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segunda-feira, maio 27, 2019

As Conversas de Segunda-Feira


Hoje durante o almoço falámos, naturalmente, das eleições. Da abstenção já crónica, mas também da tentativa, quase sempre frustrada, de "ninguém" ter o bom senso de admitir a derrota. Nem mesmo os partidos que traçaram objectivos claros (o CDS por exemplo além de querer o segundo deputado, queria muito ficar à frente de todos os partidos de esquerda...).

Mas também falámos do papel da televisão, nesta subida da percentagem da abstenção, que gosta mais de alimentar o "espectáculo" que a "informação". Infelizmente isso não acontece apenas nos canais mais populistas (CMTV e TVI), os outros (RTP e SIC), acabam por ir atrás, assim como os seus comentadores, alinhados com os interesses de quem lhes paga o lanche (o outro Luís, ingenuamente até foi capaz de dizer que alguns políticos que comentavam política e futebol o faziam de graça, a troco apenas de "tempo de antena". Claro que nenhum de nós foi na sua "cantiga"...). 

E se eu já sabia que o Fernando Rosas tinha muitos "ques" como historiador, acabei por juntar à minha "lista" mais três ou quatro episódios, pouco abonatórios, para quem investiga o século XX, oferecidos pelo Mário.

Mas a televisão alimenta-se sobretudo dos melhores comunicadores, que poucas vezes são os melhores jornalistas, historiadores ou políticos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, maio 26, 2019

O Nosso Virar Costas à Europa...


O "partido" vencedor das eleições europeias cada vez se distancia mais dos adversários políticos.

E não acredito que a solução seja marcar esta data para um dia de chuva...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, janeiro 29, 2019

«Afinal, ele é como nós!»


A expressão que escolhi como título deste texto, é dita vezes sem conta, quando políticos como o nosso Presidente da Republica, andam por aí, misturados com o povo, oferecendo-lhe a melhor da atenções na passagem em revista dos seus anseios e problemas. E se eles forem de "prometer", são capazes de dizer que irão até ao "fim do mundo", para tentar resolver os ditos problemas.

Lembrei-me de escrever sobre isto ao ver o bom do Santana Lopes na televisão a visitar o Bairro da Jamaica, no Seixal, naquela que terá sido uma das suas primeiras saída para o terreno,  em pré-campanha eleitoral, pelo seu Aliança.

Neste caso particular, os moradores do bairro, só não devem ter dito que ele era como eles, por causa da diferença da cor de pele...

Mas atenção, este "menino guerreiro", é dos melhores em campanhas eleitorais. Os partidos da direita que se cuidem (e até o próprio PS). Diz o que as pessoas gostam de ouvir, de uma forma clara e concisa, sem se perder em abraços, beijinhos e selfies. Ou seja, a palavra da moda (que parece assustar tanta gente...), há muito que faz parte do seu vocabulário político.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 02, 2017

A Mudança Política (Inesperada) em Almada...

Sabia que um dia isto ia acontecer. Mas sempre pensei que fosse um processo gradual. Que a CDU começasse por perder a maioria, e depois então acontecesse a "revolução" eleitoral.

Sem analisar qualquer estudo, penso que a diminuição da abstenção foi a chave do sucesso socialista. Assim como a "onda positiva" que invadiu o país de Norte a Sul (nem os trágicos incêndios ou as armas desaparecidas "destruíram a onda"...).

Não acompanhei muito a campanha, encontrei-me ocasionalmente com Inês Medeiros e acabámos por falar sobre Almada e estas eleições. Fui de alguma forma "provocador", mas ela respondeu-me sempre de uma forma positiva... Claro que nunca pensei que a boa impressão que me deixou, fosse suficiente para se tornar presidente (rima... mas foi mentira).

Talvez os Almadenses tivessem saudades de ser governados por uma mulher.

Apesar de achar que Joaquim Judas foi um bom presidente e que tem excelentes qualidades humanas, não estou nada triste com esta mudança. Quarenta e um anos de poder da mesma força política é muito tempo. E quase sempre com maiorias, o que acaba por ter efeitos perversos, pois algumas pessoas tendem a esquecer o que é viver em democracia...

