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sábado, agosto 10, 2019

Primeiro Eu, Depois Eu e Depois Outra Vez Eu...


Os "simulacros" involuntários provocados por uma greve, que ainda não começou, têm sido um bom teste para qualquer tempo de crise.

O egoísmo é a marca maior que fica, com os exemplos de quem corre para as filas das bombas de gasolina, apenas por que sim, ao mesmo tempo que decora a casa com "jarricanes". 

E não satisfeitos, ainda esvaziam as prateleiras dos super-mercados, como se viesse para aí qualquer "fim do mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, agosto 08, 2019

O Cidadão Comum, os Políticos e os Sindicatos...


Há já algum tempo que os sindicatos têm vindo a perder a sua relevância na sociedade. Isso acontece fundamentalmente por duas razões: o aumento da precariedade no trabalho (quem trabalha como prestador de serviços, quase que não tem patrão, muito menos direitos ou sindicatos para os defender...); e a dificuldade dos sindicatos em se adequarem aos novos tempos (alterarem as suas formas de luta e a comunicação com os trabalhadores).

Uma das formas de reagir a todas as mudanças foi a transformação das manifestações e das greves em algo mais incisivo, chamando a atenção das pessoas quase sempre de uma forma negativa, já que é sobretudo o cidadão comum que é prejudicado, nas formas de luta escolhidas.

E é por isso que se percebe, cada vez mais, que o "feitiço se está a virar contra o feiticeiro". Os grevistas conseguem com que a maior parte da população se coloque contra eles, porque são sempre elas a serem afectadas nos transportes, nos hospitais ou em quaisquer outros serviços públicos que necessitem. Ao mesmo tempo permitem a "resistência" dos patrões e do Estado, que sentem ter a maior parte dos cidadãos no seu lado e não lhes dão o que querem...

E se os políticos forem "habilidosos" como é o caso de António Costa, ainda conseguem obter dividendos eleitorais (como se notou nas eleições europeias...) ao mesmo tempo que deixam a oposição "com os pés e as mãos atados".

(Fotografia de Luís Eme - Vidais)

terça-feira, agosto 06, 2019

As Passadeiras Estão Quase Sempre no Sítio Errado...


Claro que este título não é para ser levado à letra, embora se fique com a sensação de que uma boa parte de nós olha para as "zebras" das nossas ruas desta forma, preferindo atravessá-las um pouco antes ou um pouco depois.

Há uma ou outra passadeira mal colocada (como as que surgem logo depois de curvas e com pouca visibilidade, para os peões e para os condutores), mas todos sabemos que o problema não começa nem acaba aí.

Há sim o gosto de "infringir", de atravessar as ruas onde nos dá mais jeito, esquecendo que também existem "multas" para peões...

O problema não seria tão grave, se não fossem as pessoas de mais idade (com menos reflexos, menos visão e menos audição...), a escolherem quase sempre o caminho mais curto para chegar ao "lado de lá"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, julho 16, 2019

A Gente "Bipolar" dos Hospitais...


Sempre que vou a consultas ao hospital público (quase sempre como acompanhante...), espero no mínimo uma hora, em relação à hora previamente marcada.

Como sei que muitos dos médicos (e enfermeiros) do serviço público trabalham também no privado, faz-me confusão esta sua "bipolaridade", ou seja a habitual falta de respeito pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde, no não cumprimento de horários. Algo que curiosamente não se passa nas clínicas da CUF ou da Luz, onde muitas vezes nem cinco minutos tenho de esperar. 

Parece que esta gente quando está no serviço público, só têm direitos, os deveres são só para os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, junho 25, 2019

As Patetices dos "Sabões"...


Só hoje é que li algumas notícias dos últimos dias, inclusive alguns artigos de opinião.

Embora saiba que Henrique Raposo de vez em quando escreve umas coisas parvas, ainda não tinha lido uma referência tão patética aos comunistas e aos concelhos onde têm sido poder (como são o caso de Almada, Seixal, Barreiro ou Loures) como a que ele escreveu no "Expresso", no passado sábado.

