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quarta-feira, junho 06, 2018

Gostar de Palavras como "Descobrimentos"...


Sempre gostei de história e de "estórias". Isso explica em grande parte que tenha escolhido este curso no mundo universitário e que também já tenha alguma obra publicada, neste campo aberto, povoado de documentos e memórias.

Tenho acompanhado com alguma leveza a discussão em torno do "Museu dos Descobrimentos" (palavra que faz cócegas a muitos "puristas"...), que outros preferem que seja das Descobertas, da Expansão ou ainda da História de Portugal.

Mesmo sabendo que a história que nos ensinaram na escola até ao secundário estava muito ficcionada (alguns resquícios do Estado Novo ainda se mantiveram presentes algum tempo depois de Abril...), não nos devemos envergonhar do que fizemos há quinhentos anos, até porque o que ficou para o Mundo é bem mais importante que outros legados, que não nos deixam nada orgulhosos, como povo.

É por isso que gosto da palavra "Descobrimentos", pelo seu peso histórico e social. Nunca achei, nem acho, que seja necessário arranjar-lhe sinónimos (como "Achamento" ou outra coisa qualquer...), para agradar aos outros ou por Salazar ter usado e abusado tanto deste nosso passado mais glorioso, quase sempre em nome de um "império caduco" e não pela importância universal que tivemos como navegadores e "descobridores"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 13, 2017

Fátima, a Igreja e os Pastorinhos...


A única coisa que acredito que existe no Santuário de Fátima é um grande "campo magnético", alimentado por toda a energia positiva que é  transmitida pelos crentes.

É por isso que não vou falar do  mar de contradições em que a Igreja tem "navegado" nos últimos 85 anos, quase sempre em proveito próprio, graças ao famoso enlace de Cardeal Cerejeira e Salazar, que tão jeito deu ao Estado Novo e à Igreja Católica (e que nos tentou  amansar durante pelo menos 48 anos)...

Falo sim dos dois irmãos, Jacinta e Francisco, que morreram cedo demais, e que continuo a acreditar que foram instrumentalizados pela prima Lúcia, nas vidências, que alguns anos mais tarde, já "irmã" (foi a vez dela se deixar instrumentalizar...), inventou os patéticos "segredos de Fátima", que são um péssimo "cartão de visita" para o "milagre" que hoje  passou a ser centenário...

(Fotografia de autor desconhecido)

sexta-feira, abril 14, 2017

A Clandestinidade...

Quando se entrava a sério na luta antifascista, dificilmente se escapava às garras da PIDE.

Para se evitar a prisão eminente, muita gente passava a viver outras vidas, na clandestinidade, saltando de terra em terra, de disfarce em disfarce... 

Era uma vida estranha, em que se tinha de abdicar de quase tudo, desde a família, aos amigos, passando pelos lugares que tanto amávamos...

Tinha de se possuir um espírito aventureiro, uma alma quase de vagabundo e ainda uma boa componente cénica, para se conseguir  mudar de vida de um momento para o outro, criando uma nova personagem...

(Fotografia de Herbert List)

quinta-feira, abril 13, 2017

As Mulheres e as Greves dos Anos Quarenta


Ao fim da tarde de terça-feira assisti a um colóquio em Almada em que se falou nos movimentos grevistas que decorreram durante a Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial.

Embora tenha saído um pouco antes do final, penso que não se falou de um dos aspectos mais importantes das manifestações grevistas que decorreram entre os anos 1942 e 1947, pelo menos as que decorreram no Concelho de Almada: a participação activa das mulheres operárias nestes movimentos. De uma forma estratégica passaram a ocupar as primeiras filas de luta, à espera que os guardas e os polícias tivessem vergonha na cara e não levantassem as mãos e os cassetetes para as agredirem.

Claro que as forças policiais tinham tudo menos vergonha na cara, e as mulheres foram muitas vezes agredidas, ofendidas e feitas prisioneiras. Nada que as abalasse ou retirasse das primeiras filas das manifestações...

Até porque as mulheres tinham mais que razões para protestar, pois recebiam um terço do ordenado dos homens, muitas vezes para funções de trabalho semelhantes. E nem vale a pena falar das crianças, as maiores vitimas desse tempo, em que não tiveram "tempo" para ser meninos e meninas e até para irem à escola...

