domingo, dezembro 31, 2017

Virar a Página...


Os anos passam por nós, cada vez com mais velocidade. 

No meio desta "viagem" vão se perdendo as esperanças de se mudar algumas coisas para melhor, umas por sabermos que não dependem apenas de nós, outras porque são quase como o pó (limpas as coisas mas ele volta sempre, aos mesmos lugares...).

A única coisa que podemos fazer é virar a página. Mas como o "livro" nem sempre se encontra no fim... não demoramos muito tempo a perceber que a vida segue, dentro de momentos...

Apesar de tudo sabemos que há mudanças que vão mesmo acontecer. Uma delas (talvez a mais valiosa...), é saber que vamos ter mais tempo para nós. Há esquinas às quais não vamos voltar, porque como dizia o escritor, o caminho faz-se caminhando...

Mas não pensem que estão a ler palavras de um "pessimista" (acho que nunca o vou ser...), a esperança de que o ano que vai aparecer amanhã, seja melhor, está cá. E é também por isso que desejamos que o vosso dois mil e dezoito, também seja diferente, para melhor...

(Fotografia de Luís Eme) 

sexta-feira, dezembro 29, 2017

A Morte do Escritor à Secretária...


Na minha função de "arquivista" encontrei algo que me tinha passado ao lado (talvez por não ser um "vergiliano"...), a forma singular como Vergílio Ferreira nos deixou, cumprindo a promessa que fizera...

«Já prometi que entraria no paraíso a escrever. E vou cumprir. Se tiver saúde, não deixarei nunca de escrever - publicar é que é mais difícil. Agora escrever, como é que posso deixar de escrever? Isso é a mesma coisa que deixar de viver! Um suicídio, não faço, isso não faço...»

E depois a notícia (de Carlos Câmara Leme, publicada no "Público" de 2 de Março de 1996):

Vergílio Ferreira - que ontem foi encontrado morto à secretária - pode ter-se contradito muitas vezes como qualquer escritor ou ensaísta, que atravessou um século tão problemático como o século XX. mas esta promessa cumpriu-a até ao fim.

(Fotografia de autor desconhecido - escolhida por que é uma das raras onde surge a sorrir...)

quarta-feira, dezembro 27, 2017

A Importância do Neo-Realismo ou Outra Coisa Qualquer (parecida)...

Não sou muito de discutir coisas  da família do "sexo dos anjos", é por isso que não me importa se o neo-realismo existiu mesmo, ou se é apenas um nome que se deu a algo que teve um papel político e ideológico marcante, com mais ou menos qualidade, na nossa literatura dos anos 40 e 50 do século passado. No cinema quase não se deu por ele, porque o dinheiro que existia era sobretudo para a continuidade de comédias de riso fácil e pouca substância, tão úteis para o entretenimento popular...

Estou a dizer isto por que nos almoços abertos e amigos da Olivença (fala-se quase aos gritos e com muitos gestos, à boa maneira italiana...), onde se fala de tudo e mais alguma coisa, a cultura nunca fica esquecida. 

Começámos com os livros, com Redol, Soeiro Pereira Gomes, e até o nosso Romeu Correia, que embora não gostasse muito do rótulo, tem obras que são mesmo deste "território", como é o caso do "Trapo Azul", "Calamento" ou "Gandaia".

Não demorou muito tempo a mudarmos para outra arte, pois alguns nostálgicos trouxeram para a mesa o cinema italiano dos "bons velhos tempos" (este lugar comum também têm muito que se lhe diga...).

Os nomes dos realizadores Federico Fellini, Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti foram os mais repetidos. "Ladrões de Bicicletas", "Stromboli", "Roma Cidade Aberta", "Caminho da Esperança", e tantas outras fitas, foram recordadas. Dos actores e actrizes a Anna Magnani superou tudo e todos...

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, dezembro 25, 2017

O Natal é uma Lupa






O Natal é uma Lupa

De onde é que chegou tanta gente?
Pergunta o poeta cínico e curioso
habituado a uma cidade diferente,
mas ninguém responde ao seu tom jocoso

Todos querem agarrar a felicidade
inventada dentro de sacos de presentes
e nas luzes das casas e ruas da cidade
até prometem ser ligeiramente diferentes

Eles querem lá saber de quem nasceu
em Belém embrulhado em palhinhas
se ele era Jesus ou apenas um Judeu
querem sim é o Pai Natal das prendinhas

Até disseram que os pobres da rua
tinham sido contratados, eram actores
que tinham grande intimidade com a lua
cheiravam bem e não mostravam as dores

Parece que todos dão amor de graça
debaixo do rótulo de uma data especial
até ignoram os poetas da desgraça 
que não sorriem nem dizem Feliz Natal


Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de autor desconhecido)

sábado, dezembro 23, 2017

Boas Festas para Todos

Desejo Boas Festas para todos os visitantes do "Largo da Memória" (diários, semanais, mensais ou anuais...). 

