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sábado, agosto 17, 2019

«No Verão as mulheres, sem darem por isso, transpiram sexo por quase todos os poros.»


Tudo indica que o Verão já não se vai embora, neste Agosto intermitente, capaz de se disfarçar de Outono ou Inverno, por mais que leves momentos. 

Com mais de trinta graus, mesmo à sombra, os homens e as mulheres que passam por nós, usam menos peças de roupa e também mais leves. Algumas moçoilas abusam na "justeza" e na "curteza" das suas vestes e fazem com que a malta da minha mesa de café finja perder o controle do olhar.

O Jorge com  a sua poesia sem rima disse-nos que «no Verão as mulheres, sem darem por isso, transpiram sexo por quase todos os poros». Só não ficámos muito convencidos com o "sem darem por isso", mas não fizemos nenhum "cavalo de batalha" da frase do  nosso poeta. 

Quando vinha para casa fiquei a pensar que não fomos tão longe como iríamos noutros tempos...

(Fotografia de Luís Eme - Olhão)

segunda-feira, julho 08, 2019

Tudo tem um Princípio...


«A ideia de que somos pessoas boas está completamente errada. Este é o melhor exemplo.» 

Foi desta forma que o Rui reagiu à má educação de uma criança, que além de gritar, ainda começou a mexer nos objectos pessoais que algumas pessoas tinham na mesa ao lado, com a complacência dos pais e a irritação do avô.

Como os pais pareciam assistir ao "filme" de camarote, o senhor de mais idade, levantou-se, pegou na mão da criança com pouca meiguice e foi dar uma volta pelas redondezas, para alívio das pessoas que estavam na esplanada, que começaram a sentir os gritos, quase como música de fundo, cada vez mais longínqua.

A Teresa disse que não se tratava de uma questão de bondade ou maldade, mas sim de educação.

«Educação?» Insistiu o Rui. «Devias ter uma bisca destas lá em casa, sempre queria ver o que lhe fazias. Não me digas que o enchias de porrada?»

«Não. Não o enchia de porrada, mas também não lhe fazia as vontades nem sorria com os espectáculos que ele deve dar em todo o lado, como os paizinhos.»

Claro que a Teresa tinha toda a razão, o que estava ali em causa era sobretudo um problema de educação, de exemplos, que poderiam começar no hábito de se respeitar o outro (falo de respeito e não de "respeitinho"), que começa a entrar em desuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 01, 2019

Correr Atrás do Sol...


Há quem goste de saltar de metáfora em metáfora, sem se importar que o olhem como um "maluquinho". O Fernando é uma dessas pessoas.

Quando ele disse «apesar do aumento da temperatura, as pessoas continuam a correr atrás do sol», eu respondi-lhe que não e apontei para as esplanadas que ficavam à sombra, cheias de gente e sem mesas vagas...

Ele não se ficou, «sim, sentam-se à sombra, mas estão cheios de vontade de correr atrás do Sol.»

E continuou: «só os sensatos é que escolhem o conforto da sombra. Só que o mundo há muito que deixou de ser deles.»

Sorri-lhe e pensei que isto de aturar filósofos tem que se lhe diga...

Antes de nos abandonar saiu-se com mais uma pérola: «a "flor do sucesso" só de alimenta com a luz, seja ela solar ou artificial.»

Levantou-se e quando se preparava para nos virar costas, o Carlos disse para ele não se esquecer de ir pelo Sol. 

Resultado: Gargalhada geral.

Talvez o humor seja das poucas coisas que consegue bater-se com a filosofia e com o calor...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, maio 25, 2019

Um Vício de Outros Tempos...


Quando passa pelo quiosque, olha para todos os lados, assim como não quer a coisa. Se não descobrir ninguém conhecido por perto, tira algumas moedas do bolso e "compra um pacote"  de notícias em papel.

O passo seguinte é fingir-se distraído e enrolar o jornal, transportando-o de seguida, quase escondido, ao longo de um dos braços. 

Só se sente "a salvo" quando entra no café rente ao rio, que podia muito bem ser uma fronteira. Já nem estranha que as pessoas finjam não conhecer ninguém, como se aquele lugar estivesse condenado a ser apenas um ponto, onde se chega e parte, de preferência sem paragens...

Talvez seja isso que o descontrai, enquanto ocupa uma mesa e diz bom dia ao Tejo.

Depois pede uma água com bolhas, antes de começar a estender o "lençol de papel" pela mesa, à procura de palavras que o surpreendam, de preferência que não estejam sujas de sangue ou usem menos que mini-saia de roupagem.

