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segunda-feira, julho 15, 2019

Algo que Fica Depois do Bom Gosto e do Bom Senso...


Reparei nas pequenas notas que tinha num papel, com coisas que aconteceram e outras imaginadas. A única coisa que tinham em comum, era não "caberem" num blogue (pelo menos nos meus...). 

Isso fez com que pensasse na palavra "auto-censura", que se usa por tudo e por nada, vá lá saber-se porquê. Senti logo que era demasiado forte. Há muitas coisas que se dizem ou escrevem, que sabemos logo que ficam algures depois do bom gosto e do bom senso, quase numa rua escura, suja e mal cheirosa.

E estava aberto o caminho para falar da historiadora mais famosa do país - por umas semanas, diga-se de passagem, que popularizou de novo os "bonifácios"... Mas  o bom gosto diz-me que não. Muito mais que o bom senso. E sabem que mais, neste pequeno caso a auto-censura, nem sequer espreitou à esquina.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, julho 08, 2019

Tudo tem um Princípio...


«A ideia de que somos pessoas boas está completamente errada. Este é o melhor exemplo.» 

Foi desta forma que o Rui reagiu à má educação de uma criança, que além de gritar, ainda começou a mexer nos objectos pessoais que algumas pessoas tinham na mesa ao lado, com a complacência dos pais e a irritação do avô.

Como os pais pareciam assistir ao "filme" de camarote, o senhor de mais idade, levantou-se, pegou na mão da criança com pouca meiguice e foi dar uma volta pelas redondezas, para alívio das pessoas que estavam na esplanada, que começaram a sentir os gritos, quase como música de fundo, cada vez mais longínqua.

A Teresa disse que não se tratava de uma questão de bondade ou maldade, mas sim de educação.

«Educação?» Insistiu o Rui. «Devias ter uma bisca destas lá em casa, sempre queria ver o que lhe fazias. Não me digas que o enchias de porrada?»

«Não. Não o enchia de porrada, mas também não lhe fazia as vontades nem sorria com os espectáculos que ele deve dar em todo o lado, como os paizinhos.»

Claro que a Teresa tinha toda a razão, o que estava ali em causa era sobretudo um problema de educação, de exemplos, que poderiam começar no hábito de se respeitar o outro (falo de respeito e não de "respeitinho"), que começa a entrar em desuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, junho 12, 2019

A Vontade de Fugir a Sete Pés do Contraditório


Olho à minha volta e sinto que cada vez há mais instituições e gentes a quererem viver sem os "constrangimentos democráticos", tentando escapar sempre que podem ao contraditório. Eu sei que discutir as coisas com os outros, especialmente com quem pensa de uma forma diferente de nós, é realmente uma chatice... Mas também sei que continua a ser o melhor caminho para se encontrarem as melhores decisões (no meu entender, claro...). 

A nível empresarial, o que aconteceu na TAP, é um bom exemplo de quem acha que pode tomar decisões, sem ouvir os outros accionistas (neste caso ainda é mais grave porque o Estado é o accionista maioritário...), apenas por que é mais agradável fazer o que nos diz o nosso umbigo.

A nível associativo também conheço vários exemplos, em que se tenta escapar a decisões tomadas em assembleias gerais (decididas pela maioria dos sócios), apenas porque contrariam a linha do pensamento de quem dirige...

A história diz-nos que quando a democracia começa a perder, o "terceiro estado" (nós, o povo, essa imensidão de gente...) é sempre o principal derrotado...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 06, 2019

Os Livros Mudam, Tal como Nós...


Resolvi reler o "1984" de George Orwell, devido a um trabalho colectivo em que estou a participar. 

Já o tinha lido há quase trinta anos, mas nós quando temos 20 anos não temos o mesmo olhar, nem a mesma linha de pensamento, de quando temos 50... Isso explica que não me lembre da sua leitura me ter despertado tantas questões (especialmente sobre o autor e a época em que foi escrito...), como agora. 

Nessa época devo-o ter lido como uma obra de ficção científica e não me preocupei muito com as questões ideológicas que lança (apesar do mundo não ter evoluído tanto - e ainda bem - para o tal tempo quase de sombras e fotocópias humanas...).

