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quarta-feira, agosto 14, 2019

coligação de avulsos...


Estou a acabar de ler "Coligação de Avulsos - ensaios de crítica literária", de Abel Barros Baptista.

Nem todos os ensaios me despertaram o interesse, mas há um ou outro, cuja pertinência acabou por me fazer pensar, muitas vezes até fora das palavras do autor.

É por isso que vou apenas realçar um ensaio, O Surto da Ficção e a Capitulação da Crítica, com aquele que o autor considera "melhor representante" da tal capitulação. Mas vamos lá às palavras de Abel Barros Baptista:

«O atrás referido Grande Prémio do Romance e Novela (APE) constitui-se o melhor representante da capitulação da crítica. José Saramago, por exemplo, o mesmo que viria a ganhar o Nobel em 1998, foi quatro vezes preterido nesse prémio: viria a ganhá-lo apenas em 1991, com o Evangelho Segundo Jesus Cristo, numa altura em que o seu êxito internacional era irreversível, sobre esmagador. É irrelevante debater se os romances que venceram Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra ou História do Cerco de Lisboa eram melhores ou piores romances que estes: interessa sim, sublinhar que, durante toda a década de 80, a crítica, com pouquíssimas excepções, paralisada perante o sucesso de um escritor relançado inusitadamente, não encontrou meios de lhe entender os livros, como se precisasse de mais tempo para assimilar uma radical novidade, o que até nem era o caso.»

Eu não falaria em falta de "entendimento", preferia a palavra "preconceito". Neste caso particular o preconceito que existe em termos ideológicos, sobre o homem - que neste caso particular foi José Saramago -, ao ponto de se ser capaz de colocar o escritor num plano secundário...

domingo, junho 16, 2019

«Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores»


Os prémios literários raramente são temas de conversa (pelo menos nas conversas que mantenho com as pessoas que escrevem...) E quando se fala dos ditos prémios, é quase sempre para dizer mal de alguém (e tanto pode ser o vencedor como um membro do júri...).

Foi por isso que foi bom escutar o Zé a dizer: «Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores.» E nem teve qualquer problema em falar de si próprio: «Por acaso, o único prémio literário que recebi, foi dado a um dos livros com que menos me identifico.»

Mas quis ir mais longe e acrescentou: «Embora esteja na moda, é uma parvoíce entregar "prémios de carreira" a quem tem menos de 80 anos...»

Quando lhe perguntei por que não recusavam este tipo de prémios ele foi taxativo: «De uma maneira geral as pessoas que escrevem não vivem muito à vontade. Pelo que todo o dinheiro é bem vindo...»

Foi quando o Rui resolveu um ar da sua graça e disse: «Ainda bem que o Herberto era milionário, pôde recusar uma data de prémios, E alguns até eram chorudos.»

Acabámos todos por sorrir, usando várias cores.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 22, 2019

Chico (Camões) Buarque


Como não sou um purista, fiquei bastante feliz pela atribuição  do "Prémio Camões" de 2019 a Chico Buarque. 

Também olho para este prémio, para algo que não se limita a ser literário, quer ir mais longe. 

E o Chico vai bem mais longe, e até era capaz de colocar o nosso Luís de Camões a "sambar" de alegria...

(Fotografia de Luís Eme - Constância)

terça-feira, dezembro 04, 2018

Ainda São os Melhores do Mundo...


Mesmo que os "donos do futebol" tenham decidido deixar de lhes entregar os prémios de melhores futebolistas do Mundo (devem achar que já têm bolas de ouro a mais...), Cristiano Ronaldo e Messi, continuam a ser únicos. Neymar, Griezmann, Modric, Mbappé, Salah ou Hazard, mantêm-se a alguma distância, nota-se que lhes falta qualquer coisa para chegarem ao nível destes dois extraordinários atletas.

