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quarta-feira, junho 12, 2019

A Vontade de Fugir a Sete Pés do Contraditório


Olho à minha volta e sinto que cada vez há mais instituições e gentes a quererem viver sem os "constrangimentos democráticos", tentando escapar sempre que podem ao contraditório. Eu sei que discutir as coisas com os outros, especialmente com quem pensa de uma forma diferente de nós, é realmente uma chatice... Mas também sei que continua a ser o melhor caminho para se encontrarem as melhores decisões (no meu entender, claro...). 

A nível empresarial, o que aconteceu na TAP, é um bom exemplo de quem acha que pode tomar decisões, sem ouvir os outros accionistas (neste caso ainda é mais grave porque o Estado é o accionista maioritário...), apenas por que é mais agradável fazer o que nos diz o nosso umbigo.

A nível associativo também conheço vários exemplos, em que se tenta escapar a decisões tomadas em assembleias gerais (decididas pela maioria dos sócios), apenas porque contrariam a linha do pensamento de quem dirige...

A história diz-nos que quando a democracia começa a perder, o "terceiro estado" (nós, o povo, essa imensidão de gente...) é sempre o principal derrotado...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, março 23, 2019

A Tal Amizade, sem Medida...


Ao longo dos últimos vinte anos participei em dezenas de lançamentos de livros. Quase sempre de amigos. 

Em mais de uma dúzia escrevi prefácios e fiz a sua apresentação. Mas também aconteceu, mesmo sem ser o apresentador da obra, os autores, amigos, fazerem questão que eu estivesse presente na mesa de honra, para lhes oferecer algumas palavras. É quase sempre uma forma de agradecerem a amizade (mesmo que esta não se agradeça...) e também o apoio que oferecemos à edição.

Nos últimos tempos recusei esta "honra" meia-dúzia de vezes. Não só achei que não fazia sentido (não devemos nos repetir  e mostrar em demasia...), como também senti que faltava a "chama da amizade", que nos faz fazermos, até o que não nos apetece, pelos amigos... 

É, a algumas pessoas quase nunca somos capazes de dizer não. E ainda bem que isso acontece (como hoje, por exemplo...). É sinal de que a amizade que sentimos por elas é tão grande, que não nos dá espaço para pensarmos em coisas pequenas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, março 17, 2019

Saudades de Enfrentar as "Ondas do Mar"...


Às vezes tenho saudades do tempo em que era muito teimoso, ao ponto de nadar contra a corrente, umas centenas de metros. Era jovem, lutava mais e pensava menos. Mas nem por isso fugia da "felicidade". Sim, a "ignorância" sempre foi atrevida.

Sei que esta teimosia manteve-se pelo menos até às entrada dos cinquenta. Claro que nestes últimos anos, mais inteligente. Mas era a forma que eu tinha dentro de mim para me ajudar a contornar obstáculos...

E devo confessar, que vencer algumas batalhas, travadas contra muitos "velhos e novos do restelo", que andavam sempre com as palavras "impossível" e "muito difícil" no bolso, dava-me um gozo terrível.

Ao escrever sobre isto reparo que esta é a prova de que já começo a estar demasiado usado pela "puta da vida"...

(Fotografia de Luís Eme - Santa Rita)

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, dezembro 31, 2018

«Tudo é possível, até o impossível»


Este ano de 2018, que se está quase a despedir, foi um ano curioso, para não lhe chamar outra coisa.

Aconteceu um pouco de tudo. Houve dois ou três episódios, que não só me ajudaram a seguir outros rumos, como fizeram com que percebesse, ainda melhor, a natureza humana (vi com mais nitidez o que as pessoas são capazes de fazer, para se manterem no poder - por mais pequeno que ele seja...).

Uma das coisas mais positivas, foi ter conseguido mais tempo para mim, para fazer coisas que me dão prazer. 

Andei mais, por aqui e ali, a descobrir coisas. Li muito. Nunca tinha lido tantos livros num só ano (quarenta e nove...). E claro que também escrevi bastante. Até aqui no "Largo" (foi o ano que escrevi mais textos, 314, com este de despedida de 2018). E para não variar, fotografei, exageradamente, muitas vezes apenas por que sim (deve ter sido por isso que utilizei tantas fotografias da minha autoria nos meus blogues. 273 no "Largo", 76 no "Casario" e 31 nas "Viagens", nada mais nada menos que 380 imagens).

