quinta-feira, novembro 21, 2019

Estes Dias com Nuvens...


Não há nada como estes dias, que fingem ser de Inverno, para quem gosta de "apanhar boleia das nuvens", e andar por aí, meio perdido, quase à boleia do vento...

(Fotografia de Luis Eme - Monte de Caparica)

quarta-feira, novembro 20, 2019

"Crime e Castigo" em Almada


A Casa da Cerca volta a receber uma exposição comissariada por Jorge Silva, desta vez com ilustrações da literatura policial portuguesa, com o título, "Crime e Castigo".


É extraordinário o efeito das capas dos pequenos livros, em tamanho de poster. Só assim olhamos com olhos de ver para a sua qualidade artística (e muitas delas foram mesmo feitas por grandes artistas plásticos portugueses...).

É uma exposição simples, mas bonita, e que vale a pena apreciar...

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

terça-feira, novembro 19, 2019

A Falta de Memória do Futebol...


Faz-me confusão a quantidade de pessoas, pelo mundo inteiro, que depois de tantos recordes, tantos títulos e tantos golos, ainda continua a colocar em causa a qualidade futebolística de Cristiano Ronaldo.

Por estar com problemas físicos (informação dada pelo seu treinador e por ele próprio) e por não gostar de ser substituído (visionado pelo mundo inteiro e assumido pelo jogador), tem sido alvo de todo o género de ataques, alguns de onde menos se esperava, da própria Itália, que viu Ronaldo colocar a Serie A, de novo, no topo nas principais ligas de futebol da Europa...

Um treinador italiano de renome mundial até foi capaz de dizer a patetice, mentirosa, de que Cristiano não faz um drible há três anos (além de driblar em todos os treinos, também o faz em quase todos os jogos... claro que há muito tempo que não faz "números de circo", por saber que são quase sempre inconsequentes...).

Sei que o futebol é a área social com mais falta de memória, passa-se de besta a bestial e vice-versa, em minutos, mas Cristiano Ronaldo é Cristiano Ronaldo.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, novembro 18, 2019

Os Três "Falsos Cavalheiros"...


Quando cheguei à paragem do autocarro, estavam lá apenas duas pessoas.

Alguns minutos depois, quando chegou o primeiro autocarro, já éramos uma dúzia.

As pessoas de idade - como de costume - são quem menos respeita a ordem de chegada. Nada que me preocupe, até por a minha viagem ser curta, pouco mais de cinco minutos.

Mas achei curioso que três homens de idade me passassem à frente e depois quando já estavam quase a entrar, interrompessem a marcha para deixarem passar duas senhoras da sua geração, tendo um deles dito com alguma vaidade "primeiro as senhoras". Esqueceu-se foi que atrás dele estavam duas senhoras de cor, que me olharam com cara de caso e responderam-lhe com alguma lata, "Então e nós?". 

Eu deixei-as passar à minha frente e disse-lhes que era por virem de calças, o que as fez sorrir.

O mais curioso foi elas fazerem questão de se sentarem ao lado de dois dos três "maduros"... Até porque havia mais lugares sentados vagos (fizeram-lhes quase marcação cerrada).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, novembro 16, 2019

A Verdadeira Paternidade e a Quase Acidental...


As primeiras palavras do título do livro de António Policarpo, apresentado hoje na Cova da Piedade ("Pais Fundadores"), fizeram-me pensar que, sim, há fundadores e fundadores, das Associações, Colectividades, Clubes ou Sociedades - há denominações para todos os gostos. 

Há aqueles que assumem mesmo a sua "paternidade" e fazem tudo para que o crescimento do Clube que ajudaram a criar, seja harmonioso. E depois há os outros, cujo nome consta na lista de fundadores, mas pouco mais fizeram, além de terem emprestado o seu nome, para que ficasse para a história (mesmo que a sua fosse e seja tão insignificante...).

Infelizmente, também é assim na vida, o que não faltam por aí são pais ausentes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 15, 2019

É Bom Quando o Povo Ergue a Voz e se Levanta...


É uma coisa rara, mas de longe a longe, o povo ergue a sua voz e levanta-se, para lutar pelos seus direitos. Tem quase sempre razão. E por muito que os governantes se esforcem para o silenciar, menorizando as suas palavras, muitas vezes com o recurso a "leis", "pareceres técnicos" e essa coisa que chamam "interesse nacional", nada o faz demover da sua "luta", contra aquilo que considera nefasto para todos.

