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sábado, fevereiro 28, 2015

Duas Certezas que Tenho, neste Tempo de Incertezas


Aos sábados acordo sempre cedo. Normalmente fico ainda um bocado na cama a ver passarem ideias e reflexões.

Desta vez dei por mim a pensar que na actualidade serei tudo menos católico e comunista, olhando para a prática diária das "casas-mãe" destas duas ideologias (Igreja Católica e Partido Comunista).

E isto não acontece apenas por me saber demasiado libertário ou por gostar muito de pensar pela minha cabeça. Mas sim por sentir que estas duas "instituições" estão mais próximas do que parecem (uma da outra), pela superioridade moral que espalham (ou pelo menos tentam) na sociedade. 

Ambos se sentem os "escolhidos". Uns pensam que são os únicos filhos de Deus e que só eles têm a chave do "céu". Os outros pensam que são os únicos donos da verdade e da solução para um mundo mais justo.

Claro se Jesus e Marx, passassem por aqui, olhando para as suas práticas, eram capazes de lhes dizer que tinham interpretado mal as "cartilhas" que ambos deixaram por cá, mas...

O óleo é de Blake Flynn.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

O Preço da Liberdade


A Liberdade tem sempre um preço, por vezes caro demais.

Foi o que aconteceu hoje de manhã em Paris, com o assassinato de doze pessoas, entre os quais os cartoonistas, Stephane Charbonner (Charb), Georges Wolinski, Tignous e Jean Cabut (Cabu), por quem pensa que pode condicionar a liberdade de expressão dos outros.

É preciso é que não nos rendamos a esta gente, que pensa que é através da violência, da repressão e do medo, que consegue atingir os seus objectivos.

Graças a eles, o "Charlie Hebdo" está mais vivo e popular que nunca.

quarta-feira, abril 16, 2014

Um Povo Sem Memória...


Eu sei que não gostamos muito de pensar, e muito menos de recuar no tempo e rebuscar as nossas memórias.

Essa é uma das explicações para sermos governados pela "mesma gente" há quase quarenta anos, com os resultados que todos conhecemos...

Mas o pior são as contas que todos gostam de fazer, entre o deve e o haver da Revolução dos Cravos.

Quem não gosta muito de pensar, diz que a única coisa que realmente ficou de 1974 foi a liberdade, e mesmo essa, tem dias.

A ignorância sempre foi atrevida, claro que ficaram muitas mais coisas. Não podemos pensar o país apenas pelos últimos quatro anos, em que nos têm sonegado muitas das "conquistas de Abril", especialmente em termos laborais.

Antes da Revolução a maior parte das aldeias do nosso país não tinham electricidade, água canalizada, saneamento nem tão pouco acessos por estradas decentes (em muitos casos eram caminhos de cabras...). Havia quem morresse sem ter sido consultado uma única vez por um médico. As pessoas nunca liam a realidade dos factos nos jornais ou revistas, liam sim a realidade dos censores, que cortavam tudo o que achavam "subversivo". Existia uma polícia política que se alimentava de uma rede de bufos, em quase todas as ruas, que prendia quem lhes apetecia, quase sempre sem culpa formada. E para o fim deixo o pior: havia uma guerra nas províncias ultramarinas que matava e mutilava todos os anos milhares de jovens, que eram obrigados a matar e a morrer pela "pátria", depois de serem enfiados nos paquetes da Companhia Nacional de Navegação em direcção a Angola, Moçambique e Guiné...

Felizmente, Abril, deu-nos muito mais que a Liberdade, até nos deu o tal livre pensamento, que muitos não gostam de exercitar, vá-se lá saber porquê...

O óleo é de Mark Okrassa.

sexta-feira, junho 14, 2013

«Quem não quer ser burro,não lhe veste a pele.»


A minha avó dizia muitas vezes a frase: «quem não quer ser burro não lhe veste a pele (com orelhas e tudo).» E tinha toda a razão.

É a sensação que tenho, sempre que ouço ou vejo a criatura que anda "perdida" pelos paços de Belém.

