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domingo, agosto 04, 2019

A Caça aos "Fantasmas" (também pode ser às "bruxas") no Jornalismo...


Sei que devo estar errado, embora não consiga ver nenhum "homem a morder um cão", nesta vontade que a comunicação social tem em caçar fantasmas, muitas vezes onde eles não existem...

Vou dar o exemplo de duas notícias que me deixaram a pensar nas férias. Uma foi o caso do ferido que perdeu a vida durante o transporte de helicóptero do INEM para um hospital. A preocupação de quase toda a comunicação social, foi o porquê do transporte aéreo não ter aterrado nos dois primeiros pontos de encontro. Embora não tenha descoberto o porquê (mas acredito que isso aconteceu apenas por questões de segurança da aeronave e dos seus tripulantes...). Não vi ninguém a referir-se ao estado físico do homem, que deve ter sido agredido de uma forma brutal - por isso não resistiu -, muito menos a apontarem o dedo ao agressor, o verdadeiro "assassino".

A outra notícia é recorrente, agora que estamos na época dos incêndios. Quase toda a gente procura encontrar falhas na acção dos bombeiros e da protecção civil, fingindo não perceber que mais de noventa por cento dos incêndios são provocados pela mão humana, e quase sempre de forma maléfica. Quase todos se voltam e apontam o dedo a quem procura "apagar fogos", esquecendo os incendiários...

(Fotografia de Luís Eme - Pinhal do Cabeço)

sábado, agosto 03, 2019

O Velho Hábito de Encolher o Mundo...


Folheio o último número do "Jornal de Letras" e penso nas pessoas que me dizem, «Ainda lês isso? São sempre os mesmos a escrever sobre os mesmos. A literatura é muito mais que isso.»

Lembrei-me  também de uma frase da Rita, que disse que o mundo era outra coisa, maior que os jornais e as televisões. 

Embora em saiba que ela tem razão, não é essa a lógica de quem exerce qualquer poder, por mais insignificante que seja. O exemplo mais visível é a prática do mundo partidário, que escolhe os seus dirigentes e governantes tendo como base o cartão de militante, o grau de amizade e até o parentesco (não deve haver nenhum governo local de Norte a Sul que não tenha a sua dose de primos, tios, cunhados - por ter mais vergonha que eles, "excluo" neste texto esposas, irmãos e pais...). A competência e o conhecimento técnico, estão quase sempre distantes das três ou quatro primeiras premissas, para qualquer escolha. 

É por isso que todos temos a sensação de que é tão difícil deixarmos de "plantar cepas tortas", do Algarve ao Minho (e estava eu a pensar escrever sobre livros e escritores...).

É uma pena não nos conseguirmos libertar deste velho hábito de "encolher o mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)

sexta-feira, julho 05, 2019

Olhar e não Ficar em Silêncio...


Sim, no fundo é isto: olhar e não ficar em silêncio.

Quando gostamos de olhar e de escrever, é mais fácil "denunciar", aquilo que achamos que está mal. 

E se tivermos um blogue, a coisa ainda se torna mais fácil. Sei que nos jornais nem sempre escrevemos o que queremos, há demasiados editores com "torções no nariz", sim, daqueles que até poderiam andar  pela redacção com um lápis azul na orelha.

(esta foi a minha resposta a alguém que acha que sou demasiado crítico no "Casario do Ginjal", e que acrescentou, com um sorriso, que Almada merece mais amor...)

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Tentação de "Usar o Chinelo" para Fazer Festas...


Devo começar por vos dizer, para não ligarem muito ao título, e muito menos à imagem. Até por que as metáforas valem o que valem (depende sempre do uso que lhe damos...).

Embora gostasse que a justiça tivesse a arte de "desmontar" todos os "castelos de papel" que giram à volta de Joe Berardo, com mais ou menos budas, não acho muita piada que alguns políticos, jornalistas e até gente comum, troque o Joe por José, sempre que falam da personagem.

