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domingo, junho 30, 2019

«A cultura de massas é uma treta!»


O meu amigo Gui continua a ser um libertário, em praticamente tudo na vida.

Da última vez que conversámos, a minha Cidade acabou por vir à baila, assim como a nova gestão do PS e PSD (que continua praticamente invisível, no seu pior sentido, quase a caminho do vazio...).

Mas do que mais falámos foi de cultura, do passado comunista, dos males do "centralismo democrático". Houve uma parte da conversa em que ele se exaltou mesmo e quase gritou: «A cultura de massas é uma treta! Só resulta num batatal e mesmo assim este tem de ser muito cuidado, não pode faltar água e estrume, e nas medidas certas.»

Não que eu precisasse de ser convencido do que quer que seja, mas tentei fazer ver-lhe que havia uma vontade maior de fazer cultura numa cidade como Almada, que nas Caldas da Rainha (eu sei que recorro sempre aos mesmos exemplos, mas são as melhores realidades que conheço, ainda por cima, completamente antagónicas...). Disse-lhe que em Almada havia centenas de escritores, poetas, artistas plásticos, actores, que tinham "bebido" de todo o trabalho realizado através de exposições, acções de formação, peças de teatro, colóquios, etc.

Disse-me que não. E acrescentou: «O que há em Almada é muita gente que tem a mania que é escritor, pintor, actor, escultor, poeta ou realizador. Gente que pensa que basta escrever um livro ou pintar um quadro, para serem reconhecidos como artistas.»

Voltou à cultura de massas para dizer que ela gera sobretudo muita mediocridade. Ainda contra-argumentei que da quantidade é mais fácil surgir a qualidade. Respondeu-me só com uma palavra: «Balelas.» Palavra que voltou a repetir mais duas vezes.

Quando nos despedimos estava longe de estar convencido. Mas à medida que caminhava para o cacilheiro, sabia que estava mais confuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, junho 04, 2019

A Utilização das Palavras "Maior" e "Melhor" na Literatura...


Pensei se devia, ou não, escrever algo sobre a escritora Agustina Bessa-Luís, que nos deixou ontem, fisicamente. Isso acontece por que sinto pela Agustina o mesmo que muito boa gente sente por José Saramago, sou incapaz de a olhar como a "melhor romancista do século XX".

Li apenas três livros da sua autoria ("Os Meninos de Ouro", "Sibila"  e "Aquário e Sagitário"), o último dos quais há quase vinte anos. Provavelmente li-os na altura errada, cedo demais, especialmente a "Sibila", que recordo apenas como um livro de leitura difícil...

E também tenho dificuldade em compreender a Agustina, mulher pública, não pelas suas opções políticas, mas sim por ter aceitado ser directora, primeiro do diário "Primeiro de Janeiro" e depois do "Teatro D. Maria II". Digo isto por que não lhe encontrar qualidades para o desempenho destas funções (o que ficou comprovado no seu exercício...). 

Embora saiba que nestas alturas de despedida é muito fácil usar as palavras "maior" ou "melhor", continuo a ter dificuldade em utilizá-las na literatura, na música ou nas artes plásticas, cuja análise é muito mais complexa que a escolha do "melhor futebolista do mundo", por exemplo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, junho 02, 2019

O "Futebol Total" e o "Futebol da Retranca"...


Há muitos técnicos de futebol que não constroem as suas equipas em função da qualidade dos jogadores que têm. Um desses exemplos é Fernando Santos, o nosso seleccionador nacional. Utiliza quase sempre um modelo de jogo conservador, colocando em jogo os jogadores que lhe dão mais garantias de serem fiéis ao seu "sistema", mesmo que não sejam os melhores...

Eu queria, mas não acredito que o Seleccionador vá mudar, apesar de Portugal jogar em casa, na fase final da primeira "Liga Europeia das Nações". E sei que se ele não mudar, dificilmente ganhará esta competição. 

Se insistir no João Moutinho, como "alma mater" do meio-campo, por muito que reze à Senhora de Fátima e aos pastorinhos, não ganhará à Inglaterra ou à Holanda, na final (sei que primeiro ainda tem de ganhar à Suiça...).

Já pensei mais que uma vez, que estes treinadores ("da retranca") deviam ter sido obrigados a viajar até Barcelona, para conversarem sobre futebol com Johan Cruyff, quando ele ainda "dava aulas"...

