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segunda-feira, agosto 05, 2019

A Criatividade e a Influência Musical do Zeca e do Pedro


Zeca Afonso fez noventa anos no dia dois deste mês. 

Falou-se e escreveu-se muito do seu património discográfico (para uns tantos perdido, para outros esquecido ou abandonado, mas eu acho que não, deve ser sim, um daqueles "tesouros" muito bem guardados no cofre de alguém...), até se fizeram as petições do costume, para que a obra do Zeca fosse classificada de interesse nacional. Algo que me parece um pouco inconsequente, pois se há obra musical que sempre teve e tem interesse nacional, será a de Zeca Afonso.

Como continuamos a não saber o que se passa no "lado de lá do mundo", talvez até seja possível que o Zeca, escreva e cante, sobre aquilo que lhe querem dar agora (e "panteão" rima com tanta coisa...) que ele não está por cá, para receber... E também já deviam saber que o Zeca não gosta nada dessas coisas. 

Para o conhecermos bem basta escutarmos atentamente as letras das suas canções. Fazia-nos melhor escutar os seus poemas que pedem revoluções, que assinar petições.

Mas nem era sobre isso que queria escrever...

Três dias antes do dia de aniversário do Zeca, Pedro Ayres Magalhães fez sessenta anos.

Continuo a pensar que o Zeca e o Pedro são as pessoas mais importantes do panorama musical dos últimos cinquenta anos, não só pelo que criaram, mas muito pelo que influenciaram. Curiosamente, ou não, exerceram a sua influência em espaços musicais completamente diferentes.

Se o Zeca aos noventa anos de idade, já está próximo de ter conquistado a "unanimidade" (o que quer que isso seja...), o Pedro ainda está muito longe desse patamar. Mas eu sei que ele irá lá chegar. Deixo aqui algumas das suas palavras, ditas numa entrevista ao jornal "I" (que falam um pouco do que escrevi):

«Eu senti a solidão de ser português quando era adolescente, nos anos 70. E o que me fazia impressão em Portugal era ninguém se relacionar com esse problema. Por isto sentia falta de pensar, de teorizar. Encontrei a resposta a escrever canções sobre a saudade, sobre o que somos como portugueses, tanto nos Heróis do Mar como nos Madredeus. Os Madredeus não foram bem entendidos, mas amanhã, quando as pessoas estiverem ainda mais insatisfeitas com o presente, irão pesquisar e nessas pesquisas vão encontrar a história, muito bonita, de uma banda que cantava sobre o ser português e que foi tocar essas palavras a todo o mundo.»

Há ainda outra coisa que une o Pedro ao Zeca, bastante importante: nunca se "venderam", nem cederam à nossa maneira pequenina de se estar na cultura (e nas outras coisas, claro), sempre que podiam passavam ao largo das "capelinhas" do costume.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, julho 07, 2019

Não "Chega de Saudade"...


Eu sei que bastaria o seu primeiro álbum, "Chega de Saudade", lançado em Março de 1959, apresentado pelos historiadores como a invenção da Bossa Nova (invenção essa partilhada com Vinicius de Moraes e Tom Jobim), para transformar João Gilberto numa das principais figuras da música brasileira.

Mesmo que Gilberto - ao contrário de Jobim -, tenha tentado "fugir" da bossa nova, fingindo não estar dentro daquele período musical verdadeiramente revolucionário, refugiando-se apenas no samba (cabia lá tudo)...

Mas João Gilberto foi bem mais longe, inventou muito mais ritmos e melodias, com o seu violão. E até se aproximou do jazz, na companhia do saxofonista, Stan Getz (estou a ouvi-los enquanto escrevo, e mesmo sem ser um entendido, digo que está ali jazz com os ritmos mais suaves do samba, com uma beleza única...).

João Gilberto, que nos deixou ontem, não só tentou, como conseguiu, ser apenas ele próprio,  ao mesmo tempo se tornava o "mestre" daqueles que se tornariam os seus grandes seguidores e que acabariam por fazer a transição entre a  "bossa nova" e a "música popular brasileira", Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 22, 2019

Chico (Camões) Buarque


Como não sou um purista, fiquei bastante feliz pela atribuição  do "Prémio Camões" de 2019 a Chico Buarque. 

Também olho para este prémio, para algo que não se limita a ser literário, quer ir mais longe. 

E o Chico vai bem mais longe, e até era capaz de colocar o nosso Luís de Camões a "sambar" de alegria...