Agradeço a vossa companhia e as vossas palavras (as ditas e as que ficam por dizer...).

Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, dezembro 22, 2017

O Natal é Sobretudo para as Crianças...


Embora todos gostemos de trocar presentes, as prendas encantam sobretudo os mais novos.

É por isso que à medida que os nossos filhos vão crescendo, esta quadra vai perdendo alguma da sua magia.

Claro que a "febre" do consumismo e a hipocrisia  destes tempos (ainda mais visível...), também contribuem para isso...

(Ilustração de autor desconhecido)

quinta-feira, dezembro 21, 2017

A Noite que Chega Mais Cedo...

Estava no meio do rio junto à janela e não pude deixar de pensar que uma das coisas piores do Inverno é a "vitória" da noite em relação ao dia.

O frio também não é muito agradável, mas temos de dar uso à roupa mais comprida e quente...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Os Presentes para as Pessoas Especiais...

Hoje não conseguimos escapar das conversas sobre as festividades que se aproximam (até trocámos presentes, discretamente...), mesmo sem nos metermos com toda esta "lufa-lufa", que quase esgota a lotação dos centros comerciais.

A Rita falou-me da dificuldade que tem em encontrar presentes para as pessoas de quem mais gosta. Não precisei de pensar muito para concordar com ela. Andamos distraídos demasiado tempo e depois não sabemos o que faz alguma falta (porque há pessoas que gostam de dizer sempre que já têm tudo... e que não precisam de nada...), ou aquilo que viram numa loja e lhes agradou...

(Fotografia de Ruth Orkin)

terça-feira, dezembro 19, 2017

Tratos e Formalidades...

A forma como nos tratamos uns aos outros, não deixa de ser de alguma forma, enigmática.

Há pessoas de quem somos amigos há largos anos (mesmo amigos...) e não permitimos o trato de "tu tu lá". Parece que não dá jeito. E depois há outras, por coisas que não se explicam muito bem (talvez tenha a ver logo com a primeira abordagem...), começamos logo a "acamaradar" num trato de maior proximidade (mesmo que ela não exista...).

Sei que a diferença de idades também pode ser determinante para que se mantenha esta distância (e eu tenho bastantes amigos mais velhos que eu...), mas depois há o caso singular do Chico, hoje com os seus quase 88 anos, que pouco tempo depois de nos conhecermos "rebentou com toda a respeitabilidade" que eu poderia querer manter... e fixou o tal "tu cá tu lá", talvez por ele pertencer ao clube das pessoas demasiado simples, que não permitem qualquer distância no trato.

(Fotografia de Janine Niépce)

segunda-feira, dezembro 18, 2017

O Calendário Solidário dos Estudantes da Universidade do Minho...

Entre nós está a tornar-se moda a utilização fotografias de corpos sem roupa em calendários, que se dizem solidários.

Por exemplo o da Associação de Estudantes da Universidade do Minho, que reverte para os alunos com mais dificuldades financeiras, já vai na quarta edição e tem sido um sucesso, muito pela qualidade dos modelos e pelo talento do fotógrafo Nuno Gonçalves.

(na fotografia podemos apreciar a equipa de andebol do Clube Universitário do Porto, com várias atletas internacionais da modalidade, num belo conjunto)

domingo, dezembro 17, 2017

"Artistas" no Ginjal...

Hoje, em mais um dos meus passeios rente ao Tejo, descobri um grupo de "pintores" de paredes, a oferecerem novas tonalidades no exterior do velho restaurante, "Gonçalves", que provavelmente tem colorido os muros abandonados do Ginjal.

Percebi que estavam a pintar letras, pelo que não acredito que tenham feito algo de surpreendente ou de artístico...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 16, 2017

Mais um Exemplo de Condenação na Praça Pública e Absolvição nos Tribunais...


A última sentença produzida pelos tribunais, por uma mulher (Joana Ferrer) em relação à separação do casal, Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães, é sintomática em relação à pré-condenação feita pelos "justiceiros populares" em relação ao professor e político, especialmente na comunicação social (onde os amigos de Bárbara e os inimigos de Carrilho não perderam a oportunidade de o "linchar" publicamente...).

Numa primeira sentença de outro caso em julgamento, Carrilho fora condenado a mais de quatro anos de prisão, com pena suspensa. Esse facto deixou muita gente convencida de que ele ia mesmo sentar o "rabinho" na cadeia. Mas até ver, parece que não...

Depois da segunda sentença corajosa em relação à acusação de violência doméstica, levantou-se um coro (quase sempre feminino...), individual e colectivo, contra a juíza e contra a sua decisão.

Mesmo não gostando do "pavão", ao ler o resumo do acordo, percebo inteiramente a visão da Juíza, que não fez mais que cumprir a lei, porque as provas periciais apresentadas foram inconclusivas, e as testemunhais pouco consistentes.

