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sábado, junho 08, 2019

«Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»


Não sei se é coisa com mais de quarenta anos, mas acho que sim. Até por que já ouvi histórias sobre as escolhas e nomeações de ministros e secretários de estado dos governos provisórios  - nem vale a pena falar de outros cargos menores -, que cabem que nem uma luva no anedotário nacional. Do género de telefonaram para a casa de alguém às duas da manhã a perguntarem se queriam ser isto e aquilo, e que tinham de dar uma resposta às nove da manhã (muitas vezes eram cargos com pastas sobre as quais não tinham perdido mais de cinco minutos da vida...). A maioria refugiava-se na tese de que "era a oportunidade de uma vida" e não queriam saber de mais nada...

Sei sim, que foram raros os homens e mulheres que tiveram a coragem de dizer, não, por saberem que não "cabiam naqueles fatos"...

Infelizmente esta história não se ficou pelo "país provisório" do Verão Quente, continuou a repetir-se até actualidade. 

A coisa mais fácil de fazer na política é uma lista de ministros, secretários de estado, presidentes de câmaras, e vereadores, medíocres e incompetentes (alguns ainda acrescentaram ao currículo adjectivos ainda menos abonatórios, e só não estão na prisão porque a nossa justiça é o que é...).

Do que não faço ideia, é se essas pessoas alguma vez se questionam, sobre o mal que fazem ao país, quando deixam que os seus interesses pessoais, do partido e dos amigos,  se sobreponham aos interesses de todos nós...

Comecei a escrever e como de costume fui andando... quando na conversa que tive com dois amigos, apenas falámos dos ministros da administração interna, da educação e da saúde.

E o Pedro numa frase disse tudo: «Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, maio 09, 2019

A Ficção Dentro dos Sonhos...


Normalmente os meus sonhos não têm grande nexo, nem são muito fáceis de "colar" à realidade.

Curiosamente esta última noite aconteceu-me uma coisa inédita. Sonhei uma ficção, com uma nitidez que até me forçou a acordar, para a deixar registada em papel (não a queria perder por nada...).

Vou contar: vejo-me a entrar no portão da velha casa dos meus avós maternos e depois continuei a andar, pela casa dentro. Sou surpreendido por um homem, a quem me desculpo pela "invasão", dizendo que aquela era a casa dos meus avós... Foi quando resolvi acabar com o sonho.

O curioso é tratar-se de uma impossibilidade, pois a casa nunca foi habitada por ninguém, depois de a avó ter ido viver para a casa de um dos meus tios... E posteriormente foi destruída pelos novos proprietários (centro paroquial...) e hoje é um campo aberto.

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos - a última vez que entrei na casa dos meus avós, em 2010. Já não nos pertencia e estava em ruínas. Mesmo assim acabei por entrar  para tirar as suas últimas fotografias...)

quinta-feira, maio 02, 2019

Conversas, Queixas e Coisas Loucas...


Nos últimos tempos ouço muitas queixas sobre os outros, essa imensidão de gente.

Reparo que fico mais vezes calado, também com pouca vontade de ouvir. Sei que me falta aprender a levantar das cadeiras ou bancos, atrás de qualquer coisa imaginária, deixando os outros de boca ou de olhos abertos à espantalho...

Falando mais a sério, acho que não mudámos assim tanto. O que mudou foi o "mundo à nossa volta".

Sim, faz-me confusão escutar algumas pessoas que têm o facebook, a dizerem mal desta rede social. É quase como as pessoas que gostam tanto de espreitar pelo buraco da fechadura, como de criticar o que vêem...

Sabia que podia ser possível chamar "puta" a uma mulher dentro de oitenta comentários, utilizando oitenta palavras diferentes. Mas não acreditei. A imaginação é outra coisa... Mais parecida com querer ter asas e voar.

Mas não deixa de ser triste, que a cobardia comece a ser mais celebrada que a coragem, da mesma forma que a mentira tente deixar de ter pernas curtas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, novembro 07, 2018

A "Tralha" que se Guarda...


Nós que vivemos em pequenos apartamentos, guardamos muitas vezes coisas que, além de "sobrarem", ocupam demasiado espaço e... inevitavelmente, passados tempos, acabamos por "esquecer" a sua existência. E não falo apenas de livros...