Quando alguém escreve: «E, já que estamos aqui, onde é que ficam os bairros de lata? Em concelhos ligados historicamente ao PCP. Porquê? Eu ajudo: o povo que vota PCP tem, digamos, uma relação complicada com ciganos e negros. Porque é que não se fala disto? O racismo, tal como o snobismo, é só da direita.»

Só alguém que desconhece a realidade - e que deve ter algum trauma de infância em relação ao comunismo e aos comunistas (talvez continue a pensar que eles "comem criancinhas"...) -, pode escrever uma barbaridade destas.

Estes bairros existem porque são a única possibilidade que muitas famílias - que vivem no limiar da pobreza -, têm de ter um tecto. Se têm crescido mais em concelhos comunistas, é por que os seus governantes entendem que só os devem destruir, quando conseguirem arranjar habitações suficientes para os realojar, com dignidade. 

Se por um lado as questões raciais não devem ser enquadradas apenas no "território" das ideologias, por que haverá gente racista, tanto na esquerda como na direita, por outro, quanto mais se apostar na justiça social, mais fácil será a integração das minorias, tanto nas escolas como nos bairros de concelhos como Almada, Seixal, Barreiro ou Loures. E eu não tenho dúvidas de que os habitantes destes concelhos fazem menos distinções sociais, que as gentes de outros concelhos, pequeno-burgueses.

(Fotografia de Luís Eme - Monte da Caparica)

quarta-feira, junho 12, 2019

A Vontade de Fugir a Sete Pés do Contraditório


Olho à minha volta e sinto que cada vez há mais instituições e gentes a quererem viver sem os "constrangimentos democráticos", tentando escapar sempre que podem ao contraditório. Eu sei que discutir as coisas com os outros, especialmente com quem pensa de uma forma diferente de nós, é realmente uma chatice... Mas também sei que continua a ser o melhor caminho para se encontrarem as melhores decisões (no meu entender, claro...). 

A nível empresarial, o que aconteceu na TAP, é um bom exemplo de quem acha que pode tomar decisões, sem ouvir os outros accionistas (neste caso ainda é mais grave porque o Estado é o accionista maioritário...), apenas por que é mais agradável fazer o que nos diz o nosso umbigo.

A nível associativo também conheço vários exemplos, em que se tenta escapar a decisões tomadas em assembleias gerais (decididas pela maioria dos sócios), apenas porque contrariam a linha do pensamento de quem dirige...

A história diz-nos que quando a democracia começa a perder, o "terceiro estado" (nós, o povo, essa imensidão de gente...) é sempre o principal derrotado...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, junho 11, 2019

Precisa-se Urgentemente de "Cursos de Serviço Público"...


A maior parte das pessoas que nos prestam serviços públicos, não têm noção da sua verdadeira função. Fingem não perceber que estão ali para servir os outros, que precisam de informações ou de usufruir das valências que o seu local de trabalho presta à população.

Nem sequer é anormal olharem-nos de "alto para baixo", como se fossem os "donos do pedaço"... E no que toca a informações, além do ar "enjoado" que nos oferecem, fazem questão de ser poucos esclarecedores, ao ponto de serem capazes de nos darem informações erradas, brincando com o nosso tempo e a nossa inteligência... E isto tanto pode acontecer na conservatória, na segurança social, nas finanças, no município, como nos serviços que nos fornecem água, electricidade ou gás...

Benditas excepções, que de longe a longe, encontramos na segurança social, nas finanças ou noutro serviço qualquer. Enchemos-os de agradecimentos, embora se tenham limitado a cumprir o seu verdadeiro papel.

