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quarta-feira, agosto 21, 2019

«Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»


Estava a deitar papeis fora quando descobri esta quase não pergunta. Fiquei na dúvida se era da minha autoria, se a tinha retirado das legendas de algum filme, ou se apanhei qualquer coisa parecida nas ruas.

Hoje de manhã, voltei a encontrá-la, aqui ao pé do computador. Pensei que ela por si só, já daria uma boa história, mesmo esquecendo o sexo (está aqui só para disfarçar)...

Antes de a escrever, li-a em voz alta: «Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»

Eu sei que terá muitas respostas, mais ou mais óbvias, sem termos de nos deitar em qualquer divã do mobiliário dos sobrinhos do Freud. Mas mesmo assim, dá que pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, julho 10, 2019

Repetimo-nos Mais Vezes do que Pensamos...


Eu sabia que me repetia de vez em quando por aqui, mas nunca pensei que fosse tanto (andei à procura de algo que escrevera e descobri coisas, que se me dissessem, não acreditava às primeiras...).

Talvez o problema seja esta mania de escrever praticamente todos os dias, utilizar o "Largo" não só como diário, mas também como "máquina de jogos de palavras". E como já são mais de doze anos, acaba por me levar, invariavelmente, para as "repetições", até porque não mudamos de opinião, de um dia para o outro, isso é mais para os "comentadores televisivos"...

Com as imagens passa-se a mesma coisa. De vez em quando lá repito uma fotografia, sem me aperceber...

(Fotografia de Luís Eme  - Ginjal)

sexta-feira, julho 05, 2019

Olhar e não Ficar em Silêncio...


Sim, no fundo é isto: olhar e não ficar em silêncio.

Quando gostamos de olhar e de escrever, é mais fácil "denunciar", aquilo que achamos que está mal. 

E se tivermos um blogue, a coisa ainda se torna mais fácil. Sei que nos jornais nem sempre escrevemos o que queremos, há demasiados editores com "torções no nariz", sim, daqueles que até poderiam andar  pela redacção com um lápis azul na orelha.

(esta foi a minha resposta a alguém que acha que sou demasiado crítico no "Casario do Ginjal", e que acrescentou, com um sorriso, que Almada merece mais amor...)

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, junho 03, 2019

A Nitidez das Palavras...


Há pessoas que não conseguem comunicar de uma forma directa, seja utilizando a via oral ou escrita.

Posso mesmo dar um exemplo familiar. A minha companheira no sábado esqueceu-se da carta de condução e quando me telefonou disse-me para dizer à filha para procurar na carteira que estava dentro da mala, que ela sabia onde estava. Poderia me ter dito simplesmente, «está na minha carteira». Moral da história: a minha filha andou às voltas da mala da mãe (a procurar um carteira mais pequena, que era a que ela tinha nesse momento...), até que eu decidi abrir a "carteira grande" e lá estava a carta de condução...

Este exemplo serve para outras coisas, em que a sua forma de comunicar choca por vezes com os filhos, por que gosta de acrescentar sempre, mais um ou outro pormenor.

O mais curioso, é que eu era para falar da escrita, daquelas pessoas que gostam de escrever com demasiados artifícios, dificultando por vezes a nossa compreensão.

E agora que estou quase no fim, devo confessar que tudo isto começou com uma frase de Frederico Lourenço: «O objectivo da minha escrita sempre foi a clareza. Não quero ser incompreensível. Procuro a maneira mais nítida de exprimir as minhas ideias, e dá muito trabalho.» 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, abril 17, 2019

A Liberdade de Dizer Não...


Hoje fiz uma pequena reflexão pessoal sobre a utilização da palavra "não", num dos meus outros blogues (o "Casario"...). Reflexão que não foi feita por acaso, pois reparei que fiz muito mais uso dela nos dois últimos anos, que nos dez anteriores...

Expliquei por que razão é que isso aconteceu (algum cansaço pessoal misturado com o efeito da "repetição"...).

Mas o mais curioso de tudo isto, foi a principal conclusão a que cheguei.