Joana Ferrer tem muita razão quando diz que: «Os Tribunais não não tribunais plenários onde os arguidos entravam já condenados.»

(Fotografia de Helmut Newton)

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O Associativismo e o Poder...


Não vale a pena bater mais na "ceguinha", ou colocar em causa uma instituição de utilidade pública (mesmo que não tenha o estatuto...), que cresceu demasiado e começou a ser gerida como uma "empresa", até por prestar serviços que a obrigam a ter um número significativo de funcionários.

O que é mais relevante neste caso é o exemplo (mais um...) do que as pessoas fazem com o poder, especialmente no movimento associativo, com demasiados casos de associações vitimas de gestões danosas, por parte de dirigentes incompetentes e com poucos escrúpulos. Não deixa de ser curioso, que acabe por parecer mais fácil, dirigir uma colectividade que vive o seu dia a dia com dificuldades, que uma que viva desafogadamente...

Isto acontece porque uma boa parte das pessoas não sabem (acho que não querem saber...) gerir instituições que tenham dinheiro. Dinheiro esse que continua a ser o alvo de todas as tentações, e que faz com que se dêem tantas vezes, passos mais largos que as pernas, que acabam por ter consequências desastrosas.

Mas o problema maior é o alheamento das pessoas, mesmo que sejam associados desta ou daquela colectividade. De uma forma geral não se preocupam com as questões colectivas, só perdem tempo quando estas se "individualizam" e lhes batem à porta e os obrigam a agir (muitas vezes tarde demais). Mas se isso não acontecer, continuam à espera que sejam os outros a resolver os problemas que deviam ser de todos...

Claro que esta problemática tem muito a ver com a sociedade onde estamos inseridos, do facto de não sermos educados a intervir e a participar, ter uma voz activa e estarmos atentos ao mundo que nos cerca. E não será com os políticos que temos (uma boa parte deles medíocres e pouco honestos...), que as coisas mudarão. Até por que não querem perder o "poder" que têm (basta ver a forma como são sempre selectivos a escolher os seus pares, ou seja, nunca se rodeiam dos "melhores", para não perderem os seus lugares...).

Enquanto não resolvermos esta questão cívica e de cidadania, não iremos a lado nenhum. Só quando as pessoas sentirem que é sua obrigação intervir nas instituições que regem o seu dia a dia (Câmaras, Juntas de Freguesia, Bombeiros Voluntários, Associações de Solidariedade, Sociedades Culturais, Clubes Desportivos, etc), conseguirão afastar os "oportunistas" que tomam conta do "poder", e em vez de servir os interesses colectivos, servem os individuais...

(Ilustração de Robert Armstrong)

quarta-feira, dezembro 13, 2017

Os Tempos da História e dos Homens...


Um amigo, Capitão de Abril, convidou-me hoje para almoçar e assistir à conversa / debate com o Comandante Almada Contreiras, na sede da Associação 25 de Abril, da série, "ESTÓRIAS... Do e Com ABRIL (Capitães)".

Além da excelente intervenção do convidado (ilustrada com alguns aspectos pitorescos...), que teve como foco principal a preparação da Revolução de Abril e dos acontecimentos que a precederam (onde teve um papel importante como responsável pelas comunicações), foi muito bom ouvir outras vozes que viveram todos aqueles acontecimentos, que o questionaram, mas que também tentaram clarificar algumas "nebulosas", que ainda permanecem bem vivas (especialmente sobre vinte e cinco de Novembro...), como foi o caso de Pezarat Correia, Martins Guerreiro ou Otelo Saraiva de Carvalho, entre outros "Capitães de Abril". 

Foi por isso que foi bom ouvir o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, falar na organização de um encontro / debate sobre o 25 de Novembro de 1975, para que existam aproximações à verdade dos acontecimentos, o que tem sido difícil, porque continuam a existir, pelo menos, duas versões dos acontecimentos, uma dos "derrotados", outra dos "vencedores"...

Todas estas contradições que ainda se mantêm, são reveladoras de que 40 anos é muito pouco tempo na história dos países...

(Óleo de René Magritte)

terça-feira, dezembro 12, 2017

As Desigualdades Pouco Utópicas...

Não faz parte do reino das utopias, querer que exista um tratamento igual nas escolas e noutras instituições, entre os filhos de um presidente de Câmara e de um funcionário de limpeza de ruas...

Mas no nosso país uma boa parte das pessoas ainda não perceberam que as distinções sociais não vigoram na infância, não existe a função de filho do senhor presidente ou do senhor doutor, para os distinguir dos filhos de qualquer operário.

Infelizmente, tanto da parte de cima como da parte de baixo da sociedade, continua a haver demasiada gente que gosta de alimentar todo este "lambe-botismo". Uns gostam de receber vénias e outros de as dar...

