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segunda-feira, agosto 12, 2019

A Verdade e a Honestidade no Futebol


Não é por conhecer José Mourinho e achar que ele é um dos melhores do Mundo (que não perdeu qualidades, nem está desactualizado, como gostam de insinuar por aí...), que deixo de destacar Pep Guardiola, com quem me identifico mais como técnico, por que privilegia sempre que pode, o espectáculo futebolístico, desenvolvendo e apoiando a criatividade dos seus atletas.

Ontem ele disse uma frase que vai fazer comichão a muito boa gente, especialmente alguns futebolistas que dão a sensação de se preocupar mais com a sua imagem exterior que com a equipa onde jogam (e também os muitos jornalistas  e comentadores que invejam o seu êxito e dão sempre mais que cinco tostões por uma polémica...). Eis as suas palavras:

«O Rodri vai ser um jogador incrível para nós. Não tem brincos nem tatuagens e o cabelo é de um médio. Um médio defensivo deve ser assim e não pensar no resto.»

Concordo plenamente com o que ele disse. O médio que joga à frente dos defesas, é quem mais se deve preocupar com a equipa, quem deve ser mais eficiente e jogar da forma mais fácil (não é por acaso que são conhecidos como os "carregadores de piano"...), sempre com o pensamento do colectivo. Sei que quem percebe pouco de futebol vai tentar chamar-lhe preconceituoso e outras coisas feias.

A verdade e a honestidade fazem quase sempre doer. Neste caso particular irritam os "craques" que vão ao cabeleireiro dia sim dia não e estão a pensar mais na próxima tatuagem ou no brinco novo que vão comprar, que no próximo jogo...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

domingo, junho 02, 2019

O "Futebol Total" e o "Futebol da Retranca"...


Há muitos técnicos de futebol que não constroem as suas equipas em função da qualidade dos jogadores que têm. Um desses exemplos é Fernando Santos, o nosso seleccionador nacional. Utiliza quase sempre um modelo de jogo conservador, colocando em jogo os jogadores que lhe dão mais garantias de serem fiéis ao seu "sistema", mesmo que não sejam os melhores...

Eu queria, mas não acredito que o Seleccionador vá mudar, apesar de Portugal jogar em casa, na fase final da primeira "Liga Europeia das Nações". E sei que se ele não mudar, dificilmente ganhará esta competição. 

Se insistir no João Moutinho, como "alma mater" do meio-campo, por muito que reze à Senhora de Fátima e aos pastorinhos, não ganhará à Inglaterra ou à Holanda, na final (sei que primeiro ainda tem de ganhar à Suiça...).

Já pensei mais que uma vez, que estes treinadores ("da retranca") deviam ter sido obrigados a viajar até Barcelona, para conversarem sobre futebol com Johan Cruyff, quando ele ainda "dava aulas"...

E termino com uma questão: quantos treinadores do mundo não gostariam de ter a possibilidade de utilizar Rafa, João Félix, Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, em simultâneo nas suas equipas?

(Fotografia de Luís Eme - Laranjeiro)

quarta-feira, maio 08, 2019

O Fascínio do Futebol Reside Sobretudo na sua Imprevisibilidade


Não queria voltar a falar de futebol, mas quando uma equipa perde por três a zero, com aquela que é considerada a melhor do Mundo (por ter Messi...), e depois em casa, consegue vencer por quatro a zero (sem aquelas coisas estranhas do nosso campeonato...), tenho de fazer uma grande vénia aos seus jogadores e ao seu técnico. 

Para quem não liga a estas coisas do futebol, estou a falar do jogo de ontem das meias-finais da Liga dos Campeões, entre o Liverpool e o Barcelona.

Já hoje escrevi num comentário que o futebol continua a viver mais da improvisação e da inspiração do momento, que das tácticas do quadrado ou do triângulo. E não se pode, nem deve, falar de "lógica", por que isso conta muito pouco. Contam sim os golos que entram dentro das balizas e são validados.

É preciso ter a frieza do mestre Pedroto, que dizia, muito bem, que uma bola atirada ao poste ou à trave, se não entrar na baliza, é um golo falhado...

