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domingo, setembro 01, 2019

Aveiro e Viseu, Duas Belas Surpresas


No desvio que fizemos para o Litoral Norte, vindos da Beira-Baixa, passámos por Viseu e depois por Aveiro.


Ficámos agradavelmente surpreendidos com o crescimento destas duas cidades e com a sua aposta, bastante equilibrada no turismo. 

Conseguem aproveitar, de uma forma inteligente, o que têm de melhor para oferecer a quem vem de fora (Centro Histórico de Viseu e a Ria de Aveiro...).

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, agosto 21, 2019

«Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»


Estava a deitar papeis fora quando descobri esta quase não pergunta. Fiquei na dúvida se era da minha autoria, se a tinha retirado das legendas de algum filme, ou se apanhei qualquer coisa parecida nas ruas.

Hoje de manhã, voltei a encontrá-la, aqui ao pé do computador. Pensei que ela por si só, já daria uma boa história, mesmo esquecendo o sexo (está aqui só para disfarçar)...

Antes de a escrever, li-a em voz alta: «Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»

Eu sei que terá muitas respostas, mais ou mais óbvias, sem termos de nos deitar em qualquer divã do mobiliário dos sobrinhos do Freud. Mas mesmo assim, dá que pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

segunda-feira, agosto 19, 2019

Os Livros e a Flexibilidade do Corpo e da Mente...


A leitura  de uma história de ficção vulgar (os livros estão sempre a ensinar-me coisas, mesmo que sejam fraquitos...) fez com que olhasse para o meu dia-a-dia de um outro ângulo. 

Até concordei com a "teoria" de uma das personagens, que sentia que a perda de flexibilidade do corpo estava a ser equilibrada pelo aumento da flexibilidade da mente...

Sorria cada vez mais às "verdades absolutas" que lhe queriam impingir,  abraçado às suas queridas dúvidas... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, agosto 12, 2019

A Verdade e a Honestidade no Futebol


Não é por conhecer José Mourinho e achar que ele é um dos melhores do Mundo (que não perdeu qualidades, nem está desactualizado, como gostam de insinuar por aí...), que deixo de destacar Pep Guardiola, com quem me identifico mais como técnico, por que privilegia sempre que pode, o espectáculo futebolístico, desenvolvendo e apoiando a criatividade dos seus atletas.

Ontem ele disse uma frase que vai fazer comichão a muito boa gente, especialmente alguns futebolistas que dão a sensação de se preocupar mais com a sua imagem exterior que com a equipa onde jogam (e também os muitos jornalistas  e comentadores que invejam o seu êxito e dão sempre mais que cinco tostões por uma polémica...). Eis as suas palavras:

«O Rodri vai ser um jogador incrível para nós. Não tem brincos nem tatuagens e o cabelo é de um médio. Um médio defensivo deve ser assim e não pensar no resto.»

Concordo plenamente com o que ele disse. O médio que joga à frente dos defesas, é quem mais se deve preocupar com a equipa, quem deve ser mais eficiente e jogar da forma mais fácil (não é por acaso que são conhecidos como os "carregadores de piano"...), sempre com o pensamento do colectivo. Sei que quem percebe pouco de futebol vai tentar chamar-lhe preconceituoso e outras coisas feias.

A verdade e a honestidade fazem quase sempre doer. Neste caso particular irritam os "craques" que vão ao cabeleireiro dia sim dia não e estão a pensar mais na próxima tatuagem ou no brinco novo que vão comprar, que no próximo jogo...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

quarta-feira, julho 10, 2019

Repetimo-nos Mais Vezes do que Pensamos...


Eu sabia que me repetia de vez em quando por aqui, mas nunca pensei que fosse tanto (andei à procura de algo que escrevera e descobri coisas, que se me dissessem, não acreditava às primeiras...).

Talvez o problema seja esta mania de escrever praticamente todos os dias, utilizar o "Largo" não só como diário, mas também como "máquina de jogos de palavras". E como já são mais de doze anos, acaba por me levar, invariavelmente, para as "repetições", até porque não mudamos de opinião, de um dia para o outro, isso é mais para os "comentadores televisivos"...

Com as imagens passa-se a mesma coisa. De vez em quando lá repito uma fotografia, sem me aperceber...

(Fotografia de Luís Eme  - Ginjal)

quinta-feira, julho 04, 2019

O Encurtar do Tempo...


As férias aproximam-se e o tempo começa a encurtar e a sensação de que não "vamos ter tempo para tudo", cresce...

Não é possível ignorar a agenda, que parece mais importante que ontem, para não "falharmos" compromissos, reuniões ou simples encontros...

