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sábado, agosto 10, 2019

Primeiro Eu, Depois Eu e Depois Outra Vez Eu...


Os "simulacros" involuntários provocados por uma greve, que ainda não começou, têm sido um bom teste para qualquer tempo de crise.

O egoísmo é a marca maior que fica, com os exemplos de quem corre para as filas das bombas de gasolina, apenas por que sim, ao mesmo tempo que decora a casa com "jarricanes". 

E não satisfeitos, ainda esvaziam as prateleiras dos super-mercados, como se viesse para aí qualquer "fim do mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 08, 2019

As Lixeiras Urbanas...


Faz-me muita confusão esta nossa capacidade de criar lixeiras. Basta encontrar um lugar meio escondido, e é logo utilizado para deitar todo o género de porcarias que já não nos fazem volta.

Embora reconheça que algumas delas sejam criadas por romenos (como a da fotografia), mendigos profissionais, facilmente reconhecidos pela sua falta de higiene e por viverem de mão estendida à porta de superfícies comerciais.

A roupa que usam é quase sempre retirada dos recolectores de instituições, espalhados pelas cidades. Roupa que depois de usada, é deitada fora, a poucos metros de casas abandonadas, em ruínas, que vão transformando em habitações provisórias de curta duração...

Do que eu não tenho dúvidas, é que se as Câmaras  e as Juntas de Freguesia estivessem mais atentas, limpando estes espaços, assim que começam a ser utilizados da pior forma, eliminavam-se muitas destas lixeiras a céu aberto...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

segunda-feira, março 11, 2019

As Farsas em que Entramos, quase Sempre sem Sabermos...


Embora seja cada vez menos surpreendido pelas coisas que se passam à nossa volta, às vezes descubro frases cuja pertinência me faz pensar, mais um pouco...

No meu trabalho de investigação descobri, por um mero acaso, uma frase da autoria de Jorge Calado, com mais de 15 anos (do suplemento "Actual" do Expresso, de 6 de Setembro de 2003), que é reveladora do nosso mundo demasiado curto, onde o "amiguismo" continua a ter um peso decisivo, especialmente quando falamos de nomeações, escolhas ou prémios. Mas vamos lá à frase:

«A exposição é suposta cobrir o século XX, mas o que descobre são os interesses promiscuos e nepóticos duma máfia internacional de conservadores, comissários, galeristas, artistas, críticos que se protegem, elogiam e rentabilizam uns aos outros.»

A exposição em causa era sobre fotografia, mas poderia ser de artes plásticas. Mas as palavras poderiam ser deslocadas para as ruas da literatura, do cinema ou do teatro (e nem vou aos "bairros" da política ou do futebol...).

Claro que acaba por ser um drama, percebermos que quando concorremos a qualquer concurso, o vencedor já poderá estar escolhido. E estamos apenas a participar numa farsa...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, janeiro 30, 2019

A (Falsa) Superioridade Social...


A discussão em torno do "sermos ou não racistas", tem oferecido opiniões para todos os gostos.

Claro que somos um povo racista, e muito mais. Somos racistas, preconceituosos, machistas, feministas, classicistas, entre tantas outras coisas, pelo menos, sempre que nos dá jeito. Tal como os povos da maior parte dos países do mundo.

Mas o pior de todos os defeitos da nossa sociedade, é a pretensa superioridade social. Superioridade que assenta em coisas obtusas como o nome de família, o dinheiro que temos na carteira, a roupa que vestimos, o carro onde nos transportamos ou a casa onde vivemos. 

E somos tão pobres (até de espírito...), vítimas de tantas desigualdades, que a nossa grande aspiração (socialmente legítima...), é um dia sermos ricos...

Claro que esta "superioridade social" é quase sempre um artifício enganador, cuja aparência esconde as "misérias humanas" do costume, alimentadas sobretudo pelos jogos de mentiras e dívidas, que vão da mercearia do bairro aos bancos do costume.

