrigado as pessoas que estavam próximas, a sorrir. O resto, depende das vidas, tanto dos certinhos como dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, agosto 19, 2019

Os Livros e a Flexibilidade do Corpo e da Mente...


A leitura  de uma história de ficção vulgar (os livros estão sempre a ensinar-me coisas, mesmo que sejam fraquitos...) fez com que olhasse para o meu dia-a-dia de um outro ângulo. 

Até concordei com a "teoria" de uma das personagens, que sentia que a perda de flexibilidade do corpo estava a ser equilibrada pelo aumento da flexibilidade da mente...

Sorria cada vez mais às "verdades absolutas" que lhe queriam impingir,  abraçado às suas queridas dúvidas... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, agosto 07, 2019

«Mau mau é quando as coisas, pequenas e grandes, deixam de nos incomodar.»


Eu sentia que ela combatia a indiferença com quase todas as forças que lhe restavam.

Ainda não perdera o hábito de viver os "problemas dos outros como seus". Mas pelo menos já não tentava resolvê-los... claro que falo dos que lhe eram quase distantes.

Estranhamente gostei de a ouvir dizer: «Mau mau é quando as coisas, pequenas e grandes, deixam de nos incomodar.»

Sim, ela queria dizer, entre outras coisas, que continuava tudo bem arrumado na sua "caixa dos pirolitos" (sempre achei graça a esta expressão). 

E com tantas primaveras em cima do corpo, ainda não se cansara de dizer, que nós não somos ilhas isoladas...

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

sábado, julho 06, 2019

Desabafos & Ingenuidades (a vida como ela é...)


A maior parte das pessoas que trabalham, a partir dos quarenta começam a estar fartas do seu "circuito diário" (casa, trabalho, trabalho casa...), por que a vida nunca facilita. Aliás, com o passar dos anos, ainda tem o condão de nos ir dificultando, cada vez mais as coisas...

Os filhos, que muita boa gente já "desistiu de ter" (preferem o cão ou o gato...), embora acabem por ser a principal razão da nossa existência, nunca deixam de ser um "mar de preocupações". Dos seus tempos de "cristal" (meninice...) à idade adulta, onde quase que se tornam quase de "aço" (mesmo que este só exista nas suas cabeças e seja maleável...), passamos por um pouco de tudo (sem falar de casos dramáticos...). 

Embora saiba que é capaz de ser quase igual em todo o lado, no nosso país os problemas estão longe de terminar quando eles acabam o curso superior. Normalmente tem duas soluções: aproveitar qualquer emprego que surja, mesmo que não tenha nada que ver com a sua formação (até podem aproveitar a vaga como caixa do supermercado da esquina...) e seja precário, ou emigrar.

Há já algum tempo que não trazia para aqui as conversas, que tenho com a Rita (mais raras, estupidamente, porque se deixarmos, a vida também nos vai afastando dos amigos...). 

Não temos cão nem gato, mas temos filhos com a mesma idade (diferença de meses...), na tal fase complicada, quase entre o fim da universidade e a entrada no mundo do trabalho. 

Não somos diferentes dos outros, dizemos muitas coisas parvas, como o cidadão comum (os maus exemplos diários quase que nos obrigam a esses desabafos...), até falamos da nossa "burrice", de não os empurrarmos para uma das juventude dos partidos do "centrão". 

Mas são só desabafos, queremos muito que eles sejam criaturas livres e com capacidade para pensar pela sua própria cabeça, e mais importante, sem passarem o resto da vida com as "mãos sujas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, junho 14, 2019

O Mundo Azul e o Mundo Cor de Rosa


Apesar da existência de alguma pressão televisiva (nos programas de entretenimento e nas novelas), para que se olhe para tudo o que nos rodeia com "normalidade", a vida  (tal como ela é...) nem sempre nos deixa acompanhar o "progresso"...  

Eu sei que às vezes só o descobrimos quando "a boca resolve fugir para a verdade"...

