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sábado, janeiro 05, 2019

Não Sei se Foi um Teste, Mas...


Depois da tentativa de "branqueamento" do ideário fascista, através da figura de um nazista confesso, num dos programas televisivos mais populares, fico com a sensação que há mais gente do que o que parece, interessada (sabe-se lá porquê...) em forçar o aparecimento dos "populismos" que invadem a Europa, neste nosso canto.

Como já perceberam que não vão lá com "coletes amarelos",  utilizam outras "armas", com a conivência de alguns canais de televisão, amantes e defensores da "ideologia", debaixo da largura imensa da liberdade de expressão...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 24, 2018

O Espelho "Salazarento" na Política...


Claro que não gosto de ex-primeiro-ministros corruptos, mas também me incomoda o falso "retrato" que se tenta fazer de alguns políticos, aos quais só falta dizer que saíram mais pobres depois de terem sido governantes do país. Normalmente são colados à imagem "séria" de Salazar, mais falsa que judas, que a direita tanto gosta de apregoar...

Cavaco Silva e Passos Coelho são os dois ex-primeiro-ministros mais próximos desse paradigma, na chamada "terceira República". Se o primeiro acabou por estragar esta imagem, quando as famosas acções do BPN e a troca de vivendas no reino dos algarves se tornaram públicas, o segundo ainda continua a ser elogiado por continuar a viver em Massamá e passar férias na Manta Rota (até um dia destes, provavelmente, quando descobrirem que afinal também  "mudou de vida")...

(Fotografia de autor desconhecido)

terça-feira, janeiro 30, 2018

Os "Excelentíssimos" Fiscais...


Os fiscais dos transportes de Almada (especialmente os do "metro"...), têm qualquer coisa de "passadista" (também pode ser de "salazarista"), na forma como olham e como falam com os utentes.

Por vezes fazem mesmo uma autêntica "espera" às pessoas que saem do transporte nas estações, barrando-lhes o caminho, para lhes pedir o passe ou um título válido da viagem, provocando a indignação da maior parte das pessoas, que acham que as estações já são campos de liberdade...

Já fiz mais que uma vez  orelhas moucas conseguindo pôr os fiscais a correr atrás de mim, com a tal "cara" passadista. Faço-me desentendido e "surdo", mostrando-lhes o passe, sem dizer qualquer palavra. Ficam desconfiados, sem perceber que faço aquilo graças à sua "actuação pública", que faz com que me apeteça "transgredir"...

Aquilo que recordo mais parecido com a acção destes "excelentíssimos" fiscais, é o impagável guarda do Parque das Caldas, coxo, que, munido do seu apito, parecia um árbitro num campo de futebol, mal pisávamos a relva...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, janeiro 27, 2018

Edmundo Pedro Deixou-nos aos 99 anos...

Edmundo Pedro, grande figura da luta antifascista e da nossa democracia, faleceu hoje, com 99 anos de idade.

Tive o prazer de o conhecer no lançamento de um dos meus livros, como escrevi em 2008 no "Casario do Ginjal"

Era um homem fascinante e integro, cuja história de vida foi feita com episódios verdadeiramente apaixonantes, e dignos de um filme.

Basta lembrar que com apenas 15 anos foi feito prisioneiro devido ao movimento do 18 de Janeiro de 1934 e pouco tempo depois foi estrear o presídio do Tarrafal, juntamente com seu pai, Gabriel Pedro (o maior mártir deste campo onde fora "condenado à morte" da qual só escapou por "milagre"). Numa das nossas conversas contou-me as peripécias da sua tentativa de fuga do "Campo de Morte Lenta", onde tudo correu mal, apesar das fortes possibilidades de ser bem sucedida - até sabiam as horas em que passava um barco próximo da Ilha (juntamente com o seu pai e outro companheiro)...

Edmundo nunca deixou de lutar pela liberdade, primeiro no PCP e depois no PS (que ajudaria a fundar em 1973). Participou de forma activa nas maiores campanhas e tentativas de golpes contra o salazarismo, tendo sido preso várias vezes... 