Até porque isso pode fazer confusão a pessoas menos avisadas, que até poderão pensar que se está a falar de um irmão ou de um primo deste nosso "artista pop".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, junho 25, 2019

As Patetices dos "Sabões"...


Só hoje é que li algumas notícias dos últimos dias, inclusive alguns artigos de opinião.

Embora saiba que Henrique Raposo de vez em quando escreve umas coisas parvas, ainda não tinha lido uma referência tão patética aos comunistas e aos concelhos onde têm sido poder (como são o caso de Almada, Seixal, Barreiro ou Loures) como a que ele escreveu no "Expresso", no passado sábado.

Quando alguém escreve: «E, já que estamos aqui, onde é que ficam os bairros de lata? Em concelhos ligados historicamente ao PCP. Porquê? Eu ajudo: o povo que vota PCP tem, digamos, uma relação complicada com ciganos e negros. Porque é que não se fala disto? O racismo, tal como o snobismo, é só da direita.»

Só alguém que desconhece a realidade - e que deve ter algum trauma de infância em relação ao comunismo e aos comunistas (talvez continue a pensar que eles "comem criancinhas"...) -, pode escrever uma barbaridade destas.

Estes bairros existem porque são a única possibilidade que muitas famílias - que vivem no limiar da pobreza -, têm de ter um tecto. Se têm crescido mais em concelhos comunistas, é por que os seus governantes entendem que só os devem destruir, quando conseguirem arranjar habitações suficientes para os realojar, com dignidade. 

Se por um lado as questões raciais não devem ser enquadradas apenas no "território" das ideologias, por que haverá gente racista, tanto na esquerda como na direita, por outro, quanto mais se apostar na justiça social, mais fácil será a integração das minorias, tanto nas escolas como nos bairros de concelhos como Almada, Seixal, Barreiro ou Loures. E eu não tenho dúvidas de que os habitantes destes concelhos fazem menos distinções sociais, que as gentes de outros concelhos, pequeno-burgueses.

(Fotografia de Luís Eme - Monte da Caparica)

quinta-feira, junho 13, 2019

A Fotografia é Muito Mais que uma Simples "Fábrica de Nostalgia"...


Embora tenha gostado de ler a crónica de António Araújo no "Diário de Notícias" (8 de Junho...) sobre fotografia, com o bonito titulo, "Fábrica de Nostalgia", sei que a fotografia, felizmente, é muito mais (ou pelo menos quer ser...) que a fábrica de nostalgia "pintada" pelo António - graças a um livro -, que todos os que gostamos de imagens, conhecemos. Porque a fotografia não nos oferece apenas olhares humanos, também nos oferece lugares...

Digo isto porque no domingo passado estava sentado numa esplanada a beber café com a minha companheira (almadense de gema, ao contrário de mim...) e perguntei-lhe se ela se lembrava de como era aquela praça, antes as obras profundas de beneficiação, já com umas duas décadas.

Eu não tinha uma ideia precisa do local. Lembrei-me que uma das primeiras vezes que passei por ali (ainda não morava em Almada...), a praça estava diferente do "formato" habitual, porque era palco de um dos bailes dos santos populares. E também porque era de noite, o que limita sempre bastante as vistas...

Mas a pouco a pouco fomos recordando pequenas coisas, o piso anterior, as escadas que nos levavam ao jardim... E depois começaram as dúvidas. Antes da construção das galerias comerciais existia apenas um muro e arbustos? O espaço seria todo amplo?

Foi quando disse que não há nada como as fotografias para nos trazerem o passado de volta, para nos ajudarem a "reconstruir" os lugares que conhecemos, tal qual como eles eram, com ou sem nostalgia...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, junho 09, 2019

Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo


Já depois de escrever o texto de ontem, publicado aqui no "Largo", li a crónica publicada no "Expresso", de Maria José Morgado, em que ela nos apresenta alguns dados estatísticos, que no mínimo, devem-nos deixar a pensar.