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

sexta-feira, maio 24, 2019

Um Bom Rapaz de "Orelhas Grandes"...


Um rapaz bem vestido passou por nós e depois de nos ver, parou para nos cumprimentar. Não aceitou o convite para se sentar por que disse que estava atrasado e lá foi à sua vidinha.

Já estava a alguns metros quando o reconheci. O meu companheiro de jornada sorriu ao perceber. E depois saiu-se com uma das suas saídas boas.

«É uma simpatia de rapaz, mas assim que chegou ao poder, aconteceu-lhe o mesmo que acontece a muito boa gente, quando se torna ministro, secretário de estado ou vereador, começa-lhe a crescer as orelhas.»

E continuou, sem perder o humor: «Falava com ele quando era da oposição e era uma maravilha, tinha soluções para tudo. E algumas até eram boas ideias. Em pouco mais de ano, parece que esqueceu tudo.»

Mesmo sabendo que é mais fácil falar à mesa do café que fazer parte de um governo, nacional ou local (como era o caso), parece que a maior parte das pessoas quando chegam a lugares de poder, deixam de ter memória, inteligência e vontade...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, março 24, 2019

Beber Café na Trafaria...


O Sol do começo da tarde convidava a sair de Almada.

Pensámos que não devia ser muito boa ideia ir até à Costa de Caparica, por já haver muita gente à procura de praia. Sabíamos que iríamos ter dificuldade em estacionar o carro.

Foi por isso que acabámos por passar pela Trafaria, que até estava em festa, no fim de semana.

Bebemos café e ficámos por ali, a ver as vistas. Comentámos que a Vila era  cada vez mais uma "aldeia"...

Ideia que foi reforçada quando subimos a uma espécie de miradouro e olhámos as vistas da Trafaria, de cima para baixo, já com a companhia das nuvens.

O seu perímetro urbano é o mesmo de há cinquenta anos (mas muito mais envelhecido...). Se há lugar por onde não passou a Revolução de Abril, foi nesta bonita "varanda" para o Tejo...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

sexta-feira, março 15, 2019

Um Café com um Livro de Poesia (Fechado) em Cima da Mesa e a Conversa Boa com um Amigo Professor...


Hoje antes do almoço encontrei casualmente um amigo professor, que me tinha enviado na véspera um e-mail para bebermos um café e conversarmos, ao mesmo tempo que me oferecia o seu último livro de poemas.

Não tinha lido o e-mail, porque ainda continuo a fazer esta leitura apenas no computador (o meu telemóvel continua a ser apenas telefone...) e não passei pela caixa de correio electrónica na noite anterior, muito menos de manhã, porque saí cedo de casa.

Como ele ia dar uma aula na escola que fica a algumas centenas de metros da minha casa, houve a possibilidade de bebermos o tal café e conversarmos um pouco sobre o mundo que nos cerca (e quase nada do livro que me ofereceu...). Convidou-me para assistir à aula. Declinei o convite, mas fiz-lhe companhia quase até à sala de aulas. Pelo caminho cruzámo-nos com uma professora de biologia que andava com os seus alunos a "catalogar" as árvores existentes no interior da escola (colocando placas de madeira com os seus nomes e origem...), com um entusiasmo digno de se ver. Curiosamente ela também escrevia poesia.

Quando me vinha embora, voltei a ver a professora e os miúdos de quinze e dezasseis anos, alegres e entusiasmados com a tarefa, junto às áreas verdes da escola. A minha primeira observação interior foi, "é cada vez mais difícil encontrar uma professora assim..."

Mas depois voltei à realidade, a estes tempos avessos ao voluntarismo, por mil e uma razões, não fosse a profissão de professor uma das mais exigentes (e incompreendidas) da actualidade. 

Além do desgaste emocional, cada vez maior, das estranhas exigências burocráticas de que são vitimas, também foram perderam a aura de respeito que existiu noutros tempos na própria sociedade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Sempre Eras Tu...


Eras pouco mais que um vulto, estavas demasiado longe, mas eu coloquei na cabeça, que era tu, que só podias ser tu, pelas pistas que me deixaste...

Sentei-me na esplanada, pedi um café e fiquei por ali, à espera, até ao teu regresso.

Sorri quando voltei a ler a tua mensagem, quase enigmática, "Não é difícil descobrires-me, sou a dona da praia e de um rafeiro".

Eras mesmo tu, a única pessoa que se passeava no areal, perseguida por um cão fiel, que te beijava os pés descalços, salgados e gelados  graças às águas mexidas do Oceano...

