Mostrar mensagens com a etiqueta Profissões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Profissões. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 13, 2019

Os "Galegos" do Século XXI...


É normal encontrarmos nos lugares onde se junta mais gente (de preferência turistas...), os "galegos do século XXI", que tem a vantagem de não andar com o respectivo barril de água a fazer a distribuição, quase casa a casa - dizem os antigos que era assim que se fazia em Lisboa e arredores, no começo do século XX.

"Os modernos" instalam-se em lugares estratégicos com geleiras, carregadas de garrafas pequenas de água, que vendem cada unidade a um euro, aos muitos sequiosos desprevenidos que andam por aí, a passear ao Sol... 

E o lucro é pouco menos que cem por cento...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, outubro 10, 2018

As Vozes do Vento...


Normalmente chamo "vozes do vento" aos barbeiros, merceeiros, cabeleireiras, taxistas (embora estes tenham uma postura mais revolucionária - matam e esfolam dezenas de "gatos" enquanto o diabo esfrega o olho) e afins.

Esta minha "adjectivação" deve-se à sua grande prática em falar a "favor do vento".

Se percebem que o cliente é do Sporting, têm o cuidado de mostrar que são benfiquistas moderados (o poster do tetra não engana...), e que sim, o Peseiro tem de ser corrido, que o Bruno é um bandido e vai acabar engavetado.

Se o assunto for mais actual e tiver a ver com o Ronaldo, medem o pulso ao homem ou mulher, se forem "patriotas" estão à vontade, podem desancar à vontade na americana. Se forem "invejosos", a conversa versará mais sobre os milhões, a colecção de carros, a vaidade de querer ser o "melhor do mundo". E claro, a facilidade em "comprar" mulheres e filhos...

Embora já esteja a passar de moda, ainda podem falar da Cristina Ferreira (mais no cabeleireiro, por causa das revistas atrasadas...). Tanto lhe podem chamar "esganiçada" como um "espectáculo" de mulher... 

Tudo isto por causa do vento.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 30, 2018

Os "Excelentíssimos" Fiscais...


Os fiscais dos transportes de Almada (especialmente os do "metro"...), têm qualquer coisa de "passadista" (também pode ser de "salazarista"), na forma como olham e como falam com os utentes.

Por vezes fazem mesmo uma autêntica "espera" às pessoas que saem do transporte nas estações, barrando-lhes o caminho, para lhes pedir o passe ou um título válido da viagem, provocando a indignação da maior parte das pessoas, que acham que as estações já são campos de liberdade...

Já fiz mais que uma vez  orelhas moucas conseguindo pôr os fiscais a correr atrás de mim, com a tal "cara" passadista. Faço-me desentendido e "surdo", mostrando-lhes o passe, sem dizer qualquer palavra. Ficam desconfiados, sem perceber que faço aquilo graças à sua "actuação pública", que faz com que me apeteça "transgredir"...

Aquilo que recordo mais parecido com a acção destes "excelentíssimos" fiscais, é o impagável guarda do Parque das Caldas, coxo, que, munido do seu apito, parecia um árbitro num campo de futebol, mal pisávamos a relva...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 26, 2017

Uma Tragédia e a Recordação de um Olhar...


Ontem contaram-me uma história intensa, passada há muitos anos na Trafaria.

A personagem principal era um antigo futebolista do Belenenses, que depois de abandonar os estádios, voltou à sua antiga profissão, barbeiro, embora continuasse a treinar algumas equipas do Concelho, quando o convidavam.

Talvez por ser um homem educado, alguns pescadores da Vila começaram a insinuar que ele era homossexual e como devem calcular, a insinuação tornou-se boato e atingiu as proporções, que normalmente as coisas ligados ao sexo, atingem...

Como costuma acontecer nestes casos, a "insinuação" acabou por chegar aos ouvidos do protagonista, que atingido na sua honra, jurou vingança.

E foi o que aconteceu ao começo de uma das noites seguintes na Vila, quando munido de uma arma, bateu a uma porta, apareceu a esposa, a quem mandou chamar o marido. Assim que este se aproximou disparou a pistola à queima roupa e afastou-se, deixando o caído no soalho da casa. A segunda vitima foi um pescador que se preparava para ir para o mar, chamou-o e sem qualquer palavra, atingiu-o mortalmente. Houve ainda uma terceira vitima que encontrou na rua e deixou estendido no chão.

