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quarta-feira, julho 11, 2018

O Mundo Pode (e Deve) ser Bem Melhor...


O que se passou na Tailândia, é a melhor prova de que o mundo, pode e deve, ser bem melhor do que é. Basta que se combata a indiferença, cada vez mais generalizada, e se quebrem as inúmeras montanhas artificiais que nos separam, quase sempre provocadas apenas pelo egoísmo e pelo materialismo.

Mais uma vez se percebe a importância que pode ter uma comunicação social, mais livre e atenta, direccionada para as inúmeras causas nobres levadas a cabo por esse mundo fora e mais distante dos múltiplos interesses políticos, sociais e comerciais, que nos cercam. 

Algo que não tem acontecido muito nos últimos anos, especialmente no Médio Oriente. no Norte de África e no Mediterrâneo...

(Fotografia de Lilian Suwawrumpta)

domingo, julho 01, 2018

O Dia Seguinte (de apenas mais um espectador de bancada)...


Sei que hoje não é o melhor dia para se falar de futebol e da selecção, que ontem se despediu do Mundial. Mas as coisas são o que são... e a nossa equipa nunca conseguiu ser convincente durante a competição (tal como já acontecera no Europeu, onde algumas alminhas ainda hoje dizem que a Senhora de Fátima, também andou por ali a jogar e nos ajudou a vencer...).

A primeira coisa que eu penso, é que é muito difícil encontrar um treinador perfeito (mesmo quando ele se chama José Mourinho, Fernando Santos ou Leonardo Jardim...), para uma selecção. Conseguir que jogadores que jogam em campeonatos de países como a Espanha, Inglaterra, França, Itália, Escócia, Rússia China, Alemanha, Turquia ou Portugal, em pouco mais de quinze dias, formem uma equipa, é uma tarefa para muito poucos...

Mas há pelo menos um aspecto, em que Fernando Santos é muito bom, bem melhor que os seus antecessores (Scolari, Queirós e Bento): consegue criar um ambiente saudável e solidário à sua volta, deixando bem vincado, que conta com todos os jogadores, que trata da mesma forma (com ele acabaram-se os filhos e os enteados...). Foram vários os jogadores "proscritos", que voltaram a vestir a camisola nacional com ele (Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Tiago, Bozingwa - infelizmente Vitor Baía já se tinha retirado e não pode ser reabilitado, ele que foi tratado de forma miserável pelo "treinador das bandeirinhas" e pelos dirigentes de então...) e com sucesso.

Agora como treinador do campo, Fernando é um técnico muito conservador, com tudo o que existe de negativo nesta palavra (joga quase sempre com os mesmos jogadores e com o mesmo modelo de jogo, raramente faz mudanças tácticas, e as substituições que realiza são cirúrgicas, porque normalmente não perde...).

Mas neste Mundial ainda aconteceu outra coisa, quando quis fugir da fama de "conservador", foi "traído" por algumas novas apostas que fez, como foram o caso das em Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e Bruno Fernandes, que até para quem está na bancada, pareciam as melhores... Infelizmente nunca estiveram iguais a eles próprios. Medo? Se foi, não se compreende, os dois primeiros jogam nas duas Ligas mais competitivas do Mundo. Fora da posição habitual? Não vou por aí. Sombra de Ronaldo? Provavelmente sim... é sempre um erro jogar para, e com, um único jogador.

A ideia que temos de fora, é que quem lidera tem uma percepção da realidade diferente. Normalmente repara nas coisas demasiado tarde... Esquecemos que para o treinador os onze que estão lá dentro, são os melhores...

Embora tenha dificuldade em encontrar no José Fonte, qualidades para ser titular da selecção, percebo que não há grandes alternativas. A minha "costela" benfiquista diz-me que Fernando Santos devia ter apostado no Bruno Dias, mas podia ser mais um falhanço... E os nossos laterais são tão baixinhos... É também por isso que no meio-campo, devia ter apostado mais no Manuel Fernandes e no Adrien, por serem mais combativos e mais fortes fisicamente que João Mário ou João Moutinho... Em relação ao ataque não digo nada. Cristiano esgotou as "pilhas" nos dois primeiros jogos. Gonçalo Guedes, André Silva, Gelson Martins e Bernardo Silva, estiveram muito abaixo do que valem. Só mesmo Ricardo Quaresma mereceu todos os minutos que jogou...

