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quinta-feira, abril 25, 2019

O Dia que Começa a Ser Apenas uma Boa Memória...


Tudo arrefece, até as comemorações dos dias bonitos e felizes, como foi o memorável 25 de Abril, magnificamente caracterizado pela nossa poeta maior, Sophia de Mello Breyner Andresen.

Claro que me faz confusão que este dia ainda não seja de todos (claro que não estou a falar da gente que fugiu para Espanha e para o Brasil...), que 45 anos depois ainda existam manobras divisionistas, quase sempre partidárias. Algo que se nota mais do que devia, um desses exemplos é Almada.

Apesar destas pequenas coisas continua a saber bem dizer, em conjunto, com gritos ou não, "25 de Abril Sempre!", ou desejar feliz dia da Liberdade, como desejei à minutos aos meus cunhados...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, fevereiro 17, 2019

Lucidez no Verão Quente...


Numa leitura quase de relance pelos diários de Vergílio Ferreira ("Conta-Corrente"), descobri pormenores deliciosos, sobre pessoas, acontecimentos e também, claro, sobre o próprio escritor.

No período pós revolução sentiu na pele o facto de ser um desalinhado, alguém que, tal como Zeca Afonso (não foram muito mais...), preferiu ser ele próprio, o seu "comité central"...

Esta independência teve o seu preço (tem sempre...).

A 5 de Setembro de 1974 ele escreveu algo que diz muito do nosso país, em que temos de ter um clube (Benfica, Porto ou Sporting, os outros não contam...) ou um partido (se não tivermos corremos o risco de passar por "fascistas", ele passou...):

«Na terra-de-ninguém leva-se caqueirada dos dois lados. E todavia que vontade enorme de desmascarar a hipocrísia.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, dezembro 21, 2018

Populismo? Não, Obrigado!


A resposta dos portugueses aos muitos convites para vestirem coletes amarelos hoje (que falta de imaginação...), foi a que se esperava (ou a que eu esperava).

Se por um lado, os revolucionários das "redes sociais" continuam a ter alguma dificuldade (e medo) em entrar no mundo real, por outro, as pessoas não gostam muito de protestar apenas porque sim.

Já se sabia que a "anarquia" da organização deste movimento, poderia ser aproveitada pelos nacionalistas do "cabelo rapado, botas da tropa e vivas ao salazar", para tentarem tomar conta dos acontecimentos e dar nas vistas, especialmente na Capital, onde se sabia que as televisões iam estar atentas (coitadas não tiveram grande espectáculo, apesar das várias tentativas de dar voz aos "revolucionários" para as câmaras...). E parece que sim (até tentaram ficar "cativos" dos guardiões do poder), que foi, pelos testemunhos de alguns participantes, que se queixaram de ser "ameaçados de morte"...

Quem deve ter tido pena de não participar, foi a nossa (salvo seja) Assunção. E o amarelo até lhe fica bem...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 14, 2018

Quando Começam a Sair da Toca...


Um octogenário andou anos e anos a desmentir, e a esconder, que fez parte da Legião Portuguesa. 

Mas eis que o "mundo mudou" e também ele aproveitou a "onda" e começou a perder a vergonha (deve estar agradecido ao Trump, ao Erdogan,  e agora ao Bolsonaro...) e já se passeia pela rua com o emblema da Legião na lapela.

Normalmente não o levam a sério e dizem que o senhor "ensandeceu".

Mas o problema é maior do que parece, como muito bem referiu o Mário, que normalmente fala mais com os ouvidos, ao recordar-nos que o perigo não é o velho. O verdadeiro problema poderão ser os netos dos Pides, dos Legionários, dos Latifundiários e de outra gente do 24 de Abril, quando começarem a exteriorizar o orgulho que sentem por descender desta gentalha que brincou com a dignidade, a honra e a liberdade de tantos homens e mulheres do nosso país... 

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, outubro 09, 2018

Talvez seja da "Camisa de Historiador"...


Não consigo olhar com serenidade para o movimento feminista, que adora "caçar fantasmas e recuar no tempo", como se estivesse em plena revolução.