Espero que fiquemos todos a ganhar com a mudança. A cidade e os Almadenses. 

Nota: a crónica de ontem foi mesmo sobre o Benfica, embora o título possa ser colado à "posta" de hoje. Mas felizmente vivemos em democracia e não é preciso escrever nas "entrelinhas" - nem eu tenho essa capacidade. Não há qualquer dúvida é que existem mesmo coincidências tramadas...

(Fotografia de Luís Eme - este cartaz diz-nos uma coisa importante, Almada pode e deve viver mais perto do Rio Tejo)

domingo, outubro 01, 2017

Crónica de um Adeus Esperado (ou talvez não)...


Segundo a tradição - e também legislação - hoje não é dia para falar de partidos, eleições, governantes, etc. É por isso que vou escrever sobre algo de que gosto muito, mas que está povoado de zonas cinzentas, de gente que nunca gostou profundamente de desporto, particularmente de futebol. A única coisa que os motiva são as vitórias dos seus clubes, com a ajuda de árbitros, fiscais de linha ou juristas, demasiado coloridos.

Já disse várias vezes que gosto do Benfica. Penso que a única razão que encontro para "este gostar" é a "magia" da fotografia do José Águas, a sorrir, com a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pendurada num quadro na sala da casa do vizinho de cima, no prédio onde vivi a minha meninice, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Até porque lá por casa era tudo "lagarto", a mãe, o pai e o mano.

Mas o que eu quero mesmo é falar de futebol, da actualidade, mas sem me afastar dos relvados. Falar apenas dos jogadores, dos treinadores e da bola. Neste caso particular, falar da "crise" do Benfica, do seu treinador e dos seus jogadores.

Como não tenho a memória curta, não esqueço que o Benfica que praticou melhor futebol nos últimos vinte anos, foi o de Jorge Jesus. Até ao momento Rui Vitória demonstrou ser um bom líder, sereno, competente, mas, talvez demasiado "frio" e "apagado". Pelo menos é essa a ideia que passa, para quem vê a sua equipa do Benfica a jogar, mais calculista que apaixonada por um futebol desgarrado e bonito.

Jorge Jesus só provou, que de facto é um grande treinador, na época seguinte a ter perdido "tudo" (podia ter sido Campeão Nacional, ganhar a Liga Europa e vencer a Taça de Portugal...). Conseguiu colocar os pés no chão e vencer os dois campeonatos seguintes, praticamente com os mesmos jogadores...

Rui Vitória para muitos tem hoje um "teste de fogo", na Madeira. Para mim, nem por isso. O seu verdadeiro teste é conseguir retirar da equipa "jogadores intocáveis", como é o caso de Luisão, que pode ser muito importante como líder no balneário, mas que já não tem capacidade física para ser titular de uma equipa com a grandeza do Benfica. E claro, conseguir que o "Benfica jogue à Benfica" (sempre a querer ganhar, em qualquer relvado...), o que ainda não aconteceu esta época.

Voltando ainda ao Luisão, muito mal vai o Benfica se não tem um jogador com qualidade suficiente para o substituir...

(Fotografia de autor desconhecido - mas eu gostava que fosse do grande Nuno Ferrari)

sexta-feira, setembro 29, 2017

Num Mundo Quase Perfeito...

Para mim, num mundo quase perfeito, não existiam maiorias, nem partidos a governarem durante mais de uma dezena e meia de anos (curiosamente ouvi a jeitosa da Cristas dizer quase isso sobre Lisboa, falou só numa dezena, porque parece ser o tempo do PS no poder na Capital...).

E durante as campanhas para eleições todos os candidatos a qualquer coisa deviam sofrer do "síndroma do pinóquio", ou seja, cada vez que dissessem uma mentira, sentiam o nariz a crescer, crescer, crescer... 

Como sempre, sei em quem devo votar, da mesma maneira que sei em quem não devo (é sempre bom não esquecer algumas pessoas que bem podiam andar à pesca  rente ao rio, em vez de se andarem a enganar e a enganar-nos, anos a fio...).

