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quarta-feira, junho 12, 2019

A Vontade de Fugir a Sete Pés do Contraditório


Olho à minha volta e sinto que cada vez há mais instituições e gentes a quererem viver sem os "constrangimentos democráticos", tentando escapar sempre que podem ao contraditório. Eu sei que discutir as coisas com os outros, especialmente com quem pensa de uma forma diferente de nós, é realmente uma chatice... Mas também sei que continua a ser o melhor caminho para se encontrarem as melhores decisões (no meu entender, claro...). 

A nível empresarial, o que aconteceu na TAP, é um bom exemplo de quem acha que pode tomar decisões, sem ouvir os outros accionistas (neste caso ainda é mais grave porque o Estado é o accionista maioritário...), apenas por que é mais agradável fazer o que nos diz o nosso umbigo.

A nível associativo também conheço vários exemplos, em que se tenta escapar a decisões tomadas em assembleias gerais (decididas pela maioria dos sócios), apenas porque contrariam a linha do pensamento de quem dirige...

A história diz-nos que quando a democracia começa a perder, o "terceiro estado" (nós, o povo, essa imensidão de gente...) é sempre o principal derrotado...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 29, 2018

O Dia Seguinte...


Acho ridículas todas as tentativas de nos querermos "transvestir" em brasileiros, e pior, querer comandar as suas opiniões e vontades.

E como não frequento as redes sociais, estou longe de conhecer as maiores bizarrices, que se disseram nos últimos dias.

Como amante da liberdade, continuo a pensar que todos os povos são livres de escolher os seus governantes, mesmo que estes tenham tiques de "ditadores" e consigam dizer as coisas mais estúpidas e absurdas, com o ar mais sério do mundo. E nem é aquela coisa, de se mereceram uns aos outros.

Provavelmente nós portugueses, também não merecíamos ter tido Cavaco Silva como primeiro-ministro e presidente da República durante duas décadas... e tivemos.

O mais grave disto tudo, é não percebermos o que aconteceu no Brasil, nos últimos anos, até se chegar a uma situação destas... Não percebermos que os brasileiros se sentem mais inseguros que nunca, com a violência que alastra nas ruas; e que se sentem mais indignados que nunca, pela onda de corrupção que invadiu todas as instituições, públicas e privadas.

À distância de um Oceano, largo e tempestoso, sei que preferia que a democracia triunfasse no Brasil. Tal como alguns anos antes, tinha desejado que o mesmo acontecesse no EUA. Mas eu sou português. só voto em Portugal (e sou daqueles que voto sempre, por mim e pela memória do meu pai e dos meus avós...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 14, 2018

A Democracia é Outra Coisa...


Esta onda de preocupação (quase doentia) pelo futuro político do Brasil, tem me feito pensar em várias coisas, mas nunca em Bolsonaro, que para mim vale muito pouco como gente, mesmo sabendo que existe uma forte possibilidade de ser o seu próximo presidente.

Tenho pensado sobretudo no nosso país, no que os nossos governantes têm feito à nossa democracia...  ao ponto de 60% da população portuguesa se recusar a votar.

Se quem nos governa, continuar mais preocupado em governar a sua vidinha, que o país, a nossa democracia também terá os dias contados.

Sim, ao contrário do que muito boa gente diz, corremos o mesmo perigo que as outras democracias europeias correm (algumas já foram engolidas...). O que nos tem salvo dos populismos emergentes é ainda estar muito presente na nossa sociedade o "fantasma" da ditadura salazarista e marcelista. 

Mas daqui a dez, quinze anos, a maior parte das pessoas que viveram essa época tenebrosa, já desapareceu... Se nada mudar, estamos cá para ver (infelizmente).

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 05, 2018

Um Olhar sobre a Catalunha e os Independentistas...


Nunca escrevi nos meus blogues sobre a Catalunha e sobre os independentistas, por ser um tema polémico e pela dificuldade em ter uma opinião consistente, sem conhecer de perto a realidade local.