Eu por exemplo, num dos raros textos que escrevi sobre futebol aqui no "Largo", disse que não compreendia as apostas do Moreirense e do Santa Clara, em dois técnicos (Ivo Vieira e João Henriques...), porque ambos tinham descido as suas equipas na época passada. 

Moral da história: O Ivo e o João foram os treinadores mais em evidência durante a Liga portuguesa nesta época (se excluir Bruno Lage, claro...), com grandes jogos e excelentes classificações das suas equipas.

O pior de tudo, é quando quem nem sequer dá "chutos na bola", quer ser a figura do jogo, acabando por ter uma influência directa no seu resultado final (os famosos "roubos de igreja", que o mestre Pedroto, também gostava de denunciar...). 

E lá se vai a beleza e a imprevisibilidade, daquele que continua a ser o desporto que desperta mais paixões pelo mundo inteiro...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 07, 2019

Este Tempo dos "Campos Inclinados"...


Já o disse aqui, mais que uma vez, que uma das razões que me leva a evitar falar de futebol, é conhecer o seu lado menor, por já ter feito jornalismo desportivo. Sei bem demais que o chamado "desporto-rei", além de ser muito mal frequentado, é de tal forma apaixonante, que retira a lucidez a muito boa gente quando fala dos clubes que gostam.

Mas não posso, de maneira alguma, deixar de registar o que se passou ontem no Estádio do Bonfim, durante o jogo entre o Vitória de Setúbal e o Boavista. É muito triste vermos um árbitro a querer ser a "figura do jogo", pelos piores motivos. Tentou "inclinar" o relvado, utilizando uma dualidade de critérios tal, que mexeu com as emoções dos jogadores da casa, ao ponto de a equipa do Vitória ter acabado o jogo com apenas oito jogadores em campo... 

No final de campeonato olha-se sempre para cima, discutem-se os jogos do Benfica, do Porto e do Sporting e esquece-se o que se passa cá por baixo, em que há sempre uma ou outra equipa, que começa a ser "empurrada" para a Segunda Liga. Felizmente há muitas que conseguem resistir e ser mais fortes que as "decisões mentirosas dos árbitros". Espero que seja esse o caso do Vitória de Setúbal, no final da época.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, março 16, 2019

Mané Garrincha, Uma Estrela Solitária...


Acabei de ler, "Estrela Solitária, um Brasileiro Chamado Garrincha", a biografia de um dos maiores futebolistas do Brasil e do Mundo, escrita por Ruy Castro.

Aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido.

À medida que me ia aproximando do fim, ia perdendo a vontade de ler, não pela falta de qualidade da escrita do Ruy, mas pelo seu conteúdo, cada vez mais dramático (chega a ser arrepiante a sua teimosia e cegueira, ao não aceitar tantas ajudas para mudar de vida...). Embora seja um retrato fiel da vida de Mané Garrincha. Uma vida "sem concerto"...

Nasceu quase ao deus dará, sempre com liberdade a mais, que se agravou, quando todos perceberam que ele era um "anjo de pernas tortas com magia nos pés", capaz de deixar sentados nos pelados e relvados os adversários, como se o futebol fosse um número de circo.

Começou a beber muito cedo e a sua vida resumiu-se durante anos a futebol, sexo e álcool. Fez mais de uma dezena de filhos a pelo menos quatro mulheres. Mas o grande amor da sua vida foi a cantora Elza Soares, tão mal amada pelo povo, e a quem quase todos apontavam o dedo, como a grande causa dos seus dramas - Ruy Castro presta-lhe justiça, demonstrando que ela foi muito mais "anjo que demónio" na sua vida... prejudicando a sua carreira musical, por amor.

Escravo do álcool foi quase perdendo tudo. Sobraram meia-dúzia de amigos que lutaram com todas as suas forças para o ajudar a mudar de vida. Mas não o conseguiram, porque ele nunca levou a sério esta coisa que se chama "vida".

A sua  decadência humana e desportiva fez com que aumentassem os episódios dramáticos... e quando nos deixou, tinha o seu corpo completamente destruído pelo vício da bebida, que escolhera como companheiro de todas as horas.

Deixou-se explorar pelo futebol, jogando muitas vezes sem estar em condições físicas, mas também "usou e abusou" do seu estatuto de "deus dos estádios", enganando as multidões que se deslocavam aos estádios para ver a "magia", que desaparecera, há anos, dos seus pés...

