Mostrar mensagens com a etiqueta Fascismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fascismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, janeiro 05, 2019

Não Sei se Foi um Teste, Mas...


Depois da tentativa de "branqueamento" do ideário fascista, através da figura de um nazista confesso, num dos programas televisivos mais populares, fico com a sensação que há mais gente do que o que parece, interessada (sabe-se lá porquê...) em forçar o aparecimento dos "populismos" que invadem a Europa, neste nosso canto.

Como já perceberam que não vão lá com "coletes amarelos",  utilizam outras "armas", com a conivência de alguns canais de televisão, amantes e defensores da "ideologia", debaixo da largura imensa da liberdade de expressão...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 14, 2018

Quando Começam a Sair da Toca...


Um octogenário andou anos e anos a desmentir, e a esconder, que fez parte da Legião Portuguesa. 

Mas eis que o "mundo mudou" e também ele aproveitou a "onda" e começou a perder a vergonha (deve estar agradecido ao Trump, ao Erdogan,  e agora ao Bolsonaro...) e já se passeia pela rua com o emblema da Legião na lapela.

Normalmente não o levam a sério e dizem que o senhor "ensandeceu".

Mas o problema é maior do que parece, como muito bem referiu o Mário, que normalmente fala mais com os ouvidos, ao recordar-nos que o perigo não é o velho. O verdadeiro problema poderão ser os netos dos Pides, dos Legionários, dos Latifundiários e de outra gente do 24 de Abril, quando começarem a exteriorizar o orgulho que sentem por descender desta gentalha que brincou com a dignidade, a honra e a liberdade de tantos homens e mulheres do nosso país... 

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 14, 2018

A Democracia é Outra Coisa...


Esta onda de preocupação (quase doentia) pelo futuro político do Brasil, tem me feito pensar em várias coisas, mas nunca em Bolsonaro, que para mim vale muito pouco como gente, mesmo sabendo que existe uma forte possibilidade de ser o seu próximo presidente.

Tenho pensado sobretudo no nosso país, no que os nossos governantes têm feito à nossa democracia...  ao ponto de 60% da população portuguesa se recusar a votar.

Se quem nos governa, continuar mais preocupado em governar a sua vidinha, que o país, a nossa democracia também terá os dias contados.

Sim, ao contrário do que muito boa gente diz, corremos o mesmo perigo que as outras democracias europeias correm (algumas já foram engolidas...). O que nos tem salvo dos populismos emergentes é ainda estar muito presente na nossa sociedade o "fantasma" da ditadura salazarista e marcelista. 

Mas daqui a dez, quinze anos, a maior parte das pessoas que viveram essa época tenebrosa, já desapareceu... Se nada mudar, estamos cá para ver (infelizmente).

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 24, 2018

O Espelho "Salazarento" na Política...


Claro que não gosto de ex-primeiro-ministros corruptos, mas também me incomoda o falso "retrato" que se tenta fazer de alguns políticos, aos quais só falta dizer que saíram mais pobres depois de terem sido governantes do país. Normalmente são colados à imagem "séria" de Salazar, mais falsa que judas, que a direita tanto gosta de apregoar...

Cavaco Silva e Passos Coelho são os dois ex-primeiro-ministros mais próximos desse paradigma, na chamada "terceira República". Se o primeiro acabou por estragar esta imagem, quando as famosas acções do BPN e a troca de vivendas no reino dos algarves se tornaram públicas, o segundo ainda continua a ser elogiado por continuar a viver em Massamá e passar férias na Manta Rota (até um dia destes, provavelmente, quando descobrirem que afinal também  "mudou de vida")...

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, outubro 23, 2017

Um Falso Estado Laico...


Podia falar da Constituição, da igualdade de género, do facto de sermos um Estado laico, etc...

Ou então da sentença (mais falada no dia de hoje, até mesmo nos telejornais...) produzida por um juiz, que se deve ter enganado no tempo e pensado que estava em 1973 e não em 2017.