Sabemos que agora vai ser sempre assim. À medida que os anos vão passando, os minutos vão sempre encurtando...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, junho 25, 2019

As Patetices dos "Sabões"...


Só hoje é que li algumas notícias dos últimos dias, inclusive alguns artigos de opinião.

Embora saiba que Henrique Raposo de vez em quando escreve umas coisas parvas, ainda não tinha lido uma referência tão patética aos comunistas e aos concelhos onde têm sido poder (como são o caso de Almada, Seixal, Barreiro ou Loures) como a que ele escreveu no "Expresso", no passado sábado.

Quando alguém escreve: «E, já que estamos aqui, onde é que ficam os bairros de lata? Em concelhos ligados historicamente ao PCP. Porquê? Eu ajudo: o povo que vota PCP tem, digamos, uma relação complicada com ciganos e negros. Porque é que não se fala disto? O racismo, tal como o snobismo, é só da direita.»

Só alguém que desconhece a realidade - e que deve ter algum trauma de infância em relação ao comunismo e aos comunistas (talvez continue a pensar que eles "comem criancinhas"...) -, pode escrever uma barbaridade destas.

Estes bairros existem porque são a única possibilidade que muitas famílias - que vivem no limiar da pobreza -, têm de ter um tecto. Se têm crescido mais em concelhos comunistas, é por que os seus governantes entendem que só os devem destruir, quando conseguirem arranjar habitações suficientes para os realojar, com dignidade. 

Se por um lado as questões raciais não devem ser enquadradas apenas no "território" das ideologias, por que haverá gente racista, tanto na esquerda como na direita, por outro, quanto mais se apostar na justiça social, mais fácil será a integração das minorias, tanto nas escolas como nos bairros de concelhos como Almada, Seixal, Barreiro ou Loures. E eu não tenho dúvidas de que os habitantes destes concelhos fazem menos distinções sociais, que as gentes de outros concelhos, pequeno-burgueses.

(Fotografia de Luís Eme - Monte da Caparica)

segunda-feira, junho 24, 2019

A Estranheza do Regresso...


Sempre que estou uns dias sem escrever nos blogues, o regresso torna-se estranho.

Não só me faltam as palavras, como também me falta a vontade de voltar ao ritmo habitual.

Como em tudo na vida, a disciplina, o hábito, ou para ser mais directo, a "normalidade", precisam de exercício diário...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, junho 11, 2019

Precisa-se Urgentemente de "Cursos de Serviço Público"...


A maior parte das pessoas que nos prestam serviços públicos, não têm noção da sua verdadeira função. Fingem não perceber que estão ali para servir os outros, que precisam de informações ou de usufruir das valências que o seu local de trabalho presta à população.

Nem sequer é anormal olharem-nos de "alto para baixo", como se fossem os "donos do pedaço"... E no que toca a informações, além do ar "enjoado" que nos oferecem, fazem questão de ser poucos esclarecedores, ao ponto de serem capazes de nos darem informações erradas, brincando com o nosso tempo e a nossa inteligência... E isto tanto pode acontecer na conservatória, na segurança social, nas finanças, no município, como nos serviços que nos fornecem água, electricidade ou gás...

Benditas excepções, que de longe a longe, encontramos na segurança social, nas finanças ou noutro serviço qualquer. Enchemos-os de agradecimentos, embora se tenham limitado a cumprir o seu verdadeiro papel.

É por isso que acho que as pessoas que têm como função servir os outros, precisam, urgentemente de "Cursos de Serviço Público".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, abril 17, 2019

A Liberdade de Dizer Não...


Hoje fiz uma pequena reflexão pessoal sobre a utilização da palavra "não", num dos meus outros blogues (o "Casario"...). Reflexão que não foi feita por acaso, pois reparei que fiz muito mais uso dela nos dois últimos anos, que nos dez anteriores...

Expliquei por que razão é que isso aconteceu (algum cansaço pessoal misturado com o efeito da "repetição"...).

Mas o mais curioso de tudo isto, foi a principal conclusão a que cheguei.

Não tive qualquer dúvida de que o uso da palavra não, fez-me sentir muito mais livre...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

quinta-feira, março 28, 2019

O Testemunho de um Homem do Teatro...


Ontem festejou-se o Teatro, mas o que me ficou deste dia foi a entrevista que Jorge Silva Melo deu ao "DN". Provavelmente, por ele ter tido a coragem de colocar o dedo "numa das feridas"...