E nem mesmo a presença das forças da autoridade o fez arredar pé. Foi assim com a plantação de eucaliptos em Valpaços, em 1989, e também com o célebre "buzinão" na Ponte 25 de Abril, em 1994. Em ambos os casos, apesar do uso da violência, o Povo  não baixou os braços e obrigou o governo a recuar...

Espero que aconteça o mesmo com as manifestações contra a exploração do lítio, que os habitantes de Boticas (e das outras regiões) não percam a coragem e sigam estes exemplos na defesa dos seus interesses, na defesa do ambiente e da sua qualidade de vida - que como de costume, são os interesses de todos nós, mesmo que estejamos distantes.

Nota: Se puderem, leiam o artigo de opinião de Daniel Deusdado, publicado hoje no "Diário de Notícias".

(Fotografia de Luís Eme - Serra da Estrela)

quinta-feira, novembro 14, 2019

Não há Mesmo...


Já foi, mas os cartazes continuam por aí, espalhados pela cidade.

Embora seja uma "verdade lapalisiana", não deixa de ter alguma graça o seu uso, até para encontros de arte, que querem ser diferentes (aliás, emergentes, entre outras coisas) dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, novembro 13, 2019

A Vida Pública e a Vida Privada...


Percebe-se através das chamadas "notícias mundanas", que é cada vez mais difícil separar a vida pública da vida privada.

Há quem diga que o problema está em abrir a "porta de casa ao mundo", mesmo que isso apenas aconteça  uma vez... Mas percebe-se que o problema é bem mais complexo que isso...

O último caso mediático que nos fala da dificuldade que existe em se "separarem as águas", teve como protagonistas quatro jogadores de futebol sul-americanos, do FC Porto, suspensos pelo clube, por estarem presentes na festa de aniversário da mulher de um deles, a horas impróprias.

O mais curioso, foi este caso ter-se tornado público graças à aniversariante, que colocou as imagens e videos da festa nas suas contas das redes sociais. Ou seja, nem foi preciso os jornalistas das revistas coloridas "fabricarem a notícia", ela saiu directamente da fonte...

Tudo isto só me merece um comentário: a vaidade é terrível. E pode sair cara (o que aconteceu neste caso particular, aos quatro futebolistas...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, novembro 12, 2019

Nunca Sabemos o que se Esconde Atrás dos Muros de Nuvens...


O que aconteceu na Bolívia nos últimos dias, é apenas mais um dos vários golpes políticos, que têm conseguido virar de pernas para o ar, os vários países da Latina-América, quando tentam caminhar na direcção das "setas" indicadoras do socialismo e do comunismo.

Mesmo que não seja adepto das "teorias de conspiração", não posso deixar de pensar nos relatos de alguns amigos comunistas, que sempre que acontece algo de anormal por aqueles lados, apontam o dedo à CIA e aos EUA. 

E se estivermos atentos à história recente da América do Sul, é difícil não lhes dar razão...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, novembro 11, 2019

O Nosso São Martinho


Dois amigos que estavam a meu lado durante o almoço transformaram a refeição num quase "duelo de palavras". Por vezes mais acesas, ao ponto de um dos nossos "moderadores" tentar - sem sucesso - colocar ordem na mesa, com o argumento de estarmos a incomodar a vizinhança.

Mas percebia-se que a vizinhança até estava a gostar daquele "teatrinho", tal como nós.

Foi quando o Chico lembrou o Carlos que era dia de São Martinho e perguntou-lhe se não havia umas "castanhitas para a malta".

Ele ficou um pouco surpreendido e desarmado com o pedido. M o que é certo, é que depois de nos trazer os cafés, apareceu com dois pratos de castanhas cozidas e um jarro de água-pé.

O Chico quase que nos segredou que o Carlos devia ter ido comprar as castanhas no mini-mercado ao lado, só para que festejássemos o São Martinho na sua "casa".

É por estas pequenas coisas que gostamos de almoçar no "Olivença"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, novembro 10, 2019

«Em que vos posso ser útil?»


Tirei este título, "Em que vos posso ser útil?", de um artigo de 2006, que se reporta à visita de Luís Miguel Cintra, à reitoria da Universidade de Letras de Lisboa, no âmbito do Fatal (Festival Anual de Teatro Académico), que não sei se ainda se faz (a "troika" conseguiu acabar com demasiados festivais de teatro e cinema de Norte a Sul)...

