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sexta-feira, junho 21, 2019

À Procura de Espaço...


Ontem não estive e hoje também não estou cá. Quer dizer, acabo por estar (porque podemos agendar "postas"...), mesmo que não esteja.

São só quatro dias, em que ando por aí, ao encontro de novas paragens, aproveitando para esvaziar a cabeça de algumas coisas, para arranjar espaço para outras...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, junho 05, 2019

A Feira com Livros...


A meio da tarde lá me resolvi a ir dar uma volta pela Feira do Livro.

Desta vez até fiz uma lista com nove livros... Lista que não saiu do bolso.

A bem do comércio livreiro fabricaram mais "praças" (continuo a não achar muita piada a esta moda...). 

Mesmo assim acabei por comprar quase uma dúzia de livros, graças a algumas "pechinchas" da "Cotovia" e a dois livros ou três livros da "Quetzal", que também estavam com um bom preço.

O mais curioso, é que com esta invenção das "praças" e de ter de olhar para todo o lado, acabei por nem sequer ver os livros da "Don Quixote" (e havia dois na tal lista)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, maio 17, 2019

Gostar de Argentina Sem a Conhecer


Durante o almoço fiquei a saber que a sobrinha de um amigo andava pela "Latina-América", com passagens pelo México e Argentina, em trabalho.

Acabámos por falar dos países que são mais como nós.

Contei-lhes que, quando andei por Itália, senti-me mais em Portugal, que na meia-dúzia de vezes que visitei Espanha, apesar de ficar aqui mesmo ao lado. 

Não sei se isso acontece apenas pela sujidade, pela desarrumação ou pelo desenrascanço, sei que me senti mais próximo dos italianos que dos espanhóis...

E fui ainda mais longe. Disse que o país que me despertava mais interesse em conhecer da "Latina-América", era a Argentina (mais ainda que o Brasil...). 

E o mais curioso, é ter quase a certeza (sem conhecer...) que Buenos Aires não me vai desiludir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, maio 11, 2019

«Eles levam é jeito para o teatro»


Dois rapazes sentados no interior da cacilheiro, acompanhados por uma senhora, que devia ser a avó, estavam longe de imaginar que eu iria escrever utilizando-os quase como "espelhos". Tudo porque uma outra senhora, sentada à sua frente, para combater o silêncio, disse que eles eram muito sossegados... 

A avó sorriu e abanou a cabeça, a dizer que não. Acrescentando de seguida, sem perder o ar alegre: «São o cão e o gato lá de casa. Eles levam é jeito para o teatro.»

Olhei-os e sorri. Eles desviaram a cara para a janela e para o rio e disseram alguma coisa um ao outro, como se aquele diálogo não tivesse nada que ver com eles.

E de repente, ali estava eu e o meu irmão. O "cão e o gato" das redondezas (passávamos o tempo a correr um atrás do outro...), mas sempre com grande compostura, quando estávamos num ambiente estranho. O que fazia com que as pessoas também dissessem que éramos muito sossegados. A mãe sorria, mas muitas vezes não respondia e fingia que sim... até por que gostava da nossa postura, de nunca a envergonharmos em público.

Pois é, nesse tempo, também devíamos "levar jeito para o teatro"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

terça-feira, abril 02, 2019

Uma Notícia de Jornal Amarelecida Levou-nos de Viagem pelas Nossas Memórias...


Quem diria, que um artigo de jornal quase antigo, nos iria levar de viagem, dentro da nossa infância...

Falaste da feira popular, do "comboio-fantasma", da "casa dos espelhos", que nos transfigurava. Em relação ao comboio, quando "viajei" nele, já devia ser quase adolescente, pois não senti medo nem me assustei com as "aparições" (ligeiramente manhosas...) de esqueletos e de outros adereços.

Falaste-me de uma mulher cheia de pelos. Eu nunca vi nenhuma "mulher-barbuda" ou um "homem-elefante", nas feiras que percorri de mão dada com os meus pais ou em correrias, com o meu irmão.