Não tive qualquer dúvida de que o uso da palavra não, fez-me sentir muito mais livre...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

sexta-feira, abril 05, 2019

Não Necessariamente...


Há pequenas coisas que me fazem perceber que não pertenço ao reino dos "fundamentalistas", do que quer que seja.

Acho que isso tem a ver sobretudo com aquela parte, de se gostar de liberdade, da nossa e da dos outros.

Não falo quase nada sobre blogues e ainda menos sobre as "verdadeiras" redes sociais. Não que tenha alguma coisa contra, mas como não as frequento (sim, continuo sem facebook, twiter ou instagram, e sem lhes sentir falta), não emito opiniões sobre elas.

Mas de vez em quanto lá sou quase obrigado a falar... 

Falava-se de notícias falsas, mas um sujeito resolveu dar uma de "intelectual" e dizer que quem não sabe escrever não se devia meter nestas coisas dos blogues, para não cair no ridículo. Ao perguntar-me a opinião (por saber que tinha blogues...), disse-lhe que o que era ridículo, era ele achar que os blogues deviam ser só para "escritores". 

Torceu ligeiramente o nariz mas continuou a zurzir contra os "analfabetos" da blogosfera e também do facebook.

Expliquei-lhe que nem sequer era preciso saber escrever para se ter um blogue. Há quem só publique fotografias, há também quem só transcreva textos e poemas dos outros. Tudo com gosto e qualidade.

Já em relação ao facebook, não contou com o meu contraditório.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, março 22, 2019

Um Poema no Dia Vinte e Dois...



Não


Tentei agarrar a tua mão e tu fugiste
afastando o corpo.

Foi apenas mais uma forma de me dizeres não...

Fui ficando para trás
agarrado ao coração
preocupado, não fosse ele cair
e ficar, despedaçado, no chão...


Luís [Alves] Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, março 19, 2019

Querer Trocar um Olhar e um Sorriso...


Acho que nunca falei aqui do meu Pai, ou se falei, foi de uma forma quase invisível.

E aqui há três ou quatro dias, escrevi algumas frases no meu bloco de todas as horas, num daqueles períodos, em que estamos a olhar para essa coisa gigantesca, que é o "nada". Pensei que num dia de mais inspiração, podia transformar estas palavras num poema...

«Lembro-me de ti. 
Tenho saudades.
Apetecia-me ver-te, poder dizer-te, olá!
Não precisávamos de falar, Pai.
Só precisávamos de trocar um olhar e um sorriso...»

No domingo fomos passear em família. A fotografia que publico é do meu filho, que tem uma relação com as alturas parecida com o avô. Até lhe contei um episódio, em que eu o meu irmão e ele fomos às pinhas (das boas, as que têm pinhões...). Nós tínhamos vinte e muito poucos anos e ele cinquenta e qualquer coisa. O que é certo é que foi ele que se descalçou e trepou até quase ao cruto do pinheiro enorme, deixando-nos  cá em baixo, quase de boca aberta. 

Nós que fazíamos desporto e gostávamos de aventuras...

(Fotografia de Luís Eme - Alcácer do Sal)

sábado, março 09, 2019

Descobrir a Careca à Falsa Sapiência...


Quando ele me disse, «o gajo que vem aí, é daqueles que tem a mania que sabe mais do o que sabe», mal me deu tempo para me virar... o fulano já estava a um metro de nós.

Depois, pelo andar da conversa, percebi o que o João me quis dizer.

O "metediço" falava de coisas que tinham acontecido, não apenas como se lá estivesse, mas também, como se conhecesse todas as pessoas que lá estavam. Achei aquele espectáculo, uma imitação manhosa do "teatro do absurdo". Ele iniciava as conversas, depois mudava de assunto, voltava a falar de outra coisa, e depois outra, e outra e outra, quase sem parar.

Há muito tempo que não assistia a uma conversa tão estranha. Claro que o meu amigo era o principal culpado, porque nunca dizia o que o outro queria ouvir, nunca lhe dava corda. E ele ia mudando de disco...

