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domingo, julho 07, 2019

Não "Chega de Saudade"...


Eu sei que bastaria o seu primeiro álbum, "Chega de Saudade", lançado em Março de 1959, apresentado pelos historiadores como a invenção da Bossa Nova (invenção essa partilhada com Vinicius de Moraes e Tom Jobim), para transformar João Gilberto numa das principais figuras da música brasileira.

Mesmo que Gilberto - ao contrário de Jobim -, tenha tentado "fugir" da bossa nova, fingindo não estar dentro daquele período musical verdadeiramente revolucionário, refugiando-se apenas no samba (cabia lá tudo)...

Mas João Gilberto foi bem mais longe, inventou muito mais ritmos e melodias, com o seu violão. E até se aproximou do jazz, na companhia do saxofonista, Stan Getz (estou a ouvi-los enquanto escrevo, e mesmo sem ser um entendido, digo que está ali jazz com os ritmos mais suaves do samba, com uma beleza única...).

João Gilberto, que nos deixou ontem, não só tentou, como conseguiu, ser apenas ele próprio,  ao mesmo tempo se tornava o "mestre" daqueles que se tornariam os seus grandes seguidores e que acabariam por fazer a transição entre a  "bossa nova" e a "música popular brasileira", Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 22, 2019

Chico (Camões) Buarque


Como não sou um purista, fiquei bastante feliz pela atribuição  do "Prémio Camões" de 2019 a Chico Buarque. 

Também olho para este prémio, para algo que não se limita a ser literário, quer ir mais longe. 

E o Chico vai bem mais longe, e até era capaz de colocar o nosso Luís de Camões a "sambar" de alegria...

(Fotografia de Luís Eme - Constância)

segunda-feira, maio 20, 2019

O Jogo das Diferenças entre Portugal e o Brasil


Posso dizer que só conheço o Brasil da televisão, das telenovelas e de algumas reportagens. Sei que a leitura de alguns livros de autores brasileiros e a própria música têm sido uma boa ajuda, pelo menos para descobrir diferenças tão óbvias como a alegria, a leveza, a cor e  até a safadeza. Talvez sejam coisas dos Trópicos. Talvez...

A única pessoa com quem tenho conversado com alguma profundidade, sobre o que nos divide e o que nos une, é o Gui. Nem mesmo nestes tempos "bolsonaros" ele consegue deixar de manter um pé em Salvador da Baía, e de dizer, com o ar mais sério do mundo, que se sente mais baiano que lisboeta.

Gosta de nos chamar de "mortos-vivos", entre outras coisas, bem piores. Não percebe por que razão ninguém faz "tiro ao boneco" aos salgados e berardos deste país. E menos ainda, por que se encontram em liberdade e têm a lata de fazer pouco da justiça e de todos nós. Adorava vê-los vestidos com fatos listrados, a arrastarem aquelas bolas de ferro presas aos pés e a partirem pedra, como se protagonizassem um filme de aventuras poético, em que os maus pagam pelos seus crimes (pois, o cinema é o seu mundo...).

Mas vai ainda mais longe, diz que só somos "heróis" quando andamos em "matilha" ou quando estamos no sofá agarrados às caixas de comentários do que quer que seja, a demonstrar que tipo de pessoa somos e o que pensamos mesmo da vidinha.

Não concordo nada com ele nesta parte. Não é por dois ou três por cento dos portugueses destilarem ódio nas redes sociais, se esconderem no meio de grupo violentos ou pincharem paredes, que se pode generalizar ou colar o "mesmo rótulo". 

Argumento que este retrato pode facilmente ser transposto para outro país europeu, provavelmente até para o Brasil. Mas ele continua a encontrar sempre diferenças e a fingir que não é português...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 29, 2018

O Dia Seguinte...


Acho ridículas todas as tentativas de nos querermos "transvestir" em brasileiros, e pior, querer comandar as suas opiniões e vontades.

E como não frequento as redes sociais, estou longe de conhecer as maiores bizarrices, que se disseram nos últimos dias.

