terça-feira, julho 16, 2019

A Gente "Bipolar" dos Hospitais...


Sempre que vou a consultas ao hospital público (quase sempre como acompanhante...), espero no mínimo uma hora, em relação à hora previamente marcada.

Como sei que muitos dos médicos (e enfermeiros) do serviço público trabalham também no privado, faz-me confusão esta sua "bipolaridade", ou seja a habitual falta de respeito pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde, no não cumprimento de horários. Algo que curiosamente não se passa nas clínicas da CUF ou da Luz, onde muitas vezes nem cinco minutos tenho de esperar. 

Parece que esta gente quando está no serviço público, só têm direitos, os deveres são só para os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, julho 15, 2019

Algo que Fica Depois do Bom Gosto e do Bom Senso...


Reparei nas pequenas notas que tinha num papel, com coisas que aconteceram e outras imaginadas. A única coisa que tinham em comum, era não "caberem" num blogue (pelo menos nos meus...). 

Isso fez com que pensasse na palavra "auto-censura", que se usa por tudo e por nada, vá lá saber-se porquê. Senti logo que era demasiado forte. Há muitas coisas que se dizem ou escrevem, que sabemos logo que ficam algures depois do bom gosto e do bom senso, quase numa rua escura, suja e mal cheirosa.

E estava aberto o caminho para falar da historiadora mais famosa do país - por umas semanas, diga-se de passagem, que popularizou de novo os "bonifácios"... Mas  o bom gosto diz-me que não. Muito mais que o bom senso. E sabem que mais, neste pequeno caso a auto-censura, nem sequer espreitou à esquina.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, julho 14, 2019

«Sabes lá o que é ver a vida a fugir!»


Aquela frase podia ser para mim, mas não era. Nem sabia muito bem o seu contexto, pois apanhei-a em andamento, no meio da rua.

Mas a mulher que a soltou, não estava nada animada, eu diria, pela forma como se expressou, que estaria entre a revolta e o desespero. Provavelmente teria razões para isso. Sem precisar de lhe pedir o bilhete de identidade (talvez daqueles que já não existem, vitalícios...), percebi que tinha ultrapassado os oitenta anos, há já algum tempo.

Continuei a andar, sem olhar para trás, mesmo assim a frase não me saiu da cabeça durante algum tempo. Imagino que quem tenha entre os oitenta e os noventa anos, tenha uma percepção do tempo, bastante diferente da minha, que sinta que a qualquer momento pode ser agarrada pela "morte".

Embora digam que a "inoportuna" não escolhe idades, a estatística é "menina" para nos dizer o contrário...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, julho 13, 2019

Lisboa e Nuno Saraiva


Hoje, por um mero acaso, quando ia descer pelo elevador, perto do Largo do Caldas, para a Baixa, descubro uma exposição de Nuno Saraiva (num edifício da Junta de Freguesia...), com alguns dos seus "bonecos", a maioria sobre Lisboa.

E como tem sido boa a sua parceria com a Capital, com os folhetos com a programação das Festas dos Santos Populares a parecerem quase catálogos artísticos.

O Saraiva até estava presente e tudo (talvez a inauguração tivesse acontecido algum tempo antes...), a conversar com amigos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, julho 12, 2019

«Também usa vestidos?»


Os tempos de hoje não são para se fazerem perguntas indiscretas, ainda por cima a mulheres, e das que achamos jeitosas.

Sem saber explicar muito bem porquê, hoje apeteceu-me perguntar a uma mulher, que vejo quase diariamente, sempre de calças - simpática até dizer chega na loja onde trabalha e distante nas ruas (como deve ser, diga-se de passagem...) -, uma coisa tão simples, mas que, reconheço, poderia levar-nos para um mundo de sugestões. Era apenas isto: «também usa vestidos?»