Quando o fulano nos deixou, demos uma gargalhada quase grande.

Coitado, saiu mais pobre do que quando começou a conversa. Que grande desperdício de palavras...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, março 04, 2019

A Liberdade das Palavras e das Ideias...


Quem escreve sabe que as palavras e as ideias são demasiado livres, para se deixarem levar apenas pela nossa vontade, de criar ou apenas de descrever algo que aconteceu.

Pensei nisto há minutos, porque enquanto estava a escrever um texto de trabalho (para entregar no dia 4 de Março...), comecei a ser perseguido por outras ideias, muito mais interessantes. Para não as perder, fui tomando notas. Até que percebi que tinha de aproveitar toda aquela "avalanche" de ideias e mudar de texto...

Claro que isto já me tinha acontecido mais que uma vez, mas não com "tanta vontade de passar por cima do outro"...

(Fotografia de Luís Eme - o "Segredo" do Mestre Lagoa Henriques - Lisboa)

sábado, dezembro 29, 2018

Olhares & Pensamentos


Olho para a minha secretária e para tudo o que a rodeia, com a sensação que ainda não vai ser este ano que ela fica, completamente preparada para um novo ano, embora merecesse uma arrumação...

Sei que, se pensar bem, é melhor não mudar muito as coisas, porque há projectos de 2018 que vão ser transportados para 2019... Ainda há minutos comecei um ensaio biográfico que será desenvolvido no ano que nos espreita, e que hoje até me pareceu melhor, que na sua antevisão. 

Acho que fiz isso para que ficasse com o selo deste ano, que já se finge cansado. Não lhe queria sentir o cheiro a "novo"...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 13, 2018

«Não é o paraíso, mas está menos mal do que se diz por aí...»


Já não se escrevem cartas, nem mesmo postais...

Se escrevesse, com data, sabia que quando chegasse ao seu destino, o "mundo" já era muito diferente. Pelo menos este mundo, que nos é apresentado a todas as horas pelos canais de notícias.

Mesmo assim, eu digo-te, como vejo o nosso país. E olha que não me parece ser o que dizem alguns jornais, nem o que mostram as notícias da televisão.

Não é o paraíso, que engana os olhos dos franceses, belgas, italianos, alemães, holandeses e até espanhóis, mas está menos mal do que se diz por aí...

Dito por outras palavras, não é o lugar onde tudo está mal. Mesmo que os estivadores, os bombeiros, os enfermeiros, os professores, os juízes (e tantos mais, que "não têm voz"...), tenham a sua razão e prometam não parar de lutar... Curiosamente com a quase satisfação dos dois partidos da direita (até se conseguem aproximar, a espaços, da esquerda mais radical, na "aparente" defesa dos direitos dos trabalhadores...). Lutam ambos pela "sobrevivência política", embora sejam péssimos a vender "banha da cobra", pelo menos quando comparados com o governo. Mas não precisavam de ir tão longe. Se um deles parece  ter dentro de si uma "ala psiquiátrica", onde não existem limites, na guerra pelo poder, o outro é comandado por uma líder do mais populista que tem existido por cá. Promete ser capaz de tudo para chegar ao poder.

O ideal era que não se vendesse tanta "banha da cobra" por parte do governo nem se continuasse à procura do "diabo" por parte da oposição. Mas sei que isso não existe... 

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 25, 2018

O Limite das Vinte Linhas...


Cada vez tenho menos dúvidas de que há menos leitores para as histórias grandes. Um dos melhores indicadores desta realidade são os transportes públicos onde se consegue ler (comboios, metro, barcos...), sem transtornos de maior.

De uma forma progressiva os livros e os jornais foram sendo substituídos pelos telemóveis. A imagem foi ganhando às letras (sim, olham-se mais as imagens e os vídeos e lêem-se menos textos - dá-se preferência às legendas).