O seu exemplo, tal como o de Vitor Baptista (entre nós...), e de tantos ídolos do mundo inteiro, continuam a não ser levados muito a sério. É por isso que o futebol continua a ser uma "fábrica de dramas humanos"...

domingo, janeiro 27, 2019

Olhar para Dentro e para Fora dos Estádios...


Os campos de futebol sempre foram lugares especiais. Antes da Revolução de Abril, eram os únicos lugares onde se podia insultar quem quer que seja, sem sofrer qualquer tipo de represália.

Sei do que falo, porque visitei o velho Campo da Mata, das Caldas da Rainha com seis anos, de mão dada com o meu pai (1968, 1969...). Nunca antes tinha assistido a um espectáculo do género. Algumas pessoas até eram capazes de pensar que fazia parte do bilhete de ingresso, encher o campo de insultos e palavras feias, a partir das bancadas, dirigidas quase sempre para o árbitro, fiscais de linha e os jogadores adversários.

Felizmente o meu pai fazia parte de outro filme, talvez por ser mais de interiorizar que de exteriorizar as emoções. E eu segui o seu exemplo. Posso dizer com algum orgulho, que nunca fui a um estádio para insultar quem quer que fosse...

Quando ia ao futebol, ia à procura de algo que raramente encontrava, o chamado "futebol espectáculo", com beleza e emoção. Senti essa emoção sobretudo durante a adolescência (o período em que acompanhei mais os jogos de futebol do Caldas e fazia quase "claque" com os meus amigos...) e nos chamados jogos grandes no Estádio da Luz, em que o Terceiro Anel tanto abanava como tremia (abanava mesmo com o bater de pés dos sócios e também  ficava mais pequeno quando o Benfica perdia...).

O jornalismo desportivo roubou o adepto  fez com que assistisse aos jogos com outro olhar (o mais curioso, é que isto aconteceu naturalmente...). E depois deixei mesmo de visitar os estádios (nos últimos vinte anos devo ter assistido ao vivo a três ou quatro jogos de futebol, o último dos quais foi muito bom, quando na época passada voltei ao Campo da Mata, na companhia do meu irmão, para ver o meu Caldas passar às meias-finais da Taça de Portugal...). Embora também deva confessar, que não consigo estar muito atento aos jogos de futebol nos estádios. As reacções das pessoas (até mesmo as insultuosas...) distraem-me com grande facilidade e perco-me mais pelas bancadas que pelo relvado...

Mas não é apenas por isto que não vou aos estádios. Embora reconheça que os jogos do campeonato português são demasiado pobres, tanto em jogo jogado como em emoção. Foi o jornalismo que fez com que conhecesse o pior lado do futebol. O lado da "vigarice", da "batota" e da "violência". Escrevia no "Record" no tempo do famoso "Guarda Abel", que existiu mesmo, assim como as histórias que ainda se contam, aqui e ali,  sobre a figura e o bando armado que comandava, que infelizmente está ligado - da pior maneira - ao "reinado" do FC Porto no futebol dos anos noventa do século passado...

Acho que foi por conhecer este "lado negro" que, ao contrário do meu pai, não levei os meus filhos ao futebol pela mão. O meu filhote já devia ter uns dez anos quando entrou num estádio para ver um jogo de futebol. Foi a família toda, mais para satisfazer a sua curiosidade, que por outra coisa. Talvez por não ter muito jeito para jogar, nunca se deixou impressionar por tudo o que rodeia o futebol. E ainda bem. Ele a a irmã gostam do Sporting, porque a mãe fez alguma "publicidade enganosa" cá por casa, mas sem qualquer tipo de "doença".

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

sábado, janeiro 26, 2019

A Estupidez Crescente do Comentário Televisivo e a Banalização da Memória


Se há coisa que me incomoda ouvir nas ruas e nos cafés são as discussões doentias sobre futebol, quase sempre distantes do jogo em si, pois fala-se sobretudo de clubes e de árbitros. 

Sim, raramente ouço falar da beleza do jogo, da qualidade técnica dos jogadores ou da sabedoria dos treinadores (ou da falta de ambas as coisas...). 