É também por isso que espero por 2019, com grande tranquilidade. Embora esteja envolvido em meia-dúzia de projectos, colectivos e individuais, não há nenhum que seja decisivo, para o que quer que seja. São apenas, para desenvolver, sem pressões, sem prazos. O que é muito bom. Pois todos eles têm tempo suficiente para respirar e para decidirem "o que querem mesmo fazer da vidinha"...

Para terminar, desejo um bom ano de 2019, também tranquilo e inspirador, para todos os visitantes do "Largo".

(Fotografia de Luís Eme - O cartaz do "Regresso da Mary Poppins", não aparece aqui por acaso, ele diz-nos que «tudo é possível, até o impossível)

segunda-feira, dezembro 03, 2018

As Boas e as Más Memórias...


Não deixa de ser curioso o que as pessoas fazem com as memórias. 

Para algumas pessoas, as más são para esconder em qualquer baú, que existe algures dentro de nós. Se puderem dão preferência às coisas boas, porque sabem que os dias felizes são bem melhores que os outros...

Embora isto tanto possa acontecer, voluntária como involuntariamente. Sim, podemos ser nós a querer esconder os passados maus (o que nem sempre se consegue com sucesso...), ou pode ser a própria memória a trocar-nos as voltas...

Lembrei-me disto quando um grupo de octagenários me falaram da "fome" que os perseguiu durante a infância, enquanto a Europa se "autodestruia" na Segunda Guerra Mundial.

Falaram desses tempos sem qualquer problema, cientes, de que há coisas na vida que não são para esquecer...

Recordaram com emoção o senhor Oliveira, que andava pela Vila de Almada a distribuir pão, com um pequeno carrinho (quase em jeito de "caixa de pão"), pelos lares dos sócios da Cooperativa Almadense (era praticamente toda a gente, porque a "caderneta" permitia pagar tudo no final do mês, mesmo nos meses que tinham mais de trinta dias...). Com ele havia pão para todos, sabia que o pão não se negava a ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, julho 10, 2018

Olhar para Trás e Seguir em Frente...


Sei que normalmente são os outros que nos "motivam" ou "desmotivam", para fazer isto ou aquilo. E nem sempre pelos melhores motivos.

Digo isto porque a minha "teimosia" (provocada pelos tais "outros"...) funcionou muitas vezes como factor de motivação e de realização de projectos, colectivos e individuais. Foram anos a anos a "levar porrada", daqui e dali, para no final, sorrir com satisfação, por ter construído alguns "impossíveis", para desencanto  dos "velhos" (de todas as idades...), que não habitam apenas no "restelo"...

Sei que hoje sou outra pessoa. A "teimosia" (que dava um "trabalho dos diabos", diga-se de passagem...) deixou de ser o tal factor de motivação extra e tenho ficado mais tempo a ver passar mais comboios, que a correr atrás deles...

Às vezes tenho saudades destes tempos de "correrias contra o tempo" (e contra algumas pessoas, que até esticavam a perna, a ver se eu saltava ou caía...), outras nem por isso.

Mas como, de uma forma geral as pessoas são mal agradecidas e gostam de desvalorizar o trabalho dos outros, não me  sabe nada mal, ver o "filme" sentadinho na plateia...

(Ultimamente o blogue tem funcionado mais como "diário", talvez porque estou numa daquelas fases que olho mais para dentro de casa e menos para a rua...)

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 21, 2018

Os Muros Invisíveis que Construímos...


Ao cruzar-me com um rapaz ligeiramente mais velho que eu, lembrei-me de um episódio festivo que aconteceu há pouco tempo, em que me deixei ficar, quase "fechado", dentro de um grupo de amigos. Na altura não pensei muito no caso, mas sempre que o vejo,  recordo a cena, a sua chegada, a tentativa de intromissão, e o fazerem de conta que ele não estava ali (papel bem interpretado pelas mulheres, que estavam em maioria...). Inteligente, bebeu o café e foi embora.

Nunca me falou no assunto, mas como tenho o velho hábito de me colocar no seu lugar, imagino que se deve ter sentido incomodado, até por nos conhecer a todos, uns melhores que outros.

Com o tempo fui percebendo que havia pelo menos dois grupos entre estas gentes das culturas (talvez tivesse um pé nos dois (mas só os dedos...), por me dar bem com praticamente todos os seus elementos. E ele até é do outro grupo...