(Óleo de Paula Rego)

domingo, dezembro 10, 2017

As Imagens que Falam...

Há muitas imagens que falam connosco, só que nem sempre lhes prestamos a atenção devida...

Esta imagem da liberdade, tirada na "Travessa do Judeu", por exemplo, ganhou um novo simbolismo, especialmente depois do "rei das américas e arredores" ter declarado Jerusalém Capital do Israel (não sei com que legitimidade... ou aliás sei, com a mesma com que os EUA têm invadido países por esse mundo fora).

Claro que o morteiro que dispara cravos da pintura de parede, não tem qualquer equivalência a Oriente, muito menos na Terra dos Judeus... Mas uma imagem com cravos, armas na "Travessa do Judeu" tem de nos fazer pensar um pouco, principalmente na gente perigosa, que nos faz perceber através dos seus actos, que não brincou aos "policias e ladrões" naltura certa, a infância...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 09, 2017

A Torre e a "Ana"...

Amanhã vamos ter a visita da "Ana", sim os nossos temporais também já são baptizados como os que fustigam a costa das Américas.

Apesar dos avisos de mau tempo (vento e chuva...), penso que ainda não é desta que a velha torre da velha fábrica de cortiça perde mais de meia dúzia de tijolos...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Os "Espertos" Deste Mundo...


Embora eu continue a duvidar que o mundo seja dos "espertos", eles pensam mesmo que o mundo lhes pertence...

Hoje tive pelo menos dois exemplos. Um aconteceu na estrada, numa longa fila, em que o condutor de um dos carros parados foi incapaz de dar a passagem a outro, que queria seguir na direcção contrária. Felizmente o segundo homem não tinha pressa nem estava interessado em reagir à "provocação" do espertalhaço...

O segundo exemplo foi de alguém que tinha sido informada e aconselhada a fazer a coisa certa, sobre uma questão de justiça e de bom funcionamento das coisas... Sem se manifestar e dando uma de "chefe", preferiu continuar a navegar no erro (provavelmente a fiar-se que ninguém se iria manifestar...), acabando por ouvir o que não queria, de alguém que não gostava de passar por parvo, ficando mal na "fotografia".

Mas ela sabia como é que as pessoas reagiam normalmente. Conhecia a sua passividade...

Acho que o problema maior dos portugueses é mesmo esse. Preferem passar por parvos a "comprar" uma discussão ou uma briga. Ou seja, ficam demasiadas vezes no seu cantinho e são pouco solidários (ao contrário do que se diz por aí, fiados nas estatísticas das "campanhas telefónicas"). No campo profissional, preferem assobiar para o ar ou fingir que não vêm o que se passa mesmo à sua frente... 

E a principal consequência  desta "cegueira" voluntária, é os "espertos" acharem-se, cada vez mais, "donos do mundo" (e nem falo do sujeito que se acha mesmo  "dono" da América e do Mundo)...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 07, 2017

A Dependência do Mundo Virtual...

Uma coisa é o nosso afastamento voluntário do mundo virtual, outra é deixarmos de ter qualquer sinal, a "net" resolver meter folga, sem percebermos porquê.

Ou seja, nunca tinha estado tanto tempo sem acesso à internet em casa (quase quarenta e oito horas...). Pensava que o problema era do router (passou este tempo todo a piscar), mas afinal foi um desses "curiosos" que anda por aí a instalar estes serviços, que deixou o fio de ligação à minha casa desenroscado...

Se nas férias encaro este afastamento naturalmente (também como férias ...), percebi que as coisas funcionam de forma diferente no nosso quotidiano. Por exemplo, os "e-mails" são mais importantes do que parecem, como factor de comunicação e até de trabalho...

Sem falar dos miúdos, que tinham trabalhos escolares para fazer e tiveram de ir para as bibliotecas das suas escolas.

(Fotografia de Cristiano Mascaro)

terça-feira, dezembro 05, 2017

Segredos Fechados num Quarto de Hotel...


Sempre foram considerados um casal normal, mesmo quando decidiram deixar de o ser...

Foi já depois dos cinquenta que viram chegar o desinteresse pelos corpos um do outro. Beijavam-se e tocavam-se menos, ao mesmo tempo que foram deixando o sexo ganhar espaço nas suas vidas. 

Ambos sabiam o que lhes estava a acontecer. Perguntaram mais que uma vez aos seus botões, se haveriam uma terceira pessoa, a provocar aquele afastamento. Ela uma vez ainda pensou em contratar alguém, por que ele estava a jantar mais vezes que o costume com os amigos. Mas achou que talvez fosse melhor ficar na dúvida...

Dois anos depois foram para fora e ficaram num quarto de hotel. Quando a noite chegou, trouxe algo mais que o cansaço de um dia movimentado: voltaram a sentir-se vivos e a amarem-se como dois adolescentes.