Depois regressou a casa, deitou-se na cama e deu o tiro final... 

Este episódio acabou por me recordar um homem com quem trabalhei, que me olhava de uma forma estranha e incómoda, tentando "despir-me com o olhar". Nunca se insinuou ou tentou alguma coisa. Simplesmente me mirava, como eu penso que miram, os homens que gostam de homens...

quinta-feira, agosto 31, 2017

É Sempre Importante Vestirmos a Pele do Outro, Antes de Falarmos...


Sempre que há um tema polémico em discussão, faço um exercício, que nem custa muito: tento "vestir a pele" dos protagonistas, e só depois de pensar um pouco, é que dou a minha opinião (quando dou...).

Por exemplo, era incapaz de escrever este primeiro parágrafo do artigo de opinião da jornalista Joana Petiz publicado hoje no "D.N.": «E mais de 20 anos depois veio a greve. Uma paralisação inédita na Autoeuropa, com a qual não concordam muitos dos seus funcionários e nem sequer o homem que conseguiu incríveis regalias para quem ali trabalha, enquanto representante dos funcionários, e que fez cair a Comissão de Trabalhadores - que negociou um acordo chumbado por aqueles que representava. O problema: a produção do novo modelo da Volkswagen. Não é que sejam retirados direitos aos trabalhadores. Pelo contrário, a empresa até lhes garantia mais um dia de férias e 175 euros por mês, além das regalias previstas para os turnos, em troca dos sábados de trabalho obrigatório durante dois anos. Nada que seja estranho para quem trabalha no comércio, na restauração, na hotelaria ou mesmo nos media. Mas os senhores da Autoeuropa garantem que não estão disponíveis para trabalhar ao sábado, que isso não é vida que se concilie com uma família e que muitos deles nem sabem onde hão de deixar os filhos nesse dia.»

Em primeiro lugar porque este texto está cheio de "certezas" e de "ficções". Em segundo lugar, porque não se deve comparar o que não é comparável. 

Quando a senhora jornalista diz é uma paralisação inédita, com a qual não concordam muitos dos seus funcionários, gostava de lhe perguntar como foi possível parar a produção da fábrica, com tão pouca aderência. E se é uma paralisação inédita (a primeira greve em vinte anos), é porque a proposta apresentada pela empresa representa um retrocesso no dia-a-dia destes trabalhadores (que não têm nada que ser comparados com quem trabalha no comércio, na restauração, na hotelaria ou nos media). 

Mas esta mania tão portuguesa, de querer sempre nivelar por baixo, tem destas coisas...

Num país em que normalmente se "come e cala" (em nome da crise, que raramente chega às administrações...), gosto de ver trabalhadores a lutarem pelos seus direitos.

quinta-feira, março 16, 2017

Fábula ao Intendente

«Eu sabia que havia muita gente que achava que me vestia como as putas, foi por isso que ao descobrir o preço das rendas de casas, acabei por decidir morar no local onde elas trabalhavam. Sim, no Intendente.

Foi um desafio e pêras. Nos primeiros tempos houve espaço para tudo, puseram-me dentro de anedotas e ofereceram-me demasiadas frases de muito mau gosto. Mas o que poupei em dinheiro compensou...

Até que o actual primeiro-ministro, então "mayor" de Lisboa, decidiu instalar-se por lá e fazer daquela zona histórica em engates e facas na ligas, num bairro quase normal.

Uma das maiores mudanças que senti foi no olhar dos homens. Senti que começaram a lavar melhor a cara de manhã, pois tinham menos sujidade nos olhos, desde a estação do metro ao trajecto que costumava fazer até à universidade.»

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Intransigências...

Se há coisa onde continuo a ser intransigente, é nos serviços de atendimento público.

Quem finge não saber que num serviço de atendimento às pessoas, além de se ter de mostrar simpatia (os problemas pessoais têm de ficar de fora...), tem também o dever de informar correctamente toda a gente que utilize o seu serviço, deve mudar de função. 

E claro, não precisa de se "despersonalizar", também deve chamar a atenção a quem se lhe dirigir de forma pouco educada ou correcta. 