Se os dois homens estrangeiros de meia idade (talvez ingleses, pela forma cuidada como se exprimiam em inglês...), que vestiam roupas de cores vivas, não tivessem caído nas boas graças de um grupo de três mulheres maduras, sempre atentas ao quotidiano, eu não estaria aqui a escrever este fait-diver.  

Elas, meio  brincar meio a sério, foram dizendo que não deixavam os seus homens saírem à rua naqueles "preparos" (achei graça a esta palavra, fez-me lembrar a minha avó, mesmo que tenha sido dita de forma jocosa...), com calças vermelhas, verde alface ou camisas amarelas ou cor de laranja. Acrescentaram mais alguns pormenores pitorescos, ligados aos cabelos e ao penteados (e até às sobrancelhas...).

Ainda bem que continuamos a não falar das mesmas coisas que as mulheres... Umas vezes por distracção, outras por pudor, e outras ainda, pela simples razão de nem sempre coincidirmos nos gostos e nos pensamentos...

Ao escutar as três senhoras, lembrei-me das pessoas modernas, que em nome da "igualdade", querem acabar com os mundos "azul e cor de rosa". 

Mundos que ainda nos continuam a diferenciar (mesmo que tenham o dedo do comércio)  assim que vimos ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, março 17, 2019

Saudades de Enfrentar as "Ondas do Mar"...


Às vezes tenho saudades do tempo em que era muito teimoso, ao ponto de nadar contra a corrente, umas centenas de metros. Era jovem, lutava mais e pensava menos. Mas nem por isso fugia da "felicidade". Sim, a "ignorância" sempre foi atrevida.

Sei que esta teimosia manteve-se pelo menos até às entrada dos cinquenta. Claro que nestes últimos anos, mais inteligente. Mas era a forma que eu tinha dentro de mim para me ajudar a contornar obstáculos...

E devo confessar, que vencer algumas batalhas, travadas contra muitos "velhos e novos do restelo", que andavam sempre com as palavras "impossível" e "muito difícil" no bolso, dava-me um gozo terrível.

Ao escrever sobre isto reparo que esta é a prova de que já começo a estar demasiado usado pela "puta da vida"...

(Fotografia de Luís Eme - Santa Rita)

sábado, março 16, 2019

Mané Garrincha, Uma Estrela Solitária...


Acabei de ler, "Estrela Solitária, um Brasileiro Chamado Garrincha", a biografia de um dos maiores futebolistas do Brasil e do Mundo, escrita por Ruy Castro.

Aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido.

À medida que me ia aproximando do fim, ia perdendo a vontade de ler, não pela falta de qualidade da escrita do Ruy, mas pelo seu conteúdo, cada vez mais dramático (chega a ser arrepiante a sua teimosia e cegueira, ao não aceitar tantas ajudas para mudar de vida...). Embora seja um retrato fiel da vida de Mané Garrincha. Uma vida "sem concerto"...

Nasceu quase ao deus dará, sempre com liberdade a mais, que se agravou, quando todos perceberam que ele era um "anjo de pernas tortas com magia nos pés", capaz de deixar sentados nos pelados e relvados os adversários, como se o futebol fosse um número de circo.

Começou a beber muito cedo e a sua vida resumiu-se durante anos a futebol, sexo e álcool. Fez mais de uma dezena de filhos a pelo menos quatro mulheres. Mas o grande amor da sua vida foi a cantora Elza Soares, tão mal amada pelo povo, e a quem quase todos apontavam o dedo, como a grande causa dos seus dramas - Ruy Castro presta-lhe justiça, demonstrando que ela foi muito mais "anjo que demónio" na sua vida... prejudicando a sua carreira musical, por amor.

Escravo do álcool foi quase perdendo tudo. Sobraram meia-dúzia de amigos que lutaram com todas as suas forças para o ajudar a mudar de vida. Mas não o conseguiram, porque ele nunca levou a sério esta coisa que se chama "vida".

A sua  decadência humana e desportiva fez com que aumentassem os episódios dramáticos... e quando nos deixou, tinha o seu corpo completamente destruído pelo vício da bebida, que escolhera como companheiro de todas as horas.