Ela aborda a luta contra a corrupção, sem deixar de focar as "montanhas que parem ratos" (de 604 comunicações de crimes só resultaram 19 condenações...), analisando os dados fornecidos pelo Conselho de Prevenção da Corrupção.

Quando ela refere: «O CPC recebeu no ano de 2018, descontadas as cifras negras e a fragilidade dos números alcançados, um total de 604 comunicações de crimes económicos, dos quais os principais diziam respeito a 248 crimes de corrupção, 153 de peculato e 17 de prevaricação. Deste universo, destacam-se as comunicações de crimes com indícios probatórios, das quais resultaram 73 acusações, 19 condenações, três Suspensões Provisórias do Processo e duas absolvições. As conclusões são más.»

É importante referir ainda que 48% destes crimes comunicados aconteceram em Autarquias...

Escolhi o título "Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo", porque é a verdade. 

Raramente perguntamos, por que razão os processos que chegam aos tribunais revelam "tantas" deficiências e fragilidades nas investigações. Enquanto o Ministério Público e a Polícia Judiciária se debatem diariamente com problemas, como a falta de pessoal ou a utilização de meios técnicos ultrapassados, os "criminosos de colarinho branco" podem contratar os melhores escritórios de advogados (peritos na leitura das leis, que muitas vezes foram eles próprios que redigiram...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, junho 07, 2019

A Ligação de Belarmino a Almada


Ainda a propósito do Belarmino (o original...) Fragoso, descobri há pouco tempo que uma das suas últimas ocupações foi carregar e descarregar as mercadorias dos vendedores do Mercado de Almada, na Rua da Olivença.

Descobri-o por um mero acaso. Estávamos a almoçar o nosso bacalhau com grão da Olivença das segundas-feiras quando passou um fulano rente à nossa mesa, que cumprimentou o Carlos. Quando ele se afastou o Carlos confidenciou-nos que o salvara uma vez de levar pancada, ao puxá-lo para longe, depois deste insultar o antigo "boxeur", sem saber com quem se estava a meter...

Depois acrescentou que ele morrera de uma forma completamente estúpida, que tinha sido atropelado próximo do mercado, quando trabalhava...

Baptista Bastos, que entrevistou o Belarmino no excelente filme do Fernando Lopes dedicou-lhe um bonito obituário no "Diário Popular": «No corpo debilitado do velho campeão de meios-leves emergiram todas as doenças que a fome e a miséria arrastam. “Não passo de um campeão deitado” – dissera, há dias, a um de nós, que o fora ouvir, para narrar, seguidamente, a história resplandescente de um homem comum que se guindara às galáxias das grandes estrelas, para tombar na noite medonha como um cometa transviado do rumo certo.»

O mais curioso, é que a primeira vez que ouvi falar da ligação de Belarmino a Almada, foi de uma forma negativa. Além de o retratarem da pior forma possível, acrescentaram que morara numa barraca, entre o Pragal e a Caparica e que tinha morrido na miséria (sem especificarem...). Contaram-me esta história no começo dos anos 1990. Não sei se alguma vez morou neste local, sei sim, que quando faleceu morava num anexo da Praceta Francisco Noronha, na cidade de Almada...

(Fotografia de Luís Eme - Pragal)

sábado, maio 25, 2019

Um Vício de Outros Tempos...


Quando passa pelo quiosque, olha para todos os lados, assim como não quer a coisa. Se não descobrir ninguém conhecido por perto, tira algumas moedas do bolso e "compra um pacote"  de notícias em papel.

O passo seguinte é fingir-se distraído e enrolar o jornal, transportando-o de seguida, quase escondido, ao longo de um dos braços. 

Só se sente "a salvo" quando entra no café rente ao rio, que podia muito bem ser uma fronteira. Já nem estranha que as pessoas finjam não conhecer ninguém, como se aquele lugar estivesse condenado a ser apenas um ponto, onde se chega e parte, de preferência sem paragens...