Nem sabia que tinha sido escrito pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e publicado em 1949 (algo que nem me deve ter preocupado nos anos 1990...). Sabia apenas que Orwell era um escritor estranho, ou que, pelo menos tinha escrito dois livros distantes da normalidade (o nosso "Triunfo dos Porcos" também tem muito que se lhe diga...).

Não é difícil concluir que o autor conheceu de perto algumas das práticas dos partidos totalitários (além do nazismo que fora derrotado pouco antes de começar a escrever "1984", Orwell também  foi militante comunista, tendo abandonado a ideologia socialista, assim que teve conhecimento das atrocidades e da falta de liberdade dos países comunistas...).

Aliás, percebe-se que esta obra crítica sobretudo o ideário comunista, inspirando-se num centralismo de estado levado ao exagero, com a presença de uma grande opressão física e mental (não nos permitir pensar pela nossa cabeça nem ter qualquer relacionamento amoroso, tem muito que se lhe diga, mesmo muito...).

Sei que a popularidade do "big brother" televisivo fez com que algumas pessoas lessem este livro. Mas devem ter-se sentido enganados, pois além da proliferação das "teletelas" por todo o lado, não existe mais nada em comum...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, maio 05, 2019

"Por Teu Livre Pensamento"


Hoje não visitei o Oeste apenas por ser "Dia da Mãe".


Antes de almoçar com a minha Mãe e com o meu Irmão, nas Caldas, passei por Peniche, onde visitei o agora Museu Nacional da Resistência e Liberdade. 

Museu que combina muito melhor com o velho Forte de Peniche, que uma qualquer Pousada de luxo... 

E de alguma forma também homenageei o meu avô paterno,  neste visita, pois ele é um dos 2510 prisioneiros que são evocados no paredão metálico, com a gravação dos seus nomes...

(Fotografias de Luís Eme - Peniche)

quarta-feira, maio 01, 2019

O Atropelo ao Dia dos Trabalhadores


Embora comece a caminhar para a normalidade este apelo ao consumismo, com descontos incríveis no Dia do Trabalhador ("atropelo" que começou com o "rei dos merceeiros", embora depois acabassem por ir todos atrás...), continua a ser extremamente ofensivo, especialmente para todos aqueles que são forçados a trabalhar neste dia Primeiro de Maio.

Claro que isto só é possível num país onde a maior parte das pessoas continuam a viver com dificuldades (cada vez maiores, porque tudo aumenta à nossa volta, menos os ordenados...) e que acabam por ser quase "empurradas" a aproveitar todas as oportunidades que têm, para poupar uns cêntimos.

Ainda ontem estive à conversa com três amigos que viveram intensamente a Revolução de Abril, que não tiveram qualquer pejo em dizer-me que a liberdade de expressão, é quase a única coisa que resta do 25 de Abril. E se olharmos para a nossa realidade, é mesmo assim, e é muito pouco, 45 anos depois... 

Além de sermos um dos países mais desiguais da Europa e da a justiça continua a ter dois pesos e duas medidas, a maior parte dos "patrões" que gostam de falar dos trabalhadores com desprezo (desses que até são capazes de dizer que há trabalhadores que nem merecem o ordenado mínimo...), continuam a viver à sombra do Estado.

O seu tão publicitado empreendedorismo, na maior parte dos casos, não passa de mais uma falácia (os grandes negócios que fazem são através do Estado).

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

domingo, abril 28, 2019

Os Domingos Também se Libertaram...


Há quem queira trazer novamente para a discussão pública, a abertura, ou não, das grandes superfícies comerciais aos domingos.

Embora eu pertença ao grupo de pessoas que fogem a sete pés dos centros comerciais aos fins de semana (o que me provoca alguns dissabores cá por casa...), sei que há quem os continue a olhar como "templos modernos" e não perca um almoço domingueiro de comida rápida, seguido de um passeio pelas montras, com entradas e saídas pelas lojas mais movimentadas (sim, a agitação, continua a ser o "segredo da coisa"...).

Por isso digo, que são gostos, que podem ser discutidos, mas não proibidos.

