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sábado, agosto 10, 2019

Primeiro Eu, Depois Eu e Depois Outra Vez Eu...


Os "simulacros" involuntários provocados por uma greve, que ainda não começou, têm sido um bom teste para qualquer tempo de crise.

O egoísmo é a marca maior que fica, com os exemplos de quem corre para as filas das bombas de gasolina, apenas por que sim, ao mesmo tempo que decora a casa com "jarricanes". 

E não satisfeitos, ainda esvaziam as prateleiras dos super-mercados, como se viesse para aí qualquer "fim do mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, julho 17, 2018

Quando a Inteligência, a Esperteza, a Demagogia e a Alegria (aparente), Sabem a Pouco...


O Governo de António Costa e a "Gerigonça" será um dos grandes casos de estudo político, nos próximos anos, graças ao "milagre" da sua manutenção no poder e também pela quantidade de adjectivos (muitas vezes antagónicos...) e de substantivos que faz despertar em cada um de nós.

Percebemos no trabalho, nas escolas, nos hospitais nos super-mercados e nas ruas, que a nossa vida, dia após dia, se vai tornando cada vez mais difícil. Uma maior parte de nós há quase uma década que não vê os ordenados e pensões aumentados. Ao mesmo tempo que tudo à nossa volta vai aumentado, desde os bens essenciais, às rendas e aos combustíveis.

Mesmo assim, o Governo e o primeiro-ministro fingem que está tudo bem.

As únicas vantagens que noto são o aparente bem estar social, devido à "alegria postiça", que começa e acaba com os sorrisos do Costa e de toda a sua "corte de seguidores", que nos deixam com a sensação de que passam mais tempo a "vender sonhos" que a governar...

Eu sei que, apesar de tudo, é preferível  viver neste "aparente paraíso", que no país do "Passos e da Troika", em que, além de mandarem os nossos filhos emigrar... difundiam um orgulho (quase salazarento), de irem mais longe que a troika", enquanto iam destruindo, despedindo e retalhando o país.

Mas é bom que "os costas" comecem a fazer coisas realmente importantes e úteis para todos nós, especialmente na saúde, na educação, no trabalho e nos transportes.

Até porque o "estado de graça" alimentado pela "governação com sorrisos" e pelos acasos que têm alimentado a comunicação social (os "brunos", os "meninos da Tailândia" e os "mundiais"...) começa a ter os dias contados.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 04, 2017

Só nos Desiludem as Pessoas de Quem Realmente Gostamos...


Como já devem ter reparado, ando há pelos menos dois dias, a tentar fugir das palavras.

Sei que não devo, nem quero, particularizar.

Se pensar bem, nem se pode dizer que me aconteceu uma coisa do outro mundo. Toda a gente sabe que a amizade não sobrevive a tudo. Apenas a quase tudo...

Não foi a primeira vez que descobri que a desconfiança às vezes anda perto demais do ciúme e da inveja, e que se pode tornar numa mistura explosiva... 

Nem se pode falar de uma "história de saias", até porque ela anda quase sempre de calças...

Acabei por ficar a pensar que a forma de gostar nunca tem uma medida certa, é por isso que às vezes gostamos mais dos nossos amigos que eles de nós, tal como o seu contrário. 

E claro que fiquei desiludido. Sei que só nos desiludem as pessoas de quem realmente gostamos...

(Fotografia de Rurik Dmitrienko)

quarta-feira, dezembro 28, 2016

O Cenário de Guerra de um País Pacífico...


Num mundo que gosta de inventar crises em todos os continentes, que sangra África e o Médio Oriente há tempo demais, esta fotografia do Ginjal é apenas isso, uma fotografia. 

Pode parecer um "cenário de guerra", embora sejamos, aparentemente, um dos países mais pacíficos do Velho Continente.

A passividade portuguesa também se sente na recuperação das coisas...