Pensei nele porque há dias cruzei-me com uma professora amiga que me desafiou para visitar a sua escola e ir falar sobre fotografia aos alunos, eu que finjo que não sou "fotógrafo" (e não sou, sempre que posso fujo da técnica, dos truques e segredos, refugiando-me apenas no que os meus olhos querem ver e descobrir...), porque pertenço mais ao mundo das palavras. 

Mas depois pensei que podia falar das duas coisas, de fotografia e de palavras (palavras de grandes fotógrafos...), puxando pela criatividade e pelo pensamento autónomo dos alunos, que como se diz por aí, eles usam menos do que deviam, porque a coisa mais fácil sempre foi seguir o "rebanho", especialmente na adolescência.

Mas não se pense que são apenas os jovens que evitam pensar pela sua cabeça, os adultos gostam de fazer o mesmo. Como de costume, a descoberta do bebé por um "sem-abrigo", filho de uma jovem "sem-abrigo", deu espaço para todos os disparates (o "facebook", pelo que me contam, continua a ser rei e senhor da "ignorância", da "esperteza saloia", e pior de tudo, do "insulto fácil", mas isso são outros "quinhentinhos"...).

Desde a "estátua" que querem erguer ao "sem-abrigo" (desconfio que ele agradecia mais um quarto e uma mesada...) ao linchamento público que querem fazer à "rameira" e "drogada" (só falta fazerem o que ainda se faz pelo Oriente, acabarem com a sua vida à "pedrada"...).

Tudo isto para dizer, que faz tanta falta neste país (e no Mundo...), as pessoas pensarem pela sua cabeça. Um bocado de cepticismo num fez mal nenhum ao mundo... E isso tem de começar nas escolas, os jovens têm de ser educados a pensar pela sua cabeça, a não a acreditar às primeiras, em tudo o que lêem...

Sei que falar disto na escola, é mais importante que falar de fotografia ou de livros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 08, 2019

Heroísmo é Outra Coisa...


O Presidente da República chamou heroísmo, ao acto de um homem, "sem-abrigo", que ao ouvir o choro de um bebé, acabou por se aproximar de um "ecoponto" de embalagens e retirou um recém-nascido, sem qualquer peça de roupa e pediu ajuda médica. Hoje soube-se que fora depositado lá pela mãe, uma jovem de 22 anos, também ela, sem-abrigo, pouco tempo depois de dar à luz, em plena rua, sem qualquer apoio.

Eu chamo-lhe apenas humanismo, o acto deste homem. E não consigo ver nada de heróico no seu gesto, tal como no técnico do INEM, que não fez mais do que aquilo que é a sua função, prestar os primeiros socorros a quem sofre qualquer acidente, antes de o transportar para o hospital.

Acho que nem é bem o País, é mais o Presidente (e as televisões, claro, todas), que vive sedento de "histórias" e de "super-heróis" (deve ser por isso que gosta tanto de dar medalhas...).

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, novembro 07, 2019

Encontros com a Sophia na Graça...


Não foi de propósito nem um mero acaso, ter-me encontrado hoje com a Sophia, na Graça, um bairro especial de Lisboa, por tudo aquilo que nos oferece, enquanto varanda da Capital.


Tinha de passar por lá, apenas me limitei a fazer um desvio até ao seu miradouro. E depois encontrei-a, novamente, no meio do caminho, a espreitar dentro de uma parede (algo que só as "Poetas-Fadas" conseguem)...

(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, novembro 06, 2019

Um Poema (meu) para a Sophia...


Porque hoje a Sophia faz anos (muitos...), público um poema que escrevi para ela no princípio do milénio...

Sophia
  
O mar azul e branco
torna-se mais expansivo,
e tocante,
depois de sentir
a luminosidade,
o perfume
e o encanto
das tuas palavras...

  
E a Sophia continua a ser a minha poeta...

(Fotografia de Eduardo Gageiro - Lisboa)

terça-feira, novembro 05, 2019

Uma Queda e um "Filósofo"...


Uma senhora caiu no chão, na passadeira, a pouco mais de um metro de mim. Ajudei-a a levantar-se e depois de vermos que estava tudo mais ou menos bem, culpámos a estrada de calçada, desnivelada, tal como quase todos os passeios de Almada.

A meu lado apareceu um amigo de um amigo, que já não via há uns tempos. Uns metros mais à frente brincou com a situação e disse-me que devia ajudar a levantar raparigas mais novas e deixar as senhoras para ele.

Sem deixar de sorrir, disse-me, a meio da conversa: «Dançar bem era um bom atributo na minha juventude. Facilitava bastante o contacto com as raparigas nos bailes.»