E vou mais longe, que cada um de nós faça do domingo, o que mais lhe apetece (sim, também podem ficar fechados em casa, sem tirarem o pijama...). Até podem ir à missa e ao futebol - essas coisas do século passado -, e matar saudades dos "templos antigos"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, abril 17, 2019

A Liberdade de Dizer Não...


Hoje fiz uma pequena reflexão pessoal sobre a utilização da palavra "não", num dos meus outros blogues (o "Casario"...). Reflexão que não foi feita por acaso, pois reparei que fiz muito mais uso dela nos dois últimos anos, que nos dez anteriores...

Expliquei por que razão é que isso aconteceu (algum cansaço pessoal misturado com o efeito da "repetição"...).

Mas o mais curioso de tudo isto, foi a principal conclusão a que cheguei.

Não tive qualquer dúvida de que o uso da palavra não, fez-me sentir muito mais livre...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

terça-feira, abril 16, 2019

Esta Coisa da Liberdade Tem que se lhe Diga...


Sempre coloquei o direito à greve no mesmo patamar  do direito ao trabalho. Nunca gostei dos chamados "piquetes de greve", que tentam proibir, de todas as formas possíveis (inclusive utilizando a violência...) os trabalhadores de exercerem este seu direito.

Sei que a liberdade é outra coisa, oposta à tentativa de obrigarmos os outros a fazerem o que nós queremos...

Outro coisa cada vez mais perigosa, é o "alarme noticioso" (horas e horas a transmitir a mesma notícia...) que, neste caso particular, faz com as pessoas pensem que vem aí o caos e corram para as filas das bombas de gasolina...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, abril 05, 2019

Não Necessariamente...


Há pequenas coisas que me fazem perceber que não pertenço ao reino dos "fundamentalistas", do que quer que seja.

Acho que isso tem a ver sobretudo com aquela parte, de se gostar de liberdade, da nossa e da dos outros.

Não falo quase nada sobre blogues e ainda menos sobre as "verdadeiras" redes sociais. Não que tenha alguma coisa contra, mas como não as frequento (sim, continuo sem facebook, twiter ou instagram, e sem lhes sentir falta), não emito opiniões sobre elas.

Mas de vez em quanto lá sou quase obrigado a falar... 

Falava-se de notícias falsas, mas um sujeito resolveu dar uma de "intelectual" e dizer que quem não sabe escrever não se devia meter nestas coisas dos blogues, para não cair no ridículo. Ao perguntar-me a opinião (por saber que tinha blogues...), disse-lhe que o que era ridículo, era ele achar que os blogues deviam ser só para "escritores". 

Torceu ligeiramente o nariz mas continuou a zurzir contra os "analfabetos" da blogosfera e também do facebook.

Expliquei-lhe que nem sequer era preciso saber escrever para se ter um blogue. Há quem só publique fotografias, há também quem só transcreva textos e poemas dos outros. Tudo com gosto e qualidade.

Já em relação ao facebook, não contou com o meu contraditório.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Quando os Lugares nos Absorvem...


Ao ler uma crónica, escrita por alguém, que dizia poder viver em qualquer lugar, porque a cidade onde vivia não lhe dizia nada, pensei que sentia o contrário em relação a Almada.

E sei por que razão isso acontece.

À medida que fui entrando no coração da Cidade, tive a sorte de conhecer pessoas que a amavam de uma forma livre e desprendida. Sabiam que Almada não era bela nem tinha uma qualidade de vida invejável, mas tinha outras coisas, não menos importantes, a sua história de resistência (desde a Revolução de 1383, passando pela Restauração de 1640, sem esquecer a Revolução Liberal que  foi a 23 de Julho ou a implantação da República a 4 de Outubro...), de liberdade e de humanismo.

E podia falar também dos seus "heróis" anónimos, desde o primeiro mártir do Tarrafal, que foi um almadense (Pedro de Matos Filipe), às mulheres que encabeçaram as greves da indústria corticeira nos anos da Segunda Guerra Mundial...

É por tudo isso que - embora tenha vivido nas Caldas da Rainha desde o meu nascimento até à idade maior - me sinto cada vez mais Almadense...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

domingo, fevereiro 17, 2019

Lucidez no Verão Quente...


