segunda-feira, maio 20, 2019

O Jogo das Diferenças entre Portugal e o Brasil


Posso dizer que só conheço o Brasil da televisão, das telenovelas e de algumas reportagens. Sei que a leitura de alguns livros de autores brasileiros e a própria música têm sido uma boa ajuda, pelo menos para descobrir diferenças tão óbvias como a alegria, a leveza, a cor e  até a safadeza. Talvez sejam coisas dos Trópicos. Talvez...

A única pessoa com quem tenho conversado com alguma profundidade, sobre o que nos divide e o que nos une, é o Gui. Nem mesmo nestes tempos "bolsonaros" ele consegue deixar de manter um pé em Salvador da Baía, e de dizer, com o ar mais sério do mundo, que se sente mais baiano que lisboeta.

Gosta de nos chamar de "mortos-vivos", entre outras coisas, bem piores. Não percebe por que razão ninguém faz "tiro ao boneco" aos salgados e berardos deste país. E menos ainda, por que se encontram em liberdade e têm a lata de fazer pouco da justiça e de todos nós. Adorava vê-los vestidos com fatos listrados, a arrastarem aquelas bolas de ferro presas aos pés e a partirem pedra, como se protagonizassem um filme de aventuras poético, em que os maus pagam pelos seus crimes (pois, o cinema é o seu mundo...).

Mas vai ainda mais longe, diz que só somos "heróis" quando andamos em "matilha" ou quando estamos no sofá agarrados às caixas de comentários do que quer que seja, a demonstrar que tipo de pessoa somos e o que pensamos mesmo da vidinha.

Não concordo nada com ele nesta parte. Não é por dois ou três por cento dos portugueses destilarem ódio nas redes sociais, se esconderem no meio de grupo violentos ou pincharem paredes, que se pode generalizar ou colar o "mesmo rótulo". 

Argumento que este retrato pode facilmente ser transposto para outro país europeu, provavelmente até para o Brasil. Mas ele continua a encontrar sempre diferenças e a fingir que não é português...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, maio 19, 2019

«Gosto dela de todas as maneiras»


Nunca tinha ouvido falar do "síndroma da Marilyn", mas depois de pensar um pouco, fiquei com a sensação de que esta designação até fazia algum sentido, mesmo que seja uma daquelas "doenças", mais metida com as metáforas da vida, que com a linguagem médica...

Quem conheceu a Zé com 20 anos diz que ela era das mulheres mais bonitas de Lisboa. Foi modelo e depois actriz. Gostava do que fazia mas irritava-a que fosse escolhida para papeis, sobretudo pela sua beleza. O talento pura e simplesmente era ignorado. Tinha medo que fosse sempre assim...

Durante uns tempos abandonou a televisão e foi fazer teatro. Adorou fazer um papel, que era quase de gata borralheira moderna, sem sonhar que lhe iria mudar a vida toda. Foi a partir daqui que tomou a decisão de deixar de usar maquilhagem e de fazer passagem de modelos. Pelo caminho deixou-se de dietas e começou a engordar uns quilitos.

Em menos de dois anos tornou-se uma outra pessoa. Curiosamente nunca mais a convidaram para qualquer novela televisiva. Foi crescendo nos palcos, ainda que quase ninguém desse por isso...

Depois foi mãe da Diana, engordou mais um pouco. E as amigas da moda quando a viam, faziam quase uma escandaleira e ofereciam-lhe quase sempre a mesma pergunta: "o que foi que te aconteceu?" Ela sorria-lhes e dizia que tinha decidido ser uma mulher livre, distante do mundo das "bonecas lindas de morrer".

Até os homens estranhavam aquela simplicidade e perguntavam ao Rui o que se passava. Ele dizia que não se passava nada. Alguns mais do "reino das bonecas" iam mais longe e até diziam que ele devia obrigá-la a fazer dieta. Ele sorria-lhe e desarmava-os com uma frase que diz tudo: «Não se preocupem, eu gosto dela de todas as maneiras.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, maio 18, 2019

«Imaginar, é outra forma de saber»


Claro que quem não tem o hábito de "imaginar", de saltitar, por exemplo, entre a Lua e o cais do Ginjal, dificilmente percebe o que a Beatriz tentou dizer à Laura.