Isso deve-se ao meu entendimento de que as mentalidades não mudam apenas por "decreto" ou por "revolução". Mudam mais pela percepção de que estão erradas, quando se ganha consciência que se habita num tempo novo. Um tempo em que é preciso colocar um ponto final nos comportamentos sociais machistas, que não só foram aceites, mas estimulados pelos mais velhos (de ambos os sexos), durante séculos...

Talvez seja o hábito de vestir a camisa de historiador, de vez em vez, que me faz ter este olhar...

É por isso que me parece mais doentio que saudável recuar 30 ou 40 anos atrás nas nossas vidas, sem se conseguir olhar e analisar, os contextos e os enigmas que alimentaram as relações entre homens e mulheres (não estou a falar de crimes...).

O mundo está a mudar, e ainda bem. Mas não nos proíbam de continuar a olhar, com satisfação, para a beleza feminina...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 07, 2018

O Olhar Masculino e o Olhar Feminino...


Se no caso da sentença recente que suspendeu a pena dos dois violadores, penso que não há diferenças de género, na forma como se olha a aplicação (absurda) da lei, já na alegada "violação" de Cristiano Ronaldo em Las Vegas, há pelo menos dois olhares: um masculino e outro feminino.

Coloquei aspas na palavra violação, porque me parece que se trata sobretudo de um acto de violência sexual, e não tanto de violação. Pelo menos na forma como normalmente se entende a violação.

Embora neste caso particular Cristiano Ronaldo tenha recebido muitos apoios femininos entre nós (é o sentido patriótico a falar e também alguma fobia contra a prostituição...), normalmente a resposta das mulheres é sempre a favor da mulher. E neste caso particular lá aparece novamente a palavra "não", que nos últimos tempos passou a ser mesmo "não"...

Os homens têm sempre tendência para relativizar a questão. O "velho macho", até é capaz de dizer "abençoado", ou "grande homem". Outros, mais identificados com Las Vegas, a Capital do jogo e do prazer, dizem que Ronaldo pagou pelo "serviço completo", ponto final.

Outros ainda, mais legalistas, falam sobretudo em extorsão. Sim, acham que o exame médico feito depois do serviço, não foi realizado por acaso. Muito menos a tentativa de extorsão em forma de leilão (que acabou por resultar, não no quase um milhão pedido inicialmente, mas sim de 323 mil euros pagos, depois da assinatura de um acordo de confidencialidade).

Claro que falo de homens. Não estou a falar de simpatizantes do movimento #me too, pois estes também pedem a "cabeça" de Cristiano Ronaldo, sem dó nem piedade.

As mulheres "justiceiras", começam por falar de uma professora (que deveria estar ali por engano e que deve ter subido ao quarto de Ronaldo apenas para ver as vistas...) e nunca de uma "rapariga de programa" (para não lhe chamar outra coisa...). Depois falam de sexo não consentido, relevando a palavra "não". E por fim, falam da "tragédia" que se seguiu na vida desta mulher depois do episódio:  contusões anais, stresse pós-traumático, depressão, comportamento errático, ansiedade, etc.

Sem a conhecer de lado nenhum, apenas questiono, se a sua presença "em trabalho" numa discoteca em Las Vegas e a visita à suite de Ronaldo, não são já mostras de um comportamento errático (antes de se cruzar com o agradável "pé de meia" português...)

Claro que não faço ideia do que irá acontecer amanhã e nos dias seguintes. Sei sim, que Cristiano Ronaldo tem contra si, o facto de ser uma das personalidades mais populares do mundo...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 04, 2018

Recordar o 4 de Outubro...


Hoje é um dia especial pelo menos para Almada, Loures e Montijo, que se anteciparam um dia na proclamação da República.

Isso aconteceu porque apesar dos tempos não serem pródigos em instrução e cultura, os operários da cintura industrial de Lisboa sabiam bem do que não gostavam. 

Por exemplo, Reis, Condes ou Baronesas, era coisa não lhes caía nada no goto, assim como a Igreja que gostava de coitadinhos, muito pelos seus usos e abusos...

E gostavam ainda menos de ser tratados como escravos.