Como amante da liberdade, continuo a pensar que todos os povos são livres de escolher os seus governantes, mesmo que estes tenham tiques de "ditadores" e consigam dizer as coisas mais estúpidas e absurdas, com o ar mais sério do mundo. E nem é aquela coisa, de se mereceram uns aos outros.

Provavelmente nós portugueses, também não merecíamos ter tido Cavaco Silva como primeiro-ministro e presidente da República durante duas décadas... e tivemos.

O mais grave disto tudo, é não percebermos o que aconteceu no Brasil, nos últimos anos, até se chegar a uma situação destas... Não percebermos que os brasileiros se sentem mais inseguros que nunca, com a violência que alastra nas ruas; e que se sentem mais indignados que nunca, pela onda de corrupção que invadiu todas as instituições, públicas e privadas.

À distância de um Oceano, largo e tempestoso, sei que preferia que a democracia triunfasse no Brasil. Tal como alguns anos antes, tinha desejado que o mesmo acontecesse no EUA. Mas eu sou português. só voto em Portugal (e sou daqueles que voto sempre, por mim e pela memória do meu pai e dos meus avós...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 14, 2018

A Democracia é Outra Coisa...


Esta onda de preocupação (quase doentia) pelo futuro político do Brasil, tem me feito pensar em várias coisas, mas nunca em Bolsonaro, que para mim vale muito pouco como gente, mesmo sabendo que existe uma forte possibilidade de ser o seu próximo presidente.

Tenho pensado sobretudo no nosso país, no que os nossos governantes têm feito à nossa democracia...  ao ponto de 60% da população portuguesa se recusar a votar.

Se quem nos governa, continuar mais preocupado em governar a sua vidinha, que o país, a nossa democracia também terá os dias contados.

Sim, ao contrário do que muito boa gente diz, corremos o mesmo perigo que as outras democracias europeias correm (algumas já foram engolidas...). O que nos tem salvo dos populismos emergentes é ainda estar muito presente na nossa sociedade o "fantasma" da ditadura salazarista e marcelista. 

Mas daqui a dez, quinze anos, a maior parte das pessoas que viveram essa época tenebrosa, já desapareceu... Se nada mudar, estamos cá para ver (infelizmente).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 08, 2018

Os Homens, a Justiça e a História...


Como era previsível, a prisão de Lula da Silva, antigo presidente do Brasil e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), foi transformada em "telenovela", com a exploração habitual das emoções dos apoiantes e dos quase inimigos (percebe-se pelas entrevistas a populares, que ele consegue despertar o melhor e pior que nos caracteriza como humanos...).

Como a maior parte das pessoas de esquerda, tenho simpatia pelo antigo sindicalista e presidente, por ter transformado o Brasil num país mais justo, ao mesmo tempo que o transformava numa potência económica emergente, nas américas.

Além de ter fechado os olhos a muitas "negociatas", protagonizadas pelos seus companheiros do governo e do partido, é provável que também tenha sucumbido à habitual troca de favores - geralmente são sempre bastante tentadores -, pelo poder económico. Ou seja, as acusações podem fazer sentido. 

Mas não esqueço que o Brasil é um país especial, basta ver a forma como Dilma Rousseff foi afastada da presidência, num processo mais político que judicial, pouco provável num país com uma democracia plena. Segundo os especialistas, as acusações que o condenaram a uma pena de 12 anos e que o levaram agora à prisão, no nosso país não teriam consistência suficiente para o colocarem atrás das grades...

Mas o que me choca mais é a perseguição e o ódio de que é vitima. Isso só prova que deve ter retirado privilégios e poder a muita gente das classes mais favorecidas.

Há quem compare Lula a Sócrates, mas eu acho que não existe qualquer comparação possível, quer pelos seus passados quer pelos seus presentes. A única personagem da nossa história recente de que encontro alguns traços de proximidade, é Otelo. Sobretudo pela sua aparente ingenuidade e generosidade.