E termino com uma questão: quantos treinadores do mundo não gostariam de ter a possibilidade de utilizar Rafa, João Félix, Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, em simultâneo nas suas equipas?

(Fotografia de Luís Eme - Laranjeiro)

quarta-feira, maio 29, 2019

Palavras e Olhares...


Enquanto descia a avenida pelo seu lado mais sombrio (e agradável...), pensava que era capaz de me fazer bem mudar de ares, de estar algum tempo afastado desta cidade onde vivo. Talvez conseguisse ter um olhar mais frio e rigoroso, sobre as pequenas e grandes coisas, que nos vão apoquentado no dia-a-dia...

Vinha de um almoço de trabalho com um amigo pintor, onde houve espaço para quase tudo, até para a "má língua". Abordámos sem medo as mudanças que nos cercam, ditadas, quase sempre, pelos ignorantes do costume. Ele até se culpou do filho ser mais inteligente que esperto, de estar "condenado" a trabalhar para todos estes medíocres  que dominam a história do nosso tempo. Eu não consegui ir tão longe...

Já na Praça São João Baptista, entrei na Oficina de Cultura para ver a exposição que está por lá. A autora estava a conversar com as pessoas que a quiseram escutar. Eu limitei-me a ver as esculturas estranhas e a partir (as minhas palavras de indignação ficaram reservadas para o "Casario")... 

Esta passagem "artística" podia ter sido evitada, pois só serviu para avivar o meu olhar sobre a forma como se tenta apoucar o passado recente de Almada e dos Almadenses...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, maio 22, 2019

Chico (Camões) Buarque


Como não sou um purista, fiquei bastante feliz pela atribuição  do "Prémio Camões" de 2019 a Chico Buarque. 

Também olho para este prémio, para algo que não se limita a ser literário, quer ir mais longe. 

E o Chico vai bem mais longe, e até era capaz de colocar o nosso Luís de Camões a "sambar" de alegria...

(Fotografia de Luís Eme - Constância)

sexta-feira, maio 10, 2019

Escreve-se Porque Sim e Também Porque Não...


Herberto Helder cruzou-se hoje comigo, em dois textos e uma conversa. A única ligação entre estes três acontecimentos foi a sua vocação de recusa, a sua caminhada livre e solitária, para bem longe das capelinhas e dos "capelistas"...

Ou seja, ele foi o que mais ninguém consegue (e quer) ser...

Pelo meio ainda assisti, em silêncio, a uma discussão quase parva, entre dois meninos que dizem ser poetas, dos bons. O com menos cabelo disse que logo que publicassem 10 linhas sobre um livro do outro, no "Jornal de Letras" ou na revista "Ler", ele em vez de destilar ódio e inveja pela "dúzia" de escritores que eram cortejados, mesmo quando os seus livros eram péssimos (a palavra dita cheirava pior...), passava a lamber os "cus" (já tinha reparado que as "botas" tinham sido substituídas nesta velha expressão...) dos críticos.

Quando vinha para casa, voltei a pensar em Herberto e questionei-me por que razão escrevo. Até que me lembrei, que era por que gostava (e também por que precisava, poupando-me dinheiro em qualquer médico de "maluquinhos"...). ponto final.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, março 25, 2019

"O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta" (um título mais que prometedor...)


As pessoas que gostam de literatura conhecem Alberto Pimenta, nem que seja pela sua irreverência e pelo seu querer, de ser único, imune a imitações.

Edgar Pêra, provavelmente por estes motivos, resolveu fazer um documentário sobre esta "peça" rara, que é professor universitário e poeta (sim, e desses, dos malucos, com éme grande...).

O documentário (que quero ver...) vai estar muito pouco tempo nos cinemas (e penso que só no Porto e em Lisboa, e depois, com sorte, em alguns auditórios menos comerciais, que existem de Norte a Sul...). O título é todo ele um tratado de humor e um bom chamariz, para quem ainda não conhece este homem de baixa estatura, mas capaz de "cair com estrondo", em qualquer lugar. Sim, "O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta", só por si, dispensa apresentações (grande Pêra...).

Não estou à espera de uma "biografia", mas sim de um documentário onde o Alberto Pimenta se deve recriar, no seu melhor. Até porque se trata de um filme com imagens de vários tempos, de várias performances do "artista" Pimenta, onde o humor e a diferença estão sempre presentes. Talvez até seja capaz de se sentir melhor em frente à câmara que um peixinho a nadar no interior de um lago cheio de delícias e tentações...