As únicas excentricidades humanas que me lembro de ver foram o homem mais alto do mundo, que estava acompanhado por uma trupe de anões (um deles diziam ser o mais pequeno do mundo). Ao contrário dos "pequenotes", demasiado "eléctricos", o gigante mexia-se com dificuldade, como se estivesse preso com arames. Era negro, de Moçambique (não me apeteceu ir à procura do seu nome na "nova enciclopédia"...) tinha uns sapatos que pareciam dois caiaques, achatados, e uns braços caídos, que quase lhe chegavam aos joelhos. Recordo-me que não era nada assustador. Até tinha cara de boa pessoa...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

A Crueza da Vida que Vem Dentro dos Livros...


Muitos romancistas gostam de falar da ficção como algo tão rico, que consegue superar a própria realidade. 

Percebo que quem não escreva, tenha alguma dificuldade em perceber isso. Os mais cépticos até poderão pensar que se trata de mais uma "ficção". Mas não, quando se inventa uma história, podemos e devemos ir sempre mais longe que na "vidinha", penetrar pelas zonas escuras, abrir portas e janelas, ir ao mais fundo de cada um de nós...

Lembrei-me disto a propósito da última conversa que tive com um amigo, solteirão e bem parecido, já reformado que vive sozinho, se esquecer o seu querido cão.

Não lhe fiz perguntas, até por não andar à procura de nenhuma personagem parecida com ele. Foi ele que quis desabafar, ir à procura da vida que deixara para trás. Percebi que há muitas coisas que ele não sabe explicar, mas também não quer pedir ajuda ao Freud ou a outro estudioso das tais "áreas cinzentas", que tentamos fingir que não existem.

Falou-me do pai, que morreu novo. De ele ser desde muito cedo, o principal sustento da família. Do medo de ter a sua própria família, de nunca ter pensado a sério em ter filhos. Os irmãos mais novos tinham sido uma chatice... De nunca ter tido problemas em arranjar namoradas. De se ter apaixonado duas ou três vezes, sempre pelas mulheres erradas (já eram de outros...). Uma delas ainda o partilhou durante algum tempo, mas ele nunca se sentiu bem na pele do "outro". E acabou tudo quando ela ficou grávida do primeiro filho. Ainda hoje consegue "inventar" parecenças no tal rapaz, que hoje é um homem maduro... 

Antes de nos despedirmos disse-me, com um sorriso, que me contara coisas, que nunca dissera a ninguém.

Sem ele saber, ofereceu-me bastante "material" para compor uma personagem.

E sei que se escrever sobre alguém parecido com ele, posso ir ainda mais longe, porque não estarei a referir-me a ninguém em especial...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Pensar, Viajar e Olhar...


Não sou muito viajado, pelo menos para fora do nosso país.

Faço contas de cabeça e reparo que nunca sai da Europa.

Durante estas contas percebo que há lugares que não quero visitar. Sei que não terei qualquer prazer em estar à janela de um hotel, com vista para bairros de lata ou favelas. 

Muitas vezes penso: ainda bem que não tenho nenhum fascínio especial pelos continentes africanos ou asiáticos (e não tenho mesmo... talvez por nunca lá ter estado). 

É aí que me lembro da "Latina-América". Sim, há o Brasil e a Argentina, o Rio de Janeiro e Buenos Aires, que imagino sempre mais portuguesa que o Rio, por exemplo (a imaginação tem destas coisas). 

Claro que ainda não desisti da viagem para as "latinas-américas". Talvez possa escolher um hotel com vista para uma rua esconsa, como aqueles de Paris, mais baratinhos, sem ter de ver o horizonte da grande cidade...

(Fotografia de Luís Eme - Paris)

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Viagens Só com Bilhete de Ida e Histórias de Amor Trocadas...


Há pessoas que partem, para não voltar.

Sei que são mais do que parecem... Porque só algumas cabem na nossa memória.

Se um amigo não começasse a falar da nossa rua de infância e das pessoas que cirandavam à nossa volta, não me recordaria da Dulce. 

Falámos dela por nunca mais termos tido qualquer notícia. Um amor tonto e uma gravidez inoportuna levaram-na para o Canadá e depois para a Austrália.  