Sentados quase à frente de pessoas de outras nações, que falavam francês, italiano, espanhol, alemão e inglês, reparámos num grupo animado, que falava com os cotovelos, com as mãos, com os olhos e com o sorriso.

A Laura, curiosa como a Eva (dizem...), queria muito saber que palavras despertavam toda aquela linguagem gestual. A Beatriz sorriu-lhe e preferiu contar o que via, à sua maneira (através da imaginação...). A Laura não achou muita piada. E disse que isso era outra coisa.

A Beatriz não se ficou e explicou-lhe que «imaginar é outra forma de saber.»

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, maio 17, 2019

Gostar de Argentina Sem a Conhecer


Durante o almoço fiquei a saber que a sobrinha de um amigo andava pela "Latina-América", com passagens pelo México e Argentina, em trabalho.

Acabámos por falar dos países que são mais como nós.

Contei-lhes que, quando andei por Itália, senti-me mais em Portugal, que na meia-dúzia de vezes que visitei Espanha, apesar de ficar aqui mesmo ao lado. 

Não sei se isso acontece apenas pela sujidade, pela desarrumação ou pelo desenrascanço, sei que me senti mais próximo dos italianos que dos espanhóis...

E fui ainda mais longe. Disse que o país que me despertava mais interesse em conhecer da "Latina-América", era a Argentina (mais ainda que o Brasil...). 

E o mais curioso, é ter quase a certeza (sem conhecer...) que Buenos Aires não me vai desiludir...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, maio 16, 2019

Cambalhotas & Negócios da China


Estou a escrever ao mesmo tempo que a televisão transmite uma reportagem sobre os prédios da seguradora Fidelidade - comprada pelos chineses -, e os seus inquilinos, convidados a sair das suas casas de décadas...

Sei que não vale a pena ouvir a líder do CDS, Assunção Cristas, sobre estes problemas sociais, que têm afectado milhares de pessoas em Lisboa e no Porto. Apesar de ter sido graças a ela que se alterou a "lei das rendas", sei que não tinha qualquer problema em dar mais uma "cambalhota" e dizer que "a culpa é do Costa"...

A Cristas é um dos nossos melhores exemplos de políticos sem memória e sem carácter. É por isso que é capaz de discursar na Assembleia da República e nas Ruas como se fosse uma representante de um partido de esquerda e defendesse o povo...

Infelizmente é graças a estes "defensores do povo", que somos um dos países mais desiguais e injustos da Europa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 15, 2019

Chegar (ou não) Tarde aos Sítios...


Há pouco, ao escutar algumas palavras pela rádio, pensei numa outra coisa, com um sentido completamente diferente, muito mais abrangente que um simples dia, ou apenas 24 horas das nossas vidas...

Olhei para trás e senti que por ter chegado mais tarde a alguns lugares, esse "tempo" (perdido ou não...), acabou por condicionar quase tudo.

Foi o que se passou com o jornalismo, onde já cheguei  com 28 anos (embora já escrevesse diariamente, para mim...). 

Por sentir que não estava num "porto seguro", fui fazendo sempre outras coisas. E não estou nada arrependido das minhas decisões, de ter seguido outros caminhos. Posso ter ganho menos dinheiro, mas fui sempre mais livre...

O afastamento de alguns amigos das redacções fez-me perceber que se envelhece cedo demais na profissão. E que a experiência e o saber, em vez de serem utilizados como uma mais valia junto dos mais novos, acabam por ser encarados quase como uma ameaça, para quem chega a chefe de redacção ou a director.

