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segunda-feira, julho 08, 2019

Tudo tem um Princípio...


«A ideia de que somos pessoas boas está completamente errada. Este é o melhor exemplo.» 

Foi desta forma que o Rui reagiu à má educação de uma criança, que além de gritar, ainda começou a mexer nos objectos pessoais que algumas pessoas tinham na mesa ao lado, com a complacência dos pais e a irritação do avô.

Como os pais pareciam assistir ao "filme" de camarote, o senhor de mais idade, levantou-se, pegou na mão da criança com pouca meiguice e foi dar uma volta pelas redondezas, para alívio das pessoas que estavam na esplanada, que começaram a sentir os gritos, quase como música de fundo, cada vez mais longínqua.

A Teresa disse que não se tratava de uma questão de bondade ou maldade, mas sim de educação.

«Educação?» Insistiu o Rui. «Devias ter uma bisca destas lá em casa, sempre queria ver o que lhe fazias. Não me digas que o enchias de porrada?»

«Não. Não o enchia de porrada, mas também não lhe fazia as vontades nem sorria com os espectáculos que ele deve dar em todo o lado, como os paizinhos.»

Claro que a Teresa tinha toda a razão, o que estava ali em causa era sobretudo um problema de educação, de exemplos, que poderiam começar no hábito de se respeitar o outro (falo de respeito e não de "respeitinho"), que começa a entrar em desuso...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, julho 06, 2019

Desabafos & Ingenuidades (a vida como ela é...)


A maior parte das pessoas que trabalham, a partir dos quarenta começam a estar fartas do seu "circuito diário" (casa, trabalho, trabalho casa...), por que a vida nunca facilita. Aliás, com o passar dos anos, ainda tem o condão de nos ir dificultando, cada vez mais as coisas...

Os filhos, que muita boa gente já "desistiu de ter" (preferem o cão ou o gato...), embora acabem por ser a principal razão da nossa existência, nunca deixam de ser um "mar de preocupações". Dos seus tempos de "cristal" (meninice...) à idade adulta, onde quase que se tornam quase de "aço" (mesmo que este só exista nas suas cabeças e seja maleável...), passamos por um pouco de tudo (sem falar de casos dramáticos...). 

Embora saiba que é capaz de ser quase igual em todo o lado, no nosso país os problemas estão longe de terminar quando eles acabam o curso superior. Normalmente tem duas soluções: aproveitar qualquer emprego que surja, mesmo que não tenha nada que ver com a sua formação (até podem aproveitar a vaga como caixa do supermercado da esquina...) e seja precário, ou emigrar.

Há já algum tempo que não trazia para aqui as conversas, que tenho com a Rita (mais raras, estupidamente, porque se deixarmos, a vida também nos vai afastando dos amigos...). 

Não temos cão nem gato, mas temos filhos com a mesma idade (diferença de meses...), na tal fase complicada, quase entre o fim da universidade e a entrada no mundo do trabalho. 

Não somos diferentes dos outros, dizemos muitas coisas parvas, como o cidadão comum (os maus exemplos diários quase que nos obrigam a esses desabafos...), até falamos da nossa "burrice", de não os empurrarmos para uma das juventude dos partidos do "centrão". 

Mas são só desabafos, queremos muito que eles sejam criaturas livres e com capacidade para pensar pela sua própria cabeça, e mais importante, sem passarem o resto da vida com as "mãos sujas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

terça-feira, julho 02, 2019

A Natureza Humana, entre Surpresas e Mistérios...


A natureza humana, continua a ser uma caixa de surpresas, povoada de mistérios que não são para se perceber, mas sim para se irem percebendo, mesmo que muitas vezes não se vá muito longe... 

Mistérios que se adensam, quando olhamos, por exemplo, para dois irmãos que são completamente diferentes, apesar de terem sido educados da mesma maneira...

Só não estava à espera que me oferecessem um exemplo tão extremo sobre as diferenças entre irmãos.