E depois questionou-me, se sabia o que dava bastante jeito aos homens de agora. 

Disse-lhe que não fazia ideia.

Foi quando ele se saiu com uma daquelas frases, que no mínimo nos deixam a pensar, mesmo que tenha mais pés que cabeça:

«Hoje um bom atributo masculino é mentir. Mas mentir à grande e à francesa. As mulheres sempre gostaram que lhes contássemos mentiras. Sabem que tudo o que tenha o "selo da verdade" é uma chatice.»

E entretanto estávamos na esquina a despedir-nos, sem tempo para contraditórios...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, novembro 04, 2019

Instabilidades e Memórias...


O tempo instável tanto pode ser uma coisa boa como uma chatice do caraças.

Depende dos momentos, de como usamos e abusamos do Sol, da Chuva ou das nuvens.

Sabe bem estar perto de uma janela a ver a chuva a cair e as pessoas a circularem, com e sem chapéus (é coisa que me ficou da meninice, da visão da janela da sala, onde ficava, quase hipnotizado a ver a chuva a cair, as pessoas a fugirem das poças de água  - a estrada ainda não estava alcatroada - e a esquivarem-se dos poucos carros que circulavam e as "pintavam" de castanho...).

Menos bom é olharmos para o relógio e percebermos que temos de nos fazer à rua, sem chapéu de chuva, quando a água promete cair sem parar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, novembro 03, 2019

Sena Está Esquecido?


Embora Jorge de Sena não seja um dos escritores que mais aprecio, estranhei a ausência de notícias em jornais como o "Expresso" ou o "Diário de Notícias", no dia em que o professor, ensaiasta, poeta, dramaturgo e ficcionista (abordou praticamente todos os géneros literários...), fez 100 anos.

Não acredito que este "esquecimento" se deva ao facto de ter vivido exilado no Brasil e nos Estados Unidos da América (sempre gostámos do que vem de fora...). 

Mas também não consigo encontrar qualquer explicação para este silêncio...

(Fotografia de Luís Eme -  Almada)

sábado, novembro 02, 2019

Hoje é Sábado e Parece Domingo...


Quando há um feriado à sexta-feira, quando chego ao sábado, penso sempre que é domingo.

Ainda estava na cama e já pensava dar um salto à Costa, para ver quantos vendedores de quinquilharias (sim também tem velharias...) não tinham medo da chuva. Mas depois percebi que era sábado. Não havia Costa mas havia Alfama. Sim, podia atravessar o rio e ir à Feira da Ladra...

Normalmente não falo aqui no "Largo" de outros blogues. Não é que me cause qualquer constrangimento, é mais pensar que quem por lá passa sabe que eles são bons, e faz como eu, passa por lá todos os dias.

Mas hoje apetece-me mesmo falar do "Cais do Olhar", muito bom para quem gosta de livros. E ainda de "A Página Negra", que além dos livros também abraça o bom do cinema. Há ainda o "Sound + Vision", que tem tudo isso de que já falámos, mais música (até Ópera...) e teatro. E termino com o "Malomil", que é quase uma loja daquelas mágicas, com "montanhas" de coisas bonitas e curiosas.

Se vos apetecer, passem por lá. Estão sempre cheios de histórias e de pessoas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 01, 2019

A Procissão de Cacilhas


Hoje foi dia de Procissão em Cacilhas. Procissão que se realiza desde o século XVIII para agradecer aos Santos e Deuses, a ajuda que deram ao fim do "maremoto" de 1755, que se seguiu depois do sismo, e que invadiu as ruas da localidade ribeirinha, deixando um rasto de destruição, um pouco por todo o lado.

Uma das fotografias mais curiosas que tirei, foi esta, da passagem (e paragem...) da Nossa Senhora do Bom Sucesso pelo busto de José Elias Garcia, uma das grandes figuras que nasceram em Cacilhas.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, outubro 31, 2019

Um Dia Bom para a "Caça às Bruxas"


As modernices que nos foram chegando das américas, dizem que hoje é um dia bom para a já medieval "caça às bruxas".

Embora as pessoas sejam livres de fazerem o que lhes apetece com os prémios literários que organizam (até podem pôr uma cláusula que ele só pode ser entregue a alguém da "irmandade"...), quando estes adquirem importância nos meios literários (como é o caso do PrémioLeya), podem e devem ser discutidos.