Pior mesmo só este tempo de indecisões e de virtualidades, que se tem arrastado nos últimos anos e vai "matando" lentamente os jornais de papel... Quem esteja atento sabe que hoje as pessoas entram nas tabacarias, sobretudo à procura da sorte. Sorte que tanto se pode esconder dentro das raspadinhas como nas máquinas que registam os jogos. Os jornais e as revistas servem quase só como decoração, quem sai e entra, olha para as capas apenas de relance. Só pára quando é surpreendido (coisa rara nos nossos dias...).

Embora ouça menos rádio do que devia, gostei de sentir que a "telefonia" além de nos fazer sorrir e cantar, também nos faz pensar (e escrever...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, maio 14, 2019

Quando os "Passarões" da Rua da Cristina Foram Parar à "Gaiola"...


A história era simples, o Rui, o Jorge e o Zeca, os falsos "heróis" da Rua da Cristina tinham sido apanhados, em flagrante, por um casal de polícias que usara o disfarce de turistas, dos apetecíveis, com boas máquinas fotográficas, computadores e notas de euros com três algarismos, para os levar à certa.

"Pinóquio", o maior contador de histórias das redondezas, esqueceu por momentos as suas patranhas e resolveu usar os seus exemplos para aconselhar a rapaziada mais nova, a não tentar "voar alto demais".

Quem não conhecesse a história de vida das três "aves de arribação" - como era o meu caso -, que tinham sido engaioladas, por andarem demasiado descontraídos pelas ruas, esquecidos que nas profissões de risco  "a distracção é quase sempre a morte do artista"... não conseguia deixar de sorrir pela arte do "Pinóquio", que à medida que ia falando, ia arranjando um lugar no "cinema", para aqueles três rapazolas que adoravam dar nas vistas, quase sempre pelos piores motivos.

Nunca os tratou pelo nome próprio, mas sim pelos "nomes de guerra", que curiosamente também foram uma invenção sua. 

Só alguém com a sua imaginação era capaz de baptizar o Jorge de "Canário", que além de falar pelos três, adorava dar música aos "camones", aliás, às "camones". O Rui ficou o "Corvo", por ser o mais misterioso e também o mestre dos silêncios. E o Zeca só podia ser o "Melro", o finório e espertalhaço do trio, sempre cheio de ideias mirabolantes, roubadas das séries e dos filmes.

O mais curioso, foi perceber que a rapaziada jovem tinha percebido a lição do "Pinóquio", sem perder o sorriso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, maio 13, 2019

Sei que Não há Desculpa Possível


Hoje ao almoço com alguns amigos percebi que não é nada de anormal, desculparmos as gentes que governam Angola há várias décadas,  com os malefícios do poder. Só que uma coisa não tem nada a ver com outra.

Eles poderiam ter usado o poder (e o dinheiro...) para tornar a sociedade angolana mais justa, até por pertencerem a um partido que em tempos que já lá vão, foi marxista (muitos deles até estudaram na antiga União Soviética...), e não apenas em benefício próprio.

Os nossos governantes também fingiram que não se passava nada em Angola, porque importante, importante, era que algum do dinheiro angolano fosse esbanjado no nosso país. E tanto podia ser em imobiliário como em bugigangas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, maio 12, 2019

«A colecção de arte não volta para as suas mãos»


Um amigo, mais entendido que eu em leis, assegurava-me há alguns meses, que a Colecção Berardo, que está no Museu com o mesmo nome, no CCB, já não saía das mãos do Estado. Falou-me inclusive da tentativa frustrada dos representantes do "dono" de levarem para fora algumas das sua obras mais valiosas, para serem leiloadas.

Depois do espectáculo protagonizado pelo "comendador" na Assembleia da República (onde até tem por lá uma sobrinha...), não sei se será assim...

Joe Berardo, bem acompanhado por um "advogado-ponto", disse  apenas o que quis, sem perder a oportunidade de se rir na cara dos deputados da comissão que o recebeu, sempre que lhe foi possível.

Claro que nada disto é novidade, já passaram pelo Parlamento, vários "berardos", que se limitaram a brincar com coisas sérias, sem que os deputados corem de vergonha ou façam alguma coisa, para alterar este estado de coisas.