Embora crescessem no mesmo ambiente de violência doméstica, seguiram caminhos diferentes, pela vida fora. Um deles, nunca tocou com um dedo sequer na mulher, tomou as dores da mãe para si e soube sempre o que não queria fazer. O outro parece que preferiu a força do pai e transformou-se num monstro como o progenitor, além de bater na mulher, "sempre que ela estava a pedi-las" (a expressão é dele...) ameaçou-a uma vez, durante um jantar em família, que a matava, se alguma vez sonhasse que ela o traía...

O mais curioso, é que quem me contou isto foi o filho do "manso que saiu à mãe" (é assim que alguns tios falam dele, nas suas costas...). falou-me do orgulho que sente por ter um pai que aprendeu com as lágrimas e as marcas do corpo da mãe, que só os cobardes é que batem nas mulheres.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 15, 2019

Um Café com um Livro de Poesia (Fechado) em Cima da Mesa e a Conversa Boa com um Amigo Professor...


Hoje antes do almoço encontrei casualmente um amigo professor, que me tinha enviado na véspera um e-mail para bebermos um café e conversarmos, ao mesmo tempo que me oferecia o seu último livro de poemas.

Não tinha lido o e-mail, porque ainda continuo a fazer esta leitura apenas no computador (o meu telemóvel continua a ser apenas telefone...) e não passei pela caixa de correio electrónica na noite anterior, muito menos de manhã, porque saí cedo de casa.

Como ele ia dar uma aula na escola que fica a algumas centenas de metros da minha casa, houve a possibilidade de bebermos o tal café e conversarmos um pouco sobre o mundo que nos cerca (e quase nada do livro que me ofereceu...). Convidou-me para assistir à aula. Declinei o convite, mas fiz-lhe companhia quase até à sala de aulas. Pelo caminho cruzámo-nos com uma professora de biologia que andava com os seus alunos a "catalogar" as árvores existentes no interior da escola (colocando placas de madeira com os seus nomes e origem...), com um entusiasmo digno de se ver. Curiosamente ela também escrevia poesia.

Quando me vinha embora, voltei a ver a professora e os miúdos de quinze e dezasseis anos, alegres e entusiasmados com a tarefa, junto às áreas verdes da escola. A minha primeira observação interior foi, "é cada vez mais difícil encontrar uma professora assim..."

Mas depois voltei à realidade, a estes tempos avessos ao voluntarismo, por mil e uma razões, não fosse a profissão de professor uma das mais exigentes (e incompreendidas) da actualidade. 

Além do desgaste emocional, cada vez maior, das estranhas exigências burocráticas de que são vitimas, também foram perderam a aura de respeito que existiu noutros tempos na própria sociedade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, novembro 08, 2018

"Arte e Criatividade" em Almada


Uma das exposições que gosto sempre de ver na Oficina de Cultura de Almada é a do concurso "Arte e Criatividade", que nos mostra a arte e a sensibilidade das pessoas com deficiência do Concelho.

Gostei de tudo, mas achei "O Quintal da Alegria" (fotografia), um trabalho colectivo da Associação Alma Sã, especial...

(Fotografia de Luís Eme) 

quarta-feira, maio 02, 2018

A Vida é Cheia de Contrastes...


Era impossível não ouvir a conversa entre o meu filho e um amigo, desagradados com uma situação, que, curiosamente, também vivi na secundária. 

Um dos colegas da universidade nem sequer se dá ao trabalho de fingir que é pobrezinho. Embora receba bolsa de estudo, veste roupa de marca e exibe um portátil de mil e tal euros...

Mantive-me em silêncio mas recordei o filho de um empresário que era transportado de jipe diariamente para o liceu, que também recebia dinheiro da escola, como se fosse pobrezinho.

