sábado, julho 22, 2017

Estou e Não Estou...

(Claro que não estou... mas para o "Largo" não estar completamente ao abandono, finjo que estou...)

E até me apetecia estar na Foz do Arelho, a levar "tareia" daquele mar que fala... mas estou mais a Sul...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, julho 15, 2017

Escrever e Acrescentar Palavras...

Estou a escrever estas palavras e a acrescentar outras palavras a um papel "auxiliador de memória".

À medida que os anos vão avançando, sentimos cada vez mais necessidade de recorrermos a listas, especialmente quando nos deslocamos de um lugar para o outro. 

E se formos para férias, a lista "cresce" mais, porque quase que queremos "levar a casa às costas"...

Já escolhi os livros que vou levar para ler, mas acho que ainda vou trocar um ou outro. Como de costume o computador fica de férias em Almada.

Para que o "largo" não fique completamente abandonado, há pelo menos uma "posta" programada por semana.

Até um dia destes.

(Óleo de Karen Hollingsworth)

sexta-feira, julho 14, 2017

Eu Escolhia, "Indiferença"...


Este quadro do meu conterrâneo, José Malhoa, que me habituei a ver desde pequeno, representado em tamanho grande pela estátua que dá às boas vindas aos visitantes do seu Museu, no coração do Parque das Caldas da Rainha, tem "oficialmente" dois títulos.

Tanto pode ser o "Atelier do Artista" como "Descanso do Modelo". 

Mas eu preferia chamar-lhe "Indiferença". De um lado está o artista a fumar um cigarro e a ver o esboço, do outro está a modelo a olhar para outras telas, enquanto o tempo vai passando, sem se esquecer que é paga à hora... Por muito desconfortável que seja estar ali, apenas com um trapinho a fingir que esconde alguma coisa do seu corpo.

(Óleo de José Malhoa)

quinta-feira, julho 13, 2017

Que Bem que se Está no Oeste...


Saio de Almada, já depois das onze da manhã, com trinta e vários graus de temperatura.

Antes de me aproximar de Torres Vedras sinto que o tempo está a mudar... Não é apenas o céu que perde o seu azul vivo, a temperatura vai baixando (mesmo que o termómetro do carro não seja o mais fiável...).

Quando chego às Caldas sinto um vento delicioso no ar e uns não menos saborosos vinte e seis graus.

É mais que caso para se dizer: que bem que se está no Oeste...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, julho 12, 2017

A Publicidade Feliz


Há cartazes de publicidade que me deixam parado a olhar.

Este é um deles. Só que ainda não me tinha cruzado com a sua versão mínima de "táxi"... e também gostei.

Sei que a publicidade é muito sexista. Mas também sei que não há nada melhor que uma mulher bonita para fazer com que o trânsito rode mais devagar...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, julho 11, 2017

A Moral é Para os Outros...

A moral é para os outros. Sempre foi assim, ainda antes da "sabedoria popular" libertar a pérola «faz o que eu digo, não faças o que eu faço». E também antes do Salazar ser "rei sem coroa", pois apesar dele ter um bom costado, não tinha costas para todas as coisas que lhe atiram hoje para cima...

Não sei quando é que os espertos apareceram por aqui, mas desconfio que foi logo depois do Adão e da Eva terem deitado fora as parras.

Foi por isso que voltámos a presente...

Na religião, na política e no futebol é onde se segue mais à risca este "princípio".

Foi praticamente o único ponto em que estivemos todos de acordo, ao sabor do nicola e do cheirinho de medronho. 

Houve quem quisesse introduzir os prostíbulos para a conversa, mas não pegou. Nem sequer se pode falar de moral nestes lugares de comércio. São quase talhos, onde se podem alugar "bifes", como muito bem disse o Diogo.

Começámos e acabámos sem sair da frase, mas ainda mais convictos, de que a moral é mesmo para os outros...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, julho 10, 2017

Fim de Tarde de Domingo...

Nós sabemos que daquele miradouro se vê muita coisa. Desde o Cristo Rei ao Tejo-Mar, passando pela Cerca, pela Torre da Câmara, e claro, de quase toda a margem do rio, do Ginjal à Arealva, e também de Lisboa, de Belém (sim vê-se a Torre...) até às docas do Oriente (quando o rio curva...).

Foi por isso que subimos...

Esquecemos que hoje os pintores já não param em Almada para ver com olhos de hipnotizador a sempre bela Lisboa, memorizando cores e lugares... Sempre que podem culpam a fotografia por lhes ter roubado o prazer de pintar "retratos"...