O amor e o desamor pelos clubes torna impossível a existência de uma conversa normal sobre um jogo de futebol. A "cegueira" e a desconfiança (sempre que uma equipa é beneficiada a primeira coisa que se diz é que "o árbitro estava comprado"...) são mais fortes que tudo o resto.

O mais curioso, é que estas "discussões de café" são alimentadas diariamente em programas transmitidos nos canais de notícias dos principais operadores televisivos, com comentadores que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, sem qualquer pudor.

O grave da questão é que esta "clubite", também é, cada vez mais, praticada na política, e pelos próprios dirigentes  partidários (muitos deles também comentadores televisivos, que têm o mesmo comportamento dos seus colegas do desporto, dizem uma coisa hoje e amanhã outra, completamente diferente, como se não existisse memória...

Só assim é que se percebe que quando o líder do maior partido de oposição apoia a existência de "pactos de regime", em áreas sensíveis como a justiça ou a  saúde, defendidas pelo Presidente da República, tenha a oposição de gente do seu partido, que prefere o "bota abaixo", a "intriga" e a "mentira", à defesa dos interesses e das condições de vida dos portugueses e de todos cidadãos que vivem no nosso país.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Conversas Quase Embrulhadas em Papel de Jornal...


Hoje almocei com velhos amigos do jornalismo, quase todos do tempo das máquinas de escrever, que transformavam as redacções em quase salas de ensaio de bandas filarmónicas, desafinadas.

Um deles ainda era do tempo em que não se assinavam as notícias que se escreviam, como se o jornal fosse um imenso colectivo (nunca foi...). Neste caso particular, todos demos vivas ao "individualismo", com a feliz decisão de se entregar cada texto ao seu dono.


Falo deste pormenor, porque uma das histórias que girou pela mesa, foi a da habitual "usurpação" de textos (os bons...) por duas ou três personagens, que já nesse tempo eram adeptas das "falsas notícias" (coisa que sempre existiu nos jornais, não tinham era a dimensão e o eco dos nossos dias...) e da "colheita dos louros" dos outros.

Éramos maioritariamente simpatizantes do Benfica (nunca nos escondemos atrás da independência jornalística, como é apanágio do famoso "ribeirinho"...), pelo que falámos da saída inevitável de Rui Vitória, que já não consegue convencer nenhum dos jogadores do clube a seguir as suas directrizes (soube há pouco que vai mesmo embora...). 

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 04, 2018

Ainda São os Melhores do Mundo...


Mesmo que os "donos do futebol" tenham decidido deixar de lhes entregar os prémios de melhores futebolistas do Mundo (devem achar que já têm bolas de ouro a mais...), Cristiano Ronaldo e Messi, continuam a ser únicos. Neymar, Griezmann, Modric, Mbappé, Salah ou Hazard, mantêm-se a alguma distância, nota-se que lhes falta qualquer coisa para chegarem ao nível destes dois extraordinários atletas.

Curiosamente não são únicos apenas dentro de campo. A sua postura fora dos relvados também tem sido sempre exemplar. Apesar da já eterna rivalidade, tantas vezes exacerbada pelos jornalistas, nunca Ronaldo ou Messi, tiveram uma palavra de desconsideração um pelo outro. Mesmo sem serem amigos, sempre demonstraram um grande respeito, pelo que são e representam. 

É por isso que não escolho um, escolho os dois. Para mim, Messi e Cristiano Ronaldo, continuam a ser os melhores futebolistas do Mundo.

Nota: Concordo perfeitamente com a sua ausência na cerimónia de entrega dos prémios. É uma questão de dignidade.

(Fotografia de autor desconhecido)

sexta-feira, novembro 30, 2018

Um Triângulo Humano que Começa a ser Perigoso...


Como simpatizante do Benfica incomoda-me o triângulo formado entre Luís Filipe Vieira, Rui Vitória e Jorge Jesus.

Muito menos aceito que depois de demitir o treinador, o presidente tenha voltado com a palavra atrás. Até porque Rui Vitória não é o Jorge Jesus...

Ou seja, neste momento não acredito que as coisas melhorem com Rui Vitória. Mas também não acredito que Jorge Jesus seja a solução para o futuro do Benfica (embora goste do futebol praticado pelas suas equipas...).