Era de uma lealdade e solidariedade pouco comuns, como se comprovou quando foi preso como traficante de armas, quando ia devolver as armas que estavam em poder do PS desde o "Verão Quente" e ficou em silêncio, para não beliscar a imagem do seu partido, nem colocar o seu secretário geral em causa.

Sabemos que esta coisa de viver não é feita de merecimentos, mas que ele merecia chegar a Novembro e festejar o centenário do seu nascimento, merecia...

(Fotografia de Gerardo Santos)

terça-feira, julho 11, 2017

A Moral é Para os Outros...

A moral é para os outros. Sempre foi assim, ainda antes da "sabedoria popular" libertar a pérola «faz o que eu digo, não faças o que eu faço». E também antes do Salazar ser "rei sem coroa", pois apesar dele ter um bom costado, não tinha costas para todas as coisas que lhe atiram hoje para cima...

Não sei quando é que os espertos apareceram por aqui, mas desconfio que foi logo depois do Adão e da Eva terem deitado fora as parras.

Foi por isso que voltámos a presente...

Na religião, na política e no futebol é onde se segue mais à risca este "princípio".

Foi praticamente o único ponto em que estivemos todos de acordo, ao sabor do nicola e do cheirinho de medronho. 

Houve quem quisesse introduzir os prostíbulos para a conversa, mas não pegou. Nem sequer se pode falar de moral nestes lugares de comércio. São quase talhos, onde se podem alugar "bifes", como muito bem disse o Diogo.

Começámos e acabámos sem sair da frase, mas ainda mais convictos, de que a moral é mesmo para os outros...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, maio 06, 2017

O Prazer da Transgressão...

A Rita tem razão, falar ao telefone tem um sabor muito diferente de falar ao vivo, podemos adivinhar sorrisos, caretas, e até um outro esbracejar... mas nunca conseguimos entrar dentro dos olhos de quem está do outro lado...

Foi por isso que lhe prometi que para a semana vou a Lisboa (mesmo sem a joaninha que avoa avoa...).

Entre outras coisas, confessámos um ao outro, as vezes que nos apetece fumar um cigarro, só para fazer nuvens de fumo em atmosferas demasiadas amareladas, povoadas de gente que finge que deixou de ter prazer em transgredir. 

Só espero que não seja o espírito do Salazar a cirandar por aí, de mão dada com o Cerejeira, novamente apostados em levar a gente do nosso país para os "bons caminhos" dos vícios privados e das virtudes públicas. 

Quem diria, que neste tempo, o fado ainda consegue ser a coisinha mais sensata e democrática, pelo menos quando comparado com as doidices de fátima e do futebol...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 28, 2016

No Limite da Dor


Ao começo da tarde recebi um telefonema de gente amiga a convidar-me para o lançamento de um livro.

Nesse momento ainda não tinha a certeza se podia ir. Mas disse que ia tentar... Não só tentei como fui. E acabou por ser uma agradável surpresa esta apresentação.

Falo de "No Limite da Dor", que começou por ser um conjunto de entrevistas de rádio da Antena 1 a presos políticos, feitas por Ana Aranha, co-autora (juntamente com Carlos Ademar, que a desafiou a passar o programa para livro). Embora esta obra já tenha uma segunda edição e tenha sido lançado há dois anos, passou-me um pouco ao lado.

O grande atractivo desta sessão foi a presença de dois antigos prisioneiros políticos, Mário Araújo e José Pedro Soares (é um dos entrevistados, cuja existência ignorava...), que na época tinha apenas 21 anos e estava a cumprir o serviço militar e foi um dos presos mais torturados pela PIDE, pela sua intransigência em falar, em trair... ele que só foi preso porque um camarada seu não aguentou a dor e falou...

Durante o seu testemunho pensei em várias coisas, até na acusação que me foi feita em relação a um dos meus livros, por eu não ser independente na forma como falava do Estado Novo e da Oposição. E nunca poderia ser, até por não reconhecer qualquer legitimidade a governos ditatoriais. Esta acusação foi feita por um "salazarista"...