O Jardim do Castelo também perdeu importância, parece "esquecido": o coreto não recebe bandas de música, antigas ou modernas, o parque infantil raramente agarra uma criança, o miradouro também já recebeu mais turistas. Até o restaurante que já foi de modas, parece ter perdido o brilho...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 09, 2017

Lojas e Bares com Mais Cor e Vida...

O mais que batido empreendedorismo - usado como bandeira política sempre que dá jeito - acabou por ser uma consequência natural da crise e da "invasão" da troika e do fmi, que tão maltrataram o país e os portugueses. 

Foi a resposta "forçada" de muito boa gente, que precisava de arranjar uns euros para a sopa e para as batatas com atum e o arroz com salsichas. 

Quem tinha e tem bom gosto conseguiu transformar muitos espaços vulgares, fechados e abandonados, em lugares que permanecem especiais...

Não sei qual é a história do bar lisboeta, "House of Corto Maltese", sei apenas que é um lugar bonito.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, julho 08, 2017

A Publicidade (selvagem) de Parede

É possível encontrarmos sempre qualquer coisa de belo no grotesco.

Embora a colagem de cartazes nas paredes seja quase sempre um atentado ao bom gosto, existem excepções. Por exemplo, há zonas degradadas que ganham alguma vida com as cores da publicidade, de cinema, teatro ou concertos. 

Há um pouco de selvajaria neste jogo de colagens (cola-se sempre em cima de alguma coisa, mesmo que ainda não tenha acontecido...), tal como existe nas "pinturas de parede".

Mesmo assim, gosto de tirar fotografias aos dois exemplos...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, julho 07, 2017

Ter de Esperar e Ficar por Ali às Voltas...


Não gosto de esperar. Muito menos mais de uma hora.

Nem mesmo a prática do jornalismo me deu "paciência"... Sim, houve algumas "prima-donas" do futebol que me fizeram esperar mais de  duas horas. E eu tinha mesmo de esperar porque não podia "fechar portas", nem deixar o jornal mal visto.

Hoje enquanto esperava fui dando voltas, tirando fotografias aqui e ali, subindo e descendo escadas, espreitando janelas, olhando quadros e fotografias que animavam as paredes.

Também desta vez era parte interessada... tinha de esperar, por mais um mau profissional, a juntar aos muitos que fazem deste país, o que ele de facto é... E que apesar de todo este "boomm" de gente a querer espreitar Portugal, deixa muito a desejar.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, julho 06, 2017

Um Céu com Nuvens...

Hoje lá foi mais um dia com "quatro estações".

Gostei sobretudo do vento quase fresco do fim da tarde.

Na fronteira entre o Ginjal e a Fonte da Pipa, foi possível olhar o Tejo assim...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, julho 05, 2017

Mais de Quarenta Anos de Desconfianças e Medos...

Os políticos do "bloco central" nunca se conseguiram relacionar de uma forma normal com os militares. 

Nunca lhes perdoaram o facto de terem sido os verdadeiros heróis da revolução, e muito menos da "contra-revolução".

Vingaram-se de várias maneiras. A mais visível é o facto de nenhuma das grandes figuras de Abril ter atingido o posto de general. Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vitor Alves, Otelo Saraiva de Carvalho ou Vasco Lourenço,  marcaram e marcam passo como coronéis...

Muitos dos políticos que foram ministros e secretários de Estado, a partir de 1976, nem sequer cumpriram o serviço militar obrigatório (talvez por isso, tenham conseguido acabar com este desígnio patriótico, que em muitos casos era único na vida de milhares de jovens, pois só na instituição militar percebiam o verdadeiro significado de palavras como disciplina, respeito, ordem e espírito de corpo...), ou seja, eram contra a instituição sem sequer perceberem a lógica da sua existência.

Outros mais sabidos tinham "medo", até por saberem que as grandes revoluções do país tinham tido como principais actores os militares. Foi por isso que andaram anos anos a nomear para as suas chefias oficiais generais conservadores e pouco incómodos (na gíria militar "lambe botas"...).

A única coisa a que não podiam fugir era às obrigações que Portugal tinha com a Nato. Foi por isso que continuaram a gastar dinheiro em missões internacionais e em armamento (mesmo com exageros, como foi o caso dos submarinos do Portas...).

Alguns militares mais atentos foram lançando avisos ao longo dos anos, que eram desvalorizados tanto pelos políticos do costume como pelos jornalistas, que gostavam de os apelidar como a "brigada do reumático".

E agora somos notícia no mundo, por um daqueles acontecimentos, que quase parecem anedota (se puderem leiam a crónica de hoje do Ferreira Fernandes no "D. Notícias"...), mas aconteceu mesmo.

E como acontece sempre nestes casos, os políticos de direita da oposição - gente sem vergonha e sem memória -, "exigem" demissões, demitindo-se eles, como de costume, das suas responsabilidades (que não são menos que as do PS...) de mais de quarenta anos de governação contra a instituição militar.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, julho 04, 2017

O que Fazemos com as Memórias...