Embora de uma forma geral estes serviços tenham melhorado, ainda anda por aí muito "enjoado" à solta, que deveria ser recambiado para qualquer sala dos fundos a arrumar prateleiras (e afins...) e nunca ter como missão o atendimento de pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, setembro 17, 2016

O Meu Olhar Sobre as "Minorias"...


Hoje quando ia para o café comecei a pensar (e a tentar desvendar...) como seria a minha vida, se pertencesse aos chamados grupos "minoritários", mesmo que muitas vezes até possam estar em posição de superioridade numérica - como acontece com as mulheres -, mas nunca em termos representativos ou de poder. 

Percebi que se fosse homossexual (assumido) era olhado de lado na minha rua, no meu bairro e na minha cidade; só teria a vida facilitada se entrasse no chamado mercado do trabalho alternativo; não tinha os mesmos amigos, teria outros (menos...), diferentes. Ou seja, era mais facilmente "notícia" por uma questão que só a mim devia dizer respeito.

Entendi que se fosse "preto" era olhado por muita gente quase como se fosse um "fenómeno do entroncamento"; senti que sempre que existisse qualquer roubo e estivesse nas proximidades, era logo apontado pelo olhar dos outros como "culpado";  se tivesse o bom gosto de namorar uma branca gira, olhavam-nos como se estivesse qualquer coisa fora do sitio; e à partida não tinha todas as portas abertas no campo profissional. Infelizmente ainda há profissões que não são para "pretos"...

Deixei para o fim a questão mais complexa, ser mulher. O meu primeiro pensamento foi de que tinha a vida mais facilitada, era seduzida e bajulada naturalmente pelos homens, podeno "jogar" com isso, ao mesmo tempo que teria mais portas abertas em quase todas as áreas da nossa sociedade (esquecido do que estava por trás de todo este falso cavalheirismo...) . Provavelmente também tinha mais gente amiga. Mas depois lembrei-me que há poucas mulheres em lugares importantes no nosso país, as que exercem esses cargos são a excepção que confirma a regra. Que as mulheres que fazem o mesmo que os homens, recebem menos dinheiro. E nem entrei dentro das casas, nem quis pensar mais no assunto...

Pois é, o grupo "minoritário" que parecia ter a tarefa mais fácil, é, provavelmente,  o mais complicado de todos...

(Óleo de Augusta Herbin)

domingo, setembro 11, 2016

Caminhos Sem Volta...

Dos muitos caminhos que escolhemos e percorremos, há alguns que queremos que não tenham volta. 

Digo isto sem qualquer  carga dramática, porque isso pode acontecer apenas por nossa opção e escolha.

E devo desde já acrescentar que não estou a falar do plano sentimental, mas sim do profissional (embora existam mais parecenças entre ambos do que parece...).

Claro que não são muitas as pessoas que têm a coragem de mudar, deixando para trás uma carreira estável, contrariando a opinião de quase todos, apenas porque acreditam que o sonho também comanda a vida, e que mais importante que o dinheiro é sentirem-se realizados e felizes.

O maior obstáculo a este passo, costumam ser os familiares mais próximos.

Também por isso é que um acto de grande coragem...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 26, 2016

Na América Tudo Parece ser Possível


Não resisto à tentação de transcrever uma frase de "O Livro das Ilusões" de Paul Auster, que de alguma forma retratava uma das muitas coisas que se passavam (e passam...) nos Estados Unidos da América, que dizem ser a terra das oportunidades: 

«Não tens convivido muito com actores pois não? os actores são as pessoas mais desesperadas do mundo. Noventa por cento estão desempregados, e se lhe ofereces um trabalho com um salário decente, podes crer que não vão levantar muitas questões. Tudo o que querem é uma oportunidade de trabalhar.»

Tudo isto se deve a uma conversa que tive com o meu amigo dos cinemas que me disse que tinha estado há alguns meses numa cidade em que mais de noventa por cento dos seus habitantes eram actores ou escritores (pelo menos era assim que respondiam, quando lhe perguntavam a profissão...), mesmo que a maioria nunca tivessem entrado num filme ou escrito qualquer livro.