A partir dessa noite quente passaram a ficar, pelo menos uma vez por mês, num hotel, sempre diferente.

Num desses encontros quase secretos beberam mais do que deviam ao jantar e decidiram entrar num bar e fingir que não se conheciam. Acrescentaram mais um "jogo", há muito esquecido nas suas vidas, a sedução.

Estes encontros funcionaram quase como um carregar baterias, voltaram a ter paciência para se aturarem um ao outro, a ter a cumplicidade necessária para tranquilizar os filhos.

Quase num golpe de sorte, conseguiram ganhar "novos amantes" sem precisarem de procurar outros corpos...

(Fotografia de Edward Steichen)

segunda-feira, dezembro 04, 2017

O Nosso Novo "Pseudo-Ronaldo" na Ribalta Europeia...

Espero que o nosso novo "pseudo-ronaldo" não seja tão inconsequente e evasivo como foi por exemplo Durão Barroso. E que no mínimo transmita uma melhor imagem do país para o exterior (sem insinuações e sem histórias "proibidas" de corredores...).

(Fotografia de Alberto Frias - via "Visão")

domingo, dezembro 03, 2017

«Ser anarquista não é ser bandalho nem porco. Nunca foi!»

O homem com mais de oitenta anos não suportava as confusões que se faziam à volta do movimento anarquista.

Quando ele disse na sala: «Ser anarquista não é ser bandalho nem porco. Nunca foi!», levantou alguns sorrisos. Mas ele estava a falar a sério. Incomodava-o que andassem a desvirtuar o movimento pela qual sempre lutou e acreditou.

Sempre gostou de viver bem com a natureza, de tomar banho e de se vestir confortavelmente. Não usava o preto ou o branco, nem andava a sujar paredes ou a insultar agentes de autoridade, apenas porque lhe apetecia. E também não cheirava mal dos pés à cabeça, com a desculpa de que não se podia esbanjar água, esse bem precioso. 

Tornou-se anarquista por uma questão muito simples: nunca gostou de ser explorado, sempre detestou patrões e poder.

Foi por isso que antes de partir resumiu parte da sua vida «Sei que ganhei menos dinheiro do que podia e devia. Foi uma opção pessoal, preferi fazer mais vezes aquilo que queria mesmo fazer, do que ser escravo do dinheiro ou do trabalho.»

(Fotografia de Ferdinando Scianna)

sábado, dezembro 02, 2017

Jogos Com e Sem Palavras...

Às vezes não temos nada para dizer, nada para escrever. É quase como se ficássemos "secos" de palavras.

Mas bastam alguns minutos para que tudo mude...

Sentamos-nos no café e enquanto fazemos horas à espera de quem não usa relógios, um simples olhar, uma palavra solta, ou alguém que passa pelo lado de fora da janeça... E as ideias voltam a surgir, o papel fino de "guardanapo bíblia" prepara-se para segurar todas palavras que se vão libertando, apenas por que sim...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Uma Cidade Capaz de nos Deslumbrar Todos os Dias...

Hoje, quase casualmente, passeei por uma zona que me era desconhecida.


Já tinha passado perto, mas por esta ou aquela razão, nunca tinha subido a rua até ao fim. Pode ter sido por falta de tempo, mas provavelmente isso aconteceu apenas por que sim.

Percebi mais uma vez que Lisboa, tal como todas as grandes cidades, tem sempre mais que um "tesouro" à nossa espera. Uns chegamos lá, outros nem por isso. Mas é um bocado como os livros, por muito que gostemos de ler, não os iremos conseguir ler todos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 30, 2017

E Agora?

Os "Xutos e Pontapés" perderam hoje o seu líder natural, o guitarrista Zé Pedro, o elemento da banda que melhor assumia o papel de "roqueiro" daquela que continua a ser a única verdadeira banda de rock portuguesa.

Para trás ficam quase quarenta anos recheados de concertos, discos, entrevistas... com sucessos que todos recordamos, como "O Homem do Leme", "Remar, Remar", "Minha Casinha", "Circo de Feras", "Chuva Dissolvente", "Contentores", "Para Ti Maria", "Não Sou o Único", "Se me Amas", ou "Quero-te Tanto", entre outras dezenas de canções inesquecíveis.

E agora? Faz sentido continuar? Zé Pedro diria com toda a certeza, que sim.

Resta perceber o que pensam, e o que querem, o Kalu, o Tim, o João Cabeleira e o Gui. Porque deve ser muito difícil continuar na estrada, sem a companhia de Zé Pedro, o seu elemento mais emblemático e o líder natural da banda...

