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terça-feira, março 19, 2019

Querer Trocar um Olhar e um Sorriso...


Acho que nunca falei aqui do meu Pai, ou se falei, foi de uma forma quase invisível.

E aqui há três ou quatro dias, escrevi algumas frases no meu bloco de todas as horas, num daqueles períodos, em que estamos a olhar para essa coisa gigantesca, que é o "nada". Pensei que num dia de mais inspiração, podia transformar estas palavras num poema...

«Lembro-me de ti. 
Tenho saudades.
Apetecia-me ver-te, poder dizer-te, olá!
Não precisávamos de falar, Pai.
Só precisávamos de trocar um olhar e um sorriso...»

No domingo fomos passear em família. A fotografia que publico é do meu filho, que tem uma relação com as alturas parecida com o avô. Até lhe contei um episódio, em que eu o meu irmão e ele fomos às pinhas (das boas, as que têm pinhões...). Nós tínhamos vinte e muito poucos anos e ele cinquenta e qualquer coisa. O que é certo é que foi ele que se descalçou e trepou até quase ao cruto do pinheiro enorme, deixando-nos  cá em baixo, quase de boca aberta. 

Nós que fazíamos desporto e gostávamos de aventuras...

(Fotografia de Luís Eme - Alcácer do Sal)

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Viagens Só com Bilhete de Ida e Histórias de Amor Trocadas...


Há pessoas que partem, para não voltar.

Sei que são mais do que parecem... Porque só algumas cabem na nossa memória.

Se um amigo não começasse a falar da nossa rua de infância e das pessoas que cirandavam à nossa volta, não me recordaria da Dulce. 

Falámos dela por nunca mais termos tido qualquer notícia. Um amor tonto e uma gravidez inoportuna levaram-na para o Canadá e depois para a Austrália.  

Ele gostou dela... talvez por ela não gostar dele. O que não faltam por aí são histórias de amor trocadas.

Entretanto passaram trinta e alguns anos e um sem número de histórias com casamentos, divórcios, filhos, netos, amantes...  

Ele confidenciou-me que gostava de a voltar a ver. Disse-lhe que talvez fosse boa ideia comprar um bilhete para a Austrália, até porque  se ela alguma voltou ao nosso país, foi quase de forma clandestina, apenas para ver os pais e os irmãos.

A Dulce é apenas um exemplo de que os sítios onde vivemos e as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias, nem sempre nos deixam felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Cabo Espichel)

terça-feira, novembro 20, 2018

«Gostamos menos das coisas, todas, incluindo as pessoas...»


Talvez...

Foi a palavra que me saiu, quando a Dulce me disse: «gostamos menos das coisas, todas, incluindo as pessoas...»

Entretanto fui andando até a casa e não foi difícil chegar à conclusão de que o meu talvez já era um sim.

Tudo parece custar pouco, tudo parece insignificante, especialmente para os nossos filhos, que em vez de os empurrarmos porta fora, de vez enquanto, continuamos a guardar um lugar para eles, no "colo". 

E pior, deixamos que eles vistam e calcem marcas, mais pelo preço e pelo nome que pela qualidade ou beleza. Sem falar do telemóvel, quase da última geração.

E não sei se é possível voltar a gostar das coisas, como se gostava ontem, incluindo as pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 02, 2018

«Não, não é sempre não!»


Com cinquenta e seis anos de idade, casado e pai de dois filhos, podia ficar por aqui em silêncio. Era muito mais confortável.

Mas não me apetece. Estou farto de puritanismos e do politicamente correcto.

Sei também que podia esperar algum tempo, por causa dos ecos  de  revolta por causa de mais uma sentença absurda dos nossos tribunais, que penaliza claramente a mulher, em relação aos violadores.

Com todos estes movimentos em defesa da mulher e com o avolumar das suas acusações de violação (algumas com quarenta anos...), sinto que estão a querer destruir as relações entre um homem e uma mulher, todos os jogos de sedução que alimentavam o "amor". Não sei se apenas por que sim, ou se existe qualquer outro propósito social, aparentemente obscuro.

Eu ainda pertenço a uma geração em que por vezes a mulher dizia, não, ou não sei se, quando lhe apetecia dizer, sim (porque só as "galdérias" é que não se faziam difíceis...).