(Fotografia de Autor Desconhecido)

terça-feira, janeiro 09, 2018

A Importância Social das Telenovelas

Há vários anos que as telenovelas brasileiras transportam para a televisão - e para a discussão pública - alguns temas "tabu" da sociedade. Foram eles que mostraram os primeiros casais homossexuais às claras nas suas "tramas", no início de uma forma tímida, que hoje são aceites com normalidade nos seus guiões. E é esse valioso contributo que dão para a sua discussão, e até aceitação entre as pessoas de todos os estratos sociais, mesmo que nem sempre se pense com seriedade no assunto, que me interessa trazer para aqui.

A telenovela brasileira  que a SIC transmite à noite (só não sei o título porque sempre fui péssimo em decorar nomes de livros, filmes, peças...), é mais um bom exemplo da utilização positiva de um tema cada vez mais pertinente, que é abordado de uma forma muito feliz: o drama dos transexuais (a sua aceitação - ou não - pela própria família e todo o transtorno emocional que provoca) com a qualidade reconhecida dos actores brasileiros...

E fico muito feliz por uma telenovela ter uma importância superior a mil crónicas doentias de gente do calibre do arquitecto Saraiva, que provavelmente ainda pensam que a homossexualidade é uma doença, curável (nem que seja com tratamentos à base dos choques eléctricos...).

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)

quarta-feira, novembro 29, 2017

O Anjo Pornográfico

Acabei agora de ler "O Anjo Pornográfico - a Vida de Nelson Rodrigues", de Ruy Castro. Como costuma acontecer quando leio ensaios ou biografias, demoro uma "eternidade" a chegar ao fim. E quando são quinhentas páginas... Ou seja, levei três meses a ler este livro.
Isso acontece porque tenho dois ritmos de leitura. Um para romances outro para ensaios. Os romances são escritos para serem lidos num ápice, os ensaios (onde incluo as biografias), são para se irem lendo, neste caso particular, é como se em cada "encontro" fosse conhecendo um pouco melhor Nelson Rodrigues (tal como sucede com as nossas amizades...).
Não é um livro deslumbrante, como cheguei a ler por aí (se o fosse tinha o devorado, como devoro os bons romances...), mas é um bom livro, muito bem escrito e organizado, que nos oferece um retrato extremamente completo de um dos maiores cronistas da língua portuguesa e um bom dramaturgo (foi bom conhecer detalhadamente esta sua faceta, nem sempre compreendida pelo público...).
Gosto de ler biografias porque acabam por ser também retratos de época, neste caso particular, acaba por nos dar informações importantes sobre a própria história do Brasil do século XX, especialmente do seu jornalismo.
E Nelson Rodrigues era um "escriba" extraordinário, com uma facilidade incrível em escrever sobre o que quer que fosse, mesmo que por vezes misturasse a ficção com a realidade. O facto de ele meter alguns dos seus amigos dentro das crónicas e até das peças que escrevia, dão-nos ideia do género de homem que ele era, muito observador e sem qualquer tipo de pudor, com tudo o que isso pode ter de inquietante e de perigoso (deve ter feito tantos "inimigos" pela vida fora...).
Ruy Castro, o autor, é um grande biógrafo. Nunca se perdeu ao longo da meia centena de páginas, manteve sempre uma escrita equilibrada, conseguindo focar os aspectos mais importantes da vida de Nelson Rodrigues, inclusive a sua vida familiar (desde a infância até aos últimos dias...), povoada de dramas.
A escolha do título também foi óptima. O Nelson era isto...

quarta-feira, setembro 28, 2016

Voltar a Ler Jorge Amado...


A Biblioteca da Incrível Almadense (onde colaboro como "bibliotecário"...) de vez em quanto recebe livros que faziam parte do espólio de antigos associados, que quando partem, deixam os familiares sem saber o que fazer com estas "heranças" (por falta de espaço e também por falta de interesse...). 

Muitos lembram-se da Incrível e vão saber se a Colectividade Almadense recebe livros. Por uma questão cultural, nunca se diz que não. E quando passo por lá dizem-me que há uns sacos com livros a precisarem de ser arrumados na biblioteca...

Como gosto de livros, é sempre um prazer manuseá-los e arranjar espaço para eles nas estantes, onde se sintam mais apresentáveis...