É também por isso que gosto particulamente das eleições autárquicas, por serem as únicas em que se vota sobretudo nas pessoas. Às vezes até votamos em pessoas que não pertencem ao partido que está mais próximo de nós. E é bom quando isso acontece. Pensamos mais na competência e nas qualidades humanas dos candidatos que da sua cor política...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 24, 2017

Histórias Cheias de "Tachos e Panelas", de Norte a Sul...


Infelizmente (ou felizmente...) as eleições autárquicas conseguem oferecer-nos um retrato ainda mais pequenino, e rasteiro, da pretensa classe política portuguesa.

Os concelhos, que alimentam "mil e uma histórias de mau perder", de Norte a Sul, são às dezenas. E o mais grave, é que nenhum dos quatro maiores partidos, com assento parlamentar, escapa aos vários ajustes de contas pessoais, protagonizados por gente que está de tal maneira agarrada ao poder, que tanto é capaz de mudar de partido como de criar um falso movimento independente, só para se manter "à tona de água".

Há cidades e vilas em que a mesma força política conseguiu despoletar três candidaturas: o candidato oficial do partido; o actual presidente preterido; e ainda o vice-presidente enganado (por falsas promessas...).

E ainda temos o caso extraordinário de Oeiras, em que o movimento independente que está no poder também se conseguiu dividir em três...

É uma pena que a maior parte desta gente só esteja preocupada com o respectivo "tacho" e não com a qualidade de vida da Terra e das Pessoas que os elegem...

Isso explica muito o país que somos e as coisas aberrantes que descobrimos por esse Portugal fora...

sábado, agosto 05, 2017

As Campanhas Alegres não São Para Todos...


Todos os políticos e simpatizantes tentam fazer de cada campanha eleitoral uma coisa alegre, vistosa e simpática.

Mesmo aqueles que não são muito de sorrir e de prometer coisas no seu dia a dia, estragam as pessoas com quem se cruzam com mimos. E no meio da conversa até são capazes de dizer: «Tem toda razão, temos de melhorar. Tem de nos ajudar a fazer melhor no próximo mandato.» Ao mesmo tempo que as enchem de papeis com fotografias e palavras quase bonitas.

Mas nem toda a gente acha graça a estas mudanças estratégicas e temporais. Foi o que aconteceu com o homem que olhou para o ainda vereador com cara de caso e falou num tom alto para todos ouvirem: «Não se ria para mim. Tenho mais vergonha na cara que você e a sua família toda.» E não é que o governante obediente, deu um toque na orelha e "desligou" imediatamente o sorriso?

(O uso deste desenho pode parecer sexista, mas não, é utilizado apenas como exemplo do esforço que as pessoas fazem para parecerem bonitas e simpáticas, neste período de demagogias, antes de sairem à rua. O que nem sempre resulta, como na anedota da senhora alentejana que pintou os beiços...)


quarta-feira, novembro 09, 2016

Ora Aqui Está uma Quarta-Feira, Farta em Conversas e Emoções...


Ao cair da noite de ontem fomos surpreendidos pela notícia inesperada da rendição às autoridades de Pedro Dias, conhecido como o "Piloto", o suspeito de dois homicídios que andava a monte há quatro semanas.

E para colocar os especialistas do crime da TVI e CM a "roerem meias de sem abrigo", teve ainda a  lata de oferecer o exclusivo da sua entrega à RTP.

Apesar de se ter tornado quase num "herói" cinéfilo de filmes de acção (provavelmente sem ter saído muitas vezes do "quentinho" de algum lar amigo...), e ser suspeito de todas as peripécias que aconteceram por aqueles lados e descoberto por essa Europa fora, não consigo sentir qualquer simpatia pela personagem.

Compreendo o seu medo de ser apanhado pela GNR e fico à espera das "versões" que se seguem (ele para já diz-se inocente...), em mais uma daquelas "séries" que prometem durar várias temporadas...

Ao começo da manhã outra surpresa (pelo menos para mim...), a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas. A primeira coisa que me apetece dizer é que os americanos só têm o que merecem, que foi nada mais nada menos que aquilo que a maioria dos votantes escolheram.