Claro que não perguntei. Se fizesse a pergunta na loja, talvez me sorrisse e dissesse: «Uso, mas só em dias de festa». Se perguntasse na rua, era capaz de me olhar com cara de caso e mandar-me para qualquer sitio menos recomendável.

Posso acrescentar que se trata de uma mulher relativamente alta (mais de 1.70 m), de constituição normal e com cabelos compridos (usa-os apanhados na loja). 

Tenho a certeza que ficava mais bonita e mais feminina de vestido...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)

quinta-feira, julho 11, 2019

O "Carrossel" do Tempo...


Este autêntico "carrossel" do tempo, que faz com que num dia esteja 26 graus, no dia seguinte 40 e no outro dia 30, deixa marcas no corpo, especialmente a quem já não vai para novo.

Excelente ideia a destes rapazolas, de voltarem a nadar nas praias do Tejo da Outra Banda, mais concretamente, no Ginjal, quase reféns da "tentação" de subirem para dentro da barca, que fica por ali à beira-rio, no Verão...

Também me apeteceu descer, despir-me e sentir a frescura das águas do Tejo.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, julho 10, 2019

Repetimo-nos Mais Vezes do que Pensamos...


Eu sabia que me repetia de vez em quando por aqui, mas nunca pensei que fosse tanto (andei à procura de algo que escrevera e descobri coisas, que se me dissessem, não acreditava às primeiras...).

Talvez o problema seja esta mania de escrever praticamente todos os dias, utilizar o "Largo" não só como diário, mas também como "máquina de jogos de palavras". E como já são mais de doze anos, acaba por me levar, invariavelmente, para as "repetições", até porque não mudamos de opinião, de um dia para o outro, isso é mais para os "comentadores televisivos"...

Com as imagens passa-se a mesma coisa. De vez em quando lá repito uma fotografia, sem me aperceber...

(Fotografia de Luís Eme  - Ginjal)

terça-feira, julho 09, 2019

A Tranquilidade e o Tejo...


O Tejo é especial, por todas as razões, e mais algumas, que ainda não descobri.

Quando escrevi o caderno poético, "Almoço de Poetas no Ginjal", enriqueci a minha colecção de transcrições de textos e poemas que abraçavam o "melhor rio do mundo".

Pensei logo que devia criar um blogue, mas por saber que o tempo é bom conselheiro, fui esperando uma qualquer maré... Maré que acabou por chegar no começo deste ano. E foi assim que nasceu o Olha o Tejo...

Queria que fosse um espaço onde se respirasse tranquilidade, na companhia de palavras e imagens bonitas (todas minhas, ao contrário das palavras...), que de alguma forma ilustrassem o amor que se pode ter por um rio, a várias vozes.

Não é de longe nem de perto o meu blogue mais visitado, mas é o único onde me consigo imaginar a passear rente ao seu leito e a sentir o vento agradável no cabelo, no rosto e no corpo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, julho 08, 2019

Tudo tem um Princípio...


«A ideia de que somos pessoas boas está completamente errada. Este é o melhor exemplo.» 

Foi desta forma que o Rui reagiu à má educação de uma criança, que além de gritar, ainda começou a mexer nos objectos pessoais que algumas pessoas tinham na mesa ao lado, com a complacência dos pais e a irritação do avô.

Como os pais pareciam assistir ao "filme" de camarote, o senhor de mais idade, levantou-se, pegou na mão da criança com pouca meiguice e foi dar uma volta pelas redondezas, para alívio das pessoas que estavam na esplanada, que começaram a sentir os gritos, quase como música de fundo, cada vez mais longínqua.

A Teresa disse que não se tratava de uma questão de bondade ou maldade, mas sim de educação.

«Educação?» Insistiu o Rui. «Devias ter uma bisca destas lá em casa, sempre queria ver o que lhe fazias. Não me digas que o enchias de porrada?»

«Não. Não o enchia de porrada, mas também não lhe fazia as vontades nem sorria com os espectáculos que ele deve dar em todo o lado, como os paizinhos.»