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, novembro 29, 2017

O Anjo Pornográfico

Acabei agora de ler "O Anjo Pornográfico - a Vida de Nelson Rodrigues", de Ruy Castro. Como costuma acontecer quando leio ensaios ou biografias, demoro uma "eternidade" a chegar ao fim. E quando são quinhentas páginas... Ou seja, levei três meses a ler este livro.
Isso acontece porque tenho dois ritmos de leitura. Um para romances outro para ensaios. Os romances são escritos para serem lidos num ápice, os ensaios (onde incluo as biografias), são para se irem lendo, neste caso particular, é como se em cada "encontro" fosse conhecendo um pouco melhor Nelson Rodrigues (tal como sucede com as nossas amizades...).
Não é um livro deslumbrante, como cheguei a ler por aí (se o fosse tinha o devorado, como devoro os bons romances...), mas é um bom livro, muito bem escrito e organizado, que nos oferece um retrato extremamente completo de um dos maiores cronistas da língua portuguesa e um bom dramaturgo (foi bom conhecer detalhadamente esta sua faceta, nem sempre compreendida pelo público...).
Gosto de ler biografias porque acabam por ser também retratos de época, neste caso particular, acaba por nos dar informações importantes sobre a própria história do Brasil do século XX, especialmente do seu jornalismo.
E Nelson Rodrigues era um "escriba" extraordinário, com uma facilidade incrível em escrever sobre o que quer que fosse, mesmo que por vezes misturasse a ficção com a realidade. O facto de ele meter alguns dos seus amigos dentro das crónicas e até das peças que escrevia, dão-nos ideia do género de homem que ele era, muito observador e sem qualquer tipo de pudor, com tudo o que isso pode ter de inquietante e de perigoso (deve ter feito tantos "inimigos" pela vida fora...).
Ruy Castro, o autor, é um grande biógrafo. Nunca se perdeu ao longo da meia centena de páginas, manteve sempre uma escrita equilibrada, conseguindo focar os aspectos mais importantes da vida de Nelson Rodrigues, inclusive a sua vida familiar (desde a infância até aos últimos dias...), povoada de dramas.
A escolha do título também foi óptima. O Nelson era isto...

terça-feira, novembro 28, 2017

A Ambiguidade Feminina...


Nos meus primeiros anos de vida adulta tive mais que um exemplo daquilo que se pode chamar a "ambiguidade feminina".

Talvez fossemos todos do clube dos "assediadores", mas também me parece que era normal as moçoilas disseram "não", mesmo quando queriam dizer sim. Claro que só depois é que se percebia que afinal o "não" era "sim"... Às vezes já tarde demais...

Recordo que cheguei a ser "gozado" por alguns amigos, por ser demasiado respeitador das "damas"...

Claro que estou a falar dos primeiros namoricos, das primeiras saídas, tempos de inseguranças e de incompreensões, povoados por aquilo que me apetece chamar  de "ambiguidade feminina".

(Óleo de Rolf Armstrong)

segunda-feira, novembro 27, 2017

As Mulheres Assassinadas e as Forças de Segurança


Eu tinha pensado escrever esta semana sobre a forma como nos relacionamos com as mulheres e vice-versa, mas o artigo que a Fernanda Câncio publica hoje no Diário de Notícias (Mulheres Mortas), "cortou-me o pio". Artigo que aconselho todas as pessoas a lerem.

A Fernanda relata um caso, um dos mais graves que li, e que me tinha passado ao lado, pelos menos com todos estes pormenores. O que me choca mais é a conivência das forças de segurança e autoridade (GNR), que se limitaram a assistir a um assassinato, sem esboçarem um só gesto para defender a vítima de maus tratos e a filha.

É quase um lugar comum dizer que é mais que tempo de mudar, que é uma vergonha a forma como alguns agentes de autoridade tratam todos estes casos, sendo coniventes (e até co-responsáveis) por muitas das mortes que têm ocorrido nos últimos anos, por tratarem ocorrências graves de violência doméstica com uma ligeireza incompreensível. 

Será que ainda não perceberam que o país mudou, assim como as leis e a sociedade? É que a Revolução de Abril aconteceu há mais de 43 anos....

(Óleo de Michael Malm)

domingo, novembro 26, 2017

"A vida como ela é..."

Nelson Rodrigues, um dos grandes cronistas da língua portuguesa foi o autor de uma das crónicas que tiveram mais êxito no Brasil, "A vida como ela é...", em que embora ficcionasse a vida, tudo acabava por bater certo, tal era a forma surpreendente e inexplicável com que algumas pessoas viviam os seus dias...

Mas não é do Nelson que quero falar hoje,  mas sim da vida de todos nós, da forma como facilmente criticamos os outros, muitas vezes sem sequer os tentarmos perceber, outras, deixando alguma inveja a "flutuar"... Tudo isto porque cada vez  se conhecem mais casos de pessoas (já com idade suficiente para saberem o que é melhor para elas) que embora gostem de alguém e assumam a relação amorosa, cada uma continua a viver na sua casa. Ou seja, não querem perder o seu espaço, a sua liberdade. Por muito que me chamem egoísta, individualista, eu acho que isso não faz mal nenhum ao amor, nem ao facto de gostarmos de alguém. 

