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quarta-feira, agosto 21, 2019

«Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»


Estava a deitar papeis fora quando descobri esta quase não pergunta. Fiquei na dúvida se era da minha autoria, se a tinha retirado das legendas de algum filme, ou se apanhei qualquer coisa parecida nas ruas.

Hoje de manhã, voltei a encontrá-la, aqui ao pé do computador. Pensei que ela por si só, já daria uma boa história, mesmo esquecendo o sexo (está aqui só para disfarçar)...

Antes de a escrever, li-a em voz alta: «Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»

Eu sei que terá muitas respostas, mais ou mais óbvias, sem termos de nos deitar em qualquer divã do mobiliário dos sobrinhos do Freud. Mas mesmo assim, dá que pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, junho 14, 2019

O Mundo Azul e o Mundo Cor de Rosa


Apesar da existência de alguma pressão televisiva (nos programas de entretenimento e nas novelas), para que se olhe para tudo o que nos rodeia com "normalidade", a vida  (tal como ela é...) nem sempre nos deixa acompanhar o "progresso"...  

Eu sei que às vezes só o descobrimos quando "a boca resolve fugir para a verdade"...

Se os dois homens estrangeiros de meia idade (talvez ingleses, pela forma cuidada como se exprimiam em inglês...), que vestiam roupas de cores vivas, não tivessem caído nas boas graças de um grupo de três mulheres maduras, sempre atentas ao quotidiano, eu não estaria aqui a escrever este fait-diver.  

Elas, meio  brincar meio a sério, foram dizendo que não deixavam os seus homens saírem à rua naqueles "preparos" (achei graça a esta palavra, fez-me lembrar a minha avó, mesmo que tenha sido dita de forma jocosa...), com calças vermelhas, verde alface ou camisas amarelas ou cor de laranja. Acrescentaram mais alguns pormenores pitorescos, ligados aos cabelos e ao penteados (e até às sobrancelhas...).

Ainda bem que continuamos a não falar das mesmas coisas que as mulheres... Umas vezes por distracção, outras por pudor, e outras ainda, pela simples razão de nem sempre coincidirmos nos gostos e nos pensamentos...

Ao escutar as três senhoras, lembrei-me das pessoas modernas, que em nome da "igualdade", querem acabar com os mundos "azul e cor de rosa". 

Mundos que ainda nos continuam a diferenciar (mesmo que tenham o dedo do comércio)  assim que vimos ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, março 30, 2019

Contradições Femininas do Nosso Tempo...


A "auto-exploração" do corpo, com poses provocatórias e a ausência de roupas nas "redes sociais", em busca de "likes" e de "seguidores" (e de dinheiro, claro...), por parte de múltiplas mulheres modelares, é uma das coisas que me faz mais confusão nestes tempos, que são mesmo de mudança. 

Se olhar para as muitas jornadas de luta femininas, contra o machismo e o assédio sexual, esta postura, soa-me no mínimo a um contra senso. 

Embora saiba que a mulher é dona do seu próprio corpo, faz-me impressão toda esta exposição, quase sempre com "conotação sexual", nestes tempos em que quase nos querem proibir de olhar com olhos de ver as "musas que enchem as ruas de cor" assim que se aproxima a Primavera...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

sábado, dezembro 01, 2018

Memórias das Ruas Lisboetas...


O Primeiro de Dezembro além de comemorar a nossa Restauração de 1640, depois de 60 anos de domínio espanhol, também é o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

Esta doença hoje "já não é uma sentença de morte", como nos diz a publicidade que foi capa do "Público" de hoje (e provavelmente de mais jornais, mas só comprei este e nem olhei as outras capas...), graças aos avanços da medicina.

O mais curioso é que ontem tinha escrito umas palavras sobre  algumas conversas com amigos antigos de Almada, que ainda se recordam dos "números de polícia" e das ruas (Ferragial, Rosa, Diário de Notícias, Gáveas, Norte, São Paulo, etc) dos bordéis que frequentaram no começo da idade adulta.

