Mostrar mensagens com a etiqueta Amigos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amigos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 20, 2019

Não, não foi Esquecimento...


Não, não foi esquecimento. 

Foi antes perceber que fazia pouco sentido festejar, apenas num dia, aquilo que festejo o ano inteiro...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, agosto 17, 2019

«No Verão as mulheres, sem darem por isso, transpiram sexo por quase todos os poros.»


Tudo indica que o Verão já não se vai embora, neste Agosto intermitente, capaz de se disfarçar de Outono ou Inverno, por mais que leves momentos. 

Com mais de trinta graus, mesmo à sombra, os homens e as mulheres que passam por nós, usam menos peças de roupa e também mais leves. Algumas moçoilas abusam na "justeza" e na "curteza" das suas vestes e fazem com que a malta da minha mesa de café finja perder o controle do olhar.

O Jorge com  a sua poesia sem rima disse-nos que «no Verão as mulheres, sem darem por isso, transpiram sexo por quase todos os poros». Só não ficámos muito convencidos com o "sem darem por isso", mas não fizemos nenhum "cavalo de batalha" da frase do  nosso poeta. 

Quando vinha para casa fiquei a pensar que não fomos tão longe como iríamos noutros tempos...

(Fotografia de Luís Eme - Olhão)

sábado, agosto 03, 2019

O Velho Hábito de Encolher o Mundo...


Folheio o último número do "Jornal de Letras" e penso nas pessoas que me dizem, «Ainda lês isso? São sempre os mesmos a escrever sobre os mesmos. A literatura é muito mais que isso.»

Lembrei-me  também de uma frase da Rita, que disse que o mundo era outra coisa, maior que os jornais e as televisões. 

Embora em saiba que ela tem razão, não é essa a lógica de quem exerce qualquer poder, por mais insignificante que seja. O exemplo mais visível é a prática do mundo partidário, que escolhe os seus dirigentes e governantes tendo como base o cartão de militante, o grau de amizade e até o parentesco (não deve haver nenhum governo local de Norte a Sul que não tenha a sua dose de primos, tios, cunhados - por ter mais vergonha que eles, "excluo" neste texto esposas, irmãos e pais...). A competência e o conhecimento técnico, estão quase sempre distantes das três ou quatro primeiras premissas, para qualquer escolha. 

É por isso que todos temos a sensação de que é tão difícil deixarmos de "plantar cepas tortas", do Algarve ao Minho (e estava eu a pensar escrever sobre livros e escritores...).

É uma pena não nos conseguirmos libertar deste velho hábito de "encolher o mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)

quinta-feira, julho 25, 2019

As Boas Histórias...


Há pessoas que sempre que falam contam histórias, das boas. 

Chamo boas às que gosto de ouvir, que soam a filmes ou que parecem ter saído dentro dos livros...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

segunda-feira, julho 08, 2019

Tudo tem um Princípio...


«A ideia de que somos pessoas boas está completamente errada. Este é o melhor exemplo.» 

Foi desta forma que o Rui reagiu à má educação de uma criança, que além de gritar, ainda começou a mexer nos objectos pessoais que algumas pessoas tinham na mesa ao lado, com a complacência dos pais e a irritação do avô.

Como os pais pareciam assistir ao "filme" de camarote, o senhor de mais idade, levantou-se, pegou na mão da criança com pouca meiguice e foi dar uma volta pelas redondezas, para alívio das pessoas que estavam na esplanada, que começaram a sentir os gritos, quase como música de fundo, cada vez mais longínqua.

A Teresa disse que não se tratava de uma questão de bondade ou maldade, mas sim de educação.

«Educação?» Insistiu o Rui. «Devias ter uma bisca destas lá em casa, sempre queria ver o que lhe fazias. Não me digas que o enchias de porrada?»

«Não. Não o enchia de porrada, mas também não lhe fazia as vontades nem sorria com os espectáculos que ele deve dar em todo o lado, como os paizinhos.»

Claro que a Teresa tinha toda a razão, o que estava ali em causa era sobretudo um problema de educação, de exemplos, que poderiam começar no hábito de se respeitar o outro (falo de respeito e não de "respeitinho"), que começa a entrar em desuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, julho 06, 2019

Desabafos & Ingenuidades (a vida como ela é...)