Claro que a Teresa tinha toda a razão, o que estava ali em causa era sobretudo um problema de educação, de exemplos, que poderiam começar no hábito de se respeitar o outro (falo de respeito e não de "respeitinho"), que começa a entrar em desuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, julho 07, 2019

Não "Chega de Saudade"...


Eu sei que bastaria o seu primeiro álbum, "Chega de Saudade", lançado em Março de 1959, apresentado pelos historiadores como a invenção da Bossa Nova (invenção essa partilhada com Vinicius de Moraes e Tom Jobim), para transformar João Gilberto numa das principais figuras da música brasileira.

Mesmo que Gilberto - ao contrário de Jobim -, tenha tentado "fugir" da bossa nova, fingindo não estar dentro daquele período musical verdadeiramente revolucionário, refugiando-se apenas no samba (cabia lá tudo)...

Mas João Gilberto foi bem mais longe, inventou muito mais ritmos e melodias, com o seu violão. E até se aproximou do jazz, na companhia do saxofonista, Stan Getz (estou a ouvi-los enquanto escrevo, e mesmo sem ser um entendido, digo que está ali jazz com os ritmos mais suaves do samba, com uma beleza única...).

João Gilberto, que nos deixou ontem, não só tentou, como conseguiu, ser apenas ele próprio,  ao mesmo tempo se tornava o "mestre" daqueles que se tornariam os seus grandes seguidores e que acabariam por fazer a transição entre a  "bossa nova" e a "música popular brasileira", Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, julho 06, 2019

Desabafos & Ingenuidades (a vida como ela é...)


A maior parte das pessoas que trabalham, a partir dos quarenta começam a estar fartas do seu "circuito diário" (casa, trabalho, trabalho casa...), por que a vida nunca facilita. Aliás, com o passar dos anos, ainda tem o condão de nos ir dificultando, cada vez mais as coisas...

Os filhos, que muita boa gente já "desistiu de ter" (preferem o cão ou o gato...), embora acabem por ser a principal razão da nossa existência, nunca deixam de ser um "mar de preocupações". Dos seus tempos de "cristal" (meninice...) à idade adulta, onde quase que se tornam quase de "aço" (mesmo que este só exista nas suas cabeças e seja maleável...), passamos por um pouco de tudo (sem falar de casos dramáticos...). 

Embora saiba que é capaz de ser quase igual em todo o lado, no nosso país os problemas estão longe de terminar quando eles acabam o curso superior. Normalmente tem duas soluções: aproveitar qualquer emprego que surja, mesmo que não tenha nada que ver com a sua formação (até podem aproveitar a vaga como caixa do supermercado da esquina...) e seja precário, ou emigrar.

Há já algum tempo que não trazia para aqui as conversas, que tenho com a Rita (mais raras, estupidamente, porque se deixarmos, a vida também nos vai afastando dos amigos...). 

Não temos cão nem gato, mas temos filhos com a mesma idade (diferença de meses...), na tal fase complicada, quase entre o fim da universidade e a entrada no mundo do trabalho. 

Não somos diferentes dos outros, dizemos muitas coisas parvas, como o cidadão comum (os maus exemplos diários quase que nos obrigam a esses desabafos...), até falamos da nossa "burrice", de não os empurrarmos para uma das juventude dos partidos do "centrão". 

Mas são só desabafos, queremos muito que eles sejam criaturas livres e com capacidade para pensar pela sua própria cabeça, e mais importante, sem passarem o resto da vida com as "mãos sujas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, julho 05, 2019

Olhar e não Ficar em Silêncio...


Sim, no fundo é isto: olhar e não ficar em silêncio.

Quando gostamos de olhar e de escrever, é mais fácil "denunciar", aquilo que achamos que está mal. 

E se tivermos um blogue, a coisa ainda se torna mais fácil. Sei que nos jornais nem sempre escrevemos o que queremos, há demasiados editores com "torções no nariz", sim, daqueles que até poderiam andar  pela redacção com um lápis azul na orelha.