Já vi um pouco de tudo isto, graças ao meu trabalho de investigador, entre o jornalismo e a história. Desde familiares falidos de antigos ministros de Salazar, que em pleno século XXI, ainda defendem uma espécie de "monarquia" (que infelizmente ainda se pratica em muitos sectores da nossa sociedade...), com a passagem dos cargos de pais para filhos, aos "novos ricos", preparados para comprar tudo o que lhes vem à cabeça - quase sempre com dinheiro sujo - menos carácter e dignidade (que além de não terem preço, são grandes empecilhos para os seus sonhos)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, novembro 28, 2018

Somos o que Somos...


Somos mais de falar que de agir.

Por vezes este comportamento revela-se trágico, como sucedeu há poucos dias em Borba.

No calor da tragédia, fala-se do assunto com gravidade,  procuram-se culpados, enumeram-se mudanças, para  no fim voltar tudo a ficar na mesma.

Além do exemplo da fotografia (gostava de saber porque razão ninguém retira as manilhas dos rios, se já não tem qualquer utilidade...), encontram-se com facilidade coisas mais graves para todos nós. Por exemplo, a "estrada da morte" de Pedrogão já foi esquecida. Todos sabemos que o não falta, de norte a sul, são estradas rodeadas de árvores assim que acaba o alcatrão, mesmo das "perigosas", os famosos eucaliptos (com muita publicidade "positiva" paga...) e pinheiros...

Somos o que somos, infelizmente (devia dizer, tristemente ou miseravelmente...).

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 14, 2018

Quando Começam a Sair da Toca...


Um octogenário andou anos e anos a desmentir, e a esconder, que fez parte da Legião Portuguesa. 

Mas eis que o "mundo mudou" e também ele aproveitou a "onda" e começou a perder a vergonha (deve estar agradecido ao Trump, ao Erdogan,  e agora ao Bolsonaro...) e já se passeia pela rua com o emblema da Legião na lapela.

Normalmente não o levam a sério e dizem que o senhor "ensandeceu".

Mas o problema é maior do que parece, como muito bem referiu o Mário, que normalmente fala mais com os ouvidos, ao recordar-nos que o perigo não é o velho. O verdadeiro problema poderão ser os netos dos Pides, dos Legionários, dos Latifundiários e de outra gente do 24 de Abril, quando começarem a exteriorizar o orgulho que sentem por descender desta gentalha que brincou com a dignidade, a honra e a liberdade de tantos homens e mulheres do nosso país... 

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 01, 2018

A Boa da Sabedoria Popular...


A sabedoria popular ajuda-nos, não a encontrar explicações para o inexplicável, mas a relativizar o nosso quotidiano, quase sempre de uma forma irónica e metafórica.

Claro que quando diz que "não há mal que sempre dure", esquece-se de muita gente, que vive "num autêntico calvário" diário, gente que nem sequer consegue fingir-se feliz, se esquecermos esse turbilhão a que chamam Natal (nesta quadra surgem sempre uns milhares de beneméritos, inesperados, inclusive as senhoras das revistas, que colocam aventais para a fotografia e para a televisão, quando estão a "cozinhar" ou a "servir" os pobrezinhos...).

Natal que já anda por aí nas montras, nos anúncios publicitários e nas cabecinhas de muitas pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 17, 2018

O País Real e o "País do Costa"...


Já todos percebemos que o "país do Costa" é quase uma pequena maravilha, onde tudo funciona bem e se vive muito melhor que nos tempos do "pesadelo da troyka".

O problema é quando enfrentamos o país real, depois da esquina, que é bem diferente da "terra do Costa". Por aqui tudo aumenta, menos os ordenados...

E se tivermos a "sorte" de viver próximo de um "centro de atracções para turistas", descobrimos ainda mais novidades: um país com restaurantes de ementas em inglês e com preços quase proibidos para os nativos (deve ser por isso que o português está a fugir dos preçários...); um país com mercearias orientais prontas para vender garrafas de água grandes a euro e meio, a quem não peça água em português; um país com esplanadas que vendem em pleno dia imperiais ao preço de bares e discotecas...