No começo da minha idade adulta existiam sobretudo "bordéis de rua", em praticamente toda a Avenida da Liberdade e também no Largo de São Pedro de Alcântara, Enquanto descia a Avenida em direcção ao Cais do Sodré, para apanhar a barca que me levava para a outra margem, recebia convites femininos de todo o género, desde o simples "vamos querido?" até ao quase cristão, "faço-te o homem mais feliz do mundo".

O curioso é que a partir da Praça dos Restauradores a "fauna" mudava, eram as "bichas" que me faziam uma perseguição quase impiedosa, normalmente sem palavras, apenas com olhares viciosos. Era uma espécie de jogo de escondidas e também de estafeta ("elas" revezavam-se de esquina a esquina, cheguei a ser perseguido por mais de uma dezena de "bichas"). 

Recordo que quando vinha acompanhado, brincávamos com o assunto e "elas" não se aproximavam muito. Agora quando vinha sozinho, o "assédio" era bem mais descarado...

O aparecimento da Sida nesses primeiros anos da década de oitenta do século passado afastou toda esta gente das ruas. Se os homossexuais ainda devem andar por ai, com mais discrição, as prostitutas não voltaram à Avenida...

(Fotografia de Luís Eme - os laços vermelhos que são colocados neste dia, em volta das árvores num dos jardins de Almada...)

quinta-feira, outubro 18, 2018

A Música e a Liberdade Sexual


No meu trabalho de pesquisa, descobri uma entrevista interessante do músico João Peste, dos "Pop Dell'Arte", dada ao suplemento "6.ª" do "Diário de Notícias" de 13 de Janeiro de 2006, em que ele numa das suas respostas, aborda a questão da libertação sexual de uma forma, no mínimo, pertinente.

«A questão da libertação sexual é um assunto que praticamente está ausente na maioria da produção musical portuguesa. Grande parte da produção musical portuguesa trata, pelo contrário, da repressão sexual. São as canções sobre o bacalhau de Quim Barreiros ou as canções da Ágata e da Rute Marlene, que não têm a ver, de modo algum, com a libertação sexual. Têm a ver com a repressão sexual, com uma forma atrofiada de encarar a sexualidade, com modelos ultrapassados, machistas e patriarcais que deviam ser completamente banidos no século XXI. Reflectem completamente não só um atraso cultural mas também um atraso de mentalidade e da própria consciência sexual das pessoas.»
                                                         
Ao ler as suas palavras pensei que, neste tempo, de alguma forma revolucionário, pelo menos para as mulheres, ainda ninguém tinha criticado a brejeirice e o mau gosto de alguns músicos do "clube pimba", que utilizam quase sempre o corpo das mulher, em vários jogos sexuais...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 07, 2018

O Olhar Masculino e o Olhar Feminino...


Se no caso da sentença recente que suspendeu a pena dos dois violadores, penso que não há diferenças de género, na forma como se olha a aplicação (absurda) da lei, já na alegada "violação" de Cristiano Ronaldo em Las Vegas, há pelo menos dois olhares: um masculino e outro feminino.

Coloquei aspas na palavra violação, porque me parece que se trata sobretudo de um acto de violência sexual, e não tanto de violação. Pelo menos na forma como normalmente se entende a violação.

Embora neste caso particular Cristiano Ronaldo tenha recebido muitos apoios femininos entre nós (é o sentido patriótico a falar e também alguma fobia contra a prostituição...), normalmente a resposta das mulheres é sempre a favor da mulher. E neste caso particular lá aparece novamente a palavra "não", que nos últimos tempos passou a ser mesmo "não"...

Os homens têm sempre tendência para relativizar a questão. O "velho macho", até é capaz de dizer "abençoado", ou "grande homem". Outros, mais identificados com Las Vegas, a Capital do jogo e do prazer, dizem que Ronaldo pagou pelo "serviço completo", ponto final.