O mais grave é sentir que cada nome que lhe atribuem, ofende sempre alguém, que não tem nada que ver com os assuntos da governação.

Não são só os Palhaços que não gostam de ser metidos no mesmo saco com o sujeito, o mesmo acontece com os Malandros que se prezam ou ainda com Proxenetas, Homossexuais ou até Machos da Cabra.

Com a história das multas e dos "circos", não tenho dúvidas de que nunca houve tanta gente a chamar toda a espécie de nomes, ao inquilino do Palácio Cor de Rosa, mesmo que seja em surdina...

Nota: Quando falamos no "cara de pau", insultamos sempre alguém, desta vez foi um burro, mas podia ser um urso, um camelo ou até um lobo...

O óleo é de Lesley Humphrey.

terça-feira, junho 04, 2013

A Prática da Auto-censura


Penso que todos praticamos a "auto-censura", mesmo nos nossos blogues.

Eu faço-o sobretudo porque há coisas da qual não me apetece nada falar.

Se há coisa que me irrita é falar de política e de políticos, ou então da tribo de futebol... aqui talvez com demasiado conhecimento de causa de algumas "batotas", por ter sido durante algum tempo, um quase jornalista desportivo.

Sinto-me como se estivesse a remexer na "merda".

Ontem falei de música, quando me apetecia falar desta gente que passa a vida a criticar os antecessores e conseguiu a proeza de - em tempos de crise e de números recordes de desemprego - ter nomeado mais gente que o PS, nos seus dois primeiros anos de governação, com a agravante de ainda nem sequer os ter completado. 

Segundo o "D. Notícias" este governo PSD/ CDS nomeou nada mais nada menos que 4.463 "bois", que só podem ser de "raça", pois recebem vencimentos médios superiores a 3.000 euros. E se pensarmos que com cada ordenado destes se podiam contratar pelo menos seis auxiliares para as escolas ou para os hospitais...

Mas segundo a cartilha desta gente, sem qualquer pingo de dignidade ou vergonha, não se podem fazer contratações na função pública, só nomeações...

O óleo é de Andrei Buryak.  

domingo, dezembro 09, 2012

RTP: Marca de Cerveja?



As interrogações que poderiam ter existido após a nomeação do empresário cervejeiro Alberto, para a administração das televisões e rádio públicas, pela mão do "malabarista" (entre outras tantas coisas terminadas em ista...) Relvas, ficaram dissipadas com este último episódio que ditou a suspensão de Nuno Santos. Trata-se de de uma história cheia de pontas soltas, como convém quando queremos tramar alguém. 

Ainda bem que Nuno não teve qualquer problema em falar de "saneamento político", na comissão que o ouviu no parlamento.

A RTP é uma marca cinquentenária, pioneira de tantos acontecimentos históricos, que deveria merecer  mais respeito desta gente "vendida", que nos governa e finge esquecer que existe uma constituição, que é a lei suprema de qualquer nação, que deviam obedecer e respeitar. 

É ai que devia entrar o Presidente da República, cada vez mais senhor Silva e menos Chefe de Estado. Cavaco devia ser o primeiro defensor do cumprimento das leis do país. Devia, mas parece que mais uma vez, está tudo ligado...

E, claro que a RTP não é uma marca de cerveja, por muito que a tentem "moldar" e "destruir", com a nomeação de gestores "teleguiados".

quinta-feira, agosto 16, 2012

O Que Mudou nos Jornais...


Mudou tanta coisa nos jornais... sobretudo as pessoas. Quando falo em pessoas refiro-me aos donos e aos jornalistas, que começaram a querer "traçar" rumos políticos no país, ao mesmo tempo que tentavam educar as massas, com notícias cada vez menos inocentes.

Claro que o jornalismo é apenas mais uma actividade económica onde imperam on monopólios, onde é possível a uma só pessoa ser dona de uma televisão, uma rádio e vários jornais e revistas. Joaquim Oliveira, Pinto Balsemão e Pais do Amaral, são a face mais visível desta realidade, que tão mal têm feito à comunicação social portuguesa.