Claro que aceito que muitas vezes devíamos ter levado a sério um "não", e não o fizemos. Da mesma forma que muitas vezes ouvíamos um "não", sem que a nossa amante deixasse de nos beijar, apertar o corpo contra o nosso e relaxar as pernas...

É por isso que eu continuo a pensar - provavelmente mal -, ao contrário do que ouço por aí, que  «não, não é sempre não».

(Fotografia de Henry Clarke)

domingo, setembro 16, 2018

Domingo, Dia de Pintar Paredes...


Um domingo grande, que começou cedo e acabou tarde...

Eu sei que talvez tivesse sido mais fácil contratar um pintor, mas de certeza que seria menos cansativo e também menos divertido (e menos barato, claro...).

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 12, 2018

«Não estejas à espera de ética no amor»


Há homens que fingem perceber mais de amor que o resto da "matilha", por terem aberto e fechado muitas portas a mulheres.

Era por isso que aquele "belo exemplar" insistia para com o Pedro: «Não estejas à espera de ética no amor, já tens idade suficiente para não ser passarinho». Com o seu ar experimentado acrescentou: «resume-se tudo ao desejo e à paixão, e quanto mais acesa melhor.»

Eu sabia que o amor era como tudo na vida. A falta de ética, ou não, resumia-se apenas ao carácter de cada um de nós, mas preferi ficar em silêncio...

Mas a Cristina, cansada das entradas do "galã sem ética", trouxe para a mesa uma sua investida frustrada, com mais de vinte anos, quando ainda namorava o companheiro e ele tentou pôr-se no meio, pintando a manta do "amigo" da pior maneira possível.

E a sorrir continuou, dizendo que o amor era demasiado cego para pensar em coisas como a ética. E contou que à medida que ele escurecia o esboço do agora marido, ela descobria-lhe novos encantos, borrifando-se para a sua "música de serrote"...

Acabámos todos a sorrir, por descobrirmos que a "crista de galo" estava a desaparecer e também por percebermos que um bocadinho de "falta de ética" (as mulheres são melhores que nós a descobrir "carecas"...) nas conversas pode dar cabo de "muitas certezas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

A Nossa Vida Dentro dos Filmes...


Desde sempre que deixo que os filmes se misturem mais com a realidade que os livros... 

Talvez seja devido ao facto das personagens serem de carne e osso, terem um rosto, terem uma voz... 

Estava a ver o filme a passar e a sentir a ligeireza com que ele era capaz de se intrometer na minha vida. Aquele era eu, estava ali a ser retratado, a passar pelos mesmos problemas que a personagem...

Sorri, quando me lembrei que comecei a acabar um namoro praticamente à saída do cinema. Voltei a andar atrás no tempo, voltei a ver "Setembro" de Woddy Allen, onde percebi, com uma nitidez pouco vulgar, que me andava a enganar a mim próprio, e também à "mulher-vitima", quase no fim dos anos oitenta. 

Sabemos quase sempre que o amor é uma coisa diferente, mas fingimos não perceber... por mais que uma razão. Uma delas prende-se com a solidão, que nem sempre é boa companhia...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Preocupações Estranhas sobre Amores Estranhos...


Hoje no blogue "Horas Extraordinárias" comentou-se a possibilidade de Fernando Pessoa ter uma segunda namorada (uma rival para a Ofélia...), segundo novas leituras de alguns poemas de amor com dedicatória.

O mais curioso é que muitos dos estudiosos da obra do "Senhor Poetas" fingem não perceber que muitos poemas são escritos dentro dos sonhos (e até das sombras...), às vezes agarrados a mais que um rosto, a mais que um corpo...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, janeiro 17, 2018

«Preciso de um amor novo.»

Embora os homens não sejam muito de fazer confidências sobre a sua vida amorosa (dentro ou fora do casamento...) - os amigos são mais para falar das coisas do quotidiano e dos interesses que existem em comum -, são capazes de dizer coisas mais desabridas e até surpreendentes.

É mais normal do que possa parecer sermos amigos de alguém - com quem nos relacionamos quase diariamente -, e sabermos apenas que é casado, tem filhos e mora na rua tal... O nosso relacionamento faz-se apenas sobre as coisas que nos unem. Somos muito mais fechados dentro de nós que as mulheres...