(Fotografia de autor desconhecido)

sábado, março 23, 2019

A Tal Amizade, sem Medida...


Ao longo dos últimos vinte anos participei em dezenas de lançamentos de livros. Quase sempre de amigos. 

Em mais de uma dúzia escrevi prefácios e fiz a sua apresentação. Mas também aconteceu, mesmo sem ser o apresentador da obra, os autores, amigos, fazerem questão que eu estivesse presente na mesa de honra, para lhes oferecer algumas palavras. É quase sempre uma forma de agradecerem a amizade (mesmo que esta não se agradeça...) e também o apoio que oferecemos à edição.

Nos últimos tempos recusei esta "honra" meia-dúzia de vezes. Não só achei que não fazia sentido (não devemos nos repetir  e mostrar em demasia...), como também senti que faltava a "chama da amizade", que nos faz fazermos, até o que não nos apetece, pelos amigos... 

É, a algumas pessoas quase nunca somos capazes de dizer não. E ainda bem que isso acontece (como hoje, por exemplo...). É sinal de que a amizade que sentimos por elas é tão grande, que não nos dá espaço para pensarmos em coisas pequenas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, março 11, 2019

As Farsas em que Entramos, quase Sempre sem Sabermos...


Embora seja cada vez menos surpreendido pelas coisas que se passam à nossa volta, às vezes descubro frases cuja pertinência me faz pensar, mais um pouco...

No meu trabalho de investigação descobri, por um mero acaso, uma frase da autoria de Jorge Calado, com mais de 15 anos (do suplemento "Actual" do Expresso, de 6 de Setembro de 2003), que é reveladora do nosso mundo demasiado curto, onde o "amiguismo" continua a ter um peso decisivo, especialmente quando falamos de nomeações, escolhas ou prémios. Mas vamos lá à frase:

«A exposição é suposta cobrir o século XX, mas o que descobre são os interesses promiscuos e nepóticos duma máfia internacional de conservadores, comissários, galeristas, artistas, críticos que se protegem, elogiam e rentabilizam uns aos outros.»

A exposição em causa era sobre fotografia, mas poderia ser de artes plásticas. Mas as palavras poderiam ser deslocadas para as ruas da literatura, do cinema ou do teatro (e nem vou aos "bairros" da política ou do futebol...).

Claro que acaba por ser um drama, percebermos que quando concorremos a qualquer concurso, o vencedor já poderá estar escolhido. E estamos apenas a participar numa farsa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, dezembro 08, 2018

Fotografia, Razões e Emoções no Chiado


Hoje estive no Museu de Arte Contemporânea do Chiado, para ver a exposição "Carlos Relvas (1838 - 1894) Vistas Inéditas de Portugal" e para participar na sessão de retratos em cenário de época, através do processo fotográfico do século XIX, realizado pelo Silverbox Studio.

Não menos agradável foi visitar a exposição, "Arte Portuguesa, Razões e Emoções", que faz uma viagem pelas artes plásticas dos últimos 150 anos, com mais de 200 obras de quase 100 artistas.


Gostei particularmente da forma como as obras estão expostas, quase em módulos (sete): "Espelho de Almas";  "O Poder da Imagem"; "Uma Cultura Moderna"; "Cuidado com a Pintura!"; "Formas de Comunicação e Contestação"; "Linguagens e  Experimentação" e "Pós Moderno".

Apetece-me destacar as obras de Tomás da Anunciação (merecido pela sua qualidade e por se comemorar este ano o bicentenário do seu nascimento). Almada Negreiros também é especial, assim como Jorge Vieira, cujas esculturas são únicas. 


Deixo para o fim uma curiosidade, também está em exposição uma obra do poeta Alexandre O'Neill (um desenho a tinta da china com colagem, dos seus tempos surrealistas).

(Fotografias de Luís Eme)

terça-feira, novembro 27, 2018

«Bom Dia Cinema Italiano»


Quem gosta de conversar sobre as culturas comentou com alguma naturalidade o desaparecimento de mais um Mestre do cinema Italiano, e Europeu, Bernardo Bertolucci. Mesmo os que só o conheciam de "O Último Tango em Paris", um dos filmes mais vistos e revistos  no calor da Revolução de Abril, quando as senhoras de negro, entre outras coisas, fingiram deixar de criticar as mulheres que usavam saias ligeiramente acima do joelho.

