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quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 17, 2018

O Nome do Pai (ou não)


O nome quase grande de uma deputada que também escreve em jornais, filha de um antigo dirigente do PS, já desaparecido, fez com que se falasse do uso (e abuso, segundo algumas opiniões...), ou não, do apelido dos nossos pais (quase sempre do pai, numa sociedade masculina como ainda é a nossa...).

Sem fugir do jornalismo, o mundo onde nos movimentamos melhor, conseguimos descobrir mais de uma dúzia de nomes de homens e mulheres, que escolheram o nome da mãe, para escaparem à "perseguição" do apelido familiar mais conhecido. E, naturalmente, também encontrámos outros tantos, que assumiram, sem qualquer problema, o nome do pai.

Como estava junto de nós alguém que escolhera o "nome da mãe", não foi preciso sairmos da mesa, para sabermos o porquê daquela opção. Confessou-nos que houve mais que uma razão. A tentativa de "fugir" do peso do apelido, no mundo dos jornais (o pai era um dos nossos bons jornalistas...), e também o não querer ser olhado como o filho de fulano, que só era jornalista por razões óbvias. E também quase como uma prova de emancipação, de querer caminhar pelos seus próprios pés (na época até pediu ao pai para não fazer publicidade...). Mas, curiosamente, a razão que teve mais peso na época, foi uma quase vingança. Naquele tempo ainda não tinha superado a separação dos pais, que aconteceu quando tinha apenas 13 anos (foi o pai que abandonou o lar e deixou de aparecer, com a regularidade que um filho precisa, praticamente todos os dias...). Quis muito ser o "filho da sua Mãe".

Hoje as coisas estão serenas. Mas não se arrepende nem um pouco da opção que tomou.

Soubemos por alguns exemplos dados que há quem decida ficar com o nome do pai, com orgulho e sem medos.

Percebemos que este tema será sempre pouco consensual. Porque quem escolhe o nome do pai, pode ser olhado como alguém que se está a colocar-se ao seu lado, não por uma questão de orgulho, mas sim de interesse profissional.  E quem não o escolhe, pode ser interpretado como alguém que se esconde e não assume as suas origens. E não como a tentativa  normal de querer caminhar pelos seus próprios pés...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 03, 2018

Medalhas & Tiros nos Pés...


O assalto a um dos paióis de armamento de Tancos, é de tal forma caricato e inverosímil - em todos os seus episódios - que a realidade ultrapassa mais uma vez a ficção.

Mesmo assim é importante perceber que nada disto aconteceu por acaso, que foi um dos "preços a pagar" pelos muitos anos de desinvestimento nas Forças Armadas e na degradação da condição militar (provavelmente chegou-se a um ponto em que já existem mais oficiais e sargentos que praças na Marinha, Força Aérea e Exército...). Os principais responsáveis por se ter chegado a este ponto, são os três partidos do "arco governativo", quase sempre com a complacência das chefias militares, mais preocupadas com as suas estrelas e louvores, que com os homens e mulheres que comandavam.

Mas o que ainda me deixa mais apreensivo em todo este "filme", é a falta de cooperação que existiu entre as polícias (neste caso particular entre a PJ e a PJM...), desde o começo de todo o processo. 

Parece que a "coroa de louros" é sempre mais importante que o trabalho em equipa, para a resolução rápida e séria dos vários casos de polícia, que envolvem mais que uma força de segurança ou polícia de investigação...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

terça-feira, maio 23, 2017

Um Mundo Sem Conserto...

Nada do que possa dizer faz muito sentido, neste mundo farto em lugares onde se vive um dia de cada vez...

E se há coisa que não quero hoje, é armar-me em moralista, até por saber que cada vez devemos esperar menos dos "animais inteligentes", que sempre preferiram o lado errado da vida, mesmo quando saiam à rua com uma auréola em cima da cabeça e enchiam a boca de palavras bonitas.

Bem diz o povo sábio, que de bons intenções está o inferno cheio.

Alguns portugueses continuam a assobiar para o ar, fingem acreditar na Senhora dos milagres de Fátima e esquecem-se que o "cerco a Lisboa" também há-de chegar, mais tarde ou mais cedo...