(Fotografia de Luís Eme - Alcântara - 45 anos depois de Abril, ainda não conseguimos resolver este problema, continuamos a ser nós, os pobres, a pagar a "crise"...)

sábado, maio 11, 2019

«Eles levam é jeito para o teatro»


Dois rapazes sentados no interior da cacilheiro, acompanhados por uma senhora, que devia ser a avó, estavam longe de imaginar que eu iria escrever utilizando-os quase como "espelhos". Tudo porque uma outra senhora, sentada à sua frente, para combater o silêncio, disse que eles eram muito sossegados... 

A avó sorriu e abanou a cabeça, a dizer que não. Acrescentando de seguida, sem perder o ar alegre: «São o cão e o gato lá de casa. Eles levam é jeito para o teatro.»

Olhei-os e sorri. Eles desviaram a cara para a janela e para o rio e disseram alguma coisa um ao outro, como se aquele diálogo não tivesse nada que ver com eles.

E de repente, ali estava eu e o meu irmão. O "cão e o gato" das redondezas (passávamos o tempo a correr um atrás do outro...), mas sempre com grande compostura, quando estávamos num ambiente estranho. O que fazia com que as pessoas também dissessem que éramos muito sossegados. A mãe sorria, mas muitas vezes não respondia e fingia que sim... até por que gostava da nossa postura, de nunca a envergonharmos em público.

Pois é, nesse tempo, também devíamos "levar jeito para o teatro"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

sexta-feira, maio 10, 2019

Escreve-se Porque Sim e Também Porque Não...


Herberto Helder cruzou-se hoje comigo, em dois textos e uma conversa. A única ligação entre estes três acontecimentos foi a sua vocação de recusa, a sua caminhada livre e solitária, para bem longe das capelinhas e dos "capelistas"...

Ou seja, ele foi o que mais ninguém consegue (e quer) ser...

Pelo meio ainda assisti, em silêncio, a uma discussão quase parva, entre dois meninos que dizem ser poetas, dos bons. O com menos cabelo disse que logo que publicassem 10 linhas sobre um livro do outro, no "Jornal de Letras" ou na revista "Ler", ele em vez de destilar ódio e inveja pela "dúzia" de escritores que eram cortejados, mesmo quando os seus livros eram péssimos (a palavra dita cheirava pior...), passava a lamber os "cus" (já tinha reparado que as "botas" tinham sido substituídas nesta velha expressão...) dos críticos.

Quando vinha para casa, voltei a pensar em Herberto e questionei-me por que razão escrevo. Até que me lembrei, que era por que gostava (e também por que precisava, poupando-me dinheiro em qualquer médico de "maluquinhos"...). ponto final.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 09, 2019

A Ficção Dentro dos Sonhos...


Normalmente os meus sonhos não têm grande nexo, nem são muito fáceis de "colar" à realidade.

Curiosamente esta última noite aconteceu-me uma coisa inédita. Sonhei uma ficção, com uma nitidez que até me forçou a acordar, para a deixar registada em papel (não a queria perder por nada...).

Vou contar: vejo-me a entrar no portão da velha casa dos meus avós maternos e depois continuei a andar, pela casa dentro. Sou surpreendido por um homem, a quem me desculpo pela "invasão", dizendo que aquela era a casa dos meus avós... Foi quando resolvi acabar com o sonho.

O curioso é tratar-se de uma impossibilidade, pois a casa nunca foi habitada por ninguém, depois de a avó ter ido viver para a casa de um dos meus tios... E posteriormente foi destruída pelos novos proprietários (centro paroquial...) e hoje é um campo aberto.