Houve alguém mais pessimista (o Carlos segundo) que falou na colocação de mais um prego no cinema europeu. Eu não concordei, e o Gui também não.

Ambos sabemos que quando desaparece um realizador (ou um escritor...) a sua obre emerge, mesmo que seja apenas por breves momentos. Pelo menos durante esta semana vai-se falar do Tango mais popular do cinema, mas também do "Último Imperador" e com sorte de outras obras, como "1900", "Os Sonhadores" ou "O Conformista".

Neste caso especial parte-se ainda para o "geral", recordam-se outros "monstros sagrados" da Sétima Arte, que deram luz e movimento aquela que continua a ser a "melhor escola de cinema europeia": Fellini, Rosellini, Antonioni, Visconti, Tornatore, Scola, Pasolini, de Sica ou Leone (quase que me apetecia meter Scorcese nesta lista...). Assim como os seus melhores filmes italianos.

Mesmo que seja apenas por um dia, quando um realizador ou escritor desaparecem, a sua obra ganha vida (e como acontece com os cidadãos anónimos, ele também se torna melhor pessoa...).

quarta-feira, novembro 21, 2018

A Cultura que não Enche Barriga...


Infelizmente as coisas não mudaram assim tanto, especialmente para os idealistas.

Não faltam por aí casos de gente ligada à cultura que passa mal, ou pelo menos que não se bate com regularidade com um bom bife carnudo, ou até com um pires de camarão, ainda que este se tem popularizado com o tempo...

Pensei nisto ao ver mais um episódio da excelente série portuguesa, "Três Mulheres", um bom retrato de época. Talvez não exista muita gente com a lata do Luiz Pacheco, sempre pronto a cravar "vinte paus" aos amigos e conhecidos, ou de Fernando Ribeiro de Mello (bem publicitado na série, que ia petiscar os célebres bifes do "Império", à conta da poeta Natália Correia...).

Talvez hoje existam mais exemplos, como o do pintor Manuel Ribeiro de Pavia, que escondia a pobreza em que vivia, até dos amigos, que apenas estranhavam a sua magreza, dia após dia... e nos abandonou com apenas 50 anos, vitima de pneumonia.

Isto acontece por que uma boa parte dos criadores têm dificuldade em vender o que fazem (e ainda mais em venderem-se...), pelo menos os idealistas.

(Fotografia de Luís Eme - mosaicos de um prédio da Graça)

domingo, novembro 18, 2018

Almada, Lisboa, Saramago e Ricardo Reis...


A chuva não foi a melhor amiga do "3º. Encontro Ibérico de Leitores de Saramago", que decorreu de sexta a domingo, em Almada (e Lisboa, claro...).

Houve algumas coisas no sábado que eu queria escutar na Biblioteca José Saramago, no Feijó, mas que acabaram por não serem possíveis, por compromissos familiares.

Mas hoje não me assustei com a chuva matinal e fui mesmo até Lisboa, fazer uma "Viagem com Saramago", que se iniciava na sua Casa e se prolongava pelas ruas da Capital, num percurso a partir de "O Ano da Morte de Ricardo Reis".


Apesar da espera quase grande à porta (pelo menos para um dia de chuva...), valeu a pena aparecer, pela simpática e alegre recepção de Pilar - muito mais simpática e agradável ao vivo que na televisão - e dos funcionários da Fundação.


E quando voltámos à rua, a chuva (embora suave...), também quis fazer o percurso connosco. Um percurso agradável, diga-se de passagem, guiado pela Idália, que muito nos contou sobre o Ricardo Reis de José Saramago.

(Fotografias de Luís Eme)

terça-feira, novembro 13, 2018

Uma (boa) Rota de Vida...


Hoje, ao fim da tarde será apresentada na Biblioteca do Palácio Galveias, a biografia de José Saramago, assinada por Joaquim Vieira.

Pelo que li na notícia publicada no DN, assinada por João Céu e Silva, é uma obra extremamente importante, e única (até agora...), pela abordagem diferente que faz do nosso Nobel da Literatura. 

