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segunda-feira, agosto 12, 2019

A Verdade e a Honestidade no Futebol


Não é por conhecer José Mourinho e achar que ele é um dos melhores do Mundo (que não perdeu qualidades, nem está desactualizado, como gostam de insinuar por aí...), que deixo de destacar Pep Guardiola, com quem me identifico mais como técnico, por que privilegia sempre que pode, o espectáculo futebolístico, desenvolvendo e apoiando a criatividade dos seus atletas.

Ontem ele disse uma frase que vai fazer comichão a muito boa gente, especialmente alguns futebolistas que dão a sensação de se preocupar mais com a sua imagem exterior que com a equipa onde jogam (e também os muitos jornalistas  e comentadores que invejam o seu êxito e dão sempre mais que cinco tostões por uma polémica...). Eis as suas palavras:

«O Rodri vai ser um jogador incrível para nós. Não tem brincos nem tatuagens e o cabelo é de um médio. Um médio defensivo deve ser assim e não pensar no resto.»

Concordo plenamente com o que ele disse. O médio que joga à frente dos defesas, é quem mais se deve preocupar com a equipa, quem deve ser mais eficiente e jogar da forma mais fácil (não é por acaso que são conhecidos como os "carregadores de piano"...), sempre com o pensamento do colectivo. Sei que quem percebe pouco de futebol vai tentar chamar-lhe preconceituoso e outras coisas feias.

A verdade e a honestidade fazem quase sempre doer. Neste caso particular irritam os "craques" que vão ao cabeleireiro dia sim dia não e estão a pensar mais na próxima tatuagem ou no brinco novo que vão comprar, que no próximo jogo...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

quarta-feira, agosto 07, 2019

«Mau mau é quando as coisas, pequenas e grandes, deixam de nos incomodar.»


Eu sentia que ela combatia a indiferença com quase todas as forças que lhe restavam.

Ainda não perdera o hábito de viver os "problemas dos outros como seus". Mas pelo menos já não tentava resolvê-los... claro que falo dos que lhe eram quase distantes.

Estranhamente gostei de a ouvir dizer: «Mau mau é quando as coisas, pequenas e grandes, deixam de nos incomodar.»

Sim, ela queria dizer, entre outras coisas, que continuava tudo bem arrumado na sua "caixa dos pirolitos" (sempre achei graça a esta expressão). 

E com tantas primaveras em cima do corpo, ainda não se cansara de dizer, que nós não somos ilhas isoladas...

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

segunda-feira, agosto 05, 2019

A Criatividade e a Influência Musical do Zeca e do Pedro


Zeca Afonso fez noventa anos no dia dois deste mês. 

Falou-se e escreveu-se muito do seu património discográfico (para uns tantos perdido, para outros esquecido ou abandonado, mas eu acho que não, deve ser sim, um daqueles "tesouros" muito bem guardados no cofre de alguém...), até se fizeram as petições do costume, para que a obra do Zeca fosse classificada de interesse nacional. Algo que me parece um pouco inconsequente, pois se há obra musical que sempre teve e tem interesse nacional, será a de Zeca Afonso.

Como continuamos a não saber o que se passa no "lado de lá do mundo", talvez até seja possível que o Zeca, escreva e cante, sobre aquilo que lhe querem dar agora (e "panteão" rima com tanta coisa...) que ele não está por cá, para receber... E também já deviam saber que o Zeca não gosta nada dessas coisas. 

Para o conhecermos bem basta escutarmos atentamente as letras das suas canções. Fazia-nos melhor escutar os seus poemas que pedem revoluções, que assinar petições.

Mas nem era sobre isso que queria escrever...

Três dias antes do dia de aniversário do Zeca, Pedro Ayres Magalhães fez sessenta anos.

Continuo a pensar que o Zeca e o Pedro são as pessoas mais importantes do panorama musical dos últimos cinquenta anos, não só pelo que criaram, mas muito pelo que influenciaram. Curiosamente, ou não, exerceram a sua influência em espaços musicais completamente diferentes.