(Óleo de John Bowen)

quarta-feira, abril 26, 2017

Sim. Porque não um Leão?


As crianças querem ser sempre muitas coisas. Desde astronauta a bombeiro, até que um dia crescem e são empurradas para a nem sempre agradável, realidade...

E às vezes também pedem coisas estranhas, como o Rui que gostava de ter um leão como animal de estimação...

Os pais um dia explicaram-lhe que os animais da selva eram perigosos e que só podiam viver no seu habitat natural ou nos jardins zoológicos.

Foi então que ele falou no cão de um dos vizinhos, que não só era mau, como também era feio. E ele  tinha toda a razão, um leão é muito mais bonito que qualquer pitbull ou rottweiller, que são notícia sempre pelos piores motivos e fazem a felicidade de tantos humanos.

E sem querer levantou uma questão, que devia no mínimo pôr os adultos a pensar. Eu pelo menos continuo a não perceber porque razão é que algumas pessoas têm algumas raças de cães em casa, que parecem ser tão ou mais ferozes que os bichos da selva.

(Fotografia de Eládio Begega)

quarta-feira, novembro 09, 2016

Ora Aqui Está uma Quarta-Feira, Farta em Conversas e Emoções...


Ao cair da noite de ontem fomos surpreendidos pela notícia inesperada da rendição às autoridades de Pedro Dias, conhecido como o "Piloto", o suspeito de dois homicídios que andava a monte há quatro semanas.

E para colocar os especialistas do crime da TVI e CM a "roerem meias de sem abrigo", teve ainda a  lata de oferecer o exclusivo da sua entrega à RTP.

Apesar de se ter tornado quase num "herói" cinéfilo de filmes de acção (provavelmente sem ter saído muitas vezes do "quentinho" de algum lar amigo...), e ser suspeito de todas as peripécias que aconteceram por aqueles lados e descoberto por essa Europa fora, não consigo sentir qualquer simpatia pela personagem.

Compreendo o seu medo de ser apanhado pela GNR e fico à espera das "versões" que se seguem (ele para já diz-se inocente...), em mais uma daquelas "séries" que prometem durar várias temporadas...

Ao começo da manhã outra surpresa (pelo menos para mim...), a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas. A primeira coisa que me apetece dizer é que os americanos só têm o que merecem, que foi nada mais nada menos que aquilo que a maioria dos votantes escolheram.

Claro que gostava de ser surpreendido pela positiva, perceber que afinal ele não é tão "maluquinho" como gosta de mostrar na televisão e descobrir alguém mais inteligente e sensato que o último presidente eleito pelos republicanos...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 25, 2016

Este Medo de ter Dúvidas...

De vez em quanto apanhamos erros alheios, que só acontecem porque as pessoas têm medo de perguntar qual é o porquê das coisas. E hoje como "falar com o outro" ainda está mais em desuso, errar acaba por entrar na normalidade dos nossos dias.

Como eu sempre fui um "perguntador" tenho dificuldades em perceber esta gente que prefere navegar no erro a fazer a pergunta normal, de como se faz ou de como é.

Às vezes questiono-me se se trata de orgulho, estupidez natural ou outra coisa qualquer. E concluo que além da "estupidez natural", há por aqui uma dose de "chico-espertice" e outra de falta de humildade (nota-se tanto isto, todos sabem tudo, até nas nossas casas sentimos que os nossos filhos são tão diferentes de nós...). 

Embora estejamos sempre a evoluir, ninguém nasce ensinado. Desta realidade ninguém escapa.

E eu continuo a pensar que é melhor ter dúvidas, perguntar, que falhar... 

Sei que se olharmos para o "topo da pirâmide" descobrimos um país de "falhadores" por excelência, desde o primeiro-ministro ao presidente da junta mais escondida do mapa. Só que isso não devia servir de desculpa ou de consolo para ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 12, 2016

A Liberdade não Tem Muros nem Gaiolas...

Há duas coisas que sempre me irritaram e que espero nunca ter ou fazer.