Podiam lavar pratos num restaurante, varrer as ruas, conduzir autocarros, que isso não colidia com os sonhos e com a ambição natural de terem a sua oportunidade nos muitos estúdios que os rodeavam.

Se eu duvidasse das palavras de Paul Auster, o Gui ainda conseguiu tornar a questão mais complicada...

sexta-feira, outubro 16, 2015

A Discrição Devia Continuar a ser a Alma dos Negócios...


Há profissões que guardam segredos, outras que se alimentam da discrição. Claro que todas estas condicionantes óbvias dependem muito de se ser bom ou mau profissional.

Foi por isso que me pareceu mal ver a empregada da loja prazenteira apontar o dedo a uma sexagenária, que naquele momento passou na rua, por ser sua cliente. Acrescentando entre sorrisos que a senhora devia ter uma das melhores colecções de vibradores da Cidade.

Fiquei em silêncio, mas pensei logo em escrever uma história sobre uma qualquer mulher livre e madura, capaz de lutar contra os preconceitos que se espalham por aí, com o objectivo já muito pouco peregrino, de tentar "comandar" a vida dos outros.

Se é normal viver-se até depois dos oitenta, porque razão não se pode também prolongar a vida sexual?

Mas o mais grave para mim foi esta frase vir de uma mulher com mais de trinta anos. Nem sequer se tratava de uma pós-adolescente. 

Ainda pensei falar com ela no assunto, dias depois, mas acabei por desistir. Poderia ser mal entendido. Ela nunca iria entender que o meu interesse era meramente literário.

E assim permaneço na dúvida, sem saber se a maior fatia dos seus clientes são homens ou mulheres. 

Normalmente as piadas "sexistas" são masculinas (eu sei que isso acontece por não ouvirmos as conversas entre mulheres, mas...), deve ter sido por isso que estranhei aquela inconfidência. Claro que também fiquei com a sensação que para algumas daquelas mulheres os "devaneios sexuais" continuam a ser coisa de homem...

O óleo é de Felice Casorati.

segunda-feira, junho 15, 2015

A Barbearia Moderna


«Precisava de cortar o cabelo e entrei na primeira barbearia que descobri, sem clientes.

O homem de bigode, que me recebeu com uma vénia, convidou-me para me sentar numa das velhas cadeiras metálicas giratórias. 

Percebi que estava demasiado sisudo para um barbeiro. Já sentado expliquei-lhe o corte de cabelo que queria, ao homem que começou a dizer mal da sua vida, dos gadelhudos de todas as idades que entravam cada vez menos na sua casa. Frisou que há três anos que não aumentava os preços e mesmo assim, cada vez tinha menos gente para cortar o cabelo. Se as coisas não melhorassem, ia ter de fechar a barbearia.

Eu limitava-me a ouvir, sem muita vontade de alimentar aquele choradinho, que era comum a todos os lugares de comércio. Pelo menos falava da crise como se falasse do tempo, sem alterar o tom de voz, como se fosse preciso dizer alguma coisa para estabelecer o diálogo com o cliente.

Embora só cortasse cabelos, ele nunca usou a palavra cabeleireiro, como se isso fosse coisa de senhoras. Minutos depois, quando ele passou o espelho pela parte de trás, fiquei satisfeito com o seu trabalho. Paguei e saí, com ar de quem voltaria um dia destes.

Já na rua descobri que não ficara a saber o nome do barbeiro. Era pouco normal isto acontecer, apenas fiquei a saber que era o dono da “Barbearia Moderna”, nome entretanto gasto pelo tempo.»

A fotografia é de Robert Doisneau.

sexta-feira, abril 10, 2015

Escolas de "Impostores"


Já devo ter falado aqui das muitas escolas de "impostores" que crescem como cogumelos nas cidades,  pertença de gente que adora situações de crise ou de guerra, para encherem os bolsos à custa da "miséria" alheia.

Muitos jovens sem alma de emigrante só conseguem encontrar o primeiro emprego nestas casas cheias de secretárias, telefones, gravadores, com folhas escritas do que se deve e não dizer às pessoas, no negócio da venda de sonhos, quase sempre impossíveis.

Alguns não aguentam passar horas e horas e enganar pessoas de todos os tamanhos, sexos e idades e vão embora, desgostosos por o mundo ser tão diferente do que lhe ensinaram lá em casa...