(Fotografia de Luís Eme - Constância)

quarta-feira, dezembro 19, 2018

A Cantora de Cabaré da Rua Detrás


Durante anos não se sabia muito bem o que fazia, embora se percebesse à légua que era uma ave nocturna.

Era bonita, dona de uma beleza pouco comum, quase exótica. A brancura e as sombras no rosto não enganavam, o Sol não só não a entusiasmava como não a iluminava...

Lembro-me que durante muito tempo fez parte das nossas conversas de café, também elas nocturnas. A vulgaridade e a sujidade tomavam conta de nós, pouco satisfeitos com o seu mistério. Foi o Alípio que numa noite desvendou o seu quase "segredo", afirmando que ela cantava em bares, e bem, quase sempre coisas da américa, negras e brancas.

Depois descobrimos o seu nome artístico e soubemos mais coisas da sua outra vida como cantora.

Não se incomodava de cantar em lugares onde as mulheres se despiam, com e sem arte, depois da uma da manhã. Em nome da sobrevivência, aceitava todas as oportunidades para cantar, ora com os dois músicos que a acompanhavam, um pianista e um contrabaixista, ora em play back.

Outro dos seus mistérios, era não se conhecer nenhuma companhia masculina ou feminina, para além da mãe e irmã.

Foi também por isso que o poeta da nossa rua um dia  lhe escreveu um poema. Falava da sua solidão e também da sua beleza e maldita sina, de não conseguir sair da escuridão...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 07, 2018

Músicas na Cidade...


Sempre gostei de ouvir música nas ruas. 

Além de dar vida aos lugares anima as pessoas, especialmente as que trabalham diariamente e que têm muito menos motivos de sorrir, que os imensos turistas, de várias latitudes, que andam por aqui, sobretudo a namorar Lisboa.

E é esta "nova cidade", povoada de turistas, que faz com que a oferta aumente, assim como a qualidade dos cantores e instrumentistas. 

Quase que podemos ouvir todo o tipo de música, com agrado. Nem custa quase nada depositar uma moeda na caixa do instrumento, ou no chapéu da ordem...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 22, 2018

Estavas Ali para Ver a Banda Tocar...


Bem me parecia que não tinhas ido ao largo ver a banda passar. Até porque este ano não passou como nos outros anos pelas ruas de Almada (A PSP cobra uma nota preta pelas Arruadas na Cidade...).

Estavas sentada, mas para ver a nossa Incrível (e as bandas amigas, claro) tocar, na manhã de domingo, que até chegou a ameaçar chuva. 

Nada que te assustasse, muito menos aos músicos de Almada, Alverca e Aljustrel...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 18, 2018

A Música e a Liberdade Sexual


No meu trabalho de pesquisa, descobri uma entrevista interessante do músico João Peste, dos "Pop Dell'Arte", dada ao suplemento "6.ª" do "Diário de Notícias" de 13 de Janeiro de 2006, em que ele numa das suas respostas, aborda a questão da libertação sexual de uma forma, no mínimo, pertinente.

«A questão da libertação sexual é um assunto que praticamente está ausente na maioria da produção musical portuguesa. Grande parte da produção musical portuguesa trata, pelo contrário, da repressão sexual. São as canções sobre o bacalhau de Quim Barreiros ou as canções da Ágata e da Rute Marlene, que não têm a ver, de modo algum, com a libertação sexual. Têm a ver com a repressão sexual, com uma forma atrofiada de encarar a sexualidade, com modelos ultrapassados, machistas e patriarcais que deviam ser completamente banidos no século XXI. Reflectem completamente não só um atraso cultural mas também um atraso de mentalidade e da própria consciência sexual das pessoas.»
                                                         
Ao ler as suas palavras pensei que, neste tempo, de alguma forma revolucionário, pelo menos para as mulheres, ainda ninguém tinha criticado a brejeirice e o mau gosto de alguns músicos do "clube pimba", que utilizam quase sempre o corpo das mulher, em vários jogos sexuais...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 03, 2018

A Literatura é Mesmo Diferente...


Estava a ouvir uma jovem tocar viola numa roda de amigos e quando dei por ela, estava a viajar pelo passado, a percorrer as ruas dos sonhos da juventude...

Embora eu nunca tivesse grande jeito para a música, encontrei vários amigos dos tempos das "bandas de garagem" que ficaram pelo caminho, assim como o Rui "Pintor", que também abandonou esta vocação, quase apenas por que sim...