O que seria de nós se tivéssemos uma grande herdade, com dois ou três armazéns enormes, capazes de guardar coisa como um "carrossel mágico" ou até uma "montanha russa"...

Não pensem que exagero. Um homem recentemente falecido, tinha um armazém que era o seu espaço de sonhos e de alguma magia, onde ia acumulando coisas de que gostava e comprava em feiras de velharias, quase sempre para recuperar, mas o maldito tempo, o seu "principal inimigo", nunca lhe deu tréguas.

Dos seus quatro filhos apenas a Margarida sabia deste passatempo do pai, porque o acompanhara mais que uma vez a estas feiras, que misturam memórias com objectos. Mas estava longe de imaginar o que iria encontrar dentro de um dos armazém da quinta... 

Sabiam apenas que o outro armazém tinha umas duas dúzias de carros (o pai nunca se desfizera de nenhum carro da família, havia um mercedes dos anos cinquenta que fora do avô, mas também uma charrete de luxo que vinha do século dezanove, que ninguém sabia ao certo a origem...), porque os irmãos desde pequenos que gostavam de passar por lá e brincar às escondidas do pai. Agora o outro, só ganhou forma depois de 1974. O pai começou por guardar peças de trabalho da lavoura, entretanto substituídas por máquinas... mas quando deu por ela, tinha um verdadeiro "museu" de relíquias...

Toda esta conversa, porque de todos estes objectos, há um que acaba por ser especial e do qual já falei: o carrossel mágico, que quase lhe foi oferecido, por estar a ocupar demasiado espaço na família de um antigo feirante. Ele sempre pensou em recuperá-lo. É quase todo feito em madeira e ainda sobressaem algumas cores decorativas, especialmente as dos animais (zebras, girafas, cavalos, tigres, etc,) da selva.

E agora esta recuperação passou a ser o sonho do Miguel (filho da Margarida...). Está apostado em tornar real a vontade do avô...

(Fotografia de Luís Eme - foi o que encontrei mais parecido com um "carrossel mágico", embora este seja quase moderno)

segunda-feira, novembro 05, 2018

Ter e Não ter Dinheiro...


Ontem tive uma conversa pouco vulgar, por uma razão simples: o dinheiro normalmente está distante das minhas conversas com gente amiga (bastam as que somos obrigados a ter por causa do "orçamento familiar"...).

Falei com alguém que costuma misturar os sonhos com o dinheiro, coisas que nem sempre casam muito bem... porque a vida está longe de ser uma coisa linear.

Tudo o que ela sonhava e queria fazer, só era possível com uma quantidade quase grande de dinheiro, algo que só estava ao alcance de uma pequena minoria da nossa sociedade.

Foi buscar o filme da sua vida e depois andou  com ele para a frente e para trás, ao mesmo tempo que fazia comentários, quase sempre pouco felizes. 

No final o que sobrou foi uma enorme frustração, por não ter conseguido chegar a quase nenhum dos seus sonhos (gigantes)...

Quando nos despedimos fiquei a pensar na conversa e percebi que o dinheiro nunca esteve directamente ligado à maior parte dos meus sonhos, talvez por não sonhar demasiado alto... 

Mas claro que é melhor ter dinheiro, que não ter. 

É bom viver sem se ter a carteira vazia. É importante ter dinheiro para fazer coisas tão simples como comprar o livro que nos apetece, poder jantar num lugar agradável, ou, oferecer um presente a alguém de quem gostamos...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 13, 2018

As Vaidades e os Masoquismos dos Governantes


Desde o início que se percebeu que o ministro da Defesa, não tinha nada que ver com aquela pasta e com aquele mundo (provavelmente a escolha do primeiro-ministro já foi feita com esse sentido, para que se fingisse que se fazia alguma coisa, sem se fazer coisa nenhuma...).

Mas os imponderáveis, como o "roubo de Tancos", são tramados...

Só não percebo é porque razão as pessoas (muitas mesmo...) aceitam ser ministros, de matérias que desconhecem, e não demonstram grande interesse em conhecer, para lá dos "dossiers"... Se calhar até percebo: a vaidade de um dia se ser ministro de qualquer coisa, ultrapassa todas as lacunas, possíveis e imaginárias, especialmente num país que continua a viver sobretudo das aparências.