Só consegui que percebessem o meu ponto de vista, quando dei um exemplo quase antagónico, falando das pessoas que deixam de gostar, e por "dependência" (não ter onde ficar, ou estarem mesmo dependentes economicamente do outro...), são obrigadas a viver no mesmo tecto com alguém que já não suportam...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, novembro 25, 2017

Romeu "Excessivo"...

O Município de Almada resolveu aproveitar a comemoração do 20.º aniversário do Fórum Romeu Correia para realizar dezenas de iniciativas de homenagem ao grande Escritor de Almada, neste ano em que se comemora o centenário do seu nascimento, praticamente em apenas uma quinzena.

Não pensaram no quanto isso poderia ser "cansativo" para as pessoas, principalmente para os indiferentes ou aqueles que sempre olharam de lado para Romeu Correia.

Isso poderá explicar a ausência de público numa sessão tão prometedora como a de ontem, em que se iria falar da matéria mais popular, e de mais evidência como autor, a sua faceta de dramaturgo, com as peças que escreveu e as que visitaram os palcos, especialmente de grupos amadores, de Norte a Sul.

É também nestes momentos que eu percebo a parte "postiça", da Almada, "Capital do Teatro"... Não apareceu um actor, um encenador ou um amante de teatro...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 24, 2017

Ser Engraçado, Cair em Graça e Afins...

Há pessoas que percebemos logo às primeiras que há muito poucas hipóteses de alguma vez sermos amigos, tais são as diferenças que descobrimos logo num primeiro relance.

Podemos estar enganados, pode acontecer, embora saibamos que esta é uma daquelas coisas que nem sequer belisca a regra.

E nem é preciso fazerem-nos mal. Basta fazerem algo que choca com a nossa forma de estar, ou que seja parecido com aquilo que normalmente abominamos. 

O mais curioso, é que a partir daqui, quase todas as tentativas de tentar inverter a situação, são ridículas e deixam transparecer a hipocrisia em que estamos metidos a vida quase toda...

Somos uns gajos tão estranhos.

(Fotografia de Izis Bdermanas)

quinta-feira, novembro 23, 2017

As Gaivotas em Terra de Manhã...

Apesar do Sol furar as nuvens ainda pouco escuras, pela manhã, as gaivotas já adivinhavam o pior para a tarde, à beira do Tejo, pelo menos na Capital...

Notei que não há qualquer sinal dos turistas desistirem de Lisboa, nem mesmo no penúltimo mês do ano. 

À tarde, já na Outra Banda, andei pelas ruas quase desertas de chapéu de chuva, a ver se molhava os pés (e consegui). As pessoas abençoam a chuva mas preferem ficar em casa a vê-la cair, do lado de dentro das janelas.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 21, 2017

A Falsa Fábrica de Sonhos....

No fim do descampado lá surgiu o velho barracão, ainda com alguma imponência, mas sem portas ou janelas. Ainda era visível a chapa ferrugenta com o nome da segunda vida, como "casa de sonhos", sem esconder que no passado fora uma fábrica de tijolos. 

Os donos fartos de saber que as discotecas passavam de moda rapidamente, fizeram um investimento quase curto. Depois de ser discoteca, ainda foi quase um "templo de rock alternativo", com música ao vivo às sextas.

Foi lá que o Rui e a malta da sua banda fizeram a estreia em concertos ao vivo. Quem os ouviu diz que tocavam bem, com o Rui a cantar em português (foi lá que cantou uma letra da minha autoria,  a "Viagem"...). Gostavam de tocar, de se juntar e criar. Não pensavam em discos, muito menos em ganhar camiões de dinheiro. Pelo exemplo do Rui, penso que nunca se levaram a sério, foi por isso que nem sequer pensarem em abandonar os seus empregos tristes. 

Pouco tempo depois o barracão foi obrigado a fechar por estar completamente "fora da lei". Não foi difícil de perceberem que o "fim" estava um pouco à frente, depois da esquina.

Não se chatearam, simplesmente acharam que aquela brincadeira musical foi perdendo a graça, provavelmente por não terem encontrado qualquer estrada com setas para o futuro. Começaram a vender o material da banda e prometeram deixar de sonhar por uns tempos... pelo menos sonhos com som.

Lembrei-me desta história por ter passado ao pé da velha fábrica e por saber que o Rui não voltou a tocar e a cantar, nem mesmo no banho (pelo menos é o que ele diz)...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 20, 2017

Quase Cenário de Filme...

A "Outra Banda", outrora tão procurada por gente que vinha a esta margem com o intuito de pintar o Tejo e Lisboa, continua a oferecer a beleza de sempre, do alto dos seus miradouros, que surgem de uma forma natural, nos planos superiores das suas encostas.