Curiosamente não são únicos apenas dentro de campo. A sua postura fora dos relvados também tem sido sempre exemplar. Apesar da já eterna rivalidade, tantas vezes exacerbada pelos jornalistas, nunca Ronaldo ou Messi, tiveram uma palavra de desconsideração um pelo outro. Mesmo sem serem amigos, sempre demonstraram um grande respeito, pelo que são e representam. 

É por isso que não escolho um, escolho os dois. Para mim, Messi e Cristiano Ronaldo, continuam a ser os melhores futebolistas do Mundo.

Nota: Concordo perfeitamente com a sua ausência na cerimónia de entrega dos prémios. É uma questão de dignidade.

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, setembro 26, 2018

A Tentativa de Despromover os Melhores do Mundo por "Decreto"...


Parece que o mundo tem girado mais depressa nos últimos dias. Mas não, só sou eu que tenho tido menos tempo para passar por aqui, embora não me faltem motivos para escrever.

Um dos temas do sobre os quais me apeteceu escrever foi esta coisa dos prémios dos melhores da Europa e do Mundo do futebol.

O primeiro a ser excluído dos melhores foi Messi (este ano nem sequer fez parte dos três melhores do mundo...). Cristiano Ronaldo não foi excluído, mas ficou em segundo em ambos os prémios (o primeiro dos derrotadoa...), atrás de Modric.

Não vou sequer falar de justiça ou injustiça, mas parece-me ser claro, pelo menos para todos aqueles que acompanham o futebol, que Ronaldo e Messi ainda continuam a estar num patamar superior em relação a outros potenciais "melhores do mundo" (que penso que nunca atingirão o nível destes dois...).

E não serão a UEFA ou a FIFA (embora pensem que sim), a "decretar" o fim do seu reinado como "melhores do mundo". Poderão sim, continuar a exclui-los dos prémios de melhores da Europa e do Mundo, talvez por acharem que eles já têm muitas "bolas" lá por casa...

(Fotografia de Autor Desconhecido)

terça-feira, janeiro 10, 2017

A Justiça e a Injustiça dos Prémios...


Hoje assisti aos lamentos de alguém que concorreu a um prémio literário, e ao ser derrotado, não só pôs em causa o júri, como o próprio vencedor.

Disse-lhe que provavelmente  com outro júri, haveria outro vencedor. Mas isso faz parte dos concursos e das diferenças de gosto de cada um de nós. Claro que não o convenci (também não queria...).

Isso fez com que me lembrasse do fim da tarde de ontem, onde senti mais uma vez, que o "nacionalismo" muitas vezes soa a ridículo. Uma boa parte dos comentadores acharam que a entrega do prémio de melhor treinador do Mundo a Cláudio Ranieri foi  injusta e que quem devia ganhar era Fernando Santos...

Como eu não costumo ir atrás de "nacionalismos bacocos", achei que o treinador que conseguiu ser campeão de Inglaterra (que é considerada a melhor liga profissional do Mundo...), com uma equipa mediana, ao conseguir um feito extraordinário, realizado durante trinta e muitos jogos - e não em apenas sete jogos do campeonato da Europa -, mereceu, com todo o mérito, ser considerado o Melhor Treinador do Mundo.

Felizmente este ano ninguém colocou em causa Cristiano Ronaldo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, outubro 14, 2016

Mantém-se Viva a Velha Tradição Sueca de Brincar Com os Escritores...

Todos os prémios são discutíveis, tal como os seus vencedores.

É por isso que acredito que o que mais valoriza qualquer prémio, é a justeza dos seus laureados.

Dos vários prémios Nobel distribuídos anualmente, o Nobel da Literatura é o que tem gerado mais controvérsia, principalmente nos últimos anos.

Já pensei mais que uma vez, que os elementos que compõem este júri são uns brincalhões tramados. São capazes de "escolher" um autor que quase ninguém conhece, apenas com o intuito de dar cabo da cabeça dos "apostadores" e da paciência dos "eternos candidatos", com parece ser o caso do nosso António...