É por isso que acho que as pessoas que têm como função servir os outros, precisam, urgentemente de "Cursos de Serviço Público".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, maio 01, 2019

O Atropelo ao Dia dos Trabalhadores


Embora comece a caminhar para a normalidade este apelo ao consumismo, com descontos incríveis no Dia do Trabalhador ("atropelo" que começou com o "rei dos merceeiros", embora depois acabassem por ir todos atrás...), continua a ser extremamente ofensivo, especialmente para todos aqueles que são forçados a trabalhar neste dia Primeiro de Maio.

Claro que isto só é possível num país onde a maior parte das pessoas continuam a viver com dificuldades (cada vez maiores, porque tudo aumenta à nossa volta, menos os ordenados...) e que acabam por ser quase "empurradas" a aproveitar todas as oportunidades que têm, para poupar uns cêntimos.

Ainda ontem estive à conversa com três amigos que viveram intensamente a Revolução de Abril, que não tiveram qualquer pejo em dizer-me que a liberdade de expressão, é quase a única coisa que resta do 25 de Abril. E se olharmos para a nossa realidade, é mesmo assim, e é muito pouco, 45 anos depois... 

Além de sermos um dos países mais desiguais da Europa e da a justiça continua a ter dois pesos e duas medidas, a maior parte dos "patrões" que gostam de falar dos trabalhadores com desprezo (desses que até são capazes de dizer que há trabalhadores que nem merecem o ordenado mínimo...), continuam a viver à sombra do Estado.

O seu tão publicitado empreendedorismo, na maior parte dos casos, não passa de mais uma falácia (os grandes negócios que fazem são através do Estado).

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

domingo, abril 28, 2019

Os Domingos Também se Libertaram...


Há quem queira trazer novamente para a discussão pública, a abertura, ou não, das grandes superfícies comerciais aos domingos.

Embora eu pertença ao grupo de pessoas que fogem a sete pés dos centros comerciais aos fins de semana (o que me provoca alguns dissabores cá por casa...), sei que há quem os continue a olhar como "templos modernos" e não perca um almoço domingueiro de comida rápida, seguido de um passeio pelas montras, com entradas e saídas pelas lojas mais movimentadas (sim, a agitação, continua a ser o "segredo da coisa"...).

Por isso digo, que são gostos, que podem ser discutidos, mas não proibidos.

E vou mais longe, que cada um de nós faça do domingo, o que mais lhe apetece (sim, também podem ficar fechados em casa, sem tirarem o pijama...). Até podem ir à missa e ao futebol - essas coisas do século passado -, e matar saudades dos "templos antigos"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, abril 25, 2019

O Dia que Começa a Ser Apenas uma Boa Memória...


Tudo arrefece, até as comemorações dos dias bonitos e felizes, como foi o memorável 25 de Abril, magnificamente caracterizado pela nossa poeta maior, Sophia de Mello Breyner Andresen.

Claro que me faz confusão que este dia ainda não seja de todos (claro que não estou a falar da gente que fugiu para Espanha e para o Brasil...), que 45 anos depois ainda existam manobras divisionistas, quase sempre partidárias. Algo que se nota mais do que devia, um desses exemplos é Almada.

Apesar destas pequenas coisas continua a saber bem dizer, em conjunto, com gritos ou não, "25 de Abril Sempre!", ou desejar feliz dia da Liberdade, como desejei à minutos aos meus cunhados...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, abril 18, 2019

O Tempo das Greves "Selvagens"...


Já percebemos, depois da greve dos enfermeiros aos blocos operatórios, e de agora, dos motoristas que transportam materiais perigosos, que vale quase tudo, para que sejam conseguidos os objectivos propostos pelos seus sindicatos.

Mas não deixa de ser estranho, que se opte por prejudicar,  fundamentalmente, quem não tem qualquer responsabilidade pela sua situação, ao ponto de conseguirem essa coisa extraordinária, de virar a maior parte das pessoas contra eles...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, abril 13, 2019

«Não. Não esqueceram. Só não gostam é de recordar»


Quase na continuação da conversa de que falei ontem, também falámos da "memória", da forma como seleccionamos as coisas que fazem parte do nosso passado.