Apesar de terem já passado quarenta anos, parece que  pouco mudou. Pelos vistos continuam a existir por aí muitos empresários a fingir que recebem o ordenado mínimo... e a explorar o Estado, sempre que lhes é possível...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 18, 2017

O Calendário Solidário dos Estudantes da Universidade do Minho...

Entre nós está a tornar-se moda a utilização fotografias de corpos sem roupa em calendários, que se dizem solidários.

Por exemplo o da Associação de Estudantes da Universidade do Minho, que reverte para os alunos com mais dificuldades financeiras, já vai na quarta edição e tem sido um sucesso, muito pela qualidade dos modelos e pelo talento do fotógrafo Nuno Gonçalves.

(na fotografia podemos apreciar a equipa de andebol do Clube Universitário do Porto, com várias atletas internacionais da modalidade, num belo conjunto)

terça-feira, outubro 10, 2017

«E as conversas das mulheres? Eram iguais às cantigas do Quim Barreiros, mas em pior. Muito me ri.»

Não sei se é verdade, mas parece-me que as raparigas falam muito mais que os rapazes.

Claro que a minha "estatística" é falível, resume-se ao facto de passar todos os dias em frente a uma escola secundária e alguns passeios a caminho da minha casa serem aproveitado como recreio e espaços de evasão (e para fumar umas "brocas"...). Pode ser um problema de ouvidos, mas quase que só ouço vozes femininas a falar, para aqui e para ali.

Mesmo quando ouço um "foda-se" ou um "caralho" é quase sempre dito por uma miúda, que finjo ser parecido com um "bom dia" ou "boa tarde". 

Foi ainda neste registo, que acabei a escutar uma moçoila, divertida, a contar as suas aventuras da apanha da fruta no Oeste, na paragem do metro.

Quase que também me ria, quando ela se saiu com esta: «E as conversas das mulheres? Eram iguais às cantigas do Quim Barreiros, mas em pior. Muito me ri.»

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, agosto 08, 2017

O "Coro das Velhas" está Cheio de Novas...


Sei que não é apenas portuguesa a mania de dizer mal dos outros nas suas costas - estou cada vez mais convencido que é universal... -, da mesma forma que penso que faz parte da imperfeição humana e também da  forma cobarde e hipócrita como as sociedades urbanas são "educadas" e condicionadas, desde a escola ao mundo do trabalho.

Nem é preciso colocarem avisos nos locais de trabalho, todos nós sabem que os empregos são oferecidos prioritariamente a "carneiros" e "cordeirinhos", que além de saberem falar inglês, francês, também têm de fingir saber "tocar piano" ou "violino"...

(Onde é que eu já vou...)

Sim, começo a escrever e a afastar-me do eco do "coro das velhas" (que agora recebe gente de todas as idades e sexos...), que cortava na casaca de um casal, por este ter a dignidade de sair de casa bem vestido, com o desplante de olharem o mundo, olhos nos olhos.

Ouvia aquela má língua e arrepiava-me. Mas também não fui capaz de dizer nada. A minha única forma de protesto foi o arrastar da cadeira, enquanto virava costas ao "coro das velhas". 

Quando se tem dois filhos, um a sair e outro a entrar na adolescência, e se percebe que a entrada dos jovens na toxicodependência, é completamente aleatória, (basta estar no lado errado à hora errada...), é mais fácil ser solidário com quem sobrevive todos os dias, enfrentando este problema com a discrição possível, que atirar facas nas suas costas...

(Óleo de Norman Rockwell)

sábado, janeiro 28, 2017

Normalmente são os Extremos que se Colam na Nossa Memória...


Podia empurrar o título deste texto para as relações amorosas (sim, são os amores que consideramos grandes, muitas vezes obsessivos, que andam aos pulos dentro da nossa cabecinha...). Mas ele foi colocado com o meu pensamento num outro cenário: na escola.

Sim, na escola, nos professores (poucos...) que recordamos ao longo do nosso percurso estudantil. Eu só recordo os bons (felizmente mais...) e os maus professores que tive. Os outros soam a indiferença...