Mas à partida parece-me absurdo que num país democrata (e por muitas voltas que se dê, a Espanha é uma democracia...), uma província ou região, se queira tornar independente por via da força e não pelo diálogo. Mesmo que assuma ter razões válidas para que isso aconteça, no campo histórico, social, político ou económico.

Também sei que às vezes o diálogo é uma "conversa de surdos", e que o governo central de Espanha se fartou de dar "tiros nos pés", ao ponto de conseguir equilibrar uma causa, que à partida parecia não ter consistência, política e social.

Por outro lado, penso que é de uma cobardia atroz, que o líder do movimento independentista fuja do seu país, enquanto alguns dos seus companheiros de luta, além de terem visitado o cárcere, permanecem em Barcelona...

Mas volto a frisar, que este é o ponto de vista de alguém que apenas conhece a realidade da Catalunha, pelas notícias dos jornais e da televisão...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Estás a Fugir para Onde, Democracia?

O que se está a passar no Sporting e no PSD são apenas dois bons exemplos de que a democracia já deixou de ser o que era, e há já algum tempo.

Não vale a pena estar a culpar os EUA e o Trump, porque os nossos problemas ainda não são os deles. Por muito que gostemos de andar em rebanho e de ficar à espera que os outros decidam por nós, ainda não chegámos à América.

Mas é triste quando um dirigente desportivo acha que deve decidir quais os jornais que devemos ler, ou a televisão e rádio que devemos ver e ouvir. E ainda é mais triste, se há uma ou duas pessoas que fazem o que ele quer...

No PSD, embora as coisas se passem de uma forma diferente, todos sabemos que a democracia não é aquilo. Percebe-se à légua que a minoria não aceitou e não consegue respeitar a escolha da maioria dos militantes. E ainda antes do seu presidente começar a trabalhar, os jogos de bastidores já se iniciaram, com o objectivo de "minar" o caminho do novo líder. Mas não deixa de ser triste, que os social-democratas em vez de fazerem oposição à verdadeira oposição política, combatam o próprio partido. 

Quem deve esfregar as mãos de contente com este cenário é uma tal Cristas... (da mesma forma que o Benfica e o seu presidente também devem estar muito agradecidos ao líder dos rivais).

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, janeiro 27, 2018

Edmundo Pedro Deixou-nos aos 99 anos...

Edmundo Pedro, grande figura da luta antifascista e da nossa democracia, faleceu hoje, com 99 anos de idade.

Tive o prazer de o conhecer no lançamento de um dos meus livros, como escrevi em 2008 no "Casario do Ginjal"

Era um homem fascinante e integro, cuja história de vida foi feita com episódios verdadeiramente apaixonantes, e dignos de um filme.

Basta lembrar que com apenas 15 anos foi feito prisioneiro devido ao movimento do 18 de Janeiro de 1934 e pouco tempo depois foi estrear o presídio do Tarrafal, juntamente com seu pai, Gabriel Pedro (o maior mártir deste campo onde fora "condenado à morte" da qual só escapou por "milagre"). Numa das nossas conversas contou-me as peripécias da sua tentativa de fuga do "Campo de Morte Lenta", onde tudo correu mal, apesar das fortes possibilidades de ser bem sucedida - até sabiam as horas em que passava um barco próximo da Ilha (juntamente com o seu pai e outro companheiro)...

Edmundo nunca deixou de lutar pela liberdade, primeiro no PCP e depois no PS (que ajudaria a fundar em 1973). Participou de forma activa nas maiores campanhas e tentativas de golpes contra o salazarismo, tendo sido preso várias vezes... 

Era de uma lealdade e solidariedade pouco comuns, como se comprovou quando foi preso como traficante de armas, quando ia devolver as armas que estavam em poder do PS desde o "Verão Quente" e ficou em silêncio, para não beliscar a imagem do seu partido, nem colocar o seu secretário geral em causa.

Sabemos que esta coisa de viver não é feita de merecimentos, mas que ele merecia chegar a Novembro e festejar o centenário do seu nascimento, merecia...

(Fotografia de Gerardo Santos)

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Quando a Fotografia Aparece Como uma Forma de "Democracia"...