Eu sei que não damos o mesmo uso às memórias. 

Há quem as esconda num baú e tente fugir-lhes para todo o sempre, mesmo que isso seja uma impossibilidade. E há quem conviva diariamente com elas, como é o meu caso. Quando se faz trabalho de investigação, acabamos por andar sempre metidos dentro das memórias, nossas e dos outros.

É  também por isso que sei que é normal sermos selectivos, guardarmos os melhores bocados das nossas vidas nos "bolsos" mais à mão. Como diz o Fernando, precisamos sobretudo dessas memórias, para nos aguentarmos e mantermos-nos à tona da vida...

Os melhores alimentos para esta "memória intemporal" são as imagens e os objectos que de vez enquanto nos aparecem à frente. Não há nada como uma fotografia ou um pequeno instrumento, ou artefacto, para nos levarem de viagem por lugares e gentes...

Eu por exemplo, ao olhar uma das mulheres deste quadro, lembrei-me que não havia casa do antigamente que não tivesse uma bilha de barro, para manter a água fresca...

(Óleo de Santiago Rusinol)

segunda-feira, julho 03, 2017

Quase o Melhor Prédio do Mundo...


Quatro casas alugadas depois, sente que conseguiu o equilíbrio necessário entre um bom espaço físico e uma paisagem humana secundária, cumpridora da frase feita, "vive e deixa viver".

Quando lhe dizem que mora no "prédio dos velhinhos", sorri, mas o que lhe apetece dizer é que mora quase no melhor edifício do mundo.

Lembra-se vagamente de cães a ladrarem, de criancinhas a chorarem, mas sobretudo da gente bruta que entrava no prédio depois da uma da manhã quase aos gritos, e que quando entravam em casa, não dispensavam o bater com a porta, como se o eco desta fosse um "despertador" para a vizinhança.

Uma vez chamou a atenção ao casal de trintões que morava à sua frente. Responderam-lhe com maus modos e olharam-no de alto a baixo com olhares quase assassinos, oferecendo-lhe outra frase batida, "quem está mal muda-se". E ele assim que pôde, mudou-se mesmo. 

É por isso que em apenas dois anos já vai na quarta casa (bateu o recorde de permanência nesta última, sete meses), mas tudo indica que é para continuar, até por gostar das vistas, do bocadinho de Tejo que consegue ver se se colocar em cima de um escadote na janela da sala.  

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 02, 2017

O Lado "Vampiresco" da Política...


Há muitas coisas que me incomodam na política e no jornalismo especializado.

Uma das mais irritantes é o lado "vampiresco" dos seus múltiplos actores, sejam eles políticos, comentadores ou jornalistas.

Sempre que acontece uma desgraça, o que todos eles querem é "sangue", começam logo por pedir demissões (muitas vezes parece ser a sua única preocupação, como se elas por si só resolvessem alguma coisa...).

Gostava de os ver tão assertivos na assumpção de responsabilidades em matérias tão delicadas como as que continuam a fazer manchetes nos jornais, nas rádios e nas televisões, a tragédia dos incêndios e o recente roubo de material de guerra numa unidade militar. E fundamentalmente na procura de erros graves e dos seus culpados, e não na aposta do seu "esquecimento"... 

Sim, porque este assobiar para o lado constante, sem que se avance com as reformas tão necessárias, quer no planeamento e ordenamento do território  de um lado, quer das forças armadas de outro (há largos anos que se tenta gastar o mínimo possível com os militares, Portas e os submarinos, são a excepção nas últimas duas décadas...), só pode dar desgraça atrás de desgraça... 

sábado, julho 01, 2017

Um Livro que Merece uma Boa Discussão...


Embora leia e escreva muito, nunca fiz parte de nenhum clube de leitura (os clubes de escola não contam...). 

Nos últimos anos recebi um ou outro convite para fazer parte desta "corte de amantes de livros", mas dei sempre a mesma desculpa: a leitura é um acto solitário, onde normalmente apenas admito a presença dos "meus fantasmas".

E na verdade não sinto muito a necessidade de discutir os livros, até por saber que não lemos para o mesmo lado nem da mesma forma. Embora a história seja a mesma, a maneira como sentimos as personagens é quase sempre diferente. É um pouco como a vida, "joga-se" muito com a empatia e os seus contrários...

Mas o livro que acabei de ler fez-me sentir pela primeira vez, vontade de o discutir, quase da primeira à última página. Falo de "A Sétima Função da Linguagem - quem matou Roland Barthez?", de Laurent Binet.