Neste caso particular, nem sequer preciso de libertar os "caçadores de bruxas", qualquer pessoa normal achará estranho que um prémio com 409 concorrentes, não seja atribuído pela falta de qualidade dos mesmos...

E quando os argumentos falam de "limitações na composição narrativa" e "fragilidades estilísticas", a coisa até se pode considerar hilariante, mesmo que não tenha graça nenhuma, pelo menos para as mais de quatro centenas de candidatos à vitória...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova da Barquinha)

quarta-feira, outubro 30, 2019

Ler e Sentir a Falta de Qualquer Coisa...


No meu trabalho de pesquisa, tenho consultado várias revistas antigas.

Ao lê-las sinto quase sempre que falta qualquer coisa, que podiam, e deviam ser, mais interessantes para o leitor. 

Sei que os tempos eram diferentes, não éramos tão exigentes e o mundo era muito mais curto e estreito, especialmente o nosso, tão fechado ao que estava para lá das nossas fronteiras, à imagem do ditador que esteve quase quatro décadas no poder. 

Ele não gostava de viajar, ao ponto de nunca ter saído do país - se ignorarmos a meia dúzia de vezes que foi "comprar caramelos a Badajoz e beber um chá com o Franco"...

A má lembrança de Salazar fez com descobrisse a "pólvora", que me recordasse que a censura e os censores, eram peritos em roubar palavras e em "espetar facas no coração" das crónicas e das reportagens...

Pobres dos países que são governados por quem precisa de uma  "PIDE" e de uma "Censura" para se manter no poder...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, outubro 29, 2019

Um Recado...


Noto que há muitos dias que não escrevo um poema.

Falta o momento, o motivo, ou ainda, outra coisa qualquer...

Estive a reler alguns poemas meus e fixei-me no "Recado"...

Nestes tempos
de economia de palavras
de economia de afectos

Informo que hoje 
não venho jantar
muito menos dormir

Apetece-me alguém
com quem conversar

Apetece-me alguém
com quem sorrir

Apetece-me alguém
com quem amar...


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, outubro 28, 2019

As Segundas Oportunidades Literárias...


Lermos o livro errado pode afastar-nos de grandes escritores. 

Felizmente há sempre a possibilidade de lhes darmos uma segunda oportunidade, quando aparece um outro livro, quase a piscar-nos o olho... E como sabe bem percebermos que afinal ele é diferente, para melhor, do que pensávamos...

Claro que haverá sempre dezenas de autores, a quem eu não darei uma segunda oportunidade, mas como todos sabemos, nunca iremos ler todos os livros que temos em casa, muito menos os que se mexem nas prateleiras das bibliotecas à nossa passagem (só falta acenarem)...

Isso aconteceu com Paul Auster (graças a "O Livro das Ilusões") e também com Arturo Pérez-Reverte (bela surpresa "A Tábua de Flandres"...). Agora fiquei na dúvida, se fui eu, ou eles, quem deu  a quem, uma segunda oportunidade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, outubro 27, 2019

Este Mar de Enganos, em que Navegamos...


Toda este mundo virtual que nos invadiu a vida, cheio de boas informações (ainda há pouco estive a ler sobre a vida de uma extraordinária mulher, chilena, que nos deixou aquela que é considerada a mais bela canção da língua espanhola - falo da Violeta e de "Gracias a la Vida"...), também é um mar de enganos... com os mesmos perigos de um verdadeiro oceano (sim tem tubarões e adamastores...).

Todo este "teatro da vida"  é de tal forma ilusório, que até nos permite entrarmos num "filme" (ao nosso gosto) e sermos outra coisa, mais bonita, mais atraente e mais interessante...

É também por isso que deixo por aqui o belo poema, que durante muito tempo foi divulgado como da autoria da nossa Sophia (quase a fazer cem anos...)

O Mar dos Meus Olhos
  
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.


Adelina Barradas de Oliveira

Porque mesmo tendo mudado de autora, o poema da Adelina, não perdeu a beleza...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, outubro 26, 2019

As Palavras e o Silêncio...


Sei que estou mais comedido a falar com pessoas que não conheço bem sobre o dia-a-dia. E então se for para dizer mal dos políticos, dos polícias, dos médicos, dos professores, dos enfermeiros... Não há qualquer hipótese de diálogo.

Só os meus amigos é que conseguem que me "liberte" e diga coisas quase terríveis, misturadas com outras, divertidas, sobre estes tempos com demasiadas cores (mesmo que muitas desapareçam com os primeiros pingos de chuva...).

