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quinta-feira, maio 09, 2019

A Ficção Dentro dos Sonhos...


Normalmente os meus sonhos não têm grande nexo, nem são muito fáceis de "colar" à realidade.

Curiosamente esta última noite aconteceu-me uma coisa inédita. Sonhei uma ficção, com uma nitidez que até me forçou a acordar, para a deixar registada em papel (não a queria perder por nada...).

Vou contar: vejo-me a entrar no portão da velha casa dos meus avós maternos e depois continuei a andar, pela casa dentro. Sou surpreendido por um homem, a quem me desculpo pela "invasão", dizendo que aquela era a casa dos meus avós... Foi quando resolvi acabar com o sonho.

O curioso é tratar-se de uma impossibilidade, pois a casa nunca foi habitada por ninguém, depois de a avó ter ido viver para a casa de um dos meus tios... E posteriormente foi destruída pelos novos proprietários (centro paroquial...) e hoje é um campo aberto.

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos - a última vez que entrei na casa dos meus avós, em 2010. Já não nos pertencia e estava em ruínas. Mesmo assim acabei por entrar  para tirar as suas últimas fotografias...)

quarta-feira, março 06, 2019

A Descoberta das Linhas do Horizonte...


Devia ter uns cinco, ou seis anos, quando consegui agarrar uma das minhas primeiras memórias do encantamento, graças às linhas do horizonte, que era possível descobrir na parte superior da Ambrósia, a maior, e melhor, fazenda do meu avó materno.

Naquele dia olhei pela primeira vez com olhos de ver os montes, que se sobrepunham, quase como se fossem escadas, ao longe. Nas suas cotas era possível descobrir vários moinhos de vento, que eu me entretinha a contar, de uma ponta a outra (sei que eram mais de meia-dúzia e segundo o avô ficavam na Serra do Bouro...).

Mas havia ainda outro pormenor, quase nos limites do horizonte, que descobri mais tarde, com a ajuda do meu irmão. Se o dia estivesse inteiro e limpo, havia um lugar (tínhamos de descobrir o sítio certo...) que nos permitia ver o azul do mar, quase por uma nesga, da bela baía de São Martinho do Porto.

Lembrei-me deste episódio, quando estava a escrever ontem, sobre a quase "incapacidade" de olhar para o que nos rodeia, com encantamento...

(Fotografia de Luís Eme - Côto)

sábado, março 22, 2014

As Árvores e a Poesia


Ontem não escrevi nada por aqui sobre as árvores e sobre a poesia, de propósito.

Não me apeteceu deixar um poema, muito menos meter-me com a natureza, com as plantas, tão maltratadas por muitos de nós, apesar de serem essenciais à vida...

Tinha pensado em escrever sobre a minha relação com elas, por terem entrado em tempos diferentes na minha vida, por razões absolutamente naturais. 

Por ser descendente de agricultores, desde muito cedo me habituei a conviver com a natureza. Excluindo os quinze dias passados na praia, eu e o meu irmão passávamos os mais de dois meses das férias grandes em Salir de Matos, na casa dos meus avós.

À distância de mais de quarenta anos, sinto que o tempo não era barreira para nada, ou seja, tínhamos tempo para tudo...

Além das mil e uma brincadeiras com amigos, visitávamos as fazendas do avó (a Ambrósia, o Arneiro, a Várzea, o Vale da Moira...), onde eu e o meu irmão éramos mais "pisadores" que ajudantes...

O avô era um mestre das coisas da natureza, estava sempre pronto a ensinar-nos e a explicar-nos o ciclo da vida das plantas. E também gostava de nos contar histórias (uma boa parte eram lendas populares que vinham de gerações). Ainda o consigo ver, ele sentado na cadeira da cozinha e nós sentados nas escadas de pedra que davam para a "casa de fora", muito atentos e em silêncio.

Da poesia não encontro um rasto... Camões deve ter sido o primeiro poeta que me foi oferecido, já na escola primária (o Bocage era espalhado de boca em boca, nas anedotas em que era sempre mais esperto que os espanhóis, franceses ou ingleses, mas nesses tempos não fazia ideia que fosse poeta...).

Na secundária conheci mais poetas. Gostava sobretudo da Sophia...

Pessoa descubro-o já no fim da adolescência. Era impossível não ficar deslumbrado com tanto talento "circense". Sim, ele era palhaço, domava leões, fazia malabarismo e também muito ilusionismo. E fazia tudo bem...

Os seja, a natureza foi-me imposta pelas raízes familiares. A poesia não, foi (e continua a ser) descoberta por mim.

Nesta imagem apareço eu e o meu irmão, disfarçados de agricultores, nos finais dos anos 1960, na Ambrósia...

terça-feira, dezembro 13, 2011

As Cavacas e os Cheiros da Mercearia dos Primos


Quando era pequenote devia abusar da familiaridade dos primos que tinham uma mercearia e um café em Salir de Matos. Acho que o café do primo Zé foi mesmo o primeiro das redondezas. Enchia-se de gente aos domingos à tarde, que chegavam das aldeias vizinhas, montados em motorizadas ruidosas, as famosas "zundapps", "famels", "sachs V5" e "casais".


Mas havia dois sitios ainda melhores, um era a fábrica de cavacas das Caldas deles, onde eu e o meu irmão nos enchiamos de açúcar, quando nos autorizavam a "rapar" os tachos. O outro era a mercearia da prima Ermelinda, onde se podia sentir o cheiro do café e das bolachas maria e de baunilha, vendidas avulsas...


O óleo é de Bernard Safran.