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos - a última vez que entrei na casa dos meus avós, em 2010. Já não nos pertencia e estava em ruínas. Mesmo assim acabei por entrar  para tirar as suas últimas fotografias...)

quarta-feira, maio 08, 2019

O Fascínio do Futebol Reside Sobretudo na sua Imprevisibilidade


Não queria voltar a falar de futebol, mas quando uma equipa perde por três a zero, com aquela que é considerada a melhor do Mundo (por ter Messi...), e depois em casa, consegue vencer por quatro a zero (sem aquelas coisas estranhas do nosso campeonato...), tenho de fazer uma grande vénia aos seus jogadores e ao seu técnico. 

Para quem não liga a estas coisas do futebol, estou a falar do jogo de ontem das meias-finais da Liga dos Campeões, entre o Liverpool e o Barcelona.

Já hoje escrevi num comentário que o futebol continua a viver mais da improvisação e da inspiração do momento, que das tácticas do quadrado ou do triângulo. E não se pode, nem deve, falar de "lógica", por que isso conta muito pouco. Contam sim os golos que entram dentro das balizas e são validados.

É preciso ter a frieza do mestre Pedroto, que dizia, muito bem, que uma bola atirada ao poste ou à trave, se não entrar na baliza, é um golo falhado...

Eu por exemplo, num dos raros textos que escrevi sobre futebol aqui no "Largo", disse que não compreendia as apostas do Moreirense e do Santa Clara, em dois técnicos (Ivo Vieira e João Henriques...), porque ambos tinham descido as suas equipas na época passada. 

Moral da história: O Ivo e o João foram os treinadores mais em evidência durante a Liga portuguesa nesta época (se excluir Bruno Lage, claro...), com grandes jogos e excelentes classificações das suas equipas.

O pior de tudo, é quando quem nem sequer dá "chutos na bola", quer ser a figura do jogo, acabando por ter uma influência directa no seu resultado final (os famosos "roubos de igreja", que o mestre Pedroto, também gostava de denunciar...). 

E lá se vai a beleza e a imprevisibilidade, daquele que continua a ser o desporto que desperta mais paixões pelo mundo inteiro...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 07, 2019

Este Tempo dos "Campos Inclinados"...


Já o disse aqui, mais que uma vez, que uma das razões que me leva a evitar falar de futebol, é conhecer o seu lado menor, por já ter feito jornalismo desportivo. Sei bem demais que o chamado "desporto-rei", além de ser muito mal frequentado, é de tal forma apaixonante, que retira a lucidez a muito boa gente quando fala dos clubes que gostam.

Mas não posso, de maneira alguma, deixar de registar o que se passou ontem no Estádio do Bonfim, durante o jogo entre o Vitória de Setúbal e o Boavista. É muito triste vermos um árbitro a querer ser a "figura do jogo", pelos piores motivos. Tentou "inclinar" o relvado, utilizando uma dualidade de critérios tal, que mexeu com as emoções dos jogadores da casa, ao ponto de a equipa do Vitória ter acabado o jogo com apenas oito jogadores em campo... 

No final de campeonato olha-se sempre para cima, discutem-se os jogos do Benfica, do Porto e do Sporting e esquece-se o que se passa cá por baixo, em que há sempre uma ou outra equipa, que começa a ser "empurrada" para a Segunda Liga. Felizmente há muitas que conseguem resistir e ser mais fortes que as "decisões mentirosas dos árbitros". Espero que seja esse o caso do Vitória de Setúbal, no final da época.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, maio 06, 2019

Os Livros Mudam, Tal como Nós...


Resolvi reler o "1984" de George Orwell, devido a um trabalho colectivo em que estou a participar. 

Já o tinha lido há quase trinta anos, mas nós quando temos 20 anos não temos o mesmo olhar, nem a mesma linha de pensamento, de quando temos 50... Isso explica que não me lembre da sua leitura me ter despertado tantas questões (especialmente sobre o autor e a época em que foi escrito...), como agora. 

Nessa época devo-o ter lido como uma obra de ficção científica e não me preocupei muito com as questões ideológicas que lança (apesar do mundo não ter evoluído tanto - e ainda bem - para o tal tempo quase de sombras e fotocópias humanas...).