Juiz que também dá sinais de ter a "testa bem enfeitada", pela forma como abomina o adultério, ao ponto de citar a Bíblia e focar as sociedades que continuam a tratar a mulher como um ser inferior e a condenam à morte, por alegadamente trocarem de homem...

Mas o que é mesmo grave, é sentir que esta sentença retrata com justeza a nossa justiça, cheia de equívocos, de penas suspensas e de bandidos que passam o tempo a sujar as ruas da liberdade...

(Óleo de Eliot Hpdgkin)

sexta-feira, maio 26, 2017

Os Daltonismos Crónicos e a Liberdade...


Há pelo menos um ponto comum entre a maior parte dos "seguidistas militantes" - políticos, futebolísticos ou religiosos -, no seu limitado mundo "cromático" todos têm de ter um partido um clube ou um credo. Ou estão com eles ou contra eles.

Não acreditam que existam pessoas livres e independentes, que se estão borrifando para tudo aquilo que rodeia a política, o futebol ou a religião.

No tempo da inquisição havia uma solução para eles, as fogueiras. Nos regimes que se fingem democráticos, há o olhar de lado, o apontar o dedo, o fechar portas, a agressão gratuita (verbal e física), os muitos sinais de proibição, com o objectivo claro de criar uma barreira invisível, para onde possam empurrar os "outros"...

Tenho a sensação que é cada mais complicado pensarmos apenas pela nossa cabeça e seguirmos as estradas que queremos...

Mas a liberdade nunca foi uma utopia, sempre foi um desígnio do homem e de quase todos os outros animais...

(Óleo de John Woodrow Kelley)

domingo, fevereiro 01, 2015

O Retrato do "Botas" Mudou de Salão


Não reagi com alegria nem tristeza, quando me disseram que o escritório da família do doutor Henrique já não era ali, rente ao jardim. O senhorio resolveu aproveitar a nova lei das rendas para tornar aquele terceiro andar demasiado caro, para um simples museu de família, mesmo que tivesse um nome respeitado, pelo menos por esta maltinha que está no poder.

Lembrei-me do quadro com a fotografia de Salazar, em destaque numa das paredes do salão, Estava ali como estavam outras coisas, a decorar aquela casa antiga, de uma família que continuava a acreditar nas "castas", como se as pessoas fossem como os vinhos...

Só lá entrei uma vez. Enganado. Foi por isso que estava lá e não estava. Eles falavam e eu fingia que escutava. A única pessoa que conhecia daquela família era o tio médico, ausente do álbum de fotografias desde muito cedo. Era a "ovelha negra", algo que nunca o incomodou. Eles não deviam sonhar que eu o conhecera, mas afirmaram, quando descobriram que eu era de Almada, que quem gostava muito da Outra Banda era o "tio comunista". Oferecendo-me de seguida um sorriso, no mínimo sacana.

Também lhes sorri, enquanto me lembrava que o tal homem do retrato não passava de o "botas", para o doutor Henrique, que embora não fosse comunista, convivia melhor com esse rótulo que com o apelido herdado da família salazarista, que continuava a sonhar com o D. Sebastião.

Sonhos que não iriam desaparecer, agora que foram obrigados a mudar de rua.

terça-feira, janeiro 20, 2015

Democracia Versus Ditadura


Durante o almoço de ontem, falámos de muitas coisas, até de histórias de outros tempos (que não são os meus...) e da sabedoria de algumas pessoas cuja experiência de vida lhes dizia, logo no dia 26 de Abril de 1974, que não iríamos conseguir viver em democracia, porque não sabíamos pensar por nós, nem sabíamos o que queríamos.

Devo acrescentar que estas palavras ditas após a Revolução foram o desabafo de  um oposicionista, culto, cansado de lutar contra a corrente, desde a sua juventude, quando fez parte do MUD Juvenil.

Meses depois entretinha-se a olhar para os "comunistas novos" que subiam aos palanques para discursar. Gente que nunca encontrara nas batalhas que travou contra o salazarismo e o marcelismo. O mais curioso era olhar sem sentir qualquer estranheza.