E quem normalmente acaba por ser prejudicado com todos estes "jogos políticos", somos nós, portugueses...

Também não entendo por que razão, os ministros não abandonam os cargos, quando toda a gente percebeu (até eles...), que estão ali a mais. Parece que preferem ser "queimados vivos", como é a vontade do primeiro-ministro, que só aceita demissões, depois dos seus "muchachos" estarem bem "chamuscados" (sim, que este caso, é apenas uma repetição do que se passou com a ministra da administração interna).

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 30, 2018

Um Outro "Cine Futebol Clube"...


Através de Miguel  Carvalho e da "Visão", tomei conhecimento da realização na cidade do Porto da terceira edição do "Cine Futebol Clube" (ontem e hoje).

O Miguel explica-nos que este é: «Um festival de estádio cheio onde o jogo é apenas o pretexto para ler as máscaras feridas, laços e imaginários que atravessam o planeta.»

Escolhemos as palavras que escreveu sobre Bagdah Messi, que foi filmado em cenário de guerra por Sahim Omar Kalifa. Filme que já venceu 12 prémios internacionais e foi seleccionado para os Óscares (é exibido hoje à noite no "Hard Club"):

«No Iraque devastado, o pequeno Hamoudi tem apenas uma perna, mas dois sonhos, jogar futebol e conseguir ver, pela televisão, a final da Liga dos Campeões entre o Barcelona de Messi e o Mancester United de Cristiano Ronaldo.»

(Fotografia de autor desconhecido do pequeno Hamoudi, que por razões óbvias deve ter sido "empurrado" para a baliza - retirada da "Visão")

quarta-feira, maio 30, 2018

«Um dia quero apanhar um barco daqueles»


Não a conhecia de lado algum.

Mas ela mesmo assim, não quis deixar de me confidenciar um quase sonho seu: «Um dia quero apanhar um barco daqueles».

Sorri-lhe depois de tirar a fotografia. Não sei porquê mas não lhe ofereci qualquer palavra...

Entretanto voltámos a seguir caminhos opostos, eu para Cacilhas, ela para a Fonte da Pipa, a não querer perder de vista o paquete que se despedia de Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Este Podia ser o Meu Moinho Azul...

Na minha fase pré-adulta cheguei a ter o sonho de alugar um dos moinhos que um dos meus tios tinha recuperado. Como nessa altura era, entre outras coisas, aprendiz de ofsett, até me fizeram uns cartões de visita, com a morada do meu "moinho azul" (não sei onde estão, nunca mais os vi)...

Claro que a vida deu uma data de voltas e nunca cheguei sequer a passar férias no moinho...

Este moinho da fotografia, fica aqui na Margem Sul, num terreno aparentemente agrícola, que nem faço ideia de quem é o dono, com uma vista fabulosa, para o melhor rio do mundo, e claro a Lisboa já mais ocidental, a caminho de Belém e Algés.

E podia muito bem ser o tal "moinho azul" dos meus sonhos de quase menino...

(Fotografia de Luis Eme)

sábado, janeiro 06, 2018

Vidas que Dão Filmes, Filmes que Dão Vidas...


Sim, é verdade (provavelmente estou a repetir-me...), o cinema possui todas as nuances para funcionar como o espelho das nossas vidas. Tem a vantagem de não estar circunscrito a um palco, como sucede no teatro, ou apenas à imaginação do escritor, como acontece com os livros.

Pode utilizar o espaço e tempo de uma forma quase infinita, com guiões e personagens que se confundem com as do mundo que nos rodeia, ao ponto de ficarmos confusos e não sabermos muito bem (tal como na vida...), onde acaba a ficção e começa a realidade.

O mais curioso é sentir, à medida que o tempo passa, que esta fronteira é cada vez mais ténue.

Se por um lado sinto que há personagens da vida real que se inspiram nos filmes, para quase tudo, desde coisas simples como a forma como se vestem, como circulam nas ruas ou dialogam com os outros, a coisas mais complicadas, como ser "capa de jornal" pelos piores motivos. Por outro lado descubro na tela gente que podia muito bem saltar da fita para as ruas, pois são mesmo gente como nós...

domingo, dezembro 03, 2017

«Ser anarquista não é ser bandalho nem porco. Nunca foi!»