Ainda há poucos dias recordava o meu primeiro professor de educação física no ciclo preparatório (grande João Berjano...), pela sua enorme capacidade pedagógica. Em 1974 as escolas tinham todas poucas instalações para a prática desportiva (se pensarmos na quantidade de turmas existentes...), quando chovia ficávamos no balneário a escutá-lo, ao mesmo tempo que ele procurava saber coisas de nós, com bonomia. Até era capaz de nos oferecer uma anedota, para nos ver sorrir...

Podia falar também da minha professora primária (açoriana e com um nome invulgar que não consigo recordar...), que terá sido a primeira pessoa a elogiar a minha escrita nas redacções e a incentivar-me a escrever, escrever...

Dos maus, não vou escrever uma linha. Por isso mesmo, por serem maus. Por terem aprendido pouco na escola da vida e na outra...

Mas são estes mesmos, tão diferentes, que se colam na nossa memória...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 24, 2016

Uma Exposição Admirável das Escolas

Tem estado patente da Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, uma exposição feita pelos alunos e professores das escolas do concelho de Almada (acho que foi mais das Bibliotecas das escolas, embora não tenha a certeza...), com muita qualidade artística e até informativa.


A minha filha fez parte do Clube de Leitura da sua escola e também participou no projecto "Quantos Queres?", em que a paz, a guerra e os livros foram o tema dominante.

Apesar das dificuldades cada vez maiores em se ser professor no nosso país, noto que que a relação entre as escolas, instituições e população tem melhorado bastante nos últimos anos em Almada.

(Fotografias de Luís Eme)

segunda-feira, maio 23, 2016

A História da Educação e dos "Empresários de Sucesso" no Nosso País


A história dos "contratos de associação" feitos entre o Estado e os colégios privados, acaba por ser idêntica a tantas outras que se viveram nos últimos duzentos anos do nosso país (para não recuar mais no tempo...), de gente que só conseguiu alimentar os seus negócios à sombra de um Estado monopolista e  proteccionista.

É por isso que os argumentos de alguns empresários são bafientos e nada mudaram. A sua falsa "superioridade moral" até podia caber nos governos antes de 1974, ou nos mais recentes, de triste memória, de Passos Coelho e de Sócrates. Mas felizmente estamos num outro tempo. A única novidade que nos surge, é a tentativa de se transformarem em "sindicalistas" - essa classe que tanto abominam -, utilizando professores, pais e alunos (as vitimas de todo este processo...) para defenderem o indefensável, vestidos de amarelo.

Se fizermos uma análise honesta à história de vida de uma boa parte daqueles que se auto-intitulam "empresários de sucesso" em Portugal, percebemos que sem Estado (muitas vezes de forma ruinosa para todos nós...), eles não seriam nada. Os negócios da banca e as parcerias público-privadas das construções de hospitais e auto-estradas, são o melhor exemplo de quem se serve do Estado, sempre que pode, para ganhar dinheiro e não para contribuir para o bem público. Com a educação privada as coisas não diferem  muito.

Claro que não coloco em causa instituições com mais de cinquenta anos que foram fundamentais para o ensino em lugares onde a rede de escolas públicas era deficitária. Coloco em causa sim a maior parte dos estabelecimentos de ensino (especialmente universidades, com os resultados que todos conhecemos, dos Relvas e dos Sócrates doutores e engenheiros...) que nasceram nos últimos vinte anos, sempre à sombra do poder e dos interesses particulares da gente ligada aos partidos do arco da governação (PS, PSD e CDS).

Até posso dar dois exemplos, da Cidade onde vivo e da onde cresci. O Externato Frei Luís de Sousa de Almada, que surgiu em 1956, antes de qualquer Liceu ou Escola Técnica do Estado, continua a ser exemplar, reconhecido por todos pela qualidade do seu ensino. O Colégio Rainha D. Leonor das Caldas da Rainha foi construído apenas há dez anos no bairro da minha meninice, onde já existia a Escola Secundária Raul Proença, sem que existisse qualquer necessidade educativa. Nasceu sobretudo como um bom negócio. 