Embora esta fotografia seja de Outubro, quando ainda parecia ser "Verão"... podia ter sido tirada hoje, à hora de almoço, em que a temperatura esteve amena, nos jardins da Casa da Cerca, com uma "varanda" virada para o melhor rio do mundo, que bem poderia passar por um cenário de filme, onde nem sequer falta um cacilheiro a navegar...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, novembro 19, 2017

Estes Tempos Cheios de Nada...

Estes nossos tempos, tão cheios de nada, fazem com que seja cada vez mais fácil ler em diagonal e perceber as coisas de uma forma distorcida. E o pior, é que isso acontece quase sem nos apercebermos.

Toda esta maquinação que nos permite viajar sem dar um passo, ir ao Japão e voltar em meia dúzia de segundos, está a roubar-nos a "atenção" e a "concentração", entre outras coisas, afundando-nos com demasiada informação "inútil", ao mesmo tempo que nos afasta de coisas que realmente nos deviam interessar...

Todo este uso e abuso de informação faz-me pensar que nunca foi tão fácil enganar tanta gente em tão pouco tempo...

(Fotografia de autor desconhecido das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian de um tempo com muito mais minutos...)

sábado, novembro 18, 2017

«Qual casa, quais livros, quais quadros?»

As pessoas mais próximas ainda não perceberam até que ponto o António ficou afectado com a fogueira grande que deixou a casa de campo apenas com as paredes.

A Ana anda preocupada e diz a todos os amigos que o companheiro não anda bem. Tudo porque quando alguém lhe "quer medir o pulso", para saber coisas que ele desistiu de quer saber e lhe faz perguntas sobre tudo o que aconteceu, ele com um sorriso nos lábios diz: «Qual casa, quais livros, quais quadros?»

Com os amigos mais próximos vai mais longe nas explicações: «Há muito que a casa precisava de uma remodelação. Nos últimos anos foi tratada como "depósito de lixo", levávamos para lá o que não nos fazia falta. Os móveis que não queríamos, as roupas que não usávamos, os livros que não líamos e os quadros que não cabiam nas paredes. Agora voltou tudo ao início. Vai voltar a ser a casa dos primeiros tempos, quando acabarem as obras.»

E vai ainda mais longe no seu sorriso: «Talvez volte a ter tempo de pegar na viola no quintal e tocar para os pássaros.»

Mesmo assim desconfiam da sinceridade das suas palavras. Não compreendem que ele seja capaz de dizer, «Voltar atrás para quê?», um lugar comum que é título de livros e de filmes, mas que é a melhor solução para se conseguir continuar a andar em frente, sem andar com os bolsos cheios de "fatalidades". 

Não sei se é o facto de ser homem (com um bom poder de abstracção - que há quem chame capacidade de "fugir dos problemas"...), que me leva a compreender o António. Sei que o que ele quer dizer é que há coisas mais importantes que os objectos que vamos guardando pela vida fora, por muito que façam parte das nossas memórias...

(Fotografia de Tarlé Dominique)

sexta-feira, novembro 17, 2017

Os Meus Passeios Mágicos com Romeu Correia...


Quando pensei em escrever o meu último livro, "Passeio Mágico com Romeu Correia", tinha como principal objectivo, homenagear, e dar a conhecer, quem foi realmente Romeu Correia, que por vezes é "criticado" por quem nunca leu um livro da sua autoria nem assistiu a uma peça sua.

Mas não pensei nestes "amigos da onça" (que também aprendiam alguma coisa com a sua leitura...), pensei sobretudo nas gerações mais novas, que apenas conhecem Romeu Correia por ser o patrono da grande sala da Cultura de Almada. Com o meu livro ficam a conhecer o Romeu em todas as suas vertentes, especialmente nas que mais se destacou (literatura, teatro e desporto).

Recordo sobretudo os nossos passeios pelo Almada, que foram a fonte de inspiração para o título deste livro. E vou transcrever o que escrevi na "Apresentação", neste dia que é de Romeu Correia:

[…] O uso da palavra “mágico”, dentro de um “passeio”, fez-me recuar no tempo, voltar às nossas “piscinas” que começavam na esplanada do senhor Manuel, na Praça da Renovação. Depois avançávamos pela rua Fernão Lopes, atravessávamos o Largo do Tribunal subíamos as escadas até ao Jardim, e quase sem darmos por isso, estávamos na Rua Direita... Íamos parando aqui e ali, para que o meu querido “cicerone” me explicasse melhor, quem eram as personagens que se iam misturando na nossa conversa, dando vida a uma Almada que continua a existir na memória do Romeu e das Gentes que se orgulham de viver numa Terra solidária e fraterna, que não deita fora o passado (o Orlando e o Chico permanecem na primeira fila...).[…]