Uma das distinções sociais que vigoraram até praticamente ao fim da monarquia, foi o registo em pinturas a óleo das meninas e dos meninos das famílias mais distintas da sociedade de então.

A fotografia quando aparece, torna-se logo mais abrangente, chega a quase todo o lado. Os fotógrafos "a la minute" que assentam arraiais nos jardins e nas feiras, fazem as maravilhas de toda a gente, de todos os estratos sociais.

Não tenho qualquer dúvida que a fotografia quando surge, se transforma quase numa espécie de "democracia"...

(Fotografia de Francesc Català Roca)

sábado, janeiro 07, 2017

Mário Soares (1924 - 2017)

O Grande Político do Portugal Democrático, deixou-nos hoje (os episódios diários - enquanto duraram - da sua "morte anunciada" à porta do hospital não dignificaram em nada a sua memória)...

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, novembro 28, 2016

Revoluções e Palavras em Novembro

Falava-se do 25 de Abril por ser 25 de Novembro.

No início eram quase a "antítese" (o céu e o inferno), mesmo que na mesa estivesse alguém que tinha feito parte deste último movimento, que apenas queria devolver a democracia ao país, acabar com os exageros cada vez mais perigosos, de tantos esquerdistas agrupados em mil e um partidos, que tanto poderiam ser maoistas, como marxistas e leninistas. As amplas liberdades deram-lhes a possibilidade de andarem armados (também em parvos, mas andavam mesmo com armas de verdade). Habituaram-se a ocupar tudo o que parecesse vazio, sempre em "nome do povo" (que costas tão largas que tu sempre tiveste...).

Foi então que a memória os recordou desses tempos cheios de "polícias" (quase todos gadelhudos e com barba revolucionária...), que tiveram o seu auge no dia 28 de Setembro, um dos dias em que puderam virar quase de pernas para o ar todos os carros que lhes apareceram à frente...

Eu sabia que o 25 de Novembro não tinha sido feito para que tudo voltasse a ser como dantes. Para que as famílias exiladas no Brasil e em Espanha regressassem com vontade de "reconquistar" os seus impérios nacionalizados (o que acabou por acontecer, mais ano menos ano...), ao mesmo tempo que se fingiam "vitimas" e pediam indemnizações milionárias ao Estado (e não é que alguns as receberam mesmo?).

Entretanto voltei ao presente. 

E não é que dois dias depois das "iscas" o "melhor administrador de bancos deste país" (só pode ser isso ou algo parecido...) pediu a demissão. 

Um homem passeava na rua com uma folha que parecia um mapa e que abria aqui e ali, para mostrar que fulano era filho de beltrano e neto se sicrano. Talvez por um mero acaso, lá voltavam as velhas famílias, que sempre se "governaram bem" neste país, ora disfarçados de banqueiros, ora de empresários, e sempre "de sucesso!", à baila...

E eu fiquei a pensar que mais importante que saber de onde tinham vindo tantos ministros, secretários de estado, deputados e gestores, com nomes que eram tão familiares a Salazar, era o que tinham feito para chegar até aqui...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O Novo Presidente e Estas Sondagens (Irritantes)

Embora tenha acontecido o que se esperava, quem não pertence à área política de Marcelo Rebelo de Sousa alimentava a esperança de uma segunda volta, da possibilidade de um novo "tira-teimas", desta vez só a dois. E com o imaginário em Freitas e Soares, embora hoje tudo seja diferente, com uma esquerda mais desunida...

E o mais curioso é que as divisões não se verificam entre os partidos de esquerda, mas sim no interior do próprio PS. Não tenho grandes dúvidas que muitos dos "inimigos" do Costa e "amigos" da Maria de Belém, preferiam aclamar Marcelo como presidente a votar em Sampaio da Nóvoa.

E estas sondagens (tão certeiras...) continuam a irritar-me. Já nas eleições legislativas, nunca acreditei na vitória da coligação de direita. Pensava que os seus quatro anos de governação, em que colocaram o país num estado miserável, tinham sido suficientes para empurrarem as pessoas para outro tempo, mas não. E agora fiei-me um pouco de sermos um país maioritariamente de esquerda, esquecido que metade da nossa população prefere não escolher, entregar-se à vontade dos outros. São sobretudo estes que merecem os Passos, os Portas e os Cavacos...