A maior parte das pessoas que trabalham, a partir dos quarenta começam a estar fartas do seu "circuito diário" (casa, trabalho, trabalho casa...), por que a vida nunca facilita. Aliás, com o passar dos anos, ainda tem o condão de nos ir dificultando, cada vez mais as coisas...

Os filhos, que muita boa gente já "desistiu de ter" (preferem o cão ou o gato...), embora acabem por ser a principal razão da nossa existência, nunca deixam de ser um "mar de preocupações". Dos seus tempos de "cristal" (meninice...) à idade adulta, onde quase que se tornam quase de "aço" (mesmo que este só exista nas suas cabeças e seja maleável...), passamos por um pouco de tudo (sem falar de casos dramáticos...). 

Embora saiba que é capaz de ser quase igual em todo o lado, no nosso país os problemas estão longe de terminar quando eles acabam o curso superior. Normalmente tem duas soluções: aproveitar qualquer emprego que surja, mesmo que não tenha nada que ver com a sua formação (até podem aproveitar a vaga como caixa do supermercado da esquina...) e seja precário, ou emigrar.

Há já algum tempo que não trazia para aqui as conversas, que tenho com a Rita (mais raras, estupidamente, porque se deixarmos, a vida também nos vai afastando dos amigos...). 

Não temos cão nem gato, mas temos filhos com a mesma idade (diferença de meses...), na tal fase complicada, quase entre o fim da universidade e a entrada no mundo do trabalho. 

Não somos diferentes dos outros, dizemos muitas coisas parvas, como o cidadão comum (os maus exemplos diários quase que nos obrigam a esses desabafos...), até falamos da nossa "burrice", de não os empurrarmos para uma das juventude dos partidos do "centrão". 

Mas são só desabafos, queremos muito que eles sejam criaturas livres e com capacidade para pensar pela sua própria cabeça, e mais importante, sem passarem o resto da vida com as "mãos sujas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, junho 30, 2019

«A cultura de massas é uma treta!»


O meu amigo Gui continua a ser um libertário, em praticamente tudo na vida.

Da última vez que conversámos, a minha Cidade acabou por vir à baila, assim como a nova gestão do PS e PSD (que continua praticamente invisível, no seu pior sentido, quase a caminho do vazio...).

Mas do que mais falámos foi de cultura, do passado comunista, dos males do "centralismo democrático". Houve uma parte da conversa em que ele se exaltou mesmo e quase gritou: «A cultura de massas é uma treta! Só resulta num batatal e mesmo assim este tem de ser muito cuidado, não pode faltar água e estrume, e nas medidas certas.»

Não que eu precisasse de ser convencido do que quer que seja, mas tentei fazer ver-lhe que havia uma vontade maior de fazer cultura numa cidade como Almada, que nas Caldas da Rainha (eu sei que recorro sempre aos mesmos exemplos, mas são as melhores realidades que conheço, ainda por cima, completamente antagónicas...). Disse-lhe que em Almada havia centenas de escritores, poetas, artistas plásticos, actores, que tinham "bebido" de todo o trabalho realizado através de exposições, acções de formação, peças de teatro, colóquios, etc.

Disse-me que não. E acrescentou: «O que há em Almada é muita gente que tem a mania que é escritor, pintor, actor, escultor, poeta ou realizador. Gente que pensa que basta escrever um livro ou pintar um quadro, para serem reconhecidos como artistas.»

Voltou à cultura de massas para dizer que ela gera sobretudo muita mediocridade. Ainda contra-argumentei que da quantidade é mais fácil surgir a qualidade. Respondeu-me só com uma palavra: «Balelas.» Palavra que voltou a repetir mais duas vezes.

Quando nos despedimos estava longe de estar convencido. Mas à medida que caminhava para o cacilheiro, sabia que estava mais confuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, junho 16, 2019

«Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores»


Os prémios literários raramente são temas de conversa (pelo menos nas conversas que mantenho com as pessoas que escrevem...) E quando se fala dos ditos prémios, é quase sempre para dizer mal de alguém (e tanto pode ser o vencedor como um membro do júri...).

