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terça-feira, agosto 06, 2019

As Passadeiras Estão Quase Sempre no Sítio Errado...


Claro que este título não é para ser levado à letra, embora se fique com a sensação de que uma boa parte de nós olha para as "zebras" das nossas ruas desta forma, preferindo atravessá-las um pouco antes ou um pouco depois.

Há uma ou outra passadeira mal colocada (como as que surgem logo depois de curvas e com pouca visibilidade, para os peões e para os condutores), mas todos sabemos que o problema não começa nem acaba aí.

Há sim o gosto de "infringir", de atravessar as ruas onde nos dá mais jeito, esquecendo que também existem "multas" para peões...

O problema não seria tão grave, se não fossem as pessoas de mais idade (com menos reflexos, menos visão e menos audição...), a escolherem quase sempre o caminho mais curto para chegar ao "lado de lá"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, julho 14, 2019

«Sabes lá o que é ver a vida a fugir!»


Aquela frase podia ser para mim, mas não era. Nem sabia muito bem o seu contexto, pois apanhei-a em andamento, no meio da rua.

Mas a mulher que a soltou, não estava nada animada, eu diria, pela forma como se expressou, que estaria entre a revolta e o desespero. Provavelmente teria razões para isso. Sem precisar de lhe pedir o bilhete de identidade (talvez daqueles que já não existem, vitalícios...), percebi que tinha ultrapassado os oitenta anos, há já algum tempo.

Continuei a andar, sem olhar para trás, mesmo assim a frase não me saiu da cabeça durante algum tempo. Imagino que quem tenha entre os oitenta e os noventa anos, tenha uma percepção do tempo, bastante diferente da minha, que sinta que a qualquer momento pode ser agarrada pela "morte".

Embora digam que a "inoportuna" não escolhe idades, a estatística é "menina" para nos dizer o contrário...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, junho 26, 2019

Os Dias Grandes e os "Operários Europeus"...


Nestes dias grandes, em que às vinte e uma hora ainda é dia, sabe bem andar por aí pelas ruas. 

E por estes dias ainda temos a vantagem de o calor dos "quarenta" andar fugido um pouco mais para norte, ou seja, afastou-se ligeiramente dos povos do Sul do Mediterrâneo, que segundo os "operários europeus" (que passam o ano inteiro em férias no nosso país...), se escondem atrás do sol, para não fazerem nenhum.

Embora nós é que sejamos "alérgicos" ao trabalho, nunca percebi muito bem como é que milhões de pessoas por esse Mundo fora (e de todas as idades...) podem andar quase sempre de férias. Sei que a riqueza sempre esteve mal distribuída, mas mesmo assim, acho estranho ver tantos ingleses, alemães, holandeses, franceses, suecos e noruegueses (e fico-me por aqui), a quererem roubar-nos o nosso Sol, nas esplanadas ou nos degraus que se ergueram à beira Tejo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, junho 14, 2019

O Mundo Azul e o Mundo Cor de Rosa


Apesar da existência de alguma pressão televisiva (nos programas de entretenimento e nas novelas), para que se olhe para tudo o que nos rodeia com "normalidade", a vida  (tal como ela é...) nem sempre nos deixa acompanhar o "progresso"...  

Eu sei que às vezes só o descobrimos quando "a boca resolve fugir para a verdade"...

Se os dois homens estrangeiros de meia idade (talvez ingleses, pela forma cuidada como se exprimiam em inglês...), que vestiam roupas de cores vivas, não tivessem caído nas boas graças de um grupo de três mulheres maduras, sempre atentas ao quotidiano, eu não estaria aqui a escrever este fait-diver.  

Elas, meio  brincar meio a sério, foram dizendo que não deixavam os seus homens saírem à rua naqueles "preparos" (achei graça a esta palavra, fez-me lembrar a minha avó, mesmo que tenha sido dita de forma jocosa...), com calças vermelhas, verde alface ou camisas amarelas ou cor de laranja. Acrescentaram mais alguns pormenores pitorescos, ligados aos cabelos e ao penteados (e até às sobrancelhas...).

Ainda bem que continuamos a não falar das mesmas coisas que as mulheres... Umas vezes por distracção, outras por pudor, e outras ainda, pela simples razão de nem sempre coincidirmos nos gostos e nos pensamentos...