Outros tornam-se profissionais na "arte de ludibriar" e estão preparados para dar o salto para outras paragens, onde esta arte faz "milagres". Alguns até sonham com uma carreira política, escolhendo como modelos os relvas, os sócrates, os portas, os núncios ou os coelhos...

O óleo é de Atanas Matsoureff.

segunda-feira, julho 07, 2014

Horizontes Cada Vez Mais Curtos para os Jovens


Ainda a propósito dos vestígios da conversa que deixei por aqui ontem, resolvi falar mesmo na primeira pessoa. Ou seja, tendo como exemplo os meus filhos.

O meu filho de dezasseis anos, mais "absorvido" pela crise e pelo desemprego, não arrisca nenhuma profissão, quando lhe pergunto o que quer ser amanhã...
A minha filha de nove anos quer ser actriz, sem medos. Sei que ainda não tem consciência de como se trata a cultura e os agentes culturais neste país, mas...

Acredito que se as coisas continuarem assim, provavelmente irão para outras paragens, tal como tantos jovens.

Tudo isto graças aos nossos governantes, que além de hipotecarem o país economicamente, também estão a empurrar o "futuro" de Portugal para fora das nossas fronteiras.

Claro que poderão estar a pensar em colonatos de chineses, malaios, japoneses ou de russos como solução para combater a "desertificação" humana...

O óleo é de Ivana Lomova.

domingo, julho 06, 2014

Ainda Bem que a Infância Continua a ser um Mundo de Sonhos


Todos nós sabemos que na infância cabem quase todos os sonhos, mesmo quando nos tentam proibir de sonhar.

A última conversa que tive com a Rita foi sobre um trabalho colectivo em que colaborava, que entre outras coisas procurava saber o que as crianças queriam ser quando fossem gente grande. Trabalho que contou com a colaboração de mais de mil crianças de escolas de todos os distritos do país.

Não estranhou que a maior parte dos alunos quisessem ser actores, cantores, modelos, médicos (ainda resiste este sonho...) ou futebolistas.

Estranhou sim encontrar mais miúdos com vontade de serem bombeiros que políticos, astronautas, professores, aviadores ou pilotos de automóveis velozes.

Que a televisão não enche apenas o sonho dos adultos , já todos sabíamos. Até por nunca se ter cultivado tanto essa coisa de se ser "famoso" - há muito quem viva à sombra desta ideia -, que não tem uma tradução muito linear, até por não se reconhecerem grandes feitos desta gente, para além das festas onde lhe tiram retratos para revistas e os alimentam com "rissóis e croquetes"...

A  única coisa que fui capaz de lhe dizer foi que, apesar de tudo, deve ser mais fácil tornar real o sonho de ser bombeiro, que das outras profissões ou ocupações, destacadas.

O óleo é de Steven Christopher Seward.

quarta-feira, abril 02, 2014

Quando Ouvir, Sorrir e Servir, pode ser uma Inspiração Cinematográfica


Há profissões que são mais exigentes que outras, na arte de servir o outro.

O Ruca que o diga, agora que está ao balcão da "casa de pasto" da dona Celeste e do Tio Alfredo (não compreendo muito bem este tratamento diferenciado, mas o Alfredo tem cara de tudo menos de "dom" qualquer coisa). Tem aprendido a ouvir (ou a fingir...), a sorrir (mesmo que seja forçado) e a servir (sem honra ou glória...), porque neste dias que correm não há cliente que não tenha razão...

Os barbeiros e os taxistas devem ser dos poucos que ainda se dão ao luxo de ter mais tempo de antena que os clientes, mudando de assunto conforme as suas conveniências, não se incomodando nada em desconversar com quem está "preso" no banco da barbearia ou do carro. 

Apesar de todos estes imponderáveis, o Ruca prefere estar atrás do balcão, sempre vai escutando este e aquele. Gosta especialmente daqueles que gostam de se desviar da verdade, porque davam boas personagens para qualquer filme, daqueles que ele não irá realizar...

O óleo é de Douglas Gray.

segunda-feira, novembro 25, 2013

Ser ou Não Ser Intelectual


Felizmente o termo "intelectual" está fora de moda.