Talvez seja isso que o descontrai, enquanto ocupa uma mesa e diz bom dia ao Tejo.

Depois pede uma água com bolhas, antes de começar a estender o "lençol de papel" pela mesa, à procura de palavras que o surpreendam, de preferência que não estejam sujas de sangue ou usem menos que mini-saia de roupagem.

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

quinta-feira, maio 16, 2019

Cambalhotas & Negócios da China


Estou a escrever ao mesmo tempo que a televisão transmite uma reportagem sobre os prédios da seguradora Fidelidade - comprada pelos chineses -, e os seus inquilinos, convidados a sair das suas casas de décadas...

Sei que não vale a pena ouvir a líder do CDS, Assunção Cristas, sobre estes problemas sociais, que têm afectado milhares de pessoas em Lisboa e no Porto. Apesar de ter sido graças a ela que se alterou a "lei das rendas", sei que não tinha qualquer problema em dar mais uma "cambalhota" e dizer que "a culpa é do Costa"...

A Cristas é um dos nossos melhores exemplos de políticos sem memória e sem carácter. É por isso que é capaz de discursar na Assembleia da República e nas Ruas como se fosse uma representante de um partido de esquerda e defendesse o povo...

Infelizmente é graças a estes "defensores do povo", que somos um dos países mais desiguais e injustos da Europa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 15, 2019

Chegar (ou não) Tarde aos Sítios...


Há pouco, ao escutar algumas palavras pela rádio, pensei numa outra coisa, com um sentido completamente diferente, muito mais abrangente que um simples dia, ou apenas 24 horas das nossas vidas...

Olhei para trás e senti que por ter chegado mais tarde a alguns lugares, esse "tempo" (perdido ou não...), acabou por condicionar quase tudo.

Foi o que se passou com o jornalismo, onde já cheguei  com 28 anos (embora já escrevesse diariamente, para mim...). 

Por sentir que não estava num "porto seguro", fui fazendo sempre outras coisas. E não estou nada arrependido das minhas decisões, de ter seguido outros caminhos. Posso ter ganho menos dinheiro, mas fui sempre mais livre...

O afastamento de alguns amigos das redacções fez-me perceber que se envelhece cedo demais na profissão. E que a experiência e o saber, em vez de serem utilizados como uma mais valia junto dos mais novos, acabam por ser encarados quase como uma ameaça, para quem chega a chefe de redacção ou a director.

Pior mesmo só este tempo de indecisões e de virtualidades, que se tem arrastado nos últimos anos e vai "matando" lentamente os jornais de papel... Quem esteja atento sabe que hoje as pessoas entram nas tabacarias, sobretudo à procura da sorte. Sorte que tanto se pode esconder dentro das raspadinhas como nas máquinas que registam os jogos. Os jornais e as revistas servem quase só como decoração, quem sai e entra, olha para as capas apenas de relance. Só pára quando é surpreendido (coisa rara nos nossos dias...).

Embora ouça menos rádio do que devia, gostei de sentir que a "telefonia" além de nos fazer sorrir e cantar, também nos faz pensar (e escrever...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, maio 10, 2019

Escreve-se Porque Sim e Também Porque Não...


Herberto Helder cruzou-se hoje comigo, em dois textos e uma conversa. A única ligação entre estes três acontecimentos foi a sua vocação de recusa, a sua caminhada livre e solitária, para bem longe das capelinhas e dos "capelistas"...

Ou seja, ele foi o que mais ninguém consegue (e quer) ser...

Pelo meio ainda assisti, em silêncio, a uma discussão quase parva, entre dois meninos que dizem ser poetas, dos bons. O com menos cabelo disse que logo que publicassem 10 linhas sobre um livro do outro, no "Jornal de Letras" ou na revista "Ler", ele em vez de destilar ódio e inveja pela "dúzia" de escritores que eram cortejados, mesmo quando os seus livros eram péssimos (a palavra dita cheirava pior...), passava a lamber os "cus" (já tinha reparado que as "botas" tinham sido substituídas nesta velha expressão...) dos críticos.