(Grande lençol! Não era para escrever tanto, mas...)

(Se há alguém que voltou a demonstrar que é um dos melhores guarda-redes do mundo, é Rui Patrício - fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, novembro 09, 2017

Recomeçar (ou não) de Novo...

Encontrei um rapaz que de vez enquanto desaparece do mapa e estou anos sem o ver.

Ao contrário de mim, já viveu muitas vidas no mundo que nos espera à porta de casa, todos os dias. Só casamentos foram três, todos eles de curta duração (o que durou mais ficou-se pelos quatro anos...). Já morou em várias cidades e países, mas acaba por voltar sempre à casa dos pais, os únicos que nunca lhe fecham a porta...

Está mais desiludido que nunca, por saber que já não vai para novo e que cada vez há menos empregos para quem se aproxima dos cinquenta. A primeira vez que o vi sorrir durante a nossa conversa foi por causa das histórias de assédio, que estão na moda, ao ponto de ele pensar que sempre deve ter sido um "assediador" militante, pelo menos nos trabalhos onde havia gajas boas. Disse isso como se o "atiranço" fizesse parte da nossa condição de "macho".

E a partir de aqui a conversa melhorou bastante. Foi delicioso vê-lo a "despir e a vestir" as mulheres que foi conhecendo e despachando, e também das outras, que o despacharam... Debitou lugares-comuns a uma velocidade incrível. Afirmou saber, por experiência própria, que todo o amor tem prazo de validade, mesmo que exista por aí muita boa gente que se finge feliz, por ter um casamento com cinquenta anos e mais.

Quando nos despedimos percebi que não é só a vida que nos quer correr mal... nós também nos esforçamos para que ela caminhe (ou não...) para os lados errados, do dia ou da noite...

Somos todos diferentes e todos iguais. É por isso que há quem consiga viver a vida inteira no mesmo lugar e também quem precise de andar a saltitar de terra em terra, à procura daquilo que parece não existir...

(Fotografia de Ruth Orkin)

terça-feira, agosto 08, 2017

O "Coro das Velhas" está Cheio de Novas...


Sei que não é apenas portuguesa a mania de dizer mal dos outros nas suas costas - estou cada vez mais convencido que é universal... -, da mesma forma que penso que faz parte da imperfeição humana e também da  forma cobarde e hipócrita como as sociedades urbanas são "educadas" e condicionadas, desde a escola ao mundo do trabalho.

Nem é preciso colocarem avisos nos locais de trabalho, todos nós sabem que os empregos são oferecidos prioritariamente a "carneiros" e "cordeirinhos", que além de saberem falar inglês, francês, também têm de fingir saber "tocar piano" ou "violino"...

(Onde é que eu já vou...)

Sim, começo a escrever e a afastar-me do eco do "coro das velhas" (que agora recebe gente de todas as idades e sexos...), que cortava na casaca de um casal, por este ter a dignidade de sair de casa bem vestido, com o desplante de olharem o mundo, olhos nos olhos.

Ouvia aquela má língua e arrepiava-me. Mas também não fui capaz de dizer nada. A minha única forma de protesto foi o arrastar da cadeira, enquanto virava costas ao "coro das velhas". 

Quando se tem dois filhos, um a sair e outro a entrar na adolescência, e se percebe que a entrada dos jovens na toxicodependência, é completamente aleatória, (basta estar no lado errado à hora errada...), é mais fácil ser solidário com quem sobrevive todos os dias, enfrentando este problema com a discrição possível, que atirar facas nas suas costas...

(Óleo de Norman Rockwell)

sábado, abril 01, 2017

As Primeiras Impressões...


Às vezes fazemos perguntas que sabemos que não irão ter resposta, porque há sempre razões que a razão desconhece...

Na sexta a Rita estava irritada porque tinha tido uma manhã daquelas. Foi por isso que me perguntou porque razão gostávamos de algumas pessoas mal as conhecíamos, e outras, nunca lhe dávamos sequer espaço para uma conversa, quanto mais oportunidade para algum dia sermos amigos.

Pois é, não se explica mesmo (pelo menos de uma forma racional) a empatia que sentimos por algumas pessoas, ou o contrário, com outras...

(Óleo de Nikolai Chernyshev)

terça-feira, janeiro 10, 2017

A Justiça e a Injustiça dos Prémios...