Ele conhecera muita gente e lera muitos livros (talvez demais, se isso existe...). Por isso, sabia melhor que ninguém, que nas "guerras pelo poder" eram mais importantes os oportunistas que os idealistas... da mesma forma que sabia que precisávamos de viver pelo menos 50 anos em democracia, para nos habituarmos a ser donos das nossas acções e ideias.

Eu escutara em silêncio o filho a retratar o pai, com um orgulho desmedido. E com razões para isso. Foi também por essa razão que me apeteceu homenageá-lo, aqui, no Largo.

O óleo é de Alberto Godoy.

quarta-feira, abril 16, 2014

Um Povo Sem Memória...


Eu sei que não gostamos muito de pensar, e muito menos de recuar no tempo e rebuscar as nossas memórias.

Essa é uma das explicações para sermos governados pela "mesma gente" há quase quarenta anos, com os resultados que todos conhecemos...

Mas o pior são as contas que todos gostam de fazer, entre o deve e o haver da Revolução dos Cravos.

Quem não gosta muito de pensar, diz que a única coisa que realmente ficou de 1974 foi a liberdade, e mesmo essa, tem dias.

A ignorância sempre foi atrevida, claro que ficaram muitas mais coisas. Não podemos pensar o país apenas pelos últimos quatro anos, em que nos têm sonegado muitas das "conquistas de Abril", especialmente em termos laborais.

Antes da Revolução a maior parte das aldeias do nosso país não tinham electricidade, água canalizada, saneamento nem tão pouco acessos por estradas decentes (em muitos casos eram caminhos de cabras...). Havia quem morresse sem ter sido consultado uma única vez por um médico. As pessoas nunca liam a realidade dos factos nos jornais ou revistas, liam sim a realidade dos censores, que cortavam tudo o que achavam "subversivo". Existia uma polícia política que se alimentava de uma rede de bufos, em quase todas as ruas, que prendia quem lhes apetecia, quase sempre sem culpa formada. E para o fim deixo o pior: havia uma guerra nas províncias ultramarinas que matava e mutilava todos os anos milhares de jovens, que eram obrigados a matar e a morrer pela "pátria", depois de serem enfiados nos paquetes da Companhia Nacional de Navegação em direcção a Angola, Moçambique e Guiné...

Felizmente, Abril, deu-nos muito mais que a Liberdade, até nos deu o tal livre pensamento, que muitos não gostam de exercitar, vá-se lá saber porquê...

O óleo é de Mark Okrassa.

quinta-feira, abril 10, 2014

As Casas com Muitas Pessoas


Eu sei que já não há casas com muitas pessoas, como existiram até aos anos setenta do século passado (sei que muitos filhos estão a voltar à casa dos país, mas estas casas normalmente são pequenas, são apartamentos...).

A liberdade e a democracia não só melhoraram as condições de vida das pessoas, como também retiraram muito do poder maternal ou paternal que existiu até aí.

Quando alguém nos diz que uma mulher para sair do país, tinha de ter autorização do marido, explica bem em que tipo de sociedade vivíamos antes de Abril... 

Até as tias solteironas, começaram a viver sozinhas, longe dos olhares e do tal poder castrador dos pais e irmãos.

Só as grandes famílias (não só em número, mas também em fortuna...) é que conseguiram manter este  estatuto familiar, até por muitas viverem em palacetes com mais de uma dezena de divisões, onde os habitantes até se podem dar ao luxo de não se cruzar com os familiares indesejáveis...

Tudo isto porque entrei num palacete, agora desabitado, mas com tantas marcas de gente...

O óleo é de David Martashvili.

sábado, janeiro 18, 2014

É Preciso Sorrir!


Quase que me passava ao lado, que hoje se comemora o "Dia Internacional do Riso".