Já nem o José Rodrigues dos Santos "reina", ele que era o preferido do público feminino que viajava de cacilheiro. Algo que se compreende, porque até ele é apenas mais um dos "comandantes" que estão a perder esta "batalha", onde as palavras bonitas começam a não ser "argumento"...

Olha onde é que eu já vou... começo a escrever e nunca mais páro. Apenas queria dizer que há já algum tempo que fui aconselhado a não escrever textos superiores a vinte linhas, com o argumento que "muitas palavras" num só texto, afastam os visitantes dos blogues.

E realmente, já devia ter pensado que a palavra "visualização" não é sinónimo de "leitura" (pensava que tinha ultrapassado mais uma vez as vinte linhas, mas desta vez isso não aconteceu...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, maio 18, 2018

A Secura (de palavras)...


Ando num daqueles períodos em que não sinto muita vontade escrever. De vez em quando acontece.

Desculpo-me com as ruas, que estão cada vez mais silenciosas, tal como os transportes e as paragens, cada vez com mais gente presa ao "rectângulo mágico"... ou seja, a paisagem humana não tem sido muito inspiradora.

Mesmo quando atravesso o rio e passo por Lisboa, noto  que mesmo as coisas aparentemente banais estão a mudar demasiado rápido. 

Não é apenas o facto de se estar a tornar inglesa, francesa (e até chinesa, entre outras coisas...). Com todas estas transformações nem sequer temos tempo de aprender todas estas línguas...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, fevereiro 17, 2018

"O Senhor Amadeo" (e um "Convite" Especial...)

Hoje é dia da poesia e da fotografia nos meus blogues e na sede da SCALA, em Almada (a partir das 16 horas).

É também por isso que publico, com todo o gosto, um poema do meu caderno, "Praça Miguel Bombarda", e uma fotografia da minha exposição, "Arte com História e com Gente", no "Largo", no "Casario, "Nas Viagens" e na "Carroça" (aqui a fotografia foi substituída pela capa).

Por este ser o meu blogue mais mediático, escolhi uma fotografia, que pode entrar com facilidade na lista da "arte proibida" feita por pessoas que usam saias abaixo do joelho e cuecas de gola alta (homens e mulheres...) e que felizmente embeleza os museus de quase toda a parte (esta está no exterior do Museu do Chiado).

E foi a pensar na onde de puritanismo que nos rodeia que lhe dei o nome, "Convite"... E tem a companhia do poema "O Senhor Amadeo", que é uma homenagem a todos os artistas plásticos, de todos os tempos.


o senhor amadeo

escreve versos com cores
diz que é poeta de mão cheia
e de uns tantos amores

alguns dos companheiros
olham para os seus quadros
quase sempre espantados
não conseguem perceber
muito bem a sua linguagem
o que ele lhes quer dizer

amadeo não fica incomodado
diz apenas que é modernista
prefere a cor as formas
às fotografias pintadas
e se quiserem até lhe podem
chamar fantasista
ou até ilusionista

(Fotografia de Luís Eme)


quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Escritas e Olhares Diferentes...


Hoje dei por mim a pensar que as crónicas do quotidiano (é quase o que escrevo aqui...) não pertencem à família da ficção, quando muito são uns primos de segundo ou terceiro grau.

Para escrever aqui preciso de andar pelo mundo, escutar o barulho do metro que dá cor às vozes das pessoas que povoam as ruas (nestes dias menos, porque o frio com vento torna tudo mais agreste...), olhar as pessoas, com mais ou menos beleza, que se cruzam comigo... e principalmente, agarrar uma palavra ou uma frase, que se solta, apenas por que sim...

A ficção muitas vezes alimenta-se do silêncio, e inspira-se em coisas estranhas que estão dentro dos livros e dos filmes.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 31, 2017

Virar a Página...


Os anos passam por nós, cada vez com mais velocidade. 

No meio desta "viagem" vão se perdendo as esperanças de se mudar algumas coisas para melhor, umas por sabermos que não dependem apenas de nós, outras porque são quase como o pó (limpas as coisas mas ele volta sempre, aos mesmos lugares...).