Hoje assisti aos lamentos de alguém que concorreu a um prémio literário, e ao ser derrotado, não só pôs em causa o júri, como o próprio vencedor.

Disse-lhe que provavelmente  com outro júri, haveria outro vencedor. Mas isso faz parte dos concursos e das diferenças de gosto de cada um de nós. Claro que não o convenci (também não queria...).

Isso fez com que me lembrasse do fim da tarde de ontem, onde senti mais uma vez, que o "nacionalismo" muitas vezes soa a ridículo. Uma boa parte dos comentadores acharam que a entrega do prémio de melhor treinador do Mundo a Cláudio Ranieri foi  injusta e que quem devia ganhar era Fernando Santos...

Como eu não costumo ir atrás de "nacionalismos bacocos", achei que o treinador que conseguiu ser campeão de Inglaterra (que é considerada a melhor liga profissional do Mundo...), com uma equipa mediana, ao conseguir um feito extraordinário, realizado durante trinta e muitos jogos - e não em apenas sete jogos do campeonato da Europa -, mereceu, com todo o mérito, ser considerado o Melhor Treinador do Mundo.

Felizmente este ano ninguém colocou em causa Cristiano Ronaldo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

terça-feira, junho 28, 2016

As Danças da Vida...

Estou farto de saber que a verdade e a ficção passam a vida a abraçarem-se e a dançarem, músicas que tanto podem ser mexidas como uma coisa mais elaborada e bonita, como um tango. Sempre achei este aparte óptimo, aliás, acho que é também por isso que escrevo...

A história de um rapaz da minha idade, que nunca trabalhou, pelo menos se pensarmos nas profissões normalizadas que normalmente nos deixam sempre pouco realizados, encheu a mesa do café, há pelo menos meia-dúzia de dias. 

Depois de contarem que ele vivia à conta de uma mulher com idade para ser sua mãe, houve comentários para todos os gostos. Só o Jorge é que foi capaz de adjectivá-lo sem qualquer tipo de moralismo, utilizando apenas uma palavra:  «Esperto.»

Eu já conhecia a personagem e a história apenas confirmou aquilo que os meus olhos já tinham descoberto há pelo menos meia-dúzia de anos.

Mas o que me interessou mais foi a história da mulher - essa sim, completamente desconhecida -, que ficou rica depois dos sessenta anos, e de uma forma completamente improvável. O marido que sempre lhe fizera a vida negra e nunca lhe deu qualquer filho (a maior tristeza da sua vida...), teve um acidente de trabalho fatal. Como a multinacional onde trabalhava tinha um bom seguro de vida, a senhora tornou-se milionária de um dia para o outro.

Em poucos meses tornou-se uma outra mulher. Comprou um apartamento mais central e maior, passou a vestir-se com gosto e frequentar a cabeleireira todas as semanas e a ter um cachorrinho para a acompanhar nos passeios. E para ser falada, ainda arranjou o tal "moço de companhia", o rapaz que deve ter mais ou menos a minha idade, e que também deve ter sentido que lhe saiu a sorte grande, quando ela o aceitou na sua vida...

Como calculam houve comentários de todo o género naquela mesa de homens. Alguns bem ordinários, diga-se de passagem. Eu limitei-me a sorrir.

A senhora não sai muito, mas quando a encontro, vejo-a bem arranjada e com um ar feliz. E fico a pensar - ao contrário de alguns companheiros - que finalmente a vida lhe lançou um sorriso e lhe ofereceu a oportunidade de acabar os seus dias ao lado de alguém que a respeita e que ela deve tratar como um filho (embora possa estar errado, nunca os vi como amantes...).

E ele também não se deve importar muito com o seu papel, até por ter bastante liberdade de acção. Não é por acaso que ele é um frequentador assíduo das matinés dançantes do Ginjal.

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)

sábado, junho 25, 2016

Um Bilhete Postal para a Croácia

Hoje a selecção portuguesa teve sorte na vitória alcançada sobre a excelente equipa da Croácia, num lance que resultou da aparição esporádica de Cristiano Ronaldo, aproveitada pelo talento de Ricardo Quaresma, mesmo quase no final do prolongamento.

Mas depois do que aconteceu, especialmente nos dois primeiros jogos, era tempo de se mudar alguma coisa, nem que fosse o sentido da sorte. Provavelmente foi também por isso que o Cédric e o Adrien foram titulares...