Foi por isso que foi bom escutar o Zé a dizer: «Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores.» E nem teve qualquer problema em falar de si próprio: «Por acaso, o único prémio literário que recebi, foi dado a um dos livros com que menos me identifico.»

Mas quis ir mais longe e acrescentou: «Embora esteja na moda, é uma parvoíce entregar "prémios de carreira" a quem tem menos de 80 anos...»

Quando lhe perguntei por que não recusavam este tipo de prémios ele foi taxativo: «De uma maneira geral as pessoas que escrevem não vivem muito à vontade. Pelo que todo o dinheiro é bem vindo...»

Foi quando o Rui resolveu um ar da sua graça e disse: «Ainda bem que o Herberto era milionário, pôde recusar uma data de prémios, E alguns até eram chorudos.»

Acabámos todos por sorrir, usando várias cores.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 08, 2019

«Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»


Não sei se é coisa com mais de quarenta anos, mas acho que sim. Até por que já ouvi histórias sobre as escolhas e nomeações de ministros e secretários de estado dos governos provisórios  - nem vale a pena falar de outros cargos menores -, que cabem que nem uma luva no anedotário nacional. Do género de telefonaram para a casa de alguém às duas da manhã a perguntarem se queriam ser isto e aquilo, e que tinham de dar uma resposta às nove da manhã (muitas vezes eram cargos com pastas sobre as quais não tinham perdido mais de cinco minutos da vida...). A maioria refugiava-se na tese de que "era a oportunidade de uma vida" e não queriam saber de mais nada...

Sei sim, que foram raros os homens e mulheres que tiveram a coragem de dizer, não, por saberem que não "cabiam naqueles fatos"...

Infelizmente esta história não se ficou pelo "país provisório" do Verão Quente, continuou a repetir-se até actualidade. 

A coisa mais fácil de fazer na política é uma lista de ministros, secretários de estado, presidentes de câmaras, e vereadores, medíocres e incompetentes (alguns ainda acrescentaram ao currículo adjectivos ainda menos abonatórios, e só não estão na prisão porque a nossa justiça é o que é...).

Do que não faço ideia, é se essas pessoas alguma vez se questionam, sobre o mal que fazem ao país, quando deixam que os seus interesses pessoais, do partido e dos amigos,  se sobreponham aos interesses de todos nós...

Comecei a escrever e como de costume fui andando... quando na conversa que tive com dois amigos, apenas falámos dos ministros da administração interna, da educação e da saúde.

E o Pedro numa frase disse tudo: «Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, junho 06, 2019

O Meu Amigo, Filho do "Belarmino"...


Estive com um amigo que não via há mais de uma dúzia de anos.

Acabámos por falar sobretudo da nossa juventude. Do nosso bairro, das nossas "patifarias" de adolescentes, dos nossos amigos e também da nossa família, dos nossos irmãos e pais. A Foz do Arelho também não faltou, não fosse ela a praia da nossa vida...

Ou seja, falámos sobretudo do passado. Não dissemos uma palavra sobre os nossos filhos e companheiras. Só quando vinha de cacilheiro para a Outra Banda é que pensei no assunto. 

Pois, o presente é outra coisa, onde só nos encontramos por acaso...

Os nossos pais já partiram, sobram as mães, que são amigas, apesar da distância geográfica que as separa (penso que continuam a falar ao telefone...). Quando lhe falei no pai e das confusões que gostava de armar quando bebia mais que a conta (o seu lado texano de gostar de virar homens e bares de pernas para o ar...), ele continuava a não se sentir nada orgulhoso, desse lado quase negro paterno. Recordei que na época nós delirávamos quando sabíamos o que acontecera na noite anterior na tasca do Alfredo, ele nem por isso... O pai só se "curou" destas aventuras (que chegavam a meter polícia e tudo...) quando conseguiu deixar de beber.

Mas a sua lenda continua viva. Não deve haver ninguém do nosso antigo bairro que não conheça o poder dos punhos do "Belarmino" (não fazemos ideia de quem lhe ofereceu esta alcunha, que deve ter tudo a ver com o filme de Fernando Lopes...). 