Se o Zeca aos noventa anos de idade, já está próximo de ter conquistado a "unanimidade" (o que quer que isso seja...), o Pedro ainda está muito longe desse patamar. Mas eu sei que ele irá lá chegar. Deixo aqui algumas das suas palavras, ditas numa entrevista ao jornal "I" (que falam um pouco do que escrevi):

«Eu senti a solidão de ser português quando era adolescente, nos anos 70. E o que me fazia impressão em Portugal era ninguém se relacionar com esse problema. Por isto sentia falta de pensar, de teorizar. Encontrei a resposta a escrever canções sobre a saudade, sobre o que somos como portugueses, tanto nos Heróis do Mar como nos Madredeus. Os Madredeus não foram bem entendidos, mas amanhã, quando as pessoas estiverem ainda mais insatisfeitas com o presente, irão pesquisar e nessas pesquisas vão encontrar a história, muito bonita, de uma banda que cantava sobre o ser português e que foi tocar essas palavras a todo o mundo.»

Há ainda outra coisa que une o Pedro ao Zeca, bastante importante: nunca se "venderam", nem cederam à nossa maneira pequenina de se estar na cultura (e nas outras coisas, claro), sempre que podiam passavam ao largo das "capelinhas" do costume.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, julho 07, 2019

Não "Chega de Saudade"...


Eu sei que bastaria o seu primeiro álbum, "Chega de Saudade", lançado em Março de 1959, apresentado pelos historiadores como a invenção da Bossa Nova (invenção essa partilhada com Vinicius de Moraes e Tom Jobim), para transformar João Gilberto numa das principais figuras da música brasileira.

Mesmo que Gilberto - ao contrário de Jobim -, tenha tentado "fugir" da bossa nova, fingindo não estar dentro daquele período musical verdadeiramente revolucionário, refugiando-se apenas no samba (cabia lá tudo)...

Mas João Gilberto foi bem mais longe, inventou muito mais ritmos e melodias, com o seu violão. E até se aproximou do jazz, na companhia do saxofonista, Stan Getz (estou a ouvi-los enquanto escrevo, e mesmo sem ser um entendido, digo que está ali jazz com os ritmos mais suaves do samba, com uma beleza única...).

João Gilberto, que nos deixou ontem, não só tentou, como conseguiu, ser apenas ele próprio,  ao mesmo tempo se tornava o "mestre" daqueles que se tornariam os seus grandes seguidores e que acabariam por fazer a transição entre a  "bossa nova" e a "música popular brasileira", Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, maio 19, 2019

«Gosto dela de todas as maneiras»


Nunca tinha ouvido falar do "síndroma da Marilyn", mas depois de pensar um pouco, fiquei com a sensação de que esta designação até fazia algum sentido, mesmo que seja uma daquelas "doenças", mais metida com as metáforas da vida, que com a linguagem médica...

Quem conheceu a Zé com 20 anos diz que ela era das mulheres mais bonitas de Lisboa. Foi modelo e depois actriz. Gostava do que fazia mas irritava-a que fosse escolhida para papeis, sobretudo pela sua beleza. O talento pura e simplesmente era ignorado. Tinha medo que fosse sempre assim...

Durante uns tempos abandonou a televisão e foi fazer teatro. Adorou fazer um papel, que era quase de gata borralheira moderna, sem sonhar que lhe iria mudar a vida toda. Foi a partir daqui que tomou a decisão de deixar de usar maquilhagem e de fazer passagem de modelos. Pelo caminho deixou-se de dietas e começou a engordar uns quilitos.

Em menos de dois anos tornou-se uma outra pessoa. Curiosamente nunca mais a convidaram para qualquer novela televisiva. Foi crescendo nos palcos, ainda que quase ninguém desse por isso...

Depois foi mãe da Diana, engordou mais um pouco. E as amigas da moda quando a viam, faziam quase uma escandaleira e ofereciam-lhe quase sempre a mesma pergunta: "o que foi que te aconteceu?" Ela sorria-lhes e dizia que tinha decidido ser uma mulher livre, distante do mundo das "bonecas lindas de morrer".

Até os homens estranhavam aquela simplicidade e perguntavam ao Rui o que se passava. Ele dizia que não se passava nada. Alguns mais do "reino das bonecas" iam mais longe e até diziam que ele devia obrigá-la a fazer dieta. Ele sorria-lhe e desarmava-os com uma frase que diz tudo: «Não se preocupem, eu gosto dela de todas as maneiras.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, maio 08, 2019

O Fascínio do Futebol Reside Sobretudo na sua Imprevisibilidade


Não queria voltar a falar de futebol, mas quando uma equipa perde por três a zero, com aquela que é considerada a melhor do Mundo (por ter Messi...), e depois em casa, consegue vencer por quatro a zero (sem aquelas coisas estranhas do nosso campeonato...), tenho de fazer uma grande vénia aos seus jogadores e ao seu técnico. 