Vou ler o livro com todo o interesse, por razões óbvias.

terça-feira, julho 07, 2015

Uma Mulher Grande


Maria Barroso foi uma mulher grande, que nunca deixou de ser ela própria, apesar de ter sido forçada a abdicar de tanta coisa na sua vida, por fazer parte de uma família que lutou contra o salazarismo e marcelismo, sem nunca baixar a guarda.

Mesmo sendo esposa de uma figura como Mário Soares, nunca foi a "Mulher de Soares" ou a "Maria Soares", foi sempre a Maria Barroso, a actriz, a declamadora, a professora, mas sobretudo a mulher activa, atenta e sensível, que tinha sempre uma palavra amiga e um gesto generoso para oferecer aos mais desprotegidos da nossa sociedade.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Um Dia de Efemérides


Hoje comemora-se o Dia da Rádio e também se regista o 50 º aniversário do assassinato de Humberto Delgado, pela PIDE, em Espanha.

É uma data que se deve recordar, de um tempo em que se matava quem lutava pela Liberdade e pela Democracia, como se fosse um acto patriótico.

Se Humberto Delgado já estava de alguma forma ligado ao "sebastianismo", pela forma surpreendente como acordou Portugal, durante as eleições presidenciais de 1958 (adormecido pela voz pausada e silenciosa de Salazar), mais ficaria, ao ser vitima de um encontro fantasista com oposicionistas, que não passavam de uma brigada da PIDE...

Nesse fatídico dia mataram o "Revolucionário Romântico" (e ingénuo...), acabando com a esperança de muita gente, na mudança tão desejada. 

Ficou o sonho, o mito do Homem (General...) Sem Medo, que usou desafiar o poder de um ditador que estava cada vez mais isolado, dentro e fora do país...

domingo, fevereiro 01, 2015

O Retrato do "Botas" Mudou de Salão


Não reagi com alegria nem tristeza, quando me disseram que o escritório da família do doutor Henrique já não era ali, rente ao jardim. O senhorio resolveu aproveitar a nova lei das rendas para tornar aquele terceiro andar demasiado caro, para um simples museu de família, mesmo que tivesse um nome respeitado, pelo menos por esta maltinha que está no poder.

Lembrei-me do quadro com a fotografia de Salazar, em destaque numa das paredes do salão, Estava ali como estavam outras coisas, a decorar aquela casa antiga, de uma família que continuava a acreditar nas "castas", como se as pessoas fossem como os vinhos...

Só lá entrei uma vez. Enganado. Foi por isso que estava lá e não estava. Eles falavam e eu fingia que escutava. A única pessoa que conhecia daquela família era o tio médico, ausente do álbum de fotografias desde muito cedo. Era a "ovelha negra", algo que nunca o incomodou. Eles não deviam sonhar que eu o conhecera, mas afirmaram, quando descobriram que eu era de Almada, que quem gostava muito da Outra Banda era o "tio comunista". Oferecendo-me de seguida um sorriso, no mínimo sacana.

Também lhes sorri, enquanto me lembrava que o tal homem do retrato não passava de o "botas", para o doutor Henrique, que embora não fosse comunista, convivia melhor com esse rótulo que com o apelido herdado da família salazarista, que continuava a sonhar com o D. Sebastião.

Sonhos que não iriam desaparecer, agora que foram obrigados a mudar de rua.

terça-feira, novembro 25, 2014

25 de Novembro de 2014


Às vezes pergunto a mim próprio, que país seria o nosso, se os vencedores do 25 de Novembro têm sido os revolucionários de esquerda que estavam no lado de lá da barricada os outros, os revolucionários de esquerda.

Provavelmente teria sido derramado sangue e o país tinha sido destruído, economicamente, numa primeira fase, para depois se reconstruir.