E agora só espero que Marcelo seja o que disse no seu discurso de vitória, porque precisamos de um presidente responsável em Belém e não de um "catavento". Já nos chegaram os últimos dez anos, povoados de "cobardias" e "silêncios", bem escondidos nos roteiros cavaquistas "do nada".

(fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Essa Coisa Chamada Democracia


No decorrer de um trabalho de investigação sobre a cisão de uma colectividade centenária, um dos meus companheiros estava cada vez mais inclinado a dar razão ao homem que tinha batido com a porta,  para posteriormente formar uma outra associação, rival e inimiga, pelo menos nos primeiros anos.

Já tinha esgotado quase todos os argumentos quando lhe lembrei que a democracia se alimentava da vitória das maiorias, por muito que achássemos que estava errada. Não podíamos esquecer que o senhor que se achava certo, foi derrotado pela maioria dos elementos dos Corpos Gerentes. Como não aceitou a derrota, saiu, juntamente com os seus correlegionários. 

A minha última frase bastante elucidativa: «é desta maneira que começam todas as ditaduras...»

Foi um ponto de vista forte que o deixou a pensar e fez descer à Terra, porque ele sabe tão bem como eu que não basta criticarmos as ditaduras e os ditadores, é preciso sim, sabermos viver em Democracia.

O óleo é de René Magritte.

quarta-feira, dezembro 09, 2015

A Coragem Intelectual e Política


Apesar de Pacheco Pereira gostar de controvérsia e de "nadar contra a corrente", é um dos comentadores que mais desafia a nossa inteligência, porque nunca se limita a dizer mal disto ou daquilo. Desenvolve sempre o seu pensamento com grande clareza, sem nunca ter medo de incomodar este ou aquele, à esquerda ou à direita.

Houve alturas em que pensei que as pessoas como ele não têm lugar dentro dos partidos, porque são demasiado livres para se submeterem à, tantas vezes incómoda, disciplina partidária.

Hoje continuo a pensar a mesma coisa. Embora reconheça que o problema está mais dentro dos partidos que em pessoas como o Pacheco Pereira. A diversidade de opiniões desde há uns anos para cá passou a ser ser uma coisa negativa nos grupos políticos, algumas vezes até é encarada como "traição", como se toda a gente tivesse de gostar do amarelo ou do lilás.

Lembro-me do tempo em que quase todos os partidos criticavam o PCP pela sua disciplina interna, apelidada de "estalinista".  É por isso que me incomoda o que se passa na actualidade em praticamente todos os partidos, em que a chamada "voz do dono" impera sobre todas as outras.

Ou seja, não foi o Pacheco Pereira que mudou. A democracia partidária é que passou a ser uma coisa diferente, deixando muito a desejar, pelos exemplos que nos são oferecidos quase diariamente.

Este é apenas mais um dos exemplos de que somos em 2015 um país muito menos livre que em 2010, para não recuar mais no tempo...

quarta-feira, novembro 25, 2015

As Duas Verdades do 25 de Novembro


Passados 40 anos, as opiniões continuam divididas nos dois lados da "barricada" que quase se confrontaram no dia 25 de Novembro de 1975. Quase.

De um lado a esquerda com mais extremidades, uns mais utópicos outros mais malandros, mas quase todos com os mesmos objectivos: ter algum poder, nem que fosse para conseguir alcatroar a rua onde moravam ou para levar até lá água canalizada. Não, não vou falar daqueles que se achavam no direito de ocupar fábricas, casas, quintas, etc, apenas porque pertenciam aos "gajos ricos".

No outro lado encontravam-se a maior parte dos portugueses, ou seja as pessoas que tinham votado maioritariamente no PS e no PSD, os partidos com mais deputados na Assembleia Constituinte (saída das primeiras eleições livres realizadas a 25 de Abril de 1975) e também a gente mais conservadora, e até reaccionária (não estavam todos em Espanha e no Brasil)...