Claro que gostava de ser surpreendido pela positiva, perceber que afinal ele não é tão "maluquinho" como gosta de mostrar na televisão e descobrir alguém mais inteligente e sensato que o último presidente eleito pelos republicanos...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O Novo Presidente e Estas Sondagens (Irritantes)

Embora tenha acontecido o que se esperava, quem não pertence à área política de Marcelo Rebelo de Sousa alimentava a esperança de uma segunda volta, da possibilidade de um novo "tira-teimas", desta vez só a dois. E com o imaginário em Freitas e Soares, embora hoje tudo seja diferente, com uma esquerda mais desunida...

E o mais curioso é que as divisões não se verificam entre os partidos de esquerda, mas sim no interior do próprio PS. Não tenho grandes dúvidas que muitos dos "inimigos" do Costa e "amigos" da Maria de Belém, preferiam aclamar Marcelo como presidente a votar em Sampaio da Nóvoa.

E estas sondagens (tão certeiras...) continuam a irritar-me. Já nas eleições legislativas, nunca acreditei na vitória da coligação de direita. Pensava que os seus quatro anos de governação, em que colocaram o país num estado miserável, tinham sido suficientes para empurrarem as pessoas para outro tempo, mas não. E agora fiei-me um pouco de sermos um país maioritariamente de esquerda, esquecido que metade da nossa população prefere não escolher, entregar-se à vontade dos outros. São sobretudo estes que merecem os Passos, os Portas e os Cavacos...

E agora só espero que Marcelo seja o que disse no seu discurso de vitória, porque precisamos de um presidente responsável em Belém e não de um "catavento". Já nos chegaram os últimos dez anos, povoados de "cobardias" e "silêncios", bem escondidos nos roteiros cavaquistas "do nada".

(fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 05, 2015

Um Dia Depois do Outro


Estava ali junto ao cais, quase a ver as pessoas passarem, a fazer tempo, porque isto de acordar cedo tem que se lhe diga.

Pensava que ia estar mais chateado nesta manhã quase sombria. Pela ausência de Sol e de futuro (acredito pouco na capacidade desta gente em fazer as reformas que o país precisa, há pelo menos dez anos. é mais fácil continuar a cortar nos ordenados, nas reformas e a aumentar impostos...).

Lembrei-me do Gui, que não deve ter votado lá nos "brasis", que sempre foi mais "neo-realista" que eu e me dizia, sempre que apanhávamos um vigarista pela frente (e apanhámos muitos...): «Não sejas anjinho, quem mente mais e de forma mais convincente é que ganha nos dias de hoje.»

Claro que podemos continuar a "remar contra a maré", a achar que esta "gente não é do nosso reino", mas a realidade e as sondagens (que influenciam sobretudo aqueles que gostam de estar do lado dos vencedores) dizem-nos que é delas que o "povão" gosta e vota.

Sei que hoje durante o almoço vamos dizer mal dos políticos do bloco central, ao mesmo tempo que respiramos de alívio e acrescentamos que os gajos perderam, e bem, no nosso distrito. Mas Setúbal não é uma ilha...

O óleo é de Charles Walter Simpson.

sábado, outubro 03, 2015

A Maioria que Perde Quando Ganha...


Por hoje ser dia de reflexão, podemos olhar de uma forma mais abrangente para o universo eleitoral do nosso país, para a maioria que embora ganhe as eleições fica sempre a perder, por se colocar à margem do acto eleitoral.

Como já perceberam refiro-me aos abstencionistas, que passam a vida a dizer mal de tudo e depois quando chega a altura em que podem decidir alguma coisa (escolher a força política menos má para governar...), ficam em casa.

Por muito descontentes que estejamos com o sistema ficamos sempre a perder.

Falo por experiência própria. Nas últimas eleições autárquicas, abstive-me pela primeira vez. Não quis votar na CDU, por achar que já estavam  à tempo demais no poder (e estão, desde que há eleições livres...) e também não me apeteceu votar na oposição, por "não existir" até dois ou três meses antes das eleições.

O mais curioso é que a minha abstenção (e a dos mais de 60 % dos almadenses - algo que devia fazer pensar os políticos...) acabou por voltar a dar a maioria à CDU.

Porque apesar de toda a "conversa da treta" dos analistas políticos,  a abstenção favorece sempre quem está no poder...