(Óleo de Joan Rodriguez)

quarta-feira, abril 12, 2017

O Homem que Nunca foi Preso...


O António nunca se sentiu diminuído pela ausência de anos de prisão no seu passado antifascista. Muito pelo contrário, sorri de contentamento quando recorda as muitas vezes que esteve "quase, quase", mas que sempre conseguiu escapar. Foram inúmeras as vezes que teve de se ausentar para parte incerta, durante algum tempo (a sua profissão ligada ao comércio ajudava nessas "fugas"), até que recebesse a informação de que as coisas tinham acalmado e já não havia ninguém a cirandar a sua rua.

Sente um orgulho secreto por ter escapado a mil e uma armadilhas, por ter sido quase sempre extremamente cuidadoso (ainda hoje há quem lhe chame picuinhas, esquecidos que foi isso que tantas vezes o salvou...).

Sorri quando se metem com ele e lhe dizem que é menos "herói" que outros, cujo passado conhece de fio a pavio, e por isso mesmo sabe, que a única coisa de relevante que fizeram foi andarem demasiado distraídos, ao ponto de serem feitos prisioneiros, colocando outros camaradas e o  próprio Partido em risco.

Tem mil e uma histórias rocambolescas, que ainda estão por contar, além de outras mais que batidas, como as da tipografia portátil que funcionou em vários lugares, onde imprimiu juntamente com outro companheiro milhares de "avantes" e de outros folhetos, que foram distribuídos nas fábricas e nas colectividades da então vila de Almada...

O António é o melhor exemplo que conheço de que é um erro analisar a capacidade de luta e de intervenção antifascista, pelos anos que se têm de prisão.

(Óleo de Leon Mathieu Cochereau)

terça-feira, abril 11, 2017

A Dúvida está Sempre em Crescimento...

Os anos passam e a dúvida cresce, ao ponto de colocar quase toda uma vida em causa...

Já lhes chamaram muita coisa, até egoístas. Podem ter sido tudo, menos isso... 

A mulher fica com os olhos húmidos quando revive o que sofreu na prisão, na clandestinidade, no exílio... mas sobretudo, por não ter visto o seu filho crescer. O homem afaga-lhe o cabelo, com o carinho de quem nunca deixou de amar.

Sabe que não foi a mãe que devia ter sido. É por isso que percebe a ausência do seu Carlos, que teve de abandonar com menos de um ano e deixar ao cuidado dos pais.

O homem tenta desculpá-los com as incidências da própria vida, com a dificuldade que sempre tiveram em conviver com a injustiça nos locais de trabalho, com as perseguições, o desemprego, e a luta colectiva, que alguém tinha de travar...

Mas a solidão passa o tempo todo a pregar-lhes partidas. Pensam demasiado na vida.

Olham para o país com desconsolo, porque já não sabem se tudo o que sofreram valeu a pena. Não sabem explicar as razões, mas a verdade é que os patrões continuaram, e continuam, a roubar o povo, cada vez com mais descaramento.

Olham para o filho com orgulho por ter conseguido ter uma vida melhor que eles, mas sentem muito, muito, a sua ausência...

(Fotografia de Sena da Silva)

segunda-feira, novembro 28, 2016

Revoluções e Palavras em Novembro

Falava-se do 25 de Abril por ser 25 de Novembro.

No início eram quase a "antítese" (o céu e o inferno), mesmo que na mesa estivesse alguém que tinha feito parte deste último movimento, que apenas queria devolver a democracia ao país, acabar com os exageros cada vez mais perigosos, de tantos esquerdistas agrupados em mil e um partidos, que tanto poderiam ser maoistas, como marxistas e leninistas. As amplas liberdades deram-lhes a possibilidade de andarem armados (também em parvos, mas andavam mesmo com armas de verdade). Habituaram-se a ocupar tudo o que parecesse vazio, sempre em "nome do povo" (que costas tão largas que tu sempre tiveste...).