Quando vinha para casa, voltei a pensar em Herberto e questionei-me por que razão escrevo. Até que me lembrei, que era por que gostava (e também por que precisava, poupando-me dinheiro em qualquer médico de "maluquinhos"...). ponto final.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 07, 2019

Este Tempo dos "Campos Inclinados"...


Já o disse aqui, mais que uma vez, que uma das razões que me leva a evitar falar de futebol, é conhecer o seu lado menor, por já ter feito jornalismo desportivo. Sei bem demais que o chamado "desporto-rei", além de ser muito mal frequentado, é de tal forma apaixonante, que retira a lucidez a muito boa gente quando fala dos clubes que gostam.

Mas não posso, de maneira alguma, deixar de registar o que se passou ontem no Estádio do Bonfim, durante o jogo entre o Vitória de Setúbal e o Boavista. É muito triste vermos um árbitro a querer ser a "figura do jogo", pelos piores motivos. Tentou "inclinar" o relvado, utilizando uma dualidade de critérios tal, que mexeu com as emoções dos jogadores da casa, ao ponto de a equipa do Vitória ter acabado o jogo com apenas oito jogadores em campo... 

No final de campeonato olha-se sempre para cima, discutem-se os jogos do Benfica, do Porto e do Sporting e esquece-se o que se passa cá por baixo, em que há sempre uma ou outra equipa, que começa a ser "empurrada" para a Segunda Liga. Felizmente há muitas que conseguem resistir e ser mais fortes que as "decisões mentirosas dos árbitros". Espero que seja esse o caso do Vitória de Setúbal, no final da época.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 16, 2019

Esta Coisa da Liberdade Tem que se lhe Diga...


Sempre coloquei o direito à greve no mesmo patamar  do direito ao trabalho. Nunca gostei dos chamados "piquetes de greve", que tentam proibir, de todas as formas possíveis (inclusive utilizando a violência...) os trabalhadores de exercerem este seu direito.

Sei que a liberdade é outra coisa, oposta à tentativa de obrigarmos os outros a fazerem o que nós queremos...

Outro coisa cada vez mais perigosa, é o "alarme noticioso" (horas e horas a transmitir a mesma notícia...) que, neste caso particular, faz com as pessoas pensem que vem aí o caos e corram para as filas das bombas de gasolina...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, abril 10, 2019

"Patranhas" para Todos os Gostos...


A palavra "patranhas" que utilizei ontem foi motivo de conversa com um dos raros amigos que me fala das coisas que vou escrevendo por aqui (antes recebera um telefonema de um outro amigo, que a propósito da "lixeira" que mostrei do Caramujo, me falou da excelente exposição que está no Palácio Anjos em Algés, de Mário Cruz, fotojornalista premiado internacionalmente, sobre Manila e o seu "rio-esgoto"...).

Mas vamos lá às "patranhas".

Pegando no tema da justiça atirou-se logo à propaganda enganosa que durante anos fizeram da Polícia Judiciária (até disse que devia andar por ali dedo do Moita Flores...), considerando-a a melhor policia do mundo. Ofereceu-me estas palavras: «logo ela que tem "espatifado" uma data de investigações, devido à má construção dos processos, sempre com uma ou outra "ilegalidade" lá no meio, daquelas que dão jeito aos advogados habilidosos que a malta conhece da televisão.»

E depois mudou-se para o Turismo, para as nossas cidades que são as "melhores do Mundo". Agora que até Braga já é um dos melhores destinos do Mundo, acrescentando: «toda essa publicidade é paga por nós. E o que não falta por aí é gente interessada nestas "mentirinhas". Então as televisões pelam-se por notícias destas, alimentam-se com o melhor e o pior de nós. Mas felizmente não somos tão bons nem tão maus como nos pintam.»