Mas o mais grave, é que mais tarde ou mais cedo, acabaríamos por voltar a viver em ditadura, tal como acontecera em 1926, com o "povo" a não querer ouvir falar na palavra Esquerda, tal como acontecera na Primeira República com os democratas republicanos...
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Ou seja, esta gente que nos (des) governa, não tinha esperado quarenta anos para destruir os alicerces de um país que já foi democrático e teve preocupações sociais. provavelmente dez teriam chegado.

Já o Salazar, "grande amigo da democracia" dizia para se criarem coelhos...

quarta-feira, novembro 05, 2014

Somos um País de Ditadores e de Gente à Procura do Pai e da Mãe, em Todo o Lado


Nunca lhe disseram que a liberdade era outra coisa. Ou se disseram, ele fingiu que não ouviu.

O Carlos quando era mais inocente pensava que quem tinha tido a experiência de viver em ditadura, gostava mais de liberdade. Quando cresceu mais de um palmo percebeu que estava errado e quem costumava dar "vivas" a Salazar era gente com idade suficiente para ter juízo.

É por isso que aquele Zézinho não o espanta. Ele é mais um, com alma de "ditador", que apesar de já estar cheio de cabelos brancos, continua a insistir com o "mundo", para girar à sua volta. Embora este lhe troque as voltas, finge que sem ele o "mundo" acaba já amanhã...

E pior ainda, insiste com os outros, para o seguirem, que ele é que está certo. Surpresa ou não, quase todos se calam, dizem, para evitar problemas. E o ditador vai inchando e desfigurando tudo o que o cerca. Pena não ser um sapo. Sempre podia acabar por rebentar...

Embora sejamos doutro "reino", custa-nos encarar esta triste realidade. Mas não seremos nós a partir um dos "pés" da cadeira do Zézinho. 

Sabemos que não gostamos de ditadores e que ele não se senta à nossa mesa (nem mesmo para a célebre caldeirada...). Mas ficamos tristes, por sentirmos que há tanta gente à procura de um pai e de uma mãe, por todo o lado.

O Carlos insiste que o nosso país é melhor para os ditadores que África ou América Latina, que aqui sim, podem aspirar à "eternidade"...

Desta vez já nem sequer conseguimos sorrir. Precisamos muito de uma anedota do Gui, ausente com justificação no país da Dilma.

domingo, abril 27, 2014

O Meu Alentejo sem Saudosismos


Das coisas que mais me incomodam são os discursos saudosistas de alguma gente, nem sempre completamente ignorante, que até gostam de louvar o ditador de Santa Comba... 

É normalmente gente mais velha que eu, que conheceu de trás para frente e da frente para trás esse país miserável, com educação e saúde apenas para uma minoria, com a maior parte das pessoas escravas de um tempo sem tempo, onde até o pão escasseava...

É por isso que gosto de morar Além Tejo.

Embora por aqui ainda se encontrem alguns saudosistas (mais escondidos que na outra margem do rio, mas às vezes deixam o rabo de fora...), tenho quase a certeza que eles acabam para os lados de Alcácer, onde começa o verdadeiro Alentejo.

E é também por isso que gosto de ser alentejano, pois tal como eles, nunca ninguém me ouvirá falar com saudades do "tempo da outra senhora (é mais senhores, mas...)".

Se é do "respeitinho" que têm saudades, metam-no num sitio que eu cá sei.

O óleo é de Ernesto Arrisueno.

quinta-feira, março 06, 2014

Não, Obrigado!


Sei que para toda essa gente que se governa e guarda, generosamente umas "migalhas" para praticar a "caridadezinha", a solução é orar. Já o Salazar dizia, que enquanto o povo andasse entretido a conversar com Deus, não o incomodava...

Ou seja, pedir ao tal Deus, com mais de mil rostos e credos, para nos proteger e nos dar força para aguentar a "canga" (já dizia o banqueiro, que este povo, aguenta, aguenta!).

Não sou ateu ou agnóstico, gosto da figura de Jesus e gosto de acreditar na existência de um Deus justo (embora seja cada vez mais difícil...), que olha para todos da mesma maneira. Mas depois olho à minha volta e penso: «onde será que Ele está? Se está, porque fecha os olhos a tanta injustiça, tanta exploração, tanta violência?»

