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domingo, abril 28, 2019

Os Domingos Também se Libertaram...


Há quem queira trazer novamente para a discussão pública, a abertura, ou não, das grandes superfícies comerciais aos domingos.

Embora eu pertença ao grupo de pessoas que fogem a sete pés dos centros comerciais aos fins de semana (o que me provoca alguns dissabores cá por casa...), sei que há quem os continue a olhar como "templos modernos" e não perca um almoço domingueiro de comida rápida, seguido de um passeio pelas montras, com entradas e saídas pelas lojas mais movimentadas (sim, a agitação, continua a ser o "segredo da coisa"...).

Por isso digo, que são gostos, que podem ser discutidos, mas não proibidos.

E vou mais longe, que cada um de nós faça do domingo, o que mais lhe apetece (sim, também podem ficar fechados em casa, sem tirarem o pijama...). Até podem ir à missa e ao futebol - essas coisas do século passado -, e matar saudades dos "templos antigos"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, abril 12, 2019

Cinquenta Anos são Pouco Tempo...


Uma das pessoas com quem gosto de conversar é um professor-poeta, que embora esteja reformado há já bastante tempo, sempre que nos encontramos, oferece-me lições de qualquer coisa, e sem perder o gosto de ouvir o outro, o que começa a rarear nestes tempos de "surdez colectiva"...

Normalmente falamos das pessoas, tentamos justificar comportamentos. E nunca é difícil encontrar explicações, mesmo que por vezes passem um pouco ao lado deste mundo, com tanta gente tonta (prefere chamar tontos aos loucos...).

Foi nesta viagem pelo tempo, que ele me fez um esboço do nosso país antes da Revolução de Abril. Falou-me das pessoas que nasciam, cresciam e viviam de uma forma completamente miserável. Das aldeias pobres, onde não havia electricidade, água canalizada, esgotos (a maior parte das casas nem sequer tinham casas de banho...), escolas ou centros de saúde. Dos "bairros de lata", sem condições mínimas de habitabilidade, que cresciam nos subúrbios das grandes cidades, principalmente em Lisboa.

E depois disse-me que cinquenta anos são muito pouco tempo para que pessoas, que viveram em condições tão difíceis, possam ter evoluído, ter cultivado o gosto pelas coisas que realmente interessam na vida. E ainda se torna pior se viverem num tempo em que o dinheiro está no começo e no fim de tudo...

Respondi-lhe que a minha geração e as seguintes já cresceram em liberdade, e por isso, devíamos ser diferentes.

Pois, mas nada é perfeito, disse-me ele. Acrescentando que continuam a nascer demasiadas coisas tortas à nossa volta. E como diz o povo, muito bem, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, dezembro 10, 2018

O Homem que Finge que Não Gosta do Natal...


Olham para ele, como o homem que não gosta do Natal. É o único do armazém que nunca foi ao jantar pago pelos patrões na noite de 23 de Dezembro. Se não janta, ainda menos leva os filhos à festa que se segue, para receberem os presentes, comprados por atacado aos chineses.

A questão é mais grave do que parece. Ele nunca suportou os "filantrópicos" que andam a vida inteira a explorar os seus empregados, pouco preocupados, como sobrevivem todos os meses com ordenados miseráveis. 

E como nunca gostou de "esmolas", mesmo que venham embrulhadas em papeis brilhantes, finge que detesta a época natalícia...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, setembro 20, 2018

Uma Mulher Só...


Hoje nas notícias televisivas da hora de almoço vi a reportagem sobre a Empresa Corticeira de Santa Maria da Feira, que foi obrigada a reintegrar uma operária que despedira.

Já conhecia o caso através dos jornais e sabia que a senhora tinha como nova função carregar paletes de madeira, de um lugar para o outro, provavelmente com o objectivo de a reduzir a "um farrapo humano" e conseguirem que ela acabe por ir embora, pelos seus próprios pés. 

Mas esta "mulher-coragem" não é de desistir às primeiras, parece ser um "osso duro de roer" (e ainda bem)...

Infelizmente esta prática é mais comum do que parece no nosso mundo laboral.

Mas o melhor da reportagem estava guardado para o fim, com o "espectáculo" dado pelos seus colegas de trabalho, 30,  através do testemunho de uma operária e de um operário: além de a culparem por tudo o que estava a acontecer, afirmaram que os trabalhadores da fábrica estão todos do lado do patrão...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 19, 2018

No Negócio do Futebol Tudo é Possível...