Começo a acreditar que a solução para os problemas do Benfica passe por uma "terceira via", fora deste triângulo. Um presidente que não seja o "único dono do clube" (nem esteja envolvido em suspeitas de corrupção...) e um treinador que goste de jovens, de ganhar, e não menos importante: que a sua equipa jogue um futebol empolgante, que gostamos de chamar "à Benfica"...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 26, 2018

A Tentativa de Despromover os Melhores do Mundo por "Decreto"...


Parece que o mundo tem girado mais depressa nos últimos dias. Mas não, só sou eu que tenho tido menos tempo para passar por aqui, embora não me faltem motivos para escrever.

Um dos temas do sobre os quais me apeteceu escrever foi esta coisa dos prémios dos melhores da Europa e do Mundo do futebol.

O primeiro a ser excluído dos melhores foi Messi (este ano nem sequer fez parte dos três melhores do mundo...). Cristiano Ronaldo não foi excluído, mas ficou em segundo em ambos os prémios (o primeiro dos derrotadoa...), atrás de Modric.

Não vou sequer falar de justiça ou injustiça, mas parece-me ser claro, pelo menos para todos aqueles que acompanham o futebol, que Ronaldo e Messi ainda continuam a estar num patamar superior em relação a outros potenciais "melhores do mundo" (que penso que nunca atingirão o nível destes dois...).

E não serão a UEFA ou a FIFA (embora pensem que sim), a "decretar" o fim do seu reinado como "melhores do mundo". Poderão sim, continuar a exclui-los dos prémios de melhores da Europa e do Mundo, talvez por acharem que eles já têm muitas "bolas" lá por casa...

(Fotografia de Autor Desconhecido)

sexta-feira, setembro 21, 2018

O Excelente "Big Mal & Companhia" do Gonçalo


Acabei de ler o ensaio, "Big Mal & Companhia", da autoria de Gonçalo Pereira Rosa, que recomendo a todos os leitores, especialmente aos largos milhares que gostam de livros e de futebol.

Os mais entendidos sobre o "Desporto-Rei", facilmente percebem que este título se inspira na época de 1981-82, em que o Sporting beneficiou da acção verdadeiramente revolucionária que Malcolm Allison  imprimiu no clube.  Acção relatada pelo Gonçalo com grande rigor e entusiasmo (ficamos colados às suas palavras da primeira à última página...).

Um dos principais atractivos deste livro é contar com o testemunho dos então pupilos do "Big Mal", que muitos anos depois reviveram e contaram, com emoção, muitas das histórias deliciosas que partilharam em Alvalade. É notório o seu orgulho por terem tido o prazer de serem treinados por um técnico diferente, que gostava de dar liberdade aos seus jogadores, para também lhes exigir responsabilidade, dentro e fora do campo. Esta nova filosofia acabará por colher bons frutos, tanto no campo desportivo como social. Além de terem conquistado o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e a Supertaça, nessa época inesquecível, todos recordam com alegria, a amizade, a camaradagem e o convívio que existia no plantel, dentro e fora do balneário.

Também é feita justiça a João Rocha, presidente do Clube na época, que além de ter sido o principal "arquitecto" desta equipa, é um dos grandes dirigentes da história do Sporting.

Um dos melhores elogios que posso fazer a esta obra, é que li ,as suas mais de trezentas páginas, em apenas três dias. 

Embora goste bastante de ler ficção, não posso deixar de salientar que este ano tive o grato prazer de ler dois excelentes ensaios escritos por dois jornalistas portugueses. Refiro-me a este excelente Big Mal & Companhia do Gonçalo Pereira Rosa e também ao melhor retrato  que li do inesquecível "Verão Quente", Quando Portugal Ardeu de Miguel Carvalho.

quarta-feira, setembro 19, 2018

No Negócio do Futebol Tudo é Possível...


Daqui a alguns minutos vai acontecer algo inédito, o jogo entre o Benfica e o Bayern de Munique no Estádio da Luz, não será transmitido em nenhum canal (generalista ou por cabo), porque é possível a qualquer um de nós (desde que tenha uns milhões no bolso...) comprar o pacote de jogos da Liga dos Campeões...