Foi por isso que sorri e senti estranheza, quando um amigo quase balzaquiano que me disse com o ar mais sério do mundo, «preciso de um amor novo». Apeteceu-me oferecer-lhe outra questão, sem perder o sorriso: «E não precisamos todos?»

(Fotografia de Robert Doisneau)

terça-feira, dezembro 05, 2017

Segredos Fechados num Quarto de Hotel...


Sempre foram considerados um casal normal, mesmo quando decidiram deixar de o ser...

Foi já depois dos cinquenta que viram chegar o desinteresse pelos corpos um do outro. Beijavam-se e tocavam-se menos, ao mesmo tempo que foram deixando o sexo ganhar espaço nas suas vidas. 

Ambos sabiam o que lhes estava a acontecer. Perguntaram mais que uma vez aos seus botões, se haveriam uma terceira pessoa, a provocar aquele afastamento. Ela uma vez ainda pensou em contratar alguém, por que ele estava a jantar mais vezes que o costume com os amigos. Mas achou que talvez fosse melhor ficar na dúvida...

Dois anos depois foram para fora e ficaram num quarto de hotel. Quando a noite chegou, trouxe algo mais que o cansaço de um dia movimentado: voltaram a sentir-se vivos e a amarem-se como dois adolescentes.

A partir dessa noite quente passaram a ficar, pelo menos uma vez por mês, num hotel, sempre diferente.

Num desses encontros quase secretos beberam mais do que deviam ao jantar e decidiram entrar num bar e fingir que não se conheciam. Acrescentaram mais um "jogo", há muito esquecido nas suas vidas, a sedução.

Estes encontros funcionaram quase como um carregar baterias, voltaram a ter paciência para se aturarem um ao outro, a ter a cumplicidade necessária para tranquilizar os filhos.

Quase num golpe de sorte, conseguiram ganhar "novos amantes" sem precisarem de procurar outros corpos...

(Fotografia de Edward Steichen)

domingo, novembro 26, 2017

"A vida como ela é..."

Nelson Rodrigues, um dos grandes cronistas da língua portuguesa foi o autor de uma das crónicas que tiveram mais êxito no Brasil, "A vida como ela é...", em que embora ficcionasse a vida, tudo acabava por bater certo, tal era a forma surpreendente e inexplicável com que algumas pessoas viviam os seus dias...

Mas não é do Nelson que quero falar hoje,  mas sim da vida de todos nós, da forma como facilmente criticamos os outros, muitas vezes sem sequer os tentarmos perceber, outras, deixando alguma inveja a "flutuar"... Tudo isto porque cada vez  se conhecem mais casos de pessoas (já com idade suficiente para saberem o que é melhor para elas) que embora gostem de alguém e assumam a relação amorosa, cada uma continua a viver na sua casa. Ou seja, não querem perder o seu espaço, a sua liberdade. Por muito que me chamem egoísta, individualista, eu acho que isso não faz mal nenhum ao amor, nem ao facto de gostarmos de alguém. 

Só consegui que percebessem o meu ponto de vista, quando dei um exemplo quase antagónico, falando das pessoas que deixam de gostar, e por "dependência" (não ter onde ficar, ou estarem mesmo dependentes economicamente do outro...), são obrigadas a viver no mesmo tecto com alguém que já não suportam...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 14, 2017

O Começo e o Fim do Amor têm Sempre Muitas Nuances...


Às vezes as pessoas contam-nos coisas, demasiado fortes, que podiam ser de livros ou de filmes, mas são mesmo da "vidinha"...

Um amigo que já vive há muito uma "segunda vida", contou-me o que lhe fizeram num dos momentos de maior fragilidade da sua vida. Naquilo que hoje considera um acto frio, de pura vingança, não por ser um mau rapaz, mas apenas por ter sido sempre dono do seu nariz.

Acabado de chegar do hospital, após uma operação delicada, foi "depositado" na cama cheio de dores. A companheira saiu para ir à farmácia para lhe comprar medicamentos que precisava com urgência. Mas esta deve-se ter olhado ao espelho e sentido mal com o seu aspecto e pelo caminho resolveu passar pelo cabeleireiro. 

Quatro horas depois, quando chegou a casa, ele quase que agonizava, na cama, com dores infindáveis...

