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quarta-feira, julho 03, 2019

A Tentação de "Usar o Chinelo" para Fazer Festas...


Devo começar por vos dizer, para não ligarem muito ao título, e muito menos à imagem. Até por que as metáforas valem o que valem (depende sempre do uso que lhe damos...).

Embora gostasse que a justiça tivesse a arte de "desmontar" todos os "castelos de papel" que giram à volta de Joe Berardo, com mais ou menos budas, não acho muita piada que alguns políticos, jornalistas e até gente comum, troque o Joe por José, sempre que falam da personagem.

Até porque isso pode fazer confusão a pessoas menos avisadas, que até poderão pensar que se está a falar de um irmão ou de um primo deste nosso "artista pop".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, março 16, 2019

Mané Garrincha, Uma Estrela Solitária...


Acabei de ler, "Estrela Solitária, um Brasileiro Chamado Garrincha", a biografia de um dos maiores futebolistas do Brasil e do Mundo, escrita por Ruy Castro.

Aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido.

À medida que me ia aproximando do fim, ia perdendo a vontade de ler, não pela falta de qualidade da escrita do Ruy, mas pelo seu conteúdo, cada vez mais dramático (chega a ser arrepiante a sua teimosia e cegueira, ao não aceitar tantas ajudas para mudar de vida...). Embora seja um retrato fiel da vida de Mané Garrincha. Uma vida "sem concerto"...

Nasceu quase ao deus dará, sempre com liberdade a mais, que se agravou, quando todos perceberam que ele era um "anjo de pernas tortas com magia nos pés", capaz de deixar sentados nos pelados e relvados os adversários, como se o futebol fosse um número de circo.

Começou a beber muito cedo e a sua vida resumiu-se durante anos a futebol, sexo e álcool. Fez mais de uma dezena de filhos a pelo menos quatro mulheres. Mas o grande amor da sua vida foi a cantora Elza Soares, tão mal amada pelo povo, e a quem quase todos apontavam o dedo, como a grande causa dos seus dramas - Ruy Castro presta-lhe justiça, demonstrando que ela foi muito mais "anjo que demónio" na sua vida... prejudicando a sua carreira musical, por amor.

Escravo do álcool foi quase perdendo tudo. Sobraram meia-dúzia de amigos que lutaram com todas as suas forças para o ajudar a mudar de vida. Mas não o conseguiram, porque ele nunca levou a sério esta coisa que se chama "vida".

A sua  decadência humana e desportiva fez com que aumentassem os episódios dramáticos... e quando nos deixou, tinha o seu corpo completamente destruído pelo vício da bebida, que escolhera como companheiro de todas as horas.

Deixou-se explorar pelo futebol, jogando muitas vezes sem estar em condições físicas, mas também "usou e abusou" do seu estatuto de "deus dos estádios", enganando as multidões que se deslocavam aos estádios para ver a "magia", que desaparecera, há anos, dos seus pés...

O seu exemplo, tal como o de Vitor Baptista (entre nós...), e de tantos ídolos do mundo inteiro, continuam a não ser levados muito a sério. É por isso que o futebol continua a ser uma "fábrica de dramas humanos"...

domingo, outubro 01, 2017

Crónica de um Adeus Esperado (ou talvez não)...


Segundo a tradição - e também legislação - hoje não é dia para falar de partidos, eleições, governantes, etc. É por isso que vou escrever sobre algo de que gosto muito, mas que está povoado de zonas cinzentas, de gente que nunca gostou profundamente de desporto, particularmente de futebol. A única coisa que os motiva são as vitórias dos seus clubes, com a ajuda de árbitros, fiscais de linha ou juristas, demasiado coloridos.

Já disse várias vezes que gosto do Benfica. Penso que a única razão que encontro para "este gostar" é a "magia" da fotografia do José Águas, a sorrir, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pendurada num quadro na sala da casa do vizinho de cima, no prédio onde vivi a minha meninice, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Até porque lá por casa era tudo "lagarto", a mãe, o pai e o mano.

Mas o que eu quero mesmo é falar de futebol, da actualidade, mas sem me afastar dos relvados. Falar apenas dos jogadores, dos treinadores e da bola. Neste caso particular, falar da "crise" do Benfica, do seu treinador e dos seus jogadores.