(Fotografia de Robert Doisneau)

sábado, abril 23, 2016

Abraçar os Livros


Ontem, quase no final da minha intervenção, a professora de Português daqueles jovens, perguntou-me como é que ela poderia fazer com que eles lessem.

Voltei atrás na conversa (ela esteve a dar uma aula só apareceu depois...), ao meu sétimo ano de escolaridade, à minha excelente professora de Português e à "Biblioteca de Turma" que criámos ao longo do ano, em que nos quotizávamos e comprávamos os livros que queríamos ler (com algumas sugestões da professora...) e depois falávamos sobre eles (não sei se de quinze em quinze dias se mensalmente, havia uma aula só para a nossa "biblioteca" e os "nossos livros"), sobre o que tínhamos gostado mais, das personagens, dos lugares, estimulando o interesse dos que ainda não os tinham lido.

E claro, aconselhei a professora a sugerir livros bons (mas também de boa "digestão"...), com uma linguagem acessível, boas histórias e muita acção... Falei também do realismo mágico da "latina-américa", de Jorge Amado, de Ernest Hemingway, Luís Sepúveda ou até do nosso Camilo. Desaconselhei por completo José Saramago ou António Lobo Antunes...

Mas o importante é ler, ler, viajar dentro dos livros.

(Óleo de Gustave Caillebotte)

sexta-feira, abril 22, 2016

A Curiosa e Feliz Sobrevivência dos Livros


A proximidade do Dia Mundial do Livro fez com que fosse convidado hoje de manhã para falar sobre a importância do Livro e dos Autores na aquisição de conhecimentos e criação de mundos, nesta era dominada pela tecnologia, numa escola do Concelho de Almada (EPED)

Falei de muitas coisas, revivi os meus tempos de escola, sem me esquecer de falar das boas professoras de português que tive (pena terem sido poucas...). Falei da importância de ler para escrever, e depois fiz um paralelo entre o que está a acontecer aos jornais e aos livros nestes tempos de mudanças quase diárias.

Os jornais em papel têm os dias contados, por não serem viáveis economicamente. A falta de publicidade, o peso das redacções e a queda brutal nas vendas, faz com que eu pense que dentro de pouco tempo a maior parte dos jornais só serão publicados "on-line".

Curiosamente com os livros aconteceu o contrário, mostraram uma resistência fora do comum e conseguiram (até ao momento...) ganhar a "batalha" contra os "livros digitais".

Para justificar esta "vitória", falei da identidade própria de cada livro, que começa na beleza da capa, no cheiro do papel e da tinta, do prazer de folhear as suas páginas, anotar, marcar as suas folhas... embora continue a pensar que o melhor de cada livro são as suas palavras, capazes de nos levarem de viagem para lugares especiais e conhecer personagens extraordinárias.

O mais curioso foi a turma do 11 º ano que me recebeu  ser  composta apenas por rapazes (pensava que já não existia nada disto...), que se portaram muito bem. E foram bastante honestos, quando lhe perguntei se algum deles lia livros. A resposta foi não. As únicas mulheres presentes foram as três professoras que organizaram a sessão e foram um bom apoio.

Não sei até que ponto fui uma boa influência. Não sei se eles irão sentir alguma curiosidade pelo que está dentro dos livros. Era bom que sim. Só ficavam a ganhar...

(Fotografia de Zoltan Glass)

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Olhar a Velha Escola sem Grandes Saudades. Tudo Graças aos "Pink Floyd"...

Não quis dizer a ninguém que tinha sido um felizardo, que tive uma professora na primária que era um doce, que me deu apenas as reguadas que teve de dar. Sei que em quatro anos, foram uma insignificância, até por ser dos seus melhores alunos.