Claro que nem todos os livros estão em boas condições. No último lote que recebemos, um exemplar da "Tenda dos Milagres" de Jorge Amado estava completamente descolado, com quase todas as suas folhas soltas. Parecia irrecuperável mas pensei logo em armar-me em "encadernador" e dar-lhe uma segunda vida. Trouxe-o para casa, e depois de o "salvar" , folhei-o, para ver se estava preparado para novas leituras. Apesar de ter umas letras minúsculas, piscou-me o olho com alguma lata e já vou na página oitenta e dois.

Há alguns anos que não lia Jorge Amado, embora ele continue a ser o autor brasileiro que mais li e um dos meus preferidos do "país irmão".

E posso dizer que tem sido uma maravilha este regresso ao realismo mágico baiano, com o Jorge a dar vida a Pedro Archanjo, que  tentou aproveitar o bom da vida, sem ter de se desviar do seu caminho. Está ali o povo brasileiro, capaz de sorrir e de desafiar todas  as amarguras do dia a dia, por acreditar que tem sempre uma "tenda dos milagres" à sua espera...

segunda-feira, dezembro 01, 2014

"Fogão" Desce de Divisão


O título da notícia maior da contracapa do jornal "A Bola" de hoje é: «Brasil em estado de choque: Botafogo desce de divisão.» Depois faz o histórico do clube de São Paulo, desde o ano da fundação (1894), relevando facto de ser o clube que teve mais campeões do mundo nas suas fileiras.

De entre estes, escolho essa figura mítica a quem chamaram Garrincha, o "Anjo das Pernas Tortas", que também já me inspirou um conto...

Por saber que o Brasil tem muitos "países" dentro de si (tal como os Estados Unidos da América, devido à sua grandeza geográfica), não se limita a ter três clubes grandes como nós  (a nossa "guerra" é na escolha do quarto grande como vários candidatos: Belenenses, Braga, Boavista, Vitória de Setúbal e Vitória de Guimarães), mas, provavelmente, a mais de uma dezena.

No pequeno universo de pessoas que conheço do Brasil (não dá para qualquer estudo estatístico...), há três clubes que levam vantagem em relação aos outros: o "Mengão" (Flamengo), o "Vascão" (Vasco da Gama) e o "Fogão" (Botafogo). E o mais curioso é a terminação do diminutivo ser igual para ambos. Não sei explicar porquê, talvez os meus leitores brasileiros nos possam esclarecer...

Ao pensar na grandeza do Brasil pensei que se ainda há gente que morre em Portugal sem nunca ter visitado Lisboa, no outro lado do Atlântico, deverão existir milhões de brasileiros que nunca irão pisar o Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília. E claro, sem que venha algum mal ao mundo.

Resta-me desejar que esta descida do "Fogão" seja episódica e que volta rapidamente ao "Brasileirão", honrando o seu passado glorioso.

quarta-feira, junho 18, 2014

«Obrigado, Chico!»


Só posso dizer, «obrigado, Chico».

A tua música foi das melhores aproximações que tive com o Brasil.

sexta-feira, maio 16, 2014

A Nossa Atracção Pelo Abismo


Estive com o Gui na semana passada, que passou por cá apenas para matar saudades,  de passagem para o Festival de Cannes.

Falámos de muitas coisas, como de costume.

Ele ainda não está totalmente adaptado ao Brasil. Diz mesmo que nunca se habituará aquele tipo de violência, em que se mata por um tostão furado, ao pouco valor que se dá à vida humana. E pensa que a organização do Mundial foi um erro que poderá ter consequências graves. Acha mesmo que há mais pessoas contra que a favor, apesar do Brasil ser o país do futebol...

Mesmo com todas estas coisas, Gui não sente saudades do nosso país, pelo menos para trabalhar. Continua a fazer o que gosta e faz melhor, o que talvez não fosse possível entre nós.

E também continua sem perceber muito bem o porquê da nossa atracção pelo abismo.

Da mesma forma que não percebe como é que votamos sempre nos mesmos políticos, com provas dadas da sua incompetência.