Este ano até o Bob Dylan deve estar a sorrir. E se tiver o número de telefone de Roth ou De Lillo, é capaz de lhes telefonar, só para lhes dizer que não teve nada que ver com a brincadeira.

(Fotografia de autor desconhecido)

sexta-feira, agosto 19, 2016

"As Primeiras Coisas" de Bruno Vieira Amaral


Comecei a ler, "As Primeiras Coisas", de Bruno Vieira Amaral no final de férias. Cheguei ao fim há já alguns dias e como tinha sentido logo vontade de dizer algumas coisas, aqui estou eu.

Devo começar por dizer que se trata de um bom livro, muito bem escrito, com acção, humor e originalidade. No entanto devo realçar que, mesmo sabendo que cabe quase tudo no "romance", acho que "As Primeiras Cosias" são outra coisa...

O autor foi inteligente na forma como montou esta história, depois de uma pequena divagação, faz a colagem de dezenas de crónicas biográficas sobre as personagens (muito bem construídas, com todos os "cromos" que são possíveis de encontrar num bairro problemático, entre o esquecido e o abandonado...) do Bairro Amélia, um dos muitos que povoam as cidades suburbanas que rodeiam a Capital, neste caso particular o Barreiro, metendo-as com relativa facilidade dentro da história autobiográfica que nos quis contar.

Apesar da qualidade da escrita, senti a falta da densidade do romance tradicional e do protagonismo de uma ou outra personagem (como o autor escreve na primeira pessoa, acaba por ser ele a figura principal da história, do princípio ao fim).

É também por isso que acho que este livro não merecia tantos prémios para romances (na contracapa são publicitados quatro...). Sem estar a ser "má língua", espero que o Bruno não tenha sido premiado por estar ligado a um dos dois grandes grupos editoriais que dominam o nosso pequeno mercado livreiro.

E claro, fico à espera de um segundo livro do Bruno, desejoso de que seja um romance de verdade, daqueles que as personagens tomam conta da história e conseguem fintar o autor...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 08, 2014

As Palavras da Alexandra Sobre este Lugar chamado Portugal


A jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho recebeu nesta segunda-feira o prémio APE pelo romance, E a Noite Roda. O discurso que fez, para o qual olha, olhos nos olhos, para o actual poder político, merece ser lido, pois retrata muito bem este país e estes governantes miseráveis.

[...]
«Estou a voltar a Portugal 40 anos depois do 25 de Abril, do fim da guerra infame, do ridículo império. Já é mau um governo achar que o país é seu, quanto mais que os países dos outros são seus. Todos os impérios são ridículos na medida em que a ilusão de dominar outro é sempre ridícula, antes de se tornar progressivamente criminosa.
Entre as razões porque quis morar no Brasil houve isso: querer experimentar a herança do colonialismo português depois de ter passado tantos anos a cobrir as heranças do colonialismo dos outros, otomanos, ingleses, franceses, espanhóis ou russos.
E volto para morar no Alentejo, com a alegria de daqui a nada serem os 40 anos da mais bela revolução do meu século XX, e do Alentejo ter sido uma espécie de terra em transe dessa revolução, impossível como todas.
Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido.
E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.»
 [...]

Vale a pena ler o discurso integral da Alexandra.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Uma Boa Notícia


Manuel Jorge Marmelo, escritor e jornalista, foi o vencedor do "Prémio Literário Casino da Póvoa", atribuído durante as "Correntes d' Escrita" que decorrem na Póvoa do Varzim.

Uma boa notícia para um excelente jornalista e escritor do Norte, actualmente no desemprego.

Quem não conhece a escrita do Jorge, pode visitar o seu  "Teatro Anatómico" em qualquer altura...

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Dia de Cristiano Ronaldo


Cristiano Ronaldo ganhou pela segunda vez a "Bola de Ouro", prémio para o melhor futebolista do mundo.