A componente mítica é de tal forma forte, que hoje até há quem associe todas estas aventuras ao "herói" do filme do bom do Lopes, e não ao pai do meu amigo, mesmo que Belarmino Fragoso nunca tenha passado pelas Caldas...

(Fotografia de Luís Eme - Foz do Arelho)

sábado, junho 01, 2019

Correr Atrás do Sol...


Há quem goste de saltar de metáfora em metáfora, sem se importar que o olhem como um "maluquinho". O Fernando é uma dessas pessoas.

Quando ele disse «apesar do aumento da temperatura, as pessoas continuam a correr atrás do sol», eu respondi-lhe que não e apontei para as esplanadas que ficavam à sombra, cheias de gente e sem mesas vagas...

Ele não se ficou, «sim, sentam-se à sombra, mas estão cheios de vontade de correr atrás do Sol.»

E continuou: «só os sensatos é que escolhem o conforto da sombra. Só que o mundo há muito que deixou de ser deles.»

Sorri-lhe e pensei que isto de aturar filósofos tem que se lhe diga...

Antes de nos abandonar saiu-se com mais uma pérola: «a "flor do sucesso" só de alimenta com a luz, seja ela solar ou artificial.»

Levantou-se e quando se preparava para nos virar costas, o Carlos disse para ele não se esquecer de ir pelo Sol. 

Resultado: Gargalhada geral.

Talvez o humor seja das poucas coisas que consegue bater-se com a filosofia e com o calor...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 29, 2019

Palavras e Olhares...


Enquanto descia a avenida pelo seu lado mais sombrio (e agradável...), pensava que era capaz de me fazer bem mudar de ares, de estar algum tempo afastado desta cidade onde vivo. Talvez conseguisse ter um olhar mais frio e rigoroso, sobre as pequenas e grandes coisas, que nos vão apoquentado no dia-a-dia...

Vinha de um almoço de trabalho com um amigo pintor, onde houve espaço para quase tudo, até para a "má língua". Abordámos sem medo as mudanças que nos cercam, ditadas, quase sempre, pelos ignorantes do costume. Ele até se culpou do filho ser mais inteligente que esperto, de estar "condenado" a trabalhar para todos estes medíocres  que dominam a história do nosso tempo. Eu não consegui ir tão longe...

Já na Praça São João Baptista, entrei na Oficina de Cultura para ver a exposição que está por lá. A autora estava a conversar com as pessoas que a quiseram escutar. Eu limitei-me a ver as esculturas estranhas e a partir (as minhas palavras de indignação ficaram reservadas para o "Casario")... 

Esta passagem "artística" podia ter sido evitada, pois só serviu para avivar o meu olhar sobre a forma como se tenta apoucar o passado recente de Almada e dos Almadenses...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 27, 2019

As Conversas de Segunda-Feira


Hoje durante o almoço falámos, naturalmente, das eleições. Da abstenção já crónica, mas também da tentativa, quase sempre frustrada, de "ninguém" ter o bom senso de admitir a derrota. Nem mesmo os partidos que traçaram objectivos claros (o CDS por exemplo além de querer o segundo deputado, queria muito ficar à frente de todos os partidos de esquerda...).

Mas também falámos do papel da televisão, nesta subida da percentagem da abstenção, que gosta mais de alimentar o "espectáculo" que a "informação". Infelizmente isso não acontece apenas nos canais mais populistas (CMTV e TVI), os outros (RTP e SIC), acabam por ir atrás, assim como os seus comentadores, alinhados com os interesses de quem lhes paga o lanche (o outro Luís, ingenuamente até foi capaz de dizer que alguns políticos que comentavam política e futebol o faziam de graça, a troco apenas de "tempo de antena". Claro que nenhum de nós foi na sua "cantiga"...). 

E se eu já sabia que o Fernando Rosas tinha muitos "ques" como historiador, acabei por juntar à minha "lista" mais três ou quatro episódios, pouco abonatórios, para quem investiga o século XX, oferecidos pelo Mário.

