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segunda-feira, setembro 07, 2026

Dores de crescimento e dores de envelhecimento...


Eu sei que são dores diferentes.

Provavelmente as de crescimento parecem ser mais dolorosas. Parecem...

Noto isso com a minha filha, que se prepara para entrar no mundo do trabalho, onde vai descobrir uma outra "selva humana", mais animalesca que nos meus primeiros tempos de operário, por vivermos uma época diferente, em que por vezes até se fica com a sensação de que já vale "tirar olhos" e tudo...

Sei que vai ter de "enrijar" os ossos... e o coração...

As dores de envelhecimento, ainda não me chegaram, pelo menos de uma forma que merecem qualquer desabafo mais sério. Percebo-as no contacto e nas conversas que tenho com a minha Mãe e com o meu amigo Chico. Sei que são dores diferentes, porque são de todas as horas, doer isto ou aquilo, é quase como respirar...

Aqui não há "analgésico" possível, ou "morfina" que resulte, para lá das viagens que poderá proporcionar, dependendo apenas da respectiva dose...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, dezembro 05, 2025

Este é "mundo" que está à espera de muitos de nós, depois da esquina...


Há sempre questões polémicas e estranhas para escrever, aqui no "Largo". Tinha prometido a mim mesmo não falar de política e de políticos, durante alguns dias, mas é quase impossível passar ao lado de alguns dramas, cada vez mais assustadores. 

Um dos problemas que se está a tornar cada vez mais visível é o quase desprezo com que se tratam as pessoas de mais idade. Ao ponto de já existir gente com mais de setenta anos, a dormir nas ruas. Muitos delas não conseguem suportar o aumento das rendas e sem filhos para as ajudarem, são forçadas a mudar de vida, entrando no "mundo dos indigentes"...

Quase em paralelo, existe outro problema, não menos grave, que atinge estas mesmas pessoas (e os seus familiares directos).

Estou a falar da falta de lares, de casas de repouso com cuidados continuados, com preços compatíveis com as reformas da maior parte das portugueses. É quase impossível alguém arranjar um lar, de um dia para o outro (a doença faz com que surjam situações imprevistas...), com um valor inferior a 1.500 euros. Ou seja, só uma pequena percentagem dos nossos reformados, tem possibilidade de pagar o alojamento numa casa de repouso ou lar de idosos com vagas.

Como tem acontecido nos últimos anos, em quase tudo (saúde, habitação, justiça, segurança social, etc), o Estado quase que se limita a assobiar parta o lado, usando a técnica de sempre, de fingir que se resolvem os problemas, sem que se resolva coisa nenhuma. Até que os problemas se agravam de tal forma (é o que está a acontecer na saúde e na habitação), que deixa de haver qualquer espaço para fugas... 

É esta falta de soluções que faz com que continuem a surgir, aqui e ali, lares ilegais, onde se usa e abusa quase sempre da fragilidade e da necessidade das pessoas. Como pagam menos que nas "casas de repouso", os seus donos acham-se no direito de as tratar de qualquer maneira, sem que lhes sejam garantidas as condições mínimas de conforto e dignidade.

É muito triste viveremos num país, em que se paga uma brutalidade de impostos, e que se percebe, diariamente, que as coisas em vez de melhorarem, estão cada vez piores.

E ainda é mais triste sermos velhos e sentirmo-nos completamente abandonados por toda a gente...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)