Felizmente todos os anos leio pelo menos um livro que me deixa, não só a pensar, como com vontade de escrever mais e melhor (o tal romance que me foge das mãos há vinte e tal anos...).

Não vou contar a história (que nem parece ser grande coisa, tal como o título - mas que é muito estimulante, não tenham qualquer dúvida), não só pelo seu absurdo, mas também porque não é sobre isso que me interessa escrever.

O que eu gostava mesmo de discutir é a utilização das personagens secundárias reais numa ficção, quase tudo gente grande da cultura e até da política francesa. Dos chamados intelectuais da "alta cultura francesa" (e arredores), Binet não deixou um único de fora (além de Barthes, aparecem Foucault, Derrida, Lévy, Althusser, Sollers, Kirsteva, Eco, Jakobson, etc).

Era como se eu escrevesse um  livro e colocasse por lá Saramago, Lobo Antunes, Graça Moura, Pacheco Pereira, Pulido Valente, Eduardo Lourenço, misturando a realidade com a ficção. E pelo meio ainda podia oferecer papéis a Mário Soares ou Álvaro Cunhal (que intelectualmente são com toda a certeza mais estimulantes que  um Miterrand ou um Giscard...).

E pensar que só comecei a ler este livro por teimosia... Achei que desta vez devia ler o livro (ao contrário do que aconteceu com os outros) que me foi oferecido pela revista "Ler", pela renovação da assinatura. E fiz muito bem, porque o seu autor consegue escrever um grande romance, quase a partir do nada (será isto "a sétima função da linguagem?")...

sexta-feira, junho 30, 2017

Tentativa Fugaz de Regresso às Férias Grandes e a um País Rural Povoado de Cheiros e Cores...


Tínhamos prometido não falar dos incêndios nem de políticos suicidários. E não falámos.

Só que fomos traídos por uma terceira pessoa alheia às "nossas combinações"...

Olhámos um para o outro e assim que pudemos fomos mudando de assunto.

Foi a Rita que me transportou para uma parte considerável das férias grandes passadas na aldeia dos avós maternos (só escapavam os 15 dias de praia habituais, nos primeiros anos em Salir do Porto e Baleal e depois na minha Foz do Arelho...).

Aldeias sem água canalizada, com a luz eléctrica a não chegar a todas as casas e sem saneamento e até casas de banho...

Embora sempre me lembrasse da casa da avó com luz eléctrica (foi das primeiras pessoas da aldeia a ter esta modernidade, graças ao tio Zé, electricista...), adorava visitar de noite a casa dos Antunes, ainda iluminada pelos candeeiros de petróleo, por todo aquele jogo de sombras digno de qualquer palco, desde os corpos que se agigantavam nas paredes aos rostos que quase se tornavam fantasmagóricos, por serem iluminados por pontas.

O mais curioso é que todos tínhamos boas memórias do campo, que cheirava muito mais a liberdade que as praias (cheias de histórias de "fundões" e "correntes assassinas"...).

Claro que a terceira pessoa era insistente e daí a nada lá estava ela a dizer que as fazendas agora era mato e era por isso que o país ardia tanto no Verão.

Eu e a Rita ainda fizemos mais um esforço, inglório, para mudar de conversa, mas apareceram mais duas pessoas e como estavam com uma vontade terrível de colocar uma corda no pescoço no pretenso líder da oposição, fomos fingindo que ouvíamos ao mesmo tempo que trocávamos olhares de cumplicidade...

(Óleo de August Macke)

quarta-feira, junho 28, 2017

Memórias com Joelhos, Braços e Frutos Proibidos...


Quando a senhora disse que agora se via pornografia na televisão a toda a hora, pensei que estava um pouco equivocada.

Mas com o adiantar da conversa percebi que não. Pelo menos no seu ponto de vista.

Ela era do tempo em que sair de casa com uma saia ou um vestido acima do joelho, era um desafio perigoso para qualquer mulher, ou então mostrar a brancura dos braços na rua...

Parece que tudo isso, tão vestido, era excitante e prometedor, num país que nem sequer conhecia muito bem a palavra liberdade.

Poderia dizer-lhe que no ano que ela nasceu já havia mulheres que posavam nuas, umas para fotógrafos outras para pintores.

Não faltam por aí exemplos de esculturas e quadros com nus. Claro que com as fotografias, as coisas funcionavam de uma forma um pouco diferente. Um retrato de um nu feminino, mesmo sem ser integral, era "uma revista pornográfica".

Ela continuou a desviar as histórias da sua vida. Passou por tudo, desde o tomar banho na praia quase toda vestida ao topless dos nossos dias... E até se lembrou que o beijo na rua dava direito a uma multa.

Foi por isso que insistiu que agora tudo perdeu a graça. Já não há frutos proibidos... 