Ao escutar as três senhoras, lembrei-me das pessoas modernas, que em nome da "igualdade", querem acabar com os mundos "azul e cor de rosa". 

Mundos que ainda nos continuam a diferenciar (mesmo que tenham o dedo do comércio)  assim que vimos ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, maio 23, 2019

As Paredes Gostam de Coisas Bonitas


Quando olhei este retrato pintado (fica próximo do Cais do Sodré, à beira rio), pensei que não deve haver por aí, parede que resista a uma pintura bonita...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, maio 21, 2019

«Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo»


Um rapazola que não devia ter muito mais de vinte anos descia a avenida montado num descapotável vermelho, de matrícula inglesa, com o volante ao contrário.

Como todos os "deslumbrados", olhava para todos os lados, a dizer que estava por cá.

Um homem parado no passeio disse para quem o quis ouvir: «Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo». Se era assim, devia conhecer um pouco mais da vida do rapaz que o comum dos mortais, que estava por ali, naquele momento.

Sabia que basta jogar na terceira ou quarta divisão inglesa, para ganhar mais dinheiro, que muitos jogadores da nossa Primeira Liga...

Mesmo assim desejei que o rapaz soubesse que a vida de jogador dura apenas um instante. E por isso mesmo, que não passasse demasiado tempo a passear-se de descapotável...

Quando estava a chegar a casa, agradeci à rua, por continuar a ser um bom "alimentador" do Largo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, abril 11, 2019

O Copo Meio Cheio e o Copo Meio Vazio...


A rua tem essa coisa boa de as vozes se espalharem por aqui e ali. Ou seja, são muitas vezes amigas de quem escreve (mesmo que seja apenas em blogues...), e está sem assunto. São elas que nos oferecem palavras e frases, que aparecem no ar e passam a ser de quem as quiser apanhar...

«O mundo é melhor do que aquilo que os nossos olhos vêem.» É uma frase daquelas... Até por parecer um pouco fantasiosa. 

Não consegui perceber se a senhora era religiosa, ou simplesmente optimista. 

Sei apenas que o copo meio cheio tem sempre mais umas gotas que o copo meio vazio...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 08, 2019

As Lixeiras Urbanas...


Faz-me muita confusão esta nossa capacidade de criar lixeiras. Basta encontrar um lugar meio escondido, e é logo utilizado para deitar todo o género de porcarias que já não nos fazem volta.

Embora reconheça que algumas delas sejam criadas por romenos (como a da fotografia), mendigos profissionais, facilmente reconhecidos pela sua falta de higiene e por viverem de mão estendida à porta de superfícies comerciais.

A roupa que usam é quase sempre retirada dos recolectores de instituições, espalhados pelas cidades. Roupa que depois de usada, é deitada fora, a poucos metros de casas abandonadas, em ruínas, que vão transformando em habitações provisórias de curta duração...

Do que eu não tenho dúvidas, é que se as Câmaras  e as Juntas de Freguesia estivessem mais atentas, limpando estes espaços, assim que começam a ser utilizados da pior forma, eliminavam-se muitas destas lixeiras a céu aberto...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quarta-feira, março 27, 2019

«O Verão fora de época deixa cada vez mais gente maluca»


Sorri, quando ouvi uma senhora, com idade suficiente para saber muito desta vidinha, exclamar: «O Verão fora de época deixa cada vez mais gente maluca.»

Ela até podia estar a falar dos incendiários, que começaram a riscar fósforos e acender isqueiros mais cedo. Mas não, estava a falar de um maluco qualquer que passou no centro da cidade a uma velocidade proibitiva,  ao volante de um carro vermelho que só não provocou nenhuma vitima, por uma questão de sorte...

E estava cheia de razão.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, março 01, 2019

Vozes, Poderes, Partidos e Irritações...


Quando as pessoas começam a falar do estado do país, a indignação ganha sempre forma. E quando a conversa chega a pessoas como Salgado, Berardo, Sócrates, Rendeiro, Lima, que não só continuam por aí à solta, como mantém uma qualidade de vida invejável, as coisas só podem piorar...