Lembrei-me da sala de aula da escola primária desse meu tempo, com os quadros de Marcelo e Tomás por cima do quadro (não me lembro de nenhum crucifixo...), das janelas que nos iluminavam, por onde vi o Carlos (já com os seus catorze anos...) a fugir,  mais que uma vez, por por não aguentar aquela "prisão".

Ele morava no meu bairro e já andara na escola com o meu irmão e embora fingisse que era um rapaz terrível, fazia questão de ser meu amigo e um dos meus guarda-costas (foi mais ao menos a profissão que seguiu. A última vez que falámos era segurança pessoal do dono de um império nocturno, com várias discotecas e bares no Oeste).

Comecei a escrever e a fugir daquilo que queria dizer. As memórias são assim. 

O tema principal da conversa era a qualidade dos Pink Floyd e do álbum, "Another Brick in The Wall" (que até deu um filme que continuo a gostar de ver), que me fizeram lembrar das histórias de violência que ouvia, passadas em outras salas, de professores amargos, que além da utilização massiva da régua, gostavam de distribuir carolos, puxões de orelhas e até lapadas (no rosto e na cabeça...).

É por isso que quando ouço pessoas antigas a falarem com saudades do ensino do "outro tempo", gostava que lhes dessem um puxão de orelhas e lhes mostrassem uma régua. Talvez lhes trouxessem alguma coisa à memória...

(Fotografia de Robert Doisneau) 

quarta-feira, novembro 11, 2015

Os Nomes de Guerra na Infância


Na infância e adolescência os erros são mais facilmente perdoáveis, porque não são idades de reflexão mas sim de brincadeira e risota. Ou seja, o disparate vive muito mais perto de nós.

Mesmo assim nunca me esqueci da lição de ética e moral dada por um professor no segundo ano do ciclo preparatório, que nem se preocupou por estarmos numa fase da história cheia de excessos de liberdade (PREC).

Fez-nos perceber o quanto era doloroso passarmos a vida a chamar coxo ao nosso colega que tinha uma perna mais curta que a outra e que não precisava de ser lembrado de que coxeava de verdade, a todas as horas. Deu-nos mais exemplos do humor fácil e baixo, que utilizávamos com abundância. E se ainda não se usava o termo "badocha", "havia "baleias" à farta no recreio.

Podemos não ter mudado muito no nosso comportamento na época, mas eu não esqueci aquela boa lição em várias situações pela vida fora...

Já adulto fiz parte de um grupo de amigos, em que posso afirmar que aquele que subiu mais na vida socialmente (cargo de chefia na banca), era o mais provocador e mais ordinário. Algo que lhe causou alguns dissabores na rua, inclusive ajustes de contas com maridos que não se ficaram com os piropos ordinários desta figura, que não vejo há uns bons dez anos.

Irritava-me solenemente que quando jantávamos em grupo, ele aproveitasse de imediato algum "aleijão" físico de um dos empregados para se armar em engraçado, utilizando termos como "vidros" ou "gordo", para chamar o tal funcionário. Mas de nada valiam as nossas chamadas de atenção. Talvez se aproveitasse da nossa companhia para se libertar de todas as horas em que era escravo da gravata, do terno e da etiqueta...

Tudo isto porque ao ouvir as aventuras de infância de dois amigos que moraram na mesma rua (perto da Alameda), voltei a recordar o professor. Disseram-me entre outras coisas, que na rua todos tinham alcunhas, mas nenhuma tinha alguma coisa que ver com a aparência física. Isto aconteceu porque uma das melhores pessoas daquela rua era um cego, que os encheu de histórias pela infância fora. Deram o bom exemplo do Leandro, o único preto das redondezas, que foi sempre o "King" da rua.

A fotografia é de Denise Colomb.

sábado, setembro 19, 2015

O Esquecimento da Educação e da Cultura


Não sei se vamos ter um ministro ou secretário de estado da Cultura. É mais um dos aspectos que está dependente da escolha dos portugueses a 4 de Outubro.