«O Estado permite que haja teatro em condições cada vez mais fechadas para os espectadores, com espectáculos que fazem três/ quatro récitas. É uma coisa inadmissível, porque é o mesmo que dizer "não venham cá", levar os empresários teatrais institucionais a não acreditarem nos espectáculos que só têm dois/ três dias porque têm a certeza que os primos, os namorados e os irmãos irão ver mas não acreditam na capacidade de se tornarem acontecimentos. São pequenas festas entre amigos e é isso que tem acontecido lamentavelmente. Nos últimos cinco anos o teatro é insultuoso para os espectadores, pois estão a dizer 'vocês não são da profissão e nós só estamos a trabalhar para os profissionais da profissão'. A maior parte dos teatros institucionais têm o seu público entre aspirantes a pessoas que fazem teatro e reformados de pessoas que fazem teatro, portanto são festas de primos em vez de abrangerem a sociedade. O teatro que eu pensei ser possível também em Portugal seria o teatro cívico, ou seja, para a sociedade numa cidade grande como foi Lisboa antes de ficar esvaziada. Qual é o lugar do teatro?»

É uma boa pergunta... Este não será, com toda a certeza.

É raro vermos alguém "do meio" a fazer um retrato tão lúcido de uma Arte (e infelizmente não é a única...), que se está a deixar  levar "pela onda", para não perder os subsídios atribuídos...

Mas é uma pena que a gente do teatro puxe cada vez menos  pela imaginação, aceitando as "regras do jogo", institucionais, sem perceber que aos poucos e poucos, vai perdendo  a independência e a liberdade, elementos-chave para que este espectáculo seja único...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, março 25, 2019

"O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta" (um título mais que prometedor...)


As pessoas que gostam de literatura conhecem Alberto Pimenta, nem que seja pela sua irreverência e pelo seu querer, de ser único, imune a imitações.

Edgar Pêra, provavelmente por estes motivos, resolveu fazer um documentário sobre esta "peça" rara, que é professor universitário e poeta (sim, e desses, dos malucos, com éme grande...).

O documentário (que quero ver...) vai estar muito pouco tempo nos cinemas (e penso que só no Porto e em Lisboa, e depois, com sorte, em alguns auditórios menos comerciais, que existem de Norte a Sul...). O título é todo ele um tratado de humor e um bom chamariz, para quem ainda não conhece este homem de baixa estatura, mas capaz de "cair com estrondo", em qualquer lugar. Sim, "O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta", só por si, dispensa apresentações (grande Pêra...).

Não estou à espera de uma "biografia", mas sim de um documentário onde o Alberto Pimenta se deve recriar, no seu melhor. Até porque se trata de um filme com imagens de vários tempos, de várias performances do "artista" Pimenta, onde o humor e a diferença estão sempre presentes. Talvez até seja capaz de se sentir melhor em frente à câmara que um peixinho a nadar no interior de um lago cheio de delícias e tentações...

(Fotografia de autor desconhecido)

domingo, março 10, 2019

Ainda a Propósito das Mulheres: "As feias que se danem!"


O título inicial era mais suave, falava das misturas entre o interior e exterior, e não de um caso particular, que está longe de ser a regra que confirma a excepção.

Infelizmente ainda há quem tente caracterizar as pessoas apenas pelo seu aspecto exterior. Algo que sempre esteve errado, apesar das "certezas medievais". que quase proibiam a gente bonita de ser inteligente, de ter sensibilidade... e de saber o que queria.

Tanta mulher bonita que escondeu os seus belos poemas e a sua tocante prosa... Só que isso agora acabou. 

Um exemplo que acompanhei de perto, fez-me perceber que as "feias" ainda não tiraram o "cavalinho da chuva", ainda são capazes de dizer nas suas reuniões regadas com chá de tília e camomila, "não foi ela que escreveu aquilo, é areia demais para a sua camioneta" (entre elas gostam de usar calão e até de dizer palavrões... fabricam putas a torto e a direito).

A única coisa que me apraz registar, é que bem podem continuar a levantar suspeitas de "plágio" ou contar anedotas das louras burras, que a sua guerra está perdida, há muito tempo...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

O Teatro Continua a ser Único


Sempre ouvi dizer que o teatro vive permanentemente em crise.

Talvez seja essa "crise" a chave para o facto de a arte de talma ter muito mais vidas que um bando de gatos juntos.

Fico feliz por as peças não terem mudado assim tanto nos últimos quinhentos anos, mesmo que não ache piada a que Shakespeare continua a ser um dos autores da moda.

A literatura e o cinema, por exemplo, mesmo sem terem passado por esta "crise permanente" ao longo dos anos, não deixam de viver com mais apreensão o presente.