Num tempo em que quase só se lembramos do circo, no Natal, em que se chama "palhaços" a políticos, quando se tem medo de dizer que são mentirosos, incompetentes  e corruptos, terei de lembrar estes Artistas, que continuam a fazer os possíveis e os impossíveis, para nos roubar um sorriso, e que são únicos.

O óleo é de  Lima Junior.

terça-feira, outubro 01, 2013

Vaidade com Pudor Antes de Abril


Ela sorria enquanto falava do pouco tempo que foi actriz, nos anos sessenta: «havia muito pudor, eramos educados a não dizer o quanto gostávamos do palco ou de uma coisa ainda mais rara e festiva, aparecer na televisão.»

Sem deixar que a interrompesse continuou: «E também nos diziam para não darmos muita confiança às gentes da cultura, porque tinham coisas quase canibalescas.»

Eu sorri-lhe e ela devolveu-me o sorriso e disse: «Luís se mais alguma vez aparecer por cá uma ditadura, foge. Os ditadores são tão mentirosos e castrantes».

O óleo é de Savely Sorin.

quarta-feira, julho 17, 2013

Cartas Vermelhas


Este livro, logo que saiu, despertou-me a curiosidade, pela frase impressa na capa: «a história de uma militante comunista que se apaixona por um inspector da PIDE.»

Tem de ser uma aventura cheia de dramas, grandes e pequenos, pois este é um daqueles casos, em que a escolha de se amar e viver com o inimigo, só podia ser entendido como traição...

E é uma estreia, não conheço nenhuma obra de Ana Cristina Silva.

domingo, junho 09, 2013

O Povo que Somos


Uma palestra a que assisti ontem, que devia ser  sobre Antero de Quental (e foi, com os méritos do prof. Américo Morgado...), acabou por servir para quase todos os presentes falarem sobre essa coisa, boa e má, que é o ser-se português.

O mais curioso é como algumas qualidades (o pacifismo, o voluntarismo, a obediência, a  responsabilidade) se aproximam de alguns defeitos (o comodismo, a servidão, os brandos costumes, a submissão).

Mas fomos mais longe, apontámos mais causas para sermos assim. O clima foi referido várias vezes, assim com as nossas origens. Mas também foi dito que os espanhóis têm o mesmo tipo de clima que nós e descendem dos mesmos povos e são tão diferentes. Saem para a rua para defenderem os seus interesses, não ficam em casa, acomodados à situação, por mais difícil que ela seja.

Como não podia deixar de ser, Salazar também apareceu, pelas piores razões claro, assim como a igreja - sempre solicita a pedir sacrifícios aos mais humildes em nome de deus, prometendo-lhes o mesmo céu que "vendiam" aos seus "donos" - e os senhores todos poderosos das terras, que quase faziam as suas próprias leis.

É triste, mas penso que ainda não nos conseguimos libertar deste "jugo feudal" de tantos séculos, que só foi aliviado em Abril de 1974 (embora eles tenham voltado pouco depois e continuem no poder, como então, a servirem-se e não a servir o Estado...), muito menos de uma igreja que sempre esteve ao lado do tal poder (e assim continua...), que aproveita esta crise para apelar à caridadezinha e chamar a si os "pobrezinhos" e não para denunciar os atropelos que se fazem à dignidade humana...

Não chegámos a conclusão nenhuma, mas lançámos muitas pistas sobre o povo que somos e nem sempre gostamos de ser...

O óleo é de Will Barnet.

quinta-feira, maio 23, 2013

Sentir Sem Agir


Não percebo porque razão sentimos e não agimos.

Sinto que quase tudo nos escapa das mãos, que continuam a transformar-nos em "nada", que somos empurrados para o "vazio", que tanto pode ser um túnel quase infinito como um precipício.

Sei que a tal desigualdade, tão desejada pela meia dúzia de famílias salazarentas, saudosas do tempo em que tinham "escravos", está quase no "ponto". Talvez voltem a ter fábricas disto e daquilo, quintas a perder de vista no Alentejo, e bancos, para especularem e dominarem o país. E depois entretêm-se a espalhar "migalhas", como fizeram durante tantos anos...

