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quarta-feira, outubro 24, 2018

A Apropriação das Memórias...


Tenho lido algumas críticas (quase sempre de militares...) a António Lobo Antunes, por ele ficcionar demasiado a Guerra Colonial. Outros ainda vão mais longe, e duvidam mesmo que ele, que foi médico militar, alguma vez tenha pegado numa arma, ou até tenha estado em contacto directo com o fogo inimigo.

Acho todas estas críticas patéticas e mentirosas. Sem precisar de lhe perguntar, tenho a certeza de que pegou em armas, assim como esteve presente em situações de combate.

Mas mesmo que isso não tivesse acontecido, reconheço toda a legitimidade a Lobo Antunes para escrever sobre essa guerra estúpida (como são todas...). Ao tratar dos seus camaradas feridos em combate, sentia as suas dores e o feridas, um pouco como suas. É esse o espírito militar. E a união ainda se solidifica mais em situações dramáticas... 

E vou ainda mais longe, o escritor faz muito bem em se apropriar das memórias dos seus antigos camaradas, que sabem que têm nele, um extraordinário "porta-voz".

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 10, 2017

As Imagens que Falam...

Há muitas imagens que falam connosco, só que nem sempre lhes prestamos a atenção devida...

Esta imagem da liberdade, tirada na "Travessa do Judeu", por exemplo, ganhou um novo simbolismo, especialmente depois do "rei das américas e arredores" ter declarado Jerusalém Capital do Israel (não sei com que legitimidade... ou aliás sei, com a mesma com que os EUA têm invadido países por esse mundo fora).

Claro que o morteiro que dispara cravos da pintura de parede, não tem qualquer equivalência a Oriente, muito menos na Terra dos Judeus... Mas uma imagem com cravos, armas na "Travessa do Judeu" tem de nos fazer pensar um pouco, principalmente na gente perigosa, que nos faz perceber através dos seus actos, que não brincou aos "policias e ladrões" naltura certa, a infância...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 19, 2017

Uma Europa que Empobrece e Apodrece Todos os Dias...

Sei por que razão evito escrever sobre por aqui coisas demasiado tristes, por cobardia, e também para não cair no "lamechismo".

Mas hoje, não consegui fugir de uma reportagem, talvez por ser mais profunda que outras. A espaços coloquei-me no lugar dos milhões de pessoas, de todas as idades, que perderam tudo, até a esperança. Tudo em nome de uma guerra igual a todas as outras, em que se luta pelo poder até à exaustão, esquecendo aquilo que temos de mais importante e nos devia diferenciar dos animais... 

Claro que esta "cobardia" não nasce do nada, transmite-se quase como se fosse uma praga, na Europa dita civilizada. Europa essa cada vez mais carregada de preconceitos, e que em vez de ajudar esta gente que apenas luta pela sobrevivência, de uma forma digna, prefere fazer acordos com os turcos e alimentar a "febre" dos populistas, que confundem refugiados com terroristas.

É também por isto que não sei se haverá alguma possibilidade de se inverter esta caminhada, que "empobrece" e "apodrece" a Europa, diariamente...

E nós no nosso cantinho mostramo-nos solidários com a "Europa" e esfregamos as mãos de satisfação, com a invasão de turistas que descobriram que afinal até somos parecidos com o norte de África...

(Fotografia de António Passaporte)

sexta-feira, julho 15, 2016

No Dia Seguinte...

É impossível ficarmos indiferentes a mais um atentado cobarde, e sem sentido, a inocentes, que continuam a ser sempre as suas principais vítimas, por estarem habitualmente no local certo à hora errada...

Hoje os mais optimistas suspiram fundo e pensam que nem tudo é mau nesta nossa sina de estarmos quase esquecidos neste cantinho da Europa.

Já os adeptos do humor negro dizem que temos escapado com mais facilidade aos ajustes de contas dos falsos "justiceiros do Oriente", que aos ataques perpetuados pelos próprios "donos da Europa", com leis para os fortes e leis para os fracos.