Outros ainda, mais legalistas, falam sobretudo em extorsão. Sim, acham que o exame médico feito depois do serviço, não foi realizado por acaso. Muito menos a tentativa de extorsão em forma de leilão (que acabou por resultar, não no quase um milhão pedido inicialmente, mas sim de 323 mil euros pagos, depois da assinatura de um acordo de confidencialidade).

Claro que falo de homens. Não estou a falar de simpatizantes do movimento #me too, pois estes também pedem a "cabeça" de Cristiano Ronaldo, sem dó nem piedade.

As mulheres "justiceiras", começam por falar de uma professora (que deveria estar ali por engano e que deve ter subido ao quarto de Ronaldo apenas para ver as vistas...) e nunca de uma "rapariga de programa" (para não lhe chamar outra coisa...). Depois falam de sexo não consentido, relevando a palavra "não". E por fim, falam da "tragédia" que se seguiu na vida desta mulher depois do episódio:  contusões anais, stresse pós-traumático, depressão, comportamento errático, ansiedade, etc.

Sem a conhecer de lado nenhum, apenas questiono, se a sua presença "em trabalho" numa discoteca em Las Vegas e a visita à suite de Ronaldo, não são já mostras de um comportamento errático (antes de se cruzar com o agradável "pé de meia" português...)

Claro que não faço ideia do que irá acontecer amanhã e nos dias seguintes. Sei sim, que Cristiano Ronaldo tem contra si, o facto de ser uma das personalidades mais populares do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 02, 2018

«Não, não é sempre não!»


Com cinquenta e seis anos de idade, casado e pai de dois filhos, podia ficar por aqui em silêncio. Era muito mais confortável.

Mas não me apetece. Estou farto de puritanismos e do politicamente correcto.

Sei também que podia esperar algum tempo, por causa dos ecos  de  revolta por causa de mais uma sentença absurda dos nossos tribunais, que penaliza claramente a mulher, em relação aos violadores.

Com todos estes movimentos em defesa da mulher e com o avolumar das suas acusações de violação (algumas com quarenta anos...), sinto que estão a querer destruir as relações entre um homem e uma mulher, todos os jogos de sedução que alimentavam o "amor". Não sei se apenas por que sim, ou se existe qualquer outro propósito social, aparentemente obscuro.

Eu ainda pertenço a uma geração em que por vezes a mulher dizia, não, ou não sei se, quando lhe apetecia dizer, sim (porque só as "galdérias" é que não se faziam difíceis...).

Claro que aceito que muitas vezes devíamos ter levado a sério um "não", e não o fizemos. Da mesma forma que muitas vezes ouvíamos um "não", sem que a nossa amante deixasse de nos beijar, apertar o corpo contra o nosso e relaxar as pernas...

É por isso que eu continuo a pensar - provavelmente mal -, ao contrário do que ouço por aí, que  «não, não é sempre não».

(Fotografia de Henry Clarke)

domingo, setembro 23, 2018

Sexo Coloca Serralves em Alta


O Museu de Serralves está em alta graças à exposição de  Robert Mapplethorpe,  um fotógrafo inglês, excêntrico, que podemos considerar produto do movimento "hippie" e das tendências artísticas que se lhe seguiram, em que a diferença, o choque e a polémica, passaram a ser mais importantes que a chamada "beleza artística".

Muitas das suas fotografias são autobiográficas e exploram a sua vivência homossexual (fotografou amantes, focando os seus órgãos sexuais e também publicitou cenas de sadomasoquismo e bondage). Se hoje continua a não ser um autor consensual, imaginem na época... Sim, ainda  quem fale de pornografia, quando olha para os seus retratos, embora isso seja nitidamente outra coisa.

Mas vamos lá regressar ao Museu de Serralves e às 159 fotografias de Mapplethorpe...