Emocionou-se bastante quando recebeu o prémio, para provar que é um ser humano como qualquer um de nós, apesar de tratar por tu os "Deuses do Olímpo".

quinta-feira, novembro 28, 2013

Os Bons Livros, Com e Sem Prémio


A Obra, "E a Noite Roda ", de Alexandra Lucas Coelho ganhou o  grande prémio do romance e novela da Associação Portuguesa de Escritores, por unanimidade.

Ainda não li o livro, mas vou ler, porque gosto bastante da escrita da Alexandra, que ainda ganhou mais "magia", com a sua passagem para o lado de lá do Atlântico.

Provavelmente não devia utilizar uma entrega de prémio unânime, e justa (segundo a minha opinião, claro), para falar do outro lado dos prémios, que têm sido tema de conversa em cafés, com gente que conhece melhor estes meandros que eu e que sempre que pode, lança a desconfiança no ar.

No inicio sorria. Também fazia o mesmo quando comecei a escrever para um jornal desportivo. O problema é quando somos confrontados com a realidade, com a existência de árbitros e dirigentes corruptos, etc. Lá se vai a nossa santa ingenuidade e começamos a perder o sorriso.

Claro que não há qualquer comparação entre a literatura e o futebol, até pela diferença material que existe entre estes dois "mundos". Mas apesar disso, há prémios literários que são  recebidos quase com a mesma desconfiança de alguns resultados de jogos de futebol. Há sempre quem pense que os elementos do júri (tal como os árbitros) não estão ali para serem justos, mas sim para beneficiar alguém. 

Um amigo que já fez parte de vários júris literários, disse-me que por vezes se passam coisas estranhas, mas normalmente o que está em causa, é a amizade e não o dinheiro (falo de prémios em que os autores estão identificados). Há quem queira muito oferecer o prémio ao Manuel ou à Maria - pela tal amizade e até devoção - e não tenha em atenção que se está a premiar uma obra e não o autor...

terça-feira, maio 28, 2013

Mia Couto, Prémio Camões


Fiquei bastante satisfeito com a entrega do "Prémio Camões" a Mia Couto, um dos grandes escritores da literatura africana e da língua portuguesa.

Há alguns meses, escrevi assim sobre o Mia: «A literatura é sobretudo invenção, tanto na forma de escrita como na temática. E Mia Couto é óptimo nessas duas tarefas, tendo quase sempre a preocupação de dar voz a quem ainda não a tem, sempre com uma grande preocupação social, especialmente em relação às mulheres, que continuam a ser  figuras secundárias no dia a dia africano, mas não nos seus livros.»

sábado, fevereiro 16, 2013

Uma Presença Inesperada no Largo, mas Mais que Merecida...


Um jovem fotógrafo português, de 25 anos, chamado Daniel Rodrigues, natural de Riba de Ave e desempregado, ganhou um dos prémios de fotografia mais importantes do mundo, o "WORLD PRESS PHOTO", na categoria, "Vida Quotidiana", com um boneco conseguido na Guiné-Bissau, durante um jogo de futebol num campo de areia, entre miudagem.

Mais importante que este prémio (de apenas 1.500 euros...) era o Daniel arranjar um trabalho compatível com o seu talento, tal como tantos jovens da sua idade, vitimas desta governação sem rumo...

domingo, janeiro 13, 2013

O Teu Rosto Será o Último


Acabei de ler o romance, "O Teu Rosto Será o Último", de João Ricardo Pedro.

Não era um livro que pensasse comprar, mas o "pai natal" tem destas coisas... 

Não fazia parte das minhas primeiras escolhas por não ficado muito cativado com as entrevistas que li do João e por não sentir os prémios como "cantos da sereia".

Felizmente foi uma agradável surpresa. Embora a história não seja linear (mistura mais que uma história de vida, em tempos diferentes...), o livro está muito bem escrito, com todos os ingredientes capazes de prenderem o leitor do principio ao fim do livro. 