Deixou-se explorar pelo futebol, jogando muitas vezes sem estar em condições físicas, mas também "usou e abusou" do seu estatuto de "deus dos estádios", enganando as multidões que se deslocavam aos estádios para ver a "magia", que desaparecera, há anos, dos seus pés...

O seu exemplo, tal como o de Vitor Baptista (entre nós...), e de tantos ídolos do mundo inteiro, continuam a não ser levados muito a sério. É por isso que o futebol continua a ser uma "fábrica de dramas humanos"...

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

A Crueza da Vida que Vem Dentro dos Livros...


Muitos romancistas gostam de falar da ficção como algo tão rico, que consegue superar a própria realidade. 

Percebo que quem não escreva, tenha alguma dificuldade em perceber isso. Os mais cépticos até poderão pensar que se trata de mais uma "ficção". Mas não, quando se inventa uma história, podemos e devemos ir sempre mais longe que na "vidinha", penetrar pelas zonas escuras, abrir portas e janelas, ir ao mais fundo de cada um de nós...

Lembrei-me disto a propósito da última conversa que tive com um amigo, solteirão e bem parecido, já reformado que vive sozinho, se esquecer o seu querido cão.

Não lhe fiz perguntas, até por não andar à procura de nenhuma personagem parecida com ele. Foi ele que quis desabafar, ir à procura da vida que deixara para trás. Percebi que há muitas coisas que ele não sabe explicar, mas também não quer pedir ajuda ao Freud ou a outro estudioso das tais "áreas cinzentas", que tentamos fingir que não existem.

Falou-me do pai, que morreu novo. De ele ser desde muito cedo, o principal sustento da família. Do medo de ter a sua própria família, de nunca ter pensado a sério em ter filhos. Os irmãos mais novos tinham sido uma chatice... De nunca ter tido problemas em arranjar namoradas. De se ter apaixonado duas ou três vezes, sempre pelas mulheres erradas (já eram de outros...). Uma delas ainda o partilhou durante algum tempo, mas ele nunca se sentiu bem na pele do "outro". E acabou tudo quando ela ficou grávida do primeiro filho. Ainda hoje consegue "inventar" parecenças no tal rapaz, que hoje é um homem maduro... 

Antes de nos despedirmos disse-me, com um sorriso, que me contara coisas, que nunca dissera a ninguém.

Sem ele saber, ofereceu-me bastante "material" para compor uma personagem.

E sei que se escrever sobre alguém parecido com ele, posso ir ainda mais longe, porque não estarei a referir-me a ninguém em especial...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

«Pagas-me um café?»


Estava distraído, longe do interior do café, como estou tantas vezes...

De repente ouvi uma voz feminina a perguntar-me, «pagas-me um café?»

Abanei a cabeça, com um sim, quase ao mesmo tempo que olhava a mulher jovem, sem conseguir esconder a estranheza do pedido.

Não a olhei com qualquer malícia. Pensei sim, que podia muito bem ser minha filha, se tivesse começado a procriar mais cedo. 

Tinha o meu pequeno caderno, que está quase cheio, aberto... Enquanto ela pediu , bebeu o café e se começou a levantar, escrevi duas folhas com palavras.

Depois ela despediu-se com um obrigado e um sorriso. Retribui a cara alegre, mas sem palavras...

Ela saiu e eu fiquei a pensar que ainda não me tinha acontecido nada assim. 

Já me tinham cravado um ou dois cafés, algumas cervejas, mas coisas de homens, quase sempre usados pela vida, que nem me deram tempo para os olhar, e muito menos agradeceram com um sorriso doce.

Só não percebi porque razão não lhe ofereci uma única palavra dita (só escritas...).

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, janeiro 12, 2019

Os Óculos Escuros são Óptimos para Dizer Bom Dia ao Sol...


De certeza que já falei disso por aqui (quando fico sentado alguns minutos no banco de madeira do "Largo", falo mais do que a conta...). Sempre fui ligeiramente distraído, com o bom e o mau da coisa. 