Os "70" foram tema de conversa, assim como o bloco central, que sempre pareceu uma "cozinha", pela quantidade de tachos e panelas e também de ingredientes diferentes (para tantos paladares...). 

Como não podia deixar de ser, também se criticou, de alto a baixo, a sua qualidade. A deixa foi aproveitada para se alargarem horizontes e se trazerem, à vez, para a mesa, os actuais líderes do mundo, que usam e abusam da meia branca e dos penteados exóticos. Enquanto eles iam dizendo raios e coriscos, lembrei-me do Hitler, do Salazar, do Franco e do Estaline, mas fiquei em silêncio...

O mundo nunca foi um lugar muito recomendável para se viver, na paz do senhor (ou da senhora)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, outubro 25, 2019

Dia Inteiro e Limpo


Mesmo que estejamos a caminhar para o fim do mês de Outubro, ainda é possível saborear dias, inteiros e limpos, ao gosto da Sophia, como o de hoje...

Os turistas ainda se passeiam por aí, de Lisboa a Cacilhas, de calções e camisa, porque frio para eles, tem neve no horizonte...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, outubro 24, 2019

O "Crítico" que Está Dentro de Nós...


Acontecem-nos coisas ligeiramente estranhas, que só são estranhas porque pensamos e temos também dentro de nós um sentido crítico (mesmo ao lado dos pensamentos...), que pode ser mais ou menos aguçado.

Estava a fazer compras no supermercado (perto da peixaria...), quando uma senhora se aproximou de mim e perguntou-me se eu a podia ajudar e comprar-lhe salmão. Disse-lhe que não e virei as costas.

Mas fiquei a pensar porque razão a senhora me tinha pedido ajuda para comprar salmão (que normalmente custa o dobro da dourada ou robalo) e não peixe...

Lembrei-me da sabedoria popular, que nos diz que "não devemos ser pobres a pedir", embora pudesse arranjar mais meia-dúzia de ditos com sentido contrário.

E também pensei que me deveria limitar a dizer não, sem ter de fazer uma "análise crítica" ao pedido da senhora... Mas desculpei-me quase se seguida, ao lembrar-me que não passo de um humano pensante e erróneo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, outubro 23, 2019

Escrevemos Quase Sempre Para Nós...


Escrevemos quase sempre para nós, mesmo quando estamos a pensar nos outros.

Nem sempre enfrentamos esta evidência, olhos nos olhos, por "distracção" ou por "negação".

É mais ou menos isto: não "conseguimos ver" por que não "queremos ver"...

E somos tontos ao ponto de fingirmos, que se não fossem os "outros", nem sequer escrevíamos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, outubro 22, 2019

Sporting, uma Metáfora da Sociedade...


O Sporting é o grande exemplo da dificuldade com que muitas pessoas têm em viver em democracia.

Não só não aceitam a vontade das maiorias, como têm muita dificuldade em conviver com a alteração de regras, que neste caso particular teve como objectivo acabar com benefícios e poderes excessivos (muitos deles sem sentido, como são os das claques...).

Olhando para a sociedade, é notória a falta de respeito, crescente, pelo espaço dos outros e pelas diferenças, todas (de opinião, de cor, de sexo, de religião, de gosto, etc), ao ponto de ter ser o Estado a regulamentar sobre muitas delas (com multas e tudo)...

Fixando-me nos movimentos colectivos, sem querer fazer qualquer comparação, em termos de visibilidade e de poder, assisti em Almada a situações quase surrealistas, na minha experiência associativa de duas décadas e meia.

Percebi que o poder pode "cegar" as pessoas (por muito pequeno que seja), ao ponto de as fazer esquecer as regras democráticas. Muitas delas acham que estão sempre certas e não conseguem viver sem o seu "quero, posso e mando".

O cúmulo desta atracção pelo poder aconteceu com duas pessoas, que ao serem derrotadas, democraticamente, saíram para fundar os seus clubes (onde podiam fazer o que queriam - curiosamente mantêm-se como presidentes desde a sua fundação...). 

Talvez todas estas pessoas gostem mesmo é de viver em ditaduras, e se sintam mais em "casa" com a repressão que com a liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 21, 2019

As Coisas Aparentemente Simples da Vida...


Contínuo a pensar que somos sempre mais influenciáveis do que aquilo que parece, por tudo aquilo que nos rodeia.

É por isso que numa cidade suja torna-se mais fácil deixar cair um papel para o chão, que num lugar limpo e agradável.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)