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domingo, junho 09, 2019

Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo


Já depois de escrever o texto de ontem, publicado aqui no "Largo", li a crónica publicada no "Expresso", de Maria José Morgado, em que ela nos apresenta alguns dados estatísticos, que no mínimo, devem-nos deixar a pensar.

Ela aborda a luta contra a corrupção, sem deixar de focar as "montanhas que parem ratos" (de 604 comunicações de crimes só resultaram 19 condenações...), analisando os dados fornecidos pelo Conselho de Prevenção da Corrupção.

Quando ela refere: «O CPC recebeu no ano de 2018, descontadas as cifras negras e a fragilidade dos números alcançados, um total de 604 comunicações de crimes económicos, dos quais os principais diziam respeito a 248 crimes de corrupção, 153 de peculato e 17 de prevaricação. Deste universo, destacam-se as comunicações de crimes com indícios probatórios, das quais resultaram 73 acusações, 19 condenações, três Suspensões Provisórias do Processo e duas absolvições. As conclusões são más.»

É importante referir ainda que 48% destes crimes comunicados aconteceram em Autarquias...

Escolhi o título "Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo", porque é a verdade. 

Raramente perguntamos, por que razão os processos que chegam aos tribunais revelam "tantas" deficiências e fragilidades nas investigações. Enquanto o Ministério Público e a Polícia Judiciária se debatem diariamente com problemas, como a falta de pessoal ou a utilização de meios técnicos ultrapassados, os "criminosos de colarinho branco" podem contratar os melhores escritórios de advogados (peritos na leitura das leis, que muitas vezes foram eles próprios que redigiram...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, maio 14, 2019

Quando os "Passarões" da Rua da Cristina Foram Parar à "Gaiola"...


A história era simples, o Rui, o Jorge e o Zeca, os falsos "heróis" da Rua da Cristina tinham sido apanhados, em flagrante, por um casal de polícias que usara o disfarce de turistas, dos apetecíveis, com boas máquinas fotográficas, computadores e notas de euros com três algarismos, para os levar à certa.

"Pinóquio", o maior contador de histórias das redondezas, esqueceu por momentos as suas patranhas e resolveu usar os seus exemplos para aconselhar a rapaziada mais nova, a não tentar "voar alto demais".

Quem não conhecesse a história de vida das três "aves de arribação" - como era o meu caso -, que tinham sido engaioladas, por andarem demasiado descontraídos pelas ruas, esquecidos que nas profissões de risco  "a distracção é quase sempre a morte do artista"... não conseguia deixar de sorrir pela arte do "Pinóquio", que à medida que ia falando, ia arranjando um lugar no "cinema", para aqueles três rapazolas que adoravam dar nas vistas, quase sempre pelos piores motivos.

Nunca os tratou pelo nome próprio, mas sim pelos "nomes de guerra", que curiosamente também foram uma invenção sua. 

Só alguém com a sua imaginação era capaz de baptizar o Jorge de "Canário", que além de falar pelos três, adorava dar música aos "camones", aliás, às "camones". O Rui ficou o "Corvo", por ser o mais misterioso e também o mestre dos silêncios. E o Zeca só podia ser o "Melro", o finório e espertalhaço do trio, sempre cheio de ideias mirabolantes, roubadas das séries e dos filmes.

O mais curioso, foi perceber que a rapaziada jovem tinha percebido a lição do "Pinóquio", sem perder o sorriso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, março 07, 2019

Tentar Fugir do Óbvio...


Nos meus blogues tento fugir do óbvio, escrever sobre o que quase toda a a gente escreve.

Isso explica que não tenha dedicado uma linha ao juiz mais famoso de Portugal; que não faça muita publicidade aos políticos e banqueiros corruptos que são capazes de dizer com o ar mais sério do mundo, que nunca cometeram qualquer crime... E não faça "posts" a imitarem telenovelas, que infelizmente passou a ser a prática de quase todo o jornalismo português.

É por isso que em relação ao dia de hoje, não há muito a dizer. Claro que é um dia que deve envergonhar todos os homens, mesmo que não tenham qualquer responsabilidade na existência de tantos cobardes, de Norte a Sul. E não falo apenas dos que matam mulheres, falo também dos que agridem crianças e que assaltam velhinhas.