A República era, entre outras coisas, a esperança da transformação do mundo em algo menos desigual...


sábado, setembro 15, 2018

Um Dia de (aparente) Mudança ...


Há momentos únicos, umas vezes por razões que a razão desconhece, outras por que a espontaneidade e o sentimento colectivo podem surpreender o mais incrédulo. Foi assim no dia 15 de Setembro de 2012, que obrigou Passos Coelho a mudar ligeiramente de rumo...

Hoje as coisas estão mais complicadas, porque temos um primeiro-ministro desarmante, que até consegue deixar quase sem palavras de protesto o "rei dos sindicalistas"...

Mas o meu propósito é deixar aqui o poema que escrevi sobre este dia exaltante, com tanta gente na rua a dar vivas à Liberdade, à Democracia e à Unidade... (poema que faz parte da "3.ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA, patente na sede /galeria desta associação almadense).


15 de Setembro de 2012 

Não sei quantos éramos
Não perdi tempo a contar
Sei apenas que éramos muitos
Os que estávamos ali a caminhar.
Queríamos um outro país
Ainda com espaço para sonhar.

Mas sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!

E de punho erguido
O povo voltou a gritar
Que se estivesse unido
Jamais seria vencido
Mas mais importante
que aquele grito
Era acreditar.

Sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!


Luís [Alves] Milheiro

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Um Grande Livro de Miguel Carvalho


Acabei de ler "Quando Portugal Ardeu", da autoria do jornalista Miguel Carvalho da "Visão".

É um grande livro (curiosamente também pelo número de páginas, mais de quinhentas...), que, como o sub-título indica, fala-nos das histórias e segredos da violência no pós-25 de Abril, dos incêndios a sedes de partidos de esquerda (quase sempre do PCP...), dos atentados bombistas, que ceifaram mais vidas do que eu imaginara...

Além de estar muito bem escrito (tem também a acção e dinâmica capaz de nos prender às suas páginas do inicio ao fim), oferece-nos inúmeros documentos e testemunhos inéditos, com várias entrevistas a alguns protagonistas desse Verão que aqueceu muito mais a Norte que a Sul.

O jornalista Miguel Carvalho, ao jeito de reportagem, fala de tudo e de todos, relatando o que de mais importante (e grave) se passou, sem ocultar os nomes das pessoas que estiveram envolvidas, em ambos os lados da barricada.

Eu tinha onze, doze anos, quando aconteceram todos estes acontecimentos. Morava nas Caldas da Rainha, uma cidade pacata e conservadora, onde nunca se sentiram os "calores" da Revolução (eu pelo menos nunca dei por eles...). Desses tempos recordo as histórias das "mocas" de Rio Maior - provavelmente devido à relativa proximidade - e pouco mais.

Sabia que a ignorância das pessoas era explorada pela igreja e pelas grandes famílias, através de mentiras quase infantis sobre o comunismo (a famosa injecção atrás da orelha dos velhos, assim como os infanticídios...), mas sem ter a noção da gravidade da perseguição que foi feita, com a morte de vários inocentes, que estavam no local errado, à hora errada...

Sabia do envolvimento da Igreja (o famoso cónego Melo ficou quase tão conhecido como a Sé de Braga...), com a extrema direita  (quase tudo gente ligada ao antigo regime, muitos estavam em Espanha...) do ELP e do MDLP, mas não imaginava por exemplo, que nestes núcleos havia mesmo quem sonhasse com uma espécie de  "restauração" a Norte de Rio Maior, apesar de saber que o general Pires Veloso tinha sido alcunhado como o "vice-rei do Norte"...

Recomendo este livro a todos aqueles que se interessam pela nossa história recente.

domingo, janeiro 14, 2018

Lá Voltam os Espelhos...


Dos poucos amigos que tenho, dois são bastante radicais e excessivos. Isso acontece porque não só se estão borrifando para o "politicamente correcto", como são incapazes de tolerar hipocrisias e cinismos. 

Ficam muitas vezes mal na fotografia. Mas não é nada que os incomode muito, diga-se de passagem.

Eu que também não sou das pessoas mais "moldáveis", noto que ao pé deles passo quase por um tipo "tolerante". Isso acontece sobretudo por saber (por experiência própria...), que "partir louça" normalmente não resolve nenhum problema (às vezes ainda os agrava mais...).