Só os mais realistas, sentem que é bom que se comece a pensar que este sossego não vai durar para sempre. 

Em Paris ou em Istambul há muito que a passagem por uma esplanada deixou de ser um simples momento de descontracção e de convívio.

(Fotografia de  Mark Kaufman)

quinta-feira, junho 16, 2016

Quando não Gostamos de Nós Próprios...


Quando não gostamos de nós próprios, dificilmente gostamos dos outros...

Não sei se é também por isso que somos tão permissivos com os ditadores e revelamos tanto medo de ser livres, de fazer aquilo que realmente gostamos.

Nem me vou esforçar por perceber um país como os Estados Unidos ou os norte-americanos, que depois de nos últimos anos terem sido governados com alguma democracia e liberdade, podem recuar no tempo e eleger como presidente um individuo racista, homofóbico e lunático.

Nos filmes até pode parecer engraçado que num certo estado se viva em democracia e que mesmo ao lado, exista a pena de morte e os xerifes possam fazer a sua própria lei. Mas a realidade é outra coisa, daí que me pareçam absurdos os discursos contra as "coreias" e as "venezuelas" do mundo, para depois se esconder debaixo do tapete todo o "lixo" interno.

É por isso que penso que empurrar o assassínio brutal de mais de cinquenta pessoas, por um só individuo, apenas para cima do terrorismo, é esconder ainda mais coisas debaixo do tapete. 

E se é verdade que o homem que matou e feriu tanta gente era frequentador habitual da discoteca gay de Orlando, ainda se levantam outras questões, como a não aceitação da própria tendência sexual, por se viver numa sociedade que continua a alimentar o ódio pelas minorias e pela diferença.

Continuo a pensar que quando não gostamos de nós próprios, dificilmente gostamos dos outros...

(Fotografia de Walter Sanders)

sexta-feira, novembro 13, 2015

O Alto Preço da Liberdade


As explosões e os atentados que colocaram Paris em estado de sítio, esta noite, podem ser várias coisas. Um aviso sangrento, é com toda a certeza. E terá repercussões por toda a Europa. 

Se o objectivo pretendido é dar início a uma inversão da marcha do Oriente na direcção do Velho Continente, ele será conseguido. Os muros já se começaram a erguer...

Mesmo nós, quase esquecidos neste canto da Europa, ao ponto de pensarmos que somos demasiado pequenos para servir de alvo terrorista, também iremos mudar de atitude, a breve trecho.

Infelizmente o nosso futuro é sermos cada vez menos livres, para felicidade de quem gosta de controlar e condicionar os outros (são cada vez mais...).

Pode ser um reflexo da idade, mas cada vez acredito menos na chamada "bondade humana"...

A fotografia é de Edouard Boubat.

quarta-feira, setembro 09, 2015

Estes Migrantes Selectivos


Uma das coisas que mais confusão me faz, é a vontade da grande parte dos migrantes que chegam do Norte da África Oriental de se deslocarem para a Alemanha, ou então para os países do Norte da Europa, com destaque para a Suécia.

Pensava que quando se foge da guerra, a primeira coisa que se procura é a paz. Provavelmente estou errado. Ou então estes refugiados não são uns migrantes quaisqueres. Além de saberem muito bem o que querem, e para onde querem ir, talvez não venham dos piores lugares do Mundo. E por isso não aceitam qualquer destino...

Sei que alguns portugueses sentem-se aliviados por não verem ninguém nas reportagens televisivas a dizer que querem vir para Portugal. Eu acho estranho.

O óleo é de Dina Brodsky.

quinta-feira, setembro 11, 2014

O Dia de Todas as Distracções


Tal como as pessoas da fotografia (de Thomas Hoepker), estávamos distantes do que estava a acontecer no coração de Nova Iorque, a 11 de Setembro.