Quase que posso dizer que fui o único do bairro que continuou a caminhada pelo mundo das artes (neste caso mais letras...). E apenas por uma razão, a literatura é uma das poucas áreas da cultura que não exige uma formação específica. Se por um lado existem conservatórios para músicos, actores, encenadores, escolas de belas artes, não existe nenhuma escola que forme escritores (apesar de andarem por aí algumas pessoas a vender gato por lebre...).

E isso acontece porque para se ser escritor, a primeira qualidade que se exige é possuir-se um talento natural para a escrita, que se começa a notar desde cedo, nas redacções da primária. Talento que depois tem de ser alimentado, sobretudo com a leitura e com a prática diária dos jogos de palavras...

Ou seja,  podemos ser escritores "sem mestre". O mesmo não se pode dizer de um músico, ou de um pintor. Para "crescerem" eles precisam de alguém que os eduque, que lhes indique o caminho certo...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 24, 2018

É Muito Importante Honrar a Memória...


Zeca Afonso voltou a ser tema de conversa e de escrita nos últimos dias, não tanto pela sua obra, mas sim pela vontade dos dirigentes da Sociedade Portuguesa de Autores em pedirem a transladação do seu corpo de Setúbal para o Panteão Nacional.

É algo que não se percebe bem, se pensarmos que José Afonso recusou ser condecorado ainda em vida, pelo general Ramalho Eanes. Alguns anos mais tarde a família voltou a recusar uma condecoração póstuma, durante a presidência de Mário Soares, fazendo prevalecer a vontade do músico.

Faz-me confusão, que depois destes dois episódios, não se respeite a vontade do Zeca e da sua família, com a agravante de a iniciativa partir de uma Sociedade que tem como principal objectivo defender os autores...

Este caso acaba por ter um aspecto positivo, mostra-nos o quanto é importante honrarmos a memória e a vontade dos que partem. 

Não podemos esquecer que estamos a falar de uma das raras pessoas, que teve a coragem de recusar prémios e condecorações em vida (só me lembro de Zeca Afonso e de Herberto Hélder...). É bom que  o seu exemplo prevaleça, mesmo que seja a excepção que confirma regra...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 09, 2018

A Praça do Comércio


Sei que nem sempre olhamos para a Praça do Comércio (ou Terreiro do Paço...), com olhos de ver. 

Os turistas, sim. Normalmente ficam agradados com a sua largueza e por ser um espaço aberto,  virado para o melhor Rio do Mundo. É só atravessarmos a passadeira e estamos no Cais das Colunas... 

É por isso que de vez em quando, fica quase irreconhecível, quando é utilizada para "vender qualquer coisa", como tem acontecido nos últimos dias, com o festival da canção das europas... Mas por alguma razão se chama "Praça do Comércio".

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 25, 2018

Almada Cantou "Abril Sempre" com os Xutos


Almada voltou a ter a música como grande atractivo da Festa da Liberdade. Começou ainda a 24 com Gisela João (mas o fado perde tanto em espectáculos de massas...), depois escutámos um coro, infantil e juvenil, que cantou a nossa Grândola, o cântico da liberdade da autoria do nosso maior poeta-cantor,  o inesquecível Zeca Afonso.

Mudou-se a página do 24 para 25 com o tradicional fogo de artífico... e depois veio o grande concerto da noite, com a única verdadeira banda de rock portuguesa, os "Xutos e Pontapés".

Os largos milhares de pessoas que inundaram as praças S. João Baptista e da Liberdade (não me lembro de as ver com tanta gente...), saíram satisfeitas, porque o Tim, o Kalu, o Cabeleira e o Gui, continuam em grande (mesmo sem o carismático Zé Pedro...) e ofereceram aos almadenses um concerto inesquecível.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 12, 2018

A Realidade é Outra Coisa...


Estava a conversar  numa mesa de amigos sobre como estamos sempre em mudança, mesmo sem nos apercebermos... e sem que isso indique falta de coerência.

Acontece que somos sempre mais ignorantes do que imaginamos e gostamos de dar palpites sobre o que não conhecemos. Felizmente a idade vai-nos dando a sabedoria necessária (não a todos, para o mundo não perder a piada...), para ouvirmos, pelo menos tanto como falamos... e deixarmos de dizer coisas absurdas, apenas por que sim.

De repente distanciei-me das vozes e lembrei-me de dois pequenos exemplos, simples, de como as coisas na realidade eram diferentes das da minha cabeça. 