Estava tão irritado que acabou a conversa a falar do "cozinheiro português marciano" (mais uma história mal contada, com o aproveitamento do "chef", que como toda a gente que enche a barriga com o mediatismo, quer é ser o melhor de qualquer coisa, nem que seja de "Alguidares de Baixo").

Felizmente não me falou de política e futebol, onde as "patranhas" ganham, a tudo e a todos...

(Fotografia de Luís Eme - Repito mais uma vez este lugar, por que continuo a pensar que não é por um Turco ter dito que a esplanada-restaurante do "Ponto Final" do Ginjal, tem a "melhor mesa do mundo", que ela passa a ser a melhor do mundo... por muito jeito que isso dê aos proprietários...)

terça-feira, abril 09, 2019

As Leis e a nossa Justiça pouco Justa...


Não tenho qualquer dúvida que  a má aplicação da justiça é o problema mais grave do nosso país.

É ele que nos torna cada vez mais desiguais e afecta todos os sectores da nossa sociedade. Pois além das diferenças de vencimentos obscenas entre gestores e trabalhadores (o "D. Notícias" fala disso hoje...), há também o sentimento, cada vez mais generalizado, da existência de uma justiça para pobres e outra para ricos.

Embora não falte por aí gente, que nos tenta iludir que o problema não está nas leis, mas sim na sua interpretação, facilmente se percebe que não passa de mais uma das muitas "patranhas" que enchem o nosso dia-a-dia. 

Claro que o problema é das leis (quase sempre pouco objectivas...) e do nosso parlamento (cheio de advogados "avençados", cuja única pátria que conhecem é o dinheiro...). 

As "fugas" e os "desvios" diários à letra de lei não se podem resumir apenas à falta de bom senso dos juízes ou à habilidade dos "senhores de toga" pagos a peso de ouro...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quarta-feira, abril 03, 2019

O Amor aos Livros é Outra Coisa...


Li há poucos minutos que a "Bertand" vai fazer algo que já foi feito há uns anitos pela cooperativa  "Bairro dos Livros", do Porto. Pelo conteúdo da notícia acredito que já tenha alimentado um programa de "raios e coriscos" (também já existiu na televisão, isto de se ser original está pelas "horas da morte"...) nas redes sociais. 

Claro que o "Bairro dos Livros" tem todo o direito de tornar pública a sua indignação, até por já ter proposto esta iniciativa à editora, que foi rejeitada...

Trata-se de uma coisa que eles chamam Speed Dating, que são nada mais nada menos que encontros rápidos dos leitores com os escritores.

O curioso é que até falam do "amor aos livros". Mas eu vou mais pelo "amor ao negócio dos livros".  Sim, os escritores funcionam sobretudo como "chamariz" para se venderem mais livros, até por existir a possibilidade de estes serem autografados. Só não acredito é que os cinco minutos cheguem...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

quinta-feira, março 28, 2019

O Testemunho de um Homem do Teatro...


Ontem festejou-se o Teatro, mas o que me ficou deste dia foi a entrevista que Jorge Silva Melo deu ao "DN". Provavelmente, por ele ter tido a coragem de colocar o dedo "numa das feridas"...

«O Estado permite que haja teatro em condições cada vez mais fechadas para os espectadores, com espectáculos que fazem três/ quatro récitas. É uma coisa inadmissível, porque é o mesmo que dizer "não venham cá", levar os empresários teatrais institucionais a não acreditarem nos espectáculos que só têm dois/ três dias porque têm a certeza que os primos, os namorados e os irmãos irão ver mas não acreditam na capacidade de se tornarem acontecimentos. São pequenas festas entre amigos e é isso que tem acontecido lamentavelmente. Nos últimos cinco anos o teatro é insultuoso para os espectadores, pois estão a dizer 'vocês não são da profissão e nós só estamos a trabalhar para os profissionais da profissão'. A maior parte dos teatros institucionais têm o seu público entre aspirantes a pessoas que fazem teatro e reformados de pessoas que fazem teatro, portanto são festas de primos em vez de abrangerem a sociedade. O teatro que eu pensei ser possível também em Portugal seria o teatro cívico, ou seja, para a sociedade numa cidade grande como foi Lisboa antes de ficar esvaziada. Qual é o lugar do teatro?»