O que me incomoda mesmo, é perceber que as coisas não mudam apenas por lhes dedicarmos dias, ou até mudarmos leis.

Mas o que me faz mais confusão, é que pessoas habituadas a ligar diariamente com bandidos, sejam tão benevolentes com gente que tem muito pouco de gente.

É também por isso que acredito que esta mudança de paradigma, depende fundamentalmente da prática dos juízes, dos advogados e dos agentes da autoridade. 

Quantas mortes não se teriam evitado nos últimos anos, se estes cumprissem a lei e agissem como pessoas responsáveis, em vez de escreverem coisas incompreensíveis, ou de  assobiar para o lado, colocar as mãos nos bolsos e virar costas...

(Fotografia de Luís Eme - Charneca de Caparica)

terça-feira, fevereiro 05, 2019

Sentimento de Impunidade ao Rubro


Não tenho qualquer dúvida, de que a forma como a justiça funciona no nosso país, é a principal responsável pelo sentimento de impunidade que alastra, de Norte a Sul.

Sentimento esse que faz com os mesmos crimes se repitam, de uma forma cada vez mais assustadora, por gente que não podia, nem devia, estar em liberdade.

No topo destes crimes surgem a violência doméstica e as "burlas" no sector bancário, que causam cada vez mais indignação, por todos percebermos que não são levadas a sério, por quem de direito.

Desde 2004 foram mortas 512 mulheres. Quantas destas mortes não se poderiam ter evitado, se a lei fosse cumprida e respeitada, na maioria dos casos de violência doméstica, pelos tribunais, pelo ministério público e pelas forças de segurança?

Em relação aos casos de "burlas" da banca (BPN, BPP, BANIF, BES, Montepio, CGD, etc), ainda está por fazer a conta dos muitos milhões que "desapareceram", a maior parte deles de forma criminosa. Mais grave, é termos conhecimento dos nomes da maior parte destes "vigaristas de colarinho branco" e sabermos que continuam em liberdade, e a viver melhor que a maior parte dos portugueses, sem que os seus bens sejam arrestados pelo Estado...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, outubro 03, 2018

Medalhas & Tiros nos Pés...


O assalto a um dos paióis de armamento de Tancos, é de tal forma caricato e inverosímil - em todos os seus episódios - que a realidade ultrapassa mais uma vez a ficção.

Mesmo assim é importante perceber que nada disto aconteceu por acaso, que foi um dos "preços a pagar" pelos muitos anos de desinvestimento nas Forças Armadas e na degradação da condição militar (provavelmente chegou-se a um ponto em que já existem mais oficiais e sargentos que praças na Marinha, Força Aérea e Exército...). Os principais responsáveis por se ter chegado a este ponto, são os três partidos do "arco governativo", quase sempre com a complacência das chefias militares, mais preocupadas com as suas estrelas e louvores, que com os homens e mulheres que comandavam.

Mas o que ainda me deixa mais apreensivo em todo este "filme", é a falta de cooperação que existiu entre as polícias (neste caso particular entre a PJ e a PJM...), desde o começo de todo o processo. 

Parece que a "coroa de louros" é sempre mais importante que o trabalho em equipa, para a resolução rápida e séria dos vários casos de polícia, que envolvem mais que uma força de segurança ou polícia de investigação...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 27, 2017

As Mulheres Assassinadas e as Forças de Segurança


Eu tinha pensado escrever esta semana sobre a forma como nos relacionamos com as mulheres e vice-versa, mas o artigo que a Fernanda Câncio publica hoje no Diário de Notícias (Mulheres Mortas), "cortou-me o pio". Artigo que aconselho todas as pessoas a lerem.

A Fernanda relata um caso, um dos mais graves que li, e que me tinha passado ao lado, pelos menos com todos estes pormenores. O que me choca mais é a conivência das forças de segurança e autoridade (GNR), que se limitaram a assistir a um assassinato, sem esboçarem um só gesto para defender a vítima de maus tratos e a filha.

É quase um lugar comum dizer que é mais que tempo de mudar, que é uma vergonha a forma como alguns agentes de autoridade tratam todos estes casos, sendo coniventes (e até co-responsáveis) por muitas das mortes que têm ocorrido nos últimos anos, por tratarem ocorrências graves de violência doméstica com uma ligeireza incompreensível. 