Foram eles que deram espaço aos especialistas em "tudologia", que enchem os jornais de opiniões tendenciosas, quase sempre com o objectivo de proteger ou prejudicar alguém.

Olhando para o jornalismo de imprensa dos últimos vinte anos, sinto que a única mudança positiva foi o fim dos jornais em tamanho "broadsheet"", que ocupavam a mesa inteira e incomodavam os nossos vizinhos nos transportes  públicos.

O óleo é de Helen Hoffman.

domingo, janeiro 08, 2012

A Vida não é uma Batota


Por muito que nos tentem provar que a vida se está a tornar uma batota, que tudo está viciado à partida, há pequenos gestos que nos dizem que não.

Não me interessa nada que uma boa parte das pessoas pense que nos tribunais mais importante que sermos inocentes é termos a possibilidade de contratar um advogado caro e bem relacionado, daqueles que aparecem na televisão; que para chegarmos a chefia de algo, temos de pertencer a qualquer coisa secreta; que para ascendermos a um lugar de destaque num partido, temos de ser mentirosos e corruptos; que para que o nosso clube preferido seja campeão, seja necessário comprar árbitros; que para ganharmos um prémio qualquer temos de ser amigo dos elementos do júri; que só conseguimos arranjar emprego com a cunha do senhor fulano tal, etc. Parece que podia estar aqui até amanhã a dar exemplos do género.

Mas ainda na sexta-feira, quando me levantei da mesa onde estivera sentado uma senhora, que não conhecia de lado nenhum, falou mais alto, para me avisar que me estava a esquecer da mala. Pois é, parece que o mundo afinal não é essa coisa que pintam.

E se há coisa que nos faz mesmo mal, nos dia que correm, é ler jornais e ver notícias na televisão ou escutá-las na rádio.

Sinto cada vez mais que andam a "fabricar" um mundo que ainda não existe mas que já começa a roubar-nos demasiadas coisas, até o prazer de passearmos nas ruas, cada vez mais desertas... 

O óleo é de Kim Cogan.

quarta-feira, agosto 27, 2008

O País Nos Jornais de 24 de Abril de 1974

Afinal parece que não se passa nada, no nosso país. São apenas alguns bandidos que resolveram passar férias em Portugal. A meados de Setembro volta tudo ao normal...

Era assim no tempo da outra senhora, graças ao exame prévio nunca havia notícias demasiado tristes ou aterradoras. Foi por isso que me apeteceu viajar na máquina do tempo e amenizar as últimas notícias de violência.
Não sei por onde começar, talvez por Loulé:
Três guardas da GNR, viram-se cercados por dezenas de meliantes, que os tentaram agredir. Contudo, os três elementos da força policial nunca baixaram os braços e resistiram às provocações, sem dispararem um único tiro, até chegarem os reforços necessários para impor a ordem e prenderem os insubordinados.
Agora as duas bombas de gasolina na margem Sul:
Três indivíduos encapuçados assaltaram duas bombas de gasolina na Margem Sul. A situação anormal foi prontamente controlada pelas forças policiais que montaram um cerco na região, estando por horas a sua detenção.
Volto ao Algarve, para falar do turista alemão baleado:
Um individuo perturbado tentou assaltar um turista alemão de meia idade, que resistiu ao assalto, percebendo o amadorismo do assaltante. Infelizmente o nervosismo do bandido fez com que este disparasse a arma e ferisse a vitima. A polícia local já está no encalço do bandido, que não terá muitas alternativas, senão entregar-se.
E por fim, os três bancos assaltados na Capital:
Aproveitando o período de férias e o menor movimento nas ruas, registaram-se três assaltos a bancos na grande Lisboa. Estes pequenos incidentes não registaram actos de violência nem foram muito bem sucedidos, já que as caixas estavam com muito pouco dinheiro e os assaltantes estavam com pressa, preocupados com a habitual prontidão da PSP.
Conclusão? Provavelmente, se ainda existisse exame prévio, estas notícias nem sequer seriam publicadas, mesmo depois de "trabalhadas". E sentíamos-nos mais seguros nas ruas, graças aos nossos polícias e aos nossos governantes. Só que a realidade não se deixa construir, como a ficção...