(Fotografia de Luís Eme - Santa Rita)

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Os Cafés ao Balcão e as Coisas que Interessam a Cada Vez Menos Pessoas...


Os cafés mais movimentados ainda continuam a substituir os tribunais (tanta sentença dada, o Salgado já deve estar a cumprir perpétua...) e as redacções de jornais desportivos (tanto fulano que sabe tudo sobre futebol, ao ponto de terem uma ligeira simpatia pelo Bruno de Carvalho...), entre outras tantas coisas.

É também por isso que os evito. 

Apesar de tudo, as casas de chá são muito mais calmas e pacatas. As mulheres continuam a saber comportar-se fora de casa, reparo que raramente gritam umas com as outras.

Há bastante tempo que não escrevo em cafés, que não gasto guardanapos de "papel-bíblia". O mais curioso, é não ter grandes saudades. 

Reparo que nos últimos tempos bebo mais cafés ao balcão que em mesas. Isso acontece por andar quase sempre atrasado, dois ou três minutos, e também por nem sempre ter boas companhias para falar de coisas, que interessam a cada vez menos pessoas...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Os Tempos em que Não Existimos...


«São mais, muito mais do que pensamos, os tempos em que não existimos.»

Ainda repliquei que existimos sempre, apenas fingimos que não estamos cá. Nada que convencesse a Rita, que hoje estava diferente, demasiado melancólica para o meu gosto.

Esperava que ela fosse mais longe, mas não. Não lhe apeteceu falar dos seus problemas. Podiam ser coisas de casa, coisa do trabalho... ou deste tempo, do céu cinzento, que nunca fez bem a ninguém.

Depois, já no cacilheiro, senti que ela tinha razão. Há períodos das nossas vidas que estão pintados de branco, onde parece que não se passou nada... pelo menos, marcante, algo que permanecesse na "arca das memórias"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

«A inteligência é uma chatice do caraças»


Ele ali estava, com um café e um cálice com uma aguardente velha à sua frente, preparado para defender, mais uma das suas causas perdidas.

Começou por dizer que «a inteligência é uma chatice do caraças.»

E depois continuou o monólogo, enquanto acompanhava com o olhar uma mulher bonita. «As gajas é que são espertas, quando querem namorar com um pássaro qualquer, preferem alguém para partilhar a futilidade, a diversão e o prazer. A inteligência é uma das coisas que ficam sempre à entrada da porta, tal como os chapéus de chuva.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

«Pagas-me um café?»


Estava distraído, longe do interior do café, como estou tantas vezes...

De repente ouvi uma voz feminina a perguntar-me, «pagas-me um café?»

Abanei a cabeça, com um sim, quase ao mesmo tempo que olhava a mulher jovem, sem conseguir esconder a estranheza do pedido.

Não a olhei com qualquer malícia. Pensei sim, que podia muito bem ser minha filha, se tivesse começado a procriar mais cedo. 

Tinha o meu pequeno caderno, que está quase cheio, aberto... Enquanto ela pediu , bebeu o café e se começou a levantar, escrevi duas folhas com palavras.

Depois ela despediu-se com um obrigado e um sorriso. Retribui a cara alegre, mas sem palavras...

Ela saiu e eu fiquei a pensar que ainda não me tinha acontecido nada assim. 

Já me tinham cravado um ou dois cafés, algumas cervejas, mas coisas de homens, quase sempre usados pela vida, que nem me deram tempo para os olhar, e muito menos agradeceram com um sorriso doce.

Só não percebi porque razão não lhe ofereci uma única palavra dita (só escritas...).

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, janeiro 26, 2019

A Estupidez Crescente do Comentário Televisivo e a Banalização da Memória


Se há coisa que me incomoda ouvir nas ruas e nos cafés são as discussões doentias sobre futebol, quase sempre distantes do jogo em si, pois fala-se sobretudo de clubes e de árbitros. 

Sim, raramente ouço falar da beleza do jogo, da qualidade técnica dos jogadores ou da sabedoria dos treinadores (ou da falta de ambas as coisas...). 

O amor e o desamor pelos clubes torna impossível a existência de uma conversa normal sobre um jogo de futebol. A "cegueira" e a desconfiança (sempre que uma equipa é beneficiada a primeira coisa que se diz é que "o árbitro estava comprado"...) são mais fortes que tudo o resto.

O mais curioso, é que estas "discussões de café" são alimentadas diariamente em programas transmitidos nos canais de notícias dos principais operadores televisivos, com comentadores que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, sem qualquer pudor.