Desafiou-me a votar no Coelho da Madeira ou no Marinho Pinto para as europeias, por saber que não embarco nessas provocações...

terça-feira, outubro 22, 2013

O Cinema e as Nossas Vidas


Na semana passada tive uma conversa extremamente rica sobre cinema, sobre os filmes que gostamos e detestamos.

Conseguimos pôr de lado a nostalgia das grandes salas de cinema e dos seus arrumadores, que eram também guardiões do silêncio. Nem falámos da musicalidade dos "banquetes" de pipocas, que devem ser mais importantes que as fitas exibidas, para a actual "indústria cinéfila".

Falámos sobre as suas temáticas, as suas velocidades e os seus ídolos.

Mas o melhor da tarde foi percebermos por que razão amamos e detestamos tanto os filmes chamados de "europeus" (alguns destes filmes também são feitos na América ou no Japão...). São os filmes mais parecidos com as nossas vidas, por isso é que são considerados tantas vezes chatos e monótonos. A única coisa que alguns realizadores acrescentam é alguma poesia, que é misturada com a fantasia que todos escondemos nos sonhos.

Quando gostamos de pensar os filmes "europeus", é comum descobrimos mais portas abertas, como muito bem acrescentou o Gui, quase a voltar para um Brasil que o continua a deslumbrar, por ser tão diferente do país que nos é "vendido" através das telenovelas...

sábado, outubro 19, 2013

Vinicius de Moraes, o Rio e as Mulheres



Poucos poetas nos aproximaram tanto da beleza do Rio de Janeiro e das mulheres cariocas como Vinicius de Moraes. A sua "Garota de Ipanema" é mais que um clássico, é um hino à beleza e ao encanto feminino.

Na passagem do centenário do seu nascimento, só podia escolher um poema que falasse da Mulher (e que é o começo da "Garota")...

A Mulher que Passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa. 
Seu dorso frio é um campo de lírios
 
Tem sete cores nos seus cabelos
 
Sete esperanças na boca fresca!
 

Oh! como és linda, mulher que passas
 
Que me sacias e suplicias
 
Dentro das noites, dentro dos dias!
 

Teus sentimentos são poesia
 
Teus sofrimentos, melancolia.
 
Teus pêlos leves são relva boa
 
Fresca e macia.
 
Teus belos braços são cisnes mansos
 
Longe das vozes da ventania.
 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
 

Como te adoro, mulher que passas
 
Que vens e passas, que me sacias
 
Dentro das noites, dentro dos dias!
 
Por que me faltas, se te procuro?
 
Por que me odeias quando te juro
 
Que te perdia se me encontravas
 
E me encontrava se te perdias?
 

Por que não voltas, mulher que passas?
 
Por que não enches a minha vida?
 
Por que não voltas, mulher querida
 
Sempre perdida, nunca encontrada?
 
Por que não voltas à minha vida?
 
Para o que sofro não ser desgraça?
 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
 
Eu quero-a agora, sem mais demora
 
A minha amada mulher que passa!
 

No santo nome do teu martírio
 
Do teu martírio que nunca cessa
 
Meu Deus, eu quero, quero depressa
 
A minha amada mulher que passa!
 

Que fica e passa, que pacifica
 
Que é tanto pura como devassa
 
Que bóia leve como a cortiça
 
E tem raízes como a fumaça.

Da sua "Antologia Poética", da Mulher que Passa, quase quase rente à Garota de Ipanema, onde ele foi buscar a inspiração e até as palavras, numa nova versão...

sexta-feira, junho 21, 2013

O Futebol Deixa de ser o Ópio do Povo na "Pátria do Futebol"


O Brasil não deixou de ser a "pátria do futebol", mas o "desporto-rei" parece que já não é o ópio do povo, felizmente.

O povo brasileiro aproveitou a realização da Taça das Confederações, um ensaio para o Mundial de futebol que se realiza no próximo ano, para vir para a rua protestar contra as várias arbitrariedades de que continua a ser vitima.

O aumento dos transportes públicos foi apenas o rastilho, depois vieram a "lume" coisas como  a educação, saúde, emprego, que estão longe de ser um direito para todos.

Não aceitam que haja dinheiro para estádios e não para escolas e hospitais, tão necessários.