E é isso que também pode acontecer amanhã, o dia de todas as liberdades e de todas as decisões.

Escolhi esta ilustração de Alex Colville, porque ao contrário de outros anos, a habitual ida à praia no domingo das eleições não foi aprovada pelo São Pedro...

segunda-feira, setembro 28, 2015

A Mentira e a Manipulação Terão a Resposta dos Portugueses no Domingo


Continuo convicto de que a mentira e a manipulação (cada vez mais descaradas) terão a resposta dos portugueses no próximo domingo, com uma derrota convincente da direita.

Percebo que os comentadores da direita (em maioria nas televisões) aproveitem o tempo de antena, para fazer o seu papel e distorcerem a realidade sempre que lhes é possível. Assim como também  percebo que as redes sociais sejam normalmente tendenciosas e polémicas, tanto à esquerda como à direita.

O que  continuo a não entender são os "fretes" do jornalismo da actualidade, cada vez menos livre e independente. E o mais grave é ter a sensação de que vai ser muito difícil libertar-se de todos os interesses que o rodeiam, que começam e acabam nos interesses dos seus proprietários. 

Também me faz muita confusão que o secretário geral do PS tenha mais inimigos dentro que fora do partido. E que tenha revelado tantas fragilidades durante os últimos meses.

Mas não acredito que estes dois factores negativos sejam suficientes para colocar a coligação de direita à frente do PS em todas as sondagens. Isso só acontece porque a direita também controla as empresas que realizam estes estudos.

O que eles não controlam é a nossa liberdade pessoal. A nossa vontade de nos vermos livres de gentalha que a única coisa que fez em quatro anos foi empobrecer o país e os portugueses, ao mesmo tempo que privatizavam quase todo o país, depois de ajudarem a destruir empresas, como aconteceu com a TAP ou com os Estaleiros de Viana do Castelo, por exemplo. E nem vou falar no que fizeram à saúde, à educação e à cultura do nosso país.

É por isso que só há um caminho no domingo, votarmos contra a mentira e a manipulação desta gente ordinária e desonesta.

O óleo é de Heitor Chichorro.

sábado, setembro 19, 2015

O Esquecimento da Educação e da Cultura


Não sei se vamos ter um ministro ou secretário de estado da Cultura. É mais um dos aspectos que está dependente da escolha dos portugueses a 4 de Outubro.

Possivelmente um dos menos importantes. Não é por acaso que a Cultura e a Educação (para além da "promoção" ou não a ministério da Cultura), parecem excluídas da campanha eleitoral. 

De qualquer maneira, isso até pode não ter qualquer relevância, pois pode-se ter ministro sem vontade e sem apoio. ou seja, fazer-se o que é comum no nosso país, muda-se o nome ás coisas para que fique tudo na mesma.

Importante mesmo era que a Educação e a Cultura voltassem a contar para o nosso país...

O óleo é de Pierre Bonnard.

segunda-feira, setembro 14, 2015

O Silêncio Político (involuntário) e a Nudez (voluntária)


Quem olhe para as notícias televisivas fica com a sensação que só concorrem às eleições duas coligações (PAF e CDU) e dois partidos (PS e BE).

Não se ouve falar do LIVRE/ Tempo de Avançar, do PDR  (ambos com aspirações na eleição de deputados...) ou ainda de outros pequenos partidos como o  PCTP/ MRPP, AGIR ( PTP/ MAS), PAN, PPM e MPT.

Por exemplo, a Joana Amaral Dias para "agir" teve de se despir - duas vezes -, só assim é que falaram dela (embora tenham continuado a ignorar a sua coligação...).

Este é apenas mais um dos sinais onde foi parar a nossa democracia e o nosso jornalismo.

Gostava  que estes partidos mais pequenos conseguissem eleger deputados (apesar de saber que é muito difícil...). Era uma bela "lapada de luva branca" a todos aqueles que dirigem as direcções de informação dos canais televisivos, das estações radiofónicas, sem esquecer os directores de jornais e os comentadores pouco independentes (e ainda menos livres).