A única coisa que podemos fazer é virar a página. Mas como o "livro" nem sempre se encontra no fim... não demoramos muito tempo a perceber que a vida segue, dentro de momentos...

Apesar de tudo sabemos que há mudanças que vão mesmo acontecer. Uma delas (talvez a mais valiosa...), é saber que vamos ter mais tempo para nós. Há esquinas às quais não vamos voltar, porque como dizia o escritor, o caminho faz-se caminhando...

Mas não pensem que estão a ler palavras de um "pessimista" (acho que nunca o vou ser...), a esperança de que o ano que vai aparecer amanhã, seja melhor, está cá. E é também por isso que desejamos que o vosso dois mil e dezoito, também seja diferente, para melhor...

(Fotografia de Luís Eme) 

sábado, dezembro 02, 2017

Jogos Com e Sem Palavras...

Às vezes não temos nada para dizer, nada para escrever. É quase como se ficássemos "secos" de palavras.

Mas bastam alguns minutos para que tudo mude...

Sentamos-nos no café e enquanto fazemos horas à espera de quem não usa relógios, um simples olhar, uma palavra solta, ou alguém que passa pelo lado de fora da janeça... E as ideias voltam a surgir, o papel fino de "guardanapo bíblia" prepara-se para segurar todas palavras que se vão libertando, apenas por que sim...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 15, 2017

A Famosa Folha Branca...

Eles falavam de folhas em branco, de inspirações e transpirações, da "espera" que se faz às histórias, e que mesmo assim elas escapam-se por entre os dedos.

Mas as coisas mudaram muito, já quase ninguém escreve em papel (o António é um dos poucos resistentes, com a sua letra pequenina que se cola às folhas como lapas...), fingem tocar piano nos teclados, que a única coisa que sabem é soltar letras que querem ser palavras, frases, capítulos, contos, novelas, romances... entre outras coisas.

Eu estava ali em silêncio, com vontade de fingir que ia fumar um cigarro à varanda, porque já estou tão habituado a escrever por escrever, que nem sequer me lembro de "vacilar" perante a famosa folha em branco.

Ou então fazia "voar" as ditas folhas, transformando-as em aviões de papel...

(Fotografia de Ann Mansolino)

domingo, novembro 12, 2017

A Dualidade da Amizade e a Santa Bárbara...

A vida vai-nos ensinando sempre a separar o trigo do joio. As pessoas podem-nos enganar algum tempo, mas nunca para sempre.

É também por isso que não devemos usar demasiado a palavra "amigo", ao ponto de a banalizar.

Hoje estive a ler um caderno de palavras datado de 2006. Uma das coisas que me chamou a atenção foram as palavras que escrevi sobre a amizade, que transcrevo (continuo a pensar da mesma maneira). 

«Um verdadeiro amigo não se preocupa com as coisas pequenas, não nos chama a atenção por nos termos esquecido de uma vírgula numa crónica, nem tão pouco diz que estamos mais gordos ou usamos o cabelo demasiado curto ou grande.
Um verdadeiro amigo preocupa-se com o nosso bem-estar, além de falar das coisas que realmente importam, se perceber que estamos num dia mau, é capaz de nos oferecer uma história divertida, só para afastar o tédio e todas as coisas com pouco sentido.»

Claro que não escrevi isto por acaso. Foi por perceber que esta definição não era igual para todos. Há por exemplo quem pense que um amigo é aquele que tem uma paciência infinita para nos aturar, embora este princípio só se aplique a ele e nunca a nós...

Ou seja, há muito quem só seja "amigo" para receber e nunca para dar.

Mas eu sei que estou diferente. Sei que em 2006 não era capaz de dizer a alguém que me telefona a pedir ajuda, «Já sei que me está a telefonar para pedir alguma coisa. E ainda não é hoje que me telefona para me dar alguma coisa...» Hoje sou. E de alguma forma acabo por desarmar pessoas que só se lembram de "Santa Bárbara quando chove"...

(Fotografia de Luís Eme)