Claro que não recebo qualquer resposta ou sinal... mas de uma coisa estou certo, não vou ao "templo" orar...

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Somos Tão Fáceis de Embalar


A tolerância que temos para com os governantes mais incompetentes e mentirosos, desde Abril de 1974, é a maior prova de que somos muito fáceis de embalar...

O Salazar, com a sua voz de falsete, quase "piegas", a querer tocar no coração dos portugueses (pobres e ignorantes...), e por vezes a conseguir fazer chorar as pedras da calçada, é a inspiração do nosso actual primeiro-ministro.

Não é arrogante como Sócrates, que despertou ódios em quase todas as franjas da sociedade, porque lhe faltou modéstia e bom senso, entre outras tantas coisas.

Nunca houve um governo que cometesse tantos erros, alguns demasiado graves, sem rolarem cabeças e sem se encontrarem responsáveis. Aliás eles encontram sempre um único responsável: o tal Sócrates de má memória e de costas largas.  

Algumas pessoas  acham, de certeza, que na venda dos quadros do Miró, no acidente do Meco, no "roubo" das bolsas a investigadores, no aluguer dos estaleiros de Viana do Castelo, há ali dedo de Sócrates...

Claro que estas "cantigas de embalar" têm a cumplicidade da maior parte dos comentadores televisivos, radiofónicos e da imprensa, que nunca despem a camisola laranja. Sem falar da complacência de alguns jornais que já foram de referência...

A ilustração é de Loui Jover.

quarta-feira, outubro 02, 2013

A Epopeia dos Bufos,Graxas e Outras "Aves de Arribação" - ou a Tal Proximidade da Ditadura


Quando trabalhamos por conta própria, vivemos num mundo à parte. Nem nos apercebemos do valor da liberdade que temos, apenas dos custos...

Dois amigos funcionários públicos confessaram-me que o ambiente nos seus trabalhos "fedia". Nunca tinham  reparado na existência de tantos bufos e graxas, cada vez mais descarados, nos seus serviços.

O Nuno tentou fugir dos totalitarismos: «A malta tem a mania de culpar o Salazar por tudo e por nada, mas não sei até que ponto ele tem culpa de sermos uns "bufos" e uns "lambe botas". Somos é uns "merdas", que fazemos tudo para ficarmos bem vistos.»

O João abanou a cabeça e empurrou todas as culpas para o ditador e para os que pensam como ele: «Claro que tem culpa. Ele e todos os que não convivem bem com a liberdade e a democracia. É por isso é que criam "papões" no trabalho e deixam bem expresso que a maneira mais fácil de subir na carreira é pertencer ao SIC (serviço de informações do chefe). É essa merda que estes filhos da puta chamam mérito, mas não passa de bufaria com fartura em todos os serviços.»

O João acalmou-se e acabámos por falar do clima de medo que se tinha instalado na função pública, com os despedimentos anunciados. Ninguém queria perder o emprego e mostravam que tinham um preço demasiado fácil aos chefes, que sempre adoraram cortes de bajuladores e informantes...

Felizmente ou infelizmente, é nos momentos dificeis que vem ao de cima o verdadeiro carácter de cada um de nós.

O óleo é de Max Liebermann.

domingo, junho 09, 2013

O Povo que Somos


Uma palestra a que assisti ontem, que devia ser  sobre Antero de Quental (e foi, com os méritos do prof. Américo Morgado...), acabou por servir para quase todos os presentes falarem sobre essa coisa, boa e má, que é o ser-se português.

O mais curioso é como algumas qualidades (o pacifismo, o voluntarismo, a obediência, a  responsabilidade) se aproximam de alguns defeitos (o comodismo, a servidão, os brandos costumes, a submissão).