E não vou falar da saúde, da educação, dos combustíveis e das rendas de casa. Fazem parte do tal pacote "onde tudo aumenta"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 10, 2018

O Exemplo Maior da Nossa "República da Mediocridade"...


Temos dezenas e dezenas de maus exemplos da nossa "República da Mediocridade", da saúde à administração interna que, de ano para ano parecem agravar-se, apesar de algumas tentativas infrutíferas de alguns "sonhadores", para melhorar o estado das coisas...

Onde ninguém tenta melhorar nada, há já mais de 30 anos (pelo menos desde o famoso "cavaquistão"...) é nos nossos transportes ferroviários.

A sensação com que se fica (sei que não sou o único que fico...), é que todos aqueles que têm sido escolhidos para administrar a CP, têm como objectivos principais da sua gestão, o aumento dos passivos da empresa, a redução de horários e composições e  a degradação das condições oferecidas aos utilizadores deste transporte histórico, cuja resistência é digna de realce. 

Só mesmo o comboio é que conseguia aguentar todos estes ataques violentos, perpetuados, de Norte a Sul. Talvez por deslizar em carris de ferro...

Era bom que alguém fizesse um dia a história deste transporte, sem se esquecer de frisar todos os jogos de interesse que foram desviando as mercadorias e as pessoas, das linhas férreas para as auto-estradas. E claro, os nomes dos administradores, do arco governativo do costume (PS, PSD e CDS) que sempre demonstraram mais vontade em servir interesse particulares, em prejuízo dos do Estado e de todos nós...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 22, 2018

O Nosso País Continua a não Ser para Todos...


Ontem estive com o Gui. Confessou-me que vai regressar a São Paulo, em Agosto, desiludido por o nosso país continuar a ser uma farsa... 

Contou-me meia-dúzia de episódios "proibidos", sobre o que algumas pessoas fazem para conseguir ganhar concursos, mesmo os de tostões. 

Nada que me surpreendesse por aí além. Há muito que a dignidade humana anda por baixo...

Meio a brincar meio a sério disse: «Tenho inveja dos tipos que nascem e morrem no mesmo sitio. Sei que não precisam de muito para serem felizes, é por isso que tirando algumas preces relativas à família e à saúde, não pedem quase nada à vida. Aceitam o que ela lhes dá, mesmo que sejam apenas migalhas...»

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 18, 2018

O Uso e Abuso dos Pobres Desgraçados...


Enquanto subia a avenida, depois de assistir a um momento degradante, pelo menos para mim, pensei no  Luiz Pacheco, um escritor e editor, que em nome do "neo-abjeccionismo" (o que quer que isso seja...), fez coisas impensáveis para um ser humano, privando todos os que com ele viviam, de uma vida próxima do normal...

Pensei nele sem conseguir explicar muito bem porquê. Ele não seria o "espelho" do vagabundo alcoolizado que dançava e dizia ordinarices, junto a um bando de comerciantes, que ria a bom rir, - assim como todos os que estavam sentados na esplanada, a assistir ao "espectáculo de borla" - por terem contratado um "palhacito" apenas a  troco de uma imperial e de uns tremoços...

Continuei a minha caminhada, sem conseguir achar piada ao uso que faziam daquele pobre diabo... Mas talvez o problema fosse meu...

(Desenho de François G. Menageot)

domingo, junho 10, 2018

Portugal, Futebol e Telenovelas...


Hoje Dia de Portugal, com as Comunidades, o Camões e até a "Raça", a um pequeno passo, apetece-me escrever sobre o absurdo de toda esta "futebolização" televisiva, que consegue dar cabo da paciência a qualquer pessoa, por muito que goste de futebol.