É uma boa pergunta... Este não será, com toda a certeza.

É raro vermos alguém "do meio" a fazer um retrato tão lúcido de uma Arte (e infelizmente não é a única...), que se está a deixar  levar "pela onda", para não perder os subsídios atribuídos...

Mas é uma pena que a gente do teatro puxe cada vez menos  pela imaginação, aceitando as "regras do jogo", institucionais, sem perceber que aos poucos e poucos, vai perdendo  a independência e a liberdade, elementos-chave para que este espectáculo seja único...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, março 11, 2019

As Farsas em que Entramos, quase Sempre sem Sabermos...


Embora seja cada vez menos surpreendido pelas coisas que se passam à nossa volta, às vezes descubro frases cuja pertinência me faz pensar, mais um pouco...

No meu trabalho de investigação descobri, por um mero acaso, uma frase da autoria de Jorge Calado, com mais de 15 anos (do suplemento "Actual" do Expresso, de 6 de Setembro de 2003), que é reveladora do nosso mundo demasiado curto, onde o "amiguismo" continua a ter um peso decisivo, especialmente quando falamos de nomeações, escolhas ou prémios. Mas vamos lá à frase:

«A exposição é suposta cobrir o século XX, mas o que descobre são os interesses promiscuos e nepóticos duma máfia internacional de conservadores, comissários, galeristas, artistas, críticos que se protegem, elogiam e rentabilizam uns aos outros.»

A exposição em causa era sobre fotografia, mas poderia ser de artes plásticas. Mas as palavras poderiam ser deslocadas para as ruas da literatura, do cinema ou do teatro (e nem vou aos "bairros" da política ou do futebol...).

Claro que acaba por ser um drama, percebermos que quando concorremos a qualquer concurso, o vencedor já poderá estar escolhido. E estamos apenas a participar numa farsa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, março 07, 2019

Tentar Fugir do Óbvio...


Nos meus blogues tento fugir do óbvio, escrever sobre o que quase toda a a gente escreve.

Isso explica que não tenha dedicado uma linha ao juiz mais famoso de Portugal; que não faça muita publicidade aos políticos e banqueiros corruptos que são capazes de dizer com o ar mais sério do mundo, que nunca cometeram qualquer crime... E não faça "posts" a imitarem telenovelas, que infelizmente passou a ser a prática de quase todo o jornalismo português.

É por isso que em relação ao dia de hoje, não há muito a dizer. Claro que é um dia que deve envergonhar todos os homens, mesmo que não tenham qualquer responsabilidade na existência de tantos cobardes, de Norte a Sul. E não falo apenas dos que matam mulheres, falo também dos que agridem crianças e que assaltam velhinhas.

O que me incomoda mesmo, é perceber que as coisas não mudam apenas por lhes dedicarmos dias, ou até mudarmos leis.

Mas o que me faz mais confusão, é que pessoas habituadas a ligar diariamente com bandidos, sejam tão benevolentes com gente que tem muito pouco de gente.

É também por isso que acredito que esta mudança de paradigma, depende fundamentalmente da prática dos juízes, dos advogados e dos agentes da autoridade. 

Quantas mortes não se teriam evitado nos últimos anos, se estes cumprissem a lei e agissem como pessoas responsáveis, em vez de escreverem coisas incompreensíveis, ou de  assobiar para o lado, colocar as mãos nos bolsos e virar costas...

(Fotografia de Luís Eme - Charneca de Caparica)