Muitas vezes chamo-lhes "revolucionários" e "anarquistas", e mesmo sabendo que têm razão em muitos pontos de vista, tento puxá-los até às linhas do razoável. Sei que não lhes posso dar demasiada força, porque estes tempos não estão para "revoluções" e exigem mais inteligência e esperteza que o normal para lidar com o coro de "hipócritas e cínicos", que nos abordam quase sempre com sorrisos e palminhas nas costas...

Estes dois bons "radicais" têm ainda outra particularidade, quando são amigos são mesmo a sério, nunca falham (claro que acontece exactamente o contrário com os "inimigos", mas estes que se danem, como diz o outro...).

(Óleo de Franz Van Stuck)

quarta-feira, dezembro 13, 2017

Os Tempos da História e dos Homens...


Um amigo, Capitão de Abril, convidou-me hoje para almoçar e assistir à conversa / debate com o Comandante Almada Contreiras, na sede da Associação 25 de Abril, da série, "ESTÓRIAS... Do e Com ABRIL (Capitães)".

Além da excelente intervenção do convidado (ilustrada com alguns aspectos pitorescos...), que teve como foco principal a preparação da Revolução de Abril e dos acontecimentos que a precederam (onde teve um papel importante como responsável pelas comunicações), foi muito bom ouvir outras vozes que viveram todos aqueles acontecimentos, que o questionaram, mas que também tentaram clarificar algumas "nebulosas", que ainda permanecem bem vivas (especialmente sobre vinte e cinco de Novembro...), como foi o caso de Pezarat Correia, Martins Guerreiro ou Otelo Saraiva de Carvalho, entre outros "Capitães de Abril". 

Foi por isso que foi bom ouvir o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, falar na organização de um encontro / debate sobre o 25 de Novembro de 1975, para que existam aproximações à verdade dos acontecimentos, o que tem sido difícil, porque continuam a existir, pelo menos, duas versões dos acontecimentos, uma dos "derrotados", outra dos "vencedores"...

Todas estas contradições que ainda se mantêm, são reveladoras de que 40 anos é muito pouco tempo na história dos países...

(Óleo de René Magritte)

quarta-feira, outubro 04, 2017

Andar Dias e Dias a Fingir que Não se Passa Nada em Catalunha...


Só hoje é que ouvi a União Europeia falar da "batalha" pela independência da Catalunha.

Posso ter andado distraído, mas só hoje é que os vi disponibilizarem-se para mediarem o conflito, mas sempre de acordo com Madrid. Tudo isto depois de já se ter realizado o referendo local, muito pouco pacífico, com cargas policiais (dos polícias que vieram de fora...) sobre os habitantes de Barcelona, como todos vimos via televisão e internet...

Ainda não escrevi nada sobre a Catalunha, porque tenho dificuldade em tomar uma posição. Não sei até que ponto as reivindicações dos catalães são justas e fazem sentido. 

O que sei é que o chefe do Governo Espanhol está farto de dar "tiros nos pés", mas mesmo assim parece estar bem "agarrado" ao poder.

E no último domingo Rajoy deitou tudo a perder, ao lançar as polícias do governo central contra a população de Barcelona.

E também sei que esta Europa não presta. Mas já sei isso há muito tempo. Quando se tenta "vender" a questão da migração europeia à Turquia, está tudo dito...

(Óleo de Leon Kroll)

sexta-feira, abril 14, 2017

A Clandestinidade...

Quando se entrava a sério na luta antifascista, dificilmente se escapava às garras da PIDE.

Para se evitar a prisão eminente, muita gente passava a viver outras vidas, na clandestinidade, saltando de terra em terra, de disfarce em disfarce... 

Era uma vida estranha, em que se tinha de abdicar de quase tudo, desde a família, aos amigos, passando pelos lugares que tanto amávamos...

Tinha de se possuir um espírito aventureiro, uma alma quase de vagabundo e ainda uma boa componente cénica, para se conseguir  mudar de vida de um momento para o outro, criando uma nova personagem...

