Já era noite quando dei por mim a pensar na teimosia, ou melhor, no facto de todos sermos teimosos. A única diferença é a forma como agimos, com muito ou pouco ruído...
Há quem não consiga ser teimoso sem uma boa discussão, da mesma forma que há quem consiga ser teimoso sem qualquer discussão. Isto assim escrito, até parece cómico.
Nós ao almoço fazemos demasiado barulho no restaurante, com o sorriso dos empregados (umas vezes mais amarelo que outras...), que não devem perceber muito bem como é que refilamos tanto uns com os outros e continuamos amigos. Claro que se estiverem com atenção, percebem que há por ali muito "teatro", muita provocação, daquela que apenas pretende soltar o riso sem sizo. E também muita teimosia, da tal ruidosa. A boa, aquela em que pouco fica por dizer...
Depois de largar aquela gente barulhenta e boa, sou confrontado com a tal teimosia silenciosa, ao telemóvel. Essa mesmo, que é quase sempre cobarde, de quem prefere agir sem ruído, na calada do dia ou da noite...
É quando concluo que a sabedoria popular às vezes está errada, porque nem sempre quem cala consente. Por vezes prefere fingir que sim, para depois fazer que não...
É por isso que gosto muito mais dos meus queridos amigos teimosos e ruidosos.
(Óleo de Jean Gabriel Domergue)