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segunda-feira, dezembro 24, 2018

"Natal à Beira-Rio"


Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...
É noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem se perdeu na terra.
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem agora conduzir-me
à Beira deste cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 10, 2018

O Homem que Finge que Não Gosta do Natal...


Olham para ele, como o homem que não gosta do Natal. É o único do armazém que nunca foi ao jantar pago pelos patrões na noite de 23 de Dezembro. Se não janta, ainda menos leva os filhos à festa que se segue, para receberem os presentes, comprados por atacado aos chineses.

A questão é mais grave do que parece. Ele nunca suportou os "filantrópicos" que andam a vida inteira a explorar os seus empregados, pouco preocupados, como sobrevivem todos os meses com ordenados miseráveis. 

E como nunca gostou de "esmolas", mesmo que venham embrulhadas em papeis brilhantes, finge que detesta a época natalícia...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 01, 2018

A Boa da Sabedoria Popular...


A sabedoria popular ajuda-nos, não a encontrar explicações para o inexplicável, mas a relativizar o nosso quotidiano, quase sempre de uma forma irónica e metafórica.

Claro que quando diz que "não há mal que sempre dure", esquece-se de muita gente, que vive "num autêntico calvário" diário, gente que nem sequer consegue fingir-se feliz, se esquecermos esse turbilhão a que chamam Natal (nesta quadra surgem sempre uns milhares de beneméritos, inesperados, inclusive as senhoras das revistas, que colocam aventais para a fotografia e para a televisão, quando estão a "cozinhar" ou a "servir" os pobrezinhos...).

Natal que já anda por aí nas montras, nos anúncios publicitários e nas cabecinhas de muitas pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 25, 2017

O Natal é uma Lupa






O Natal é uma Lupa

De onde é que chegou tanta gente?

Pergunta o poeta cínico e curioso
habituado a uma cidade diferente,
mas ninguém responde ao seu tom jocoso

Todos querem agarrar a felicidade

inventada dentro de sacos de presentes
e nas luzes das casas e ruas da cidade
até prometem ser ligeiramente diferentes

Eles querem lá saber de quem nasceu

em Belém embrulhado em palhinhas
se ele era Jesus ou apenas um Judeu
querem sim é o Pai Natal das prendinhas

Até disseram que os pobres da rua

tinham sido contratados, eram actores
que tinham grande intimidade com a lua
cheiravam bem e não mostravam as dores

Parece que todos dão amor de graça

debaixo do rótulo de uma data especial
até ignoram os poetas da desgraça 
que não sorriem nem dizem Feliz Natal


Luís [Alves] Milheiro


(Fotografia de autor desconhecido)


sábado, dezembro 23, 2017

Boas Festas para Todos

Desejo Boas Festas para todos os visitantes do "Largo da Memória" (diários, semanais, mensais ou anuais...). 

Agradeço a vossa companhia e as vossas palavras (as ditas e as que ficam por dizer...).

Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, dezembro 22, 2017

O Natal é Sobretudo para as Crianças...


Embora todos gostemos de trocar presentes, as prendas encantam sobretudo os mais novos.

É por isso que à medida que os nossos filhos vão crescendo, esta quadra vai perdendo alguma da sua magia.

Claro que a "febre" do consumismo e a hipocrisia  destes tempos (ainda mais visível...), também contribuem para isso...

(Ilustração de autor desconhecido)

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Os Presentes para as Pessoas Especiais...

Hoje não conseguimos escapar das conversas sobre as festividades que se aproximam (até trocámos presentes, discretamente...), mesmo sem nos metermos com toda esta "lufa-lufa", que quase esgota a lotação dos centros comerciais.

A Rita falou-me da dificuldade que tem em encontrar presentes para as pessoas de quem mais gosta. Não precisei de pensar muito para concordar com ela. Andamos distraídos demasiado tempo e depois não sabemos o que faz alguma falta (porque há pessoas que gostam de dizer sempre que já têm tudo... e que não precisam de nada...), ou aquilo que viram numa loja e lhes agradou...

(Fotografia de Ruth Orkin)

sábado, dezembro 24, 2016

Um Natal Feliz para Todos

Tal como fiz no "Casario", também deixo aqui no "Largo" uma fotografia minha com a Praça da Liberdade, com decorações natalícias bem catitas, com o desejo de feliz Natal para todos vós que gostam de se perder aqui pelo "Largo".

sexta-feira, dezembro 23, 2016

«O Pai Natal não vem de barco.»


Apesar da cor, não é de facto, a barca do Pai Natal.

E a Anita (já quase que não se chama Anita às Anas...) tem razão, o homem das barbas brancas não vem mesmo de barco, apesar de ter muito espaço no porão, para as renas e para os presentes...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Conversas à Espera do Inverno com um Cheiro Natalício...