Daqui a alguns minutos vai acontecer algo inédito, o jogo entre o Benfica e o Bayern de Munique no Estádio da Luz, não será transmitido em nenhum canal (generalista ou por cabo), porque é possível a qualquer um de nós (desde que tenha uns milhões no bolso...) comprar o pacote de jogos da Liga dos Campeões...

Nem sei o que diga... 

Aliás, até sei. Sou obrigado a falar deste "capitalismo" que destrói tudo à sua volta, e claro, da "ganância humana", deste hábito de querer muito dinheiro, a qualquer preço, e o mais rapidamente possível.

Sei que por este caminho, um ano destes, vamos acabar até por ter de "pagar" o Sol, pelo menos aquele que surge de mãos dadas com o Oceano Atlântico.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 10, 2018

O Exemplo Maior da Nossa "República da Mediocridade"...


Temos dezenas e dezenas de maus exemplos da nossa "República da Mediocridade", da saúde à administração interna que, de ano para ano parecem agravar-se, apesar de algumas tentativas infrutíferas de alguns "sonhadores", para melhorar o estado das coisas...

Onde ninguém tenta melhorar nada, há já mais de 30 anos (pelo menos desde o famoso "cavaquistão"...) é nos nossos transportes ferroviários.

A sensação com que se fica (sei que não sou o único que fico...), é que todos aqueles que têm sido escolhidos para administrar a CP, têm como objectivos principais da sua gestão, o aumento dos passivos da empresa, a redução de horários e composições e  a degradação das condições oferecidas aos utilizadores deste transporte histórico, cuja resistência é digna de realce. 

Só mesmo o comboio é que conseguia aguentar todos estes ataques violentos, perpetuados, de Norte a Sul. Talvez por deslizar em carris de ferro...

Era bom que alguém fizesse um dia a história deste transporte, sem se esquecer de frisar todos os jogos de interesse que foram desviando as mercadorias e as pessoas, das linhas férreas para as auto-estradas. E claro, os nomes dos administradores, do arco governativo do costume (PS, PSD e CDS) que sempre demonstraram mais vontade em servir interesse particulares, em prejuízo dos do Estado e de todos nós...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, julho 17, 2018

Quando a Inteligência, a Esperteza, a Demagogia e a Alegria (aparente), Sabem a Pouco...


O Governo de António Costa e a "Gerigonça" será um dos grandes casos de estudo político, nos próximos anos, graças ao "milagre" da sua manutenção no poder e também pela quantidade de adjectivos (muitas vezes antagónicos...) e de substantivos que faz despertar em cada um de nós.

Percebemos no trabalho, nas escolas, nos hospitais nos super-mercados e nas ruas, que a nossa vida, dia após dia, se vai tornando cada vez mais difícil. Uma maior parte de nós há quase uma década que não vê os ordenados e pensões aumentados. Ao mesmo tempo que tudo à nossa volta vai aumentado, desde os bens essenciais, às rendas e aos combustíveis.

Mesmo assim, o Governo e o primeiro-ministro fingem que está tudo bem.

As únicas vantagens que noto são o aparente bem estar social, devido à "alegria postiça", que começa e acaba com os sorrisos do Costa e de toda a sua "corte de seguidores", que nos deixam com a sensação de que passam mais tempo a "vender sonhos" que a governar...

Eu sei que, apesar de tudo, é preferível  viver neste "aparente paraíso", que no país do "Passos e da Troika", em que, além de mandarem os nossos filhos emigrar... difundiam um orgulho (quase salazarento), de irem mais longe que a troika", enquanto iam destruindo, despedindo e retalhando o país.

Mas é bom que "os costas" comecem a fazer coisas realmente importantes e úteis para todos nós, especialmente na saúde, na educação, no trabalho e nos transportes.

Até porque o "estado de graça" alimentado pela "governação com sorrisos" e pelos acasos que têm alimentado a comunicação social (os "brunos", os "meninos da Tailândia" e os "mundiais"...) começa a ter os dias contados.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

A Beleza do "Pior Tejo"...

Apesar de o Tejo continuar a ser tão maltratado na região, as chamadas "portas de Rodão", são sempre belas, em qualquer estação...

Só por isso, merecia que os humanos fossem mais humanos...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, fevereiro 04, 2018

Cacilhas Aproxima-se do Pior Algarve...