Quando se soube que tinha sido colocada uma área restrita (com acesso apenas a maiores de 18 anos, com as tais as imagens com órgãos sexuais e de sadomasoquismo), houve logo um coro de indignados a falar de uma "decisão censória" da instituição, inclusive o anterior director artístico de Serralves (eu diria que não havia necessidade)...


Talvez tenha sido por isso que o primeiro a "abandonar o barco" foi o actual director artístico, João Ribas (demissão ainda cheia de "nuvens", embora ele tenha sido o principal alvo de todas as críticas...). 

O Conselho de Administração da Fundação de Serralves (onde também "mora" Pacheco Pereira, um dos nossos "paladinos da liberdade") divulgou um comunicado, em que diz praticamente nada, embora tente "lavar as mãos" e dizer que tudo o que aconteceu estava previsto, não proibiu, nem mandou retirar nada, as 159 fotografias foram todas escolhidas por João Ribas, que também é o curador da exposição.

Claro que nos próximos dias deverão surgir mais explicações, de parte a parte. A não ser que Ribas opte pelo silêncio e acabe por ser "réu e vítima" de todo este processo.

O título que coloquei nesta posta, além de ser provocatório, não deixa de ser verdade. A polémica e o objecto desta exposição - especialmente as duas salas onde o acesso é restrito a maiores de 18 anos -, vão levar muita gente curiosa a Serralves, e ainda bem. Vão ficar agradadas com o Museu, com os jardins e por que não, com a exposição, com e sem sexo?

(Fotografia de Robert Mapplethorpe - Patti Smith, sua companheira e musa inspiradora)

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Quando Ser ou não Ser, Deixa de ser a Questão...


Uma das melhores respostas à entrevista de Adolfo Mesquita Nunes, no "Expresso", em que ele tenta dizer, com a maior naturalidade, e quase sem palavras, que é gay. foi a crónica de António Guerreiro publicada no "Ipsilon" de sexta-feira.

E António começa o seu texto da melhor maneira: «Se eu fosse paneleiro - na verdade, ninguém pode garantir que eu não seja, não tenha sido ou não venha a ser - e ocupasse um cargo político nunca aceitaria o protocolo da confissão, dizer o que é se é àqueles que não o são. Não para manter o "segredo", mas para não me submeter à regra da autenticação pelo discurso da verdade, tão aplaudido pelos que acham que a sua verdade é diariamente autenticada pelas evidências.»

No nosso país (e no mundo...) há três formas de se viver a sexualidade das minorias: esconder e fingir que gostamos das mesmas coisas que os outros (a norma, pelo menos das figuras públicas...); publicitar, algo de novo e "moderno", ideal para quem gosta de ser notícia de jornal; e por último aquela que eu acho que deveria ser a mais normal, aceitar e viver com naturalidade, sem ter de dar explicações ou justificar o que quer que seja, neste campo.

Quem gosta muito deste tipo de notícias é a comunicação social (e a gente que as lê avidamente, que têm menos de "metro e meio de altura"...), especialmente as revistas e jornais que gostam de dar informação ao jeito de folhetins de novelas. Não foi por acaso que na última semana tanto se escreveu sobre o casamento de uma directora de programas televisivos, quase balzaquiana, com uma actriz de telenovelas, quase menina... Claro que se falou porque elas quiseram ser notícia, quiseram publicitar a diferença (há pelo menos duas razões para isso acontecer; quererem acabar com os cochichos e com os olhares de lado dos outros, por onde quer que elas passam; ou querer ter um casamento badalado nos jornais e revistas...).

Sei o que é isso, porque embora não frequente os lugares da moda, tive conversas mais que suficientes com pessoas que sempre quer podiam apontavam o dedo e diziam: «fulano tal é paneleiro, vive com o Manuel daquela loja de roupa esquisita, mas é um gajo porreiro.»

Vou continuar com António Guerreiro para chegar ao ponto que quero discutir: «Se eu fosse paneleiro e político - malditos pês, que afluem como em hora de ponta, salvo seja - ficaria sempre calado para não ser transformado num estereótipo do homossexual de Estado, a não ser que aspirasse precisamente a esta condição.»