Como não tenho a memória curta, não esqueço que o Benfica que praticou melhor futebol nos últimos vinte anos, foi o de Jorge Jesus. Até ao momento Rui Vitória demonstrou ser um bom líder, sereno, competente, mas, talvez demasiado "frio" e "apagado". Pelo menos é essa a ideia que passa, para quem vê a sua equipa do Benfica a jogar, mais calculista que apaixonada por um futebol desgarrado e bonito.

Jorge Jesus só provou, que de facto é um grande treinador, na época seguinte a ter perdido "tudo" (podia ter sido Campeão Nacional, ganhar a Liga Europa e vencer a Taça de Portugal...). Conseguiu colocar os pés no chão e vencer os dois campeonatos seguintes, praticamente com os mesmos jogadores...

Rui Vitória para muitos tem hoje um "teste de fogo", na Madeira. Para mim, nem por isso. O seu verdadeiro teste é conseguir retirar da equipa "jogadores intocáveis", como é o caso de Luisão, que pode ser muito importante como líder no balneário, mas que já não tem capacidade física para ser titular de uma equipa com a grandeza do Benfica. E claro, conseguir que o "Benfica jogue à Benfica" (sempre a querer ganhar, em qualquer relvado...), o que ainda não aconteceu esta época.

Voltando ainda ao Luisão, muito mal vai o Benfica se não tem um jogador com qualidade suficiente para o substituir...

(Fotografia de autor desconhecido - mas eu gostava que fosse do grande Nuno Ferrari)

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Sim, é Mesmo Caricato...


Os árbitros de futebol sempre foram usados para tentar disfarçar as aselhices dos jogadores e treinadores, e  não menos grave, as más contratações dos dirigentes.

Quando ouço Octávio Machado, dirigente do Sporting, dizer que é caricato os responsáveis da arbitragem não acharem erros graves às grandes penalidades que não foram marcadas contra o Benfica, no último jogo disputado entre os dois clubes, só posso dizer que se devia ver ao espelho...

Caricato é entender que os árbitros têm de ver em tempo real aquilo que nós só conseguimos ver à quinta repetição, em câmara lenta, e em vários ângulos,. e mesmo assim ficamos com algumas dúvidas.

Eu fiz jornalismo desportivo no tempo em que havia árbitros, que tinham tanto de  bons como de habilidosos (um deles é da minha Terra e até lhe deram durante algum tempo o nome de uma "taça"...). E sei o que é fechar os olhos a foras de jogo de mais de um metro (e não os de meio centímetro, comentados nas televisões...) ou a grandes penalidades provocadas por avançados craques a "mergulhar para a piscina" (e não as onde se procura ver se é bola na mão ou mão na bola, quase a exigir que os jogadores joguem sem braços (se for do nosso interesse, claro...).

A única coisa que tenho a certeza, é de que  futebol merecia melhores dirigentes, Há muito tempo.

(Óleo de Angel Zarraga Arguelles)

quinta-feira, junho 30, 2016

O Futebol é Outra Coisa...


Não sei se Portugal vai ganhar à Polónia. E não estou muito preocupado com isso.

Começou o prolongamento e tanto uma equipa como outra, coitadinhas. Mas só uma é que pode perder...

O que me irrita é como jogadores que até sabem tratar a bola por tu, de repente parece que perderam o talento andam ali no relvado a fazer outra coisa, a jogar ao jogo do seleccionador.

O senhor além de não gostar de colocar os melhores jogadores em campo, aposta num futebol sem ligação, entre a defesa, o meio-campo e o ataque, e depois fica à espera da sorte, que por acaso não lhe tem sido madrasta. Talvez que a sua maior virtude seja rezar aos "santinhos".

É por isso que pergunto: como é que é possível, nós que hoje somos reconhecidos como uma potência na formação de treinadores, termos um técnico de selecção tão fraquinho?

Fernando Santos até pode ser Campeão da Europa, mas será sempre um treinador vulgar. E é uma pena que consiga transformar bons jogadores em futebolistas vulgares.