Além desta característica, tenho também uma grande capacidade de abstracção, o que faz que me digam muitas vezes, que não "vivo cá".

E na verdade eu prefiro mesmo não "viver lá". É por isso que às vezes fujo das ruas onde há demasiadas pessoas a andarem, para baixo e para cima. E até sou capaz de acelerar o passo, se sentir um cheiro a fritos, quase exóticos.

Às vezes penso que duas ou três pessoas têm inveja de não conseguirem aproveitar as oportunidades, mesmo pequenas, de esvaziar os bolsos de problemas, algo que também sempre fiz, sem grande dificuldade. Digo isso porque este meu "positivismo natural", acaba por irritar algumas gentes, especialmente as que vivem abraçadas à "desgraça" e tentam transformar a vida em algo parecido com um "álbum duplo de fado escuro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, dezembro 22, 2018

A Publicidade Diária de que "O Crime Compensa"...


Achei piada o desabafo do senhor de idade, quando a companheira lhe disse, provavelmente por se sentirem enganados por alguém, que andava meio mundo a enganar o outro meio: «Oh mulher, olha que eles já são muito mais de metade.»

Fiquei a pensar naquelas palavras, entre a rudeza e a experiência de vida, e tanto eu como os meus botões concordámos com o homem, cansado como uma boa parte de nós, de escutar diariamente na televisão, casos e mais casos de corrupção protagonizados por gente que se apropriou de milhões (a lista não tem apenas banqueiros, há também  antigos ministros e secretários de estado, autarcas, gestores, dirigentes associativos, etc). Gente que continua em liberdade e a viver de uma forma faustosa.

Cada vez tenho menos dúvidas que a forma como a nossa justiça funciona (lenta, tendenciosa e injusta), é determinante para o aumento de vigaristas, um pouco por todo o lado, "desequilibrando a balança".

E tudo graças à publicidade diária, de que "o crime compensa"... 

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Idades, Heterónimos e Casas Interiores


Eu sei que nem todos temos o engenho e a qualidade de usar heterónimos nesta representação, que é a vida.

E também sei que não sou grande exemplo para o cidadão comum (esta coisa de andar sempre com estórias na cabeça e nos bolsos tem que se lhe diga...). Mas já notei, mais que uma vez, que a partir dos cinquenta anos as memórias começam a querer ser arquivadas, quase como se fossem coisas do cinema ou da literatura. Torna-se mais fácil misturar a realidade com a ficção. Sim, algumas coisas que vivi embrulham-se com os sonhos (e até com os pesadelos)...

Quando olho para trás chego a ter dúvidas se fui eu que fiz isto ou aquilo, que estive aqui e ali... Sei que sim, mas parece-me que foram protagonizadas por uma pessoa que já não existe.

Se me deitasse num divã e começasse a contar a minha vidinha aos peritos em desvendar de mistérios da mente, eles eram capazes de dizer que é uma coisa normal, quando não se têm uma "casa interior" com muitas assoalhadas... E até eram capazes de me recomendarem que deixasse o apartamento e comprasse uma vivenda.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, novembro 24, 2018

A Vida é Mais para Viver e Menos para Compreender...


Todos nós sabemos que a vida é mais para viver e menos para compreender.

Por muito avançados que estejamos no conhecimento, vão nos faltar sempre palavras para explicar os pequenos e grandes enigmas da Vida...

O mais curioso, é que é essa mesmo inteligência que não me deixa ir atrás das histórias "mal construídas" e contadas por tipos bem vestidos, que normalmente usam palavras curtas e fortes, como as de uma personagem de bonecos animados (Buzz Lightyear), que também serviu de inspiração num dos discursos recentes de Louçã, que queria ir "até ao infinito e mais além".