Foi então que a memória os recordou desses tempos cheios de "polícias" (quase todos gadelhudos e com barba revolucionária...), que tiveram o seu auge no dia 28 de Setembro, um dos dias em que puderam virar quase de pernas para o ar todos os carros que lhes apareceram à frente...

Eu sabia que o 25 de Novembro não tinha sido feito para que tudo voltasse a ser como dantes. Para que as famílias exiladas no Brasil e em Espanha regressassem com vontade de "reconquistar" os seus impérios nacionalizados (o que acabou por acontecer, mais ano menos ano...), ao mesmo tempo que se fingiam "vitimas" e pediam indemnizações milionárias ao Estado (e não é que alguns as receberam mesmo?).

Entretanto voltei ao presente. 

E não é que dois dias depois das "iscas" o "melhor administrador de bancos deste país" (só pode ser isso ou algo parecido...) pediu a demissão. 

Um homem passeava na rua com uma folha que parecia um mapa e que abria aqui e ali, para mostrar que fulano era filho de beltrano e neto se sicrano. Talvez por um mero acaso, lá voltavam as velhas famílias, que sempre se "governaram bem" neste país, ora disfarçados de banqueiros, ora de empresários, e sempre "de sucesso!", à baila...

E eu fiquei a pensar que mais importante que saber de onde tinham vindo tantos ministros, secretários de estado, deputados e gestores, com nomes que eram tão familiares a Salazar, era o que tinham feito para chegar até aqui...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 09, 2013

O Povo que Somos


Uma palestra a que assisti ontem, que devia ser  sobre Antero de Quental (e foi, com os méritos do prof. Américo Morgado...), acabou por servir para quase todos os presentes falarem sobre essa coisa, boa e má, que é o ser-se português.

O mais curioso é como algumas qualidades (o pacifismo, o voluntarismo, a obediência, a  responsabilidade) se aproximam de alguns defeitos (o comodismo, a servidão, os brandos costumes, a submissão).

Mas fomos mais longe, apontámos mais causas para sermos assim. O clima foi referido várias vezes, assim com as nossas origens. Mas também foi dito que os espanhóis têm o mesmo tipo de clima que nós e descendem dos mesmos povos e são tão diferentes. Saem para a rua para defenderem os seus interesses, não ficam em casa, acomodados à situação, por mais difícil que ela seja.

Como não podia deixar de ser, Salazar também apareceu, pelas piores razões claro, assim como a igreja - sempre solicita a pedir sacrifícios aos mais humildes em nome de deus, prometendo-lhes o mesmo céu que "vendiam" aos seus "donos" - e os senhores todos poderosos das terras, que quase faziam as suas próprias leis.

É triste, mas penso que ainda não nos conseguimos libertar deste "jugo feudal" de tantos séculos, que só foi aliviado em Abril de 1974 (embora eles tenham voltado pouco depois e continuem no poder, como então, a servirem-se e não a servir o Estado...), muito menos de uma igreja que sempre esteve ao lado do tal poder (e assim continua...), que aproveita esta crise para apelar à caridadezinha e chamar a si os "pobrezinhos" e não para denunciar os atropelos que se fazem à dignidade humana...

Não chegámos a conclusão nenhuma, mas lançámos muitas pistas sobre o povo que somos e nem sempre gostamos de ser...

O óleo é de Will Barnet.

sexta-feira, setembro 28, 2012

A Política do Ódio à Cultura


Nunca vi um governo tão incompetente e odioso a tratar as questões da Cultura.

Dos passos, relvas, gaspares, montenegros, pereiras, macedos, silvas, etc,  não espero nada de bom ou dignificante para o país.

Fico chocado, sim, por conhecer o Secretário de Estado da Cultura, que além de criador artístico, é uma pessoa com um nível cultural acima da média. 

Sei que o Francisco nunca achou piada à subsidio-dependência. Eu também não acho, mas percebo que esta é a única maneira de se combater a indigência cultural a que o nosso povo sempre esteve votado, de lutar contra a "anestesia televisiva", cada vez mais óbvia e degradante. 

A trapalhada que envolve as fundações é um dos grandes exemplos da falta de inteligência e do ódio às culturas - sem esquerda ou direita -, apenas por estas cometerem o pecado de não serem conservadoras, de lutaram sempre contra o que está estabelecido.