(Fotografia de Alfred Cheney Johnston)

terça-feira, junho 27, 2017

A "Farsa" da Transmissão do Espectáculo de Solidariedade...


Não achei nenhuma piada que um concerto musical de solidariedade tenha sido transformado num programa televisivo, de entretenimento, em que as grandes "vedetas" foram os apresentadores de cada canal, cabendo aos músicos e cantores quase o papel de "marionetas".

Nem se pode falar em novidade. Dias antes as "vedetas televisivas" já tinham utilizado a tragédia dos três concelhos do distrito de Leiria, para brilharem e para somarem horas e horas à frente das câmaras, em directos, como se fossem os "ronaldos" das notícias da "têvê".

Estes exemplos fazem com que me identifique cada vez mais  com a crónica de António Guerreiro, publicada no jornal "Público" a 20 de Junho, um dos melhores retratos desta gente que perde a alma, com um microfone na mão e uma câmara de televisão à sua frente, utilizada sobretudo como espelho.

Quando ele escreveu: «A violência é inominável e a televisão torna-se patética: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão. Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.» Diz quase tudo... até deste espectáculo que foi apresentado como um só, para depois ser "montado" por cada uma das estações de televisões, como uma peça sua, de preferência "melhor que a da vizinha".

Só faltou a todas estas "vedetas" dizerem que o dinheiro que os portugueses foram doando ao longo da noite, tinha sido angariado graças a eles (mas como ainda não acabou o "espectáculo", ainda pode acontecer...), os "heróis da noite mágica".

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 26, 2017

A Nova "Lisboa Pombalina"...

Ontem ao fim da tarde fiquei parado a olhar para Lisboa, na companhia de uma amiga especial.

Não foi difícil de percebermos que éramos os únicos portugueses sentados numa das esplanadas ribeirinhas. Conspirámos um pouco, dissemos entre outras coisas, que talvez as pessoas estejam fartas de toda esta gente que gosta de fazer perguntas em inglês e que quer levar além da resposta, um sorriso português.

Depois batemos palmas ao Costa e ao Medina por terem feito um belo trabalho nas margens do Tejo. Além de  terem aproximado o rio das pessoas, deram espaço para toda esta febre turística que aproveita da melhor maneira toda esta nova "centralidade" que se ganhou. 

Exagerámos um pouco, mas depois de fazermos contas, concluímos que quase que se pode caminhar a pé do Terreiro do Paço até Belém, rente ao rio...

O "caos" acontece mais em Alfama, que tem agora "santos populares" quase diariamente...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 25, 2017

Lisboa não Sejas Inglesa...

Há um fado, penso que cantado pela Amália, em que o poeta escreveu, em jeito de pedido, para Lisboa não ser francesa.

Muitos anos depois, há poucas dúvidas que a língua inglesa começa a ameaçar a portuguesa, na luta pelo "ceptro" do principal dialecto da Capital.

Foi um amigo que me falou sobre esta "invasão" linguística, depois de uma moçoila se ter aproximado de nós e perguntar se sabíamos falar inglês. Dissemos quase em coro, que não, ironia das ironias, em inglês, o que no mínimo deve ter deixado a jovem a pensar...

Foi então que ele disse que mais de 90% das pessoas que encontrávamos nas ruas da Baixa Lisboeta eram estrangeiras. E que o Português já há uns tempos que deixara de ser a língua oficial por ali. 

Sorrimos os dois, mas é uma daquelas coisas que pode dar para rir, mas não deixa de dar também que pensar.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 24, 2017

Gostar de Liberdade e Abominar a Censura...


Há algum tempo que não era confrontado com um comentário anónimo nos meus blogues. Aconteceu ontem.

Não tive muitas dúvidas no que fazer. Só há duas razões que me impedem de  publicar comentários anónimos: serem ofensivos ou estarem completamente fora do contexto do que se pede para ser comentado.

Para mim um "anónimo" é ninguém. É alguém que tem medo de ser livre, tem medo de assumir aquilo que lhe vai na alma.

E é isso que faz com que continue sem perceber por que razão as pessoas se refugiam na anonimato para expressarem os seus pontos de vista, mesmo que sejam diferentes dos nossos. E é também por isso que não respondo a comentários anónimos.

Isso chama-se liberdade de expressão e era muito bom que se praticasse mais no nosso país, com coragem e seriedade, sem este hábito "pequenino" de se encherem as caixas de comentários dos jornais, de blogues e das redes sociais de "lixo".

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 22, 2017

Publicidade Obscena

Quando vi esta página de publicidade (paga) no maior jornal português ("Expresso"), pensei logo em guardá-la. Achei-a tão pertinente como polémica, por ser notoriamente mais um produto da "pós-verdade".