Quem evita fazer parte destes grupos demasiado fechados, que gostam de perder tempo a falar de "coisas pequeninas", acaba por ser olhado de lado pelas duas partes. No meu caso pessoal, acho que isso nem acontece. Mas não era nada que me incomodasse, até por passar ao lado de uma série de intrigas (sei sempre depois...), que acabam por ter efeitos nocivos na relação entre uns e outros, e no meio onde estamos inseridos. 

Mas nós humanos somos mesmo assim. Desde os tempos da escola primária que nos habituamos a querer os nossos amigos só para nós e a construir "muros invisíveis"...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 04, 2018

A Importância (ou não) dos Dias...


De há uns tempos para cá noto que algumas pessoas antecipam as datas de comemorações importantes, quase sempre apenas por conveniências próprias. Fico com a sensação de que estão com medo de que as suas iniciativas acabem por ser um fracasso, graças à provável "concorrência" nos dias festivos...

Um desses exemplos é comemoração do Dia Internacional da Mulher em Almada, pela União de Juntas Urbanas. Há pelo menos três anos que esta data é antecipada.

Este ano também reparo que se está a preparar uma homenagem a Alexandre Castanheira (por algumas associações almadenses, inclusive as a que pertenço...), que terá lugar a 17 de Março e onde se publicita o Dia Mundial da Poesia. 

Não sei de quem partiu a ideia, mas não me parece muito inteligente esta antecipação, porque uma coisa é o Dia Mundial da Poesia, outra é uma homenagem a Alexandre Castanheira, que nos deixou este ano, que entre outras coisas, foi um grande poeta de Almada.

Por este andar, e com esta nova filosofia, qualquer dia começamos a festejar os nossos aniversários, quando nos apetecer...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, janeiro 14, 2018

Lá Voltam os Espelhos...


Dos poucos amigos que tenho, dois são bastante radicais e excessivos. Isso acontece porque não só se estão borrifando para o "politicamente correcto", como são incapazes de tolerar hipocrisias e cinismos. 

Ficam muitas vezes mal na fotografia. Mas não é nada que os incomode muito, diga-se de passagem.

Eu que também não sou das pessoas mais "moldáveis", noto que ao pé deles passo quase por um tipo "tolerante". Isso acontece sobretudo por saber (por experiência própria...), que "partir louça" normalmente não resolve nenhum problema (às vezes ainda os agrava mais...).

Muitas vezes chamo-lhes "revolucionários" e "anarquistas", e mesmo sabendo que têm razão em muitos pontos de vista, tento puxá-los até às linhas do razoável. Sei que não lhes posso dar demasiada força, porque estes tempos não estão para "revoluções" e exigem mais inteligência e esperteza que o normal para lidar com o coro de "hipócritas e cínicos", que nos abordam quase sempre com sorrisos e palminhas nas costas...

Estes dois bons "radicais" têm ainda outra particularidade, quando são amigos são mesmo a sério, nunca falham (claro que acontece exactamente o contrário com os "inimigos", mas estes que se danem, como diz o outro...).

(Óleo de Franz Van Stuck)

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O Associativismo e o Poder...


Não vale a pena bater mais na "ceguinha", ou colocar em causa uma instituição de utilidade pública (mesmo que não tenha o estatuto...), que cresceu demasiado e começou a ser gerida como uma "empresa", até por prestar serviços que a obrigam a ter um número significativo de funcionários.

O que é mais relevante neste caso é o exemplo (mais um...) do que as pessoas fazem com o poder, especialmente no movimento associativo, com demasiados casos de associações vitimas de gestões danosas, por parte de dirigentes incompetentes e com poucos escrúpulos. Não deixa de ser curioso, que acabe por parecer mais fácil, dirigir uma colectividade que vive o seu dia a dia com dificuldades, que uma que viva desafogadamente...

Isto acontece porque uma boa parte das pessoas não sabem (acho que não querem saber...) gerir instituições que tenham dinheiro. Dinheiro esse que continua a ser o alvo de todas as tentações, e que faz com que se dêem tantas vezes, passos mais largos que as pernas, que acabam por ter consequências desastrosas.