Fomos quase interrompidos por uma discussão acesa, entre três homens. Um deles passou rente à nossa mesa, quase a espumar pela boca.

O Gui retratou a situação com algum humor: «Há homens que são como as mulheres dão-se mal com as mudanças da lua.»

A Rita ofereceu-lhe três palavras: «machista duma figa.»

Eu perguntei-lhes se não era mais a mudança de estações, pois o Inverno estava mesmo à espreita.

O Gui disse que sim, acrescentando que as luas e as estações do ano são da mesma família, e que também eram primas das marés.

A conversa mudou com a passagem de um romeno, que embora andasse com um barrete de pai natal, queria uma moeda, ou até uma nota. O boné com ar de já ter feito muitos natais devia ser usado para nos dar qualquer toque no "coração". Não resultou.

Embora fosse a terceira pessoa que se abeirara de nós, a pedir qualquer coisinha, foi a única a merecer reparos. O preconceito é lixado. Foi por isso que eu aproveitei para chamar nomes ao Gui, que me devolveu um sorriso e  algumas palavras, quase certeiras, sobre a profissionalização deste povo, ao ponto de "comprar" crianças defeituosas para espalhar pelos lugares centrais da cidade. 

A Rita voltou a irritar-se, por só falarmos de coisas fora do espírito da época...

Foi por isso que abrimos o jogo e resolvemos fazer a habitual troca de presentes. Coisas simples, mas com o "carimbo e o carinho de autor".

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Duas Certezas Natalícias


Há pelo menos duas coisas que tenho como certas na quadra natalícia.

É a época em que a hipocrisia se torna mais evidente. De repente, muito boa gente (especialmente os ricos, que continuam a coleccionar o seu "pobrezinho" no Natal...) repara que há pessoas que vivem nas ruas e estão meses e meses sem comer uma refeição decente ou vestir uma roupa confortável... 

E é também a época em que se gasta mais dinheiro em inutilidades, graças ao "Pai Natal", essa excelente invenção, que mesmo em tempos de crise, sabe a filhoses e a bolo-rei para as crianças e para para os comerciantes.

(Ilustração de autor desconhecido)

domingo, novembro 20, 2016

O Natal Continua a Ser Antecipado...

Há vários anos que se antecipa o Natal.

Onde se nota mais esta antecipação é nas iluminações das ruas, que duram de um a dois meses, dependendo apenas da boa ou má vontade dos "alcaides das terras"...

Na publicidade nem vale a pena falar, tenho impressão que já se anuncia por aí o Natal desde Setembro. 

Às vezes pergunto aos meus botões se toda esta "febre" não se torna demasiado cansativa, acabando mesmo por "matar a galinha dos ovos de ouro"...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 24, 2015

Acontece "Natal"...


Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

                                                       Manuel Alegre

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Às Voltas no Carrocel da Cidade


Pensava que hoje ainda não era Natal, mas enganei-me.

Tive de me deslocar de carro e percebi que era dia deles. De fila em fila lá fui andando.

Em alguns períodos, fiquei mesmo parado, ainda que por breves segundos.

Foi num desses momentos que tive uma daquelas ideias mirabolantes, mais de desenho animado que de filme, embora os efeitos especiais permitam quase tudo...

Pensei que os carros se deviam ter revoltado com a passividade dos donos e tinham resolvido sair dos lugares de estacionamento, como se precisassem de mexer as rodas e começar a circular por aí, numa verdadeira festa da anarquia.

Mas não. Foi apenas o Natal que chegou uns dias mais cedo... quase em anuncio: «Vamos mas é para as compras que já se faz tarde.»

(Eu sei que é preciso "fugir", até porque já anda por aí outra sombra negra, que não difere muito das anteriores. Esta chama-se banif...)

domingo, dezembro 20, 2015

Um Natal Mais Farto, Mas Apenas de um Lado...


Apesar de haver muitas queixas dos comerciantes, nota-se que há mais gente nas lojas. E não acredito que a maioria apenas se limite a ver...

Claro que para se gastar dinheiro em prendas, não se compram outras coisas, porque o dinheiro do cidadão comum não é igual aos dos banqueiros, não estica e encolhe, conforme as suas vontades.

Mesmo assim estranhei entrar num restaurante no sábado à noite e encontrá-lo completamente vazio. Muitas vezes este "vazio" é um convite a mudarmos de freguesia, mas nós ficámos, o que deve ter dado algum jeito ao dono, à empregada de mesa e à cozinheira...

Depois de nós entrou apenas um senhor, que comeu uma sopa e uma bifana no pão.

E fomos muito bem servidos, apesar do desânimo natural de quem abre as portas para servir os outros e para ganhar a vidinha...