Mas se estes exemplos acontecem, a culpa só pode ser dos poderes político (legislativo e executivo...) e judicial. É quando percebemos com nitidez que a única voz activa que temos, é quando há eleições. 

O que não torna as coisas mais simples...

Sabemos que não votar, não resolve coisíssima nenhuma. E votar em gente como o Santana Lopes, ainda menos, por muito bom vendedor de banha da cobra que seja (e é...). Mas e votar nos partidos que têm governado o país nos últimos 40 anos? Não melhora também nada a coisa! Sobram o BE e o PCP, que quando toca reivindicar, também se perdem nas ilusões (e prometem deitar tudo a perder...).

Ou seja, é tal a confusão, que o melhor mesmo, é tentarmos não pensar muito no assunto.

Sei que esta irritação que nos invade, até pode ser populista. Mas isso nem sequer é importante, quando percebemos que os governantes, que dizem não há "folga" orçamental para aumentos, continuam a utilizar o dinheiro de todos nós, para tapar o "buraco", que parece não ter fundo, do Novo Banco, que pouco ou nada tem de jovem. Pelo menos os vícios e as desculpas dos administradores, parecem ser as mesmas de sempre, bem antigas...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

terça-feira, fevereiro 12, 2019

O Rio e a Ausência de Palavras...


Gosto dos dias em que as palavras andam à solta pelas ruas, e se forem muitas, daquelas capazes de se agarrarem a nós, quase como lapas, ainda melhor.

Talvez isso aconteça por sentir que estes dias começam a rarear...

O vulgar dos dias são os silêncios cúmplices, dos múltiplos olhares que se deixam prender pelos ecrãs quase minúsculos, que prometem oferecer-nos o mundo inteiro, com apenas meia dúzia de toques...

Ficar mais fechado entre quatro paredes (a pesquisa tem destas coisas), faz com que aprecie, ainda mais, os passeios à beira-rio, mesmo que sejam dados ao fim do dia...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

sábado, janeiro 26, 2019

A Estupidez Crescente do Comentário Televisivo e a Banalização da Memória


Se há coisa que me incomoda ouvir nas ruas e nos cafés são as discussões doentias sobre futebol, quase sempre distantes do jogo em si, pois fala-se sobretudo de clubes e de árbitros. 

Sim, raramente ouço falar da beleza do jogo, da qualidade técnica dos jogadores ou da sabedoria dos treinadores (ou da falta de ambas as coisas...). 

O amor e o desamor pelos clubes torna impossível a existência de uma conversa normal sobre um jogo de futebol. A "cegueira" e a desconfiança (sempre que uma equipa é beneficiada a primeira coisa que se diz é que "o árbitro estava comprado"...) são mais fortes que tudo o resto.

O mais curioso, é que estas "discussões de café" são alimentadas diariamente em programas transmitidos nos canais de notícias dos principais operadores televisivos, com comentadores que são capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, sem qualquer pudor.

O grave da questão é que esta "clubite", também é, cada vez mais, praticada na política, e pelos próprios dirigentes  partidários (muitos deles também comentadores televisivos, que têm o mesmo comportamento dos seus colegas do desporto, dizem uma coisa hoje e amanhã outra, completamente diferente, como se não existisse memória...

Só assim é que se percebe que quando o líder do maior partido de oposição apoia a existência de "pactos de regime", em áreas sensíveis como a justiça ou a  saúde, defendidas pelo Presidente da República, tenha a oposição de gente do seu partido, que prefere o "bota abaixo", a "intriga" e a "mentira", à defesa dos interesses e das condições de vida dos portugueses e de todos cidadãos que vivem no nosso país.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

terça-feira, janeiro 15, 2019

Foi Também por Isso....


Já não tenho muita paciência para algumas conversas gastas, sobre as mudanças sociais, que todos conhecemos.

Se a sociedade é mais individualista (e egoísta...), é natural que isso se note também na forma como as pessoas interagem umas com as outras. Reparar que falam e olham menos umas com as outras (ainda por cima têm a distracção do telemóvel, que as mantém acima dos últimos acontecimentos na China e na América...), é quase uma "lapalissada". 

Quem ainda finta esta realidade são as pessoas de mais idade, ainda sem "smart fone", que mantêm alguns hábitos antigos. Talvez seja por isso que ainda enchem alguns cafés e pastelarias, na hora do lanche.