Mas o problema maior é o alheamento das pessoas, mesmo que sejam associados desta ou daquela colectividade. De uma forma geral não se preocupam com as questões colectivas, só perdem tempo quando estas se "individualizam" e lhes batem à porta e os obrigam a agir (muitas vezes tarde demais). Mas se isso não acontecer, continuam à espera que sejam os outros a resolver os problemas que deviam ser de todos...

Claro que esta problemática tem muito a ver com a sociedade onde estamos inseridos, do facto de não sermos educados a intervir e a participar, ter uma voz activa e estarmos atentos ao mundo que nos cerca. E não será com os políticos que temos (uma boa parte deles medíocres e pouco honestos...), que as coisas mudarão. Até por que não querem perder o "poder" que têm (basta ver a forma como são sempre selectivos a escolher os seus pares, ou seja, nunca se rodeiam dos "melhores", para não perderem os seus lugares...).

Enquanto não resolvermos esta questão cívica e de cidadania, não iremos a lado nenhum. Só quando as pessoas sentirem que é sua obrigação intervir nas instituições que regem o seu dia a dia (Câmaras, Juntas de Freguesia, Bombeiros Voluntários, Associações de Solidariedade, Sociedades Culturais, Clubes Desportivos, etc), conseguirão afastar os "oportunistas" que tomam conta do "poder", e em vez de servir os interesses colectivos, servem os individuais...

(Ilustração de Robert Armstrong)

quarta-feira, dezembro 13, 2017

Os Tempos da História e dos Homens...


Um amigo, Capitão de Abril, convidou-me hoje para almoçar e assistir à conversa / debate com o Comandante Almada Contreiras, na sede da Associação 25 de Abril, da série, "ESTÓRIAS... Do e Com ABRIL (Capitães)".

Além da excelente intervenção do convidado (ilustrada com alguns aspectos pitorescos...), que teve como foco principal a preparação da Revolução de Abril e dos acontecimentos que a precederam (onde teve um papel importante como responsável pelas comunicações), foi muito bom ouvir outras vozes que viveram todos aqueles acontecimentos, que o questionaram, mas que também tentaram clarificar algumas "nebulosas", que ainda permanecem bem vivas (especialmente sobre vinte e cinco de Novembro...), como foi o caso de Pezarat Correia, Martins Guerreiro ou Otelo Saraiva de Carvalho, entre outros "Capitães de Abril". 

Foi por isso que foi bom ouvir o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, falar na organização de um encontro / debate sobre o 25 de Novembro de 1975, para que existam aproximações à verdade dos acontecimentos, o que tem sido difícil, porque continuam a existir, pelo menos, duas versões dos acontecimentos, uma dos "derrotados", outra dos "vencedores"...

Todas estas contradições que ainda se mantêm, são reveladoras de que 40 anos é muito pouco tempo na história dos países...

(Óleo de René Magritte)

domingo, novembro 05, 2017

O Dia Seguinte...


Por muitos lançamentos de livros que façamos, cada um tem a sua história.

A apresentação  do meu "Passeio Mágico com Romeu Correia" acabou por ter um significado ainda mais especial, por neste dia se realizar em Almada, praticamente em simultâneo, e organizado pela SCALA, associação da qual sou dirigente, a "Festa do Associativismo Almadense" (espectáculo de música, poesia e dança).

Isso fez com que ainda acabasse por ser mais marcante ter a Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, cheia de amigos.

Outro aspecto não menos agradável é sentir que este livro a partir de ontem deixou de ser apenas meu (felizmente).

Agora só é preciso que ele cumpra o seu principal objectivo: apresentar o Romeu Correia, na primeira pessoa, especialmente a todos aqueles que não tiveram a possibilidade de conhecer pessoalmente o grande contador de histórias de Almada...

(Fotografia de Fernando Lemos)

domingo, outubro 22, 2017

Um Festival de Bandas Almadense (e Centenário)...


Há já alguns anos que a Incrível Almadense organiza o seu Festival de Bandas Filarmónicas, que é sempre uma boa oportunidade para quem gosta deste género musical e também para recordar memórias, de quando esta era a única música possível em muitos lugares deste país...

O Festival que está quase a começar (estou a escrever antes de passar por lá...), este ano tem uma particularidade bastante importante e singular. As três bandas que a Incrível convidou são as suas congéneres do Concelho de Almada, S.F.U.A. Piedense, Academia Almadense, e Musical Trafariense, todas elas centenárias, tal como a "Mãe" do Associativismo Almadense...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 20, 2017

O Poder pelo Poder (apenas isso)...