Compreendo que a Celpa (Associação da Indústria Papeleira) faça o seu papel e defenda os interesses dos seus associados. Já não compreendo que ninguém questione o conteúdo da publicidade, até por ser "enganosa", para não lhe chamar outra coisa. Muito menos que eles se assumam como "a economia portuguesa"...

Nem vou sequer abordar o facto da indústria da celulose ser o sector que retira mais dividendos dos incêndios (a par dos vendedores de equipamentos para bombeiros e das empresas que alugam helicópteros e aviões...). Vou sim questionar: como é possível um país pequeno e sem grandes recursos, gastar todos os anos milhões de euros no combate aos incêndios (muitas vezes mais do que gastaria em prevenção...), com a complacência de todos os partidos com assento parlamentar e até da Europa.

É por isso que espero que o que aconteceu às 64 vítimas do maior incêndio de que se tem memória no nosso país, signifique finalmente um ponto de viragem na política seguida pelos nossos governos, quer no ordenamento do território, quer num melhor aproveitamento dos solos agrícolas e florestais de Norte a Sul.

quarta-feira, junho 21, 2017

Um Homem Maior que o País (mesmo assim não é ouvido por quem de direito...)


Se há coisa que me faz confusão é o facto de nos últimos 40 anos, quase ninguém ter dado ouvidos à pessoa que melhor tem defendido o país em termos ambientais, sempre com propostas e respostas assertivas. Falo do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que o site da "Visão" recuperou com grande sentido de oportunidade, uma sua entrevista realizada no Verão de 2003, em que ele diz coisas como:

«(incêndios) A grande causa é um mau ordenamento do território, ou seja, a florestação extensiva com pinheiros e eucaliptos, de madeira para as celuloses e para a construção civil. O problema foi uma má ideia para o País, a de que Portugal é um país florestal. Lançou-se a ideia de que, tirando 12% de solos férteis, tudo o resto só tem possibilidades económicas em termos de povoamentos florestais industriais.»

«Houve toda uma política de desprestígio do mundo rural tendo por base a ideia de que era inferior ao mundo urbano. Despovoámos os campos e essa gente toda veio para a cidade. Hoje, enfrenta o desemprego. Esqueceram-se que o homem do futuro vai ser cada vez mais o homem das duas culturas, da urbana e da rural. Hoje, 30% das pessoas que praticam a agricultura económica na Europa não são agricultores. É gente que vive na cidade, tem lá o seu escritório e tem uma herdade no campo onde vai aos fins-de-semana. A expansão urbana aumenta e não podemos viver sem a agricultura senão morremos à fome.»

«Defendi uma regionalização há muito tempo, que deu origem a um documento de que os grandes partidos fizeram muita troça. Dividia o País em cerca de 30 regiões naturais, áreas de paisagem ordenada, que estavam já organizadas histórica e geograficamente.
São as terras de Basto, as terras de Santa Maria, as terras de Sousa, a Bord'água do Tejo, etc. O País é isso e não é outra coisa. Esta regionalização podia contribuir para a efectivação dos planos de ordenação da paisagem, com uma participação democrática das respectivas populações.»

Muito do que Ribeiro Telles diz quase todos sabemos, mas nunca se viu um único ministro ou secretário de Estado, a seguir as suas palavras... - alguns até são capazes de mudarem de passeio se o encontrarem na rua. Ou seja, andamos há décadas a destruir o nosso país, sem que quem exerce o poder, faça o que lhe compete: defender a natureza e o ambiente.

(Fotografia de autor desconhecido)
                                            

terça-feira, junho 20, 2017

Somos Quase Sempre Mais Esquecidos do que Devemos...


Não foi só agora que reparei, que o tempo passou por ele, e nunca foi bafejado por nenhuma homenagem, apesar de possuir qualidades humanas pouco comuns, mesmo numa cidade que se diz solidária. 

Faltou-lhe ser "camarada" (mesmo que fosse desses fingidos...), para ser olhado com olhos de ver pelo "poder". Nada que o incomode ou incomodasse...

Faltou-lhe ser "lambe-botas", andar por aí de sorriso aberto para tudo e para todos. Mas o pior foi dizer sempre tudo o que lhe ia na alma, sem se preocupar com os que o olhavam de lado, por detestarem a verdade.

O mais curioso tem sido a sua participação activa em inúmeras homenagens aos "outros" (vários deles nunca lhe chegaram aos calcanhares...). "Outros" que nunca se lembram dele..
.
É também por isso que quando olha à sua volta, sente que a sua maior medalha foi nunca ter recebido qualquer insígnia do Município.