Para quem não liga a estas coisas do futebol, estou a falar do jogo de ontem das meias-finais da Liga dos Campeões, entre o Liverpool e o Barcelona.

Já hoje escrevi num comentário que o futebol continua a viver mais da improvisação e da inspiração do momento, que das tácticas do quadrado ou do triângulo. E não se pode, nem deve, falar de "lógica", por que isso conta muito pouco. Contam sim os golos que entram dentro das balizas e são validados.

É preciso ter a frieza do mestre Pedroto, que dizia, muito bem, que uma bola atirada ao poste ou à trave, se não entrar na baliza, é um golo falhado...

Eu por exemplo, num dos raros textos que escrevi sobre futebol aqui no "Largo", disse que não compreendia as apostas do Moreirense e do Santa Clara, em dois técnicos (Ivo Vieira e João Henriques...), porque ambos tinham descido as suas equipas na época passada. 

Moral da história: O Ivo e o João foram os treinadores mais em evidência durante a Liga portuguesa nesta época (se excluir Bruno Lage, claro...), com grandes jogos e excelentes classificações das suas equipas.

O pior de tudo, é quando quem nem sequer dá "chutos na bola", quer ser a figura do jogo, acabando por ter uma influência directa no seu resultado final (os famosos "roubos de igreja", que o mestre Pedroto, também gostava de denunciar...). 

E lá se vai a beleza e a imprevisibilidade, daquele que continua a ser o desporto que desperta mais paixões pelo mundo inteiro...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 30, 2019

A Grande Conquista de Abril em Almada


É provável que me esteja a repetir, no tema que escolhi para fechar Abril aqui no Largo.

Nada que que preocupe, porque o Parque da Paz de Almada (a grande - e agradável - área verde, mesmo rente à cidade...) foi uma das obras de que a antiga presidente do Município de Almada, Maria Emília de Sousa, mais se orgulhou durante os seus mandatos (e tem motivos para isso...).


Tive o privilégio de o ver nascer e crescer, usufruindo com grande satisfação da sua beleza natural ao longo dos anos. 

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, abril 26, 2019

Dia 26 Continua Abril em Almada...


As escolas do Concelho nos últimos anos têm comemorado o 25 de Abril com arte e engenho, através de uma exposição artística colectiva, patente na Oficina de Cultura de Almada.


Eu passei por lá hoje, e como de costume, gostei do que vi...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, abril 25, 2019

O Dia que Começa a Ser Apenas uma Boa Memória...


Tudo arrefece, até as comemorações dos dias bonitos e felizes, como foi o memorável 25 de Abril, magnificamente caracterizado pela nossa poeta maior, Sophia de Mello Breyner Andresen.

Claro que me faz confusão que este dia ainda não seja de todos (claro que não estou a falar da gente que fugiu para Espanha e para o Brasil...), que 45 anos depois ainda existam manobras divisionistas, quase sempre partidárias. Algo que se nota mais do que devia, um desses exemplos é Almada.

Apesar destas pequenas coisas continua a saber bem dizer, em conjunto, com gritos ou não, "25 de Abril Sempre!", ou desejar feliz dia da Liberdade, como desejei à minutos aos meus cunhados...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, março 23, 2019

A Tal Amizade, sem Medida...


Ao longo dos últimos vinte anos participei em dezenas de lançamentos de livros. Quase sempre de amigos. 

Em mais de uma dúzia escrevi prefácios e fiz a sua apresentação. Mas também aconteceu, mesmo sem ser o apresentador da obra, os autores, amigos, fazerem questão que eu estivesse presente na mesa de honra, para lhes oferecer algumas palavras. É quase sempre uma forma de agradecerem a amizade (mesmo que esta não se agradeça...) e também o apoio que oferecemos à edição.

Nos últimos tempos recusei esta "honra" meia-dúzia de vezes. Não só achei que não fazia sentido (não devemos nos repetir  e mostrar em demasia...), como também senti que faltava a "chama da amizade", que nos faz fazermos, até o que não nos apetece, pelos amigos... 