Este período foi quase dourado para muitos oportunistas (muitos deles curiosamente hoje pairam no PS e no PSD e contribuíram enquanto governantes para que o nosso país esteja na situação em que está...), bem falantes, que empurraram para trás os verdadeiros protagonistas da revolução e da resistência antifascista.

E quem tivesse dois dedos de testa, percebia que se tinha de se acabar com toda aquela "rebaldaria". E que isso só seria possível através de um desvio político, mais para o centro democrático, porque liberdade nunca foi o mesmo que libertinagem.

Claro que tudo isto é desculpável, se pensarmos que as pessoas tinham vivido quase meio século subjugadas a um regime autocrático e repressivo. E queriam a igualdade a qualquer preço.

Felizmente algumas das pessoas mais lúcidas que ajudaram a fazer o 25 de Abril (Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vitor Alves, Pezarat Correia, Vitor Crespo, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Sousa e Castro), perceberam a tempo para onde caminhávamos e uniram-se, redigindo o "documento dos nove", que culminaria com a mudança política registada a 25 de Novembro, em que foram neutralizadas as forças militares que estavam mais próximas da esquerda revolucionária.

Infelizmente as coisas não caminharam para a existência de uma verdadeira democracia, porque se cometeram vários erros. O maior talvez tenha sido permitir que o poder económico que dominava o país antes de Abril, voltasse a ter a primazia, com os resultados que todos sabemos (e culminaram com os "roubos" do BPN e BES...).

Mas, mesmo sendo de esquerda, não tenho dúvidas que nesse Verão Quente era mesmo necessário arrefecer os ânimos, era preciso caminhar na direcção de um regime mais democrático e pluralista.

A ilustração é de Loui Jover.

sábado, novembro 07, 2015

O Ressentimento e o Ódio Despertaram, Quarenta e Um Anos Depois...


No dia 25 de Abril de 1974 tinha apenas onze anos e vivia numa Cidade pacata, sem grandes laivos revolucionários.

Mesmo assim sempre gostei deste dia e da feliz ideia de crescer num país mais justo, fraterno e livre, que aquele que existira até então. 

E também gosto do que aconteceu no PREC, mesmo que tenha sido um período de grandes batalhas entre as esquerdas, os centros e as direitas. Embora nesses tempos andasse mais entretido a brincar, sei do que falo porque tenho lido muitos jornais, revistas e livros, e claro, ouvido o testemunho de tantos amigos mais velhos, que viveram esses anos inesquecíveis de 1974 e 1975, com os sonhos quase a flor da pele.

É por isso que me espanta, que 41 anos depois da Revolução, a possibilidade da existência de um governo com o apoio da esquerda (maioritária no parlamento) assuste tanta gente e liberte tantos fantasmas...

Hoje ouvi uma história pela primeira vez, da violência que era exercida sobre os operários não comunistas na Lisnave. Embora a fonte esteja longe de ser credível, não deixei de ficar espantado pelo relato, em que alguns elementos nem sequer para o duche se deslocavam sozinhos. 

E mesmo que seja verdade, porque razão estas pessoas não esqueceram todos esses excessos, próprios das revoluções (e a nossa até foi das menos sangrentas que se conhecem)?

E porque razão não confiam na palavra dos comunistas?

Não consigo compreender todo o ressentimento e ódio que têm enchido as páginas de alguns jornais. 

Talvez o problema tenha sido ter apenas onze anos no dia 25 de Abril de 1974 e viver até aos dezoito anos numa Cidade pacata, sem os tais grandes laivos revolucionários.

Ou talvez não. Provavelmente o problema está nos meus pais, que nunca alimentaram na nossa casa qualquer tipo de ódio ou ressentimento. 

E como lhes agradeço, de todo o coração.

A fotografia é de Bill Perlmutter, a prova de que a Vila da Nazaré não foi descoberta por McNamara.

segunda-feira, setembro 14, 2015

O Silêncio Político (involuntário) e a Nudez (voluntária)


Quem olhe para as notícias televisivas fica com a sensação que só concorrem às eleições duas coligações (PAF e CDU) e dois partidos (PS e BE).