Foi também por isso que escolhi esta jovem da fotografia que, quase parece uma "formiga sozinha no carreiro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, dezembro 21, 2018

Populismo? Não, Obrigado!


A resposta dos portugueses aos muitos convites para vestirem coletes amarelos hoje (que falta de imaginação...), foi a que se esperava (ou a que eu esperava).

Se por um lado, os revolucionários das "redes sociais" continuam a ter alguma dificuldade (e medo) em entrar no mundo real, por outro, as pessoas não gostam muito de protestar apenas porque sim.

Já se sabia que a "anarquia" da organização deste movimento, poderia ser aproveitada pelos nacionalistas do "cabelo rapado, botas da tropa e vivas ao salazar", para tentarem tomar conta dos acontecimentos e dar nas vistas, especialmente na Capital, onde se sabia que as televisões iam estar atentas (coitadas não tiveram grande espectáculo, apesar das várias tentativas de dar voz aos "revolucionários" para as câmaras...). E parece que sim (até tentaram ficar "cativos" dos guardiões do poder), que foi, pelos testemunhos de alguns participantes, que se queixaram de ser "ameaçados de morte"...

Quem deve ter tido pena de não participar, foi a nossa (salvo seja) Assunção. E o amarelo até lhe fica bem...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 01, 2018

Memórias das Ruas Lisboetas...


O Primeiro de Dezembro além de comemorar a nossa Restauração de 1640, depois de 60 anos de domínio espanhol, também é o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

Esta doença hoje "já não é uma sentença de morte", como nos diz a publicidade que foi capa do "Público" de hoje (e provavelmente de mais jornais, mas só comprei este e nem olhei as outras capas...), graças aos avanços da medicina.

O mais curioso é que ontem tinha escrito umas palavras sobre  algumas conversas com amigos antigos de Almada, que ainda se recordam dos "números de polícia" e das ruas (Ferragial, Rosa, Diário de Notícias, Gáveas, Norte, São Paulo, etc) dos bordéis que frequentaram no começo da idade adulta.

No começo da minha idade adulta existiam sobretudo "bordéis de rua", em praticamente toda a Avenida da Liberdade e também no Largo de São Pedro de Alcântara, Enquanto descia a Avenida em direcção ao Cais do Sodré, para apanhar a barca que me levava para a outra margem, recebia convites femininos de todo o género, desde o simples "vamos querido?" até ao quase cristão, "faço-te o homem mais feliz do mundo".

O curioso é que a partir da Praça dos Restauradores a "fauna" mudava, eram as "bichas" que me faziam uma perseguição quase impiedosa, normalmente sem palavras, apenas com olhares viciosos. Era uma espécie de jogo de escondidas e também de estafeta ("elas" revezavam-se de esquina a esquina, cheguei a ser perseguido por mais de uma dezena de "bichas"). 

Recordo que quando vinha acompanhado, brincávamos com o assunto e "elas" não se aproximavam muito. Agora quando vinha sozinho, o "assédio" era bem mais descarado...

O aparecimento da Sida nesses primeiros anos da década de oitenta do século passado afastou toda esta gente das ruas. Se os homossexuais ainda devem andar por ai, com mais discrição, as prostitutas não voltaram à Avenida...

(Fotografia de Luís Eme - os laços vermelhos que são colocados neste dia, em volta das árvores num dos jardins de Almada...)

segunda-feira, novembro 12, 2018

Os Novos (quase velhos) Artistas de Rua...


Os chamados artistas de rua eram normalmente pessoas com algum talento circense ou musical, que animavam (e ainda animam, felizmente...) as ruas.

Mas ontem o Gui resolveu oferecer-me uma nova versão (que nem sequer é nova...), com gente cujo único talento visível é a aposta na diferença, na originalidade. São artistas sobretudo pela forma como se vestem, se pintam e se penteiam e depois se inventam e popularizam no "instagram".

Claro que não concordei com o Gui. E até lhe dei como exemplo esta Lisboa turística, que está a ser um bom "maná" para todos aqueles que escolhem as ruas para o seu palco diário, onde oferecem a sua arte a troco de algumas moedas.