E agora seguem-se os polacos.

Mas é bom que a selecção comece a jogar melhor, mesmo que este seleccionador seja mais adepto da eficácia que do bom futebol.

Cédric e Renato Sanches deram mais que provas durante os mais de 120 minutos de jogo que merecem um lugar no onze.

Escolhi esta fotografia, porque Modric, Vida, Srna e companhia, bem merecem regressar a casa num paquete de luxo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Entre a Surpresa e o Desafio da Fúria de um Olhar

Era difícil enfrentar aquele olhar que quase me fustigava, mas não me desviei um milímetro. Acho que o fiz mais pela surpresa que por outra coisa qualquer. 

Não passava de um jovem  com idade para ser meu filho, completamente desconhecido. Provavelmente travava uma "batalha" contra ele próprio, como é próprio destas idades, e pelo caminho tentava envolver quem lhe surgia pela frente. Ainda o tentei desculpar, dizendo para os meus botões que ele estava a olhar para o "mundo", que se encontrava logo ali, atrás de nós.

Antes do metro aparecer ele resolveu "entrar noutro filme", Baixou a cabeça e escondeu o olhar de mau rapaz.

Enquanto esperava não fui capaz de ficar indiferente ao jovem que estava agora de costas. Pensei que a vida raramente é aquilo que sonhamos. Embora pouco ou nada nos valha tentar culpar os outros pelas ondas de fracasso que nos rodeiam. 

Ele, mesmo que não tivesse dado por isso, ainda tinha todo o tempo do mundo para dar a volta por cima e aproximar-se do território dos sonhos.

O que não resolve nada, mesmo nada, é olharmos para os outros como se nos devessem alguma coisa, enquanto continuamos a caminhar sós na direcção do vazio...

(Óleo de Guy Troughton)

sexta-feira, maio 22, 2015

A Vida Especializa-nos no que Gostamos


Não tenho dúvidas que a vida vai-nos especializando naquilo que gostamos.

Quem gosta de moda, está sempre a par das últimas novidades de roupas, maquilhagens, sapatos, etc.

O mesmo sucede com quem gosta de carros, motas, barcos, etc.

Eu é mais artes e letras. Sei mais coisas de literatura,  fotografia, cinema, artes plásticas, etc.

Claro que nem sempre conseguimos tirar o melhor partido dos nossos conhecimentos, porque a vida também é assim, complexa e desconcertante.

Não é por acaso que a sabedoria popular diz que se "dá nozes a quem não tem dentes", entre outras coisas...

O óleo é de Shirin Donia.

domingo, dezembro 07, 2014

Levar-me ou Não a Sério (ou Conversar com o Espelho)


Provavelmente tenho perdido algumas oportunidades na vida, por não correr muito atrás das coisas, por não andar a bater em "portas", que normalmente estão fechadas (e é preciso insistir, ser chato...). Talvez continue iludido que além do talento, a sorte manda muito no mundo das artes, mesmo sabendo que não é bem assim (empurrão daqui, empurrão dali, são a sorte de muita gente...).

Mas pelo menos ando com os pés no chão, olho para o mundo de frente, sigo o meu caminho, sem curvas e contracurvas, e não só consigo, como gosto de sorrir para as coisas simples.

Não sei se algum vou escrever um grande livro, se vou ter mais leitores do que esperava.

Sei apenas que não vou deixar de olhar para o mundo com a minha visão peculiar, nem prender os dedos da mão, quando sentem aquela vontade enorme de escrever (sim continuo a escrever em papeis (guardanapos, talões de multibanco, recibos de compras - o que está no bolso) porque as ideias surgem-me por todo o lado.

Às vezes pergunto-me: «o que andas à procura?». E não sei responder. Provavelmente de nada. Escrevo apenas porque gosto, escrevo porque preciso, escrevo porque quero ser melhor amanhã. Sim, a busca da perfeição também é uma constante na vida, por mais imperfeitos que sejamos...

Não sei se escrever é um dom. Sei que não aprendi a escrever (com a imaginação) em escola nenhuma. Nem venho de uma família de "artistas". A rua e as pessoas continuam a ser minha melhor a "escola" e a grande fonte de "inspiração".

O óléo é de Alice Brueggermann.

quarta-feira, junho 11, 2014

Os Dias Longos


Há dias maiores que os outros, porque os minutos e as horas não passam por nós ao mesmo ritmo.