Ele gostou dela... talvez por ela não gostar dele. O que não faltam por aí são histórias de amor trocadas.

Entretanto passaram trinta e alguns anos e um sem número de histórias com casamentos, divórcios, filhos, netos, amantes...  

Ele confidenciou-me que gostava de a voltar a ver. Disse-lhe que talvez fosse boa ideia comprar um bilhete para a Austrália, até porque  se ela alguma voltou ao nosso país, foi quase de forma clandestina, apenas para ver os pais e os irmãos.

A Dulce é apenas um exemplo de que os sítios onde vivemos e as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias, nem sempre nos deixam felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Cabo Espichel)

quinta-feira, novembro 29, 2018

Foi Bom Voltar a Sentir-me "Em Movimento"...


Só hoje é que li a crónica de Pedro Mexia da revista do Expresso, "Em Movimento", sobre comboios, viagens e um livro de Agustina ("As Estações da Vida").

E voltei a viajar no tempo, recordei algumas das centenas de viagens que fiz de comboio, nos anos 80 e 90 do século passado (até fiz o "Inter-Rail" em 1985...).

Deve ser por isso que continuo a dizer que o comboio é o melhor transporte do mundo (ou era... porque, entretanto, uma "vara" de políticos, amantes suspeitos dos carros e do petróleo, têm feito os possíveis e os impossíveis para o destruir...).

Mas os meus pensamentos fixaram-se em coisa mais alegres: pensei nos muitos livros que li (embalado pelo movimentos suaves e pela música das carruagens, que é mesmo parecida com o popular "pouca terra", "pouca terra" dos livros da primária...), nas frases, textos e poemas que escrevi... e nos olhares que cruzei com os rostos bonitos de algumas moçoilas, ainda por apenas minutos, ou quanto muito, as duas horas da viagem entre as Caldas e Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 07, 2018

A "Tralha" que se Guarda...


Nós que vivemos em pequenos apartamentos, guardamos muitas vezes coisas que, além de "sobrarem", ocupam demasiado espaço e... inevitavelmente, passados tempos, acabamos por "esquecer" a sua existência. E não falo apenas de livros...

O que seria de nós se tivéssemos uma grande herdade, com dois ou três armazéns enormes, capazes de guardar coisa como um "carrossel mágico" ou até uma "montanha russa"...

Não pensem que exagero. Um homem recentemente falecido, tinha um armazém que era o seu espaço de sonhos e de alguma magia, onde ia acumulando coisas de que gostava e comprava em feiras de velharias, quase sempre para recuperar, mas o maldito tempo, o seu "principal inimigo", nunca lhe deu tréguas.

Dos seus quatro filhos apenas a Margarida sabia deste passatempo do pai, porque o acompanhara mais que uma vez a estas feiras, que misturam memórias com objectos. Mas estava longe de imaginar o que iria encontrar dentro de um dos armazém da quinta... 

Sabiam apenas que o outro armazém tinha umas duas dúzias de carros (o pai nunca se desfizera de nenhum carro da família, havia um mercedes dos anos cinquenta que fora do avô, mas também uma charrete de luxo que vinha do século dezanove, que ninguém sabia ao certo a origem...), porque os irmãos desde pequenos que gostavam de passar por lá e brincar às escondidas do pai. Agora o outro, só ganhou forma depois de 1974. O pai começou por guardar peças de trabalho da lavoura, entretanto substituídas por máquinas... mas quando deu por ela, tinha um verdadeiro "museu" de relíquias...

Toda esta conversa, porque de todos estes objectos, há um que acaba por ser especial e do qual já falei: o carrossel mágico, que quase lhe foi oferecido, por estar a ocupar demasiado espaço na família de um antigo feirante. Ele sempre pensou em recuperá-lo. É quase todo feito em madeira e ainda sobressaem algumas cores decorativas, especialmente as dos animais (zebras, girafas, cavalos, tigres, etc,) da selva.

E agora esta recuperação passou a ser o sonho do Miguel (filho da Margarida...). Está apostado em tornar real a vontade do avô...

(Fotografia de Luís Eme - foi o que encontrei mais parecido com um "carrossel mágico", embora este seja quase moderno)

domingo, novembro 04, 2018

Navegar é Preciso...