Nas três últimas vezes  que fomos jantar a Cacilhas (três restaurantes diferentes...) notámos duas coisas: pagámos mais e fomos pior servidos que o que era habitual.

Não me agrada nada esta "aproximação" aos piores exemplos do Algarve, nos tempos em que esta região quase se "transvestia" numa colónia inglesa. 

Tenho alguma pena que os donos dos restaurantes não percebam que vão ser eles que irão ficar a perder, a médio prazo, porque os turistas podem só vir a Cacilhas uma vez, mas os portugueses (que continuam a estar em maioria...) nunca gostaram de "comer gato por lebre"...

Era bom que pensassem no assunto, porque ainda vão a tempo de inverter esta má prática, de pensarem apenas no lucro. A sua experiência devia dizer-lhes que os clientes satisfeitos voltam sempre, ao contrário dos outros... 

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 04, 2017

O Nosso Novo "Pseudo-Ronaldo" na Ribalta Europeia...

Espero que o nosso novo "pseudo-ronaldo" não seja tão inconsequente e evasivo como foi por exemplo Durão Barroso. E que no mínimo transmita uma melhor imagem do país para o exterior (sem insinuações e sem histórias "proibidas" de corredores...).

(Fotografia de Alberto Frias - via "Visão")

quinta-feira, junho 22, 2017

Publicidade Obscena

Quando vi esta página de publicidade (paga) no maior jornal português ("Expresso"), pensei logo em guardá-la. Achei-a tão pertinente como polémica, por ser notoriamente mais um produto da "pós-verdade".

Compreendo que a Celpa (Associação da Indústria Papeleira) faça o seu papel e defenda os interesses dos seus associados. Já não compreendo que ninguém questione o conteúdo da publicidade, até por ser "enganosa", para não lhe chamar outra coisa. Muito menos que eles se assumam como "a economia portuguesa"...

Nem vou sequer abordar o facto da indústria da celulose ser o sector que retira mais dividendos dos incêndios (a par dos vendedores de equipamentos para bombeiros e das empresas que alugam helicópteros e aviões...). Vou sim questionar: como é possível um país pequeno e sem grandes recursos, gastar todos os anos milhões de euros no combate aos incêndios (muitas vezes mais do que gastaria em prevenção...), com a complacência de todos os partidos com assento parlamentar e até da Europa.

É por isso que espero que o que aconteceu às 64 vítimas do maior incêndio de que se tem memória no nosso país, signifique finalmente um ponto de viragem na política seguida pelos nossos governos, quer no ordenamento do território, quer num melhor aproveitamento dos solos agrícolas e florestais de Norte a Sul.

quinta-feira, junho 01, 2017

Os Esquecimentos sem Inocência...

Embora os tempos pareçam fartos, graças ao optimismo exagerado do Presidente da República (campeão de tantas coisas banais para um chefe de Estado, embrulhadas em sorrisos, beijos, "selfies", etc) e dos governantes, que abraçam todos os turistas, especialmente os que compram "vistos dourados", a vida dos portugueses continua a ser outra coisa...

Ontem estive com um amigo das escritas (quase todas, do jornalismo à poesia...), que desancou no maldito capitalismo que tanto lhe inferniza a "vidinha", sem se esquecer de apontar a dedo dois ou três amigos, que deixaram de lhe atender o telefone, quando ele mais precisava. Já conseguiu equilibrar novamente as coisas, mas voltou mais uma vez para casa dos pais. E com o preço das rendas na Capital, não sabe quando poderá voltar a ter um espaço só para ele em Lisboa...

Deu-me exemplos da tal meia-dúzia de falsos amigos que lhe pediam colaborações para jornais e revistas, que o riscaram da lista de colaboradores, sem qualquer explicação ou desentendimento. Foi esquecido e pronto. O pior de tudo foi isto acontecer quando mais precisava.

Eu escutei-o pacientemente e em silêncio. Porque nestas alturas não há nada que possamos dizer ou fazer, que mude o que se sente. Limitei-me a dizer o que todos já sabemos, não é por acaso que dizem que este é um "mundo-cão"... 

Apenas lhe dei um exemplo. Durante meia-dúzia de anos colaborei numa revista, número a número, sem nunca receber qualquer dinheiro. Fazia-o essencialmente para que o projecto não acabasse. Quando decidiram fazer um número especial, convidaram várias "sumidades", e eu acabei, naturalmente, esquecido...