(esta foi a minha resposta a alguém que acha que sou demasiado crítico no "Casario do Ginjal", e que acrescentou, com um sorriso, que Almada merece mais amor...)

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, julho 04, 2019

O Encurtar do Tempo...


As férias aproximam-se e o tempo começa a encurtar e a sensação de que não "vamos ter tempo para tudo", cresce...

Não é possível ignorar a agenda, que parece mais importante que ontem, para não "falharmos" compromissos, reuniões ou simples encontros...

Sabemos que agora vai ser sempre assim. À medida que os anos vão passando, os minutos vão sempre encurtando...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Tentação de "Usar o Chinelo" para Fazer Festas...


Devo começar por vos dizer, para não ligarem muito ao título, e muito menos à imagem. Até por que as metáforas valem o que valem (depende sempre do uso que lhe damos...).

Embora gostasse que a justiça tivesse a arte de "desmontar" todos os "castelos de papel" que giram à volta de Joe Berardo, com mais ou menos budas, não acho muita piada que alguns políticos, jornalistas e até gente comum, troque o Joe por José, sempre que falam da personagem.

Até porque isso pode fazer confusão a pessoas menos avisadas, que até poderão pensar que se está a falar de um irmão ou de um primo deste nosso "artista pop".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, julho 02, 2019

A Natureza Humana, entre Surpresas e Mistérios...


A natureza humana, continua a ser uma caixa de surpresas, povoada de mistérios que não são para se perceber, mas sim para se irem percebendo, mesmo que muitas vezes não se vá muito longe... 

Mistérios que se adensam, quando olhamos, por exemplo, para dois irmãos que são completamente diferentes, apesar de terem sido educados da mesma maneira...

Só não estava à espera que me oferecessem um exemplo tão extremo sobre as diferenças entre irmãos.

Embora crescessem no mesmo ambiente de violência doméstica, seguiram caminhos diferentes, pela vida fora. Um deles, nunca tocou com um dedo sequer na mulher, tomou as dores da mãe para si e soube sempre o que não queria fazer. O outro parece que preferiu a força do pai e transformou-se num monstro como o progenitor, além de bater na mulher, "sempre que ela estava a pedi-las" (a expressão é dele...) ameaçou-a uma vez, durante um jantar em família, que a matava, se alguma vez sonhasse que ela o traía...

O mais curioso, é que quem me contou isto foi o filho do "manso que saiu à mãe" (é assim que alguns tios falam dele, nas suas costas...). falou-me do orgulho que sente por ter um pai que aprendeu com as lágrimas e as marcas do corpo da mãe, que só os cobardes é que batem nas mulheres.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, julho 01, 2019

Lugares-Comuns e Relações Profissionais e Humanas (dentro dos nossos "Largos"...)


Já há tempos que pensei em escrever por aqui algumas linhas sobre as relações duradouras que se estabelecem com algumas pessoas, que nos prestam serviços. Lembrei-me por exemplo do meu barbeiro e do meu dentista, que visito há largos anos. Eu sei que eles não são os "melhores técnicos do mundo", da mesma forma que sei que são boas pessoas, com quem foi possível estabelecer uma relação humana e falarmos de nós e do mundo que nos cerca, para além da "conversa gasta" sobre futebol ou política.

Sei que há quem dê primazia à parte técnica, pague para ter os "melhores", sem querer ter qualquer tipo de ligação pessoal. E se souber que há alguém no "mercado" melhor, muda de "barbeiro" ou "dentista", sem qualquer hesitação. 

Penso que são estas pequenas diferenças que nos definem como seres humanos...

Estas questões também me fizeram pensar que quando partilhamos coisas neste "mundo virtual", mostramos sempre mais de nós, do que o que julgamos. E acabamos, inevitavelmente, por encher os blogues de "lugares-comuns" (aliás, eu encho... principalmente aqui o "Largo"), porque quando escrevemos coisas, quase todos os dias, o blogue  também acaba por ter uma função "diaristíca".