(Fotografia de Herbert List)

sexta-feira, janeiro 20, 2017

A Ideia é Boa, Mas...


Logo à noite vai realizar-se em Almada a primeira sessão do "Fórum Municipal da Cultura".

Devo dizer desde já, que, gosto da ideia expressa no cartaz: «Pensar, criar e desenvolver em conjunto», que é exactamente o contrário do que se tem feito até aqui no nosso Concelho.

Infelizmente não vou poder estar presente. E claro, tenho de confessar que continuo bastante céptico em relação a este "fóruns", pelos exemplos do passado.

Como já não vou para novo, cada vez tenho menos paciência debater ideias, para depois ficar tudo na mesma... 

Esperemos que surja, mesmo algo de novo, Francisco.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 28, 2016

Revoluções e Palavras em Novembro

Falava-se do 25 de Abril por ser 25 de Novembro.

No início eram quase a "antítese" (o céu e o inferno), mesmo que na mesa estivesse alguém que tinha feito parte deste último movimento, que apenas queria devolver a democracia ao país, acabar com os exageros cada vez mais perigosos, de tantos esquerdistas agrupados em mil e um partidos, que tanto poderiam ser maoistas, como marxistas e leninistas. As amplas liberdades deram-lhes a possibilidade de andarem armados (também em parvos, mas andavam mesmo com armas de verdade). Habituaram-se a ocupar tudo o que parecesse vazio, sempre em "nome do povo" (que costas tão largas que tu sempre tiveste...).

Foi então que a memória os recordou desses tempos cheios de "polícias" (quase todos gadelhudos e com barba revolucionária...), que tiveram o seu auge no dia 28 de Setembro, um dos dias em que puderam virar quase de pernas para o ar todos os carros que lhes apareceram à frente...

Eu sabia que o 25 de Novembro não tinha sido feito para que tudo voltasse a ser como dantes. Para que as famílias exiladas no Brasil e em Espanha regressassem com vontade de "reconquistar" os seus impérios nacionalizados (o que acabou por acontecer, mais ano menos ano...), ao mesmo tempo que se fingiam "vitimas" e pediam indemnizações milionárias ao Estado (e não é que alguns as receberam mesmo?).

Entretanto voltei ao presente. 

E não é que dois dias depois das "iscas" o "melhor administrador de bancos deste país" (só pode ser isso ou algo parecido...) pediu a demissão. 

Um homem passeava na rua com uma folha que parecia um mapa e que abria aqui e ali, para mostrar que fulano era filho de beltrano e neto se sicrano. Talvez por um mero acaso, lá voltavam as velhas famílias, que sempre se "governaram bem" neste país, ora disfarçados de banqueiros, ora de empresários, e sempre "de sucesso!", à baila...

E eu fiquei a pensar que mais importante que saber de onde tinham vindo tantos ministros, secretários de estado, deputados e gestores, com nomes que eram tão familiares a Salazar, era o que tinham feito para chegar até aqui...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 05, 2016

A República e a Complexidade da História

106 anos depois da implantação da República, reparo que ainda existem várias contradições e opiniões divergentes sobre as movimentações revolucionárias desse começo de Outubro de 1910.

Há alguns acontecimentos que acabam por marcar toda a evolução deste movimento, uns negativamente outros positivamente. Refiro-me ao assassinato do médico Miguel Bombarda (3 de Outubro) ao suicídio do Almirante Cândido dos Reis (4 Outubro), e à antecipação da revolução em vários Concelhos das áreas limítrofes da Capital (4 de Outubro), como foi o caso de Almada, Loures, Moita e Montijo - então Aldeia Galega.

Eu continuo a pensar que existe um facto decisivo: a teimosia e a coragem de Machado Santos e de todos os heróis da Rotunda, que acreditaram sempre na Vitória Republicana e não desistiram de lutar (contrariando outros republicanos, que se sentiram derrotados ainda antes do desfecho final e viraram as costas à República...).

sábado, agosto 13, 2016

Cuba: Um Exemplo de Resistência

Embora esteja longe de ser adepto de estados totalitários (tanto de esquerda como de direita), não posso deixar de registar a grande resistência do povo cubano, que no começo do ano de 1959 conseguiu implantar uma sociedade socialista, num dos lugares mais improváveis, quase quase ao lado dos Estados Unidos da América.