O homem com mais de oitenta anos não suportava as confusões que se faziam à volta do movimento anarquista.

Quando ele disse na sala: «Ser anarquista não é ser bandalho nem porco. Nunca foi!», levantou alguns sorrisos. Mas ele estava a falar a sério. Incomodava-o que andassem a desvirtuar o movimento pela qual sempre lutou e acreditou.

Sempre gostou de viver bem com a natureza, de tomar banho e de se vestir confortavelmente. Não usava o preto ou o branco, nem andava a sujar paredes ou a insultar agentes de autoridade, apenas porque lhe apetecia. E também não cheirava mal dos pés à cabeça, com a desculpa de que não se podia esbanjar água, esse bem precioso. 

Tornou-se anarquista por uma questão muito simples: nunca gostou de ser explorado, sempre detestou patrões e poder.

Foi por isso que antes de partir resumiu parte da sua vida «Sei que ganhei menos dinheiro do que podia e devia. Foi uma opção pessoal, preferi fazer mais vezes aquilo que queria mesmo fazer, do que ser escravo do dinheiro ou do trabalho.»

(Fotografia de Ferdinando Scianna)

terça-feira, novembro 21, 2017

A Falsa Fábrica de Sonhos....

No fim do descampado lá surgiu o velho barracão, ainda com alguma imponência, mas sem portas ou janelas. Ainda era visível a chapa ferrugenta com o nome da segunda vida, como "casa de sonhos", sem esconder que no passado fora uma fábrica de tijolos. 

Os donos fartos de saber que as discotecas passavam de moda rapidamente, fizeram um investimento quase curto. Depois de ser discoteca, ainda foi quase um "templo de rock alternativo", com música ao vivo às sextas.

Foi lá que o Rui e a malta da sua banda fizeram a estreia em concertos ao vivo. Quem os ouviu diz que tocavam bem, com o Rui a cantar em português (foi lá que cantou uma letra da minha autoria,  a "Viagem"...). Gostavam de tocar, de se juntar e criar. Não pensavam em discos, muito menos em ganhar camiões de dinheiro. Pelo exemplo do Rui, penso que nunca se levaram a sério, foi por isso que nem sequer pensarem em abandonar os seus empregos tristes. 

Pouco tempo depois o barracão foi obrigado a fechar por estar completamente "fora da lei". Não foi difícil de perceberem que o "fim" estava um pouco à frente, depois da esquina.

Não se chatearam, simplesmente acharam que aquela brincadeira musical foi perdendo a graça, provavelmente por não terem encontrado qualquer estrada com setas para o futuro. Começaram a vender o material da banda e prometeram deixar de sonhar por uns tempos... pelo menos sonhos com som.

Lembrei-me desta história por ter passado ao pé da velha fábrica e por saber que o Rui não voltou a tocar e a cantar, nem mesmo no banho (pelo menos é o que ele diz)...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

domingo, outubro 08, 2017

(Ainda) Todo este "Teatro" Imposto pela Vida...


A vida está cada vez mais teatral. Cada vez somos mais personagens e menos aquele sujeito, que reconhecemos de longe a longe, quando nos pedem o Cartão de Cidadão e fazem algumas perguntas de cariz mais pessoal.

Talvez seja por isso que quase todos correm na direcção da fama (cada vez mais cedo), da televisão ou até dos computadores, onde se pode ser importante e ter muitos seguidores, com a aposta nas redes sociais.

Trabalhos passageiros (e até precários...) fazem com que possamos ser muito mais pessoas ao longo da vida, tornando a vida menos monótona, mas também muito mais stressante e desequilibrada.

Não se tem "tempo" para coisas tão básicas (pelo menos até meados do século passado), como pensar em casar e ter filhos. 

Muita gente crítica a juventude, por não ter objectivos. Então, e todo este "teatro" imposto pela vida?

Como é que se pode querer que toda esta gente a quem roubaram o futuro, pense no futuro?

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 20, 2017

O Pescador da Romeira e o seu Fiel Amigo

Este foi um dos "bonecos" a que achei mais graça da vasta "colecção" que dá vida aos muros das fábricas abandonadas do Caramujo e arredores.