O grave da questão é que esta "clubite", também é, cada vez mais, praticada na política, e pelos próprios dirigentes  partidários (muitos deles também comentadores televisivos, que têm o mesmo comportamento dos seus colegas do desporto, dizem uma coisa hoje e amanhã outra, completamente diferente, como se não existisse memória...

Só assim é que se percebe que quando o líder do maior partido de oposição apoia a existência de "pactos de regime", em áreas sensíveis como a justiça ou a  saúde, defendidas pelo Presidente da República, tenha a oposição de gente do seu partido, que prefere o "bota abaixo", a "intriga" e a "mentira", à defesa dos interesses e das condições de vida dos portugueses e de todos cidadãos que vivem no nosso país.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

terça-feira, janeiro 15, 2019

Foi Também por Isso....


Já não tenho muita paciência para algumas conversas gastas, sobre as mudanças sociais, que todos conhecemos.

Se a sociedade é mais individualista (e egoísta...), é natural que isso se note também na forma como as pessoas interagem umas com as outras. Reparar que falam e olham menos umas com as outras (ainda por cima têm a distracção do telemóvel, que as mantém acima dos últimos acontecimentos na China e na América...), é quase uma "lapalissada". 

Quem ainda finta esta realidade são as pessoas de mais idade, ainda sem "smart fone", que mantêm alguns hábitos antigos. Talvez seja por isso que ainda enchem alguns cafés e pastelarias, na hora do lanche.

Foi também por isso que escolhi esta jovem da fotografia que, quase parece uma "formiga sozinha no carreiro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, dezembro 19, 2018

A Cantora de Cabaré da Rua Detrás


Durante anos não se sabia muito bem o que fazia, embora se percebesse à légua que era uma ave nocturna.

Era bonita, dona de uma beleza pouco comum, quase exótica. A brancura e as sombras no rosto não enganavam, o Sol não só não a entusiasmava como não a iluminava...

Lembro-me que durante muito tempo fez parte das nossas conversas de café, também elas nocturnas. A vulgaridade e a sujidade tomavam conta de nós, pouco satisfeitos com o seu mistério. Foi o Alípio que numa noite desvendou o seu quase "segredo", afirmando que ela cantava em bares, e bem, quase sempre coisas da américa, negras e brancas.

Depois descobrimos o seu nome artístico e soubemos mais coisas da sua outra vida como cantora.

Não se incomodava de cantar em lugares onde as mulheres se despiam, com e sem arte, depois da uma da manhã. Em nome da sobrevivência, aceitava todas as oportunidades para cantar, ora com os dois músicos que a acompanhavam, um pianista e um contrabaixista, ora em play back.

Outro dos seus mistérios, era não se conhecer nenhuma companhia masculina ou feminina, para além da mãe e irmã.

Foi também por isso que o poeta da nossa rua um dia  lhe escreveu um poema. Falava da sua solidão e também da sua beleza e maldita sina, de não conseguir sair da escuridão...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Cinema, Circo e Palavras...


Estávamos a falar de cinema, de "O Livro de Imagem", de Jean-Luc Godard e do bom que era encontrarmos-nos para conversarmos sobre o que parece interessar cada vez a menos pessoas, quando fomos interrompidos por uns "meliantes" que ocuparam as mesas ao lado e  davam mostras de ter bebido mais que a conta, mesmo que ainda estivéssemos na hora de almoço.

Nós falávamos de cinema e eles aparentemente de circo. Apontavam o dedo a uns tipos com artes de "fantoches" e "palhaços", ausentes, ao mesmo tempo que assumiam o seu papel de "ursos" e "camelos" (palavras deles), no palco da vida...

Olhámos uns para os outros e passámos quase a falar com sinais, sem condições de nos ouvirmos, tal era a "festa" alheia. Esperámos que aquela "vaga" despachasse os cafés e águas ardentes e continuasse a sua marcha.

E depois ficámos pelo "circo", já não conseguimos voltar ao "Livro" de Godard...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 18, 2018

A Perda de Identidade...


Quando mudamos de país, é natural que com o passar do tempo, acabemos por ficar "aculturados". Só se vivermos num "guetto" é que conseguiremos resistir ao "novo mundo" que nos rodeia.

Esta evidência transporta aspectos positivos e negativos, como quase tudo na vida.

Falámos disto enquanto bebíamos café, porque um rapaz de cor escura, na mesa ao lado, vestido de fato completo e gravata, era completamente ocidental.

Quase ao jeito de anedota, o Carlos disse que já não havia pretos como antigamente, vestidos com roupas garridas e sem nunca prescindirem da companhia de uma máquina fotográfica ao peito, rádio numa mão e bicicleta noutra.