Do meu grupo de amigos de Almada, o Xico é o melhor de nós. Ele acredita mesmo que tudo o que ele dá com uma mão, Deus retribui-lhe com outra (as palavras são dele...). Nós, mais humanizados pela "selva" que nos rodeia, e por sermos primos afastados de São Tomé,  passamos o tempo a brincar e a zombar da sua "fézada".

Mas não era nada disto que queria escrever. 

Queria falar da alegria que é ver o Carlos a recuperar, do precalço inesperado que teve, e da falta que nos fazem os verdadeiros amigos como ele...

Porque são estas imprevisibilidades que nos fazem perceber o quanto somos "pequeninos" e, que a vida é mais para viver e menos para compreender (a não ser que tenhamos um "coração do tamanho do mundo", como é o caso do Xico...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 09, 2018

Domingo nas Corridas...


Hoje passei parte do domingo no Parque Eduardo VII, graças ao "3º Grande Prémio Red Bull" e ao meu filho...


Foi um grande espectáculo, sobretudo de criatividade, das mais de sessenta equipas de Norte a Sul que participaram na  nossa "corrida mais louca do mundo".


E foi uma grande aprendizagem para o meu filho de 20 anos, que participou na competição, ainda que de forma quase meteórica, com três amigos...

(Fotografias de Luís Eme)

sábado, setembro 08, 2018

Os Nossos Espelhos de Casa...


Os nossos filhos são muitas vezes o nosso espelho.

Olhamos-os e recordamos que nem sempre nos apetecia aprender com os erros... Tantas vezes que pensávamos que a teimosia era uma virtude...

Não vale a pena dizer-lhes que são novos e não pensam, Até porque estão na idade da "sabedoria".

Quando os cabelos começarem a receber outras tonalidades, vão ver as certezas a serem substituídas por outras coisas, quase sempre mais certas. 

Embora não se note, crescemos mais de um palmo, quando percebemos que há mais verdades que àquelas que julgávamos conhecer...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 23, 2018

Não. Não há Contradição...


Recebi um e-mail amigo, de alguém que não comenta em blogues, mas que resolveu fazer-me uma chamada de atenção pela minha aparente contradição, nos dois últimos textos que escrevi.

Disse-lhe que lhe respondia no "Largo".

E não, não há qualquer contradição.

O Eduardo nunca andou à procura de um segundo que fosse de fama. Aliás, quando alguém lhe falou de contar as suas histórias na televisão, sorriu e disse logo que não. Desculpou-se depois que os seus oitenta e alguns anos de vida, faziam com que baralhasse um pouco os países por onde andou e as histórias que viveu. Nem ele próprio sabia onde começava a ficção e acabava a realidade. E foi ainda mais longe, disse que às vezes contavam-lhe episódios da sua vida, que não se lembrava de os ter vivido...

Claro que o Eduardo continua a gostar de brincar, e é bastante salutar que ele mantenha o seu sentido de humor.

Aquilo que ele sabe, é que nunca irá entrar no jogo das pessoas que fazem fila para participar nos programas da manhã e da tarde, cheias de vontade de aparecer e de distorcer a realidade à sua vontade...

Lembrei-me também que há algumas pessoas estranhas (muito poucas, eu sei...) que nunca tiveram televisão, muito menos telemóvel, computador ou internet...

Cada vez me convenço mais que uma das melhores coisas que nos podem acontecer, é não nos levarmos demasiado a sério...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, julho 11, 2018

O Mundo Pode (e Deve) ser Bem Melhor...


O que se passou na Tailândia, é a melhor prova de que o mundo, pode e deve, ser bem melhor do que é. Basta que se combata a indiferença, cada vez mais generalizada, e se quebrem as inúmeras montanhas artificiais que nos separam, quase sempre provocadas apenas pelo egoísmo e pelo materialismo.

Mais uma vez se percebe a importância que pode ter uma comunicação social, mais livre e atenta, direccionada para as inúmeras causas nobres levadas a cabo por esse mundo fora e mais distante dos múltiplos interesses políticos, sociais e comerciais, que nos cercam. 

Algo que não tem acontecido muito nos últimos anos, especialmente no Médio Oriente. no Norte de África e no Mediterrâneo...