Falo de muros e de gaiolas.

Desce criança que sempre que incomodaram os muros altos (muitos ainda estavam revestidos na parte superior com pedaços de vidro...), que é algo que pouco resolve, já que normalmente desperta ainda mais a curiosidade de quem passa, pois fica-se sempre com a sensação de que alguém está a esconder alguma coisa...

Das gaiolas nem é bom falar... nunca gostei de ver pássaros presos (no Velho Continente é o mais usual, se esquecermos os jardins zoológicos...), sempre me apeteceu abrir-lhe a pequenina portada e convidá-los a voar, porque é para isso que têm asas.

Sei que o muro francês e inglês projectado para Calais não irá resolver nenhum problema humano, quando muito aguçará o engenho de quem não tem quase nada a perder, arriscando ainda mais a vida, fazendo do atlântico um "cemitério de gente", tal como acontece nos nossos dias no Mediterrâneo.

Como já perceberam os cravos da fotografia são só para disfarçar. Não é por usarmos um cravo na lapela que nos tornamos mais livres ou democratas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 13, 2016

«Quando foi que deixámos de falar?»


Um casal estava sentado frente a frente numa esplanada, quando o homem perguntou: «quando foi que deixámos de falar?». A mulher olhou-o meio espantada e sem dizer nada, voltou a baixar os olhos.

Estava ali ao lado escondido atrás da revista do "Expresso" e senti o peso daquele silêncio na atmosfera. Silêncio que não se voltou a quebrar, nem mesmo quando o homem se levantou para pagar a conta e desaparecer, sem que a mulher tirasse os olhos do telemóvel.

Não consegui perceber se eram casados ou apenas namorados, embora já tivessem ultrapassado os trinta anos. Embora isso nem fosse importante.

Fiquei a pensar que é um problema ficarmos cativos do silêncio, ficarmos cada vez mais palavras no bolso, aparentemente inúteis. Depois à medida que o tempo vai passando, sem se apercebermos, elas deixam de se soltar, é como se ficassem aprisionadas...

Talvez esteja mesmo a mudar a linguagem entre humanos. Talvez as pessoas deixem de comunicar verbalmente num futuro próximo. Talvez apenas o façam por mensagens, por muito estranho que nos pareça...

Por muito que isto me pareça uma espécie de "morte" nas relações humanas, tenho de dizer que já vi acontecerem coisas ainda mais estranhas nas últimas décadas.

(Fotografia de Luís Eme - Arte Urbana de Almada)

quarta-feira, janeiro 20, 2016

A Dor Que Antecede o Parto Criativo...


Na semana passada estive com um amigo poeta, com obra publicada, que me confessou estar a viver um dos maiores dramas da sua existência, pois há largos meses que não consegue escrever um poema, por mais pequeno que seja.

Para o cidadão comum isto até pode parecer quase anedótico e servir para dizer que os poetas não passam mesmo de uns fingidores...

Mas qualquer "criador" percebe bem o drama deste meu amigo.

António Lobo Antunes fala muito disso nas suas entrevistas. A transcrição que faço da revista "Visão" de Junho diz quase tudo sobre o acto de criar:

«Sinto-me como um cão à procura de um osso enterrado que não sabe onde está. Cavo aqui com as patas da frente, cavo acolá e nada. Se calhar acabaram-se os ossos, se calhar acabei. É sempre assim e o medo de não ser mais capaz é horrível. Um vazio, uma angústia. Não sei fazer mais nada, desde que me conheço não faço mais nada. Sento-me nesta cadeira, sento-me naquela. Eu só queria sentir qualquer coisa a inchar cá dentro, ainda não bem palavras, uma coisinha qualquer, mesmo mínima, que depois, pouco a pouco, se transforma, cresce, ganha sentido, vai aparecendo.»

(Óleo de Everett Shinn)

sexta-feira, janeiro 08, 2016

A Luta Diária pela Sobrevivência


Ontem era para escrever sobre Paris, sobre a Liberdade, sobre o jornalismo... ou seja, iria dizer meia-dúzia de lugares comuns, afastando-me do essencial: a desumanização, cada vez mais evidente, da sociedade.