Penso que se trata de uma selecção natural, muitas vezes feita de forma inconsciente.

Mas mesmo se for consciente, não deixa de ser normal. Todos nós sabemos que nos faz sempre melhor, recordar as coisa boas, que os episódios negros da nossa vida.

Quando lhe perguntei se os "tempos difíceis" estavam esquecidos, ele disse-me o óbvio: «Não. Não esqueceram. Só não gostam é de recordar.» Acrescentando ainda, que fazem muito bem.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)

sexta-feira, abril 12, 2019

Cinquenta Anos são Pouco Tempo...


Uma das pessoas com quem gosto de conversar é um professor-poeta, que embora esteja reformado há já bastante tempo, sempre que nos encontramos, oferece-me lições de qualquer coisa, e sem perder o gosto de ouvir o outro, o que começa a rarear nestes tempos de "surdez colectiva"...

Normalmente falamos das pessoas, tentamos justificar comportamentos. E nunca é difícil encontrar explicações, mesmo que por vezes passem um pouco ao lado deste mundo, com tanta gente tonta (prefere chamar tontos aos loucos...).

Foi nesta viagem pelo tempo, que ele me fez um esboço do nosso país antes da Revolução de Abril. Falou-me das pessoas que nasciam, cresciam e viviam de uma forma completamente miserável. Das aldeias pobres, onde não havia electricidade, água canalizada, esgotos (a maior parte das casas nem sequer tinham casas de banho...), escolas ou centros de saúde. Dos "bairros de lata", sem condições mínimas de habitabilidade, que cresciam nos subúrbios das grandes cidades, principalmente em Lisboa.

E depois disse-me que cinquenta anos são muito pouco tempo para que pessoas, que viveram em condições tão difíceis, possam ter evoluído, ter cultivado o gosto pelas coisas que realmente interessam na vida. E ainda se torna pior se viverem num tempo em que o dinheiro está no começo e no fim de tudo...

Respondi-lhe que a minha geração e as seguintes já cresceram em liberdade, e por isso, devíamos ser diferentes.

Pois, mas nada é perfeito, disse-me ele. Acrescentando que continuam a nascer demasiadas coisas tortas à nossa volta. E como diz o povo, muito bem, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, abril 09, 2019

As Leis e a nossa Justiça pouco Justa...


Não tenho qualquer dúvida que  a má aplicação da justiça é o problema mais grave do nosso país.

É ele que nos torna cada vez mais desiguais e afecta todos os sectores da nossa sociedade. Pois além das diferenças de vencimentos obscenas entre gestores e trabalhadores (o "D. Notícias" fala disso hoje...), há também o sentimento, cada vez mais generalizado, da existência de uma justiça para pobres e outra para ricos.

Embora não falte por aí gente, que nos tenta iludir que o problema não está nas leis, mas sim na sua interpretação, facilmente se percebe que não passa de mais uma das muitas "patranhas" que enchem o nosso dia-a-dia. 

Claro que o problema é das leis (quase sempre pouco objectivas...) e do nosso parlamento (cheio de advogados "avençados", cuja única pátria que conhecem é o dinheiro...). 

As "fugas" e os "desvios" diários à letra de lei não se podem resumir apenas à falta de bom senso dos juízes ou à habilidade dos "senhores de toga" pagos a peso de ouro...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

segunda-feira, março 11, 2019

As Farsas em que Entramos, quase Sempre sem Sabermos...


Embora seja cada vez menos surpreendido pelas coisas que se passam à nossa volta, às vezes descubro frases cuja pertinência me faz pensar, mais um pouco...