A fotografia é de René Groebi.

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Os Livros que me Apetece Ler e os Outros...


Comecei por escrever no título: "Os Livros que nos Apetece Ler e os Outros...". Mas lembrei-me de imediato que estava a falar apenas do leitor que há em mim e de mais ninguém. Ou seja, neste escrito não há qualquer dado estatístico, encontram apenas o preconceito de leitor. Sim, não tenho qualquer dúvida em assumir, que se há uma situação em que eu seja preconceituoso, é na escolha dos livros que leio.

Eu conto: se há um escritor que me seduz na primeira leitura, tento sempre ler mais e mais livros, gerados na sua "fábrica de sonhos". Claro que o contrário também acontece, raramente dou uma segunda oportunidade a quem me desilude na estreia, a quem não me diz nada com as suas palavras.

Noto isto na época de Natal em que faço uma lista mental dos livros que gostava que me oferecessem. Há um que já me ofereci a mim próprio (é a prenda da minha mãe, e ainda falta outro, que é a prenda da minha sogra. Ambas preferem que seja eu a escolher os livros que quero ler...), por ter quase a certeza de que ninguém mo iria oferecer, a "Biblioteca", de Pedro Mexia.

Entre outras coisas, espero que não me ofereçam o romance da Clara Ferreira Alves (lá vem o meu preconceito...).  Ela e o Miguel Sousa Tavares são bons exemplos de que um bom cronista não tem de ser um bom romancista, por mais suor que lhes escorra pela testa. Escrever romances é outra coisa...

Por exemplo, estou muito mais interessado em ler, "Onde a Noite Acaba", contos e novelas de José Rodrigues Miguéis, que a Clara me ofereceu, mesmo que seja de 1959 e já tenha passado pelas mãos de vários leitores.

Das edições natalícias  tenho curiosidade em ler , "Bronco Angel, o Cow-boy Analfabeto", de Fernando Assis Pacheco, "A Minha Europa" de Maria Filomena Mónica ou o 4º volume da biografia de Álvaro Cunhal de Pacheco Pereira.

Há um livro que me desperta alguma curiosidade, mas tenho algum receio de ficar desiludido. É "O Independente, a Maquina de Triturar Políticos", apenas por uma razão: li algures que é escrito por antigos jornalistas do semanário (Filipe Costa Santos e Liliana Valente). Na minha opinião um livro destes devia ser escrito por gente de fora, nunca da casa (provavelmente estou a ser mais uma vez preconceituoso...), para que exista alguma distanciação do "fenómeno", tão odiado pelos cavaquistas.

Claro que há muitos mais livros que quero ler, mas tenho pelo menos uns trinta em fila na estante a acenarem-me. Uns quase que até fazem o pino para serem lidos. E são de bons autores.

O óleo é de N. C. Wyeth.

terça-feira, dezembro 23, 2014

Boas Festas


Continuo sem o meu computador (embora o meu sobrinho, que conseguiu salvar praticamente tudo de importante que estava no disco e me tenha emprestado um outro, mas com uns programas "estranhos" (não são da família "microsoft"...), aos quais ainda não me adaptei...

Mesmo assim, não quis deixar de passar por aqui, para desejar Boas Festas a todos os que passam por este lugar (comentadores ou não) e de alguma forma dão vida ao "Largo" que gosta de ter memória.

Um forte abraço para todos.

Vou colocar aqui este desenho do Banksy (grato Joana...), pelo seu simbolismo, pois Jesus neste milénio tem de escolher outro lugar para nascer, já não poder ir a Belém...

terça-feira, dezembro 24, 2013

Chove, É Dia de Natal


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés. 

Fernando Pessoa

O óleo é de Daniel del Orfano

sábado, dezembro 21, 2013

Um Outro Inverno


Parece que no mês de Dezembro os carros, crescem, assim com as pessoas.

Há carros e pessoas improváveis, que abandonam as garagens e as casas, talvez porque pareça Natal...

Há gente que vai fazer questão de convidar um pobrezinho para a noite de consoada. Já devem ter preparado um saco de roupa que não usam, para ele fazer frente ao ano que nos bate à porta, em qualquer canto da rua...

Há outros que se vão encontrar com a família, apenas porque tem de ser, faz parte da tradição. talvez regressem para o ano...

Quase que me sussurram ao ouvido, que mais vale uma vez que nunca. Provavelmente sim, mas não deixa de me parecer uma coisa inventada por quem continua a fingir que acredita nas renas e nos duendes do Pai Natal.

O óleo é de Magritte.

domingo, dezembro 23, 2012

Feliz Natal, Natal Feliz



Entrei no café com um rio na algibeira
  
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
  
José Gomes Ferreira

O óleo é de Ian Leward.