O óleo é de Jan Sluijters.

terça-feira, setembro 08, 2015

"O Voto é a Arma do Povo"


Estive a reler algumas crónicas que escrevi durante mais de um ano no "Jornal de Almada" ("A Cidade dos Outros") e encontrei uma que se enquadra no tempo que vivemos. A crónica intitula-se, "O Voto é a Arma do Povo" e foi publicada a 7 de Outubro de 2005, há praticamente dez anos.

Nesses tempos as pessoas não estavam tão apáticas nem tão assustadas em relação ao presente e ao futuro como nos nossos dias.

Comecei a crónica desta forma:

«Uma das coisas mais estranhas que observo, nestes tempos difíceis que estamos a viver, é o desinteresse aparente das pessoas pela própria resolução dos muitos problemas que as afligem. A melhor prova do que acabo de dizer, é a elevada taxa de abstenção nas nossas eleições.
É por isso que, sempre que se realiza um acto eleitoral fico bastante satisfeito por encontrar exemplos de pessoas idosas, debilitadas fisicamente - de cadeiras de rodas ou amparadas em bengalas e muletas -, que não querem perder, por nada deste mundo, o direito democrático de participarem na escolha das pessoas e dos partidos políticos com os quais se identificam.
Olho-os com admiração e respeito, por perceber a razão pela qual valorizam tanto a importância das eleições livres, sejam elas para o parlamento, autarquias ou para a presidência da república. Eles, mais que ninguém, sentem que os actos eleitorais, sem qualquer condicionamento, são uma das conquistas populares mais importantes da Revolução de Abril. Justificam a sua presença com a frase: «já bastaram os longos anos em que vivemos em ditadura, sem pudermos votar e escolher livremente os nossos governantes.»

Tenho a certeza que se todas as pessoas pensassem nestes exemplos, iam votar no próximo dia 4 de Outubro e esta gentalha, que anda a fazer tudo o que é possível e impossível para se manter no poder, sofria uma derrota humilhante, para perceberem de uma vez por todas que os portugueses não são tão parvos como parecem.

terça-feira, agosto 25, 2015

O Abandono das Pessoas de Norte a Sul


Podia contar mais de cem episódios que se passaram nos últimos quatro anos com a governação desta gente, sem um pingo de vergonha na cara, que usou a mentira e o engano com a sua "arma" diária (e continua a usar...). 

Mas prefiro falar da forma como trataram as pessoas, especialmente as que vivem no interior.

Começaram por alterar o mapa das freguesias do país, com a história de que se iriam poupar milhões (algo que nunca foi nem será comprovado...), com o fim de centenas de sedes de freguesias, urbanas e rurais.

Se nós nas cidades nos queixamos da falta de limpeza das ruas, do crescimento das ervas nos passeios, jardins e terrenos baldios, do fim de programas de apoio para a terceira idade, da falta de resposta a propostas de parceria para as áreas da cultura, educação e desporto etc, o que dirão as pessoas do interior, das vilas e aldeias mais remotas deste país?

Como se não bastasse a perda de importância do poder autárquico local, ainda lhes foram retirados centros de saúde, repartições de finanças, tribunais, escolas. Que por sua vez provocaram o fecho de lojas de comércio, cafés e outros serviços. Ou seja, há pessoas que em apenas meses viram o tempo recuar mais de quarenta anos, voltaram ao tempo da ditadura, em que viviam entregues a elas próprias.

Numa altura em que praticamente deixou de existir jornalismo de investigação no nosso país, falta fazer um retrato sério do que aconteceu ao nosso país, analisar o que se perdeu em apenas quatro anos de governação desta coligação, que em alguns casos praticou mesmo actos criminosos. Falta saber entre outras coisas, quantas pessoas morreram em casa, por falta de assistência médica, por viverem a mais de cem quilómetros de um hospital, que por sua vez também se viu limitado na sua oferta, com dezenas de serviços fechados por falta de médicos especialistas e enfermeiros...

É por isso que pergunto: o que é que esta gente que vive no Interior tem na cabeça, para voltar a votar em quem lhes fez tão mal?

O óleo é de Robert McGregor.

sexta-feira, agosto 21, 2015

As Tonalidades Laranja da Comunicação Social e o Povo


É provável que me esteja a repetir. Nada que me incomode.