No meu trabalho de investigação descobri, por um mero acaso, uma frase da autoria de Jorge Calado, com mais de 15 anos (do suplemento "Actual" do Expresso, de 6 de Setembro de 2003), que é reveladora do nosso mundo demasiado curto, onde o "amiguismo" continua a ter um peso decisivo, especialmente quando falamos de nomeações, escolhas ou prémios. Mas vamos lá à frase:

«A exposição é suposta cobrir o século XX, mas o que descobre são os interesses promiscuos e nepóticos duma máfia internacional de conservadores, comissários, galeristas, artistas, críticos que se protegem, elogiam e rentabilizam uns aos outros.»

A exposição em causa era sobre fotografia, mas poderia ser de artes plásticas. Mas as palavras poderiam ser deslocadas para as ruas da literatura, do cinema ou do teatro (e nem vou aos "bairros" da política ou do futebol...).

Claro que acaba por ser um drama, percebermos que quando concorremos a qualquer concurso, o vencedor já poderá estar escolhido. E estamos apenas a participar numa farsa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

A Importância do "Eu" na Imagem...


Já tinha pensado falar por aqui sobre a forma como se entende a fotografia hoje (já o devo ter feito a espaços, os blogues, tal como os diários, acabam por ser "máquinas de repetição"...), muito graças à facilidade, e até banalidade, com que se usa e abusa da  imagem, especialmente da nossa...

Penso mesmo que se fez um "desvio" no entendimento que se fazia da fotografia, no nosso quotidiano.

Durante muitos anos a fotografia para o cidadão comum, servia sobretudo para fixar na memória as pessoas, especialmente os familiares. Antes ou depois da festa, fazia-se sempre a fotografia de grupo.

Quem queria ir mais longe, quem gostava de fixar a paisagem, de preferência sem gente, não era olhado com normalidade. Entrava no grupo da "malandragem" que se dedicava a essa coisa estranha, que chamavam arte...

Hoje, a paisagem continua a ser o caminho da diferença. As pessoas continuam a ser os principais actores da imagem fotográfica, mas com uma novidade: querem estar sempre dentro das fotografias, ser os seus actores principais. As redes sociais influenciaram muito este novo "olhar", com as famosas "selfies", que têm a importância de transmitir coisas como: «eu estou aqui», «eu fui ali», ou ainda, «olha quem está aqui comigo».

Eu tenho alguma curiosidade em saber o que é que a Cindy Sherman ou o Jorge Molder (a Helena Almeida já não é possível...), por exemplo, pensam desta nova fase da fotografia, em que o "eu" é o "actor principal", tal como acontece nas suas imagens artísticas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, fevereiro 10, 2019

«Vocês têm liberdade a mais!»


Quem chega de fora e acaba por ficar uns tempos por cá, fica muitas vezes com a ideia de que somos um país com demasiada liberdade.

Os emigrantes quando vêm de férias também pensam o mesmo. A frase «Vocês têm liberdade a mais!», já foi dita pelo meu tio, que vive no Canadá,  mais que uma vez.

Não concordo, e acho mesmo que se faz um bocado de confusão com a própria definição da palavra liberdade. Por exemplo, a desorganização e a desresponsabilização, não vêm em nenhum dicionário, como seus sinónimos.

Se a noção que temos dos nossos direitos e deveres fosse mais equilibrada (sei que há por aí muita boa gente que finge que só tem direitos...) e balizada por um sistema de justiça que funcionasse de uma forma mais rápida e igualitária, tudo seria diferente...

Continuo a pensar que não há excesso de liberdade. Há sim demasiada falta de civismo e de sentido comunitário, o que acaba por se reflectir no nosso dia-a-dia, sobretudo na cada vez mais notória falta de respeito pela liberdade dos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, janeiro 30, 2019

A (Falsa) Superioridade Social...


A discussão em torno do "sermos ou não racistas", tem oferecido opiniões para todos os gostos.

Claro que somos um povo racista, e muito mais. Somos racistas, preconceituosos, machistas, feministas, classicistas, entre tantas outras coisas, pelo menos, sempre que nos dá jeito. Tal como os povos da maior parte dos países do mundo.