Nem sabia que tinha sido escrito pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e publicado em 1949 (algo que nem me deve ter preocupado nos anos 1990...). Sabia apenas que Orwell era um escritor estranho, ou que, pelo menos tinha escrito dois livros distantes da normalidade (o nosso "Triunfo dos Porcos" também tem muito que se lhe diga...).

Não é difícil concluir que o autor conheceu de perto algumas das práticas dos partidos totalitários (além do nazismo que fora derrotado pouco antes de começar a escrever "1984", Orwell também  foi militante comunista, tendo abandonado a ideologia socialista, assim que teve conhecimento das atrocidades e da falta de liberdade dos países comunistas...).

Aliás, percebe-se que esta obra crítica sobretudo o ideário comunista, inspirando-se num centralismo de estado levado ao exagero, com a presença de uma grande opressão física e mental (não nos permitir pensar pela nossa cabeça nem ter qualquer relacionamento amoroso, tem muito que se lhe diga, mesmo muito...).

Sei que a popularidade do "big brother" televisivo fez com que algumas pessoas lessem este livro. Mas devem ter-se sentido enganados, pois além da proliferação das "teletelas" por todo o lado, não existe mais nada em comum...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, maio 05, 2019

"Por Teu Livre Pensamento"


Hoje não visitei o Oeste apenas por ser "Dia da Mãe".


Antes de almoçar com a minha Mãe e com o meu Irmão, nas Caldas, passei por Peniche, onde visitei o agora Museu Nacional da Resistência e Liberdade. 

Museu que combina muito melhor com o velho Forte de Peniche, que uma qualquer Pousada de luxo... 

E de alguma forma também homenageei o meu avô paterno,  neste visita, pois ele é um dos 2510 prisioneiros que são evocados no paredão metálico, com a gravação dos seus nomes...

(Fotografias de Luís Eme - Peniche)

sábado, maio 04, 2019

«Não faço ideia... Mas ele é feliz a falar...»


Há pessoas que têm essa capacidade espantosa de conseguirem falar minutos, e até horas, sem dizerem nada. Claro que espalham palavras, mas estas são tão vazias (apesar de terem enfeites e de serem aparentemente cerimoniosas...)  que não se agarram a coisa nenhuma, dentro e fora de nós.

Comunicar é uma coisa especial, e não é mesmo para todos, por muito que se goste de "botar palavra"...

Quando o Carlos me perguntou se o António saberia que falava, falava, sem dizer nada, abanei os ombros com um sorriso, pela franqueza deste amigo. Depois disse-lhe: «Não faço ideia...» acrescentando ainda de sorriso, "mas ele é feliz a falar...»

Acho que a capacidade de falar, também está ligada à capacidade de olhar e de sentir a realidade, de tentar compreender o mundo, sem o fechar com definições...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, maio 03, 2019

O Velho Hábito de Partir o Mundo em Dois...


Os dramas humanos que estão ligados à crise política da Venezuela, talvez merecessem uma outra leitura da minha parte.

Mas não consigo passar ao lado do velho hábito da comunicação social de partir o mundo em dois, preparando o "palco" para a peça do costume (quase mais gasta que os dramas de Shakespeare...), "o fantasma da guerra fria". 

Só não sei o que é que a China pensa disso. Mas talvez até ache alguma graça...

Sei que o elogio da estupidez faz parte do quotidiano norte-americano, há bastante tempo. É a explicação possível para as palavras do político dos EUA, que tentou separar o mundo de forma geográfica, ao mesmo tempo que enviava um recado aos russos, dizendo que eles não têm nada que se meter nas "alhadas das américas"... 

Pois, parece que só os norte-americanos é que têm "livre trânsito" para andarem pelo mundo inteiro, disfarçados de "soldados da paz"...

No meio de tanta ambiguidade e de tanta ficção, partilho do ponto de vista do governo espanhol. Não estou do lado de Maduro nem de Guaidó, estou do lado da realização de eleições livres, sem qualquer tipo de condicionalismo.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, maio 02, 2019

Conversas, Queixas e Coisas Loucas...