Nem sei o que diga... 

Aliás, até sei. Sou obrigado a falar deste "capitalismo" que destrói tudo à sua volta, e claro, da "ganância humana", deste hábito de querer muito dinheiro, a qualquer preço, e o mais rapidamente possível.

Sei que por este caminho, um ano destes, vamos acabar até por ter de "pagar" o Sol, pelo menos aquele que surge de mãos dadas com o Oceano Atlântico.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, setembro 01, 2018

Ser (ou não ser) o Melhor do Mundo...


Incomoda muito os jornalistas (sim, especialmente estes...), quando alguém se acha dos melhores do mundo, e afirma-o, sem qualquer problema.

Isso tem acontecido com Cristiano Ronaldo e José Mourinho, no estranho mundo do futebol.

Mourinho sempre gostou de criar uma relação de "amor-ódio" com a comunicação social, algo que teve os efeitos desejados nos seus primeiros tempos na alta roda do futebol mundial, mas que hoje não se aproxima dos  seus objectivos: proteger a sua equipa e os seus jogadores.

Ele sabe que os tempos são diferentes (pelo menos desde que treinou o Real Madrid, pois em clubes desta dimensão, tudo é notícia, e ele é apenas mais um...). Mas mesmo assim não deixa uma resposta para dar, especialmente aos jornalistas de fraca memória (são quase todos, por causa do "negócio" e não só...), que o questionam como se fosse um "principiante" ou um "derrotado". 

É por isso que acho muito bem que puxe dos "galões" e diga que sozinho têm mais títulos de campeão inglês que os restantes 19 treinadores da liga inglesa. Porque a memória é tramada... Mourinho também poderia responder, com toda a legitimidade, a todos aqueles que dizem que só sabe ganhar com jogadores que custam milhões, que as duas vezes que foi Campeão Europeu, conseguiu-o com equipas quase "modestas" (FC Porto e Inter de Milão), pelo menos quando comparadas com as do Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Arsenal ou Manchester United...

Já em relação à polémica do troféu de melhor jogador europeu, em que Modric venceu Cristiano Ronaldo, penso que nem seja motivo para grandes ondas, pois o médio croata fez uma excelente época. Estranho sim, que ninguém tenha falado sobre a justeza da entrega do prémio de melhor guarda-redes europeu a Keilor Navas (que na minha opinião, pouco modesta, nem sequer entra na lista dos dez melhores guardiões que actuam na Europa...), quando estava a competir com Buffon...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 01, 2018

O Dia Seguinte (de apenas mais um espectador de bancada)...


Sei que hoje não é o melhor dia para se falar de futebol e da selecção, que ontem se despediu do Mundial. Mas as coisas são o que são... e a nossa equipa nunca conseguiu ser convincente durante a competição (tal como já acontecera no Europeu, onde algumas alminhas ainda hoje dizem que a Senhora de Fátima, também andou por ali a jogar e nos ajudou a vencer...).

A primeira coisa que eu penso, é que é muito difícil encontrar um treinador perfeito (mesmo quando ele se chama José Mourinho, Fernando Santos ou Leonardo Jardim...), para uma selecção. Conseguir que jogadores que jogam em campeonatos de países como a Espanha, Inglaterra, França, Itália, Escócia, Rússia China, Alemanha, Turquia ou Portugal, em pouco mais de quinze dias, formem uma equipa, é uma tarefa para muito poucos...

Mas há pelo menos um aspecto, em que Fernando Santos é muito bom, bem melhor que os seus antecessores (Scolari, Queirós e Bento): consegue criar um ambiente saudável e solidário à sua volta, deixando bem vincado, que conta com todos os jogadores, que trata da mesma forma (com ele acabaram-se os filhos e os enteados...). Foram vários os jogadores "proscritos", que voltaram a vestir a camisola nacional com ele (Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Tiago, Bozingwa - infelizmente Vitor Baía já se tinha retirado e não pode ser reabilitado, ele que foi tratado de forma miserável pelo "treinador das bandeirinhas" e pelos dirigentes de então...) e com sucesso.