É, a algumas pessoas quase nunca somos capazes de dizer não. E ainda bem que isso acontece (como hoje, por exemplo...). É sinal de que a amizade que sentimos por elas é tão grande, que não nos dá espaço para pensarmos em coisas pequenas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Quando era Tudo a Brincar...


Embora nunca tenha ganho o totobola, quando os boletins tinham 13 jogos, nunca me dei mal com este número, que dizem ser do azar, nem deixei de gostar de me cruzar com gatos pretos, aqui e ali.

O que é mais curioso, é dizerem-se tantas coisas, tal como o seu contrário, nesta espécie de "corredor místico", ao ponto de tornarem a vida um tanto ou quanto difícil para os supersticiosos. 

Acho piada aos desportistas, que não só se benzem, como fazem questão de entrar nos estádios, nas pistas e nos pavilhões, com o pé direito. Quando fazia desporto nunca liguei a esse pormenor... Nem me lembro de ver companheiros a benzerem-se, antes dos jogos ou das corridas. Talvez fosse tudo demasiado a brincar, que nem sequer sentíamos necessidade (e vontade) de "apelar aos deuses", esses eternos distraídos.

Pois foi, encontrei um amigo que não via há mais de duas décadas. Recordámos algumas aventuras desportivas, e pessoas... Tanta gente amiga que resolveu passar na nossa mesa e dar-nos um olá.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Quando os Lugares nos Absorvem...


Ao ler uma crónica, escrita por alguém, que dizia poder viver em qualquer lugar, porque a cidade onde vivia não lhe dizia nada, pensei que sentia o contrário em relação a Almada.

E sei por que razão isso acontece.

À medida que fui entrando no coração da Cidade, tive a sorte de conhecer pessoas que a amavam de uma forma livre e desprendida. Sabiam que Almada não era bela nem tinha uma qualidade de vida invejável, mas tinha outras coisas, não menos importantes, a sua história de resistência (desde a Revolução de 1383, passando pela Restauração de 1640, sem esquecer a Revolução Liberal que  foi a 23 de Julho ou a implantação da República a 4 de Outubro...), de liberdade e de humanismo.

E podia falar também dos seus "heróis" anónimos, desde o primeiro mártir do Tarrafal, que foi um almadense (Pedro de Matos Filipe), às mulheres que encabeçaram as greves da indústria corticeira nos anos da Segunda Guerra Mundial...

É por tudo isso que - embora tenha vivido nas Caldas da Rainha desde o meu nascimento até à idade maior - me sinto cada vez mais Almadense...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

domingo, fevereiro 17, 2019

Lucidez no Verão Quente...


Numa leitura quase de relance pelos diários de Vergílio Ferreira ("Conta-Corrente"), descobri pormenores deliciosos, sobre pessoas, acontecimentos e também, claro, sobre o próprio escritor.

No período pós revolução sentiu na pele o facto de ser um desalinhado, alguém que, tal como Zeca Afonso (não foram muito mais...), preferiu ser ele próprio, o seu "comité central"...

Esta independência teve o seu preço (tem sempre...).

A 5 de Setembro de 1974 ele escreveu algo que diz muito do nosso país, em que temos de ter um clube (Benfica, Porto ou Sporting, os outros não contam...) ou um partido (se não tivermos corremos o risco de passar por "fascistas", ele passou...):

«Na terra-de-ninguém leva-se caqueirada dos dois lados. E todavia que vontade enorme de desmascarar a hipocrísia.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, janeiro 08, 2019

Uma Coisa em que Somos Bons...


Apesar de existir por aí muito boa gente que gosta de nos retratar, em alguns esboços "fadisteiros", vestidos de cores escuras, e misturados com a tristeza e melancolia, penso que estão ligeiramente enganados.

Provavelmente já fizemos parte desse "retrato", mas isso aconteceu num tempo especial, em que quase todos os dias nos roubavam coisas e não tínhamos grandes motivos para sorrir (sim, falo do período de 1926 a 1974...). Estávamos "viúvos" da liberdade...

Hoje, não somos exactamente aquele povo que foi retratado por um político holandês (do Sol, das mulheres fáceis e das bebidas fortes...). Sim, ele não pode, nem deve, confundir os seus amigos governantes e empresários, com o povo português. 