(Fotografia Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 16, 2016

O Adeus da Cornucópia

O anúncio do adeus do Teatro da Cornucópia, ao fim de quarenta e três anos, só pode surpreender quem não conhece a realidade da grande parte das companhias teatrais do nosso país.

Mas dá que pensar que a este grupo, que sempre foi mais do Príncipe Real que do Bairro Alto (mesmo que fosse conhecido como parte integrante do bairro...), não tenha bastado o facto de ser reconhecido como uma das melhores escolas de teatro lisboetas (trabalhar com Luís Miguel Cintra sempre foi uma ambição natural para qualquer actor...). 

Sei que a qualidade e o rigor têm um preço demasiado alto e não se compadecem com os tempos longos de crise que vivemos, em que a Cultura tem sido a principal vitima dos cortes orçamentais do governo central e também dos governos locais.

E se juntarmos a tudo isto, o facto de muito boa gente achar natural e apoiar que se cortem os subsídios aos "malandros dos artistas que sempre viveram à conta do orçamento"... está tudo dito.

O argumento utilizado para o final desta aventura feliz de mais de quatro décadas, é o respeito pelo público. Não só compreendo, como sei que faz todo o sentido.  É muito bom não perdermos a dignidade, mesmo que os nosso sapatos comecem a ficar com uns buraquitos, aqui e ali....

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, abril 04, 2016

«Quando não há dinheiro, se há coisa que é difícil é ser artista. Ainda é mais complicado que viver...»


No outro dia, sem chuva e com esplanada, o Américo trouxe para a mesa a história de vida de pintor que já viu passar por si alguns momentos de glória e que hoje vive quase na miséria. Há uns amigos que vão passando lá por casa e deixam umas mercearias, que ele diz sempre não querer, mas que acabam esquecidas dentro do saco, num canto da sala.

Nem todos o conhecemos pessoalmente, foi por isso que de inicio não se deram grandes palpites, até por a vida estar difícil para quase toda a gente.

O Carlos Alberto com a sua diplomacia, disse que hoje era muito mais complicado ser "cigarra", que há meia dúzia de anos. O Rui perguntou pelo "partido", se este não o ajudava neste momento difícil, até por ele lhe ter oferecido muitos cartazes e serigrafias. O Américo desmentiu-o de imediato, disse que ele nunca deu nada a ninguém, vendeu sempre tudo o que pode. Acrescentando, que só assim é que tinha sido possível comer caviar com espumante, na companhia de dois ou três rapazes giros.

A Rita não gostou nada desta referência mais intima e atirou-se ao Américo, focando a sua qualidade artística, dizendo que era sobre isso que devíamos falar.

O Carlos Alberto tentou argumentar que ainda não se partem pessoas ao meio, que não se pode separar o artista do homem. Eu argumentei o contrário, acrescentando que,  pelo menos quem vê a obra com um olhar crítico, deve pensar em exclusividade no artista e no seu trabalho.

Arranjei tema para mais uns minutos de conversa, sem que chegássemos a qualquer conclusão.

À despedida, a Rita teve o seguinte desabafo: «Quando  há pouco dinheiro, se há coisa que é difícil é ser artista. Ainda é mais complicado que viver...»

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 09, 2015

Estes Migrantes Selectivos


Uma das coisas que mais confusão me faz, é a vontade da grande parte dos migrantes que chegam do Norte da África Oriental de se deslocarem para a Alemanha, ou então para os países do Norte da Europa, com destaque para a Suécia.

Pensava que quando se foge da guerra, a primeira coisa que se procura é a paz. Provavelmente estou errado. Ou então estes refugiados não são uns migrantes quaisqueres. Além de saberem muito bem o que querem, e para onde querem ir, talvez não venham dos piores lugares do Mundo. E por isso não aceitam qualquer destino...

Sei que alguns portugueses sentem-se aliviados por não verem ninguém nas reportagens televisivas a dizer que querem vir para Portugal. Eu acho estranho.