O pescador entre o sonhador e o sonolento, sentado a pescar e a "cachimbar" na companhia do seu fiel companheiro, iluminado pelo Farol de Cacilhas, que passou a ter uma nova função, oferecer a luz de palco aos peixes...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 03, 2017

A Ficção está Sempre Colada à Realidade...


(pequeno diálogo de um conto que escrevi, inspirado numa história real)

Dois amigos discutem por causa de um caso quase bizarro. Um terceiro amigo tinha encontrado a namorada dentro de um carro a fazer sexo com um colega de trabalho. Pacífico por natureza limitou-se a ligar a lanterna do telemóvel e a apontar-lhes a luz para os olhos, a querer dizer-lhes «estou aqui a ver o espectáculo, não foi ninguém me contou». 
O mais grave da coisa é que era um daqueles namoros que apostavam no casamento, já com casa escolhida, etc.

O mais irritado dos amigos disse: 

- Há coisas que eu sei. Nunca fui nem irei para a cama com a mulher de um amigo. Se ela me aparecesse à frente, nua e num posse convidativa, virava-lhe as costas.

O mais brincalhão quis retirar algum dramatismo à conversa e acrescentou:

- Estás a dizer isso porque sabes que nenhuma namorada ou mulher de um amigo teu vai querer ir para a cama contigo.

(Escolhi este óleo de Pablo Santibanez Servat, porque foi publicado com o texto «Não tens frio?», que continua a ser a "posta" com mais visualizações  - milhares, o que a nudez faz... - de sempre do "Largo")

segunda-feira, abril 10, 2017

A Procura dos Campos Abertos...

Era demasiado pequeno para perceber o porquê da procura de campos abertos, por parte dos tios e dos amigos que andavam quase sempre com as violas e as cantigas coladas ao corpo, naquele começo dos anos setenta do século passado...

Além de ser quase a "mascote" daquela juventude inquieta, já era livre por natureza. Foi por isso que só alguns anos depois, já no País de Abril, percebi aquela procura dos campos abertos, longe das árvores...

Eles não corriam riscos, era por isso que andavam quase sempre mais que a conta (enquanto eu saltitava de cavalitas em cavalitas) e falavam e cantavam, com a certeza que não havia qualquer "bufo" ou agente da PIDE nas imediações...

De vez em enquanto as conversas regressam  a esses tempos, onde também se ensaiaram algumas fugas, com cada um a escolher o seu caminho, porque qualquer estranho que aparecesse, era um potencial inimigo.

E eu confesso sempre, que pensava que tudo aquilo não passava de uma brincadeira, com miúdas e música...

(Óleo de Claude Monet)

Nota: Esta semana vai ser dedicada ao "Abril-Revolução", com pequenos relatos sobre o quotidiano de pessoas especiais, cuja simplicidade, por vezes, até faz doer...

sexta-feira, março 31, 2017

As Vozes Amigas da Televisão

Embora não conseguisse olhar para a televisão como aquela senhora que vivia sozinha, compreendia-a muito bem. A "caixa mágica" era o único espaço que ela conhecia capaz de lhe oferecer vozes e rostos amigos, sempre prontos para oferecer sorrisos e palavras simpáticas a milhões de pessoas solitárias como ela.

Foi por isso que guardei as palavras "alienação" e "manipulação" no bolso.

Sei que é sempre mais fácil criticar que dizer bem, faz parte da nossa natureza...

Claro que me incomodava que ela pensasse que tudo aquilo que saía da "caixa" era verdadeiro e genuíno, mas não seria eu que lhe iria dar cabo dos seus sonhos tardios.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Emigrantes & Estrangeirados


Viver num outro país, vai-nos transformando, quase sem darmos por isso. A cultura entra dentro de nós, quase de uma forma invisível.

Não esqueço o telefonema assustado de uma amiga, que trabalhou durante uns tempos em Londres, sobre a primeira vez que sonhou em inglês...

Há pouco tempo li uma entrevista de uma professora, que estudara em Inglaterra, e que também contou o mesmo episódio, mas sem o dramatismo da minha amiga...

Talvez a senhora tenha gostado de sonhar em inglês.

Há emigrantes e estrangeirados...

(Fotografia de Regina Relang)