(Fotografia de Lilian Suwawrumpta)

sábado, julho 07, 2018

As Gentes do Café...


Estava no café e ao olhar para os clientes, reparei que conheço alguns há mais de vinte anos, e tudo começou por ali...

Claro que também há entre eles, algumas pessoas com quem nunca troquei uma palavra, nem mesmo um bom dia ou uma boa tarde (são o caso do casal que aparece na fotografia, entretidos a folhear os jornais com que enchiam a mesa...).

Fixei-me mais numa senhora, que já deve ter perto de noventa anos. Quando a conheci já enviuvara há alguns anos. Reparei que não mudou muito entre os setenta e os noventa (posso estar enganado, até por nunca ter consultado o seu bilhete de identidade...). Está um pouco mais dura de ouvido, mas continua a vestir-se com elegância e a oferecer-me um bom dia ou um boa tarde, sempre que nos encontramos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 28, 2018

Este Mundo dos "Vencedores"...


Todos sabemos, por experiência própria, que esta coisa de viver, tem muito que se lhe diga...

Uma das coisas que mais me incomoda é este mundo ser cada vez mais dos "vencedores". Quase toda a gente está com o olhar preso às "passadeiras vermelhas", esquecidos das "ruas detrás" e dos "bancos de jardim", transformados em "quartos de hotel" por esse mundo fora...

Há demasiados exemplos de vidas que nos fazem pensar duas vezes, especialmente quando caminhamos de derrota em derrota, sem percebermos muito bem o que se está a passar à nossa volta.

Normalmente os pesadelos começam com o desemprego... se não o conseguirmos "fintar" logo no início, podemos perder coisas, que não nos passam pela cabeça.

O Rui em apenas um ano, perdeu o emprego, teve de vender a casa, o carro... E nem a família escapou, pois a mulher quis o divórcio e foi viver para a casa dos sogros com os filhos.

Os únicos que não lhe voltaram as costas foram os pais, que não só mantinham o seu quarto praticamente igual ao dos seus tempos de solteiro, como lhe deram toda a força, para começar de novo, uma outra vida...

De repente viu praticamente todos os amigos a desaparecerem. Os que pensava que o poderiam ajudar deixaram de lhe atender o telemóvel. Sentiu na pele que a realidade de um desempregado, sempre era o tal "filme de terror", capaz de destruir tantas vidas, que ouvia falar por aí...

A partir de certa altura, o que ele queria era trabalhar. Foi por isso que aceitou um emprego mal pago, onde não eram necessárias grandes qualificações. Felizmente para ele, houve um problema a nível informático na oficina e alguém disse que ele percebia daquilo e podia ajudar. Não só ajudou como resolveu o problema.

E foi assim que "saiu do inferno"... conseguindo um trabalho compatível com os seus conhecimentos e mais bem pago.

Lembrei-me dele, porque uma das palavras que menos gosta de ouvir é: "solidariedade".  E continua a não compreender que raio de sociedade é esta, onde vivemos, que quando mais precisamos de ajuda, é quando mais nos fecham a "porta na cara"...

(Fotografia de Luís Eme)


sexta-feira, junho 22, 2018

O Nosso País Continua a não Ser para Todos...


Ontem estive com o Gui. Confessou-me que vai regressar a São Paulo, em Agosto, desiludido por o nosso país continuar a ser uma farsa... 

Contou-me meia-dúzia de episódios "proibidos", sobre o que algumas pessoas fazem para conseguir ganhar concursos, mesmo os de tostões. 

Nada que me surpreendesse por aí além. Há muito que a dignidade humana anda por baixo...

Meio a brincar meio a sério disse: «Tenho inveja dos tipos que nascem e morrem no mesmo sitio. Sei que não precisam de muito para serem felizes, é por isso que tirando algumas preces relativas à família e à saúde, não pedem quase nada à vida. Aceitam o que ela lhes dá, mesmo que sejam apenas migalhas...»

(Fotografia de Luís Eme)