Agora como treinador do campo, Fernando é um técnico muito conservador, com tudo o que existe de negativo nesta palavra (joga quase sempre com os mesmos jogadores e com o mesmo modelo de jogo, raramente faz mudanças tácticas, e as substituições que realiza são cirúrgicas, porque normalmente não perde...).

Mas neste Mundial ainda aconteceu outra coisa, quando quis fugir da fama de "conservador", foi "traído" por algumas novas apostas que fez, como foram o caso das em Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e Bruno Fernandes, que até para quem está na bancada, pareciam as melhores... Infelizmente nunca estiveram iguais a eles próprios. Medo? Se foi, não se compreende, os dois primeiros jogam nas duas Ligas mais competitivas do Mundo. Fora da posição habitual? Não vou por aí. Sombra de Ronaldo? Provavelmente sim... é sempre um erro jogar para, e com, um único jogador.

A ideia que temos de fora, é que quem lidera tem uma percepção da realidade diferente. Normalmente repara nas coisas demasiado tarde... Esquecemos que para o treinador os onze que estão lá dentro, são os melhores...

Embora tenha dificuldade em encontrar no José Fonte, qualidades para ser titular da selecção, percebo que não há grandes alternativas. A minha "costela" benfiquista diz-me que Fernando Santos devia ter apostado no Bruno Dias, mas podia ser mais um falhanço... E os nossos laterais são tão baixinhos... É também por isso que no meio-campo, devia ter apostado mais no Manuel Fernandes e no Adrien, por serem mais combativos e mais fortes fisicamente que João Mário ou João Moutinho... Em relação ao ataque não digo nada. Cristiano esgotou as "pilhas" nos dois primeiros jogos. Gonçalo Guedes, André Silva, Gelson Martins e Bernardo Silva, estiveram muito abaixo do que valem. Só mesmo Ricardo Quaresma mereceu todos os minutos que jogou...

(Grande lençol! Não era para escrever tanto, mas...)

(Se há alguém que voltou a demonstrar que é um dos melhores guarda-redes do mundo, é Rui Patrício - fotografia de autor desconhecido)

sábado, junho 30, 2018

Um Outro "Cine Futebol Clube"...


Através de Miguel  Carvalho e da "Visão", tomei conhecimento da realização na cidade do Porto da terceira edição do "Cine Futebol Clube" (ontem e hoje).

O Miguel explica-nos que este é: «Um festival de estádio cheio onde o jogo é apenas o pretexto para ler as máscaras feridas, laços e imaginários que atravessam o planeta.»

Escolhemos as palavras que escreveu sobre Bagdah Messi, que foi filmado em cenário de guerra por Sahim Omar Kalifa. Filme que já venceu 12 prémios internacionais e foi seleccionado para os Óscares (é exibido hoje à noite no "Hard Club"):

«No Iraque devastado, o pequeno Hamoudi tem apenas uma perna, mas dois sonhos, jogar futebol e conseguir ver, pela televisão, a final da Liga dos Campeões entre o Barcelona de Messi e o Mancester United de Cristiano Ronaldo.»

(Fotografia de autor desconhecido do pequeno Hamoudi, que por razões óbvias deve ter sido "empurrado" para a baliza - retirada da "Visão")

quarta-feira, junho 20, 2018

Os Tempos de "São Ronaldo"...


Até agora, ver a nossa Selecção jogar no Mundial, afecta o sistema nervoso de qualquer português.

Há vários jogadores abaixo do que valem (Raphael Guerreiro, José Fonte, William Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes... ou seja, mais de meia-equipa), o que acaba por comprometer a resposta ao jogo, que continua a ser, sobretudo, colectivo.

E depois isto acaba por ser contagiante... Quase toda a equipa perdeu demasiadas vezes a bola, com muitos passes falhados, alguns dos quais na direcção dos adversários, e em zonas proibidas.

A nossa sorte tem sido Rui Patrício, Cédric, Pepe (que mesmo sem estar no seu melhor, é imprescindível...)  e Cristiano Ronaldo, mais uma vez o "Salvador da Pátria".

Se se mantiver a teimosia do nosso treinador, sempre muito conservador (incapaz de alterar o onze base, mesmo quando tem um Mário Rui, um Adrien, um Manuel Fernandes, um Ruben Dias, um Quaresma ou um André Silva no banco...), desta vez ficaremos pelos oitavos de final...