Olho para ele e sinto que o "mundo" nunca se preparou para lhe agradecer. Sempre  gostou mais do homens agradáveis, de sorriso e palavra fácil, mas que fogem sempre que podem das  "nuvens" que aparecem no ar e cheiram a problemas...

Este mundo quase de fantasia (hipocrisia é mais real...) não gosta de quem prefere o anonimato e a sombra, quem é incapaz de distribuir sorrisos na rua, apenas por que sim, nem de quem ajuda quem necessita com discrição, ao ponto de ser capaz de fazer uma cara feia ou dizer uma frase de mau gosto, só para que não o encham de agradecimentos.

Eu sei que este é o "mundo" que temos, mas não precisava de ser tão injusto...

(Fotografia de Xavier Miserachs)

segunda-feira, junho 19, 2017

As Reacções à Tragédia do Distrito de Leiria

Sem poder dizer se isso é bom ou mau (pelo menos parece-me positivo), estou surpreendido com algumas das reacções à grande tragédia que atingiu os concelhos de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.  

O que mais estranhei até ao momento foi a contenção da "direita" que foi governo antes da "gerigonça", por normalmente serem bons a "jogar baixo", ao ponto de culparem os sucessores  por erros próprios (cometidos quando governavam). Provavelmente fizeram-no a pensar nas últimas sondagens (cada vez mais baixas...) e não por qualquer coisa parecida com sentido de estado ou respeito pelas vitimas.

Mesmo os comentadores ultra liberais não trouxeram muitas achas para a fogueira. Criticaram as palavras "conciliadoras" e quase "conclusivas"  do Presidente da República - com razão, até por se saber muito pouco sobre o que aconteceu... -, que mais uma vez falou demais... E também questionaram - mais uma vez, bem - o não fecho atempadamente das vias rodoviárias atingidas pelo incêndio, com os resultados que todos sabemos... 

Sem se apontar dedos, a quem quer que seja, acho que é importante abordar tudo aquilo que não correu bem (neste e noutros incêndios), e fazer-se mesmo alguma coisa, para que uma tragédia destas dimensões não volte a acontecer. Se nos limitarmos a culpar a "trovoada seca" e a "assobiar para o lado", um dia destes já não há árvores para arderem (nem mesmo eucaliptos...) neste nosso canto, demasiado quente para o meu gosto. 

Sem querer ser "moralista", sei que todos temos de mudar de atitude. Vivermos melhor ou pior, depende cada vez mais da forma como nos relacionamos com a Natureza. E é já hoje, não temos tempo para esperar por amanhã... 

(Fotografia de Miguel A. Lopes - retirada do site do "D. Notícias")

domingo, junho 18, 2017

Do Paraíso ao Inferno em Poucas Horas...

O estado de graça do nosso país abanou no dia de ontem, com um dos incêndios mais mortíferos que se conhecem, no nosso território.

Sempre que acontece uma desgraça, uma das palavras que mais se utiliza para justificar o injustificável é Destino. É uma palavra quase com capacidade para "embrulhar" todas as desgraças do nosso dia a dia, pelo seu sentido quase divino, capaz de ultrapassar a vontade dos "mortais".

Embora não existam muitas palavras para dizer ou escrever o que quer que seja, sobre o que aconteceu ontem, incomoda-me que se utilize no nosso país, vezes demais, as palavras destino e saudade (fora das letras do fado...), para "fecho de contas".

Neste caso particular, se fosse utilizada com um carácter prático (fora dos discursos de Verão dos políticos...), a palavra Prevenção, sei que não se estariam a chorar todos estes mortos...

(Fotografia retirada do site do "D. Notícias")

sexta-feira, junho 16, 2017

«A mulher ideal é a mulher que não existe.»


Há muito tempo que não escutava um homem a falar com tanta sapiência das mulheres. Provavelmente ele pensa que os cabelos brancos de quem já passou os sessenta e o ar de galã de telenovela mexicana que faz questão de manter, lhe dão autoridade para nos oferecer tantas generalidades.

Houve um momento que não consegui conter o riso, quando ele disse que continuava a ser tão fácil apaixonar-se como desapaixonar-se. Pensei no bom do Vinicius de Moraes, que também tinha uma grande facilidade em saltitar de amor em amor. Mas ele era quase um "deus", graças ao bom uso que dava às palavras e, que depois oferecia às suas musas...

No meio da conversa o nosso homem ia olhando com alguma galhardia para as mulheres bonitas que passavam por nós.

Quando começámos a olhar para o relógio, quis ir ainda mais longe, quando disse: «Quanto mais mulheres conheço, mais fácil é apaixonar-me. Há sempre uma mulher capaz de me surpreender e de me ensinar coisas novas. É por isso que digo que a mulher ideal é a mulher que não existe. Existem dúzias e dúzias, todas diferentes, e ainda bem.»