Talvez as pessoas  originais também sejam "artistas", mas estão numa arte diferente...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, novembro 03, 2018

Os Meus "Teatros" de Rua...


Desde pequeno que falo e penso alto.

Nunca entendi a coisa como algo de muito "anormal" ou de singular... Mas sei que tanto pode ser analisado como um mau hábito adquirido cedo (no meu caso particular...), ou uma anomalia qualquer, um problema de parafusos, com mais ou menos aperto.

Acho a coisa tão normal que raramente penso no assunto, muito menos escrevo. Mas ontem, ao fazer o que faço todos os dias assim que saio de casa, fiquei a pensar.

Atravessei o campo aberto que além de parque de estacionamento, é o meu "corta-caminho", que me ajuda a aproximar do centro da cidade, sem gastar toda a borracha dos ténis. E como de costume, vinha a conversar com os meus botões. Uns metros mais à frente  fui surpreendido pelo ruído de um casal jovem, que acabara de sair de dentro do carro. Quando olhei para trás vi-os a sorrir. Continuei, sem perceber muito bem qual era a piada. Só uns metros mais à frente é que percebi que fora o meu "monólogo", que os ligara à terra... 

Acabei por sorrir também, só para mim, ao pensar que a minha passagem sonora os fez pensar que estavam na presença de mais um dos muitos "maluquinhos de Almada".

Quase que me apetece dizer: são estas pequenas alegrias, que fazem com que valha a pena andar a falar sozinho pelas ruas da cidade.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Coisas que Parecem Parvas, mas Não são Ditas por Acaso...


Quando ouvi o homem de mais de meia-idade, dizer aos dois homens bem vestidos, «sempre que vejo um advogado, tenho a tendência de agarrar a carteira e de mudar de passeio. E o pior, é que me apetece sempre chamar-lhe aldrabão.»

Os dois homens olharam-no de lado e continuaram a conversar, como se não fosse nada com eles.

Foi então que o João me contou o porquê daquele diálogo provocatório. O homem há mais de vinte anos, ficou sem a casa dos sogros, que lhe calhara em herança, porque foi vigarizado por um advogado, que em vez de o defender, resolveu entregar a casa, quase de mão beijada, a um cunhado, que morava lá por caridade.

A partir daí nunca mais pôde ver advogados à frente. E sempre que pode, vinga-se com palavras...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 06, 2018

Equilíbrio...


Equilíbrio é o que me sugere esta fotografia (penso que já publiquei uma parecida...).

Algo que falta cada vez mais, um pouco por todo o lado. Nem é preciso falar das redes sociais (onde se usam cada vez mais os "megafones"...) ou das caixas de comentários dos jornais e blogues.

Basta andar por aí e mudar de rua nas passadeiras, para perceber que uma boa parte dos condutores olham para os peões com cara de "buldogue", apenas porque lhe interrompemos a marcha.

Do mundo nem é preciso falar. Os EUA passam o tempo a fazer o pino. Mas os exemplos da Venezuela e do Brasil na Latina-América, não são melhores. 

E depois temos a Europa, que gosta de ser paternalista e de fingir solidária, ao mesmo tempo que pisca o olho aos nacionalismos e populismos, que continuam a crescer, numa "ocupação quase silenciosa"...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 18, 2018

O Uso e Abuso dos Pobres Desgraçados...


Enquanto subia a avenida, depois de assistir a um momento degradante, pelo menos para mim, pensei no  Luiz Pacheco, um escritor e editor, que em nome do "neo-abjeccionismo" (o que quer que isso seja...), fez coisas impensáveis para um ser humano, privando todos os que com ele viviam, de uma vida próxima do normal...

Pensei nele sem conseguir explicar muito bem porquê. Ele não seria o "espelho" do vagabundo alcoolizado que dançava e dizia ordinarices, junto a um bando de comerciantes, que ria a bom rir, - assim como todos os que estavam sentados na esplanada, a assistir ao "espectáculo de borla" - por terem contratado um "palhacito" apenas a  troco de uma imperial e de uns tremoços...

Continuei a minha caminhada, sem conseguir achar piada ao uso que faziam daquele pobre diabo... Mas talvez o problema fosse meu...

(Desenho de François G. Menageot)