Embora ele seja mais novo que eu, sabe bem demais que este mundo está cheio de gente mal agradecida, capaz de nos encher de sorrisos prometedores, mas que nunca se esquece de trazer de casa uma "faca de cozinha" escondida na meia...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, março 15, 2017

As Queridas Utopias...


Vivemos num tempo em que as ideologias dominantes querem acabar com tudo, até com a nossa capacidade de sonhar.

Continuo a pensar que as utopias nos fazem bem, especialmente quando são positivas ou trazem valor acrescido para nós, no todo.

É também por isso que acho bem que o PCP e o BE continuem a defender as linhas programáticas que sempre defenderam, apesar de hoje terem alguma responsabilidade governativa.

E neste caso particular, estes cartazes nem têm nada de utópico (excepto para os pequenos e grandes capitalistas...).

Noutros tempos, socialmente mais justos, era perfeitamente normal que a cada trabalho permanente correspondesse um contrato efectivo.

Como diria o Carlos, «não confundam cagalhões com marmelos». 

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 11, 2016

O Sonho não Enche Barriga (e diz-se que é no aproveitar que está o ganho)...

Ontem andei "perdido" por Lisboa e a meio do caminho escrevi:

Quase que deixámos de "existir".
É como se tivéssemos vendido
a Cidade a todos estes turistas
de várias idades, cores,
palavras e nacionalidades.

Trespassamos lojas, restaurantes
museus, entre outras lugares errantes...
Fizemos de cada lisboeta um guia,
mas o seu sorriso aberto é diferente,
foi vendido a este "reino da fantasia".

Até as almas sonhantes
dos bairros do antigamente
se renderam-ao poder do dinheiro,
alugaram as suas casinhas
e estão a viver no "galinheiro"...

Claro que há algum exagero nas minhas palavras, mas foi o que saiu... E resolvi não retirar as vírgulas.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 29, 2015

O Querer e o Poder Mudar...


Todos os anos nos acontece a mesma coisa, mas...

Podemos e queremos mudar quase tudo das nossas vidas, mesmo sabendo que as coisas não funcionam dessa maneira, porque estamos quase sempre dependentes de tudo aquilo que nos rodeia, especialmente as pessoas. 

Deve ser por isso que apostamos sempre mais na mudança exterior e que as lojas de roupas e de outros acessórios não têm mãos a medir nestes dias. 

Claro que nem tudo é mau, pois este desejo não deixa também de ser uma boa desculpa para aceitarmos que uma ida ao cabeleireiro ou ao centro comercial, nos oferece a mudança possível para 2016...

O óleo é de Karel  Appel

segunda-feira, novembro 16, 2015

Vivemos Tempos de Medo e de Desconfiança


Vivemos tempos de medo e de desconfiança. Não é de agora, nem tem nada que ver com os atentados de Paris.

Provavelmente terá alguma coisa a ver com o 11 de Setembro, com a invasão do Iraque, mas o que tem mesmo muito a ver, é com o poder insaciável do capitalismo, com a facilidade com que ele destrói vidas.

Quando se diz que o capitalismo não tem rosto, é mais uma mentira, das muitas que nos impingem diariamente. Claro que tem, é nem mais nem menos que a "tromba" da gente que se exibe nas listas dos mais ricos de cada país e do mundo.

São eles que andam por aí a distribuir medo por todas as ruas, que despedem as pessoas que lhes apetece, sem se preocuparem se têm família para sustentar, casas para pagar.

São eles que constroem hospitais, escolas, apenas com o objectivo de ganhar dinheiro. Para que a saúde e a educação deixem de ser direitos de todos nós, como está escrito na constituição.

São eles que escolhem os ministros e deputados que mais lhes convêm, para que aconteça o que aconteceu no nosso país nos últimos quatro anos. Os ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres.

São eles que dominam os jornais e as televisões, que só nos mostram e escrevem o que querem, oferecendo ainda mais "medo" e "desconfiança", especialmente a quem não gosta muito de pensar pela sua própria cabeça.

Além de vivermos tempos de medo e de desconfiança, se não mudarmos de rumo, caminhamos para a "autodestruição", porque esta Europa capitalista não é boa para ninguém, nem mesmo para os Europeus.

O óleo é da alemã Dorte Clara Wolff.

quarta-feira, outubro 28, 2015

Continuo a Pensar que o Jornalismo é Outra Coisa


Há vinte e três anos (como o tempo passa...), embora já fizesse jornalismo, sabia que a formação era importante e foi por isso que me inscrevi e fui admitido num dos cursos de jornalismo do CENJOR, onde continuei a minha aprendizagem (até aí sobretudo empírica), graças aos excelentes professores desta escola profissional.