Ainda ontem noticiaram que fomos um dos país europeus onde foram vendidos mais carros da chamada "gama alta".

Eu sabia que não podíamos ser bons apenas no "desemprego" e na "pobreza"...

E é por isso que pergunto: o que foi que fizeram de nós, para sentirmos e não agirmos?

O óleo é de Raymond Leech.

terça-feira, maio 14, 2013

Abril: Entre o Sonho e o Pesadelo


Abril parece cada vez mais um sonho, distante.
Às vezes penso que se está a transformar
numa  daquelas recordações infantis, 
que em alguns momentos duvidamos da sua existência.

É então que pergunto:
É assim tão difícil viver num regime verdadeiramente democrático,
onde todos temos deveres e direitos iguais?
Para mim não, mas para alguns nota-se que é um pesadelo.

Nunca percebi (nem vou perceber...),
porque razão "esses alguns" sonham ser donos de tudo,
porque gostam tanto de construir ilhas no meio da terra,
onde tem quase tudo e mesmo assim não vivem satisfeitos.

Pensar,
que é,
por causa dessa gente,
que Abril parece,
cada vez mais,
um sonho distante...

O óleo é de Alexei Antonov.

domingo, fevereiro 03, 2013

A Ideologia Salazarista Cada Vez Mais Presente Entre Nós


Sei que muitas pessoas nunca deixaram de pensar que eram "arianas", alimentando sempre que lhes era possível a "aura" que as tornava diferentes dos outros, a que sempre gostaram de chamar "povo". Só o não diziam em público porque o espírito do  malfadado 25 de Abril ainda estava bem presente nas ruas...

A reboque de uma crise sem igual conseguiram chegar ao poder, disfarçados de "salvadores da pátria", preparados para tudo, até para inverterem o ciclo da própria história.

Os resultados estão hoje bem à vista, pois todos os dias nos roubam direitos e somam deveres, transformando o país num lugar miserável, quase sem lugar para novos e para velhos.

A lição está de tal forma estudada que a ideologia dominante salta da própria sociedade, desde a senhora do Banco Alimentar que resolve vir dar lições de como devemos lavar os dentes ou quantas vezes podemos comer bifes por semana, ao Cardeal Patriarca que quase que apela para não nos manifestarmos, para aceitarmos este "calvário", como se fossemos uns Cristos (coisa que ele não é, nem quer ser, pois não prescinde das suas mordomias...). Só faltavam as palavras do banqueiro multimilionário que sabe-se lá porquê, tem uma predilecção especial pela palavra "aguenta",  para dizer essa coisa inteligente sobre a crise, de que aguentamos, porque os sem abrigo também aguentam...

Infelizmente os sem abrigo já estão praticamente riscados da sociedade, só são preocupação para alguns voluntários que andam pelas ruas a distribuir-lhes roupas, medicamentos e alimentos.

O banqueiro fascista conseguiu ir ainda mais longe que os seus dois comparsas.

O mais grave é que ele tem razão, aguentamos mesmo tudo. Caso contrário, ele já teria engolido as suas próprias palavras...

A fotografia é de Robert Doisneau.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

O Homem da Gabardine Preso à Esquina


Hoje estive à conversa com um velho comunista, que me contou vários episódios da sua vida de resistente, ao qual nem faltaram alguns anos de clandestinidade.

Não me soube dizer como foi que tudo começou, embora se tenha lembrado da razão de ter ganho um ódio terrível às gabardines (nunca teve nenhuma na vida...) e aos chapéus (também não...), por causa do homem que esteve estacionado durante dias na mesma esquina, numa atitude intimidatória e provocatória, rente à porta de um professor proibido de leccionar, inclusive em casa...

E aquele senhor que eles prenderam e soltaram dezenas de vezes, nunca deixou de ser o seu amigo professor.