sexta-feira, agosto 22, 2008

A Idade da Inocência (2)

Não estava à espera de ser apelidado, ainda que sorrateiramente, de foleiro e piroso, por fazer "posts" sobre os nossos campeões que têm andado pela Olímpia, que "acampou" em Pequim, na terra da gente dos olhos em bico, que adora iguarias como o escorpião e onde não deve existir espaço para cães vadios...

Sorri de satisfação, por não conseguir atingir o patamar intelectual de algumas "prima-donas", alérgicas ao sucesso da Vanessa e do Nelson, que olham para o desporto como algo com sabor a torresmos ou curatos.
Pena que a Telma e o João Rodrigues, e claro a Naide, não tenham subido ao pódio, para me fazerem escrever sobre histórias momentâneas que fazem dos portugueses gente feliz, com sorrisos e lágrimas de emoção...
Talvez por ser "piroso", é que envio aqui do Largo, um forte abraço para o Marco Fortes e para a Vânia Silva, lançadores e recordistas nacionais do peso masculino e martelo feminino, que aprenderam como ninguém, que não se pode ser apanhado na "idade da inocência" olímpica...
O atleta da fotografia é o americano Bob Mathias, que se sagrou Campeão Olímpico do decatlo - uma das provas mais difíceis do calendário olímpico e que define o atleta mais completo do atletismo -, com apenas dezassete anos, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1948. Bob também foi o primeiro campeão olímpico na "idade da inocência", nesta modalidade. Ficou conhecido como o "invencível", pois nunca perdeu uma prova, embora se tenha retirado precocemente, com apenas vinte e dois anos, depois de repetir o Ouro Olímpico em Helsínquia...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Uma Conversa sobre Censura


Uma professora amiga convidou-me para participar numa palestra sobre "A Censura, Ontem e Hoje".
Havia mais dois convidados, ambos professores. Foram eles que iniciaram a sessão, começando por espreitar para o interior dos jornais, criticando o jornalismo dos nossos dias, sem se esquecerem de salientar os monopólios existentes, e a cada vez mais nitida, autocensura, imposta pelos chefes. Um deles foi ainda mais longe, chamou aos directores, "testas de ferro" das administrações e do poder económico.
Quando foi a minha vez de falar, disse que as questões que tinham sido abordadas, eram pertinentes e preocupantes, mas faziam parte do mundo actual, onde a economia se sobrepõe a tudo. Acrescentei que a história dos "testas de ferro" não era nenhuma novidade no jornalismo nem no mundo empresarial, e como tal, tinha de ser encarada com normalidade. Pois os donos de qualquer empresa, têm o direito de escolher, quem melhor defende os seus interesses.
O que eu fui dizer...
Disseram-me que uma coisa não tinha nada a ver com outra, que a informação tinha de ser livre, etc.
Só os consegui calar, quando lhes lembrei que o José Saramago, quando esteve no "Diário de Notícias" em 1975, não foi lá colocado pelo seu valor como jornalista, mas pelo que representava, como elemento de confiança política, para quem administrava o jornal em nome do Estado...
Os alunos fizeram perguntas várias, interessantes, e até pertinentes. Pela minha parte, expliquei-lhes como funcionava a censura (mesmo sem a ter conhecido pessoalmente...), como cortava os textos com o lápis azul, muitas vezes sem grande nexo. Também lhes disse que a autocensura é algo pessoal, depende de uma série de factores, principalmente da nossa educação e da forma como olhamos o mundo. Não é uma coisa que esteja afixada na redacção ou seja ditada pelo director, como se procurou dar a entender.
Os outros dois companheiros de aventura é que não ficaram lá muito convencidos, com as coisas que disse. Paciência...
O desenho bem elucidativo, é da autoria de Ferreira dos Santos...