O recado fora transmitido. O começo e o fim do amor têm sempre muitas nuances...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 03, 2017

A Forma como nos Relacionamos com os Livros...


Já cheguei há muito tempo à fase de ter livros que sei que nunca irei ler. Mesmo assim, não resisto ao "olhar" que me lançam, aqui e ali e lá vou trazendo mais um ou outro amigo (para onde já não existem lugares vagos)...

Foi o que aconteceu com o famoso "Bom Dia, Tristeza", de Françoise Sagan, que era mais um livro perdido numa montanha de livros, desarrumados, com tinham o preço fixo de um euro.

Como nunca o tinha lido (nunca tinha calhado...), fiquei com ele, com o objectivo de o ler (até por ser um livro estreito, tal como a autora quando o escreveu nos anos 1950) e de não o deixar escapar para qualquer "labirinto" cá de casa.

Acabou por ser uma agradável surpresa, não que tenha uma história por ali além, mas sim por estar bem escrito (e bem traduzido...).

Fiquei a pensar que há duas coisas que me fazem fazer uma vénia aos escritores: escreverem de uma forma irrepreensível; contarem uma história daquelas, que nos prendem da primeira à última página (sem terem no interior "música de serrote").

E "Bom Dia, Tristeza", merece uma vénia. A história hoje já não provoca inquietações a ninguém, mas está muito bem escrita.

domingo, outubro 29, 2017

Raramente Escolhemos as Melhores Pessoas que Gostam de Nós...

Raramente namoramos e casamos com as melhores pessoas que gostam de nós.

Queremos sempre o difícil, o diferente, o misterioso... e muitas vezes acabamos por nos dar mal com as nossas escolhas.

Às vezes penso numa moçoila dessas (porque hoje sei que fazemos doer, sem nos apercebermos...). E o que ela gostou de mim. Somos tão complicados...

Casou algum tempo antes de mim, teve uma filha também cedo (que provavelmente já deve ter casado... terá perto de trinta anos), separou-se... e talvez continue a viver no Oeste (talvez entre Alcobaça e as Caldas...).

Há uns vinte anos que não nos encontramos. É uma pessoa divertida. talvez seja por isso que gostava de a ver, de beber um café e falarmos da vida que passou por nós...

Talvez a vida nos queira manter a alguma distância...

(Fotografia de Bert Hardy)

sábado, outubro 28, 2017

Os "Benficas-Sporting" da Vida...

Eu sei que não tenho culpa de gostar das coisas "sem doença". Até gosto. Quase muito. E não tenho vergonha de o dizer, o que deve ser ainda pior...

Às vezes penso que isso poderá ter a ver com o jornalismo, mesmo sem que tivesse feito qualquer "juramento" como o que os médicos, os os militares (sim ainda juram defender a pátria com a própria vida...)  fazem, por exemplo. Com a luta que devemos fazer para nos colocarmos fora das notícias, relatando apenas o que aconteceu e não o que queríamos (ou não) que tivesse acontecido...

Mas eu nunca fiquei "doente", não jantei mal, nem insultei a minha mulher ou os meus filhos, por o Benfica perder ou empatar. Muito menos chamo nomes "pornográficos" aos árbitros (obrigado pai...).

E só pode ter a ver com a educação que tive em casa, onde o futebol e a política, entravam e saiam, sem cachecóis e discussões acaloradas, porque sabíamos que havia quinhentas coisas mais importantes  nas nossas vidas, que as camisolas às cores dos clubes ou as falsas promessas dos políticos...

Ou seja, posso dizer que o Luisão já não "tem pernas" para ser central do Benfica, que o Jesus, sempre foi avançado no tempo (sempre teve "cabelo de salão de cabeleireira"), que a "betinha" do CDS está numa lufa-lufa para ser a melhor da rua dela, que o Santana continua a acreditar que a política tem "gel"...mas não vou muito mais longe que isso.

E por outro lado, nós somos o que somos. Há traços na nossa personalidade e no nosso carácter que nunca mudam, para o bem e para o mal. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 27, 2017

Curiosamente, as Uniões não Vivem só de Amor (e ainda bem)...

São um homem e uma mulher, tanto um como o outro com quase meio século de vida.