O óleo é de Dina Brodsky.

terça-feira, maio 26, 2015

A Greve do Nosso Transporte da "India"


Hoje o nosso transporte que já foi da "Índia" esteve de greve.

Sempre que isso acontece é um transtorno para os lisboetas, que têm neste comboio eléctrico subterrâneo o mais rápido dos transportes da capital.

Embora ande muito a pé por Lisboa, o metro é o meu transporte de eleição, porque me permite ir de uma ponta a outra enquanto o "diabo esfrega o olho".

Felizmente hoje já não se verificam as enchentes de anos oitenta e noventa, em que as pessoas eram transformadas em "sardinha em lata" nas horas de ponta, quando conseguiam entrar nas carruagens...

Há mais oferta de carruagens que nesses tempos, mas também há menos gente a viajar. O desemprego  tem destas coisas...

sábado, maio 23, 2015

«Não canto mais!»


Quando ele disse, quase num grito surdo: «Não canto mais!», a maior parte das pessoas que o rodeavam não o levaram a sério. Eu que o conhecia apenas de vista fiquei apreensivo.

Era um cantor de qualidade, que já ultrapassara os sessenta anos e estava a viver o mesmo drama de tantos companheiros: cada vez recebia menos convites para concertos.

E logo ele que é dos baratinhos (a palavra é dele...), já que é rapaz para fazer um espectáculo praticamente sozinho, apenas na companhia das suas violas e das suas canções.

Minutos depois, num dos cantos da sala, um amigo comum tentou acalmá-lo e perguntou-lhe porque é que ele não telefonava a fulano tal, que era influente, etc. Foi nessa altura que lhe saltou a "tampa" e disse: «Mas tu pensas que eu sou algum pedinte, que tenho de andar por aí a pedir esmolas a este e aquele? Deixa-te disso pá.»

E virou-nos as costas. O meu amigo viu-o afastar-se e abanou a cabeça, desiludido com o pais, mas também com o cantor, que apenas tentara ajudar. Para de seguida me explicar:
«Detesto esta gente que finge ser o que não é. O mundo da música sempre viveu de telefonemas para conhecidos, fossem eles empresários, vereadores das autarquias ou membros de comissões de festas. A única diferença é que dantes havia mais trabalho, as pessoas atendiam-te os telefones e aceitavam muitas propostas de espectáculos. Ele fala assim porque normalmente não era ele que fazia esses telefonemas, mas conhece tão bem o sistema como eu...»

O óleo é de Peter Harskamp.

quinta-feira, abril 30, 2015

A Vida Já foi Mais Bela...


Não tenho qualquer dúvida de que a vida já foi mais bela, para todos nós.

E não estou a falar apenas da crise (mas se calhar está tudo ligado...).

Além da falta de humor e de palavras (tanta gente por aí cabisbaixa e de semblante triste...) parece que estamos a "embrutecer". 

Cá dentro é o que se vê todos os dias nas notícias, parece que a vida humana perdeu importância. Mata-se por um bocado de terra, por meia dúzia de euros, por amores perdidos e sei lá que mais.

E quando olhamos para fora as coisas em vez de melhorarem, pioram. É um alegado estado islamista que está a semear o terror no Norte de África e no Próximo Oriente. São os milhões de pessoas que são empurradas para sitio nenhum, depois de serem enganadas e partirem em "direcção à morte", no Mediterrâneo...

O óleo é de Salvador Dali.

sexta-feira, abril 10, 2015

Escolas de "Impostores"


Já devo ter falado aqui das muitas escolas de "impostores" que crescem como cogumelos nas cidades,  pertença de gente que adora situações de crise ou de guerra, para encherem os bolsos à custa da "miséria" alheia.

Muitos jovens sem alma de emigrante só conseguem encontrar o primeiro emprego nestas casas cheias de secretárias, telefones, gravadores, com folhas escritas do que se deve e não dizer às pessoas, no negócio da venda de sonhos, quase sempre impossíveis.