Podia falar dos casos diários de violência doméstica, mas fico-me pela mãe madeirense que se suicidou, depois de ter envenenado o filho, de apenas onze anos. Depois de ler a notícia sobre este caso descobri que tudo isto aconteceu três semanas após o suicídio do seu companheiro, também por envenenamento.

Quando o caso foi motivo de conversa fiquei em silêncio. Em vez de dizer qualquer banalidade, fiquei a pensar na alteração do estado psicológico da senhora, ao ponto de a levar a fazer o que fez. E o seu quadro social não era para menos. Desempregada, doente com um cancro e depressiva, devia ter a sensação de que era cada vez mais um estorvo para todos. E provavelmente sentiu que o filho mais novo também estava a ser um "peso" para a filha e o genro, que lhe tinham dado abrigo.

Sou incapaz de a culpar do que quer que seja. Aliás, o que me preocupa mesmo é a distracção de toda a gente que vivia à sua volta...

(Óleo de Renato Gattuso)

segunda-feira, novembro 16, 2015

Vivemos Tempos de Medo e de Desconfiança


Vivemos tempos de medo e de desconfiança. Não é de agora, nem tem nada que ver com os atentados de Paris.

Provavelmente terá alguma coisa a ver com o 11 de Setembro, com a invasão do Iraque, mas o que tem mesmo muito a ver, é com o poder insaciável do capitalismo, com a facilidade com que ele destrói vidas.

Quando se diz que o capitalismo não tem rosto, é mais uma mentira, das muitas que nos impingem diariamente. Claro que tem, é nem mais nem menos que a "tromba" da gente que se exibe nas listas dos mais ricos de cada país e do mundo.

São eles que andam por aí a distribuir medo por todas as ruas, que despedem as pessoas que lhes apetece, sem se preocuparem se têm família para sustentar, casas para pagar.

São eles que constroem hospitais, escolas, apenas com o objectivo de ganhar dinheiro. Para que a saúde e a educação deixem de ser direitos de todos nós, como está escrito na constituição.

São eles que escolhem os ministros e deputados que mais lhes convêm, para que aconteça o que aconteceu no nosso país nos últimos quatro anos. Os ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres.

São eles que dominam os jornais e as televisões, que só nos mostram e escrevem o que querem, oferecendo ainda mais "medo" e "desconfiança", especialmente a quem não gosta muito de pensar pela sua própria cabeça.

Além de vivermos tempos de medo e de desconfiança, se não mudarmos de rumo, caminhamos para a "autodestruição", porque esta Europa capitalista não é boa para ninguém, nem mesmo para os Europeus.

O óleo é da alemã Dorte Clara Wolff.

domingo, outubro 18, 2015

O Medo que Toda Esta Gente Tem das Pessoas Livres...


Ainda não me assusta, mas já me começa a incomodar, sentir, cada vez mais, que ser livre começa a ser quase sinónimo de "fora da lei", como aconteceu entre 1926 e 1974, esses 48 anos de tão má memória, e que tantos já esqueceram...

Não vou deixar de ser livre, de dizer ou escrever o que penso, apenas porque alguém fica com "azia", ou ainda pior, a "espumar pela boca".

Infelizmente este medo não é apenas da direita, é essencialmente de quem exerce o poder (que também não se resume ao poder político, infelizmente os maus exemplos são seguidos por muito boa gente, com "alma de ditador").

Podia dar como exemplo a cidade onde vivo, Almada, governada desde 1976 pelo PCP (ainda que com siglas diferentes, de APU a CDU), onde tenho sofrido vários tipos de pressões, quase todas encapotadas, que se reflectem sobretudo na falta de apoio a iniciativas da qual faço parte.

Claro que a direita é mais carnívora, especialmente quem pensa pertencer a "castas", que por si próprias lhes dão acesso ao poder (as famílias que não têm feito outra coisa, que não seja viver à nossa custa, há já quase 900 anos...), é por isso que gostam tanto de monarquias, de dinastias, condados e afins.