Mas a televisão alimenta-se sobretudo dos melhores comunicadores, que poucas vezes são os melhores jornalistas, historiadores ou políticos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, maio 24, 2019

Um Bom Rapaz de "Orelhas Grandes"...


Um rapaz bem vestido passou por nós e depois de nos ver, parou para nos cumprimentar. Não aceitou o convite para se sentar por que disse que estava atrasado e lá foi à sua vidinha.

Já estava a alguns metros quando o reconheci. O meu companheiro de jornada sorriu ao perceber. E depois saiu-se com uma das suas saídas boas.

«É uma simpatia de rapaz, mas assim que chegou ao poder, aconteceu-lhe o mesmo que acontece a muito boa gente, quando se torna ministro, secretário de estado ou vereador, começa-lhe a crescer as orelhas.»

E continuou, sem perder o humor: «Falava com ele quando era da oposição e era uma maravilha, tinha soluções para tudo. E algumas até eram boas ideias. Em pouco mais de ano, parece que esqueceu tudo.»

Mesmo sabendo que é mais fácil falar à mesa do café que fazer parte de um governo, nacional ou local (como era o caso), parece que a maior parte das pessoas quando chegam a lugares de poder, deixam de ter memória, inteligência e vontade...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, maio 19, 2019

«Gosto dela de todas as maneiras»


Nunca tinha ouvido falar do "síndroma da Marilyn", mas depois de pensar um pouco, fiquei com a sensação de que esta designação até fazia algum sentido, mesmo que seja uma daquelas "doenças", mais metida com as metáforas da vida, que com a linguagem médica...

Quem conheceu a Zé com 20 anos diz que ela era das mulheres mais bonitas de Lisboa. Foi modelo e depois actriz. Gostava do que fazia mas irritava-a que fosse escolhida para papeis, sobretudo pela sua beleza. O talento pura e simplesmente era ignorado. Tinha medo que fosse sempre assim...

Durante uns tempos abandonou a televisão e foi fazer teatro. Adorou fazer um papel, que era quase de gata borralheira moderna, sem sonhar que lhe iria mudar a vida toda. Foi a partir daqui que tomou a decisão de deixar de usar maquilhagem e de fazer passagem de modelos. Pelo caminho deixou-se de dietas e começou a engordar uns quilitos.

Em menos de dois anos tornou-se uma outra pessoa. Curiosamente nunca mais a convidaram para qualquer novela televisiva. Foi crescendo nos palcos, ainda que quase ninguém desse por isso...

Depois foi mãe da Diana, engordou mais um pouco. E as amigas da moda quando a viam, faziam quase uma escandaleira e ofereciam-lhe quase sempre a mesma pergunta: "o que foi que te aconteceu?" Ela sorria-lhes e dizia que tinha decidido ser uma mulher livre, distante do mundo das "bonecas lindas de morrer".

Até os homens estranhavam aquela simplicidade e perguntavam ao Rui o que se passava. Ele dizia que não se passava nada. Alguns mais do "reino das bonecas" iam mais longe e até diziam que ele devia obrigá-la a fazer dieta. Ele sorria-lhe e desarmava-os com uma frase que diz tudo: «Não se preocupem, eu gosto dela de todas as maneiras.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, maio 17, 2019

Gostar de Argentina Sem a Conhecer


Durante o almoço fiquei a saber que a sobrinha de um amigo andava pela "Latina-América", com passagens pelo México e Argentina, em trabalho.

Acabámos por falar dos países que são mais como nós.

Contei-lhes que, quando andei por Itália, senti-me mais em Portugal, que na meia-dúzia de vezes que visitei Espanha, apesar de ficar aqui mesmo ao lado. 

Não sei se isso acontece apenas pela sujidade, pela desarrumação ou pelo desenrascanço, sei que me senti mais próximo dos italianos que dos espanhóis...

E fui ainda mais longe. Disse que o país que me despertava mais interesse em conhecer da "Latina-América", era a Argentina (mais ainda que o Brasil...). 