Além de ter uma conotação política (normalmente era alguém que tinha lido os clássicos de Marx e Engels), era oferecido a pessoas que atingiam uma espécie de estrelato e eram convidadas a falar em sessões públicas. Havia outra coisa estranha, não precisavam de ser doutores ou de terem escrito pelo menos um livro, até porque isso era outra coisa, mais próximo da "burguesia".

Sinceramente, sempre houve algo no termo "intelectual" que me cheirou a mofo e pareceu postiço. Até por não ser profissão ou ocupação, embora aparecesse por vezes como tal...

O meu amigo Carlos costuma dizer que os "intelectuais" cairam juntamente com o Muro de Berlim. Como todos os exageros, tem pelo menos uma pontinha solta...

O óleo é de Boris Grigoriev.

domingo, agosto 18, 2013

Cantar para Além do Chuveiro


Os programas televisivos portugueses que nos tentam encher as casas de música (quase sempre de qualidade duvidosa...), aumentam no Verão, altura em que decorrem as habituais festas e romarias populares na maior parte das vilas e aldeias do nosso país.

Quando olho para estes "espectáculos", a primeira constatação que tenho é que há por aí muita gente "enganada", que pensa que sabe cantar, mas que não passaria sequer da primeira eliminatória de um programas como "Os Ídolos". Poderiam quanto muito ser escolhidos como "tesouros deprimentes".

Poderão ripostar e dizer que estes exemplos também podem ser transpostos para a literatura, o teatro, o cinema, as artes plásticas, etc, mas não há comparação possível. Nem um Lobo Antunes ou um Júlio Pomar, têm a mesma visibilidade (nem queriam, certamente) que qualquer destes cantores de qualidade duvidosa (e nem falo das letras que cantam....).

Durante algum tempo acreditei que uma boa parte destas pessoas "sabem ao que andam", que esta foi a forma que encontraram para ganhar algum dinheiro, principalmente no Verão. 

Mas hoje penso que a grande maioria se julga mesmo melhor do que realmente é...

Talvez os aplausos consigam retirar a importância dos espelhos nas suas casas...

O óleo é de Jorge Crespo Berdécio.

terça-feira, abril 16, 2013

O Velho Marinheiro


Embora tivesse escolhido para todo o sempre, ser apenas "marinheiro de água doce", o velho Comandante Jorge aproveitava todas as oportunidades que a vida lhe dava para vestir a sua farda de oficial da Marinha Mercante.

Sorria para os companheiros, escondendo o desgosto de ser apenas "meio marinheiro". Foi logo durante o curso que percebeu que o seu amor pelo mar não era correspondido pelo seu corpo frágil, mais especificamente o seu estômago, que dava voltas e voltas, acompanhando as ondas e provocando enjoos permanentes, que faziam com que largasse "carga ao mar", mesmo quando apenas lhe restavam as tripas...

Embora ocupasse cargos de responsabilidade na orgânica naval, limitava-se a ver os navios partirem rente ao cais, muitas vezes fardado, como qualquer comandante de uma daquelas barcas que desafiavam o oceano e seguiam os caminhos desbravados pelos nossos estupendos navegadores quinhentistas.

O óleo é de Douglas Gray.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

O "Almeida Poeta"


Contaram-me uma história carregada de preconceito, quase ao jeito de piada.

Um dos homens que andam pela cidade a apanhar os papeis e outras coisas que teimamos atirar para o chão, tal como o vento, escreve poesia, como se fosse algo de extraordinário.

Tudo começou quando m dos colegas achou estranho vê-lo de vez enquanto parar e escrever qualquer coisa num bloco que trazia no bolso.

Quando lhe perguntou o que escrevia, ele respondeu apenas com uma palavra: POESIA

O que ele foi dizer... o colega quase que se rebolou pelo chão e não ficando satisfeito, contou a todos os companheiros que encontrou.

Agora todos o conhecem pelo "Almeida Poeta".

Quando me contaram, acrescentaram que tinha de o conhecer e levar para as sessões de poesia. Percebi a provocação e disse que sim, sem me rir.

Sei que as pessoas adoram colocar rótulos e até sinais proibidos, mas não percebo porque razão alguém que anda por aí a limpar as ruas, não pode escrever poesia... 

O óleo é de José John Santos.