Quando comecei a escrever nem sequer estava a pensar em Angola, onde as coisas terão forçosamente que mudar, ainda que para isso possam existir vitimas mortais, como podem ser os casos de Albano "Liberdade" ou de Luaty Beirão...

É por tudo isto que quando me perguntam qual é a palavra que gosto mais, digo sempre, LIBERDADE.

O óleo é de Winslow Homer.

sexta-feira, setembro 11, 2015

O Dia Que Mudou as Nossas Vidas...


O Tempo tem muitas velocidades. Só assim se percebe que já tenham passado 14 anos do 11 de Setembro de Nova Iorque, um "dia-pesadelo" que virou as nossas vidas, quase de pernas para o ar.

Nunca mais conseguimos olhar para o mundo da mesma forma. Deixámos de confiar no outro. E se tiver turbante então...

Em 2006 escrevi esta imitação de poema...


Cinco Anos Depois…


Cinco anos pode ser uma eternidade,
Ou ser apenas o dia seguinte...

Nova Iorque não voltou a ser igual,
As pessoas perderam tantas coisas...
Até a liberdade de serem quem eram.
O simples gesto, de um aceno ou sorriso,
Foi suprimido pela ditadura da segurança,
Assim como qualquer palavra circunstancial
Trocada na rua, com estranhos.

Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...

Podemos banalizar o que aconteceu
Fingir que as Torres Gémeas desapareceram,
Num truque qualquer de magia,
Podemos dizer que a vida continua,
Que o que já lá vai, lá vai...

Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...

Mas os rostos daqueles que partiram,
Sem marcar qualquer viagem,
Permanecem vivos no coração de Nova Iorque.
Sim, coração, de Nova Iorque!
O coração de qualquer cidade
São sempre os seus habitantes.

(11 de Setembro de 2006)

O óleo é de Kenneth MacQuenn.

quarta-feira, maio 27, 2015

O Mundo Ficou Mesmo Mais Perto


Sei que nós "aqui" podemos estar quase em toda a parte.

É tudo um "jogo" de imaginação.

É por isso que não tenho grandes dúvidas que este "mundo virtual" foi uma invenção óptima, principalmente para quem gosta de fabular a vida, de tentar usar alguma literatura e cinema para se dar bem com uma, duas ou três moçoilas (se o tempo e a vontade quiserem, podem ser muitas mais...).

E nem vou falar dos lados mais obscuros, onde algumas crianças querem ser adultos e gente grande finge ser adolescente... um jogo que é muito pior que a "cabra-cega", que sempre me incomodou porque deste cedo me lembro de olhar um quadro na parede da casa de um amigo de infância, com crianças a jogar este jogo e o rapaz dos  olhos vendados estar quase no precipício, e ficar assustado...

Talvez a vida tenha estado sempre perto do abismo, mas as pessoas noutros tempos, além de terem muito mais coisas com que se preocuparem, raramente davam largas à imaginação...

O óleo é Jean Metzinger.

segunda-feira, abril 20, 2015

A Inteligência, o Medo e os Sentidos


Ia dizer que não sabia o que é que nos segura, o que faz com que não nos deixemos ficar reféns dos "sentidos" pelas ruas do mundo, cheias de cores e de encantos, mas estava a mentir.

A inteligência, a tal  "arma" que nos separa dos outros animais e que nos faz pensar duas e três vezes, em vez de nos deixarmos levar pela febre do desejo, muitas vezes momentâneo, deita quase sempre tudo a perder.

Parece um jogo, que começa e acaba na nossa cabeça, quando esta se descobre avessa às "loucuras" alimentadas por um olhar mais intenso e nos recorda a "vida" e nos obriga a "acordar"...

É isso que faz com que seja tão difícil entrarmos num quarto, deitarmos as roupas para o chão, darmos  apenas voz ao nosso corpo, sem querer mais nada que o objecto do nosso desejo, e mais importante ainda, sem precisarmos de saber quem entrou no nosso jogo...

Somos baralhados pela honra, pela dignidade, pela ética, pela fidelidade (essa coisa tão canina...) e sei lá por mais o quê. 