Numa leitura quase de relance pelos diários de Vergílio Ferreira ("Conta-Corrente"), descobri pormenores deliciosos, sobre pessoas, acontecimentos e também, claro, sobre o próprio escritor.

No período pós revolução sentiu na pele o facto de ser um desalinhado, alguém que, tal como Zeca Afonso (não foram muito mais...), preferiu ser ele próprio, o seu "comité central"...

Esta independência teve o seu preço (tem sempre...).

A 5 de Setembro de 1974 ele escreveu algo que diz muito do nosso país, em que temos de ter um clube (Benfica, Porto ou Sporting, os outros não contam...) ou um partido (se não tivermos corremos o risco de passar por "fascistas", ele passou...):

«Na terra-de-ninguém leva-se caqueirada dos dois lados. E todavia que vontade enorme de desmascarar a hipocrísia.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, fevereiro 10, 2019

«Vocês têm liberdade a mais!»


Quem chega de fora e acaba por ficar uns tempos por cá, fica muitas vezes com a ideia de que somos um país com demasiada liberdade.

Os emigrantes quando vêm de férias também pensam o mesmo. A frase «Vocês têm liberdade a mais!», já foi dita pelo meu tio, que vive no Canadá,  mais que uma vez.

Não concordo, e acho mesmo que se faz um bocado de confusão com a própria definição da palavra liberdade. Por exemplo, a desorganização e a desresponsabilização, não vêm em nenhum dicionário, como seus sinónimos.

Se a noção que temos dos nossos direitos e deveres fosse mais equilibrada (sei que há por aí muita boa gente que finge que só tem direitos...) e balizada por um sistema de justiça que funcionasse de uma forma mais rápida e igualitária, tudo seria diferente...

Continuo a pensar que não há excesso de liberdade. Há sim demasiada falta de civismo e de sentido comunitário, o que acaba por se reflectir no nosso dia-a-dia, sobretudo na cada vez mais notória falta de respeito pela liberdade dos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 17, 2018

O Nome do Pai (ou não)


O nome quase grande de uma deputada que também escreve em jornais, filha de um antigo dirigente do PS, já desaparecido, fez com que se falasse do uso (e abuso, segundo algumas opiniões...), ou não, do apelido dos nossos pais (quase sempre do pai, numa sociedade masculina como ainda é a nossa...).

Sem fugir do jornalismo, o mundo onde nos movimentamos melhor, conseguimos descobrir mais de uma dúzia de nomes de homens e mulheres, que escolheram o nome da mãe, para escaparem à "perseguição" do apelido familiar mais conhecido. E, naturalmente, também encontrámos outros tantos, que assumiram, sem qualquer problema, o nome do pai.

Como estava junto de nós alguém que escolhera o "nome da mãe", não foi preciso sairmos da mesa, para sabermos o porquê daquela opção. Confessou-nos que houve mais que uma razão. A tentativa de "fugir" do peso do apelido, no mundo dos jornais (o pai era um dos nossos bons jornalistas...), e também o não querer ser olhado como o filho de fulano, que só era jornalista por razões óbvias. E também quase como uma prova de emancipação, de querer caminhar pelos seus próprios pés (na época até pediu ao pai para não fazer publicidade...). Mas, curiosamente, a razão que teve mais peso na época, foi uma quase vingança. Naquele tempo ainda não tinha superado a separação dos pais, que aconteceu quando tinha apenas 13 anos (foi o pai que abandonou o lar e deixou de aparecer, com a regularidade que um filho precisa, praticamente todos os dias...). Quis muito ser o "filho da sua Mãe".

Hoje as coisas estão serenas. Mas não se arrepende nem um pouco da opção que tomou.

Soubemos por alguns exemplos dados que há quem decida ficar com o nome do pai, com orgulho e sem medos.

Percebemos que este tema será sempre pouco consensual. Porque quem escolhe o nome do pai, pode ser olhado como alguém que se está a colocar-se ao seu lado, não por uma questão de orgulho, mas sim de interesse profissional.  E quem não o escolhe, pode ser interpretado como alguém que se esconde e não assume as suas origens. E não como a tentativa  normal de querer caminhar pelos seus próprios pés...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 19, 2018

«Não sei o que é que o Manuel Alegre quer»


Quando vinha para casa ao fim do dia escutei a voz de um casal jovem, meio irritados. alguns metros atrás de mim. Ela exclamou: «não sei o que é que o Manuel Alegre quer.»