Distância que se torna maior se pensarmos na nossa reduzida importância e até na nossa quase invisibilidade, que faz com ainda sejamos olhados como uma das regiões autónomas de Espanha (como era vontade de tantos intelectuais do século XIX, até mesmo Eça, que está sempre na moda nos momentos de crise, agora ainda mais com a adaptação de "Os Maias" por João Botelho...).

Esse distanciamento e a habilidade dos nossos políticos e comentadores - que só falam do que lhes dá jeito ou apetece -, tem feito que percebamos as questões externas de uma forma transversal, como tem acontecido com  o negócio das armas, dos estados "puritanos" que armaram iraquianos, afegãos, sírios, líbios, libaneses, etc, para algum tempo depois de fabricarem "monstros", virem defender a sua destruição...

O aparecimento do tão propagado  Estado Islâmico é lapidar. O importante era destruir mais um ditador, Assad (depois de Saddam e de Kadafi), sem sequer se pensar no que se poderia receber de retorno. Não se aprendeu nada (ou não se quis aprender, as fábricas continuam a produzir armas, o negócio não pára...) com as invasões ao Afeganistão e ao Iraque...

Para quem está de fora do negócio, parece que o feitiço está sempre a virar-se contra o feiticeiro.

Na realidade, não sei se é bem assim...

segunda-feira, julho 14, 2014

Viver Hoje na Palestina


Não sei como é que alguém consegue viver na Palestina nestes tempos infindáveis de guerra.

Pergunto a mim próprio, se são pessoas que têm um sentido muito forte de nacionalidade, ou se simplesmente se sentem encurraladas ali, como se habitassem num lugar transformado em beco sem saída...

Sei que admiro este povo, por continuar a resistir e a lutar contra um invasor, que nem sequer esconde o rosto.

Invasor esse que foi vitima de um dos maiores (senão o maior) extermínios humanos da história do mundo. É isso que me faz mais confusão: como é que um povo que sentiu na pele a violência e a injustiça, não tem grandes problemas em destruir vilas e aldeias, ceifando a vida a "inocentes"...

O óleo é de Justine Brax.

sábado, julho 12, 2014

Austerlitz de Sebald


Acabei de ler, "Austerlitz", de W.G. Sebald.

Não é um livro fácil (foi por isso que o coloquei de lado, pouco entusiasmado com as suas primeiras páginas), é por isso que não devemos desistir de qualquer livro no inicio...

Há alguma originalidade na forma como o autor organiza esta história, no início muito documental, avançando depois para um registo memoralista, muito bem construído, a partir de um encontro entre dois homens. Encontro esse que se repetirá algumas vezes, com diferenças temporais, e retratado sempre como uma daquelas coincidências estranhas das nossas vidas.

A personagem principal, Jacques Austerlitz, conta ao narrador a sua triste história de vida, com mais que uma identidade, pormenorizadamente. Austerlitz nunca se conseguiu libertar dos seus fantasmas, nem do drama de ter perdido os seus verdadeiros pais durante a Segunda Guerra Mundial, por terem cometido o pecado de ser "judeus"...

Este livro é uma viagem dentro de outras viagens, contadas pelo Austerlitz a um amigo estranho, que tem o condão de saber ouvir...

É mais um daqueles livros que vale a pena ler, por estar bem escrito e por deixar algo da sua história dentro de nós.

quarta-feira, abril 16, 2014

Um Povo Sem Memória...


Eu sei que não gostamos muito de pensar, e muito menos de recuar no tempo e rebuscar as nossas memórias.

Essa é uma das explicações para sermos governados pela "mesma gente" há quase quarenta anos, com os resultados que todos conhecemos...

Mas o pior são as contas que todos gostam de fazer, entre o deve e o haver da Revolução dos Cravos.

Quem não gosta muito de pensar, diz que a única coisa que realmente ficou de 1974 foi a liberdade, e mesmo essa, tem dias.

A ignorância sempre foi atrevida, claro que ficaram muitas mais coisas. Não podemos pensar o país apenas pelos últimos quatro anos, em que nos têm sonegado muitas das "conquistas de Abril", especialmente em termos laborais.