Cada vez mais me convenço que a história das horas terem sessenta minutos é uma "balela", como tantas outras que fazem parte do nosso dia a dia...

O óleo é de Ophelia Redpath.


sábado, janeiro 04, 2014

A Sorte dá um Trabalho do Caraças


Eu já sei há algum tempo que a sorte dá um trabalho do caraças.

Hoje tive mais uma vez a prova, através da organização de um espectáculo de homenagem a um amigo que fez há dois dias a bonita idade de noventa anos e que se chama Fernando Barão.

Correu tudo bem. Tenho a certeza de que as pessoas que encheram o Salão da Incrível Almadense, saíram satisfeitas com o espectáculo e com o ambiente fraterno que se viveu e que teve vários pontos altos, desde o número alegre de teatro "O Barão de Cacilhas" (que escrevi e até interpretei um papel pequenino...) ao excelente filme realizado pelo Pedro, neto do Fernando, com fotografias, pedaços de filmes e os testemunhos da filha, do genro, dos netos e dos bisnetos, cheios de amor, mas sem qualquer ponta de lamechismo.

Mas o melhor de tudo foi sentir a felicidade do homenageado e dos seus familiares e amigos próximos.

E que bom é ter amigos como o Carlos, o Orlando e o Chico! Fomos mais uma vez uns autênticos "mosqueteiros" a dobrar as várias adversidades (a última aconteceu dois dias antes do espectáculo, quase com a ameaça velada de uma não participação...) que nos surgiram pela frente.

O óleo é de Heidi Palmer.

sexta-feira, dezembro 13, 2013

Há Dias de Sorte, Mesmo que Sejam 13


Hoje, dia 13, do último mês do ano, é com toda a certeza um dia de sorte.

Claro que não é preciso exagerar e investir a sério no "euromilhões" ou em qualquer lotaria, também de milhões.

Digo isto porque nunca me dei mal com o treze e os gatos que gosto mais, até são os pretos, quase panteras em miniatura.

Apesar do tempo ter andado cinzento, a ameaçar chuva, estive-me  nas "tintas" para ele. Não me roubou o sorriso nem a leveza de ser a última sexta-feira da "mitologia do azar". E até me fartei de subir e descer escadas.

O óleo é de Carol Arnold.

sexta-feira, junho 22, 2012

Uma Aguarela à Espera de um Dono Novo


Hoje quando me preparava para ir montar uma exposição, encontrei um quadro encostado a um contentor.

Só há duas coisas que me chamam a atenção, mesmo rente ao lixo, são livros e quadros (nem sempre tenho coragem para me aproximar e mexer-lhes, mas desta vez não estava ninguém por perto...).

Peguei no quadro com o vidro partido e fiquei logo com a sensação que se tratava de um original (uma paisagem...) e levei-o até ao meu destino.
Assim que lá cheguei retirei os pedaços de vidro e passei os dedos pelo papel, para sentir os grãos da tinta.

Não consegui identificar nome do autor, pois a paisagem campestre estava assinada e datada ( era de 1994...).

O óleo é de Eric Rimmington.
  

terça-feira, janeiro 03, 2012

Azul


Nada ofuscava o azul dos teus olhos.

Os teus cabelos pouco cuidados ou a roupa gasta e suja pelo tempo, eram apenas elementos secundários.

Nada te roubava a força do olhar, nem a vontade de um dia seres gente.

Sim, gente. Gente como os que te olham de lado, fingindo não ver a beleza do teu olhar...

O óleo é de Daniel Brici.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Não Sei Porquê...


Não sei porquê, mas sempre preferi fotografar lugares sem gente. É, sempre preferi os candeeiros às pessoas.


Em parte isso deve-se à minha falta de jeito para explorar a componente humana, sinto sempre que estão a mais na fotografia.

Por outro lado também tenho pouca paciência para ficar à espera do "passarinho". E a paciência é uma qualidade básica para se ser bom fotógrafo...

Esperar é mais que uma virtude para quem tira retratos, muitas vezes é o segredo de uma fotografia única. Tanto se pode ficar à espera do Sol, como da Sombra, ou até de um sorriso, ou de uma distracção.