Eu pergunto: será que os principais clubes (Benfica, Sporting e Porto) são assim tão importantes para a maioria dos portugueses, ao ponto de serem notícia em todos os canais televisivos noticiosos? Acredito que não. E vou mais longe, passávamos todos bem melhor sem termos de assistir, de "camarote", a todas estas misérias alheias.

É por isso que não percebo todo este "tempo de antena", muito menos a atenção que se dá ao "ditador de Alvalade", que ofende diariamente a inteligência de qualquer pessoa com as suas intervenções, até por normalmente não responder às questões que lhe são colocadas. Só por este pequeno grande pormenor, os jornalistas deveriam virar-lhes costas e deixarem-no a falar sozinho. Se gosta de discursar horas e horas para as câmaras (à boa maneira "fedeliana"), tem a televisão do seu clube, aliás, a única que recomendou aos sportinguistas...

Quem esteja de fora, deve pensar que anda tudo maluco. E deve questionar-se: como é possível perderem-se tantas horas, com insignificâncias, que não contribuem com nada de positivo, para o nosso país? Até porque há muito que  estes acontecimentos deixaram de ser tratados como notícias. São sim, meros "folhetins de telenovelas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 08, 2018

Coisas Perigosas (Quase Escondidas)...


Esta fotografia é apenas um exemplo das coisas dramáticas e perigosas, que quase não se vêem, porque estão ligeiramente distantes do "mundo", mas que existem "aos pontapés" neste nosso Portugal, de Norte a Sul.

Normalmente não são lugares de passagem. E por isso mesmo, não são assunto de conversa ou de crítica, não se fazem abaixo-assinados nem se faz "tremer o mundo" através do facebook...

Este cais completamente arruinado fica exactamente no Olho de Boi,  um quase "bairro" de antigos operários de Almada, à beira Tejo, rente às antigas instalações da Companhia Portuguesa de Pesca.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Estás a Fugir para Onde, Democracia?

O que se está a passar no Sporting e no PSD são apenas dois bons exemplos de que a democracia já deixou de ser o que era, e há já algum tempo.

Não vale a pena estar a culpar os EUA e o Trump, porque os nossos problemas ainda não são os deles. Por muito que gostemos de andar em rebanho e de ficar à espera que os outros decidam por nós, ainda não chegámos à América.

Mas é triste quando um dirigente desportivo acha que deve decidir quais os jornais que devemos ler, ou a televisão e rádio que devemos ver e ouvir. E ainda é mais triste, se há uma ou duas pessoas que fazem o que ele quer...

No PSD, embora as coisas se passem de uma forma diferente, todos sabemos que a democracia não é aquilo. Percebe-se à légua que a minoria não aceitou e não consegue respeitar a escolha da maioria dos militantes. E ainda antes do seu presidente começar a trabalhar, os jogos de bastidores já se iniciaram, com o objectivo de "minar" o caminho do novo líder. Mas não deixa de ser triste, que os social-democratas em vez de fazerem oposição à verdadeira oposição política, combatam o próprio partido. 

Quem deve esfregar as mãos de contente com este cenário é uma tal Cristas... (da mesma forma que o Benfica e o seu presidente também devem estar muito agradecidos ao líder dos rivais).

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 12, 2017

As Desigualdades Pouco Utópicas...

Não faz parte do reino das utopias, querer que exista um tratamento igual nas escolas e noutras instituições, entre os filhos de um presidente de Câmara e de um funcionário de limpeza de ruas...

Mas no nosso país uma boa parte das pessoas ainda não perceberam que as distinções sociais não vigoram na infância, não existe a função de filho do senhor presidente ou do senhor doutor, para os distinguir dos filhos de qualquer operário.

Infelizmente, tanto da parte de cima como da parte de baixo da sociedade, continua a haver demasiada gente que gosta de alimentar todo este "lambe-botismo". Uns gostam de receber vénias e outros de as dar...