Será que ainda não perceberam que o país mudou, assim como as leis e a sociedade? É que a Revolução de Abril aconteceu há mais de 43 anos....

(Óleo de Michael Malm)

sexta-feira, abril 14, 2017

A Clandestinidade...

Quando se entrava a sério na luta antifascista, dificilmente se escapava às garras da PIDE.

Para se evitar a prisão eminente, muita gente passava a viver outras vidas, na clandestinidade, saltando de terra em terra, de disfarce em disfarce... 

Era uma vida estranha, em que se tinha de abdicar de quase tudo, desde a família, aos amigos, passando pelos lugares que tanto amávamos...

Tinha de se possuir um espírito aventureiro, uma alma quase de vagabundo e ainda uma boa componente cénica, para se conseguir  mudar de vida de um momento para o outro, criando uma nova personagem...

(Fotografia de Herbert List)

quinta-feira, abril 13, 2017

As Mulheres e as Greves dos Anos Quarenta


Ao fim da tarde de terça-feira assisti a um colóquio em Almada em que se falou nos movimentos grevistas que decorreram durante a Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial.

Embora tenha saído um pouco antes do final, penso que não se falou de um dos aspectos mais importantes das manifestações grevistas que decorreram entre os anos 1942 e 1947, pelo menos as que decorreram no Concelho de Almada: a participação activa das mulheres operárias nestes movimentos. De uma forma estratégica passaram a ocupar as primeiras filas de luta, à espera que os guardas e os polícias tivessem vergonha na cara e não levantassem as mãos e os cassetetes para as agredirem.

Claro que as forças policiais tinham tudo menos vergonha na cara, e as mulheres foram muitas vezes agredidas, ofendidas e feitas prisioneiras. Nada que as abalasse ou retirasse das primeiras filas das manifestações...

Até porque as mulheres tinham mais que razões para protestar, pois recebiam um terço do ordenado dos homens, muitas vezes para funções de trabalho semelhantes. E nem vale a pena falar das crianças, as maiores vitimas desse tempo, em que não tiveram "tempo" para ser meninos e meninas e até para irem à escola...

(Óleo de Joan Rodriguez)

sábado, outubro 03, 2015

A Maioria que Perde Quando Ganha...


Por hoje ser dia de reflexão, podemos olhar de uma forma mais abrangente para o universo eleitoral do nosso país, para a maioria que embora ganhe as eleições fica sempre a perder, por se colocar à margem do acto eleitoral.

Como já perceberam refiro-me aos abstencionistas, que passam a vida a dizer mal de tudo e depois quando chega a altura em que podem decidir alguma coisa (escolher a força política menos má para governar...), ficam em casa.

Por muito descontentes que estejamos com o sistema ficamos sempre a perder.

Falo por experiência própria. Nas últimas eleições autárquicas, abstive-me pela primeira vez. Não quis votar na CDU, por achar que já estavam  à tempo demais no poder (e estão, desde que há eleições livres...) e também não me apeteceu votar na oposição, por "não existir" até dois ou três meses antes das eleições.

O mais curioso é que a minha abstenção (e a dos mais de 60 % dos almadenses - algo que devia fazer pensar os políticos...) acabou por voltar a dar a maioria à CDU.

Porque apesar de toda a "conversa da treta" dos analistas políticos,  a abstenção favorece sempre quem está no poder...

E é isso que também pode acontecer amanhã, o dia de todas as liberdades e de todas as decisões.

Escolhi esta ilustração de Alex Colville, porque ao contrário de outros anos, a habitual ida à praia no domingo das eleições não foi aprovada pelo São Pedro...

sexta-feira, março 13, 2015

Bombista? Pistoleiro? Não. Apenas um grande jornalista.»


Num país onde cada vez se pratica menos o jornalismo de investigação (para não falar de outras coisas, pois as polícias praticamente só investigam as denúncias anónimas que recebem...), é bom existir um jornalista (José António Cerejo) e um jornal ("Público") que são capazes de andar meses a fio atrás do "onde, quando e (sobretudo) o porquê" da notícia, sem se preocuparem se o protagonista é o primeiro-ministro ou o presidente da república.