Sorrimos todos.

Foi então que a Rita disse que uma boa parte dos africanos deveria continuar a gostar destas coisas, mas como o olhar dos outros é muitas vezes castrante e olham-se ao espelho antes de sair de casa...

Eu abanei a cabeça e disse que sim. Acredito que muitos dos que nasceram em África, tal como aqueles que se orgulham das suas origens, continuam a gostar das cores vivas, da música, que quase lhes corre no sangue, e até da magia da fotografia...

O rapaz  da mesa ao lado provavelmente nasceu por cá e foi educado como se fosse um de nós. Ou seja, apesar da tonalidade da pele, é um europeu... nem sei se neste caso possa falar de perda de identidade.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 31, 2018

As Notícias e as "Não Notícias" do País...


Tive uma conversa de café sobre o jornalismo que se vai fazendo cá dentro e lá fora e percebi que a tendência que há em culpar os EUA e o Trump por todos os males do mundo, é muito maior do que pensava...

Mas falámos sobretudo do facto de o Verão ser normalmente farto em "não notícias", do interesse que desperta a vida dos famosos, etcétera, em todos os jornais e revistas.

A "escandalosa" (foi esta mesmo a palavra utilizada...) contratação de Cristina Ferreira, por valores ao nível de um grande jogador de futebol também andou aos pulitos (trambolhões talvez seja a palavra mais indicada...) na mesa. 

Defendi a "cara da notícia" (não lhe posso chamar jornalista porque ela não faz jornalismo, dedica-se sobretudo ao entretenimento...), como a menos culpada de todo o processo. A SIC é que sabe, se a Cristina vale ou não os valores de que se fala... Embora seja uma possibilidade pouco provável, não devemos descurar completamente a hipótese de assistirmos a parte do retorno económico que o Cristiano Ronaldo trouxe à Juventus...

Quando quiseram colocar a contratação da apresentadora nas "não notícias", disse-lhes que era de todo impossível. Aliás, era notícia até para "capa de jornal"...

É um acontecimento invulgar, os valores de que se fala por aí "cantam" muito alto, e têm mesmo de ser notícia. Especialmente no nosso pequeno país, pelas mudanças que irá provocar e pelo conforto e desconforto (algumas "vedetas" televisivas poderão ficar com "urticária"...) que irá provocar nos meios televisivos...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, julho 09, 2018

Esta Vida Cheia de Metáforas...


A vida passa o tempo a oferecer-nos metáforas, para melhor a compreendermos, mesmo que normalmente, estejamos virados para outros lados...

Continuo convencido que quem cria, pensa mais que as pessoas ditas normais, mesmo que encha a cabeça de "inutilidades"... Sim, porque, pensar mais não significa pensar melhor.

Tudo isto porque não estava à espera que a "despromoção" de um gajo ordinário, acabasse por ser tão exemplar, ao ponto de ser conversa de café, porque o homem da "corte" (sempre rodeado de gente bonita, bem vestida e falante...), bebia agora a bica sozinho e quase às escondidas ao balcão do café do Júlio.

Apesar da estranheza, sabíamos que nunca seríamos solidários com alguém que nos tentou prejudicar de muitas maneiras, mesmo que nem sempre o conseguisse. Ou seja, que ficasse distante e sozinho a beber o seu café, e que não mordesse a língua muitas vezes, porque o "veneno" continuava lá...

Foi a Rita que perguntou para a geral, se ele teria aprendido alguma coisa, com o que lhe acontecera. A maior parte de nós disse que não. Conhecendo a "espécie", sabíamos que ele era único que continuava certo, quando falava para os seus botões. Tinha sido o "mundo", que se erguera para o tramar, injustamente, como costuma acontecer nestes casos...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, julho 07, 2018

As Gentes do Café...


Estava no café e ao olhar para os clientes, reparei que conheço alguns há mais de vinte anos, e tudo começou por ali...

Claro que também há entre eles, algumas pessoas com quem nunca troquei uma palavra, nem mesmo um bom dia ou uma boa tarde (são o caso do casal que aparece na fotografia, entretidos a folhear os jornais com que enchiam a mesa...).

Fixei-me mais numa senhora, que já deve ter perto de noventa anos. Quando a conheci já enviuvara há alguns anos. Reparei que não mudou muito entre os setenta e os noventa (posso estar enganado, até por nunca ter consultado o seu bilhete de identidade...). Está um pouco mais dura de ouvido, mas continua a vestir-se com elegância e a oferecer-me um bom dia ou um boa tarde, sempre que nos encontramos...

(Fotografia de Luís Eme)