Possivelmente um dos menos importantes. Não é por acaso que a Cultura e a Educação (para além da "promoção" ou não a ministério da Cultura), parecem excluídas da campanha eleitoral. 

De qualquer maneira, isso até pode não ter qualquer relevância, pois pode-se ter ministro sem vontade e sem apoio. ou seja, fazer-se o que é comum no nosso país, muda-se o nome ás coisas para que fique tudo na mesma.

Importante mesmo era que a Educação e a Cultura voltassem a contar para o nosso país...

O óleo é de Pierre Bonnard.

sábado, abril 18, 2015

Não Conseguir ficar Indiferente


Há pessoas que partem e que não nos deixam indiferentes, mesmo que nunca nos tenhamos cruzado pessoalmente com elas, e tenham vivido com a discrição possível (longe dos "holofotes", que acabam por ser uma tentação e perdição para tantos...).

Uma dessas pessoas é o antigo ministro Mariano Gago, que deu um impulso extraordinário ao ensino superior e à investigação científica. Mas não o fez de olhos fechados, pois teve a coragem de combater as universidades e os cursos que não passavam de negócios "fraudulentos".

Infelizmente uma boa parte do seu trabalho foi desperdiçado nos últimos anos. Os nossos melhores jovens com formação superior têm sido forçados a emigrar para outros países, que além de lhe oferecerem melhores condições de trabalho, valorizam a sua qualidade como investigadores.

Quando olhamos à nossa volta e observamos que 80 % (não é exagero...) dos nossos governantes - locais e nacionais -, não só são incompetentes como promovem a mediocridade, só podemos sentir que o desaparecimento de Mariano Gago é uma grande perda para o país.

terça-feira, março 31, 2015

Alguma Rebeldia é Sempre Salutar


Hoje durante o almoço falámos da falta de sentido crítico da sociedade portuguesa, na forma como se "bebem" todas as notícias e artigos opinião (quase sempre manipulados...).

Lembrei-me da escola, dos problemas que tive com alguns professores, por gostar de fazer perguntas (e isso perturbar o decurso das aulas...).  Ainda há dias estive a almoçar com a minha mãe e ela falou-me que uma amiga, professora da minha sobrinha, fizera queixara dela, também por fazer muitas perguntas...

Não quero dizer que eu estava certo quando estudava, muito menos que que a minha sobrinha está certa. Mas parece-me evidente que faz falta na nossa escola (e até em casa...) estimular a opinião individual, promover o debate entre alunos (pois é eles falam alto e desestabilizam...), fazer com que eles se habituem a pensar pela sua própria cabeça.

Claro que ninguém está muito interessado que isso aconteça, especialmente os políticos, que sempre preferiram "carneiros" dóceis  a "lobos", capazes de "ladrar", e pior, de lhes "morderem" as canelas. Mesmo aqueles que se fingem democratas e de esquerda, como por exemplo os que governam a minha Cidade desde as primeiras eleições autárquicas de 1976....

O óleo é de Emil Popgenchev.

segunda-feira, setembro 15, 2014

Hoje foi a Brincar...


A escola começa amanhã, hoje foi dia de apresentações.

A Sofia vai para o 5 º ano, toda ela é expectativa e vontade de começar a subir este novo degrau. O Miguel vai para o 11 º ano e como de costume, vai porque tem de ser... claro que deve ter algumas saudades, pelo menos dos intervalos e de algumas miúdas giras. Coisas que não se dizem aos pais.

Fui à reunião com a directora de turma da minha pequena e até simpatizei com a senhora, sem nariz empinado. Mas continuam a espantar-me estes convívios, repletos de perguntas desnecessárias, de pais que parecem não ter autonomia, que querem que os professores lhe expliquem todas as coisas, por mais insignificantes que sejam, com vírgulas e tudo.

O óleo é de Luiz de Souza.