Como não acho que a classe política seja de confiança, esta modernice (especialmente por vir do nosso partido mais conservador...), pode também ser estratégica. O CDS pode querer dizer ao eleitorado do centro-direita, que já não é um partido conservador e tem as portas abertas a todos os liberais do PSD, que não gostam da social-democracia, que parece estar de regresso a este partido.

Claro que - excepto a meia-dúzia de amigos mais próximos do dirigente centrista - nunca iremos saber, até que ponto Adolfo foi genuíno, ou não. Foi também por isso que me apeteceu escrever este texto...

(Óleo de Laurits Tuxen)

quarta-feira, janeiro 17, 2018

«Preciso de um amor novo.»

Embora os homens não sejam muito de fazer confidências sobre a sua vida amorosa (dentro ou fora do casamento...) - os amigos são mais para falar das coisas do quotidiano e dos interesses que existem em comum -, são capazes de dizer coisas mais desabridas e até surpreendentes.

É mais normal do que possa parecer sermos amigos de alguém - com quem nos relacionamos quase diariamente -, e sabermos apenas que é casado, tem filhos e mora na rua tal... O nosso relacionamento faz-se apenas sobre as coisas que nos unem. Somos muito mais fechados dentro de nós que as mulheres...

Foi por isso que sorri e senti estranheza, quando um amigo quase balzaquiano que me disse com o ar mais sério do mundo, «preciso de um amor novo». Apeteceu-me oferecer-lhe outra questão, sem perder o sorriso: «E não precisamos todos?»

(Fotografia de Robert Doisneau)

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Olhar e Pensar, quase Duas Vezes...


A batalha mediática das actrizes contra o "assédio", mesmo sem quase darmos por isso, já começa a influenciar o nosso olhar de "faunos".

Eu por exemplo, já dei por mim a olhar para uma mulher bonita na rua e pensar em ser o mais discreto possível. 

Tudo isto porque se escreve e fala diariamente de uma forma excessiva sobre a questão. E cada vez se mistura mais a sedução com o assédio, e um dia destes só pode ter como resultado a criação de mais um problema, quase de "identidade sexual", masculina ou feminina...

O meu amigo Gui, que já andou a "pregar pregos" em Hollywood, diz que isto é tudo postiço, acrescentando que as grandes vitimas de assédio na "meca do cinema" são os homens jovens e não as actrizes, explicando que uma boa parte dos poderosos do mundo do cinema, em relação ao sexo, prefere outros homens. As actrizes bonitas e badaladas são usadas preferencialmente para ficar na fotografia...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 09, 2018

A Importância Social das Telenovelas

Há vários anos que as telenovelas brasileiras transportam para a televisão - e para a discussão pública - alguns temas "tabu" da sociedade. Foram eles que mostraram os primeiros casais homossexuais às claras nas suas "tramas", no início de uma forma tímida, que hoje são aceites com normalidade nos seus guiões. E é esse valioso contributo que dão para a sua discussão, e até aceitação entre as pessoas de todos os estratos sociais, mesmo que nem sempre se pense com seriedade no assunto, que me interessa trazer para aqui.

A telenovela brasileira  que a SIC transmite à noite (só não sei o título porque sempre fui péssimo em decorar nomes de livros, filmes, peças...), é mais um bom exemplo da utilização positiva de um tema cada vez mais pertinente, que é abordado de uma forma muito feliz: o drama dos transexuais (a sua aceitação - ou não - pela própria família e todo o transtorno emocional que provoca) com a qualidade reconhecida dos actores brasileiros...

E fico muito feliz por uma telenovela ter uma importância superior a mil crónicas doentias de gente do calibre do arquitecto Saraiva, que provavelmente ainda pensam que a homossexualidade é uma doença, curável (nem que seja com tratamentos à base dos choques eléctricos...).