O óleo é de Juan Luis Jardi.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Caminhamos para os "Dois Países"


Até poderei concordar com o Presidente da República, quando ele caracteriza as pessoas que atingiram à "pedrada" os agentes da PSP e queimaram vários contentores de lixo, desta forma:

«São pessoas apostadas na destruição, na violência, que querem destruir a sociedade.»

Não diz nada de novo. 

O mais curioso é  as suas palavras também poderem ser utilizadas para caracterizar a acção deste governo, apostado na destruição do "Estado Social" português, servindo-se da violência psicológica para  violar alguns dos direitos mais elementares da Constituição da República, ao mesmo tempo que está destruir a sociedade, tal como ela existe desde Abril, para que Portugal volte a ser o país da meia-dúzia de famílias riquíssimas,  que viviam em "ilhas", rodeados de gente pobre e muito pobre...

Este é o presidente que gosta de afirmar, «eu disse» (pensa que a missão do presidente é ser um avisador...), mas raramente diz,«eu fiz». Não é por acaso que só se lembra que foi o primeiro-ministro entre 1985 e 1995, quando lhe convém, só que a história não se apaga com uma borracha, ele é a mesma pessoa que ajudou a "destruir" as pescas e a agricultura e que agora defende que nos devemos voltar para o mar e para os campos...

A ilustração é do Rui Pimentel.

sábado, novembro 03, 2012

Querer Escrever Sobre Este Pesadelo "Fascista" que Está a Destruir o País


Não sei se conseguirei chegar ao romance, mas estou feliz com o regresso das ideias e das personagens, que tentarão retratar esta espécie de gente que se tem governado à nossa custa, que quando se olha ao espelha deve achar-se "iluminada" na arte de enganar. Fazem-me imaginar o feirante sem alma, que exclama, quando conta as notas gordas a um canto mais sossegado da venda, «já enganei mais um.»

Claro que pretendo ir mais longe, não me ficar pela feira, ir mesmo aos salões bafientos do Estado Novo, que estão a voltar a ser recuperados nas casas seculares.

Foi a propósito de uma cena que se passou comigo num desses "salões", que percebi que quando escrevemos é mais importante o que verdadeiramente sentimos que a própria realidade. Vou tentar desmontar o que acabei de dizer. Na história de ficção há uma parte em que o meu "alter-ego" é interpelado desta forma crua: «com que então você é comunista!» Fica sem palavras, até dizer apenas um, «e depois?»

Aconteceu-me algo parecido, mas nunca usaram a palavra comunista, provavelmente por pudor, colocando em causa o meu rigor enquanto historiador. Incomodado, afirmei que a história terá pelo menos sempre dois olhares, antagónicos, um de direita e outro de esquerda. O senhor ainda foi mais longe, falando de uma forma alterada. No mesmo tom acrescentei que era um produto do 25 de Abril e da democracia e que quando escrevia sobre Almada, escrevia essencialmente sobre o povo. 

A terceira pessoa que estava connosco tentou acalmar-me, ao mesmo tempo que o senhor  saiu da sala, depois de o chamarem numa outra divisão. Dois minutos depois voltou, completamente calmo, fingindo que não se tinha passado nada entre nós.

Embora me apetecesse vir logo embora daquela casa, por uma questão de educação aguentei por mais algum tempo a hipocrisia do senhor, agora cheio de amabilidades.

Em princípio iria fazer um trabalho sobre a sua família. 

Claro que depois de pensar a sério sobre a questão, abandonei o projecto. A pessoa amiga que estava envolvida neste trabalho tentou demover-me da minha decisão, mas não conseguiu. Tive pena por ela, mas há princípios que ainda me posso dar ao luxo de seguir, um deles é escrever livremente, sem qualquer tipo de condicionalismo ideológico, mesmo quando se trata de história.

Não estava a espera de escrever tanto, de dizer tanto, neste começo de manhã de sábado, em que mais uma vez as "ideias" fintaram o sono...

A ilustração é de Maria Keil.