Pelo teor da conversa percebi que deviam ser dois jovens politizados, que tanto podiam ser do PS como do BE ou do PAN.

Apeteceu-me dizer-lhes que sabia o que Manuel Alegre queria, mas não quis ser metediço, muito menos mal interpretado.

Não é a tourada, a caça, ou outra coisa qualquer, que estão em causa. Está em causa sobretudo a nossa liberdade. E também a capacidade de fazermos a leitura política do que está a passar, um pouco por todo o lado: a tentativa das minorias de imporem aquilo que acham certo,  mesmo que contrariem a vontade de setenta ou oitenta por cento da população.

Fingem-se grandes defensores do ambiente, dos animais e da saúde, mas o que querem mesmo é contrariar a liberdade dos outros.

E não deixam de ser contraditórios.  Se por um lado defendem a proibição do uso do sal e do açúcar, por outro querem liberalizar o uso das "drogas leves". Nem têm dificuldade em arranjar declarações médicas de que a liamba e o haxixe fazem muito melhor à saúde que os sabores adocicados e salgados da comida...

E como gostam muito de ervas, provavelmente querem que todos nos tornemos vegetarianos...

Ou seja, a liberdade é uma coisa muito boa, mas só para eles.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, novembro 03, 2018

Os Meus "Teatros" de Rua...


Desde pequeno que falo e penso alto.

Nunca entendi a coisa como algo de muito "anormal" ou de singular... Mas sei que tanto pode ser analisado como um mau hábito adquirido cedo (no meu caso particular...), ou uma anomalia qualquer, um problema de parafusos, com mais ou menos aperto.

Acho a coisa tão normal que raramente penso no assunto, muito menos escrevo. Mas ontem, ao fazer o que faço todos os dias assim que saio de casa, fiquei a pensar.

Atravessei o campo aberto que além de parque de estacionamento, é o meu "corta-caminho", que me ajuda a aproximar do centro da cidade, sem gastar toda a borracha dos ténis. E como de costume, vinha a conversar com os meus botões. Uns metros mais à frente  fui surpreendido pelo ruído de um casal jovem, que acabara de sair de dentro do carro. Quando olhei para trás vi-os a sorrir. Continuei, sem perceber muito bem qual era a piada. Só uns metros mais à frente é que percebi que fora o meu "monólogo", que os ligara à terra... 

Acabei por sorrir também, só para mim, ao pensar que a minha passagem sonora os fez pensar que estavam na presença de mais um dos muitos "maluquinhos de Almada".

Quase que me apetece dizer: são estas pequenas alegrias, que fazem com que valha a pena andar a falar sozinho pelas ruas da cidade.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 29, 2018

O Dia Seguinte...


Acho ridículas todas as tentativas de nos querermos "transvestir" em brasileiros, e pior, querer comandar as suas opiniões e vontades.

E como não frequento as redes sociais, estou longe de conhecer as maiores bizarrices, que se disseram nos últimos dias.

Como amante da liberdade, continuo a pensar que todos os povos são livres de escolher os seus governantes, mesmo que estes tenham tiques de "ditadores" e consigam dizer as coisas mais estúpidas e absurdas, com o ar mais sério do mundo. E nem é aquela coisa, de se mereceram uns aos outros.

Provavelmente nós portugueses, também não merecíamos ter tido Cavaco Silva como primeiro-ministro e presidente da República durante duas décadas... e tivemos.

O mais grave disto tudo, é não percebermos o que aconteceu no Brasil, nos últimos anos, até se chegar a uma situação destas... Não percebermos que os brasileiros se sentem mais inseguros que nunca, com a violência que alastra nas ruas; e que se sentem mais indignados que nunca, pela onda de corrupção que invadiu todas as instituições, públicas e privadas.