Ainda não sabem muito bem se foram salvos... sabem apenas que a filha de nove anos foi, e continua ser, a sua aparente salvação.

Toxicodependentes, uniram-se pela droga, sem pensar em histórias de amor, ou de outra coisa qualquer. Sentiam-se mais seguros juntos. Mas numa noite mais fria que as outras, embrulharam-se um no outro. E distraídos, fizeram a Catarina.

Quando a mulher soube que estava grávida, ficou surpreendida e também contente, embora o escondesse. O companheiro de aventuras, quando soube da novidade, não quis acreditar, eles conseguiam lá fazer um filho... Mas conseguiram. Também gostou da ideia. As famílias com medo que eles trouxessem ao mundo mais uma criança deformada, a primeira coisa em que falaram foi de abortos. 

Ela desolada preferiu desaparecer de circulação. Entretanto foi ao centro de saúde e contou com a solidariedade e a amizade de uma enfermeira, que lhe pediu que aparecesse por lá todas as semanas. A muito custo deixou de consumir, porque, sabe-se lá porquê (claro que se sabe, por amor...), quis muito ter um filho, que seria uma filha quase nove meses depois.

O companheiro também fez um esforço para deixar de consumir e começou a trabalhar. Entre meia dúzia de recaídas, lá se conseguiu recompor, talvez também a querer ser um bom pai.

A Catarina nasceu um pouco antes do tempo, perfeitinha. Os únicos problemas que teve foram a nível respiratório (a asma permanece, mas já se habituou à tosse e aos espirros...), de resto tem dois pais que a amam, que se tornaram um casal por um desses acasos que às vezes aparecem nos livros e nos filmes, mas que não fazem mais que retratar a vida...

(Fotografia de Ferdinando Scianna)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

domingo, setembro 03, 2017

A Ficção está Sempre Colada à Realidade...


(pequeno diálogo de um conto que escrevi, inspirado numa história real)

Dois amigos discutem por causa de um caso quase bizarro. Um terceiro amigo tinha encontrado a namorada dentro de um carro a fazer sexo com um colega de trabalho. Pacífico por natureza limitou-se a ligar a lanterna do telemóvel e a apontar-lhes a luz para os olhos, a querer dizer-lhes «estou aqui a ver o espectáculo, não foi ninguém me contou». 
O mais grave da coisa é que era um daqueles namoros que apostavam no casamento, já com casa escolhida, etc.

O mais irritado dos amigos disse: 

- Há coisas que eu sei. Nunca fui nem irei para a cama com a mulher de um amigo. Se ela me aparecesse à frente, nua e num posse convidativa, virava-lhe as costas.

O mais brincalhão quis retirar algum dramatismo à conversa e acrescentou:

- Estás a dizer isso porque sabes que nenhuma namorada ou mulher de um amigo teu vai querer ir para a cama contigo.

(Escolhi este óleo de Pablo Santibanez Servat, porque foi publicado com o texto «Não tens frio?», que continua a ser a "posta" com mais visualizações  - milhares, o que a nudez faz... - de sempre do "Largo")

quarta-feira, maio 24, 2017

O Amor é Outra Coisa...


É no mínimo estranho o que as pessoas inventam em nome do amor. Não só dizem que amam, mais vezes do que deviam, como são capazes de fazer as maiores loucuras em seu nome.

Pensar que a maior parte dos crimes de violência doméstica são feitos em nome do tal amor, que é sempre outra coisa, posse, medo, ilusão, mentira, e sobretudo, loucura... Sim, a maior parte destas pessoas, que são capazes de tudo em nome do amor, era desejável que habitassem apenas dentro dos livros e dos filmes. E todas as que circulam por aí, à solta, deviam, no mínimo, ser internadas num hospício. 

Embora perceba, que nestes tempos ainda de austeridade, não existam quartos para todos...

(Fotografia de Yousuf Karsh - crónica a pedido, sobre "amores estranhos".  E como vês, consegui fugir da "moda" de amar os animais como gente, e ainda me sobraram duas linhas...)

domingo, maio 07, 2017

O Mar, a Poesia e as Mulheres-Mães da Sophia (e do Frank)...




Há Mulheres que Trazem o Mar nos Olhos
  
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma.
  
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estas mulheres também são as nossas Mães...

(Óleo de Frank Wilcox)