Não se ouve falar do LIVRE/ Tempo de Avançar, do PDR  (ambos com aspirações na eleição de deputados...) ou ainda de outros pequenos partidos como o  PCTP/ MRPP, AGIR ( PTP/ MAS), PAN, PPM e MPT.

Por exemplo, a Joana Amaral Dias para "agir" teve de se despir - duas vezes -, só assim é que falaram dela (embora tenham continuado a ignorar a sua coligação...).

Este é apenas mais um dos sinais onde foi parar a nossa democracia e o nosso jornalismo.

Gostava  que estes partidos mais pequenos conseguissem eleger deputados (apesar de saber que é muito difícil...). Era uma bela "lapada de luva branca" a todos aqueles que dirigem as direcções de informação dos canais televisivos, das estações radiofónicas, sem esquecer os directores de jornais e os comentadores pouco independentes (e ainda menos livres).

O óleo é de Jan Sluijters.

sábado, agosto 22, 2015

Justiça Portuguesa de Hoje Quase Igual há de Antes de Abril


Se há um sector da sociedade onde a democracia praticamente nunca conseguiu entrar, é a justiça.

Há claramente uma justiça para o comum dos cidadãos e outra para os poderosos, que normalmente se limitam a ser arguidos e a pagar fianças, mesmo que estas sejam milionárias, quando culpados. Os melhores exemplos são os últimos casos em que foram delapidados milhões ao estado (BPN, Submarinos e BES) e só um dos envolvidos num dos casos foi preso, ou seja, foi a excepção que confirma a regra.

E quando entramos nos labirintos da política descobrimos ainda a existência de outra dualidade de critérios: há uma  justiça para a esquerda e outra para a direita. 

Não foi por acaso que no primeiro grande escândalo de pedofilia, despoletado no interior da "Casa Pia", as únicas figuras dos meios políticos que foram "empurradas" para a praça pública faziam parte do PS (nem o Presidente da República de então escapou à onda de boatos...), ao mesmo tempo que eram omitidos os nomes de figuras ligadas ao PSD e ao CDS.  E não estamos a falar apenas da famosa "Catherine Deneuve", frequentadora habitual do Parque Eduardo VII...

A prisão de José Sócrates (que pode muito bem ser culpado...) é o maior exemplo desta dualidade de critérios, desde a forma mediática como foi feito prisioneiro no aeroporto a todos os passos seguintes, especialmente por ainda ninguém saber ao certo (excepto os juízes e investigadores envolvidos em todo o processo) qual o crime que cometeu.

E voltando um pouco atrás, será que os "ladrões" que usaram o BPN e o BES para enganar e roubar milhões de portugueses, inclusive o Estado (que somos todos nós e tivemos de "tapar" o buraco financeiro criado por estes bandidos), são menos criminosos que o antigo primeiro-ministro? 

Da única coisa que não temos dúvidas é que devem andar por aí a sorrir e no mínimo a pensar que estão acima das leis deste país...

Olhando para todo o historial de crimes económicos e financeiros, até se fica com a sensação de que a justiça é ainda mais injusta que a de antes de Abril, em que se prendiam pessoas sem culpa formada...

O óleo é de Francis Boleau Cadell.

sábado, fevereiro 28, 2015

Duas Certezas que Tenho, neste Tempo de Incertezas


Aos sábados acordo sempre cedo. Normalmente fico ainda um bocado na cama a ver passarem ideias e reflexões.

Desta vez dei por mim a pensar que na actualidade serei tudo menos católico e comunista, olhando para a prática diária das "casas-mãe" destas duas ideologias (Igreja Católica e Partido Comunista).

E isto não acontece apenas por me saber demasiado libertário ou por gostar muito de pensar pela minha cabeça. Mas sim por sentir que estas duas "instituições" estão mais próximas do que parecem (uma da outra), pela superioridade moral que espalham (ou pelo menos tentam) na sociedade. 

Ambos se sentem os "escolhidos". Uns pensam que são os únicos filhos de Deus e que só eles têm a chave do "céu". Os outros pensam que são os únicos donos da verdade e da solução para um mundo mais justo.