A caminho da sala de reuniões, fomos conversando sobre o "charmoso" que nos tinham oferecido numa "rifa" (era dono de uma das empresas que nos "pagavam"...), fazendo aparecer vários animais no diálogo, desde o "tigre", ao "papagaio" passando pelo "leão" e acabando no "galo".

Antes de entrarmos, ainda olhamos uns para os outros, meio tristes, por sermos quase naturalmente, homens de uma só mulher, e cada vez mais distantes das histórias de mulheres ideais. Encarámos a realidade com desportivismo, pois se por um lado ainda estávamos a vários anos da idade do "balzaquiano", por outro também estávamos a vários zeros de distância da sua conta bancária...

(Fotografia de Tony Vaccaro)

quinta-feira, junho 15, 2017

Ai que Saudades da Frescura do Oeste...

Não há muitos sítios que nos permitam escapar a esta "febre marroquina", que quer transformar a Península Ibérica quase numa espécie de "áfrica europeia", por muito que isso possa agradar a alguns turistas que adoram torrar a pele, sem precisar de visitar as praias de mar.

Tenho saudades do meu Oeste, do microclima que faz das Caldas da Rainha um lugar um pouco mais ameno e de a Foz do Arelho uma praia fresca, mesmo no Verão...

E sem precisar de ir tão longe, nas redondezas de Sintra também é possível escapar das temperaturas altas...

É caso para dizer: benditas Serras de Sintra e de Montejunto.

(Fotografia de Luís Eme - se o tempo continuar assim, vai haver mais moçoilas de biquini pela cidade...)

terça-feira, junho 13, 2017

O Calor e o Frio, a Escrita e a Leitura...

Com estes dias "marroquinos" acabo por constatar o óbvio. Escrevo mais com o frio, leio mais com o calor...

Acho que este calor, além de me "toldar" as ideias... amolece-me quase tudo, até os dedos que são de escrever...

É por isso que procuro uma sombra, sento-me num soalho fresco e leio as folhas dos livros...

Não sou como ela, que lê à beira Tejo, ao mesmo tempo que espera que o Sol lhe pinte a pele...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 12, 2017

Nunca leves a televisão demasiado a sério. Mesmo a própria realidade é encenada.»


Não sei porquê, mas começou-se a falar de televisão. Sabia que era chover no molhado, porque quando conversamos sobre a programação dos canais da televisão, dificilmente chegamos a alguma  conclusão. E o único consenso que aparece, deve-se à qualidade, porque muito poucas coisas parecem fazer sentido dentro e fora da "caixa mágica".

E eu lá me lembrei de um amigo que andou pela televisão pública mais de 30 anos e que me dizia meio a sério meio a brincar: «Nunca leves a televisão demasiado a sério. Mesmo a própria realidade é encenada.»

Eu sei que a RTP tenta fazer a diferença (nota-se mais nos últimos tempos...), mas acaba quase sempre por apanhar os mesmos atalhos dos outros, em nome das audiências... Aliás tudo o que se faz em televisão tem como desculpa, as famosas audiências...

Durante uns tempos as gentes das televisões diziam que andavam atrás do gosto das pessoas. Talvez ainda mantenham o mesmo discurso, embora gostem mais de estar à frente dos "consumidores", porque fingem que são "mágicos" e conseguem adivinhar o que o pessoal quer ver.

Hoje é tudo mais descarado, no condicionamento do gosto e na manipulação de notícias. Os censores das ditaduras eram uns "anjinhos" em relação aos programadores do nosso tempo...

domingo, junho 11, 2017

A Língua, o Estilo e a Escrita...

Estou a ler um livro que tem tanto de curioso como de estimulante ("A Sétima Função da Linguagem - Quem matou Roland Barthes?", de Laurent Binet), que me tem feito pensar sobre várias coisas, inclusive sobre esta coisa que é o escrever. 

Vou transcrever essa parte:

«Roland Barthes mostrou é que no fundo uma obra literária tem três níveis; há a língua - Racine escreve em francês, Shakespeare escreve em inglês, essa é a língua - há o estilo; esse é o resultado da sua técnica, do seu talento, mas entre o estilo - voluntário, pois controlamo-lo - e a língua! Há um terceiro nível que é; a escrita. E a escrita, dizia ele, é o lugar... do politico, no sentido lato, ou seja, a escrita é aquilo mediante a qual ele se exprime, mesmo se o escritor não é disso consciente, o que ele é socialmente, a sua cultura, a sua origem, a sua classe social, a sociedade que o rodeia...»

Concordo com Barthes, penso que estas três divisões definem o essencial do que deve ser um fazedor de livros.

(Óleo de Costa Pinheiro)