«Não conheces críticos? Estás fodido...»
Não, não conhecia críticos, pelo menos travestidos com a "farpela" que a Lília lhes oferecia, na nossa conversa. Conhecia um ou dois jornalistas que também escreviam sobre livros, mas aparentemente não tinham qualquer peso editorial ou institucional.
Ainda lhe expliquei que éramos um país demasiado pequeno e com um mercado curto. Ela insistiu que era nesses casos que se fazia mais "lobby", que se fechavam mais portas e janelas, para que as "prima-donas" não se sentissem ameaçadas.
Falámos de livros, de escritores, de jornais e de jornalistas. Como eu insistia em não a levar a sério, ela abriu a pasta e mostrou-me alguns recortes com notas de leitura e reportagens sobre dois ou três livros vulgares, que tinham recebido "estrelas cheias de baba" dos críticos dos semanários da nossa praça.
Continuámos a sorrir porque o lado anedótico da situação era no mínimo inspirador. E também por sabermos que era difícil que as coisas na cultura fossem diferentes dos mundos da política ou do futebol, neste falso "paraíso" com muito de mar.
Depois de nos despedirmos, enquanto atravessava o rio, acabei por ficar a matutar no assunto.
Se por um lado, nunca tinha pensado na importância de quem escreve conhecer os tais "críticos", sabia que as "capelinhas literárias" tinham lugares marcados... E se eu conhecia livros e autores de qualidade que não tinham direito a uma simples nota de leitura na revista "Ler" ou no "Jornal de Letras"...
(Fotografia de Luís Eme)
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