E o mais curioso, é ter quase a certeza (sem conhecer...) que Buenos Aires não me vai desiludir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, maio 13, 2019

Sei que Não há Desculpa Possível


Hoje ao almoço com alguns amigos percebi que não é nada de anormal, desculparmos as gentes que governam Angola há várias décadas,  com os malefícios do poder. Só que uma coisa não tem nada a ver com outra.

Eles poderiam ter usado o poder (e o dinheiro...) para tornar a sociedade angolana mais justa, até por pertencerem a um partido que em tempos que já lá vão, foi marxista (muitos deles até estudaram na antiga União Soviética...), e não apenas em benefício próprio.

Os nossos governantes também fingiram que não se passava nada em Angola, porque importante, importante, era que algum do dinheiro angolano fosse esbanjado no nosso país. E tanto podia ser em imobiliário como em bugigangas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, maio 04, 2019

«Não faço ideia... Mas ele é feliz a falar...»


Há pessoas que têm essa capacidade espantosa de conseguirem falar minutos, e até horas, sem dizerem nada. Claro que espalham palavras, mas estas são tão vazias (apesar de terem enfeites e de serem aparentemente cerimoniosas...)  que não se agarram a coisa nenhuma, dentro e fora de nós.

Comunicar é uma coisa especial, e não é mesmo para todos, por muito que se goste de "botar palavra"...

Quando o Carlos me perguntou se o António saberia que falava, falava, sem dizer nada, abanei os ombros com um sorriso, pela franqueza deste amigo. Depois disse-lhe: «Não faço ideia...» acrescentando ainda de sorriso, "mas ele é feliz a falar...»

Acho que a capacidade de falar, também está ligada à capacidade de olhar e de sentir a realidade, de tentar compreender o mundo, sem o fechar com definições...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, abril 13, 2019

«Não. Não esqueceram. Só não gostam é de recordar»


Quase na continuação da conversa de que falei ontem, também falámos da "memória", da forma como seleccionamos as coisas que fazem parte do nosso passado.

Penso que se trata de uma selecção natural, muitas vezes feita de forma inconsciente.

Mas mesmo se for consciente, não deixa de ser normal. Todos nós sabemos que nos faz sempre melhor, recordar as coisa boas, que os episódios negros da nossa vida.

Quando lhe perguntei se os "tempos difíceis" estavam esquecidos, ele disse-me o óbvio: «Não. Não esqueceram. Só não gostam é de recordar.» Acrescentando ainda, que fazem muito bem.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)

sexta-feira, abril 12, 2019

Cinquenta Anos são Pouco Tempo...


Uma das pessoas com quem gosto de conversar é um professor-poeta, que embora esteja reformado há já bastante tempo, sempre que nos encontramos, oferece-me lições de qualquer coisa, e sem perder o gosto de ouvir o outro, o que começa a rarear nestes tempos de "surdez colectiva"...

Normalmente falamos das pessoas, tentamos justificar comportamentos. E nunca é difícil encontrar explicações, mesmo que por vezes passem um pouco ao lado deste mundo, com tanta gente tonta (prefere chamar tontos aos loucos...).

Foi nesta viagem pelo tempo, que ele me fez um esboço do nosso país antes da Revolução de Abril. Falou-me das pessoas que nasciam, cresciam e viviam de uma forma completamente miserável. Das aldeias pobres, onde não havia electricidade, água canalizada, esgotos (a maior parte das casas nem sequer tinham casas de banho...), escolas ou centros de saúde. Dos "bairros de lata", sem condições mínimas de habitabilidade, que cresciam nos subúrbios das grandes cidades, principalmente em Lisboa.

E depois disse-me que cinquenta anos são muito pouco tempo para que pessoas, que viveram em condições tão difíceis, possam ter evoluído, ter cultivado o gosto pelas coisas que realmente interessam na vida. E ainda se torna pior se viverem num tempo em que o dinheiro está no começo e no fim de tudo...

Respondi-lhe que a minha geração e as seguintes já cresceram em liberdade, e por isso, devíamos ser diferentes.

Pois, mas nada é perfeito, disse-me ele. Acrescentando que continuam a nascer demasiadas coisas tortas à nossa volta. E como diz o povo, muito bem, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)