Hoje percebi - mais uma vez -, ainda que num universo menor, o que o poder faz às pessoas. A forma como as pessoas se agarram a qualquer pedacinho de notoriedade, mesmo que seja a presidir o clube da rua, é uma coisa quase surrealista.

Não vi nenhum interesse em querer melhorar, ou mudar as coisas, vi sim uma vontade férrea em continuar, até à "derrota final"...

Infelizmente os pequenos exemplos podem facilmente serem transpostos para as governações mais importantes, seja no governo central, local, ou até na própria junta... cuja governação é mais complexa do que o que parece, especialmente para quem não percebe a importância da proximidade para as gentes.

Claro que a culpa é de todos nós, que aceitamos que quem tem mais lata e lábia, "trepe muros e paredes", a seu belo prazer, para chegar ao lugar ambicionado. Mas apenas por isso, pelo cargo e pelas possíveis benesses, nunca para servir os outros, ou fazer algo que contribua para a melhoria da sua qualidade de vida...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 05, 2017

Festejar 169 Anos Todos os Dias...

Hoje é um dia especial, e não apenas por a República ser muito mais bonita que a Monarquia, também foi pensada para ser mais justa e igualitária...

Felizmente a realização da Sessão Solene da Incrível Almadense coincide muitas vezes com o 5 de Outubro, festejando-se a Democracia e o Associativismo, duplamente, em Almada, uma Terra profundamente republicana.

Foi o que aconteceu hoje à tarde, com o Salão de Festas a receber a visita das forças vivas da Cidade, que ofereceram discursos mais sentidos e também com mais história que o costume, não estivessem eles na " Colectividade-Mãe" do Associativismo Almadense, que está a festejar o seu 169.º aniversário durante todo o mês de Outubro. 

Joaquim Judas e António Matos, presidente  e vereador da Cultura do Município de Almada (cessantes) falaram com grande lucidez, evocando a história da Incrível que se confunde com a história de Almada, sem fugir aos tempos que se avizinham (e sem qualquer ressentimento...). Não só transmitiram confiança à assistência incrível, como afirmaram que continuarão presentes no dia a dia de todos nós.

Estes dois nossos governantes sabem melhor que ninguém, que há um equilíbrio de forças em Almada (empate técnico, quatro vereadores do PS e quatro da CDU - além de dois do PSD e um do BE), pelo que faz todo o sentido colocar em funcionamento a tão célebre "geringonça", que tão bons resultados tem obtido no país.

Quem como eu, não gosta de "maiorias", sabe que, para bem de todos nós, o PS e a CDU têm mesmo de se entender. Há todo um capital de experiência (são 41 anos no poder...) que poderá ser útil aos socialistas, que de forma completamente inesperada, ficaram com os destinos de Almada nas mãos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, setembro 21, 2017

Um Artista, entre Artistas Almadenses...


Há pouco mais de uma hora foi inaugurada a exposição artística da Imargem, na Galeria Municipal de Almada.

É uma mostra de arte de grande qualidade - uma das melhores do Concelho - que conta sempre com vários trabalhos de gente amiga. 

Os três homenageados deste ano são de alguma forma especiais. A Gena pelo companheirismo e pela amizade que partilhámos...  A Aurora e o Carlos, porque são de facto dois grandes artistas plásticos, da nossa Cidade.

Apetece-me dar um destaque especial ao Carlos Morais e à sua obra, por que esta tem um cunho muito pessoal, tornando-se facilmente identificável, pela qualidade estética.

Nesta fotografia podemos ver um quadro e uma pequena escultura da sua autoria, que como calculam, são ainda melhores ao vivo...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 20, 2017

Somos Quase Sempre Mais Esquecidos do que Devemos...


Não foi só agora que reparei, que o tempo passou por ele, e nunca foi bafejado por nenhuma homenagem, apesar de possuir qualidades humanas pouco comuns, mesmo numa cidade que se diz solidária. 

Faltou-lhe ser "camarada" (mesmo que fosse desses fingidos...), para ser olhado com olhos de ver pelo "poder". Nada que o incomode ou incomodasse...