Recordei o meu sobrinho a tocar bateria na cave e eu a dizer-lhe que a batida dele era demasiado forte, ensurdecedora, como se fosse possível tocar este instrumento com suavidade... E depois da minha primeira aventura a sério como "marinheiro" de mar alto, como tripulante de um veleiro a sério (mais de doze metros). Ingenuamente pensava que era possível navegar sem sentir tanto o mar, esquecido de que uma barca com velas navega ao sabor do vento e enfrenta as ondas de frente, estando sempre longe da estabilidade de qualquer paquete...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 09, 2018

Coisas do Gostar...


Conversávamos sobre a amizade, sobre esta coisa do gostar, à margem das paixões.

Foi quando me disseste que quando queremos somos mais iguais do que parecemos, às pessoas que de quem queremos gostar. Da mesma forma que nos esforçamos para sermos diferentes de quem queremos manter a distância...

Lembrei-me disso agora que estou a ouvir a música que me sugeriste. Sim, gosto da música que tu gostas. E devo gostar ainda mais por gostar de ti.

E lembrei-me também do "esforço" que faço para não gostar de algumas coisas que me são sugeridas pelos tais outros, que sem ter de mudar de passeio quando nos cruzamos, gosto de manter algum distanciamento... Ou de não atender o telemóvel quando aparece um nome que sinto estar a mais na lista (muitas vezes apenas por questões profissionais), apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Ir Atrás do Cartaz e Encontrar Gente...


Quando resolvi tirar esta fotografia, fui atrás do cartaz estranho do concerto de Marilyn Manson (somos tantas vezes atraídos por coisas estranhas...). Já estava pronto para disparar quando reparei no casal de idosos que esperava o autocarro. Foi por isso que fingi que não estavam lá...

Só depois de olhar a fotografia no computador é que reparei no olhar da senhora, que de alguma forma posou para a fotografia, ao contrário do companheiro, que fez de conta que não era nada com ele, "à homem"...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 30, 2017

E Agora?

Os "Xutos e Pontapés" perderam hoje o seu líder natural, o guitarrista Zé Pedro, o elemento da banda que melhor assumia o papel de "roqueiro" daquela que continua a ser a única verdadeira banda de rock portuguesa.

Para trás ficam quase quarenta anos recheados de concertos, discos, entrevistas... com sucessos que todos recordamos, como "O Homem do Leme", "Remar, Remar", "Minha Casinha", "Circo de Feras", "Chuva Dissolvente", "Contentores", "Para Ti Maria", "Não Sou o Único", "Se me Amas", ou "Quero-te Tanto", entre outras dezenas de canções inesquecíveis.

E agora? Faz sentido continuar? Zé Pedro diria com toda a certeza, que sim.

Resta perceber o que pensam, e o que querem, o Kalu, o Tim, o João Cabeleira e o Gui. Porque deve ser muito difícil continuar na estrada, sem a companhia de Zé Pedro, o seu elemento mais emblemático e o líder natural da banda...

(Fotografia de autor desconhecido)

terça-feira, novembro 21, 2017

A Falsa Fábrica de Sonhos....

No fim do descampado lá surgiu o velho barracão, ainda com alguma imponência, mas sem portas ou janelas. Ainda era visível a chapa ferrugenta com o nome da segunda vida, como "casa de sonhos", sem esconder que no passado fora uma fábrica de tijolos. 

Os donos fartos de saber que as discotecas passavam de moda rapidamente, fizeram um investimento quase curto. Depois de ser discoteca, ainda foi quase um "templo de rock alternativo", com música ao vivo às sextas.

Foi lá que o Rui e a malta da sua banda fizeram a estreia em concertos ao vivo. Quem os ouviu diz que tocavam bem, com o Rui a cantar em português (foi lá que cantou uma letra da minha autoria,  a "Viagem"...). Gostavam de tocar, de se juntar e criar. Não pensavam em discos, muito menos em ganhar camiões de dinheiro. Pelo exemplo do Rui, penso que nunca se levaram a sério, foi por isso que nem sequer pensarem em abandonar os seus empregos tristes. 

Pouco tempo depois o barracão foi obrigado a fechar por estar completamente "fora da lei". Não foi difícil de perceberem que o "fim" estava um pouco à frente, depois da esquina.

Não se chatearam, simplesmente acharam que aquela brincadeira musical foi perdendo a graça, provavelmente por não terem encontrado qualquer estrada com setas para o futuro. Começaram a vender o material da banda e prometeram deixar de sonhar por uns tempos... pelo menos sonhos com som.