Antes da Revolução a maior parte das aldeias do nosso país não tinham electricidade, água canalizada, saneamento nem tão pouco acessos por estradas decentes (em muitos casos eram caminhos de cabras...). Havia quem morresse sem ter sido consultado uma única vez por um médico. As pessoas nunca liam a realidade dos factos nos jornais ou revistas, liam sim a realidade dos censores, que cortavam tudo o que achavam "subversivo". Existia uma polícia política que se alimentava de uma rede de bufos, em quase todas as ruas, que prendia quem lhes apetecia, quase sempre sem culpa formada. E para o fim deixo o pior: havia uma guerra nas províncias ultramarinas que matava e mutilava todos os anos milhares de jovens, que eram obrigados a matar e a morrer pela "pátria", depois de serem enfiados nos paquetes da Companhia Nacional de Navegação em direcção a Angola, Moçambique e Guiné...

Felizmente, Abril, deu-nos muito mais que a Liberdade, até nos deu o tal livre pensamento, que muitos não gostam de exercitar, vá-se lá saber porquê...

O óleo é de Mark Okrassa.

sábado, dezembro 15, 2012

Matar: a Solução Mais Fácil para Resolver os Problemas


Uma sociedade que parece estar a redescobrir que matar é a solução mais fácil para resolver os seus problemas, está de certeza em declínio.

Um declínio longe de ser apenas económico nem financeiro.

Hoje um rapaz de 20 anos matou 28 pessoas numa escola dos EUA (vinte eram crianças...), por razões que nenhuma razão conhece.
A poucos quilómetros do lugar onde vivo, no Laranjeiro, um homem de 30 anos matou a companheira, na presença da filha com quatro meses. 
E nem vou falar da Síria, do Afeganistão ou da Palestina...

Que sociedade é esta, que ainda está no começo da travessia do século XXI?

O óleo é de Christian Zucconi.

sexta-feira, novembro 23, 2012

A Única Coisa que Sei


Não sei se isso se aprende ou se nasce connosco. A única coisa que sei, é que tenho tendência para estar sempre do lado dos fracos, mesmo quando a razão parece querer fugir-lhe debaixo dos pés.

Sei que  nunca vou estar do lado dos israelitas, da mesma forma que nunca estarei do lado dos polícias de intervenção, ou de outra coisa qualquer. Por mais forte e cobarde que seja a "intinfada"...

E tanto se disse e escreveu sobre estes dois temas pela semana fora. 

Eu? Não escrevi praticamente nada, mas continuo aqui, no mesmo lado da barricada dos fracos e desprotegidos. Ao lado daqueles que  atiram pedras ou são capazes de sabotar os "Canhões de Navarone" espalhados pelo mundo.

A ilustração é retirada das histórias de Corto Maltese, do grande Hugo Pratt.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Poesia com Limites


Hoje perguntaram-se se era capaz de imaginar como seria o mundo, se não tivesse existido a tragédia de 11 de Setembro de 2001.


Antes de responder pensei que era capaz de ser um lugar mais seguro e livre.

Claro que era a minha visão poética a falar.

Quando me lembrei da dupla W. Bush e Bin Laden, percebi que a estupidez humana continuaria presente e quase sem limites. Existiriam sempre oportunidades e motivos (com e sem invenções) para organizar a invasão ao Iraque e ataques terroristas.

O óleo de uma Nova Iorque com as Torres é de Deborah Brown.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Três ou Quatro Coisas


Noto que cada vez mais nos limitamos a assistir, serenamente, via televisão, ao que se está a passar na Líbia - e já se passou noutros países das arábias. Começa por ser uma guerra contra um ditador, mas depois é contra todos os seus habitantes. Além de provocar a morte de milhares de inocentes, destrói quase tudo nesses países.


Hoje depois do almoço, falámos superficialmente da Líbia. O foco central da conversa foram as temáticas pelas quais mais nos chateamos uns com os outros, ao ponto de nos agredirmos, verbalmente ou fisicamente. Encontrámos três, de imediato: política, religião e futebol. Mas esquecemos-nos da principal, o Nada.