Quem gosta de navegar, só não sai para o mar se estiver mesmo um dia de temporal.

Tal como os surfistas, os velejadores também não prescindem do contacto com o rio e o mar, de Janeiro a Dezembro... 

Há mesmo quem prefira dias com mau tempo no canal. Sem vento e frio, não há aventura nem acção digna de um verdadeiro marinheiro.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 07, 2018

Memórias de Setembro...


Por este Setembro estar a querer "murchar", como acaba por ser normal, ano após ano, lembrei-me, que nos primeiros anos de vida activa gozava férias no começo de Setembro. 

Embora isso acontecesse por ser "demasiado novo" para puder marcar férias em Agosto... 

E quando já podia escolher, Agosto continuou de fora, foi a segunda quinzena de Julho que passou a ser a preferida cá de casa.

Mas voltando aos Setembros de há mais de trinta anos atrás, recordo que não me preocupava muito com o encolher dos dias ou com o vento dos finais de dia na minha Foz do Arelho... 

E como era agradável a sensação de ter a praia quase "só para mim".

A nostalgia normalmente só chegava em Outubro, até porque a barreira de 100 quilómetros era mais que suficiente para "libertar" os namoros de Verão...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, agosto 25, 2018

Um Regresso Anunciado...


Volto à Beira Baixa, pouco dias depois de ter andado por lá, numa "visita quase de médico"...

Desta vez a motivação é diferente assim, como a companhia e o lugar.

Fui com o meu irmão e agora vou com a minha companheira e os meus filhos.

Não vou saber tanto em tão pouco tempo sobre os meus avós paternos, com quem mantive uma ligação afastada. A única explicação não é o facto de há cinquenta e quarenta anos atrás o país parecer maior... Pelo menos as estradas eram mais estreitas e mais longas. Viagens que se fazem hoje em pouco mais de duas horas, demoravam sete e oito...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, julho 10, 2018

Olhar para Trás e Seguir em Frente...


Sei que normalmente são os outros que nos "motivam" ou "desmotivam", para fazer isto ou aquilo. E nem sempre pelos melhores motivos.

Digo isto porque a minha "teimosia" (provocada pelos tais "outros"...) funcionou muitas vezes como factor de motivação e de realização de projectos, colectivos e individuais. Foram anos a anos a "levar porrada", daqui e dali, para no final, sorrir com satisfação, por ter construído alguns "impossíveis", para desencanto  dos "velhos" (de todas as idades...), que não habitam apenas no "restelo"...

Sei que hoje sou outra pessoa. A "teimosia" (que dava um "trabalho dos diabos", diga-se de passagem...) deixou de ser o tal factor de motivação extra e tenho ficado mais tempo a ver passar mais comboios, que a correr atrás deles...

Às vezes tenho saudades destes tempos de "correrias contra o tempo" (e contra algumas pessoas, que até esticavam a perna, a ver se eu saltava ou caía...), outras nem por isso.

Mas como, de uma forma geral as pessoas são mal agradecidas e gostam de desvalorizar o trabalho dos outros, não me  sabe nada mal, ver o "filme" sentadinho na plateia...

(Ultimamente o blogue tem funcionado mais como "diário", talvez porque estou numa daquelas fases que olho mais para dentro de casa e menos para a rua...)

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 27, 2018

Gente do Nosso Dia a Dia...


O vai e vem do cacilheiro é sempre prometedor para as vendedeiras que se colocam por ali, bem na frente, da gente apressada que sai da barca e quer chegar a casa...

Elas têm sempre fruta da época, do Outono ao Verão. 

Há também uma senhora que vende roupa (talvez tenha sorte, pelo menos nos dias ventosos, com turistas mais distraídos...).

De vez enquanto também aparece por ali um vendedor de queijos e enchidos.

A vida é isto.  Fazer um ou outro malabarismo, para ver se se soltam umas moedas dos bolsos dos viageiros, de pequeno ou médio curso...

Fotografia de Luís Eme)

domingo, maio 06, 2018

A Minha Querida Mãe e o Feito do João...