Mas fomos mais longe, apontámos mais causas para sermos assim. O clima foi referido várias vezes, assim com as nossas origens. Mas também foi dito que os espanhóis têm o mesmo tipo de clima que nós e descendem dos mesmos povos e são tão diferentes. Saem para a rua para defenderem os seus interesses, não ficam em casa, acomodados à situação, por mais difícil que ela seja.

Como não podia deixar de ser, Salazar também apareceu, pelas piores razões claro, assim como a igreja - sempre solicita a pedir sacrifícios aos mais humildes em nome de deus, prometendo-lhes o mesmo céu que "vendiam" aos seus "donos" - e os senhores todos poderosos das terras, que quase faziam as suas próprias leis.

É triste, mas penso que ainda não nos conseguimos libertar deste "jugo feudal" de tantos séculos, que só foi aliviado em Abril de 1974 (embora eles tenham voltado pouco depois e continuem no poder, como então, a servirem-se e não a servir o Estado...), muito menos de uma igreja que sempre esteve ao lado do tal poder (e assim continua...), que aproveita esta crise para apelar à caridadezinha e chamar a si os "pobrezinhos" e não para denunciar os atropelos que se fazem à dignidade humana...

Não chegámos a conclusão nenhuma, mas lançámos muitas pistas sobre o povo que somos e nem sempre gostamos de ser...

O óleo é de Will Barnet.

quinta-feira, maio 23, 2013

Sentir Sem Agir


Não percebo porque razão sentimos e não agimos.

Sinto que quase tudo nos escapa das mãos, que continuam a transformar-nos em "nada", que somos empurrados para o "vazio", que tanto pode ser um túnel quase infinito como um precipício.

Sei que a tal desigualdade, tão desejada pela meia dúzia de famílias salazarentas, saudosas do tempo em que tinham "escravos", está quase no "ponto". Talvez voltem a ter fábricas disto e daquilo, quintas a perder de vista no Alentejo, e bancos, para especularem e dominarem o país. E depois entretêm-se a espalhar "migalhas", como fizeram durante tantos anos...

Ainda ontem noticiaram que fomos um dos país europeus onde foram vendidos mais carros da chamada "gama alta".

Eu sabia que não podíamos ser bons apenas no "desemprego" e na "pobreza"...

E é por isso que pergunto: o que foi que fizeram de nós, para sentirmos e não agirmos?

O óleo é de Raymond Leech.

sexta-feira, abril 12, 2013

Pensar e Caminhar (sem interferências...)


Um dos nossos maiores problemas como povo, é conseguir caminhar pelos seus próprios pés.

Estamos sempre à espera de um sinal, de uma pista.

Há quem continue a apontar o dedo a Salazar, mas eu penso que um século antes, já era assim.

É sobretudo um problema cultural e também escolar.

Cultural, por só em 1974 é que nos conseguimos livrar (ainda que ligeiramente...) das chamadas "élites", que a única coisa que faziam era viver à sombra do Estado.

Escolar, porque o nosso ensino nunca teve grandes  preocupações em formar alunos autónomos, em ensinar a pensar, a olhar, a ver mais longe.

Infelizmente os governantes que temos e a própria igreja, sempre tiveram medo de quem gosta de pensar pela sua própria cabeça...

O óleo é de Andrew Baines.

sábado, janeiro 19, 2013

Histórias de Nomes de Ruas


Hoje é uma rua de Almada que visito com regularidade, por causa das coisas de cultura. Gosto do seu nome: Rua da Liberdade.

Parece irónico mas não é, dos anos mil novecentos e quarenta até à Revolução de Abril, chamou-se rua doutor António Oliveira Salazar.

Imaginei o que sentiria alguém que nasceu ali, na tal rua do "Botas" (que se fingia muito modesto, mas com menos de dez anos de governação já tinha ruas em tudo o que era sitio...), e que quase de repente viu a rua se tornar uma estrada livre, no nome e no resto...

Lembrei-me disto num dia em que o vento foi quem mais ordenou, com toda a liberdade do mundo, deixando um rasto mais nítido onde soprou com violência...

O óleo é de  Vladimir Sourin.