Mas continuamos a ter uma característica muito nossa: somos capazes de nos rir de nós próprios. Explico isto com dois bons exemplos: a criação pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro do já centenário Zé Povinho, que ainda "anda aí para as curvas", e a popularidade do teatro de revista, durante a ditadura.

As palavras são tramadas, queria colocar por aqui, uma simples transcrição, que também fala de nós como povo, da tal capacidade de nos rirmos de nós próprios e de invenção, ao mesmo tempo que mostra que olhamos com  bonomia (se calhar demasiada...), para os políticos,  hábeis na oratória e na manipulação de dados, como é o caso do nosso actual primeiro-ministro.

Mas vamos lá à anedota que recebi por e-mail:

"O Custo de Vida"

- Tem a palavra o Senhor Deputado do BE.
- Senhor Primeiro-ministro, isto está de tal maneira, que até as raparigas licenciadas, têm de se prostituir para sobreviver.
O Senhor Primeiro-ministro com o seu sorriso, responde:
- Lá está o Senhor Deputado a inverter tudo, o que se passa é que o nosso sistema de ensino está tão bom, que até as prostitutas hoje são licenciadas...

Eu sei que devíamos ser mais exigentes com esta "gente", mas não é das coisas piores, esta criatividade e capacidade de nos rirmos de nós próprios.

(Fotografia de Luís Eme - uma parede alegre do Barreiro)


domingo, dezembro 02, 2018

Dinheiros, História e a Politiquices...


Ontem comprei o "Público" apenas pela notícia sobre a Fundação Mário Soares, que embora tenha feito um trabalho notável na preservação da história do século XX no nosso país, também tem sido vítima do muito que se diz de negativo destas instituições.

Como é hábito no nosso país, as pessoas gostam de falar (e criticar...) sobre o que não sabem, mesmo as "inteligências pardas" que comentam sobre tudo e mais alguma coisa, na televisão. Misturam dinheiros com partidos, levantam suspeitas sobre pessoas, e nem se preocupam em saber o mais importante: qual tem sido o verdadeiro papel de instituições como a Fundação Mário Soares na nossa sociedade.

A Fundação recebeu e organizou nos últimos anos dezenas de espólios, de gente com história, ligada à política e à cultura do nosso país (uma parte significativa dos documentos já estão digitalizados e disponíveis para consulta online...). Trata-se de uma trabalho, que não deve ser feito em regime de voluntariado, até por exigir conhecimentos e gentes com formação superior (historiadores e arquivistas) no seu tratamento.

A morte de Mário Soares fez com que os subsídios começassem a ser reduzidos (alguns drasticamente, o exemplo da Fundação EDP é sintomático, passagem de 75 mil euros para 7 mil...), provocando a dispensa de vários colaboradores e o aparecimento de prejuízos, que só no ano passado quase que chegaram aos 400 mil euros...

O mais curioso (e negativo, na nossa opinião, embora se deva a uma questão de sobrevivência...) é a proposta defendida pela actual direcção da Fundação, que quer que a Instituição guarde apenas o arquivo pessoal de Mário Soares e de mais dois ou três amigos próximos. Proposta que implica a saída de quase todos os arquivos à sua guarda de grandes personalidades do século XX (da Primeira República ao 25 de Abril), que em princípio irão para a Torre do Tombo.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, novembro 25, 2018

Preconceitos e Rótulos (Só para Alguns...)


Ao ler algumas algumas palavras de Joaquim Vieira, que apresentou a sua biografia  de José Saramago há dias, fiquei a pensar nos "preconceitos e rótulos" que ainda circulam por aí (depois de se saber que há quem "compre" cursos superiores para compor o "ramalhete" lá de casa...), mesmo que normalmente nas profissões que lidam diariamente com palavras (jornalismo e literatura) não exista muito essa coisa do "doutor".

Mas antes de Abril não era assim, e Vieira diz-nos que Saramago estava longe de ser olhado "como um deles", pelos seus pares, que nem sempre aceitavam as suas "intromissões", enquanto editor...