Faltou-lhe ser "lambe-botas", andar por aí de sorriso aberto para tudo e para todos. Mas o pior foi dizer sempre tudo o que lhe ia na alma, sem se preocupar com os que o olhavam de lado, por detestarem a verdade.

O mais curioso tem sido a sua participação activa em inúmeras homenagens aos "outros" (vários deles nunca lhe chegaram aos calcanhares...). "Outros" que nunca se lembram dele..
.
É também por isso que quando olha à sua volta, sente que a sua maior medalha foi nunca ter recebido qualquer insígnia do Município.

Olho para ele e sinto que o "mundo" nunca se preparou para lhe agradecer. Sempre  gostou mais do homens agradáveis, de sorriso e palavra fácil, mas que fogem sempre que podem das  "nuvens" que aparecem no ar e cheiram a problemas...

Este mundo quase de fantasia (hipocrisia é mais real...) não gosta de quem prefere o anonimato e a sombra, quem é incapaz de distribuir sorrisos na rua, apenas por que sim, nem de quem ajuda quem necessita com discrição, ao ponto de ser capaz de fazer uma cara feia ou dizer uma frase de mau gosto, só para que não o encham de agradecimentos.

Eu sei que este é o "mundo" que temos, mas não precisava de ser tão injusto...

(Fotografia de Xavier Miserachs)

quarta-feira, abril 12, 2017

O Homem que Nunca foi Preso...


O António nunca se sentiu diminuído pela ausência de anos de prisão no seu passado antifascista. Muito pelo contrário, sorri de contentamento quando recorda as muitas vezes que esteve "quase, quase", mas que sempre conseguiu escapar. Foram inúmeras as vezes que teve de se ausentar para parte incerta, durante algum tempo (a sua profissão ligada ao comércio ajudava nessas "fugas"), até que recebesse a informação de que as coisas tinham acalmado e já não havia ninguém a cirandar a sua rua.

Sente um orgulho secreto por ter escapado a mil e uma armadilhas, por ter sido quase sempre extremamente cuidadoso (ainda hoje há quem lhe chame picuinhas, esquecidos que foi isso que tantas vezes o salvou...).

Sorri quando se metem com ele e lhe dizem que é menos "herói" que outros, cujo passado conhece de fio a pavio, e por isso mesmo sabe, que a única coisa de relevante que fizeram foi andarem demasiado distraídos, ao ponto de serem feitos prisioneiros, colocando outros camaradas e o  próprio Partido em risco.

Tem mil e uma histórias rocambolescas, que ainda estão por contar, além de outras mais que batidas, como as da tipografia portátil que funcionou em vários lugares, onde imprimiu juntamente com outro companheiro milhares de "avantes" e de outros folhetos, que foram distribuídos nas fábricas e nas colectividades da então vila de Almada...

O António é o melhor exemplo que conheço de que é um erro analisar a capacidade de luta e de intervenção antifascista, pelos anos que se têm de prisão.

(Óleo de Leon Mathieu Cochereau)

quinta-feira, março 30, 2017

A Teimosia, Essa Minha Força Motriz...


Ainda ontem falei nisso com amigos. Se não fosse ser teimoso e gostar de contrariar alguns pessimistas, não teria feito mais de metade das coisas que fiz nos últimos anos.

Alguns "fantoches" que passaram por mim ao longo dos últimos vinte anos, bem arrependidos devem estar por de certa forma terem sido a "força motriz" de toda esta minha vontade de fazer coisas...

O mais curioso é saber exactamente como tudo começou, quando alimentei a ideia de se fazer uma exposição de homenagem a um grande pintor almadense, que falecera um ano antes e era fundador da SCALA, uma associação que continua a ser minha - juntamente com a Incrível. 

Um dos elementos que devia fazer a ideia avançar, pelas suas funções directivas, decidiu começar a colocar obstáculos, quase sempre coisas pequeninas de gente miudinha. Enquanto ele pedia ajuda aos "profetas da desgraça" eu quase que corria, por outras ruas, porque era preciso andar para a frente e fazer coisas. E as coisas que que eu fiz, desde ir a galerias de arte lisboetas buscar quadros emprestados a fazer um folheto, uma gravura, um boletim especial...

Claro que tive muitas ajudas, mas esta foi a minha primeira vitória no mundo do associativismo, contra os "velhos de Almada"...

(Aguarela de Arménio Reis - o tal grande Pintor Almadense que mereceu todas as batalhas vencidas...)