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terça-feira, agosto 11, 2026

O bom do Dinis e a sua "escola" literária povoada de policiais e banda desenhada...


Quando escrevi ontem sobre o António, acabei por me lembrar do bom do Dinis Machado, que no começo dos anos 90 do século passado, visitava quase todas as semanas no primeiro andar da Rua Anchieta, paredes meias com a Bertrand.

Falávamos sobre a vidinha, sem deixarmos fugir o cinema, os livros e a banda desenhada... Não é por acaso que o seu brilhante "O que Diz Molero" tem lá estas três coisas... embrulhadas numa Lisboa que ainda tinha bairros com gente, capaz de inventar aventuras do arco da nova e da velha...

Nem sequer se pode dizer que "trocávamos" heróis, porque eu conhecia tão pouco mundo na estrada das aventuras literárias. Era por isso que tentava fixar os escritores de policiais e as suas obras mais emblemáticas, que o Dinis me oferecia, como se de cromos se tratassem, entre uma cigarrilha e um sorriso de miúdo (algo que ele nunca perdeu...).

Mas o mais curioso foi descobrir com ele o tempo em que se "alugavam" livros na "Barateira" e em outros alfarrábios.  que passavam de mão em mão pela malta do Bairro Alto que tivera algum tempo para ir à escola e era mais dada às leituras... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, julho 29, 2023

A última das minhas preocupações quando tiro retratos...


Estava a passar pelo largo do Bairro da Ponte (Caldas), onde ficava a velha sede dos "Pimpões" e se organizavam os bailes dos Santos Populares (há anos que já lá vão...), quando reparei num velho sentado a uma mesa da pequena esplanada de um café de supermercado, entretido a ler banda desenhada. Lia um dos clássicos de Walt Disney, que eram a "oitava maravilha" das leituras da minha infância. Nesse tempo eram escritos em brasileiro (importados do Brasil...). Penso que só depois do 25 de Abril é que se começaram a fazer edições em Portugal.

Vendo que o homem estava completamente absorvido pela leitura, não resisti a tirar "um boneco" (meio à pressa nem ficou com a nitidez desejada, não fosse ele olhar para mim  e "estragar a fotografia"...).

Só depois, quando olhei o retrato com "olhos de ver", é que verifiquei que estava a fazer publicidade ao grupo de supermercados. Nada que me preocupasse, até porque eu sempre gostei de publicidade (sou até coleccionador, tenho centenas de recortes da imprensa...) e faço-a por aqui de forma ocasional e gratuita.

Este pequeno episódio lembrou-me uma chamada de atenção de um dos responsáveis pela Oficina de Cultura de Almada, quando lá fiz a minha última grande exposição. Uma das minhas fotografias com um plano geral da Praça da Fruta das Caldas tinha ao fundo, em letras muito pequeninas, o nome de uma instituição bancária. O senhor começou por me dizer que aquilo era publicidade e que não podia constar no folheto. Claro que lhe disse que era uma fotografia de um lugar e que não podia "apagar" as coisas que por lá existiam. Ou seja, se estava a fazer publicidade, era à Praça da Fruta. E claro que fui intransigente. A exposição era minha, era eu que mandava nas minhas fotografias. Um pouco a contragosto, o funcionário da Autarquia lá meteu a "viola no saco" e foi dar música para outra freguesia.

Continuo a pensar da mesma forma. Não vou "apagar" a publicidade por estar atrás da pessoa ou do objecto que quero fotografar. 

E lá acontece, fazer mais uma vez publicidade, de borla, por aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)