Mas os "Largos" das nossas vidas não pretendem ser mais que simples "lugares-comuns", por onde passamos todos os dias...

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)

domingo, junho 30, 2019

«A cultura de massas é uma treta!»


O meu amigo Gui continua a ser um libertário, em praticamente tudo na vida.

Da última vez que conversámos, a minha Cidade acabou por vir à baila, assim como a nova gestão do PS e PSD (que continua praticamente invisível, no seu pior sentido, quase a caminho do vazio...).

Mas do que mais falámos foi de cultura, do passado comunista, dos males do "centralismo democrático". Houve uma parte da conversa em que ele se exaltou mesmo e quase gritou: «A cultura de massas é uma treta! Só resulta num batatal e mesmo assim este tem de ser muito cuidado, não pode faltar água e estrume, e nas medidas certas.»

Não que eu precisasse de ser convencido do que quer que seja, mas tentei fazer ver-lhe que havia uma vontade maior de fazer cultura numa cidade como Almada, que nas Caldas da Rainha (eu sei que recorro sempre aos mesmos exemplos, mas são as melhores realidades que conheço, ainda por cima, completamente antagónicas...). Disse-lhe que em Almada havia centenas de escritores, poetas, artistas plásticos, actores, que tinham "bebido" de todo o trabalho realizado através de exposições, acções de formação, peças de teatro, colóquios, etc.

Disse-me que não. E acrescentou: «O que há em Almada é muita gente que tem a mania que é escritor, pintor, actor, escultor, poeta ou realizador. Gente que pensa que basta escrever um livro ou pintar um quadro, para serem reconhecidos como artistas.»

Voltou à cultura de massas para dizer que ela gera sobretudo muita mediocridade. Ainda contra-argumentei que da quantidade é mais fácil surgir a qualidade. Respondeu-me só com uma palavra: «Balelas.» Palavra que voltou a repetir mais duas vezes.

Quando nos despedimos estava longe de estar convencido. Mas à medida que caminhava para o cacilheiro, sabia que estava mais confuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 29, 2019

O Poder e a Oposição entre o Humanismo e o Nacionalismo


O humanismo não defende, nem quer, o mesmo que o nacionalismo, é por isso que estão quase sempre em oposição, tanto na Europa, em África, na América ou na Ásia.

Se os humanistas ficam demasiadas vezes preso às ideias, os nacionalistas não descansam enquanto não são poder, para conseguirem criar todo o género de obstáculos a quem chega de fora - preferencialmente se vierem apenas com uma mão à frente e outra atrás.

Nestes tempos cheios de "anestésicos", as suas palavras chegam mais depressa aos ouvidos do "povo", que, por exemplo, a sucessão de imagens televisivas (talvez pela sua banalização...), que relatam mortes de crianças e adultos, no Mediterrâneo ou no Rio Grande.

É por isso que não estranho que no nosso país - onde não "existem" racistas nem nacionalistas - se critique a nova "invasão" de brasileiros, mesmo que a sua maioria venha fazer o trabalho que nós não queremos fazer (precário e mal pago...), tal como acontece nos países para onde emigramos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, junho 28, 2019

O "Oásis" da Estrela


Com o calor de Verão a querer apertar, foi bom entrar dentro do Jardim da Estrela e circular calmamente, aproveitando algumas sombras e as vistas.

Não fosse este Jardim, um lugar bonito e sempre de passagem agradável.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, junho 27, 2019

«Sei que pode parecer estranho, mas vivo muito bem com o pouco que tenho»


Eu sei que é difícil nestes tempos, povoados de apelos e tentações, ser-se capaz de dizer esta quase "barbaridade" (e de viver, claro...): «Sei que pode parecer estranho, mas vivo muito bem com o pouco que tenho.»