Quando se ameaça com  cortes uma instituição como a Fundação de Serralves, o espaço artístico com maior projecção internacional do Norte do país, está tudo dito...

Claro que há sempre excepções, há sempre artistas do regime, como parece ser o caso de Joana Vasconcelos, que tem uma exposição até ao fim deste mês em Versailes, altamente subsidiada por este governo, que até contou com a presença do ministro dos negócios estrangeiros na sua inauguração. 

É por estas e por outras, que encontro cada vez mais parecenças entre este governo e os de Salazar.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Um Livro para Estes Tempos


Nos últimos tempos tenho andado a manusear livros antigos, quer foram doados às bibliotecas da Incrível Almadense e da SCALA, pelos familiares de um antigo sócio, recentemente falecido.

Há sempre um título ou outro, que me chama mais a atenção. Mas a "Arte de Obedecer", da autoria de Mário Gonçalves Viana, bateu todos os outros. Fazia parte de uma biblioteca de orientação profissional, editada pela Editorial Domingos Barreira, do Porto, nos anos quarenta e cinquenta do século passado.

Estava longe de imaginar que existisse um livro tão ao jeito da política social do Estado Novo, e que também parece vir a ser útil num futuro próximo, pelo andar da carruagem...

sexta-feira, abril 11, 2008

A Esperteza de Salazar

Há setenta e cinco anos, entrou em vigor uma nova constituição, que Salazar conseguiu fazer aprovar, através de um plesbicito especial (mesmo com a sua cara...) em que as abstenções também foram transformadas em votos favoráveis.
Estou a falar da Constituição de 1933, que abriu as portas ao Estado Novo, acabando com o multipartidarismo e com todos os laivos democráticos (praticamente inexistentes desde 1926), instaurando legalmente um regime autoritário e repressivo, que subordinava os direitos, a liberdade e garantias ao interesse superior do Estado, como qualquer ditadura que se prezasse...
Infelizmente hoje também se vê para aí muita gente com tentações destas, de puder um dia transformar a abstenção (cada vez maior...) em "sins"...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Paisagens de Outros Tempos (3)


Lisboa já foi uma Aldeia...
Para aqueles que duvidam, ofereço-lhes esta fotografia do Bairro Serafina (quando ainda havia bairros no Mundo...), em 1940...
Quem diria, em vez de carros, temos pessoas nas ruas...

sábado, fevereiro 16, 2008

Paisagens de Outros Tempos (2)

Em 1940 a marginal Lisboa-Cascais era assim...

Um espaço largo, para a meia dúzia de carros que circulam, quase apenas para a fotografia, tão distantes do movimento diário dos nossos dias, rente ao nosso Rio que já se assume como Mar, Atlântico...

domingo, maio 13, 2007

O Mistério de Fátima


Hoje é o dia maior do Santuário de Fátima.
Segundo a versão oficial da Igreja Católica, comemora-se o aparecimento de Nossa Senhora aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, ocorrido há exactamente noventa anos.
São esperadas mais de 500 mil pessoas em Fátima, vindos de vários cantos do mundo, para gáudio dos comerciantes locais.
Sempre me fez confusão este Milagre. Embora acredite que as três crianças tenham visto algo fora do normal, a manipulação e massificação do fenómeno, por parte da Igreja e do Estado Novo - à qual não é alheia a forte ligação entre Salazar e o Cardeal Cerejeira - faz com que pense, que se trata de uma mitificação.
A história dos "segredos" da irmã Lúcia ainda fez com que ficasse mais convencido, de que se trata de um uso e abuso, do que aconteceu na Cova de Iria. Até o próprio Vaticano se tem aproveitado do "Milagre", alargando a trilogia interna defendida pelo nosso ditador, enquanto governou: Fátima, Pátria e Família.
Claro que, como todas as manifestações que envolvem multidões, há uma partilha de sentimentos e emoções, que tornam o Santuário num lugar mágico, onde as pessoas se sentem bem.
É também por isso que Fátima continua um mistério...
A fotografia que acompanha o texto é da Cova de Iria, no dia 13 de Outubro de 1917.