Adenda: Portugal ganhou no desempate por grandes penalidades. Claro que não retiro uma virgula do que escrevi.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 21, 2016

Cristiano Ronaldo é Grande Mesmo no Chão (a minha legenda da fotografia)

Cheguei à pouco a casa. Liguei a televisão e estavam a transmitir a chegada, partida ou outra coisa qualquer do autocarro da selecção, como se isso fosse o que de mais importante se passa no "mundo". Desliguei a máquina de imagens e liguei a de sons.

Eu que gosto de futebol começo a sentir-me incomodado com tanta "loucura", com tantos excessos, com tantas cambalhotas, com tantas passagens de besta em bestial e vice versa em minutos.

Agora tornou-se moda o "tiro ao Ronaldo", como se ele fosse culpado de todos os males do mundo e também os da selecção.

Eu gosto dele, e não é apenas por ele ser um campeão. É também por saber que para lá do tipo vaidoso que beija todos os espelhos que encontra, se encontra um gajo porreiro, que nunca quis ser um "príncipe" de nada, apenas continua a querer ser o melhor futebolista do mundo. Mas ninguém consegue ser o melhor todos os dias... 

E é óbvio que ele não está a cem por cento. Só se falham livres e até uma grande penalidade quando a confiança está abaixo dos níveis normais...

É por isso é que era bom que o "fardo" da selecção fosse repartido por todos, e não carregado apenas pelo mesmo de sempre, que está longe de ser o dono da bola (como tantos dizem...). É simplesmente o nosso melhor jogador de sempre.

Não sei se Portugal amanhã ganha. Espero que sim, como a maior parte dos portugueses (ainda que isso represente mais dias de loucura e doença...). 

Mas pensava que o seleccionador era mais inteligente. Mesmo que seja campeão europeu (como diz que vai ser...) nunca irei perceber porque razão não apostou no meio-campo do Sporting (William, Adrien e João Mário), que jogam quase de olhos fechados uns com os outros, entre outras aselhices...

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, setembro 30, 2015

Não Consigo Ignorar Esta Vitória


Ao contrário de uma boa parte dos benfiquistas que conheço, sempre tive a sensação que Rui Vitória era melhor treinador para o Benfica e para o futebol português que Jorge Jesus.

Há pelo menos três diferenças que já registo com agrado.

A primeira diferença deu-se na formação da equipa, que normalmente jogava com um único jogador português no onze. Com o novo treinador jogam pelo menos três, e dois deles andam pelos vinte anos de idade.

A segunda diferença aconteceu hoje, este Benfica é uma equipa para todas as competições e não apenas para consumo interno ou para a "II divisão europeia".

A terceira diferença reside no comportamento ponderado de Rui Vitória, que sabe que não é o melhor treinador do mundo, ao contrário do colega de profissão. que foi para Alvalade.

Mas penso que a melhor resposta do Rui para o Jesus está guardada para o "derby", mas dentro de campo e não nas conferências de imprensa...

 (A  fotografia é do site de "A Bola")

quarta-feira, outubro 30, 2013

Isto Está Mesmo Tudo Ligado...


Falava eu ontem da "batota na vida", quando o video com o presidente da FIFA começou a cirandar por aí, em que ele faz a sua escolha. 

Mas o cobarde e hipócrita, não faz apenas uma escolha, aproveita o momento para denegrir um jogador que tem sido sempre exemplar, na forma como tem enfrentado todos os "blatters" desta vida.

Mesmo agora, respondeu de uma forma contundente, sem descer ao nível da criatura (tal como tinha feito com Mourinho...), porque realmente isto está mesmo tudo ligado...

Apesar de perceber todas estas "batotas", não deixo de gostar de futebol. Há de facto algo "mágico" neste jogo, que deixa tanta gente fora de si.

O que gostava mesmo era que o "feitiço se virasse contra o feiticeiro" e que o Cristiano fosse escolhido como o Melhor Futebolista do Mundo.

quarta-feira, outubro 23, 2013

A Autobiografia de Sir Alex


Nos últimos dias têm sido revelados na imprensa (e até televisão inglesa...) pequenos episódios que fazem parte da obra, "Alex Ferguson - My Autobiography".