Mas o pior de todos os defeitos da nossa sociedade, é a pretensa superioridade social. Superioridade que assenta em coisas obtusas como o nome de família, o dinheiro que temos na carteira, a roupa que vestimos, o carro onde nos transportamos ou a casa onde vivemos. 

E somos tão pobres (até de espírito...), vítimas de tantas desigualdades, que a nossa grande aspiração (socialmente legítima...), é um dia sermos ricos...

Claro que esta "superioridade social" é quase sempre um artifício enganador, cuja aparência esconde as "misérias humanas" do costume, alimentadas sobretudo pelos jogos de mentiras e dívidas, que vão da mercearia do bairro aos bancos do costume.

Já vi um pouco de tudo isto, graças ao meu trabalho de investigador, entre o jornalismo e a história. Desde familiares falidos de antigos ministros de Salazar, que em pleno século XXI, ainda defendem uma espécie de "monarquia" (que infelizmente ainda se pratica em muitos sectores da nossa sociedade...), com a passagem dos cargos de pais para filhos, aos "novos ricos", preparados para comprar tudo o que lhes vem à cabeça - quase sempre com dinheiro sujo - menos carácter e dignidade (que além de não terem preço, são grandes empecilhos para os seus sonhos)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Temos Passado, mas não Temos Futuro...


Apesar de todas as mudanças económicas e sociais que têm transformado a nossa sociedade, ainda  se sente que a história das localidades têm uma influência directa no comportamento das pessoas. Ou seja, uma cidade que tem como principal actividade económica o comércio, será sempre diferente de uma localidade com profundas raízes industriais, seja em Portugal ou na China. E, obviamente, a mentalidade das pessoas também será diferente.

Mas não sei até quando é que será possível compor estes "retratos"...

Digo isto por que nos tempos que correm, as localidades começam ser mais difíceis de caracterizar. O comércio mudou completamente (está quase tudo centralizado nas grandes superfícies comerciais, esvaziando o coração das cidades...) . E a industria também vive num outro paradigma (quase toda ela é mecanizada e não emprega milhares e milhares de pessoas como noutros tempos...).

Poderei mesmo dar o exemplo das minhas cidades (Caldas da Rainha e Almada). A primeira  tinha no comércio o seu grande alicerce socioeconómico, a segunda tinha profundas raízes industriais (no sector naval e corticeiro). Ambas vivem hoje tempos de grande indefinição, que poderão provocar inclusive "crises de identidade", num futuro próximo.

Só não sei é se se há espaço para vivermos quase exclusivamente de serviços e de turismo, de Norte a Sul do País...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

quarta-feira, janeiro 23, 2019

O Perigo da Nossa Passividade...


Já escrevi por aqui várias vezes sobre o "populismo" (utilizando outros nomes...), que é mesmo um dos maiores problemas do nosso tempo, e que não se resume à política e à ideologia, está a entranhar-se por todos os sectores da sociedade.

Quase todos os seus adeptos e defensores dão nas vistas por duas razões, uma mais visível (o discurso fácil e a falta de pudor - misturam mentiras com verdades, com a maior das facilidades, seguindo os exemplos que todos conhecemos, com realce para as duas "américas"...), a outra, mais escondida, pois só se descobre, quando  contactamos de uma forma mais directa com essas pessoas (o vazio de ideias, de conhecimento, e até de inteligência. Valem-se quase sempre da esperteza, que há muito tempo deixou de ser "saloia" e abrem caminhos para a mediocridade e para o "vale tudo").

Quase todos os dias tenho conhecimento de casos, em que um ou outro defensor desta forma de estar, ocupa um cargo importante numa instituição, perante a passividade dos seus companheiros e associados (quando se trata de associações...).

A grande questão, é como iremos conseguir travar estes "avanços", quase sempre dissimulados...

(Fotografia de Luís Eme  - Lisboa)