(Óleo de Paula Rego)

terça-feira, novembro 07, 2017

O Desabafo do Artista...

Hoje cruzei-me com o Louro Artur, um artista plástico almadense que é o autor  do bonito painel em azulejos que retrata a vida literária de Romeu Correia, mas que foi colocado num lugar quase escondido (rente às piscinas da Academia Almadense que estão fechadas há já mais de meia-dúzia de anos e são cada vez mais poiso de gente que gosta de destruir por destruir...).

Com todo este abandono, o painel acaba por sofrer nos azulejos algumas "pinturas de guerra" de quem é incapaz de respeitar a Arte.

Ouvi os seus lamentos, porque ele detesta (e com toda a razão...) ver a sua obra vandalizada, e apesar de ter feito chegar a quem de direito, o que aconteceu, sente que ninguém se preocupa....

Como eu o compreendo, quando ele diz que aquela obra devia estar num lugar mais visível... E até diz onde o gostava de ver (no muro junto à Casa da Cerca, rente à Boca do Vento...), num lugar de passagem, e a espreitar o Tejo...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 17, 2017

Utopias Futebolísticas...

Ontem, ainda antes do almoço, assisti a uma discussão lamentável sobre clubes de futebol (sim, quando apenas de fala do Benfica e do Sporting, de presidentes, directores de comunicação, etc, fala-se de tudo menos de futebol...). Os argumentos utilizados por ambas as partes foram como costuma ser hábito, rasteiros e ofensivos. 


Embora estivesse de fora da conversa e não fosse "doente da bola", quando vim para casa, fiquei a pensar que se não gostasse do Benfica, era indiferente a todo aquele folclore, a todas aquelas artimanhas de quem quer ganhar a qualquer preço, que tanto pode ser com a ajuda do árbitro, do poste ou até do defesa adversário, que às vezes se engana na baliza.

Mas é péssimo que os estádios tenham cada vez mais espectadores que vão assistir aos jogos apenas para verem os seus clubes ganharem (alguns até passam o tempo todo de costas para o relvado...), mesmo que joguem um futebol miserável, e ganhem com uma grande penalidade que só existiu no apito do árbitro...

Sei que toda esta "nuvem de fumo" é provocada pelas direcções de comunicação de clubes, compostas por jornalistas (como é que esta gente alguma vez podia ser isenta no exercício da sua profissão, já que passa o tempo todo a "incendiar" o futebol?), capazes de tudo para promoverem os seus "patrões" ou para denegrir a imagem dos adversários.

O mais engraçado, é que no final do dia nem fiquei chateado por o Benfica ter perdido no Boavista. Lembrei-me dos muitos jogos que tem ganho com "sorte", sem ser a melhor equipa em campo. E que talvez lhe faça bem, que aconteça o contrário... Talvez os seus dirigentes percebam que é mais importante contratar um bom guarda-redes e um bom defesa central, que continuarem a pensar que são as "camisolas encarnadas" que ganham os jogos...

(Ilustração de Enoch C. Bolles)

quinta-feira, agosto 24, 2017

Histórias Cheias de "Tachos e Panelas", de Norte a Sul...


Infelizmente (ou felizmente...) as eleições autárquicas conseguem oferecer-nos um retrato ainda mais pequenino, e rasteiro, da pretensa classe política portuguesa.

Os concelhos, que alimentam "mil e uma histórias de mau perder", de Norte a Sul, são às dezenas. E o mais grave, é que nenhum dos quatro maiores partidos, com assento parlamentar, escapa aos vários ajustes de contas pessoais, protagonizados por gente que está de tal maneira agarrada ao poder, que tanto é capaz de mudar de partido como de criar um falso movimento independente, só para se manter "à tona de água".

Há cidades e vilas em que a mesma força política conseguiu despoletar três candidaturas: o candidato oficial do partido; o actual presidente preterido; e ainda o vice-presidente enganado (por falsas promessas...).