Ainda que o Cerejo seja bom a largas "bombas" e a "disparar" em todas as direcções, ele é sobretudo um grande jornalista.

Ao contrário de muitos juizes que querem ser o foco das notícias, aparecer na televisão, nos jornais, etc, como se os fossem "justiceiros de Lisboa" (aposto que até gostavam de ter uma série televisiva...), ele apenas quer que a sua notícia seja capa de jornal ou abra o telejornal. E felizmente tem o conseguido muitas vezes.

Declaração de interesses: não conheço o José António Cerejo de parte alguma, nunca falei com ele, nem sei se é gordo ou magro, velho ou novo (consegue ser mais discreto que muitos daqueles que também apenas devíamos conhecer de nome...). Sei apenas que é um dos melhores jornalistas do nosso país.

O óleo é de Heitor Chichorro.

sexta-feira, maio 09, 2014

Uma Sociedade Cada Vez Mais Violenta e Cobarde


É cada vez menos estranho encontrar por nas ruas, alguém de cabeça perdida, preparado para explodir, ao mínimo contratempo que lhe surge pela frente.

E se estão ao volante de um carro podem transfigurar-se e fazer-nos sentir que os automóveis são uma das armas mais perigosas que se usam nas cidades.

Quando alguém acelera à aproximação de uma passagem de peões e ainda grita insultos pela janela, explica apenas um pouco da confusão que deve ter tomado conta da chamada "caixa dos pirolitos"...

Mas o pior está guardado lá para casa, para a mulher e para os filhos, que normalmente oferecem menos resistência que o "mundo exterior"...

Não sei se há displicência dos tribunais e das polícias, sei que a violência está a tomar proporções anormais no nosso país.

O óleo é de Heiner Altmepen.

quarta-feira, maio 07, 2014

Num Lugar Sujo a Limpeza não Passa de uma Ilusão


Não viste os governantes orgulhosos por terem saído de uma "forma limpa" do reinado troikano (algo que ninguém percebe muito o que é, excluindo o presidente da República, que é um sabido), a pavonearem-se na televisão. Não é que tenhas muito com que te preocupar, mas devias ter visto...

Pensavas que não era possível descer mais, quando perdeste o emprego, ficaste sem carro, deixaste de ter televisão por cabo, gás canalizado e por fim até electricidade.

No dia seguinte o prazo do banco esgotou-se e deixaste a casa. Antes entregaste a tua mulher e o teu filho na casa dos sogros e passaste a ser mais um dono das ruas, à procura de um abrigo em qualquer canto ainda vago…

Só que agora tens medo que ainda seja possível descer mais.

Apetece-te morrer da mesma forma que te apetece viver.

O mais esquisito é que ainda tens sonhos…

Ainda te espantas, porque a solidariedade surge de quem menos esperas e de quem menos tem. Nunca imaginaste que alguém partilhasse contigo uma manta cheia de buracos e que ela te aquecesse tanto…

Sabes que é impossível procurares trabalho assim, sujo, mal vestido e com um cheiro horrível.

Disseram-te onde podes tomar banho. E até podes escolher roupa limpa, mas tens um medo terrível da sensação de "limpeza" no esterco da vida.

Provavelmente devias ter dado uma olhadela à televisão para perceberes que é mais fácil do que parece, uma saída limpa...

Nota: A fotografia é da "Casa Viva" do Porto e foi publicada no blogue, "Portal Anarquista".  A faixa foi afixada para festejar o 1º de Maio no Porto, mas parece que houve quem se sentisse muito ofendido e 38 horas depois, numa operação quase de assalto - protagonizada pela PSP, PM e Sapadores do Porto -, a faixa da "Casa Vida" foi arrancada, sem sequer informarem a malta da "Casa".
Mas continuem descansados, não se enervem que ainda vivemos em democracia...

sábado, maio 03, 2014

Um Cobarde Transformado em Herói


Quando as polícias conseguem transformar um cobarde em herói, cai muita coisa por terra, inclusive a lenda (de certeza inventada por um polícia português...), de que temos a melhor polícia de investigação do mundo,  ao mesmo tempo que descobrimos que os problemas da justiça não se resumem aos juízes e ao ministério público.

Um assassino de mulheres nunca pode ser herói em parte alguma do mundo. 