(Fotografia retirada do "site A Bola")

sexta-feira, junho 15, 2018

O Jogo e o Espectáculo...


O futebol tem dentro de si muitas coisas curiosas. Uma delas é a forma como cada um de nós o olha e vive. 

Ainda há quem consiga olhar para o jogo como uma modalidade desportiva, quem goste do jogo pelo jogo, ao mesmo tempo que se se espanta com a criatividade e o talento dos jogadores, que por alguns momentos se aproxima do que chamamos "arte"... Claro que começam a ser uma raridade.

A maior parte das pessoas olha para o futebol como um espectáculo, cuja beleza plástica não se resume ao que se passa dentro do relvado, mas sim a tudo o que o rodeia, quase sempre influenciados pelas "máquinas publicitárias" e por essa doença moderna que se chama "clubite aguda". É por isso que uma boa parte dos espectadores não vão ao futebol à procura de um jogo bem disputado, vão sim ver os seus clubes preferidos ganhar, sem se preocuparem muito se foram os melhores. Só a vitória conta. É como se o espectáculo de futebol fosse, aparentemente, um espaço só para "vencedores"...

É por estas "diferenças de olhar", que há quem prefira ver o jogo no sossego do lar e quem se equipe a rigor para visitar os estádios ou os espaços públicos, com ecrãs gigantes, transformados em "cine-estádios" (como agora com o Mundial...), onde entre outras coisas, se partilham emoções...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 10, 2018

Portugal, Futebol e Telenovelas...


Hoje Dia de Portugal, com as Comunidades, o Camões e até a "Raça", a um pequeno passo, apetece-me escrever sobre o absurdo de toda esta "futebolização" televisiva, que consegue dar cabo da paciência a qualquer pessoa, por muito que goste de futebol.

Eu pergunto: será que os principais clubes (Benfica, Sporting e Porto) são assim tão importantes para a maioria dos portugueses, ao ponto de serem notícia em todos os canais televisivos noticiosos? Acredito que não. E vou mais longe, passávamos todos bem melhor sem termos de assistir, de "camarote", a todas estas misérias alheias.

É por isso que não percebo todo este "tempo de antena", muito menos a atenção que se dá ao "ditador de Alvalade", que ofende diariamente a inteligência de qualquer pessoa com as suas intervenções, até por normalmente não responder às questões que lhe são colocadas. Só por este pequeno grande pormenor, os jornalistas deveriam virar-lhes costas e deixarem-no a falar sozinho. Se gosta de discursar horas e horas para as câmaras (à boa maneira "fedeliana"), tem a televisão do seu clube, aliás, a única que recomendou aos sportinguistas...

Quem esteja de fora, deve pensar que anda tudo maluco. E deve questionar-se: como é possível perderem-se tantas horas, com insignificâncias, que não contribuem com nada de positivo, para o nosso país? Até porque há muito que  estes acontecimentos deixaram de ser tratados como notícias. São sim, meros "folhetins de telenovelas"...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 05, 2018

A Meritocracia é uma "Treta"


Há muito boa gente que gosta de falar da meritocracia, como se esta fosse uma realidade do nosso país. Mas todos sabemos que nem precisamos de fazer muitas contas de cabeça, para recordarmos exemplos de que não passa de uma "treta", ou de um "tapa-olhos", para quem anda distraído.

Tanto no sector público como no sector privado da nossa sociedade, não faltam exemplos de gente que ascende a altos cargos, sem terem a qualidade que lhes deveria ser exigida. E muitas vezes utilizando os outros como "tranpolim"...

Claro que não estou a falar dos gestores, peritos em destruir empresas públicas, até porque podem ter sido escolhidos exactamente para esse fim...

Não deixa de ser curioso que o futebol (dá para tudo...)  também funcione como uma boa metáfora da "meritocracia". Digo isto porque uma das coisas mais curiosas que verifiquei neste defeso, foi o facto dos dois técnicos que desceram de divisão (Ivo Vieira no Estoril e João Henriques no Paços de Ferreira) já terem sido contratados por duas equipas da Primeira Liga (Moreirense e Santa Clara)...

(Fotografia de Luís Eme)