Conhecendo o que os americanos fizeram em países como o Chile, Argentina ou Nicarágua, imagino as muitas tentativas que fizeram para reverter a situação política em Cuba.

Mesmo sem querer enaltecer Fidel Castro, que completou 90 anos de idade - que pode não ter sido alvo de atentados frustrados dos serviços secretos dos EUA por duzentas vezes, mas que foram bastantes, foram com toda a certeza - , ou Che Guevara, que continua a ser sobretudo um mito, não posso deixar de registar a longa vida do socialismo Cubano (cinquenta e sete anos), que se deseja que mantenha nos seus propósitos políticos a abertura ao mundo...

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, abril 25, 2016

Abril Sem Idade


ABRIL SEM IDADE

Abril é um poema sem idade
Que invade o sonho dos poetas
E lhes lembra a Praça da Liberdade
Que encontraram de portas abertas

Fizeram da praça uma canção
Que percorreram de mãos dadas
Com o povo e as forças armadas
Dando vivas à Revolução

 Saudaram os capitães-coragem
Erguendo um cravo encarnado
E gritaram de punho fechado
- Já chega de malandragem!

Apesar dos anos passados
Continuam na Praça da Liberdade
E exclamam encantados,
Abril é um poema sem idade!

Luís [Alves] Milheiro


quarta-feira, novembro 25, 2015

As Duas Verdades do 25 de Novembro


Passados 40 anos, as opiniões continuam divididas nos dois lados da "barricada" que quase se confrontaram no dia 25 de Novembro de 1975. Quase.

De um lado a esquerda com mais extremidades, uns mais utópicos outros mais malandros, mas quase todos com os mesmos objectivos: ter algum poder, nem que fosse para conseguir alcatroar a rua onde moravam ou para levar até lá água canalizada. Não, não vou falar daqueles que se achavam no direito de ocupar fábricas, casas, quintas, etc, apenas porque pertenciam aos "gajos ricos".

No outro lado encontravam-se a maior parte dos portugueses, ou seja as pessoas que tinham votado maioritariamente no PS e no PSD, os partidos com mais deputados na Assembleia Constituinte (saída das primeiras eleições livres realizadas a 25 de Abril de 1975) e também a gente mais conservadora, e até reaccionária (não estavam todos em Espanha e no Brasil)...

Este período foi quase dourado para muitos oportunistas (muitos deles curiosamente hoje pairam no PS e no PSD e contribuíram enquanto governantes para que o nosso país esteja na situação em que está...), bem falantes, que empurraram para trás os verdadeiros protagonistas da revolução e da resistência antifascista.

E quem tivesse dois dedos de testa, percebia que se tinha de se acabar com toda aquela "rebaldaria". E que isso só seria possível através de um desvio político, mais para o centro democrático, porque liberdade nunca foi o mesmo que libertinagem.

Claro que tudo isto é desculpável, se pensarmos que as pessoas tinham vivido quase meio século subjugadas a um regime autocrático e repressivo. E queriam a igualdade a qualquer preço.

Felizmente algumas das pessoas mais lúcidas que ajudaram a fazer o 25 de Abril (Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vitor Alves, Pezarat Correia, Vitor Crespo, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Sousa e Castro), perceberam a tempo para onde caminhávamos e uniram-se, redigindo o "documento dos nove", que culminaria com a mudança política registada a 25 de Novembro, em que foram neutralizadas as forças militares que estavam mais próximas da esquerda revolucionária.

Infelizmente as coisas não caminharam para a existência de uma verdadeira democracia, porque se cometeram vários erros. O maior talvez tenha sido permitir que o poder económico que dominava o país antes de Abril, voltasse a ter a primazia, com os resultados que todos sabemos (e culminaram com os "roubos" do BPN e BES...).

Mas, mesmo sendo de esquerda, não tenho dúvidas que nesse Verão Quente era mesmo necessário arrefecer os ânimos, era preciso caminhar na direcção de um regime mais democrático e pluralista.

A ilustração é de Loui Jover.