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domingo, maio 07, 2017

O Mar, a Poesia e as Mulheres-Mães da Sophia (e do Frank)...




Há Mulheres que Trazem o Mar nos Olhos
  
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma.
  
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estas mulheres também são as nossas Mães...

(Óleo de Frank Wilcox)

terça-feira, abril 11, 2017

A Dúvida está Sempre em Crescimento...

Os anos passam e a dúvida cresce, ao ponto de colocar quase toda uma vida em causa...

Já lhes chamaram muita coisa, até egoístas. Podem ter sido tudo, menos isso... 

A mulher fica com os olhos húmidos quando revive o que sofreu na prisão, na clandestinidade, no exílio... mas sobretudo, por não ter visto o seu filho crescer. O homem afaga-lhe o cabelo, com o carinho de quem nunca deixou de amar.

Sabe que não foi a mãe que devia ter sido. É por isso que percebe a ausência do seu Carlos, que teve de abandonar com menos de um ano e deixar ao cuidado dos pais.

O homem tenta desculpá-los com as incidências da própria vida, com a dificuldade que sempre tiveram em conviver com a injustiça nos locais de trabalho, com as perseguições, o desemprego, e a luta colectiva, que alguém tinha de travar...

Mas a solidão passa o tempo todo a pregar-lhes partidas. Pensam demasiado na vida.

Olham para o país com desconsolo, porque já não sabem se tudo o que sofreram valeu a pena. Não sabem explicar as razões, mas a verdade é que os patrões continuaram, e continuam, a roubar o povo, cada vez com mais descaramento.

Olham para o filho com orgulho por ter conseguido ter uma vida melhor que eles, mas sentem muito, muito, a sua ausência...

(Fotografia de Sena da Silva)

sexta-feira, janeiro 08, 2016

A Luta Diária pela Sobrevivência


Ontem era para escrever sobre Paris, sobre a Liberdade, sobre o jornalismo... ou seja, iria dizer meia-dúzia de lugares comuns, afastando-me do essencial: a desumanização, cada vez mais evidente, da sociedade.

Podia falar dos casos diários de violência doméstica, mas fico-me pela mãe madeirense que se suicidou, depois de ter envenenado o filho, de apenas onze anos. Depois de ler a notícia sobre este caso descobri que tudo isto aconteceu três semanas após o suicídio do seu companheiro, também por envenenamento.

Quando o caso foi motivo de conversa fiquei em silêncio. Em vez de dizer qualquer banalidade, fiquei a pensar na alteração do estado psicológico da senhora, ao ponto de a levar a fazer o que fez. E o seu quadro social não era para menos. Desempregada, doente com um cancro e depressiva, devia ter a sensação de que era cada vez mais um estorvo para todos. E provavelmente sentiu que o filho mais novo também estava a ser um "peso" para a filha e o genro, que lhe tinham dado abrigo.

Sou incapaz de a culpar do que quer que seja. Aliás, o que me preocupa mesmo é a distracção de toda a gente que vivia à sua volta...

(Óleo de Renato Gattuso)

segunda-feira, maio 05, 2014

O País das Mulheres de Negro


Ontem não escrevi nada sobre as Mães, embora tenha festejado este dia na companhia da minha mãe.

Hoje pensei da sua condição de viúva, tal como tantas mulheres da sua geração. Nós partimos sempre antes, não apenas para abrir caminho, mas também para não termos de suportar a solidão, que é mais feminina que masculina, para lá da essência da palavra.

Talvez as mulheres de hoje não consigam suportar as agruras da vida, como as nossas mães, que nasceram num outro tempo, em que lhes estava reservado um papel (oficialmente) secundário na sociedade. 

Talvez, mas não devem ter como fugir a este destino de  durarem mais tempo e acabarem sós...

O óleo é de Guglielmo Siega.

quarta-feira, julho 03, 2013

«Tu nem calculas as vezes que tenho passado por otário, Luís»


Quando ele me disse, «tu nem calculas as vezes que tenho passado por otário, Luís», lembrei-me da minha mãe, que também sempre foi boa a passar "por parva", para evitar conflitos e por ter alguma curiosidade em ver até onde iria a chamada "esperteza saloia", que sempre teve mais de urbana que de campestre... 