Será que os livros num futuro próximo vão voltar a ser imagens e palavras, como a banda desenhada que devorada na infância? E as salas de cinema, continuarão a ser sobretudo pipocas e efeitos especiais?

Não sei... A única coisa que sei, é que o Teatro vai permanecer igual a ele próprio, único.

(Fotografia de Luís Eme - a memória do grande Mário Viegas em Lisboa)

sexta-feira, janeiro 25, 2019

Um Escritor Único...


Acabei de ler o romance, "Andam Faunos pelos Bosques", do grande Aquilino Ribeiro, requisitado na Biblioteca da Incrível Almadense.

Foi uma sugestão de um amigo, durante uma conversa, em que por qualquer motivo, falámos da influência da religião católica junto das comunidades, especialmente no Interior Norte, durante a ditadura e o PREC. A meio da conversa perguntou-me se já tinha lido o livro. Como disse que não aconselhou-me a sua leitura, sem se esquecer de referir a riqueza vocabular única.

E sim, mais importante que a história do livro (o aproveitamento da mitologia por parte das jovens, bonitas e casadoiras, que "inventaram" um demónio que as atacava e violava, metade bicho, metade homem, conseguindo dar vida aos "faunos", para justificar os seus devaneios... que também é um bom retrato de época, especialmente da vida dos padres, ao ponto de percebermos que a maioria achava estranho que um deles, o padre Dâmaso, não tivesse mulher, não fumasse nem bebesse...), é a utilização primorosa da linguagem regional (ou popular).

Percebi também que Ricardo Araújo Pereira, foi buscar algumas palavras ao Aquilino, misturando-as nas frases de humor inteligente, que é uma das suas imagens de marca  (já o ouvi mais que uma vez a falar de "éguas rabonas" ou de "fúfias de cócoras" ou ainda de "marmanjos amolecidos"... ou referir-se a "safardanas", coisa que nunca faltou por aqui).

Foi bom voltar a ler Aquilino (talvez não o lesse há mais de vinte anos...).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, janeiro 23, 2019

O Perigo da Nossa Passividade...


Já escrevi por aqui várias vezes sobre o "populismo" (utilizando outros nomes...), que é mesmo um dos maiores problemas do nosso tempo, e que não se resume à política e à ideologia, está a entranhar-se por todos os sectores da sociedade.

Quase todos os seus adeptos e defensores dão nas vistas por duas razões, uma mais visível (o discurso fácil e a falta de pudor - misturam mentiras com verdades, com a maior das facilidades, seguindo os exemplos que todos conhecemos, com realce para as duas "américas"...), a outra, mais escondida, pois só se descobre, quando  contactamos de uma forma mais directa com essas pessoas (o vazio de ideias, de conhecimento, e até de inteligência. Valem-se quase sempre da esperteza, que há muito tempo deixou de ser "saloia" e abrem caminhos para a mediocridade e para o "vale tudo").

Quase todos os dias tenho conhecimento de casos, em que um ou outro defensor desta forma de estar, ocupa um cargo importante numa instituição, perante a passividade dos seus companheiros e associados (quando se trata de associações...).

A grande questão, é como iremos conseguir travar estes "avanços", quase sempre dissimulados...

(Fotografia de Luís Eme  - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 31, 2018

«Tudo é possível, até o impossível»


Este ano de 2018, que se está quase a despedir, foi um ano curioso, para não lhe chamar outra coisa.

Aconteceu um pouco de tudo. Houve dois ou três episódios, que não só me ajudaram a seguir outros rumos, como fizeram com que percebesse, ainda melhor, a natureza humana (vi com mais nitidez o que as pessoas são capazes de fazer, para se manterem no poder - por mais pequeno que ele seja...).

Uma das coisas mais positivas, foi ter conseguido mais tempo para mim, para fazer coisas que me dão prazer. 

Andei mais, por aqui e ali, a descobrir coisas. Li muito. Nunca tinha lido tantos livros num só ano (quarenta e nove...). E claro que também escrevi bastante. Até aqui no "Largo" (foi o ano que escrevi mais textos, 314, com este de despedida de 2018). E para não variar, fotografei, exageradamente, muitas vezes apenas por que sim (deve ter sido por isso que utilizei tantas fotografias da minha autoria nos meus blogues. 273 no "Largo", 76 no "Casario" e 31 nas "Viagens", nada mais nada menos que 380 imagens).

É também por isso que espero por 2019, com grande tranquilidade. Embora esteja envolvido em meia-dúzia de projectos, colectivos e individuais, não há nenhum que seja decisivo, para o que quer que seja. São apenas, para desenvolver, sem pressões, sem prazos. O que é muito bom. Pois todos eles têm tempo suficiente para respirar e para decidirem "o que querem mesmo fazer da vidinha"...