Alguns não aguentam passar horas e horas e enganar pessoas de todos os tamanhos, sexos e idades e vão embora, desgostosos por o mundo ser tão diferente do que lhe ensinaram lá em casa...

Outros tornam-se profissionais na "arte de ludibriar" e estão preparados para dar o salto para outras paragens, onde esta arte faz "milagres". Alguns até sonham com uma carreira política, escolhendo como modelos os relvas, os sócrates, os portas, os núncios ou os coelhos...

O óleo é de Atanas Matsoureff.

quarta-feira, março 04, 2015

A Esperteza e a Vigarice Nunca Estiveram tão em Alta


Eu sei que a coisa começou antes, mas foi com Relvas que se ultrapassaram todos os limites, do razoável. Sem nunca se perceber muito bem por quê, ele conseguiu resistir a quase tudo e a todos. Penso que isso só foi possível por teimosia de um primeiro ministro demasiado comprometido com quem quase o "levou ao colo" até à chefia do governo.

Infelizmente nunca mais saímos deste registo. 

Como é possível manter tanto tempo um Crato, um Manchete como ministros, com tantos sinais dados de incompetência?

E sempre com o presidente da república em silêncio (mais outro comprometido, sabe-se lá com o quê)...

O pior é que estes exemplos têm-se multiplicado nas autarquias, mas empresas e até nas ruas. Parece que toda a gente se acha com legitimidade para "dar cantadas", oferecendo o que não pode dar, como se a mentira fosse um trunfo e não uma vergonha, em qualquer negócio.

Mas quando os exemplos vêm de cima, não há volta a dar...

Não é só no campo económico e financeiro que o país vai demorar anos e anos a recuperar. Quando a ética e a honra deixam de ser valores a ter em conta numa sociedade, provocam uma crise social que não é menos importante que a económica e financeira.

O óleo é de Romano Berteli.

quinta-feira, novembro 06, 2014

Às Vezes Amor com Amor se Paga


Ninguém gosta de justificar opções estranhas, embora existam situações em que não há nada para justificar.

Num filme ou numa peça de teatro o realizador ou o encenador escolhe as pessoas com quem quer trabalhar, não só pelo talento, mas também pelas afinidades que existem, pelo que já viveram juntos e pelo que conhecem um do outro.

Todos estranharam que o realizador fosse escolher um actor que estava quase esquecido, uns diziam  por vontade própria outros culpavam o mercado. Mas ele apenas vivia o drama do desemprego já de média duração, algo mais comum do que se poderia pensar. O produtor não achou piada à gracinha, até por já ter na sua cabeça dois ou três actores para aquele papel. Mas o realizador foi inflexível, jogou o tudo ou nada. E ganhou, pelo menos desta vez.

O filme acabou por correr bem e o actor voltou à ribalta (o que quer que isso seja...), voltou a ter trabalho, que era o mais importante em alturas em que a crise ultrapassa tudo, até o bom senso e a normalidade das coisas.

O realizador nunca justificou esta escolha, pelo menos nas revistas. Mas quem o conhecia sabia que era um gajo antigo, daqueles que têm orgulho em ter memória. E nunca esqueceu, que dez anos antes, quando quase não tinha dinheiro para pagar a actores para um dos seus filmes, aquele rapaz aceitou trabalhar com ele, recebendo como pagamento pouco mais que umas sandes e o quarto da residencial, partilhado, durante mais de um mês. 

Ele sabia bem que era nas dificuldades que se conheciam as pessoas...

E se havia coisa que se orgulhava de ser, era um bem agradecido. Quem lhe fazia bem, sabia que podia contar sempre com ele.

segunda-feira, julho 07, 2014

Horizontes Cada Vez Mais Curtos para os Jovens


Ainda a propósito dos vestígios da conversa que deixei por aqui ontem, resolvi falar mesmo na primeira pessoa. Ou seja, tendo como exemplo os meus filhos.