Fazia-lhe confusão ver as pessoas correrem atrás das "possibilidades remotas" de um dia se tornarem ricas, com um golpe de sorte, mas não lhe ouvia uma palavra de desagrado em relação a elas. Era ele que se achava errado, por nunca na vida ter comprado uma cautela da lotaria ou ter jogado no totobola, muito menos no euromilhões. Mas não era agora que iria mudar. Nem queria...

Vivia da sua reforma de funcionário público, a ocupação mais amaldiçoada do país pelos governantes actuais e cada vez mais reduzida. Não o preocupava, receber cada vez menos, embora tivesse descontado quarenta e dois anos. O que o preocupava era ver os netos sem trabalho e terem de emigrar, como tantos da sua geração o fizeram nos anos sessenta.

Acabou por desabafar: «Acho que tive bastante sorte na vida, Luís. Como eu sou, se estivesse agora na flor da idade, tornava-me mais facilmente um "sem abrigo", que um milionário...».

O óleo é de Miroslav Yotov.

domingo, maio 05, 2013

Para Sempre


Para SemprePor que Deus permite 
que as mães vão-se embora? 
Mãe não tem limite, 
é tempo sem hora, 
luz que não apaga 
quando sopra o vento 
e chuva desaba, 
veludo escondido 
na pele enrugada, 
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 
Morrer acontece 
com o que é breve e passa 
sem deixar vestígio. 
Mãe, na sua graça, 
é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
— mistério profundo — 
de tirá-la um dia? 
Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca, 
mãe ficará sempre 
junto de seu filho 
e ele, velho embora, 
será pequenino 
feito grão de milho. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
O óleo é de Jesus de Perceval.

domingo, maio 06, 2012

Obrigado, Mãe!


O óleo é de Trent Gudlundsen.

quinta-feira, março 29, 2012

A Mãe e as Três Crias


Cruzo-me muitas vezes com uma mãe que além de carregar as compras, segura os três filhos, sozinha, a caminho de casa.

Um deles é mais fugidio e ela farta-se de gritar com ele, preocupada com o seu amor tão precoce à liberdade. 

O miúdo lembra-me o meu irmão, não pelo que conheço, mas pelo que ouço contar. A minha mãe recorda-nos muitas vezes a sua mais célebre fuga. Com apenas quatro anos largou-lhe a mão na Praça do Peixe e desapareceu. Preocupada, comigo ao colo, correu as redondezas e nada do meu irmão. A praça ficou toda num alvoroço à procuras da criança perdida...

Completamente desesperada e chorosa, só descansou quando regressou a casa e o encontrou sentado na porta, à sua espera.

Não lhe bateu, abraçou-o. Só depois de um longo abraço é que lhe deu uma reprimenda das grandes.

Quando sentimos a "dependência" dos nossos filhos, que mesmo com dez, onze anos, não andam por aí sozinhos, acabamos por estranhar esta "façanha" do meu irmão, que com apenas quatro anos, conseguiu percorrer "meia-cidade", sem a ajuda de ninguém, até chegar ao Bairro dos Arneiros, onde viviamos.  Claro que estávamos nos anos sessenta do século passado, mas...

Quando vejo esta mãe, lembro-me de todas as "mães-coragem", que enfrentam o mundo de peito aberto, aparentemente sem grande apoio familiar.

O óleo é de Margarita Sikorskaia.

domingo, maio 02, 2010

Bom Dia Mãe

Bom dia Mãe.

É tão bom saber que estás aí, com a tua serenidade, doçura, amor e sabedoria milenar, à minha espera...
Às vezes tenho saudades do teu colo, das histórias que me contavas, para comer a sopa.
Outras vezes tenho apenas saudades de te olhar, de te dizer mal me levanto:
Bom dia Mãe.

O óleo, "Madonna Village", de Marc Chagal, simboliza a Mãe de todas as mães...

domingo, maio 04, 2008

Estás Sempre Presente...


Hoje tive um dia atípico.
Depois de uns curtos dias, afastado da civilização, lá fiz a viagem de regresso à "selva urbana".
Absorvido, primeiro pelo silêncio, depois por um trânsito absurdo, quase esqueci a importância do dia de hoje...
Claro que ainda tive tempo de falar com minha mãe, de lhe enviar um beijo.
Beijo que é extensivo a todas as mães deste mundo, que estão sempre presentes nas nossas vidas, mesmo de uma forma invísivel...

A bonita escultura de uma mulher-mãe, é da autoria do almadense, Francisco Simões...