Isso faz com que este livro, apresentado amanhã ao público, tenha todos os condimentos para ser um dos grandes êxitos literários no Reino Unido (e não só...) neste último trimestre de 2013.

É muito importante que aquele que é considerado o melhor treinador do mundo, que esteve vinte sete anos no comando do Manchester United, com um sucesso inagualável na melhor e a mais equilibrada liga de futebol do mundo (são sempre vários os candidatos à vitória final e nunca apenas um ou dois, como acontece na maior parte dos restantes campeonatos...), nos conte o que realmente aconteceu, a sua versão de vários acontecimentos polémicos, que normalmente são distorcidos pela comunicação social (que muitas vezes nos conta a versão mais conveniente para a "guerra" da venda de jornais...).

Pelo que tem sido transcrito, há vários jogadores que já devem estar as "orelhas a arder" (com Keane e Beckham na frente...), e outros agradecidos pelos elogios  (Cristiano Ronaldo, Giggs ou Scholes).

Em relação a Cristiano, Sir Alex diz o seguinte: «Cristiano foi o jogador mais talentoso que treinei. Ultrapassou todos os outros grandes jogadores que orientei no United e foram muitos.»

Apesar de ser conhecido pelo seu mau feitio e pelo autoritarismo, tem uma frase que é tantas vezes esquecida pelos clubes: «Nenhum jogador é maior que o Clube». Penso que em Portugal só o FCPorto é que segue esta frase à risca e é aí que começa toda a diferença...

Uma obra que fará ainda mais furor, daqui a uns vinte anos, será certamente a autobiografia de José Mourinho, até por ele ser muito mais atractivo para os "media" que Sir Alex, pelas polémicas que gosta de provocar, dentro e fora dos relvados... 

segunda-feira, julho 01, 2013

O Futebol com Arte


Tinha pensado montar uma "montra de livros" aqui no "Largo", mas fui "atraiçoado" pela final da Taça das Confederações de Futebol, que o Brasil conquistou ontem, frente à Espanha, com todo o mérito.

Esta competição teve uma coisa muito positiva, apresentou Neymar ao mundo.

E Neymar é mesmo artista, está no patamar dos craques de excepção e penso que num futuro próximo será melhor que Messi e Cristiano Ronaldo. Digo isto porque tem a velocidade de Ronaldo, a arte de Messi, mas tem algo que falta aos dois, a beleza estonteante que imprime a cada lance de ataque.

Com 21 anos de idade, já é muito superior a ambos, quando tinham esta idade.

E também gostei de ver o Brasil derrotar a Espanha, talvez por algum "portuguesismo" e por estar farto daquele jogo curto de "cabine telefónica".

Depois do que aconteceu na última época em Espanha, não consigo ver em Casillas o bom guarda-redes de outros tempos, muito menos apreciar o bom futebol de Xavi e Iniesta, provavelmente por se terem metido em "guerras" que não são as suas, tendo sempre Mourinho como alvo.

quarta-feira, junho 26, 2013

«Eu andei lá dentro, eu sei como é que as coisas se fazem.»



Estava sentado na cadeira da barbearia, no começo da manhã, quando um homem de meia idade entrou para ler o jornal desportivo, com a complacência do dono e da empregada que me cortava o cabelo.

Começou logo a comentar as notícias, com um ar que superava os entendidos da matéria (quase dez milhões de portugueses...), sem se esquecer de salientar: «eu andei lá dentro, sei como é que as coisas se fazem.»

Cada vez que comentava uma notícia, acrescentava, «eu andei lá dentro», reforçando a ideia com o sobranceiro, «eu sei muito bem como é que as coisas se fazem.» 

Falou de Eusébio, quase como termo de comparação, para dizer que era ele que marcava os pontapés de grande penalidade da equipa.

Ouvia, esboçando alguns sorrisos para com a senhora que me ia encurtando o cabelo. Minutos depois ele saiu e voltou a entrar, para dizer mais uma vez: «eu andei lá dentro» e lá foi pregar para outra freguesia...

Perguntei ao senhor Zé se ele era um velho jogador do Almada, disse-me que sim, acrescentando: «do Almada e do Ginásio».