Deixo-vos duas transcrições da peça jornalística:

«O biógrafo Joaquim Vieira faz um levantamento exaustivo do seu percurso de vida com recurso a inúmeras entrevistas de quem o conheceu ou trabalhou com ele, revê estudos e investigações de outros sobre o biografado, e escreve o mais longo trabalho que Saramago teve até agora sobre a sua vida e obra. Que esclarece bastantes pormenores de uma vida que foi dourada por amigos, contestada por inimigos, maltratada por estudiosos da literatura das últimas décadas, analisada com despeito ideológico por alguma crítica literária e até amaldiçoada por várias figuras governativas pouco esclarecidas.»

«A melhor notícia é que esta biografia escapa à hagiografia habitual dos que estavam próximos de Saramago e dos que lhe estão ainda. Não retira um ponto da sua vida ideológica como se vai tentando esbater, não ignora a sua roda-viva emocional que colegas seus fazem questão de debicar em sussurro, não passa ao lado das invejas na vida editorial que o "jovem" Saramago tem de enfrentar quando se tenta aproximar dos "grandes" durante o anterior regime, não esquece as duas primeiras mulheres nem o papel de Isabel da Nóbrega nos primeiros grandes sucessos de Saramago.»
                                                  

sexta-feira, novembro 09, 2018

«Lembrem-se sempre, que a cultura faz bem à alma»


As culturas e as artes quando se discutem, quase como o futebol, são mais problemáticas do que o que parece, por vezes só falta mesmo voarem as "cadeiras do costume".

Há quem pareça ter saudades do século XIX e da primeira metade do século XX, em que o mundo das artes estava ao alcance apenas de uma minoria instruída e cultivada, como o Rui.

Não valeu de nada dizer que o teatro amador já existia no século XIX, muitas vezes interpretado por homens e mulheres analfabetos, que decoravam os textos oralmente... Muito menos que as coisas da cultura sempre foram apelativas e que não foi agora que se "inventou" gente sem jeito, a querer ser o que não é...

O Ricardo falou do futebol do tempo do avô, que quase não tinha espectadores, porque o que toda a gente queria era jogar... e acrescentou, que daqui a uns tempos os "saramagos, os "pomares" e os "cintras" se iam cansar, de escrever, de pintar ou de teatrar.

Nenhum de nós acreditou muito nisso. 

Percebe-se que estamos a passar por um retrocesso civilizacional na sociedade, além da falta de sentido estético e crítico, há sobretudo falta de rigor e de pudor.  Foi por isso que o Gui disse, que nunca se viveu tanto na "mentira" como hoje (sem  falar em "trumpadas"...). E foi ainda mais longe que qualquer um de nós: «já repararam que nunca foi tão fácil copiar e roubar o trabalho dos outros? Vai-se à internet e rouba-se um texto alheio e finge-se que é nosso com a maior das descontracções. Sem sequer ter de se escrever nada, é só copiar e colar.»

Foi quando o João acalmou a mesa: «lembrem-se sempre, que a cultura faz bem à alma.»

O mais curioso, é que depois desta conversa, atravessei o rio e já no centro de Almada, descobri a exposição de que falei ontem. 

E todos aqueles trabalhos artísticos, feitos por pessoas com deficiência, têm de ser entendidos como uma coisa boa (sem pensar em ética e estética...). O João tem toda a razão: a Cultura faz bem à Alma...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 08, 2018

"Arte e Criatividade" em Almada


Uma das exposições que gosto sempre de ver na Oficina de Cultura de Almada é a do concurso "Arte e Criatividade", que nos mostra a arte e a sensibilidade das pessoas com deficiência do Concelho.

Gostei de tudo, mas achei "O Quintal da Alegria" (fotografia), um trabalho colectivo da Associação Alma Sã, especial...

(Fotografia de Luís Eme) 

sexta-feira, novembro 02, 2018

O Mau Teatro Português (e o dos Outros...)


Um texto publicado no "D. Notícias" assinado por Maria João Caetano sobre a peça "Worst Of" do Teatro Praga fez-me pensar nestes tempos, e também sentir curiosidade, e querer ver o espectáculo.

Segundo a jornalista, os actores dizem estas coisas:

«Não quero nada disto. Cheira mal, faz-me mal. E ainda por cima faz-me sentir vergonha", diz a actriz São José Correia. "E não é só do século passado, é de agora. Está a acontecer agora. É tudo tão triste", acrescenta o actor Rogério Samora. "Isto devia acabar tudo. O pior é que fica." E ainda falta entrar a mais veterana de todas, a actriz Márcia Breia, bradando: "Que merda. Isto é uma grande merda." De que falam? Do teatro português. Do mau teatro português.»