O meu filho de dezasseis anos, mais "absorvido" pela crise e pelo desemprego, não arrisca nenhuma profissão, quando lhe pergunto o que quer ser amanhã...
A minha filha de nove anos quer ser actriz, sem medos. Sei que ainda não tem consciência de como se trata a cultura e os agentes culturais neste país, mas...

Acredito que se as coisas continuarem assim, provavelmente irão para outras paragens, tal como tantos jovens.

Tudo isto graças aos nossos governantes, que além de hipotecarem o país economicamente, também estão a empurrar o "futuro" de Portugal para fora das nossas fronteiras.

Claro que poderão estar a pensar em colonatos de chineses, malaios, japoneses ou de russos como solução para combater a "desertificação" humana...

O óleo é de Ivana Lomova.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

O Amor não Resiste a Tudo


Todos sabíamos que o amor não resistia a tudo, nem mesmo nos livros e filmes, quanto mais na vida...

Mesmo os aprendizes de poetas como o Raul, eram incapazes de contrariar esta tese.

Raramente falávamos de amor, mas a Rita trouxe para a mesa um caso concreto: um casal com dois filhos que todos conhecíamos de vista e parecia ter um casamento indestrutível, mas que, como tantos, não conseguiu resistir a um ano e alguns meses de desemprego do chamado  "chefe de família"...

O exemplo era sintomático: dois bons empregos que alimentavam uma boa casa, dois carros, colégios privados para os filhos, férias fora do país, etc.

Até que a crise resolveu desmoronar aquele "mundo", pintado com cores suaves e bonitas. 

A inscrição dos filhos no ensino público e a venda de um dos carros, foram apenas o primeiro sinal da mudança de vida. Com a redução sucessiva do ordenado da esposa, professora (e do subsídio de desemprego dele...), o pagamento do empréstimo da casa tornou-se incomportável. Perante aquele cenário, não foi difícil culpar o homem da casa de todos os males, que não fazia nada, que não saia de casa para procurar emprego, etc, até se chegar à inevitável separação...

Este é apenas um caso entre milhares, de gente que perdeu quase tudo, até o amor, por causa de uma crise, que pode muito bem ter sido inventada, pela gente que ama o dinheiro acima de todas as coisas...

A ilustração é de Loui Jover.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Olhar para o Lado e Ver Outra Coisa


Quando a vida nos começa a correr mal, é normal baixarmos os braços e sentirmos vontade de desistir.

Uma das palavras de ânimo mais estafadas que recebemos, é aquela frase, que pensamos ser portuguesa - e que se calhar é universal -, para olharmos para o mundo que nos rodeia, onde não faltam exemplos de quem   ainda vive pior que nós, e mesmo assim resiste, sem vontade de desistir... 

Este olhar para o lado e para baixo, está de alguma forma ligado à religião católica. Durante a nossa história quase milenar, os seus educadores sempre se esforçaram em "vender a nova" (cada vez mais velha), que o "paraíso" é para aqueles que eram capazes de dar a outra face como Jesus, ou seja, os humildes e subservientes.

Mesmo sem concordarmos com esta "linha castradora", acabamos por intuir que se  as camadas sociais mais vulneráveis, vivem e resistem a estes tempos, nós também o conseguiremos fazer. Mesmo que acabemos a viver num simples quarto ou até debaixo da ponte ...

A natureza humana tem muito que se lhe diga...

O óleo é de Clara Gangutia.

domingo, dezembro 08, 2013

O Teatro que não Chega às Pessoas


Sem qualquer tipo de pretensiosismo, sei que tenho uma cultura acima da média do português comum. Até por ser um "activista cultural" há pelo menos duas décadas.

É por isso que continuo a ter dificuldade em compreender uma boa parte da gente do Teatro, que raramente têm uma perspectiva formativa educativa para as muitas pessoas que vivem de costas voltadas para os palcos. 