Para terminar, desejo um bom ano de 2019, também tranquilo e inspirador, para todos os visitantes do "Largo".

(Fotografia de Luís Eme - O cartaz do "Regresso da Mary Poppins", não aparece aqui por acaso, ele diz-nos que «tudo é possível, até o impossível)

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Idades, Heterónimos e Casas Interiores


Eu sei que nem todos temos o engenho e a qualidade de usar heterónimos nesta representação, que é a vida.

E também sei que não sou grande exemplo para o cidadão comum (esta coisa de andar sempre com estórias na cabeça e nos bolsos tem que se lhe diga...). Mas já notei, mais que uma vez, que a partir dos cinquenta anos as memórias começam a querer ser arquivadas, quase como se fossem coisas do cinema ou da literatura. Torna-se mais fácil misturar a realidade com a ficção. Sim, algumas coisas que vivi embrulham-se com os sonhos (e até com os pesadelos)...

Quando olho para trás chego a ter dúvidas se fui eu que fiz isto ou aquilo, que estive aqui e ali... Sei que sim, mas parece-me que foram protagonizadas por uma pessoa que já não existe.

Se me deitasse num divã e começasse a contar a minha vidinha aos peritos em desvendar de mistérios da mente, eles eram capazes de dizer que é uma coisa normal, quando não se têm uma "casa interior" com muitas assoalhadas... E até eram capazes de me recomendarem que deixasse o apartamento e comprasse uma vivenda.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 20, 2018

«Gostamos menos das coisas, todas, incluindo as pessoas...»


Talvez...

Foi a palavra que me saiu, quando a Dulce me disse: «gostamos menos das coisas, todas, incluindo as pessoas...»

Entretanto fui andando até a casa e não foi difícil chegar à conclusão de que o meu talvez já era um sim.

Tudo parece custar pouco, tudo parece insignificante, especialmente para os nossos filhos, que em vez de os empurrarmos porta fora, de vez enquanto, continuamos a guardar um lugar para eles, no "colo". 

E pior, deixamos que eles vistam e calcem marcas, mais pelo preço e pelo nome que pela qualidade ou beleza. Sem falar do telemóvel, quase da última geração.

E não sei se é possível voltar a gostar das coisas, como se gostava ontem, incluindo as pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 09, 2018

«Lembrem-se sempre, que a cultura faz bem à alma»


As culturas e as artes quando se discutem, quase como o futebol, são mais problemáticas do que o que parece, por vezes só falta mesmo voarem as "cadeiras do costume".

Há quem pareça ter saudades do século XIX e da primeira metade do século XX, em que o mundo das artes estava ao alcance apenas de uma minoria instruída e cultivada, como o Rui.

Não valeu de nada dizer que o teatro amador já existia no século XIX, muitas vezes interpretado por homens e mulheres analfabetos, que decoravam os textos oralmente... Muito menos que as coisas da cultura sempre foram apelativas e que não foi agora que se "inventou" gente sem jeito, a querer ser o que não é...

O Ricardo falou do futebol do tempo do avô, que quase não tinha espectadores, porque o que toda a gente queria era jogar... e acrescentou, que daqui a uns tempos os "saramagos, os "pomares" e os "cintras" se iam cansar, de escrever, de pintar ou de teatrar.

Nenhum de nós acreditou muito nisso. 

Percebe-se que estamos a passar por um retrocesso civilizacional na sociedade, além da falta de sentido estético e crítico, há sobretudo falta de rigor e de pudor.  Foi por isso que o Gui disse, que nunca se viveu tanto na "mentira" como hoje (sem  falar em "trumpadas"...). E foi ainda mais longe que qualquer um de nós: «já repararam que nunca foi tão fácil copiar e roubar o trabalho dos outros? Vai-se à internet e rouba-se um texto alheio e finge-se que é nosso com a maior das descontracções. Sem sequer ter de se escrever nada, é só copiar e colar.»

Foi quando o João acalmou a mesa: «lembrem-se sempre, que a cultura faz bem à alma.»

O mais curioso, é que depois desta conversa, atravessei o rio e já no centro de Almada, descobri a exposição de que falei ontem. 

E todos aqueles trabalhos artísticos, feitos por pessoas com deficiência, têm de ser entendidos como uma coisa boa (sem pensar em ética e estética...). O João tem toda a razão: a Cultura faz bem à Alma...

(Fotografia de Luís Eme)