O que me incomoda é a forma como o partido do governo conseguiu tomar de assalto toda a comunicação social, dos jornais à televisão, passando pela rádio.

Podia falar dos comentadores televisivos, que sempre que podem pintam a realidade cor laranja, que podiam ser actores de telenovela, já que são capazes de mentir com o ar mais sério do mundo. Mas eles fazem o seu papel, já que a honestidade nunca foi o seu forte...

Agora dos jornalistas, esperava outra coisa, mais amor ao pluralismo, à verdade e à liberdade de expressão.

Quando o Carlos há largos meses elevava o tom de voz contra este povo masoquista (para não lhe chamar outra coisa muito pior...), capaz de votar em quem lhe roubou o emprego, parte das reformas  e criou impostos para tudo e para nada, no meio de mais uma garfada de grão com bacalhau das segundas, nós dizíamos-lhe que era impossível Portas e Coelho ganharem as eleições.

Quem diria que a menos de dois meses das eleições, teríamos de dar o braço a torcer... 

Claro que o equilíbrio das sondagens, além de ser manipulado, deve-se mais ao demérito do PS e de toda a oposição, que às qualidades destes políticos. Só assim se percebe que quatro anos marcados pela incompetência, pela mentira, pelo compadrio e pela falta de vergonha na cara de pelo menos meia dúzia de ministros (que em situações normais, teriam pedido a demissão, e esta teria sido aceite pelo primeiro-ministro), estejam a cair o no esquecimento de um povo sem memória e sem vontade própria.

O óleo é de Marianne Herefkin.

sábado, abril 25, 2015

O Espanto dos 92 por Cento, 40 Anos Depois das Primeiras Eleições Democráticas


Faz-me confusão que as notícias falem com espanto da afluência às urnas das primeiras eleições livres realizadas a 25 de Abril de 1975, para a Assembleia Constituinte.

Se mais de 70 % dos portugueses nunca tinham votado (não me servi de qualquer dado estatístico, apenas da minha intuição de historiador para chegar a este número), é absolutamente normal que todos quisessem participar na construção do tal país, mais livre e mais justo, com que todos sonhavam, um ano depois da Revolução dos Cravos.

É por isso que não me espanta nada que a percentagem de votantes tenham atingido os 92 %, entre todos os portugueses recenseados.

Espanta-me sim, que quarenta anos depois, mais de metade dos portugueses não vão votar em todos os actos eleitorais, sem que os políticos (de todos os partidos com assento parlamentar...) demonstrem qualquer preocupação pelo que está a acontecer na nossa sociedade.

domingo, junho 01, 2014

Esta Europa não é Nossa


Provavelmente, há boa maneira portuguesa (é preciso haver sempre algo que alimente as "novelas" na comunicação social), daqui a um mês ainda os comentadores televisivos andam a inventar teorias sobre o novo recorde abstencionista em eleições, sem focarem o aspecto mais importante: esta Europa não é nossa (nem dos países que eles chamam mediterrâneos...).

Uma boa parte de nós sabe que esta Europa, falsamente unida, não tem nada para nos dar. Conseguiu destruir a nossa economia (ainda que arcaica mas relativamente equilibrada), assente na agricultura, nas pescas, na indústria e no comércio, para nos transformar num país de serviços, completamente dependente do exterior.

Até nos conseguiu condicionar naquilo que melhor produzíamos (leite, carne, peixe, etc), impondo quotas, que obrigaram muitos portugueses a mudarem de vida...

Mais ou menos cultos, a maioria dos portugueses sabe que esta Europa só foi boa para os empresários e os políticos que se aproveitaram das benesses e dos dinheiros europeus (muitas vezes de forma fraudulenta, mas sem sofrerem qualquer remoque, por termos a justiça que temos...).

Para o país foi o que se sabe e se vê, todos os dias: cada vez há mais gente a viver com dificuldades.

É por isso perfeitamente natural que a maioria dos portugueses não vá votar para eleger deputados europeus (ainda por cima sabendo dos ordenados, das suas regalias e da sua "não existência"...). 

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que a loura alemã manda mais que qualquer parlamento europeu...

O óleo é de Heiner Atmeppen.