É um retrato quase difuso de uma família que atravessa três gerações (avô, pai e filho...), oferecendo-nos alguns episódios do Portugal de Salazar, desde a esperança de Humberto Delgado ao pesadelo da Guerra Colonial, juntamente com as coincidências que aparecem mais facilmente nos romances e nos filmes que na vida...

É bom ler com entusiasmo e sentir que talvez não tenha sido eu que tenha perdido qualidades como leitor. Há sempre a possibilidade de não ter escolhido os livros certos nos últimos tempos.

Nos próximos dias vou atacar "À Espera de Moby Dick", de Nuno Amado, depois digo alguma coisa...

sexta-feira, novembro 16, 2012

Memorial de Saramago


A Vitória de Saramago (e da Lingua Portuguesa)


«Foi com grande alegria que vimos José Saramago deixar o hall de entrada da sala, destinada aos eternos perdedores do Prémio Nobel da Literatura, com a serenidade que o caracteriza, depois de ser “Levantado do Chão” pela Real Academia Sueca da Língua.
O país voltou a sorrir de satisfação – e com a Expo 98 ainda tão perto na nossa memória... --, ao ponto de transformar a vitória de Saramago, num êxito de todos os portugueses. Foram erguidas bandeiras de Norte a Sul, levando bem alto “Todos os Nomes” deste escritor, digno herdeiro de Camões, Eça, Camilo, Pessoa, Aquilino e Torga. A Escandinávia dobrou pela primeira vez a coluna à língua portuguesa.
Depois de um longo “Ensaio Sobre a Cegueira”, acabou por reparar uma injustiça quase do tamanho deste século!... Embora Saramago seja um caso à parte, se fizermos uma “Viagem a Portugal”, encontramos uma mão cheia de poetas e ficcionistas que também poderiam ter sido inscritos nos “Apontamentos” da Academia Sueca. Quando dizemos que ele é um caso à parte, estamos a basear-nos num estranho casamento das Letras com Números que nos prova que Saramago é o escritor português vivo, mais conhecido e lido no mundo inteiro.
A sua obra literária é um manancial de estórias sobre a nossa História, “Deste Mundo e do Outro”, não sendo por isso de estranhar que alimente algumas polémicas. E quando se fala de coerência – uma palavra usada para dignificar Saramago e todos os seus camaradas que se mantém fiéis ao comunismo --, devemos fazer uma vénia ao Município de Mafra que continua a defender que “O Memorial do Convento” ofende o bom nome dos seus habitantes; e ao Papa, que  ao folhear “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, continua a perguntar a Deus com um olhar triste e angélico, “Que farei Com este Livro?”, por manterem vivas as suas opiniões divergentes em relação ao escritor.
Mesmo sabendo que este não é o melhor momento para falarmos da nossa taxa de analfabetismo, não devemos esconder a nossa triste realidade usando o Nobel da Literatura como peneira. Saramago sentiria, “Provavelmente Alegria”, se usássemos o seu Prémio para sensibilizar os portugueses a visitarem o campo aberto das letras, mostrando-lhes o poder da luz “Poética dos Cinco Sentidos” que nos ilumina nas nossas viagens deliciosas pelo interior dos livros.
E se nos fosse permitido sonhar, gostaríamos que o Nobel produzisse o mesmo êxito na Literatura que as medalhas milagrosas de Carlos Lopes e Rosa Mota obtiveram no Atletismo, fomentando de uma forma avassaladora a leitura nas escolas e nos lares portugueses, arrebatando toda “A Bagagem do Viajante” de Lanzarote e de outros grandes escritores.»