Felizmente tudo se esbateu com o tempo. E então depois do Nobel, é que nunca mais ouviu ou leu qualquer referência ao facto de Saramago não ter um curso superior. Talvez em algumas conversas de café, em que quase que se "mordem meias e sapatos", alguns escribas que sofrem daquelas dores que atingem cotovelos e testas, ainda lhe chamem "torneiro", e até coisas piores...

Eusébio teve mais sorte. O seu talento era tal que marcou logo a diferença, sagrando-se Campeão Europeu, mal chegou ao Benfica. Foi transportado de imediato para o pedestal dos melhores do mundo (onde permanece, com todo o mérito...) e nunca foi tratado como preto. Ou seja, o seu talento como futebolista e a sua simplicidade, fizeram com que sempre fosse tratado como "um de nós"...

Claro que eles são a excepção que confirma a regra. Pois o que não falta por aí são "pretos" a jogar futebol ou "torneiros" armados em escritores... tal como fulanos que gostam de morder "meias e sapatos"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 23, 2018

A Barca Quase Perdida no Tejo...


Sem a reportagem de Ricardo J. Rodrigues no DN, não ficaria a saber que a "barca" quase grande (um petroleiro...) , da fotografia, está ancorada no Tejo desde 24 de Julho de 2017, juntamente com uma tripulação, mínima, de 16 homens. 

Está "presa" aqui no Rio há um ano e quatro meses, porque foi arrestada, por dívidas (coisas do petróleo e da Venezuela...).

O mais curioso é o Rio Arauca ser quase um "navio invisível". está lá todos os dias (no Mar da Palha...), mas nós que atravessamos o rio, diariamente,  pensamos que é outro, pois estão sempre a chegar e a partir, "barcas", ao melhor rio do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 19, 2018

«Não sei o que é que o Manuel Alegre quer»


Quando vinha para casa ao fim do dia escutei a voz de um casal jovem, meio irritados. alguns metros atrás de mim. Ela exclamou: «não sei o que é que o Manuel Alegre quer.»

Pelo teor da conversa percebi que deviam ser dois jovens politizados, que tanto podiam ser do PS como do BE ou do PAN.

Apeteceu-me dizer-lhes que sabia o que Manuel Alegre queria, mas não quis ser metediço, muito menos mal interpretado.

Não é a tourada, a caça, ou outra coisa qualquer, que estão em causa. Está em causa sobretudo a nossa liberdade. E também a capacidade de fazermos a leitura política do que está a passar, um pouco por todo o lado: a tentativa das minorias de imporem aquilo que acham certo,  mesmo que contrariem a vontade de setenta ou oitenta por cento da população.

Fingem-se grandes defensores do ambiente, dos animais e da saúde, mas o que querem mesmo é contrariar a liberdade dos outros.

E não deixam de ser contraditórios.  Se por um lado defendem a proibição do uso do sal e do açúcar, por outro querem liberalizar o uso das "drogas leves". Nem têm dificuldade em arranjar declarações médicas de que a liamba e o haxixe fazem muito melhor à saúde que os sabores adocicados e salgados da comida...

E como gostam muito de ervas, provavelmente querem que todos nos tornemos vegetarianos...

Ou seja, a liberdade é uma coisa muito boa, mas só para eles.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, novembro 18, 2018

Almada, Lisboa, Saramago e Ricardo Reis...


A chuva não foi a melhor amiga do "3º. Encontro Ibérico de Leitores de Saramago", que decorreu de sexta a domingo, em Almada (e Lisboa, claro...).

Houve algumas coisas no sábado que eu queria escutar na Biblioteca José Saramago, no Feijó, mas que acabaram por não serem possíveis, por compromissos familiares.

Mas hoje não me assustei com a chuva matinal e fui mesmo até Lisboa, fazer uma "Viagem com Saramago", que se iniciava na sua Casa e se prolongava pelas ruas da Capital, num percurso a partir de "O Ano da Morte de Ricardo Reis".


Apesar da espera quase grande à porta (pelo menos para um dia de chuva...), valeu a pena aparecer, pela simpática e alegre recepção de Pilar - muito mais simpática e agradável ao vivo que na televisão - e dos funcionários da Fundação.


E quando voltámos à rua, a chuva (embora suave...), também quis fazer o percurso connosco. Um percurso agradável, diga-se de passagem, guiado pela Idália, que muito nos contou sobre o Ricardo Reis de José Saramago.

(Fotografias de Luís Eme)