Não tive curiosidade em saber o seu nome, para mim ele agora era apenas o senhor "Eu Andei lá Dentro", que tinha como apelido, "Eu sei muito bem como é que as coisas se fazem".

Não sei se deu autógrafos nos seus tempos de jogador da bola. Provavelmente não, eram outros tempos, mas que gostava de ter dado, não tive qualquer dúvida...

sexta-feira, junho 21, 2013

O Futebol Deixa de ser o Ópio do Povo na "Pátria do Futebol"


O Brasil não deixou de ser a "pátria do futebol", mas o "desporto-rei" parece que já não é o ópio do povo, felizmente.

O povo brasileiro aproveitou a realização da Taça das Confederações, um ensaio para o Mundial de futebol que se realiza no próximo ano, para vir para a rua protestar contra as várias arbitrariedades de que continua a ser vitima.

O aumento dos transportes públicos foi apenas o rastilho, depois vieram a "lume" coisas como  a educação, saúde, emprego, que estão longe de ser um direito para todos.

Não aceitam que haja dinheiro para estádios e não para escolas e hospitais, tão necessários.

E de pouco valem as palavras do "rei" Péle ou de outros "ídolos de pés de barro", que não fazem mais que defender a sua "galinha dos ovos de ouro"...


sábado, junho 08, 2013

A Melhor Equipa nem Sempre se Constrói com os Melhores Elementos


O desporto é uma boa metáfora das nossas vidas e tanto pode ser utilizado para caracterizar o nosso local de trabalho como outra actividade qualquer, associativa ou recreativa.

Ou seja, os melhores nem sempre fazem a melhor equipa. Muitas vezes as guerras de "egos" deitam tudo a perder...

E nem estava a pensar na nossa selecção, que é uma equipa cada vez mais banal, apesar de ser constituída por alguns jogadores que pensam ser os melhores do mundo.

Estava sim a pensar num encontro fortuito com um companheiro, que fez parte das melhores equipas de trabalho em que participei. E estávamos longe de ser as "vedetas" da casa...

No entanto quando era preciso alguma coisa, era à nossa porta que vinham bater. Por uma razão simples: embora cada um de nós tivesse a sua função específica, sabíamos mais que o essencial sobre o trabalho de cada elemento da equipa, pelo que qualquer ausência raramente se fazia notar, ao contrário dos outros "cérebros insubstituíveis", que faziam parar as suas secções, quando se ausentavam...

E como sabia bem "tocarmos" afinados e sentirmos a camaradagem como um bem essencial para o nosso dia a dia.

O óleo é de Hector Páride  Bernardó.

terça-feira, junho 19, 2012

A "Táctica" Discutível de Paulo Bento


É raro aparecer alguém com coragem para apontar o dedo a outro alguém, quando este está na "mó de cima".

Onde esta situação é mais notória é no mundo do futebol, onde o baloiço entre "besta e bestial" é uma constante na vida de jogadores e especialmente, treinadores.

Passámos aos quartos de final do Europeu, Carlos Queirós, Manuel José (entre outros profetas da desgraça, embrulhados nas páginas dos jornais desportivos...) baixaram o "sonoro". É provável que voltem, se Portugal perder com a selecção Checa.

Foi por isso que Paulo Bento, numa jogada de antecipação, falou nas "facas" que já se andam a afiar por aí, preparadas para o pior cenário. Foi também por isso que as nossas "prima-donas", resolveram fechar o bico.
E eu só posso dizer que é uma pena que o seleccionador e os jogadores desçam ao nível dos "críticos" mais ferozes. Até porque estão longe de estar isentos de culpas em todo este processo.

Quando se empata com a Macedónia e perde com a Turquia em casa, espera-se o quê? Palmas?
Quando se perde o primeiro jogo, em que a equipa só acorda depois dos alemães marcarem o golo da vitória, no último quarto de hora da partida, querem aplausos?
Quando Cristiano Ronaldo faz um jogo miserável, desperdiçando oportunidades atrás de oportunidades, em que só fomos salvos do empate com a Dinamarca por um golo misericordioso de Varela, devemos agradecer ao "melhor do mundo"?