À distância de um Oceano, largo e tempestoso, sei que preferia que a democracia triunfasse no Brasil. Tal como alguns anos antes, tinha desejado que o mesmo acontecesse no EUA. Mas eu sou português. só voto em Portugal (e sou daqueles que voto sempre, por mim e pela memória do meu pai e dos meus avós...).

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 02, 2018

«Não, não é sempre não!»


Com cinquenta e seis anos de idade, casado e pai de dois filhos, podia ficar por aqui em silêncio. Era muito mais confortável.

Mas não me apetece. Estou farto de puritanismos e do politicamente correcto.

Sei também que podia esperar algum tempo, por causa dos ecos  de  revolta por causa de mais uma sentença absurda dos nossos tribunais, que penaliza claramente a mulher, em relação aos violadores.

Com todos estes movimentos em defesa da mulher e com o avolumar das suas acusações de violação (algumas com quarenta anos...), sinto que estão a querer destruir as relações entre um homem e uma mulher, todos os jogos de sedução que alimentavam o "amor". Não sei se apenas por que sim, ou se existe qualquer outro propósito social, aparentemente obscuro.

Eu ainda pertenço a uma geração em que por vezes a mulher dizia, não, ou não sei se, quando lhe apetecia dizer, sim (porque só as "galdérias" é que não se faziam difíceis...).

Claro que aceito que muitas vezes devíamos ter levado a sério um "não", e não o fizemos. Da mesma forma que muitas vezes ouvíamos um "não", sem que a nossa amante deixasse de nos beijar, apertar o corpo contra o nosso e relaxar as pernas...

É por isso que eu continuo a pensar - provavelmente mal -, ao contrário do que ouço por aí, que  «não, não é sempre não».

(Fotografia de Henry Clarke)

sábado, setembro 15, 2018

Um Dia de (aparente) Mudança ...


Há momentos únicos, umas vezes por razões que a razão desconhece, outras por que a espontaneidade e o sentimento colectivo podem surpreender o mais incrédulo. Foi assim no dia 15 de Setembro de 2012, que obrigou Passos Coelho a mudar ligeiramente de rumo...

Hoje as coisas estão mais complicadas, porque temos um primeiro-ministro desarmante, que até consegue deixar quase sem palavras de protesto o "rei dos sindicalistas"...

Mas o meu propósito é deixar aqui o poema que escrevi sobre este dia exaltante, com tanta gente na rua a dar vivas à Liberdade, à Democracia e à Unidade... (poema que faz parte da "3.ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA, patente na sede /galeria desta associação almadense).


15 de Setembro de 2012 

Não sei quantos éramos
Não perdi tempo a contar
Sei apenas que éramos muitos
Os que estávamos ali a caminhar.
Queríamos um outro país
Ainda com espaço para sonhar.

Mas sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!

E de punho erguido
O povo voltou a gritar
Que se estivesse unido
Jamais seria vencido
Mas mais importante
que aquele grito
Era acreditar.

Sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!


Luís [Alves] Milheiro

sexta-feira, agosto 24, 2018

É Muito Importante Honrar a Memória...


Zeca Afonso voltou a ser tema de conversa e de escrita nos últimos dias, não tanto pela sua obra, mas sim pela vontade dos dirigentes da Sociedade Portuguesa de Autores em pedirem a transladação do seu corpo de Setúbal para o Panteão Nacional.

É algo que não se percebe bem, se pensarmos que José Afonso recusou ser condecorado ainda em vida, pelo general Ramalho Eanes. Alguns anos mais tarde a família voltou a recusar uma condecoração póstuma, durante a presidência de Mário Soares, fazendo prevalecer a vontade do músico.

Faz-me confusão, que depois destes dois episódios, não se respeite a vontade do Zeca e da sua família, com a agravante de a iniciativa partir de uma Sociedade que tem como principal objectivo defender os autores...

Este caso acaba por ter um aspecto positivo, mostra-nos o quanto é importante honrarmos a memória e a vontade dos que partem. 

Não podemos esquecer que estamos a falar de uma das raras pessoas, que teve a coragem de recusar prémios e condecorações em vida (só me lembro de Zeca Afonso e de Herberto Hélder...). É bom que  o seu exemplo prevaleça, mesmo que seja a excepção que confirma regra...

(Fotografia de Luís Eme)