Ao folhear recortes de jornais antigos descobri uma frase lapidar de Mário Viegas, que estava longe de ser um adepto do teatro "popularucho e fácil", recolhida numa entrevista que deu ao "Jornal de Letras,em Setembro de 1993:

«Na maior parte das companhias, faz-se um teatro "chato", pretencioso, que procura agradar aos amigos no dia da estreia, aos críticos, aos poderes estatais e não diz nada às pessoas, nem comunica as angústias deste fim de século.»

Nestes tempos de crise, em que muitos actores profissionais foram forçados a arranjar outra ocupação (para não passarem fome ou viver nas ruas...), era bom que uma boa parte dos encenadores e actores pensassem mais nos espectadores e menos nos seus umbigos.

Aliás, eles já perceberam que os subsídios são cada vez mais curtos, que é preciso "inventar" novas formas para conseguir passar a mensagem que, o Teatro também pode ser compreensível e agradável para o público.

O óleo é de David Adickes

quarta-feira, novembro 20, 2013

Finjo que Ainda Leio Jornais


Há já algum tempo que insisto em comprar jornais, para depois apenas os folhear e colocar de lado.

Acho que o defeito não é apenas das notícias de papel, sempre pouco surpreendentes, é também do leitor, cansado do mesmo "filme", dos mesmos "actores", dia após dia.

E hoje até era dia de festa, de futebol, de Ronaldo, de bolas de ouro, de pausa na crise...

E eu em contraciclo...

O óleo é de Emile Bernard.

terça-feira, outubro 29, 2013

Fazer "Batota" com a Vida


A crise que vivemos não é apenas económica e financeira, é sobretudo social e moral. A falta de vergonha e de dignidade dos políticos está a "espelhar-se" cada vez mais na sociedade.

Claro que se fala mais do que o que se faz (há mais gente a dizer que vai começar a mentir e a roubar, que a fazer, e ainda bem...).

E esta crise revela-se em tudo, até nas pequenas coisas da vida. Claro que existem explicações. Se a vida das pessoas fosse um pouco melhor, muitas delas não sentiam necessidade de "acariciar o ego" com a invenção de personagens e de outras vidas, nas redes sociais, por exemplo.

É por isso que nem me armo em "diácomo Remédios", apenas constato com uma realidade, que talvez deixe esta gente feliz...

Só que quando se entra no "salve-se quem puder", vai quase tudo por arrasto.

Não sei se é o "faicebuque" que se mete  mais a jeito, se são as gentes (claro que sei que são as pessoas...), mas não deixa de ser triste a apropriação de textos e fotografias dos outros, utilizando-os como seus, com uma vaidade e uma lata que até chegam a fazer saltar as pedras da calçada.

Não sei se também andam fotografias e textos meus à solta por aí, com "novos donos". Não fico muito preocupado, já percebi que a falta de vergonha e de dignidade vieram mesmo para ficar. A única coisa que sei, é que não é por isso que deixo de escrever, de fotografar e de publicar o que me apetece nos meus blogues.

Afinal também sei outra coisa: a mentira continua a ter perna curta, apesar das crises...

domingo, outubro 27, 2013

Pouco Mais Resta que o Amor


As grandes vitimas deste tempo miserável são as pessoas de idade.

Não são apenas os cortes injustos nas reformas. É também o aumento de rendas, da luz, da água, do gáz. A dificuldade em conseguirem uma consulta médica no centro de saúde onde estão inscritos.

Talvez tenham razão. Talvez estes governantes os querem matar de "tortura", com a passagem dos dias cada vez mais difícil de suportar.

Sabem que pouco mais lhes resta, para além do amor das suas companheiras ou dos seus filhos... 

É por isso que nem querem pensar na vida de todos aqueles que ainda tem de suportar a solidão, cada vez mais amarga e dorida, à medida que os anos passam... 

(se usasse música no "Largo" podia muito bem colocar por aqui uma das várias canções de Lou Reed, cantadas quase como um grito de revolta, perante esta sociedade que deixa cada vez mais a desejar, em sua homenagem...)