As chefias policiais deviam ter aprendido com o caso da menina inglesa desaparecida no Algarve, que não se fazem buscas em directo, para a rádio e tevê, e muito menos se convoca a cavalaria, os cães e as operações especiais da GNR para a reportagem. 

O espectáculo é inimigo de qualquer investigação ou busca policial, pois estas requerem sobretudo discrição...

O óleo é de Iurie Matei.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Odeio Ladrões de Pé Descalço


Odeio ladrões de pé descalço, capazes de assaltar casais de velhos, ou ainda pior, pessoas que vivem sós, cujas reformas mal dão para pagar os medicamentos e a comida.

Além de pensarem pequenino, são cobardes e perigosos, pois só agridem quem já não se consegue defender, muitas vezes de forma violenta.

Fiquei siderado ao saber do assalto que fizeram a uma senhora viúva, que sobrevive das limpezas que faz aqui e ali. Uma das suas poucas alegrias é pertencer a um grupo de cavaquinhos onde toca e canta, que também são quase a sua "família".

Pois o bandido, ou bandidos, que lhe assaltaram a casa, além de lhe destruírem uma série de coisas, só por destruir, ainda lhe levaram o cavaquinho...

Felizmente um grupo de amigos e conhecidos uniu-se e vai comprar-lhe um novo instrumento, para que a música a volte a animar e faça esquecer os bandalhos que circulam à nossa volta.

O óleo é de Tigran Asatryan.

sábado, junho 23, 2012

Um Outro S.João no Porto


O Projecto Es.col.a, continua activo (felizmente). A sua última aventura foi a reabertura e limpeza da Biblioteca Popular do Marquês, no Porto.

Desta vez até o "Diário de Notícias" se conseguiu antecipar ao "próprio despejo", o que explica como vai isto de notícias no nosso país...

Todas estas aventuras deste grupo de jovens "hiper-activos", que defendem a cultura e a educação (um crime para esta gente que nos governa, como já se percebeu, especialmente para o "salazarinho" do Porto, têm me feito pensar, na forma como são (mal) geridos os equipamentos culturais das autarquias (inclusive aqui em Almada...).

Podem acompanhar esta "cégada" no blogue da Gui, de quem reproduzo com a devida vénia, mais um dos seus excelentes cartazes.


Adenda: segundo um comentário, ainda que anónimo, esta iniciativa partiu de um grupo de cidadãos, do qual se incluem elementos do projecto Es.col.a., e não apenas dos elementos desta Associação.

sábado, abril 21, 2012

Ainda a ES.COL.A do Alto da Fontinha


Continuo a comprar jornais, mais por vicio que por outra coisa.

Ler, leio mais através da "net".

Se há coisa que não perco no "DN" e no "JN", são os artigos de opinião de Manuel António Pina e Ferreira Fernandes, os melhores comentadores da realidade deste país, que não se consegue libertar da "batalha naval" a que continua sujeito, com tanta gente a dar-lhe "tiros" para o fundo...

O poeta Manuel António Pina foi lapidar na forma como comentou a acção de Rui Rio, ontem. É que para se ser um bom político, não basta oferecer uma imagem de seriedade e confrontar os "poderes" de Pinto da Costa...

«Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia participativa? Era demais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música, de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!»

«As retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta.»

Mais um excelente cartaz da Gui (cliquem no seu nome e terão a reportagem na primeira pessoa, com imagens e palavras bem elucidativas).

quarta-feira, novembro 30, 2011

Quando a Realidade Finta a Ficção


O episódio de ontem, na qual o administrador da Caixa Geral de Depósitos foi vitima de "carjaking", quase que coincide com o argumento do filme do meu amigo, de quem vos falei na última "posta".


Ele criou uma situação em que à mesma hora são raptados um ministro, um banqueiro e um empresário, cópias quase fiéis daqueles que pensam ser "donos" do país, e a quem são pedidos milhões de resgate.