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)

terça-feira, dezembro 05, 2017

Segredos Fechados num Quarto de Hotel...


Sempre foram considerados um casal normal, mesmo quando decidiram deixar de o ser...

Foi já depois dos cinquenta que viram chegar o desinteresse pelos corpos um do outro. Beijavam-se e tocavam-se menos, ao mesmo tempo que foram deixando o sexo ganhar espaço nas suas vidas. 

Ambos sabiam o que lhes estava a acontecer. Perguntaram mais que uma vez aos seus botões, se haveriam uma terceira pessoa, a provocar aquele afastamento. Ela uma vez ainda pensou em contratar alguém, por que ele estava a jantar mais vezes que o costume com os amigos. Mas achou que talvez fosse melhor ficar na dúvida...

Dois anos depois foram para fora e ficaram num quarto de hotel. Quando a noite chegou, trouxe algo mais que o cansaço de um dia movimentado: voltaram a sentir-se vivos e a amarem-se como dois adolescentes.

A partir dessa noite quente passaram a ficar, pelo menos uma vez por mês, num hotel, sempre diferente.

Num desses encontros quase secretos beberam mais do que deviam ao jantar e decidiram entrar num bar e fingir que não se conheciam. Acrescentaram mais um "jogo", há muito esquecido nas suas vidas, a sedução.

Estes encontros funcionaram quase como um carregar baterias, voltaram a ter paciência para se aturarem um ao outro, a ter a cumplicidade necessária para tranquilizar os filhos.

Quase num golpe de sorte, conseguiram ganhar "novos amantes" sem precisarem de procurar outros corpos...

(Fotografia de Edward Steichen)

terça-feira, novembro 28, 2017

A Ambiguidade Feminina...


Nos meus primeiros anos de vida adulta tive mais que um exemplo daquilo que se pode chamar a "ambiguidade feminina".

Talvez fossemos todos do clube dos "assediadores", mas também me parece que era normal as moçoilas disseram "não", mesmo quando queriam dizer sim. Claro que só depois é que se percebia que afinal o "não" era "sim"... Às vezes já tarde demais...

Recordo que cheguei a ser "gozado" por alguns amigos, por ser demasiado respeitador das "damas"...

Claro que estou a falar dos primeiros namoricos, das primeiras saídas, tempos de inseguranças e de incompreensões, povoados por aquilo que me apetece chamar  de "ambiguidade feminina".

(Óleo de Rolf Armstrong)

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tão Diferentes e tão Iguais...


A complexidade feminina não é muito diferente da complexidade masculina.

A mulher de cabelos brancos, sabia que o seu género não era muito de gostar de gente boa, dava quase sempre preferência a quem fosse capaz de quase lhe "fritar" o sangue.

Foi buscar um exemplo dos piores, a fadista que morava no antigo palacete dos Mantas, que já não ia para nova e continuava a coleccionar "filhos da puta", homens capazes de viverem à sua custa e como "prova de amor", ainda a tratavam mal e andavam com outras.

Mas também os homens não podiam nem queriam ter muita rédea solta, pois eram capazes de ir até ao fim do mundo, atrás de uma das chamadas "mulheres fatais"... 

Parece que ninguém gosta de gente boa, homens e mulheres preferem sempre um bom desafio, alguém que lhes dê luta e que não lhe faça a vida parecer um "mar chão"...

(Fotografia de Édouard Boubat)

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Sexo Com Serenidade e Distanciação...


Quase todos os dias me cruzo com ele, entre as oito e um quarto e as oito e meia. Aproxima-se dos oitenta e ainda não perdeu a jovialidade, tem sempre alguma coisa engraçada para contar. As aventuras do "prof. Martelo na República de Belém" são muitas vezes motivo de conversa, outras o futebol, embora o seu Porto ultimamente não lhe dê grandes alegrias. 