Fui às Caldas almoçar com a minha Mãe e o meu Irmão, neste dia que devia ser especial para todas as mães.

Conversámos, conversámos... e quando olhei para o relógio, eram 17 horas e 10 minutos, hora de regresso a casa...

Como costuma acontecer na casa na minha Mãe, a televisão nem sequer se liga... e esqueci-me completamente da existência do "mundo lá de fora". 

Depois de uma viagem tranquila pela A8 (apesar do movimento...), já em Almada, liguei o computador. Numa primeira passagem por sites e blogues, visitei "A Bola", e fiquei extremamente feliz por saber da vitória do João Sousa na final do Estoril-Open. Um feito histórico.

(Fotografia de autor desconhecido - retirada do site de "A Bola")

domingo, fevereiro 25, 2018

De Telheiras ao Cais da Ribeira...

Há sempre dois ou três pormenores à beira-rio, aos quais raramente damos atenção.

Uns mais banais que outros, como acontece por exemplo com os nomes dos cais de atracação das embarcações fluviais de transporte. 


Não foi por acaso que escolhi dois dos cais de Cacilheiros. Sinto que eles continuam a ser as barcas mais apelativas, pela cor, pela história e pela agradável travessia do Tejo (curta mas deliciosa).

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Escritas e Olhares Diferentes...


Hoje dei por mim a pensar que as crónicas do quotidiano (é quase o que escrevo aqui...) não pertencem à família da ficção, quando muito são uns primos de segundo ou terceiro grau.

Para escrever aqui preciso de andar pelo mundo, escutar o barulho do metro que dá cor às vozes das pessoas que povoam as ruas (nestes dias menos, porque o frio com vento torna tudo mais agreste...), olhar as pessoas, com mais ou menos beleza, que se cruzam comigo... e principalmente, agarrar uma palavra ou uma frase, que se solta, apenas por que sim...

A ficção muitas vezes alimenta-se do silêncio, e inspira-se em coisas estranhas que estão dentro dos livros e dos filmes.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 21, 2017

A Noite que Chega Mais Cedo...

Estava no meio do rio junto à janela e não pude deixar de pensar que uma das coisas piores do Inverno é a "vitória" da noite em relação ao dia.

O frio também não é muito agradável, mas temos de dar uso à roupa mais comprida e quente...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 09, 2017

Recomeçar (ou não) de Novo...

Encontrei um rapaz que de vez enquanto desaparece do mapa e estou anos sem o ver.

Ao contrário de mim, já viveu muitas vidas no mundo que nos espera à porta de casa, todos os dias. Só casamentos foram três, todos eles de curta duração (o que durou mais ficou-se pelos quatro anos...). Já morou em várias cidades e países, mas acaba por voltar sempre à casa dos pais, os únicos que nunca lhe fecham a porta...

Está mais desiludido que nunca, por saber que já não vai para novo e que cada vez há menos empregos para quem se aproxima dos cinquenta. A primeira vez que o vi sorrir durante a nossa conversa foi por causa das histórias de assédio, que estão na moda, ao ponto de ele pensar que sempre deve ter sido um "assediador" militante, pelo menos nos trabalhos onde havia gajas boas. Disse isso como se o "atiranço" fizesse parte da nossa condição de "macho".

E a partir de aqui a conversa melhorou bastante. Foi delicioso vê-lo a "despir e a vestir" as mulheres que foi conhecendo e despachando, e também das outras, que o despacharam... Debitou lugares-comuns a uma velocidade incrível. Afirmou saber, por experiência própria, que todo o amor tem prazo de validade, mesmo que exista por aí muita boa gente que se finge feliz, por ter um casamento com cinquenta anos e mais.

Quando nos despedimos percebi que não é só a vida que nos quer correr mal... nós também nos esforçamos para que ela caminhe (ou não...) para os lados errados, do dia ou da noite...

Somos todos diferentes e todos iguais. É por isso que há quem consiga viver a vida inteira no mesmo lugar e também quem precise de andar a saltitar de terra em terra, à procura daquilo que parece não existir...

(Fotografia de Ruth Orkin)