Embora acredite muito no "click" de momento, sei que a sorte é uma coisa tramada, dá sempre um bocado de trabalho...

segunda-feira, novembro 07, 2011

Nascemos Velhos do Restelo


Olho para a nossa história e sinto que sempre foram mais os que ficaram no cais, que os que partiram nas caravelas. E não foi apenas uma questão de espaço...


Mesmo nos tempos salazarentos, eram mais os que ficavam, condenados à miséria, que aqueles que partiam à aventura para outros países, em busca do que não existia por cá: dinheiro para comprar pedaços de sonhos.

Nem mesmo durante a guerra colonial, se fugia do destino, que podia muito bem acabar além mar. Só uma minoria teve coragem para desertar.

Ainda hoje é assim. É por isso que digo que a maior parte de nós nasceu "velho do restelo".

Felizmente há sempre alguém que parte e tem sucesso, na senda de Vasco da Gama ou de José Mourinho.

Acho que nós, os que ficamos por cá, com o olhar preso ao cais, gostamos muito do chão que pisamos, mesmo quando o vento teima em soprar contra tudo aquilo que é razoável...

O óleo é de Anne Magil.

sábado, setembro 10, 2011

O Querer Ser Alguém, o Querer ser Alguma Coisa...


Quando somos crianças, queremos ser tudo, ainda não conseguimos dividir muito bem as linhas que separam o possível do impossível, o que é óptimo, diga-se de passagem. Queremos ser isto e aquilo muito pelo que nos vai acontecendo e pela forma como nos mostram o mundo. Nos tempos de glória Eusébio (tal como hoje nos de Cristiano Ronaldo...), era fácil querermos ser craques de futebol, tal como quando o Armstrong pisou a Lua, todos falarmos em ser astronautas.

A proximidade também faz milagres, se formos vizinhos de um bombeiro, daqueles que correm para o quartel assim que soa a sirene (algo que desapareceu com o profissionalismo desta função humanitária...) e os vemos pendurados nos carros que circulam a alta velocidade dentro e fora das cidades, pelo menos nesse dia queremos andar por aí a apagar fogos e a salvar vidas. O mesmo se passa com o polícia que prendeu um ladrão perigoso. Por um dia, queremos prender todos os bandidos deste mundo.

Na adolescência as coisas começam a mudar, quando tudo nos é possível, alguns sonhos tornam-se aparentemente realidade. É nesta altura que fazemos parte de bandas de música barulhenta, mesmo sem termos grandes noções técnicas da coisa. Queremos ser alguém (não é de hoje o desejo de sermos famosos, deve ser de sempre...), queremos sair da mediania, mudar para uma cidade grande se vivemos num sitio pequeno, viajar para uma das várias capitais do mundo se já vivemos num grande centro urbano.

Na idade adulta, continuamos a abraçar os sonhos, a querer ser isto e aquilo. Mesmo que a vida nos empurre para lugares distantes, mantemos sempre o sonho secreto de um dia sermos isto ou aquilo... mesmo que ele se vá afastando cada vez mais de nós.

É por isso que penso que enquanto conseguirmos alimentar a ilusão que a sorte também pode cair do céu, como a chuva, será sempre mais fácil sorrir para o mundo que nos cerca.

O óleo é de Jenness Cortez.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Partir...

«Ele sabia que já ninguém partia pelo mar e isso deixava-o triste.

Para ele não havia partidas nem despedidas sem mar, muito menos chegadas.

É uma banalidade partir para fora, empurrado para o interior de pássaros de ferro e depois desaparecer no meio do céu azul, com e sem nuvens.

Foi por isso que andou a cirandar rente ao cais e a perguntar onde se podia arranjar emprego como tripulante, de qualquer barca, um cargueiro, um graneleiro ou outra coisa qualquer, desde que estivesse distante das cidades ambulantes que atracavam em Lisboa, diariamente. Falaram-lhe de duas ou três empresas rente ao Cais Sodré.

Apontou os nomes.

Queria e precisava de partir. Estava farto de ser ninguém, de não ter um trabalho com um ordenado decente. Mas estava ainda mais cansado do ambiente pesado que o rodeava, empestado de lamuria, inveja,vaidade, incompetência e falsidade, que faziam do seu emprego um "teatro" muito mais trágico que cómico.»

Nota: Encontrei este texto num dos cadernos de capa preta, escrito há mais de vinte anos. Mas até podia ser de hoje, em que é cada vez mais urgente partir...

O óleo é de Cláudio Dantas.