E tudo isto começou com um desafio colocado pela personagem principal, um professor desempregado, que se viu obrigado a viver de expedientes, próximos do mundo da criminalidade. Duas semanas foram suficientes para se adaptar e sentir algum gozo nas brincadeiras do gato e do rato, com as polícias. Como ele sempre achou miseráveis os assaltos a velhinhas e a pequenos comerciantes de bairro, começou a questionar os bandidos de segunda e terceira que vai conhecendo, perguntando-lhes porque arriscam tanto por apenas umas dezenas ou centenas de euros, em de vez de correrem atrás dos milhões.

Atónicos e irritados de início, acabam a dar razão ao professor, que também começa a dar aulas a quem vive do lado de fora da lei.

Depois deste exemplo verídico, em que a realidade resolve fintar a ficção, é caso para dizer: «quem tem dinheiro no nosso país que se cuide, ou arranje uma dúzia de guarda-costas».

O óleo é de Mery Sales.

sábado, agosto 06, 2011

A Lição da Cigana


Pensava que os polícias já não andavam atrás das ciganas que vendiam roupa na rua, nem de outros vendedores ambulantes. Pensava... mas estava enganado.


A mulher de saia comprida lá foi obrigada a arrumar a trouxa mas o polícia não parava de a chatear, até que ela o enfrentou, em voz alta, para que todos ouvíssemos: «largue-me da mão, além de ser casada, você não tem boca para me comer nem cu para me cagar.» O agente da autoridade, surpreso, olhou para todos os lados, sem saber o que fazer.

Ela continuou, aconselhando-o: «vá mais é à sua vida e deixe-me com a minha, que de certeza que é muito pior que a sua.» O polícia desta vez não olhou para ninguém, limitou-se a acelerar o passo e a desaparecer da praça, enquanto o diabo devia exclamar, tal como todos nós, surpreendido com ambas as reacções.

Mesmo sem ter uma admiração muito grande por ciganos, simpatizei com a dureza e coragem da mulher, que deu a entender ser capaz de sobreviver a todas as hostilidades do tempo e dos homens.

O óleo é de Arquer Buigas.

segunda-feira, junho 20, 2011

A Noite Antes do Fim


Assim que passei os olhos por este livro policial, gostei logo da capa e do título. Ainda por cima era da autoria de um escritor português que assinava com um pseudónimo quase das américas dos "gangsters", na colecção "enigma", provavelmente pelas contingências do mercado...


Roussado Pinto e Dinis Machado também escreveram policiais com pseudónimos, mas mais próximos dos seus nomes: Ross Pynn e Dennis Mcshad, na colecção "Rififi".

A propósito, Dick Haskins é o pseudónimo de António de Andrade Alburquerque, que ainda continua a escrever, apesar de já ter ultrapassado os oitenta anos de vida.

sábado, maio 14, 2011

«O Senhor é mesmo detective?»


«O senhor é mesmo detective?» A pergunta não o iludia nem desiludia, mas sabia que vinda de uma criança tinha de ter resposta. E uma criança muito curiosa, por isso é que andava por ali a espreitar, até que um dia conseguiu mesmo meter conversa com o "homem misterioso".


Respondeu-lhe que era várias coisas, detective também, mas clandestino, como todos os que trabalhavam no país.

Nada que interessasse ao rapaz, que queria saber outra coisa, graças aos filmes e livros que devorava: «Também tem um arma?» Disse que sim para não estragar o "filme" que já rodava na cabeça do miúdo que não devia ter mais de doze anos, apenas escondeu que raramente a usava. A mãe chamou-o do corredor e ele foi-se embora, despedindo-se com uma piscadela de olho e um tiro certeiro com os dedos da mão direita.

Sorriu e quando ficou sozinho, pensou como apareceu por ali.

Precisava de ganhar dinheiro e o que recebia nos jornais não chegava. Os biscates que fazia para um investigador foram apenas a ponte que o levou a trabalhar por conta própria, algum tempo depois.

Todos os libertários sonham um dia serem os próprios donos do seu destino, não terem um "amo" de quem recebem ordens. Ele para variar não fugia ao ideal.

Se pudesse escolher aceitava menos casos sobre "infidelidades", mas a lei do mercado não se compadecia com gostos ou vontades...

Uma das coisas que lhe dava algum gozo era ser olhado como um "inimigo" pelos polícias, especialmente os incompetentes.

Nunca esperou nem espera compreensão, muito menos agora que dobrou os cinquenta e vai para velho.


O óleo é de Miquel Bosh.