Já nessa altura durante algumas aulas era comum questionarmos se o que o "Correio da Manhã" fazia era jornalismo. O problema é que o jornal, com o passar do tempo, ainda se conseguiu tornar em algo mais distante do que deve ser um órgão diário de informação, livre e pluralista.

Nunca se tornou tão evidente como nestes nossos tempos, que o "negócio", o "espectáculo" e a "sensação" se impuseram de vez, ao ponto de a verdade passar a ser uma coisa secundária nas suas páginas.

Nunca me esqueço de um assalto feito apenas por um jovem, que vivia com dificuldades financeiras, à recepção de um hotel lisboeta, e da volta que este jornal deu ao acto criminoso, colocando na sua primeira página a notícia de que "gangues organizados" andavam a semear o terror nos hotéis lisboetas. Este é apenas um, mas podia dar dezenas de exemplos do mesmo cariz.

Sei que este modelo de notícias oferecidas quase como episódios de novela vende. Também já percebi que as pessoas que lêem este jornal vivem sequiosas de sangue e de misérias alheias, mas também sei o jornalismo é outra coisa... 

O óleo é de Eva Navarro.

segunda-feira, setembro 28, 2015

A Mentira e a Manipulação Terão a Resposta dos Portugueses no Domingo


Continuo convicto de que a mentira e a manipulação (cada vez mais descaradas) terão a resposta dos portugueses no próximo domingo, com uma derrota convincente da direita.

Percebo que os comentadores da direita (em maioria nas televisões) aproveitem o tempo de antena, para fazer o seu papel e distorcerem a realidade sempre que lhes é possível. Assim como também  percebo que as redes sociais sejam normalmente tendenciosas e polémicas, tanto à esquerda como à direita.

O que  continuo a não entender são os "fretes" do jornalismo da actualidade, cada vez menos livre e independente. E o mais grave é ter a sensação de que vai ser muito difícil libertar-se de todos os interesses que o rodeiam, que começam e acabam nos interesses dos seus proprietários. 

Também me faz muita confusão que o secretário geral do PS tenha mais inimigos dentro que fora do partido. E que tenha revelado tantas fragilidades durante os últimos meses.

Mas não acredito que estes dois factores negativos sejam suficientes para colocar a coligação de direita à frente do PS em todas as sondagens. Isso só acontece porque a direita também controla as empresas que realizam estes estudos.

O que eles não controlam é a nossa liberdade pessoal. A nossa vontade de nos vermos livres de gentalha que a única coisa que fez em quatro anos foi empobrecer o país e os portugueses, ao mesmo tempo que privatizavam quase todo o país, depois de ajudarem a destruir empresas, como aconteceu com a TAP ou com os Estaleiros de Viana do Castelo, por exemplo. E nem vou falar no que fizeram à saúde, à educação e à cultura do nosso país.

É por isso que só há um caminho no domingo, votarmos contra a mentira e a manipulação desta gente ordinária e desonesta.

O óleo é de Heitor Chichorro.

sexta-feira, maio 15, 2015

Um País de Pernas para o Ar


Os últimos episódios violentos com adolescentes (um video viral com agressões e a morte de um miúdo de catorze anos por outro de dezassete, com sinais de violência indescritíveis...)  são a melhor prova de que está tudo a ficar de pernas para o ar.

Embora os políticos continuem a dizer que o país está melhor, assiste-se diariamente a uma sociedade entre a "depressão" e a "explosão", sem trabalho, sem dinheiro e a fugir cada vez mais da razão. 

As pessoas já perceberam há muito que não podem acreditar em ninguém, especialmente nos governantes. Mas em vez de lutarem pelos seus direitos e pela mudança, baixam a cabeça, cobardemente.

E é por sermos um país de cobardes, que normalmente a raiva que as pessoas vão acumulando é descarregada em cima dos elementos mais fracos e desprotegidos da sociedade (mulheres, crianças e idosos).

De quem é a culpa? Só pode ser de todos nós. De quem está no "palco" e acha que pode fazer tudo e mais alguma coisa, e também de quem se demite das suas responsabilidades e fica sentadinho na "plateia" a assistir ao  espectáculo, como se não fosse nada com ele.