Hoje, por ser uma manhã mais fria que outras, perguntei-lhe porque razão não entrava no "emprego" depois das nove (sai de casa mais cedo que muita gente que trabalha e faz sempre o mesmo ritual: compra o jornal do povo e senta-se no café, a ler as "desgraças deste país" e a tomar o pequeno-almoço, enquanto os companheiros de tertúlia não chegam).

Ele sorriu e disse de uma forma natural (não notei que existisse qualquer malícia nas suas palavras, nem desencanto, apenas o reflexo da vida):
«Ficar na cama para quê? Já nem sequer como a carcaça que se deita comigo.»

Sorrimos ambos, sem nos lembrarmos que amanhã é sábado, dia de folga destes encontros quase diários...

Fiquei a pensar nesta - e noutras conversas que tenho com septagenários -, ciente de que a idade nos oferece serenidade para tudo, até para se falar de sexo (parece que nem o pudor se aguenta com a idade...).

(Fotografia de Robert Doisneau)

domingo, dezembro 11, 2016

Gostar sem Sentidos Proibidos...


Sempre que estou com ela, sinto-me bem. Sei que isso acontece por mais de uma dúzia de razões. Pensamos e gostamos de muitas coisas parecidas. A  cultura também dá uma ajuda, o escrever, o pintar, o fotografar, faz com que seja mais fácil a nossa comunicação. Mas acho que o que se torna decisivo é sermos ambos pessoas simples, não damos grande guarida a "bichos estranhos" na nossa cabeça.

Acho curioso a sexualidade nunca ter interferido na nossa relação, já que ambos gostamos de mulheres.

Isso deve acontecer por gostarmos muito um do outro. Claro que sei que nem toda a gente tem a mesma noção de respeitabilidade que existe em nós.

Um dia destes pensei mesmo que somos amigos raros, é quase como se nos conhecêssemos desde a infância e nunca tivéssemos crescido.

(Fotografia de Thomas Veres)

sábado, setembro 17, 2016

O Meu Olhar Sobre as "Minorias"...


Hoje quando ia para o café comecei a pensar (e a tentar desvendar...) como seria a minha vida, se pertencesse aos chamados grupos "minoritários", mesmo que muitas vezes até possam estar em posição de superioridade numérica - como acontece com as mulheres -, mas nunca em termos representativos ou de poder. 

Percebi que se fosse homossexual (assumido) era olhado de lado na minha rua, no meu bairro e na minha cidade; só teria a vida facilitada se entrasse no chamado mercado do trabalho alternativo; não tinha os mesmos amigos, teria outros (menos...), diferentes. Ou seja, era mais facilmente "notícia" por uma questão que só a mim devia dizer respeito.

Entendi que se fosse "preto" era olhado por muita gente quase como se fosse um "fenómeno do entroncamento"; senti que sempre que existisse qualquer roubo e estivesse nas proximidades, era logo apontado pelo olhar dos outros como "culpado";  se tivesse o bom gosto de namorar uma branca gira, olhavam-nos como se estivesse qualquer coisa fora do sitio; e à partida não tinha todas as portas abertas no campo profissional. Infelizmente ainda há profissões que não são para "pretos"...

Deixei para o fim a questão mais complexa, ser mulher. O meu primeiro pensamento foi de que tinha a vida mais facilitada, era seduzida e bajulada naturalmente pelos homens, podeno "jogar" com isso, ao mesmo tempo que teria mais portas abertas em quase todas as áreas da nossa sociedade (esquecido do que estava por trás de todo este falso cavalheirismo...) . Provavelmente também tinha mais gente amiga. Mas depois lembrei-me que há poucas mulheres em lugares importantes no nosso país, as que exercem esses cargos são a excepção que confirma a regra. Que as mulheres que fazem o mesmo que os homens, recebem menos dinheiro. E nem entrei dentro das casas, nem quis pensar mais no assunto...

Pois é, o grupo "minoritário" que parecia ter a tarefa mais fácil, é, provavelmente,  o mais complicado de todos...