Penso que tudo tem os seus limites. É por isso que lamento a atitude do Paulo Bento e dos jogadores portugueses, que se esforçam por demonstrar que não passam de 23 fulanos que têm algum jeito para dar uns pontapés da bola, e quase nenhum para nos darem "música". Talvez eles pensem mesmo que são uns "heróis" e que estão acima das criticas. 


Se assim é, ainda são mais "pobres" do que eu pensava, apesar de nadarem em "dinheiro fácil"...

sábado, junho 16, 2012

Quando o Tamanho Conta...


Não tinha intenção de escrever uma linha por aqui sobre o Europeu de Futebol que se está a disputar na Ucrânia e na Polónia, por toda esta "intoxicação" noticiosa, que se esforça por ignorar o que se passa de importante no país.

Como gosto de futebol, vejo os jogos que posso, independentemente dos intervenientes. Claro que dou uma importância especial à nossa Selecção, que está longe de ser uma equipa candidata à vitória deste campeonato.

Uma das suas maiores fragilidades (que ainda não vi focada em jornais, embora não consiga ler todos, como é óbvio...) é a baixa estatura dos nossos centro-campistas e do lateral direito (este com responsabilidades repartidas na maior parte dos golos sofridos por Portugal...). João Moutinho, Raul Meireles e Miguel Veloso são demasiado pequenos e macios para um campeonato desta natureza. 

A selecção precisava de ter um "tampão" forte (como  é o caso de Javier Garcia no Benfica), à frente dos centrais e bom no jogo aéreo. Provavelmente nos lances de bola parada disfarçava a "pequenez" de João Pereira, que nem sequer salta com os adversários, com mais vinte, trinta centímetros que ele...

Também não consigo perceber porque razão, Cristiano Ronaldo, não aguenta a pressão na Selecção, ao contrário do que acontece no seu clube, "o maior do mundo"...

O óleo é de Xiao Guo Hui.

domingo, dezembro 04, 2011

Quando a Diferença não Faz Grande Diferença


O antigo futebolista brasileiro, Sócrates, deixou-nos hoje, com apenas 57 anos, vitima de uma intoxicação, que se tornou fatal devido ao seu passado de abuso do consumo de álcool.


Foi um jogador diferente, a par da sua carreira futebolista, formou-se em medicina, que penso nunca ter exercido, pois quando abandonou o futebol colocou a sua popularidade ao serviço da democracia e dos mais desfavorecidos, envolvendo-se no mundo da política brasileira.

Outro aspecto curioso, foi ter partido no dia em que o seu clube do coração, o Corinthians, se sagrou Pentacampeão Brasileiro.

Escolhi este título, porque Sócrates tinha tudo para não morrer desta forma, precocemente. Não foi um dos muitos futebolistas, que enquanto jogou, apenas pensou no presente (gastando boa parte do seu ordenado milionário em carros e mulheres velozes). Além da formação superior, era um exemplo de carácter e coragem, dentro e fora dos relvados.

domingo, dezembro 12, 2010

Quando a Vida é uma Montanha...

Quando a nossa vida é uma "montanha", sobe-se muito, mas também se desce.

Costuma-se dizer que a descer todos os santos ajudam. Se pensarmos que os "santos" são bons rapazes, não é isso que tem acontecido com o Rui, cada vez mais longe dos bons tempos, em que até teve um Porsche Carrera...

Diz que o seu problema tem sido a facilidade com que atrai "vigaristas". Foi assim no futebol e continuou pela vida fora.

Fez excelentes contratos, mas ficavam-lhe sempre a dever dinheiro. Houve anos em que recebeu por inteiro apenas os três primeiros meses, no resto da época limitava-se a receber uma décima parte do ordenado, apenas para comer e pagar a casa e o carro...

No final de carreira abriu um restaurante, a pensar no futuro, que também acabou mal, para variar. A prática que ganhou e alguma popularidade que lhe ficou dos futebóis fez com que conseguisse arranjar emprego na restauração.

Mas nem mesmo assim parou de descer a "montanha"...

Desde que deixou o futebol (há oito anos...), já trabalhou em dez restaurantes. Confessou-me, pela primeira vez, que fica sempre a perder com a troca, ao ponto de hoje ganhar pouco mais que o ordenado mínimo.