E ainda temos o caso extraordinário de Oeiras, em que o movimento independente que está no poder também se conseguiu dividir em três...

É uma pena que a maior parte desta gente só esteja preocupada com o respectivo "tacho" e não com a qualidade de vida da Terra e das Pessoas que os elegem...

Isso explica muito o país que somos e as coisas aberrantes que descobrimos por esse Portugal fora...

segunda-feira, agosto 14, 2017

Tanta Gente Diabólica Por Aí à Solta...


Eu sei que somos difíceis de caracterizar enquanto povo, quase que parecemos "bipolares". Talvez isso explique o inexplicável, as mil e uma tentativas de utilizar a desgraça alheia para tirar dividendos políticos, assim como toda a gente que é capaz de se vender por um "prato de lentilhas", para servir interesses cada vez mais obscuros.

Até pode parecer que o líder da oposição sempre conseguiu ler nas estrelas, estava era deslocado no tempo. Porque o diabo chegou mesmo, mas bastantes meses depois. E está a destruir o país de Norte a Sul. Apesar de fazer uso quase diário da demagogia, do populismo e da mentira (tal como muitas dezenas de candidatos a autarcas...), consegue ficar "chamuscado" aqui e ali, porque nem toda a gente deste país tem alma de incendiário.

Mas gostava de perceber o que vai na cabeça e no coração da gente que destrói aquilo que lhe devia ser mais querido, a natureza, em vez de a proteger, através da tão desejada prevenção... Porque se existiam pessoas com dúvidas sobre a existência de tanto bandido cobarde, devem-nas ter perdido de vez neste Verão...

(Óleo de Josef Stoitzner)

quarta-feira, julho 05, 2017

Mais de Quarenta Anos de Desconfianças e Medos...

Os políticos do "bloco central" nunca se conseguiram relacionar de uma forma normal com os militares. 

Nunca lhes perdoaram o facto de terem sido os verdadeiros heróis da revolução, e muito menos da "contra-revolução".

Vingaram-se de várias maneiras. A mais visível é o facto de nenhuma das grandes figuras de Abril ter atingido o posto de general. Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vitor Alves, Otelo Saraiva de Carvalho ou Vasco Lourenço,  marcaram e marcam passo como coronéis...

Muitos dos políticos que foram ministros e secretários de Estado, a partir de 1976, nem sequer cumpriram o serviço militar obrigatório (talvez por isso, tenham conseguido acabar com este desígnio patriótico, que em muitos casos era único na vida de milhares de jovens, pois só na instituição militar percebiam o verdadeiro significado de palavras como disciplina, respeito, ordem e espírito de corpo...), ou seja, eram contra a instituição sem sequer perceberem a lógica da sua existência.

Outros mais sabidos tinham "medo", até por saberem que as grandes revoluções do país tinham tido como principais actores os militares. Foi por isso que andaram anos anos a nomear para as suas chefias oficiais generais conservadores e pouco incómodos (na gíria militar "lambe botas"...).

A única coisa a que não podiam fugir era às obrigações que Portugal tinha com a Nato. Foi por isso que continuaram a gastar dinheiro em missões internacionais e em armamento (mesmo com exageros, como foi o caso dos submarinos do Portas...).

Alguns militares mais atentos foram lançando avisos ao longo dos anos, que eram desvalorizados tanto pelos políticos do costume como pelos jornalistas, que gostavam de os apelidar como a "brigada do reumático".

E agora somos notícia no mundo, por um daqueles acontecimentos, que quase parecem anedota (se puderem leiam a crónica de hoje do Ferreira Fernandes no "D. Notícias"...), mas aconteceu mesmo.

E como acontece sempre nestes casos, os políticos de direita da oposição - gente sem vergonha e sem memória -, "exigem" demissões, demitindo-se eles, como de costume, das suas responsabilidades (que não são menos que as do PS...) de mais de quarenta anos de governação contra a instituição militar.

(Fotografia de Luís Eme)