(Óleo de Augusta Herbin)

quarta-feira, agosto 17, 2016

O Álbum de Recortes que Chegou do Quase Nada...

Sabe que não foi um grande actor, mesmo assim ainda entrou numa dúzia de filmes e fez quase meia centena de peças de teatro.

Depois aceitou um emprego normal e deixou definitivamente o mundo do espectáculo.

Não guardou nada, nem sequer uma notícia de revista ou jornal da sua estreia. Já havia muitas invenções nesses quase loucos anos sessenta, em que se inventavam namoradas, para vender "plateias" e "crónicas femininas", com casais quase perfeitos, masculinizando os calvários e os garcias dos palcos e das canções. 

Foi sempre um corpo estranho naqueles bastidores, cheios de histórias proibidas, por uma coisa bastante simples para o comum dos mortais, ter o defeito "imperdoável" de gostar de mulheres. Embora na altura não o assumisse, foi também por isso que se afastou...

Não fazia ideia de que tinha tido admiradoras. Só quando há dias uma jovem lhe bateu à porta, para lhe entregar um álbum sobre a sua curta carreira, organizado pela avó, percebeu que a sua actividade artística não era tão vazia como pensara...

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, março 28, 2016

Os Teatros e os Actores Principais da Justiça


Gostava que os juízes fossem todos mais parecidos uns com os outros.

Claro que não quero que tenham todos cabeleira loura ou pesem apenas sessenta quilos. Quero sim que tenham o mesmo peso e a mesma medida da justiça.

Podia falar dos nossos casos mais mediáticos ou do que nos chega diariamente dos "brasis"... onde alguns senhores dão cotoveladas, aqui e ali, só para aparecerem no jornais ou na televisão.

Mas não, fico-me apenas por dois casos: pela senhora que tratou os pais da criança de doze anos (que quase pareceu que era ela que estava a ser julgada...) de forma diferente, ele por senhor doutor e a mãe pelo nome próprio e por "querida", entre outras coisas... e claro, ainda por outra senhora (o facto de terem sido senhoras nestes casos é apenas uma coincidência...), que a páginas tantas disse sobre o caso que julgara: «Todos reconhecem ao apresentador características que reflectem atitudes atribuídas ao sexo feminino, tal como a sua forma de se expressar... para além de que o apresentador usa roupas coloridas próprias do universo feminino e apresenta um tipo de programas também eles ligados às mulheres.» Não, não estou a falar de José Castelo Branco, mas sim de Manuel Luís Goucha (que nunca vi de saia, vestido ou sapatos de tacão alto na televisão...), que em 2009 foi vitima de uma brincadeira de mau gosto do programa televisivo, "Cinco para a Meia Noite", em que perguntavam qual era a melhor apresentadora de televisão e cuja resposta certa era, Manuel Luís Goucha.

Ele não gostou e como as pessoas da "gracinha" não se retrataram ou pediram desculpa seguiu com o caso para os tribunais. Eu na altura senti logo que tinha existido um "abuso". Sem me querer armar em "Diácomo Remédios", penso que o humor é outra coisa, não é bem isto.

E embora não seja fã do apresentador, nem veja normalmente os seus programas nem o canal para onde trabalha, acho que ele tem toda a razão em se sentir indignado com o arquivamento do processo e, especialmente, com a leitura da sentença. As suas preferências sexuais são públicas, mas não vejo que ele tenha as tais características que reflectem atitudes atribuídas ao feminino. Em relação ao colorido das roupas que usa - pelo menos aos meus olhos -, fazem parte da sua imagem de marca televisiva, tal como acontece com tantos outros colegas de profissão.

Não gosto nada, mas mesmo nada, destes "justiceiros" (nestes dois casos foram "justiceiras"...) que se acham no direito de fazer julgamentos no mínimo preconceituosos, que acabam sempre por "ferir" a lei.

(Óleo de René Magritte)