É o preço da liberdade, diz ele...

domingo, outubro 31, 2010

Os Símbolos dos Clubes

O Benfica homenageou hoje os seus primeiros campeões europeus, de 1960/61, quase cinquenta anos depois da proeza.

Felizmente estas acções são normais no clube da Luz, que nunca se esquece que os títulos e as vitórias, foram conquistados por gente especial, que contribuiu de uma forma ímpar para
a grandeza do Benfica.

Percebe-se que Guilherme Espírito Santo, Rogério "Pipi", Mário Coluna, José Augusto, Eusébio, Jaime Graça, Tony, Humberto Coelho, Nené, Shéu ou Chalana, embora pertençam a gerações diferentes, são respeitados da mesma forma pelo clube que representaram e pelos seus associados e simpatizantes.

Esta homenagem fez com que recordasse o desabafo de Vítor Baía, onde ficou expresso algum desencanto pela forma como foi dispensado pelo F.C.Porto. Ele disse que se tivesse representado o Benfica ou o Sporting, seria olhado de outra forma, e de facto tem razão, pois estes clubes tratam de outra forma os seus campeões.

Vítor Baía seria seguramente mais respeitado na Luz ou em Alvalade, que no Dragão, pois no F.C.Porto é demasiado evidente que o ego do presidente Pinto da Costa, não admite qualquer tipo de "sombra".

segunda-feira, julho 05, 2010

Má Sorte Ser Capitão...

Primeiro foi Cristiano Ronaldo, agora foi João Moutinho.

Cometeram o "pecado" de aceitar usar a braçadeira de capitão, antes do tempo, Ronaldo na Selecção, Moutinho no Sporting.
Mas poderiam dizer não? Alguém pode recusar a honra de usar a braçadeira de capitão da sua equipa?

Cristiano Ronaldo tem sido usado por muita gente, mas ele não é pessoa de se esquecer de cobrar, nem que seja ao espírito santo...
João Moutinho é diferente. Apesar de pequeno em altura, tem sido tantas vezes gigante dentro de campo. Talvez por isso, seja mesmo um "jogador à poarto"...

Não sei o que pensam agora as pessoas que lhes colocaram a braçadeira. Nem sei se isso é importante. Carlos Queirós está longe de ser o "gentleman" que finge ser e talvez "invente" um outro capitão amanhã. Paulo Bento é diferente. Não deve estar arrependido do que fez. E talvez sorria com esta passagem do seu capitão para os dragões...

Bettencourt e Costinha? Talvez se fale deles lá para Dezembro, quando se fizer um primeiro balanço do seu Sporting, sem maçãs podres...
A escolha deste trabalho gráfico de Andy Warhol para ilustrar este texto não é de todo inocente. Só depois de morrer é que Che Guevara passou a ser conhecido por todos como o "El Comandante".

terça-feira, junho 29, 2010

O Sonho dos "Navegadores" Acabou

No fundo era isso, um sonho, pelo menos para mim. Antes do jogo começar sabia que em dez jogos que jogássemos com a Espanha, havia a forte proabilidade de perdermos nove.

Por no futebol não existirem "impossíveis" (é por isso que equipas amadoras da terceira divisão vencem equipas de primeira compostas por profissionais, nos jogos da Taça...), podia dar-se o caso de hoje ser o tal nosso jogo de "sorte".

Não foi. Perdemos. Não vale a pena culparmos o Carlos Queirós, o Cristiano Ronaldo, o Deco, o médico, o massagista, o cozinheiro, ou até o senhor Amândio de Carvalho que é dirigente federativo quase vitalício, até conseguiu ser o chefe da comitiva presente do Mundial do México em 1986, no célebre "Saltillo", e continuar em frente, como se o que se passou não fosse nada com ele...

Mas é bom não esquecer que a partir daqui, as coisas só podem piorar. Os "fora de série" portugueses começam a ser uma espécie em extinção. Basta olharmos para o Benfica, que chegou a jogar sem um único português no onze inicial da época passada, em que se sagrou campeão...

E sem jogadores, nem mesmo o Mourinho conseguirá fazer milagres...

A capa de "A Bola" de hoje, afinal não ficou para a história...