Foi o Jorge, que não gosta de futebol, muito menos de política ou religião, que nos adiantou que a maior parte das discussões - e até guerras - começam quase sempre do "nada".

Claro que este "nada" pode ser muita coisa, mas tudo insignificâncias...

Acabámos todos por lhe dar razão. Ser filósofo sempre vale alguma coisa...

O óleo é de Steven Lawder.

domingo, agosto 08, 2010

O Futebol Não é uma Guerra

Quem é que é capaz de explicar aos jogadores do F.C.Porto e do Benfica, que o futebol não é uma guerra?

Se o jogo fosse arbitrado por um árbitro decente, não teria chegado ao fim, devido às expulsões devidas aos jogadores das duas equipas.
Infelizmente, todos nós sabemos que enquanto os dirigentes e os treinadores fizerem a apologia da violência, nada mudará nos estádios de futebol portugueses.
(foto do site do "Record")

sexta-feira, agosto 06, 2010

Hiroshima: Metáfora de todas as Guerras

Hiroshima não é uma canção, foi a primeira cidade do mundo a ser arrasada por uma bomba atómica, lançada pela força aérea dos EUA no Japão, há exactamente sessenta e cinco anos.

Como acontece em todas as guerras e atentados, as principais vitimas são sempre a gente comum, inocente, que não pôde escolher entre a paz e a guerra...

domingo, fevereiro 07, 2010

Diário do Meu Tio (três)

«Às vezes penso que nenhum de nós conseguiu ser feliz.

Perdemos o brilho dos olhos, lá, e sei lá que mais.
Só muitos anos depois de ter voltado, já com cabelos brancos e com os teus primos grandes, é que consegui chorar a ver um filme.
Acho que passamos tempo demais a fugir das emoções. Temos medo de fraquejar, como se as lágrimas fossem a arma dos fracos. Mas é tudo mentira, as lágrimas libertam-nos de tantas coisas.»

Nota: O meu tio um dia resolveu falar-me da guerra, depois de eu o ter questionado várias vezes sobre alguns pormenores e receber sempre respostas evasivas.
Seleccionei algumas das coisas que me disse, que coloquei aqui, sem saber muito bem porquê.
Sei que são poucas as pessoas que falam dos momentos que viveram a combater os inimigos, falam apenas da copofonia das cidades, do clima, das mulatinhas e pouco mais. É compreensível, nenhum de nós gosta de falar de coisas sobre as quais não sente qualquer orgulho. Acho que quem viveu a guerra com alguma intensidade, não fala nisso porque sente que deixou por lá um pedaço da alma, regressou sem a capacidade de sorrir e viver, que tinha antes...
E nem vale a pena falar dos pesadelos...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Diário do Meu Tio (dois)

«Sentir-me culpado? Na altura não. Hoje sim. Mas é impossível alterar o passado...

Sermos muito novos e pouco politizados era uma desvantagem para nós e uma vantagem para os nossos comandantes. Qualquer lavagem ao cérebro fazia com que sentíssemos que nós éramos os bons e os pretos os maus.
Nem sequer me lembro de alguma vez me questionar que aquela terra era deles.
Até isso era compreensível, se passeasses por qualquer cidade moderna, eram os brancos que mandavam e eram donos de tudo.»

sábado, janeiro 30, 2010

Diário do Meu Tio (um)

«Do meu grupo de amigos fui o único que fui à "guerra", fui o único que fiz parte de uma tropa especial. Isso tornou-me vaidoso, parecia um pavão e olhava com sobranceria para os meus companheiros, que se limitaram a fazer parte da logistica do exército, sem tempo e vontade para brincarem às guerras.

Hoje sinto vergonha da minha figura, de peito inchado, nas fotografias e na rua, mas nessa altura sentia orgulho em ser um deles, em fazer parte do clube dos "guerrilheiros" no mato e na cidade.»