Claro se Jesus e Marx, passassem por aqui, olhando para as suas práticas, eram capazes de lhes dizer que tinham interpretado mal as "cartilhas" que ambos deixaram por cá, mas...

O óleo é de Blake Flynn.

terça-feira, janeiro 20, 2015

Democracia Versus Ditadura


Durante o almoço de ontem, falámos de muitas coisas, até de histórias de outros tempos (que não são os meus...) e da sabedoria de algumas pessoas cuja experiência de vida lhes dizia, logo no dia 26 de Abril de 1974, que não iríamos conseguir viver em democracia, porque não sabíamos pensar por nós, nem sabíamos o que queríamos.

Devo acrescentar que estas palavras ditas após a Revolução foram o desabafo de  um oposicionista, culto, cansado de lutar contra a corrente, desde a sua juventude, quando fez parte do MUD Juvenil.

Meses depois entretinha-se a olhar para os "comunistas novos" que subiam aos palanques para discursar. Gente que nunca encontrara nas batalhas que travou contra o salazarismo e o marcelismo. O mais curioso era olhar sem sentir qualquer estranheza.

Ele conhecera muita gente e lera muitos livros (talvez demais, se isso existe...). Por isso, sabia melhor que ninguém, que nas "guerras pelo poder" eram mais importantes os oportunistas que os idealistas... da mesma forma que sabia que precisávamos de viver pelo menos 50 anos em democracia, para nos habituarmos a ser donos das nossas acções e ideias.

Eu escutara em silêncio o filho a retratar o pai, com um orgulho desmedido. E com razões para isso. Foi também por essa razão que me apeteceu homenageá-lo, aqui, no Largo.

O óleo é de Alberto Godoy.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

A Liberdade não Tem Dono nem Preço


Antes do atentado de Paris, tinha tido uma conversa extremamente rica com um homem fascinante, o Filipe, sobre a tentativa (frustrada, diga-se de passagem...), de me condicionarem enquanto homem de letras e de pensamento livre (sobre algumas "postas" publicadas no Casario do Ginjal , sobre o Poder Político Almadense).

Ele sorriu quando lhe contei o que tinha passado e afirmou: «o mundo está cheio de donos de qualquer coisa, até da liberdade, a única coisa que nunca devia ter dono.» 

Depois contou-me o que lhe sucedera durante o PREC, a ele que sempre fora oposicionista da ditadura, terminando desta forma: «Ainda hoje, quando penso que fiquei aliviado com o 25 de Novembro em 1975, não me sinto muito confortável. Mas é a verdade. Fiquei aliviado porque se caminhava para outro tipo de ditadura, pelos grandes defensores da liberdade de então.»

Para que eu não ficasse com qualquer dúvida, deu-me a explicação mais simples que alguém poderia dar: «Luís, antes do 25 de Abril chamaram-me mais que uma vez comunista. Depois da Revolução, também me chamaram, mais que uma vez, fascista. Nada que me preocupasse muito. Ainda hoje é assim, nunca fui com a "manada", sempre gostei de pensar pela minha cabeça.»

O óleo é de Olga Sergeevna.

terça-feira, novembro 25, 2014

25 de Novembro de 2014


Às vezes pergunto a mim próprio, que país seria o nosso, se os vencedores do 25 de Novembro têm sido os revolucionários de esquerda que estavam no lado de lá da barricada os outros, os revolucionários de esquerda.

Provavelmente teria sido derramado sangue e o país tinha sido destruído, economicamente, numa primeira fase, para depois se reconstruir.

Mas o mais grave, é que mais tarde ou mais cedo, acabaríamos por voltar a viver em ditadura, tal como acontecera em 1926, com o "povo" a não querer ouvir falar na palavra Esquerda, tal como acontecera na Primeira República com os democratas republicanos...
~
Ou seja, esta gente que nos (des) governa, não tinha esperado quarenta anos para destruir os alicerces de um país que já foi democrático e teve preocupações sociais. provavelmente dez teriam chegado.

Já o Salazar, "grande amigo da democracia" dizia para se criarem coelhos...