Lembrei-me desta história por ter passado ao pé da velha fábrica e por saber que o Rui não voltou a tocar e a cantar, nem mesmo no banho (pelo menos é o que ele diz)...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 22, 2017

Um Festival de Bandas Almadense (e Centenário)...


Há já alguns anos que a Incrível Almadense organiza o seu Festival de Bandas Filarmónicas, que é sempre uma boa oportunidade para quem gosta deste género musical e também para recordar memórias, de quando esta era a única música possível em muitos lugares deste país...

O Festival que está quase a começar (estou a escrever antes de passar por lá...), este ano tem uma particularidade bastante importante e singular. As três bandas que a Incrível convidou são as suas congéneres do Concelho de Almada, S.F.U.A. Piedense, Academia Almadense, e Musical Trafariense, todas elas centenárias, tal como a "Mãe" do Associativismo Almadense...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 25, 2017

Diogo Piçarra em Corroios

Podemos não gostar de alguns géneros musicais, ou pelo menos não lhes darmos muita atenção. É isso que acontece comigo em relação ao Diogo Piçarra, que ontem à noite visitou a "melhor sala" de concertos da Margem Sul, o "Palco Carlos Paredes" da Quinta da Marialva, em Corroios.


Mas quando as pessoas são inteligentes, sabem o que querem, e percebem que hoje já não há espaço para "amadorismos", constroem aquilo que se chama um bom espectáculo, que além da música, também precisa de uma boa encenação. 

Foi isso que eu vi, ontem em Corroios, com o Diogo PIçarra, na tradicional festa anual.

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, agosto 02, 2017

Conversas de Rua e Falsas Adolescências que se Prolongam no Tempo...

Não sei se existiu algum acontecimento que provocou a reacção de um casal de meia idade, que dizia mal dos jovens, como se estes fossem culpados de todas as facilidades que nós pais (e eles, avós, sempre foram bons a estragar netos...) lhes oferecemos para viverem quase "à grande e à francesa".

Parei por alguns segundos e em silêncio, comecei a ouvir o coro da "carneiragem" do costume. De repente estava tudo contra os jovens, amaldiçoavam os festivais de música de Verão, com todos os "inconscientes" aos pulos, a ouvirem sons ensurdecedores, que são tudo menos música...

Continuei o meu caminho, sem deixar de pensar que somos nós, pais, que não deixamos crescer os filhos, torná-los livres e independentes... é por isso que se tornou normal viver em casa dos progenitores até depois dos quarenta anos...

E em relação aos festivais de Verão, tantos bilhetes que são comprados com as "mesadas" dadas pelos avós, que também contribuem para estas "falsas adolescências que se prolongam no tempo"...

Posso ainda acrescentar que o meu filho de dezanove anos está esta semana acampado nas proximidades da Zambujeira do Mar, num desses festivais de Verão de "música maluca". O mais curioso, é que não pediu dinheiro nenhum ao pai para ir até ao Sul, curtir...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, maio 14, 2017

Sábado Escrito com "Três Éfes"...


É impossível não dizer nada sobre o dia de ontem, um sábado escrito com "três éfes".

Como devem ter lido por aqui, muito antes de sábado já estava "intoxicado" com  Fátima. Isso não tem nada que ver com o Papa Francisco, de quem é difícil não gostar (tal como acontecia com João Paulo II), devido à forma simples e directa com que fala de todos os problemas que nos rodeiam. Tem a ver sobretudo com uma igreja que continua a alimentar "milagres" e "segredos", que nem sequer dão grandes histórias de ficção...

O segundo éfe foi sobretudo agradável para mim e para todos os benfiquistas. O Benfica sagrou-se campeão nacional e conquistou pela primeira vez na sua história quatro títulos consecutivos. Mas não me agradou apenas por ser o meu clube, agradou-me por nunca ter assistido a tantas manifestações de mau perder por parte dos responsáveis do Sporting e do FC Porto, colocando tudo e todos em causa, semana após semana. Estes últimos até baptizaram o campeonato de "liga salazar"...

Mas o mais surpreendente (e até mais saboroso) acabou por ser o último "éfe", não de fado, mas de "festival" (da eurovisão), com a vitória de Salvador Sobral, um rapaz calmo e simples (que grande conferência de imprensa!), que encantou a Europa com uma balada, bela e sentida, cantada em português...

(Fotografia de Nino Migliori)