Eu não sei muito bem o que é o mau teatro português. Claro que percebo que a utilização de peças dos três portugueses, que são considerados os nossos grandes dramaturgos (Gil Vicente, Almeida Garrett e Bernardo Santareno), no mínimo pode ter várias leituras (além de serem mais fácil de "usar"...). O que sei, é que os nossos encenadores usam e abusam de textos estrangeiros, e muitos deles, são como a Márcia Breia "brada"... e pior, não têm nada a ver connosco.

Este também era um bom tema para uma peça, brincar com os nossos "teatreiros estrangeirados", que devem ter gatas em casa que tocam piano e falam francês...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 07, 2018

O Olhar Masculino e o Olhar Feminino...


Se no caso da sentença recente que suspendeu a pena dos dois violadores, penso que não há diferenças de género, na forma como se olha a aplicação (absurda) da lei, já na alegada "violação" de Cristiano Ronaldo em Las Vegas, há pelo menos dois olhares: um masculino e outro feminino.

Coloquei aspas na palavra violação, porque me parece que se trata sobretudo de um acto de violência sexual, e não tanto de violação. Pelo menos na forma como normalmente se entende a violação.

Embora neste caso particular Cristiano Ronaldo tenha recebido muitos apoios femininos entre nós (é o sentido patriótico a falar e também alguma fobia contra a prostituição...), normalmente a resposta das mulheres é sempre a favor da mulher. E neste caso particular lá aparece novamente a palavra "não", que nos últimos tempos passou a ser mesmo "não"...

Os homens têm sempre tendência para relativizar a questão. O "velho macho", até é capaz de dizer "abençoado", ou "grande homem". Outros, mais identificados com Las Vegas, a Capital do jogo e do prazer, dizem que Ronaldo pagou pelo "serviço completo", ponto final.

Outros ainda, mais legalistas, falam sobretudo em extorsão. Sim, acham que o exame médico feito depois do serviço, não foi realizado por acaso. Muito menos a tentativa de extorsão em forma de leilão (que acabou por resultar, não no quase um milhão pedido inicialmente, mas sim de 323 mil euros pagos, depois da assinatura de um acordo de confidencialidade).

Claro que falo de homens. Não estou a falar de simpatizantes do movimento #me too, pois estes também pedem a "cabeça" de Cristiano Ronaldo, sem dó nem piedade.

As mulheres "justiceiras", começam por falar de uma professora (que deveria estar ali por engano e que deve ter subido ao quarto de Ronaldo apenas para ver as vistas...) e nunca de uma "rapariga de programa" (para não lhe chamar outra coisa...). Depois falam de sexo não consentido, relevando a palavra "não". E por fim, falam da "tragédia" que se seguiu na vida desta mulher depois do episódio:  contusões anais, stresse pós-traumático, depressão, comportamento errático, ansiedade, etc.

Sem a conhecer de lado nenhum, apenas questiono, se a sua presença "em trabalho" numa discoteca em Las Vegas e a visita à suite de Ronaldo, não são já mostras de um comportamento errático (antes de se cruzar com o agradável "pé de meia" português...)

Claro que não faço ideia do que irá acontecer amanhã e nos dias seguintes. Sei sim, que Cristiano Ronaldo tem contra si, o facto de ser uma das personalidades mais populares do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 30, 2018

Um Outro "Cine Futebol Clube"...


Através de Miguel  Carvalho e da "Visão", tomei conhecimento da realização na cidade do Porto da terceira edição do "Cine Futebol Clube" (ontem e hoje).

O Miguel explica-nos que este é: «Um festival de estádio cheio onde o jogo é apenas o pretexto para ler as máscaras feridas, laços e imaginários que atravessam o planeta.»

Escolhemos as palavras que escreveu sobre Bagdah Messi, que foi filmado em cenário de guerra por Sahim Omar Kalifa. Filme que já venceu 12 prémios internacionais e foi seleccionado para os Óscares (é exibido hoje à noite no "Hard Club"):

«No Iraque devastado, o pequeno Hamoudi tem apenas uma perna, mas dois sonhos, jogar futebol e conseguir ver, pela televisão, a final da Liga dos Campeões entre o Barcelona de Messi e o Mancester United de Cristiano Ronaldo.»

(Fotografia de autor desconhecido do pequeno Hamoudi, que por razões óbvias deve ter sido "empurrado" para a baliza - retirada da "Visão")