Mas existem pessoas assim, talvez para serem a excepção que confirma a regra...

Um daqueles acasos da vida que por vezes nos acontecem, fez com que conhecesse alguém, que, por opção pessoal, resolveu "voltar atrás no tempo", procurando rodear-se apenas das coisas que lhe fazem falta para viver. E são apenas três; a liberdade, a paz e o amor.

Na viagem de regresso a casa acabámos por falar do modelo de vida escolhido pelo João. Curiosamente ninguém o criticou. Todos falámos com admiração da sua coragem, não só por insistir em viver num "tempo diferente", mas também por não se deixar condicionar, em nada, por este mundo que nos cerca (é por isso que não tem televisão, telemóvel ou computador na sua casa...)

Para além das plantas e dos animais que o rodeiam, conta também com a companhia dos livros e dos discos.

Gosta de ser tratado como "artista-agricultor". Porque hoje ele é isso... pinta quando lhe apetece e cultiva os bens que gosta e considera essenciais para a sua alimentação.

Depois deste exemplo, fiquei com a sensação de que continuo a saber muito pouco da vida...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 26, 2019

Os Dias Grandes e os "Operários Europeus"...


Nestes dias grandes, em que às vinte e uma hora ainda é dia, sabe bem andar por aí pelas ruas. 

E por estes dias ainda temos a vantagem de o calor dos "quarenta" andar fugido um pouco mais para norte, ou seja, afastou-se ligeiramente dos povos do Sul do Mediterrâneo, que segundo os "operários europeus" (que passam o ano inteiro em férias no nosso país...), se escondem atrás do sol, para não fazerem nenhum.

Embora nós é que sejamos "alérgicos" ao trabalho, nunca percebi muito bem como é que milhões de pessoas por esse Mundo fora (e de todas as idades...) podem andar quase sempre de férias. Sei que a riqueza sempre esteve mal distribuída, mas mesmo assim, acho estranho ver tantos ingleses, alemães, holandeses, franceses, suecos e noruegueses (e fico-me por aqui), a quererem roubar-nos o nosso Sol, nas esplanadas ou nos degraus que se ergueram à beira Tejo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, junho 25, 2019

As Patetices dos "Sabões"...


Só hoje é que li algumas notícias dos últimos dias, inclusive alguns artigos de opinião.

Embora saiba que Henrique Raposo de vez em quando escreve umas coisas parvas, ainda não tinha lido uma referência tão patética aos comunistas e aos concelhos onde têm sido poder (como são o caso de Almada, Seixal, Barreiro ou Loures) como a que ele escreveu no "Expresso", no passado sábado.

Quando alguém escreve: «E, já que estamos aqui, onde é que ficam os bairros de lata? Em concelhos ligados historicamente ao PCP. Porquê? Eu ajudo: o povo que vota PCP tem, digamos, uma relação complicada com ciganos e negros. Porque é que não se fala disto? O racismo, tal como o snobismo, é só da direita.»

Só alguém que desconhece a realidade - e que deve ter algum trauma de infância em relação ao comunismo e aos comunistas (talvez continue a pensar que eles "comem criancinhas"...) -, pode escrever uma barbaridade destas.

Estes bairros existem porque são a única possibilidade que muitas famílias - que vivem no limiar da pobreza -, têm de ter um tecto. Se têm crescido mais em concelhos comunistas, é por que os seus governantes entendem que só os devem destruir, quando conseguirem arranjar habitações suficientes para os realojar, com dignidade. 

Se por um lado as questões raciais não devem ser enquadradas apenas no "território" das ideologias, por que haverá gente racista, tanto na esquerda como na direita, por outro, quanto mais se apostar na justiça social, mais fácil será a integração das minorias, tanto nas escolas como nos bairros de concelhos como Almada, Seixal, Barreiro ou Loures. E eu não tenho dúvidas de que os habitantes destes concelhos fazem menos distinções sociais, que as gentes de outros concelhos, pequeno-burgueses.