Texto escrito por mim após a atribuição do prémio Nobel a José Saramago e publicado no "O Scala", nº 8, Verão de 1998. É a minha homenagem ao grande escritor e até agora único nobel da Língua Portuguesa. O boneco é do Vasco.


sexta-feira, maio 13, 2011

Uma Sexta-Feira Estranha, com 13


O bloguer tem andado desde ontem às "cambalhotas" e nem me deixou homenagear Manuel António Pina, que foi anunciado como vencedor do Prémio Camões 2011.


Ele disse numa entrevista ao "Público", entre outras coisas:

«A poesia é uma busca de identidade, ou seja da coincidência. Na busca dessa coincidência é natural que cada um de nós construa uma narrativa, construa um passado. Os poemas sobre a infância são uma tentativa desesperada de construir um passado para regressar, onde possa encostar a cabeça.»

É um grande poeta e um grande cronista (um critico sempre atento...) do quotidiano.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Mário Vargas Llosa, Nobel da Literatura

Sei que escrever hoje sobre o Prémio Nobel da Literatura soa quase a lugar comum. Mesmo assim acho que devo dizer algo sobre Mário Vargas Llosa e sobre a magia da literatura da "latina-america".

As minhas leituras de autores da América do Sul começaram com Gabriel Garcia Marquez e os seus "Cem Anos de Solidão" (passando ao lado de Jorge Amado, claro, que é quase português e de quem li ainda na adolescência coisas tão deliciosas e marcantes como os "Capitães da Areia", "Mar Morto", "Navegação de Cabotagem" ou "Capitão de longo Curso").

Depois fui lendo Pablo Neruda, Mário Vargas Llosa, Luís Sepúlveda, Juan Rulfo, entre outros, cuja magia das palavras, conseguia tornar a vida dorida e difícil dos povos deste continente, ainda mais inquietante.

Sei que as ditaduras e os ditadores não fazem bem a ninguém, mas penso que sem a sua existência, a literatura latino-americana, não seria tão rica.

Há ainda outra coisa que quero referir, sabe-me sempre melhor que o Prémio Nobel, seja ganho por alguém que eu conheça, de quem já tenha lido livros, que de um autor, do qual nunca tenha ouvido falar (e isso tem acontecido vezes demais nos últimos anos, para um prémio tão importante como este).

Parabéns Mário!


A fotografia que publico é da autoria da sua filha, Morgana Vargas Llosa.

terça-feira, maio 26, 2009

Grande João!

A história diz-nos que nunca faltou talento nas artes do nosso país. Costuma faltar sim, apoio...

Do cinema nem vale a pena falar, é por isso que a "Palma de Ouro" de Cannes, conquistada por João Salaviza, nas "curtas", tem um sabor ainda mais agradável.
Quando aos 25 anos se consegue o que ainda nenhum realizador português tinha conseguido, a única coisa que me apetece dizer, é que era bom que quem distribue as "patacas", pensasse em reservar um décimo do apoio que é dado a Oliveira, para este jovem.
Sobre o seu pequeno filme,"Arena", ele disse no "Expresso" (antes de ser premiado...): «Há uma preocupação minha em filmar as pessoas que não são habitualmente filmadas. Queria focar um bairro social sem ideias preconcebidas.» E conseguiu-o...

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Daniel e o Óscar

A atribuição dos Óscares tem sempre, uma ou outra surpresa, guardadas para a cerimónia. É por isso que nem sempre os nossos preferidos levam a estatueta para casa...

Há quase sempre filmes, com várias nomeações, que ficam a olhar "navios" (este ano foi o caso da "Expiação"...), tal como há casos, como este ano Daniel Day-Lewis, que não dão grande espaço à concorrência.
Daniel teve um papel à sua medida em, "Haverá Sangue", e ganhou, com grande brilho, o Óscar de melhor actor.
Este actor irlandês é no mínimo diferente, se o compararmos com outros actores mais "holiwodescos". Não faz muitos filmes, só aceita papeis em que se sinta as personagens de uma forma intensa.
Felizmente não tem sido esquecido pela "máquina"...