Espere, sei de pelo menos mais uma coisa que nos confunde: o medo.

O óleo é de Achilles Droungas

quinta-feira, março 26, 2015

Conversa para Surdos


Ele sabe que nem sempre conseguimos fazer comparações felizes, mas mesmo assim insistiu em tratar o Vento de "chato", mais uma vez. Não tinha achado piada à sua voz forte e insistente nos últimos dias, como se não quisesse que mais ninguém "falasse".

Chato ou não nem assim o Vento conseguiu que lhe prestassem atenção, até lhe fechavam janelas e portas na cara, chateados por não desistir de "chatear". Deve ter sido por isso que foi aumentando o tom da "voz". Percebia-se que estava irritado, talvez por não lhe darem um minuto de atenção, passarem por ele a correr por ele, quase a quererem tapar os ouvidos, para  não escutarem a violência e crueza do seu sopro.

Não percebi se se cansou do esforço, ou se simplesmente foi embora, cansado da nossa falsa indiferença.

Nada de muito estranho neste tempo em que enfiamos coisas nos ouvidos para não termos de ouvir quem passa ao nosso lado, e então o Vento...

Mas pelo menos os barcos que navegam no rio hoje podem deslizar sem ajudas desnecessárias e pouco prudentes, tal como as gaivotas podem planar sem usaram "travões"...

O óleo é de Albert Marquet.

quarta-feira, novembro 05, 2014

Somos um País de Ditadores e de Gente à Procura do Pai e da Mãe, em Todo o Lado


Nunca lhe disseram que a liberdade era outra coisa. Ou se disseram, ele fingiu que não ouviu.

O Carlos quando era mais inocente pensava que quem tinha tido a experiência de viver em ditadura, gostava mais de liberdade. Quando cresceu mais de um palmo percebeu que estava errado e quem costumava dar "vivas" a Salazar era gente com idade suficiente para ter juízo.

É por isso que aquele Zézinho não o espanta. Ele é mais um, com alma de "ditador", que apesar de já estar cheio de cabelos brancos, continua a insistir com o "mundo", para girar à sua volta. Embora este lhe troque as voltas, finge que sem ele o "mundo" acaba já amanhã...

E pior ainda, insiste com os outros, para o seguirem, que ele é que está certo. Surpresa ou não, quase todos se calam, dizem, para evitar problemas. E o ditador vai inchando e desfigurando tudo o que o cerca. Pena não ser um sapo. Sempre podia acabar por rebentar...

Embora sejamos doutro "reino", custa-nos encarar esta triste realidade. Mas não seremos nós a partir um dos "pés" da cadeira do Zézinho. 

Sabemos que não gostamos de ditadores e que ele não se senta à nossa mesa (nem mesmo para a célebre caldeirada...). Mas ficamos tristes, por sentirmos que há tanta gente à procura de um pai e de uma mãe, por todo o lado.

O Carlos insiste que o nosso país é melhor para os ditadores que África ou América Latina, que aqui sim, podem aspirar à "eternidade"...

Desta vez já nem sequer conseguimos sorrir. Precisamos muito de uma anedota do Gui, ausente com justificação no país da Dilma.

sábado, maio 03, 2014

Um Cobarde Transformado em Herói


Quando as polícias conseguem transformar um cobarde em herói, cai muita coisa por terra, inclusive a lenda (de certeza inventada por um polícia português...), de que temos a melhor polícia de investigação do mundo,  ao mesmo tempo que descobrimos que os problemas da justiça não se resumem aos juízes e ao ministério público.

Um assassino de mulheres nunca pode ser herói em parte alguma do mundo. 

As chefias policiais deviam ter aprendido com o caso da menina inglesa desaparecida no Algarve, que não se fazem buscas em directo, para a rádio e tevê, e muito menos se convoca a cavalaria, os cães e as operações especiais da GNR para a reportagem. 

O espectáculo é inimigo de qualquer investigação ou busca policial, pois estas requerem sobretudo discrição...

O óleo é de Iurie Matei.