Nos últimos tempos ouço muitas queixas sobre os outros, essa imensidão de gente.

Reparo que fico mais vezes calado, também com pouca vontade de ouvir. Sei que me falta aprender a levantar das cadeiras ou bancos, atrás de qualquer coisa imaginária, deixando os outros de boca ou de olhos abertos à espantalho...

Falando mais a sério, acho que não mudámos assim tanto. O que mudou foi o "mundo à nossa volta".

Sim, faz-me confusão escutar algumas pessoas que têm o facebook, a dizerem mal desta rede social. É quase como as pessoas que gostam tanto de espreitar pelo buraco da fechadura, como de criticar o que vêem...

Sabia que podia ser possível chamar "puta" a uma mulher dentro de oitenta comentários, utilizando oitenta palavras diferentes. Mas não acreditei. A imaginação é outra coisa... Mais parecida com querer ter asas e voar.

Mas não deixa de ser triste, que a cobardia comece a ser mais celebrada que a coragem, da mesma forma que a mentira tente deixar de ter pernas curtas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, maio 01, 2019

O Atropelo ao Dia dos Trabalhadores


Embora comece a caminhar para a normalidade este apelo ao consumismo, com descontos incríveis no Dia do Trabalhador ("atropelo" que começou com o "rei dos merceeiros", embora depois acabassem por ir todos atrás...), continua a ser extremamente ofensivo, especialmente para todos aqueles que são forçados a trabalhar neste dia Primeiro de Maio.

Claro que isto só é possível num país onde a maior parte das pessoas continuam a viver com dificuldades (cada vez maiores, porque tudo aumenta à nossa volta, menos os ordenados...) e que acabam por ser quase "empurradas" a aproveitar todas as oportunidades que têm, para poupar uns cêntimos.

Ainda ontem estive à conversa com três amigos que viveram intensamente a Revolução de Abril, que não tiveram qualquer pejo em dizer-me que a liberdade de expressão, é quase a única coisa que resta do 25 de Abril. E se olharmos para a nossa realidade, é mesmo assim, e é muito pouco, 45 anos depois... 

Além de sermos um dos países mais desiguais da Europa e da a justiça continua a ter dois pesos e duas medidas, a maior parte dos "patrões" que gostam de falar dos trabalhadores com desprezo (desses que até são capazes de dizer que há trabalhadores que nem merecem o ordenado mínimo...), continuam a viver à sombra do Estado.

O seu tão publicitado empreendedorismo, na maior parte dos casos, não passa de mais uma falácia (os grandes negócios que fazem são através do Estado).

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

terça-feira, abril 30, 2019

A Grande Conquista de Abril em Almada


É provável que me esteja a repetir, no tema que escolhi para fechar Abril aqui no Largo.

Nada que que preocupe, porque o Parque da Paz de Almada (a grande - e agradável - área verde, mesmo rente à cidade...) foi uma das obras de que a antiga presidente do Município de Almada, Maria Emília de Sousa, mais se orgulhou durante os seus mandatos (e tem motivos para isso...).


Tive o privilégio de o ver nascer e crescer, usufruindo com grande satisfação da sua beleza natural ao longo dos anos. 

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, abril 29, 2019

Quando as Nuvens Querem ser Outra Coisa...


Agora que estamos com o Verão a piscar o olho a Maio, mas ainda não esquecemos, de todo, as nuvens, reparo muitas vezes (é, sou daqueles que ando muitas vezes pelas nuvens...), que elas tentam ser outra coisa, através das formas que conseguem transportar para dentro da nossa imaginação...

E há ainda outra coisa, a realidade nem sempre se deixar transportar para dentro das fotografias. 

Antes de "roubar" esta imagem ao céu, fiquei com a sensação de que estava na presença de alguém... Afinal, era mentira. São mesmo, apenas nuvens...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)

domingo, abril 28, 2019

Os Domingos Também se Libertaram...