E de pouco valem as palavras do "rei" Péle ou de outros "ídolos de pés de barro", que não fazem mais que defender a sua "galinha dos ovos de ouro"...


segunda-feira, abril 08, 2013

«Vamos todos embora, pá.»


O Gui vai viver uns tempos para São Paulo, foi por isso que hoje estivemos à conversa ao cair da tarde. Como de costume, contámos e ouvimos histórias que não se limitaram às nossas vidas.

Quase na hora da despedida, antes de trocarmos um abraço, ele desafiou-me com um sorriso trocista: «vamos fazer a vontade ao Passos, vamos todos embora, pá.»

E às vezes apetece mesmo partir...

O óleo é de Joe Simpson.

quarta-feira, outubro 03, 2012

O Cinema Português no Brasil


O Brasil está a descobrir o cinema português actual, graças ao Festival do Rio de Janeiro, que recebe 31 filmes com a nossa marca.

Ao ler a bela reportagem de Alexandra Lucas Coelho, a propósito do, "Cisne",  filme de Teresa Villaverde, fico satisfeito por os brasileiros terem aparecido e questionarem a realizadora, de uma forma aberta e espontânea.

Não gosto de todo o cinema português, mas gosto de uma boa parte dele, assim como dos seus realizadores, que quase que têm de fazer o pino todos os dias, para conseguirem acabar um filme e depois levá-lo às salas de cinema.

Gostei que a Teresa respondesse que: «o cinema é muito mais que um fio narrativo, é tempo, silêncio, imagem, som, está mais próximo da poesia, ou devia estar.»

Ainda bem que estão a dar um bom exemplo do que se faz em Portugal, numa altura em a Cultura em geral e o cinema em particular, recebem cada vez menos apoios...

O óleo é de Siegfried Zademack.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Nelson Rodrigues Nasceu há Cem Anos...


Nelson Rodrigues foi e é um dos melhores cronistas da língua portuguesa. 

Hoje comemora-se o seu centenário, de uma forma ligeira, pelo menos entre nós. De certeza que o Brasil não esquece o seu "Anjo Pornográfico" (título da sua biografia da autoria de Ruy Castro).

Conheci-o no começo da década de noventa, à mesa de café, quando um amigo me mostrou o seu livro de crónicas, "À Sombra das Chuteiras Imortais".

Acabei por ler este excelente livro e também os que encontrei na época na FNAC ("A Mulher do Próximo"; "O Remador de Ben-Hur"). Mais tarde li duas das suas peças de teatro, "O Beijo no Asfalto" e  "Bonitinha mas Ordinária". E claro a biografia de Ruy Castro, que é quase um romance. O título nasceu das suas próprias palavras.

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

Hoje também faria 100 anos um grande actor, Gene Kelly, inesquecível em tantos filmes,  como na bonita "Serenata à Chuva".

sexta-feira, agosto 10, 2012

O Centenário de Jorge Amado


Hoje comemora-se o centenário do nascimento do escritor brasileiro, Jorge Amado.

Li quase todos os seus livros, graças ao extraordinário, "Capitães de Areia", que  ainda hoje guardo no "top-ten" das minhas preferências.

Foi também ele que me levou a ler outros autores brasileiros e latino-americanos, que também misturavam uns pózinhos de "magia" nas suas palavras.

Obrigado Jorge!

domingo, abril 22, 2012

Jorge Amado e os Capitães da Areia



Hoje ao passar por um cartaz que anunciava a estreia brevemente do filme, "Capitães da Areia", falei ao meu filho do livro, um dos que gostei mais de Jorge Amado e que faz parte da pequena lista de obras que recomendo a qualquer leitor. Disse-lhe que era uma história muito bem contada sobre as crianças brasileiras, abandonadas e exploradas, que encontravam "refúgio" no areal das praias...

Reparei também que estamos no ano do centenário de Jorge Amado. Fiquei a pensar que tenho sido bastante injusto com o Jorge, pois quando me perguntam pelos meus autores e livros preferidos, tenho esquecido este escritor brasileiro, que me fez passar tão bons bocados, na companhia dos seus "filhos"...