(Fotografia de Luís Eme - Monte da Caparica)

segunda-feira, junho 24, 2019

A Estranheza do Regresso...


Sempre que estou uns dias sem escrever nos blogues, o regresso torna-se estranho.

Não só me faltam as palavras, como também me falta a vontade de voltar ao ritmo habitual.

Como em tudo na vida, a disciplina, o hábito, ou para ser mais directo, a "normalidade", precisam de exercício diário...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, junho 21, 2019

À Procura de Espaço...


Ontem não estive e hoje também não estou cá. Quer dizer, acabo por estar (porque podemos agendar "postas"...), mesmo que não esteja.

São só quatro dias, em que ando por aí, ao encontro de novas paragens, aproveitando para esvaziar a cabeça de algumas coisas, para arranjar espaço para outras...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, junho 19, 2019

Um Olhar Pelos Sorrisos dos Bastidores


Não sabia exactamente qual era o objectivo de todo aquele treino colectivo ao espelho. Eram só miúdas. Tanto podia ser um filme, uma telenovela ou um simples anúncio de publicidade.

Eu é que passei à hora errada naquele corredor e vi aquelas raparigas giras a construir o melhor sorriso e a melhor pose, para qualquer coisa, que se iria passar nos minutos seguintes.
Continuei a andar até chegar ao fim do corredor, satisfeito, porque os sorrisos, mesmo ensaiados, sabem bem...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

terça-feira, junho 18, 2019

Lisboa, Uma Cidade (ainda) Diferente...


Lisboa é uma cidade muito diferente de das grandes capitais europeias.

Embora possua uma beleza muito própria - graças ao pitoresco que se cola aos bairros antigos, e também à luz que reflecte nas suas sete colinas e também nas águas calmas do Tejo -, está longe de ser uma cidade funcional e bem estruturada como Paris, Londres ou Berlim.

Felizmente tem vários milhões a menos de habitantes, quando comparada com as grandes cidades europeias, o que faz com que ainda seja possível circular com alguma tranquilidade pelas suas ruas, fora das chamadas horas de ponta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, junho 17, 2019

Estamos Cada Vez Mais Apanhados pelo Clima...


Embora o poder do dinheiro continue a ditar as regras de quase tudo, há várias coisas que não consegue controlar.

A mais poderosa é a natureza, que está cada vez mais rebelde e responde sempre que lhe apetece, de uma forma mexida e barulhenta, tanto no mar, na terra como no ar...

Descobrimos mudanças todos dias, em pequenas coisas, como por exemplo esta normalidade de ser "outono" em todas as outras estações. Sim, agora caem folhas no Inverno, na Primavera e no Verão...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, junho 16, 2019

«Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores»


Os prémios literários raramente são temas de conversa (pelo menos nas conversas que mantenho com as pessoas que escrevem...) E quando se fala dos ditos prémios, é quase sempre para dizer mal de alguém (e tanto pode ser o vencedor como um membro do júri...).

Foi por isso que foi bom escutar o Zé a dizer: «Hoje, mais que os livros, premeiam-se os autores.» E nem teve qualquer problema em falar de si próprio: «Por acaso, o único prémio literário que recebi, foi dado a um dos livros com que menos me identifico.»

Mas quis ir mais longe e acrescentou: «Embora esteja na moda, é uma parvoíce entregar "prémios de carreira" a quem tem menos de 80 anos...»

Quando lhe perguntei por que não recusavam este tipo de prémios ele foi taxativo: «De uma maneira geral as pessoas que escrevem não vivem muito à vontade. Pelo que todo o dinheiro é bem vindo...»

Foi quando o Rui resolveu um ar da sua graça e disse: «Ainda bem que o Herberto era milionário, pôde recusar uma data de prémios, E alguns até eram chorudos.»

Acabámos todos por sorrir, usando várias cores.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 15, 2019

Fim de Semana com Corridas na Lisnave...