Há quem queira trazer novamente para a discussão pública, a abertura, ou não, das grandes superfícies comerciais aos domingos.

Embora eu pertença ao grupo de pessoas que fogem a sete pés dos centros comerciais aos fins de semana (o que me provoca alguns dissabores cá por casa...), sei que há quem os continue a olhar como "templos modernos" e não perca um almoço domingueiro de comida rápida, seguido de um passeio pelas montras, com entradas e saídas pelas lojas mais movimentadas (sim, a agitação, continua a ser o "segredo da coisa"...).

Por isso digo, que são gostos, que podem ser discutidos, mas não proibidos.

E vou mais longe, que cada um de nós faça do domingo, o que mais lhe apetece (sim, também podem ficar fechados em casa, sem tirarem o pijama...). Até podem ir à missa e ao futebol - essas coisas do século passado -, e matar saudades dos "templos antigos"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, abril 26, 2019

Dia 26 Continua Abril em Almada...


As escolas do Concelho nos últimos anos têm comemorado o 25 de Abril com arte e engenho, através de uma exposição artística colectiva, patente na Oficina de Cultura de Almada.


Eu passei por lá hoje, e como de costume, gostei do que vi...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, abril 25, 2019

O Dia que Começa a Ser Apenas uma Boa Memória...


Tudo arrefece, até as comemorações dos dias bonitos e felizes, como foi o memorável 25 de Abril, magnificamente caracterizado pela nossa poeta maior, Sophia de Mello Breyner Andresen.

Claro que me faz confusão que este dia ainda não seja de todos (claro que não estou a falar da gente que fugiu para Espanha e para o Brasil...), que 45 anos depois ainda existam manobras divisionistas, quase sempre partidárias. Algo que se nota mais do que devia, um desses exemplos é Almada.

Apesar destas pequenas coisas continua a saber bem dizer, em conjunto, com gritos ou não, "25 de Abril Sempre!", ou desejar feliz dia da Liberdade, como desejei à minutos aos meus cunhados...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, abril 23, 2019

Fernando Ricardo José Pessoa Reis Saramago


Finalmente li, do princípio ao fim, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago.

Ao chegar à última página, pergunto a mim próprio, porque razão interrompi duas vezes (praticamente no início...) a sua leitura...

Não é um livro com uma história empolgante, mas faz uma ligação extraordinária entre Fernando Pessoa, Lisboa e um dos seus heterónimos. E claro sobre o que se foi passando no mundo nesse ano de 1936 (como a Guerra Civil de Espanha e toda a sua envolvência, interna e externa) e também no nosso "burgo", com várias referências a acontecimentos e figuras, num tempo que corria de feição a Salazar. como foi o caso a Revolta dos Marinheiros em Setembro nas águas do Tejo (com várias referências a Almada...).

Gostei da Lídia, a criada do hotel, amante e mãe do futuro filho de Ricardo Reis, personagem pouco instruída, mas com nada de burra, como aconteceu com tantas pessoas que Saramago deve ter conhecido pela vida fora, não fosse ele de origens humildes (penso que surge no livro em sua homenagem...).

Percebo muito bem todos aqueles que acham "O Ano da Morte de Ricardo Reis", um dos grandes livros que leram. Especialmente os amantes de Fernando Pessoa, que está presente da primeira à última página (e não apenas quando faz as suas "aparições")...

Achei que a melhor maneira de festejar o Dia Mundial do Livro, foi fazer a referência a este livro especial, que tem dentro de si Lisboa, Fernando Pessoa, e sobretudo José Saramago, o nosso único Nobel da Literatura.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 22, 2019

Uma Páscoa Curta...


Desta vez os dias passados na Beira souberam mesmo a pouco...

Como de costume andamos por aqui e ali.

Coisa quase rara foi encontrar o ponto mais alto de Portugal Continental com Sol (e ainda com gelo...).

(Fotografia de Luís Eme - Serra da Estrela)