Este fim de semana tem mais "corridas" dentro da Lisnave, que as publicitadas, povoadas de carros que já foram "vedetas" dos nossos rallies.

São vários os fotógrafos que aproveitam esta oportunidade para "correrem" atrás  dos cantos dos estaleiros, em busca de vestígios da já "arqueologia industrial" da Margem Sul, que possam dar "bons bonecos"...

Eu também andei à procura de novidades, com a minha pequenina "canon", mas parecia um simples turista curioso, ao lado de todos aqueles artistas, com mais que uma máquinas e uma objectiva a tiracolo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, junho 14, 2019

O Mundo Azul e o Mundo Cor de Rosa


Apesar da existência de alguma pressão televisiva (nos programas de entretenimento e nas novelas), para que se olhe para tudo o que nos rodeia com "normalidade", a vida  (tal como ela é...) nem sempre nos deixa acompanhar o "progresso"...  

Eu sei que às vezes só o descobrimos quando "a boca resolve fugir para a verdade"...

Se os dois homens estrangeiros de meia idade (talvez ingleses, pela forma cuidada como se exprimiam em inglês...), que vestiam roupas de cores vivas, não tivessem caído nas boas graças de um grupo de três mulheres maduras, sempre atentas ao quotidiano, eu não estaria aqui a escrever este fait-diver.  

Elas, meio  brincar meio a sério, foram dizendo que não deixavam os seus homens saírem à rua naqueles "preparos" (achei graça a esta palavra, fez-me lembrar a minha avó, mesmo que tenha sido dita de forma jocosa...), com calças vermelhas, verde alface ou camisas amarelas ou cor de laranja. Acrescentaram mais alguns pormenores pitorescos, ligados aos cabelos e ao penteados (e até às sobrancelhas...).

Ainda bem que continuamos a não falar das mesmas coisas que as mulheres... Umas vezes por distracção, outras por pudor, e outras ainda, pela simples razão de nem sempre coincidirmos nos gostos e nos pensamentos...

Ao escutar as três senhoras, lembrei-me das pessoas modernas, que em nome da "igualdade", querem acabar com os mundos "azul e cor de rosa". 

Mundos que ainda nos continuam a diferenciar (mesmo que tenham o dedo do comércio)  assim que vimos ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, junho 13, 2019

A Fotografia é Muito Mais que uma Simples "Fábrica de Nostalgia"...


Embora tenha gostado de ler a crónica de António Araújo no "Diário de Notícias" (8 de Junho...) sobre fotografia, com o bonito titulo, "Fábrica de Nostalgia", sei que a fotografia, felizmente, é muito mais (ou pelo menos quer ser...) que a fábrica de nostalgia "pintada" pelo António - graças a um livro -, que todos os que gostamos de imagens, conhecemos. Porque a fotografia não nos oferece apenas olhares humanos, também nos oferece lugares...

Digo isto porque no domingo passado estava sentado numa esplanada a beber café com a minha companheira (almadense de gema, ao contrário de mim...) e perguntei-lhe se ela se lembrava de como era aquela praça, antes as obras profundas de beneficiação, já com umas duas décadas.

Eu não tinha uma ideia precisa do local. Lembrei-me que uma das primeiras vezes que passei por ali (ainda não morava em Almada...), a praça estava diferente do "formato" habitual, porque era palco de um dos bailes dos santos populares. E também porque era de noite, o que limita sempre bastante as vistas...

Mas a pouco a pouco fomos recordando pequenas coisas, o piso anterior, as escadas que nos levavam ao jardim... E depois começaram as dúvidas. Antes da construção das galerias comerciais existia apenas um muro e arbustos? O espaço seria todo amplo?

Foi quando disse que não há nada como as fotografias para nos trazerem o passado de volta, para nos ajudarem a "reconstruir" os lugares que conhecemos, tal qual como eles eram, com ou sem nostalgia...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)